quarta-feira, 27 de outubro de 2010

ÔRRA MEU

Em agosto aconteceu a entrega do Prêmio Multishow de Música Brasileira. Uma premiação que é predominantemente popular. Popular pra quem paga TV a cabo e tem acesso a internet, mas, de qualquer forma, não há nem uma escolha prévia. No primeiro estágio o voto é livre, ou seja, dentro das onze categorias pré-estabelcidas pelo canal de TV. Depois a eleição é decidida entre os cinco mais votados dentre os já votados.

Já há dezesete anos eles fazem essa premiação e esse ano um dos resgates que eles fizeram foi ter o meu amigo Serguei como garoto-propaganda e apresentador da categoria ‘experimente’. Categoria novata que premiou os mais novatos e que ainda não alcançaram a grande mídia da indústria fonográfica que passa por uma séria reforma desde a descoberta dos downloads de música e trocas de arquivos.

Eu mesmo sou a favor disso, acho que até já comentei isso aqui. Pra mim o pirata é quem comercializa, quem lucra com o trabalho de músicos e equipes que produzem o disco. Baixo música para ter, e além do mais, como garimpar raridades e músicas de discos que já saíram do catálogo das gravadoras há anos? Ainda mais eu que sou bastante eclético. Outro dia queria saber mais da obra do Vicente Celestino. Será que em alguma loja de cd vende um cara que gravava em setenta e oito rotações? Não. Então o E-Mule serve pra que? Tanto pra baixar os top hits de hoje quanto, se achar, baixar as quinquilharias melódicas do tempo da vovó. E não obtenho nenhum lucro por conta das minhas mais de três mil músicas arquivadas no computador, incluindo a discografia completa dos Beatles.

Bem, mas não estou aqui pra falar disso. O prêmio entregue em agosto revelou que por mais que haja sempre cantores ou grupos novos, há um bom tempo não há nada de novo e essa foi a observação do Serguei que na época causou tanta polêmica. Ele disse que os atuais grupos que se dizem de rock na verdade cantam letras de pagode com batida de rock e dizem que é rock. Eu concordo com ele. Se eu fico atrás de Vicente Celestino, considerado a voz orgulho do Brasil na década de quarenta, é justamente pelo fato de que nenhuma banda me faz mover um músculo pra saber mais do trabalho que está realizando.

Ainda de acordo com o Serguei, o rock não é essa coisa formatada com todos os grupos cantando essas letras de pagode, vestindo o mesmo estilo de roupas, com os cabelinhos todos cortadinhos iguais achando que aquilo que é sonzeira. Na época o jornal ‘O Globo’ pegou essa declaração que parece que ele disse diretamente ao Fiuk, filho do Fábio Júnior, e jogou para uma enquete comseus leitores cujas opções eram: a) o Serguei está certo, não há nada de novo no rock; b) o Serguei está com inveja do sucesso das bandas novas e c) Isso é uma ofensa aos pagodeiros. A opção mais votada foi a primeira, ou seja, não só o roqueiro mais velho do Brasil quanto oitenta porcento dos leitores do Globo que votaram nessa enquete acham a mesma coisa.

Não há novidade no cenário musical brasileiro. Estamos numa mesmice só. Raros se destacam por fazer uma forma não padronizada e ao mesmo tempo comercial de música. Aliás, o comercial mudou muito da época de Vicente Celestino pra hoje. Mas isso é assunto pra outra discussão.

