segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

MAIS UM ANO VAI

Quando a gente se dá conta, acabou. Passa muito rápido. Eu não sei por que motivo as vinte e quatro horas estão aparentemente valendo menos que as mesmas vinte e quatro horasde vinte anos atrás. Com isso o ano também passa rápido. Esse, por exemplo, já acabou. É impressionante, mas o ano já acabou. Estamos entrando em dois mil e onze daqui a alguns dias. É hora de fazer aquele balanço e traçar as metas pro ano vindouro. As metas eu ainda não as tenho, até pelo fato de começar a executá-las depois do carnaval, pois até lá, até mesmo pelo calor que costuma fazer nessa época e também com tendência a aumentar e ficar cada vez mais insuportável, o país vai funcionar a meio mastro. Ou seja, as metas tem um prazo para serem traçadas ainda. A não ser por uma que já vim da Europa com ela em mente e ainda não a desenvolvi, mas essa, com certeza tá como uma da minhas metas. A busca de documentos pra dar entrada, se possível, no meu passaporte europeu.

Já o balanço, vamos a ele. Considerando que esse meu ano teve dois meses a mais por levar em conta a data da minha volta da Europa em outubro do já quase ano retrasado, a retrospectiva que farei será a partir daí. Dez meses fora dá tempo de acumular saudade de praticamente tudo. De modo que esses dois primeiros meses foram o início da fase de readaptação e matança de saudade. Até que chegou um dia em que tinha que ocupar meu tempo ou seria vitima do banzo. Aí tentei unir o útil ao agradável e depois de algumas conversas com parentes e amigos, decidir me tornar um caixeiro viajante moderno, ou seja, investir na carreira de comissário de bordo pra poder trabalhar com prazer de voar, de conhecer gente e lugares novos, como fiz enquanto estava pela Europa. Esse cursinho durou cinco meses e de dezembro até o mês de maio me dediquei exclusivamente a isso. Na verdade esse curso era preparatório pra uma prova que somos obrigados a fazer para pegarmos nossa licensa permanente de vôo. Prova essa que fiz logo depois da Copa do Mundo.

É, esse foi um ano de Copa e até as quartas de final o Brasil parava pra ver a seleção jogar até que a Holanda interrompeu a medíocre caminhada da seleção rumo ao hexa. A mesma Holanda que ficou pela terceira vez na história das copas em segundo lugar, perdendo para a Espanha no principal jogo do torneio.

Soubemos durante o curso que não seria fácil, que mesmo depois da prova iríamos penar pra conseguir um emprego e que no mínimo quatro meses depois de distribuirmos o currículo que poderíamos ter algum tipo de resposta. Essa talvez seja a parte mais agonizante da distribuição de um currículo, a ausência de alguma resposta positiva ou negativa que seja, mas poderiam dar uma posiç ao. Por conta disso eu prorroguei esse prazo até o carnaval, apesar de ter aplicado os currículos no ínício de agosto.

Outros projetos pessoais que executei esse ano foram a academia de ginástica e o curso de língua. Desde o início do ano, a primeira idéia foi ter entrado em janeiro, queria ter entrado na academia, mas aí fui postergando, até pelo fato de não conhecer ninguém em quem eu pudesse confiar e que pudesse fazer um trabalho direcionado comigo. Até que no carnaval me animei mais quando reencontrei um grande amigo dos tempos de escola que é fisioterapeuta e instrutor de academia. Mas entre o carnaval e a minha entrada efetiva, ele passou por duas academias e se passaram sete meses desde esse primeiro encontro num bloco de carnaval. E quanto ao curso de línguas, comprei na livraria um cursinho do tipo “aprenda francês em três meses”. Claro que não vou sair falando tudo fluentemente, mas pelo menos o básico eu já estou tendo uma noção.

E como especial de janeiro, a partir da semana que vem postarei o auto de Natal que escrevi pra família atuar durante a nossa ceia no ano passado. Que 2011 seja ímpar.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

DRÁGEAS

Hoje me deu uma vontade de fazer algo diferente. Vou botar aqui algumas frases soltas. Uns chamam de pílulas. Eu vou chamar de cápsulas ou drágeas, o que não faz muita diferença medicinalmente falando. Algumas de minha autoria, outras que eu vi ou ouvi em alguma lugar, algumas sei os autores. outras nem tenho idéia. Algumas são ou já foram lemas de MSN, outras são trechos de músicas. Enfim, um apanhado de ditos e dizeres.

- Pode chegar que a festa vai é começar agora. (Gonzaguinha)

- A alegria de ver e entender é o mais perfeito dom da natureza.

- Sempre tem aquela pessoa especial que fica na dela, sabe seu potencial e mexe comigo, isso é um perigo.

- Meu único defeito é não ter medo de fazer o que gosto. (Rita Lee)

- Um homem precisa ser um pouco louco, senão ele nunca vai ousar se soltar e ser livre (Zorba, o Grego)

- Tudo vale a pena se a alma não é pequena. (Fernando Pessoa)

- Nós somos o que pensamos (só não penseque você é um super herói e não tente voar)

- Dentre as centenas, se uma lei cair em desuso, o Brasil finalmente vai dar certo. Essa lei é a de Gérson. Uma das poucas que dá certo e atravanca o progresso do país.

- Só deixo meu coração na mão de quem pode.

- Há aqueles que querem esquentar o meu corpo e há aqueles que eu quero que esquentem o meu coração. Desses eu corro atrás.