Pra se ter uma idéia da não unanimidade desse prêmio das onze categorias, por mais que em algumas delas os artistas concorriam a dois ou três prêmios diferentes, ninguém recebeu troféu de melhor em duas categoras diferentes, ninguém se destacou mais de uma vez. Onze categorias, onze premiações diferentes. Não teve aquele ‘E o vento levou’ou ‘Titanic` que levaram quase todos os Oscars. No entanto, isso também pode ser sinal da pulverização da música, do modo como ela se mostra atualmente e da não concentração e detenção dos artistas nas grandes gravadoras. Outra discussão.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

ENCONTROS E REENCONTROS

Diz o dito popular que recordar é viver. Claro, se a gente não vive, não tem o que recordar. Uma das coisas que eu gosto de fazer e me reunir com um amigo que seja e gastar horas numa boa conversa, mesmo que seja só pra falar besteira. Semana passada falei das maravilhas do skype e MSN. Serve pra substituir esses encontros pessoais, são artifícios que podemos utilizar se nosso interloucutor estiver longe da gente. Mas de fato o mais gostoso é estar de frente com, cara a cara com alguém.

Quando morando em Londres, por estarmos no mesmo barco construímos amizades sólidas e leais. Depois de um ano de volta e promessas de visitas aos quatro cantos do Brasil pra encontrarmos com essa turma, me sinto até um político da linha promete mas não cumpre, mas é pelo fato de que quando a gente volta, adquirimos outro ritimo de vida que obrigatóriamente nos faz afastar das nossas “promessas”ou postergá-las por um bom tempo. Mas é sempre bom rever os amigos que ganhei.

Digo que tive três gerações naquela casa. As pessoas que estavam quando cheguei, as pessoas quechegaram quando eu estava e as pessoas que lá estavam quando cheguei do tour pela Europa. Tudo bem que nessa fase eu fiquei numa casa na rua ao lado, mas só ia lá pra dormir. A primeira pessoa que eu vou destacar é justamente dessa fase. A Olívia. Minha vizinha aqui de Niterói. Nunca a tinha conhecido antes e só fui conhecer em Londres. Coisas que só acontecem em Londres mesmo. Aqui, como disse, por causa dos afazeres quase não nos vemos, mas volta e meia, pelo menos uma vez por mês, a gente marca alguma coisa pra botar o assunto em dia.

No fim do ano, três meses depois da minha volta, a Rose, uma das três pessoas que se mantiveram na casa na minha terceira fase, veio passar o fim do ano aqui no Rio comigo. Fomos assistir os fogos de Copacabana no réveillon, claro que encontramos com a Olívia também. Logo depois do carnaval, quem passou um fim de semana no Rio foi a Kitty que veio de São Paulo com o namorado e mais um casal de amigos e, obviamente, me ligou pra gente se encontrar. Fomos na Lapa um dia e acho que no dia seguinte, ou dois dias depois tivemos juntos num happy hour de uma domingueira no Forte de Copacabana. Dali eles passaram no hotel, pegaram as malas e foram direto pra São Paulo Lá pro mês de maio foi a vez da Laís, também da terceira geração, saiu de Itabuna, na Bahia, pra passar uma semana no Rio e, é claro, que oportunidades como essa a gente não perde nunca. A encontrei uma vez no arpoador e dois dias depois ela estava nos visitando – eu e a Olívia – quando fizemos um happy hour na mais recente zona gastronômica da cidade, que por sinal é aqui perto.

Em junho foi a minha primeira locomoção para, dentre outras coisas me encontrar com mais elementos da turminha de lá. Marquei um almoço com a Nathy, a Kitty,o Cesinha e o Caio que acabou não indo. Passamos uma tarde de sábado agradabilíssima no centro de São Paulo, comemos comida Tailandesa por recomendação da já paulistana Kitty, já que o Cesinha e a Nathy são da região de Campinas. Por mais que eu tivesse ficado mais do que o previsto lá em São Paulo, não consegui ver o Caio.

O Caio por sua vez já havia passado uns dias com a Débora e a Catarinna, segunda geração, que também fizeram umarápida passagem aqui pelo Rio no fim de agosto. Infelizmente, também pelo tempo corrido, só as encontrei horas antes do embarque delas pra voltar pra João Pessoa no próprio aeroporto Santos Dumont, num domingo. As duas vieram comemorar o aniversário da Roberta, outra companheira de casa, moradora insular, que também não tínhamos nos visto desde o retorno dela.

Sempre estamos pra fazer alguma coisa mas a vida nos joga pra outros lados. Não há de ser nada. Aguardem Helena, Paty, Ju, Gui, Marcão, Lu, Pri, Rafa e londrinos.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A REDE

Sim. Foi proposital. O título é o mesmo de um filme com a Julia Roberts, se não me engano. E é justamente sobre a grande rede de comunicação que cobre o mundo. Afinal, se não fosse ela, esse texto não estaria sendo lido por você agora. Estou falando isso por que vou abordar as maravilhas da tecnologia. Acho estranho falar tecnologia moderna porque todas as tecnologias para serem modernas tiveram que passar pela fase arcaica também.

Sempre comparei a internet de hoje com o radio-amadorismo de ontem. Claro que dada as devidas proporções a finalidade das duas é a mesma. Se hoje a gente ainda acha um pouco estranho relacionamentos que deram certo pelos parceiros terem se conhecido via internet, minha existência em parte se deve a um encontro desse tipo acontecido há cerca de setenta anos atrás quando, depois de tantas rodadas de radio amadorismo, que hoje a gente tem por MSN ou Skype, meus avós se conheceram realmente depois de um ano de bate papo virtual.

Hoje é mais fácil encontrar gente que não vemos há um bom tempo, gente que nunca vimos e amigos de amigos através de redes de relacionamento e suas ferramentas, tais como My Space, Orkut, Facebook, Twitter e etc.

Durante todo o tempo em que morei na Europa, bati o pé dizendo que não iria fazer outro profile pra mim, bastava o Orkut, que, além do MSN, era o meu veículo de comunicação com família e amigos que ficaram no Brasil. De modo que a população de lá só tem Facebook e alguns amigos por conta dessa minha teimosia, poderiam ficar sem contato comigo. Mesmo assim cumpri minha palavra e só abri um perfil no Facebook depois de ter voltado pro Brasil. Conclusão: depois de um ano eliminei o Orkut da minha vida e só fico linkado ao Facebook. Há dois meses atrás também aderi a moda do momento e fiz um twitter pra mim. Ainda bem que são só cento e quarenta toques e não dá pra escrever muita coisa. A besteira é pouca.

Talvez o fato mais legal da internet é você poder se transportar pra onde quiser. Um exemplo disso vivi duas vezes com a mesma pessoa. Uma foi no mínimo inusitada. Eu já ouvi falar em casamento por procuração, mas casamento virutal eu só presenciei um, que por sinal foi um dos melhores casamentos que fui. Geralmente a noiva atrasa, sua entrada é a expectativa da noite. Nesse casamento foi o contrário. O noivo não pode comparecer fisicamente por motivo de força maior, então o reverendo fez a cerimônia normalmente com a cara dele numa tela de computador, através do skype. Enquanto ele e o cunhado etavam sós numa casa nos Estados Unidos, nós aqui, incluindo a mãe e as irmãs dele, nos divertíamos ao som de DJ, num quiosque na beira da praia, numa das melhores festas de casamento, apesar da chuva e do frio.

Essa idéia ficou incutida na nossa imaginação. Uma coisa tão comum em escritórios, a videoconferência, pelo menos pra minha família, está se tornando motivo de reunião, já que minha prima, uma semana depois do casamento, estava voltando a morar nos Estados Unidos. Dois meses e meio depois a situação se repetia, mas dessa vez ao invés de casamento era aniversário. A festa rolando solta na casa da minha tia com bolo, guaraná e muito cachorro quente pra gente aqui enquanto lá nos Estados Unidos ela chegava de um jantar com o marido o filho e a sogra. Detalhe: aqui fizemos festa surpresa. Ela havia combinado com minha tia das duas se falarem pelo Skype, mas não sabia que a família estaria toda lá. Quando a gente apareceu no vídeo foi um susto pra ela e uma alegria também.

Eu quero adotar essa idéia e ficar falando não só com ela nos Estados Unidos, mas com meus amigos de Londres, São Paulo, Porto Alegre ou em qualquer outro lugar do mundo. Se não posso estar fisicamente com eles, virtualmente estou em toda parte.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O TEMPO VOA

Essa semana faz um ano que voltei da Europa. A gente descobre que o tempo voa quando depois que acabam os dez meses que se passa lá fora já são passados doze meses que você tá aqui de volta. De volta há mais tempo que se foi. Tá na hora de sacudir, de fazer tudo novamente. Não estou dizendo específicamente voltar pra Europa, apesar dessa ser a minha meta pra 2012, mas de sair de casa, de Niterói, do estado do Rio e me embrenhar em outro ou outros buracos.

Ao voltar pro Brasil, a certeza de que ficaria por aqui uma temporada era evidente. Arrumar subterfúgios para encurtá-la é meu objetivo. E um dos caminhos que percebi que poderia traçar é o de correr atrás da minha cidadania italiana. Sei que isso vai me dar trabalho pois levantar documentação dos meus antepassados e escalar a minha árvore genealógica não será tão fácil quanto parece. Voltei de Londres com isso na cabeça e cheguei a ir no consulado italiano pedir informações. Ainda nessa fase inicial não consegui fazer evoluir esse projeto devido a um outro que pulou a frente de todos.

Quando a gente volta de um lugar como a Europa, a nossa mentalidade é outra e só assim a gente percebe o quanto que esse país ainda tem pra evoluir e chegar no ponto em que a Europa está. Claro que tudo tem seus prós e contras, inclusive viver na Europa. Na minha opinião os pontos positivos podem ser resumidos em três, a saber: acessibilidade, transporte e segurança e dos negativos o que se destaca bem é a comida. O primeiro mês de volta foi uma festa. Rever família e amigos depois de dez meses afastado é sempre bom, mas por outro lado a impressão que eu tive é que o tempo parou aqui durante o tempo em que estive lá fora. Talvez por isso no segundo mês o desejo de fazer alguma coisa, seja ela o que fosse, pra movimentar a vida e descaracterizar o tédio que começava a se mostrar no meu cotidiano.

O fato de eu rodar a Europa e passar uns dias aqui, outros ali, alguns acolá fez brotar em mim o desejo de me tornar um caixeiro viajante e viver desse jeito. De modo que ao colocar isso pra minha família a resposta e a aceitação foi imediata desde que atualizada. Não existe mais essa profissão, pelo menos com esse nome, e talvez os similares, ou seja, os trabalhos que mais se aproximam da extinta profissão são o conciérge de navio ou o comissário de bordo. Entre esses dois o escolhido por mim foi o comissariado e exatamente dois meses depois de ter pisado de volta ao Brasil estava eu sentado numa sala de aula aprendendo e absorvendo conhecimentos e me qualificando para fazer uma prova que garante uma licença de vôo.

Ficar cinco meses absorvendo novidades, todas voltadas para a aviação com uma turma pequena, de oito pessoas, unida, concisa, com o mesmo objetivo, pensando na mesma finaldade foi outra experiência muito legal. Cinco meses depois estávamos nos formando e essa passagem só terminou depois de passar pela banca examinadora da Agência Nacional da Aviação Civil, órgão que regulamenta a aviação brasileira.
Apesar das confusões que só costumam acontecer devido a falta de organização que assola esse país, como o fato de eu ter que esperar o meu nome ser publicado no site da agência e ele nunca sair devido a um número trocado do meu CPF, dois meses e meio depois da formatura – um foi de Copa do Mundo – fui aprovado.

Um ano depois de voltar pro Brasil, a conclusão que chego é de que estou morrendo de saudades da Europa, mais especificamente de Londres e dos amigos que lá deixei, quase saindo pra explorar outros cantos, ou seja, morar em outro lugar como em São Paulo, por exemplo; querendo ser empregado em qualquer companhia aérea como comissário de bordo e começando a correr atrás da cidadania italana. Resumindo, isso tudo me aconteceu durante esse primeiro ano aqui ano e meu foco tem sido esses.