- Você só sabe que eu te amo tanto, mas na verdade meu amor não sabe o quanto. E se soubesse iria compreender razões que só quem ama assim pode entender. (Roberto e Erasmo)

- Consideramos justa toda forma de amor. (Lulu Santos)

- A perereca da vizinha tá presa na gaiola. Xô perereca, xô perereca. (Dercy Gonçalves)

- E o povo, já pergunta com maldade. Onde está a honestidade? Onde está a honestidade? (Noel Rosa)

- Toda loucura é bem vinda.

- Porque essa vida é muito louca e loucura pouca é bobagem. (Rita Lee)

- Nós gatos já nascemos pobres, porém já nascemos livres. (Chico Buarque)

- Tô na lona sem trocado, to mais duro que cimento armado. (Serguei)

- Eu queria ser uma abelha pra pousar na sua flor. Haja amor. Haja amor (Luis Caldas)

- O meu sangue ferve por você. (Magal)

- Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundos, mas, com tamanha intensidade, que se petrifica e nenhuma força jamais o resgata. (Mário Quintana)

- Jamais mude o seu jeito de ser para satisfazer as pessoas que você gosta, pois quem gosta de você não te muda, apenas te completa.

- Nojento (Tião Macalé)

- Tá chegando a hora. O dia já vem raiando meu bem, eu tenho que ir embora. (uma musiquinha aí)

Agora, pra encerrar, uma frase de minha própria lavra e autoria como umas outras que aí em cima estão:

- Quando a gente deixa de reclamar de uma coisa que incomodava é evolução. Quando a gente começa a reclamar de uma coisa que não incomodava é velhice.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

‘GAUCHE’ PERSONALIDADE

Numa bela tarde do ano de mil novecentos e noventa e sete recebo um telefonema da minha amiga Joana que, falando em tom baixo e um pouco estranho me transmitiu o seguinte recado: “Passa na minha casa, pegue todos os meus discos da Rita Lee, minha maquina Xereta e vem correndo pro centro do Rio. Te encontro no Centro Cultural Banco do Brasil.” Tentei tirar mais infomações dela, mas não consegui. Ela desligou o telefone logo. Eu obedeci.

Na época ela morava no meu prédio, num andar abaixo do meu e sabendo que eu era um estudante pré-vestibular, estaria a tarde em casa. Ela, estagiária de jornalismo, trabalhava numa revista de economia e negócios e estava pra fazer sua monografia. O tema: Rita Lee. Ela adorava a rainha do rock e realmente qualquer disco que saísse da cantora, fosse de carreira ou coletânea, ela adquiria.

Chegando lá, não deu tempo nem pra respirar. Fui seqüestrado. Ela me colocou dentro de um taxi e pediu pra seguir até a rua do Riachuelo, na sede do jornal ‘O Dia’. Sempre que eu perguntava o que estava acontecendo ela me respondia que eu iria ver. Simulou um mal estar no trabalho pra fazer aquela loucura. Até aquele momento, só ouvia falar das histórias malucas que fãs aprontavam pra ficar perto dos seus ídolos, mas aquela era a primeira que eu tava presenciando e vivenciando. Finalmente chegamos no endereço.

Na recepção ela disse que era estudante de jornalismo, mostrou a carteirinha, disse que estava fazendo um trabalho sobre Rita Lee e que gostaria de tirar algumas fotos da apresentação que ela estava fazendo na extinta rádio RPC. Fui seqüestrado pra ver uma apresentação de Rita Lee para um público bastente restrito, praticamente um pocket show, onde ela lançava o disco Santa Rita de Sampa. A partir desse momento Rita ganhava mais um fã. Joana me contagiou com o fanatismo dela.

Hoje posso dizer que sou adicto em Rita Lee e Joana me levou para um caminho sem volta, uma doença que apesar de ser controlada é incurável. Claro que conhecia e admirava o trabalho, as músicas da dupla Rita e Roberto, escutava no rádio, nas trilhas das novelas, masdaí a querer me aprofundar mais nacarreira e na vida dela, havia uma lacuna,um hiato pra que isso acontecesse, e talvez me faltasse mesmo esse empurrãozinho de Joana. Se hoje sou fã de Rita, devo muito a Joana. Principalmente pelo fato do meu contato visual com a Rita ter sido feito dessa maneira repentina, num ambiente mais aconchegante do que um show propriamente dito, e nos intervalos do programa ela parava pra falar com a gente, atendia um a um, tirava fotos, ou seja, além das músicas a simpatia cativante dela fez com que meu interesse pelo trabalho e carreira dela surgisse, como se eu tivesse sido enfeitiçado por ela. E fui.

Todo e qualquer show que ela faça aqui no Rio eu vou. Depois que eu conheci o Serguei e promovi um reencontro dos dois que me deu acesso a ela, mas mais ainda ao Beto Lee, filho dela, procuro depois do show tentar sempre ir ao camarim pra falar com eles. Nem sempre é possível, principalmente quando o Serguei não pode me me acompanhar nos shows, mas permaneço até o fim, até a saída dela apostando tudo na esperança. Às vezes dá certo, às vezes não dá, mas tudo faz parte apesar de às vezes a “entourrage” não simpatizar com esses gestos de gente como eu, que me considero fã, e outras pessoas muito mais fãs que eu.

Geralmente ela costuma abrir turnê pelo Rio. Em janeiro ela encerrou a turnê de “Pic-Nic”,onde ela comemorava os tantos anos de carreira. Mal ela encerrou uma, abriu outra “ETC...” que passou pelo Rio em setembro último e, como de praxe, eu estava lá fazendo a minha festa, curtindo mais um show da rainha do rock. E mesmo não lançando disco de inéditas desde dois mil e três, a casa estava lotada, merecidamente.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

AS QUARTAS, FEIRA

Outro dia fiquei pensando no que o meu sobrinho, hoje com dois anos e meio, daqui a trinta anos vai recordar da infância dele. Esse pensamento me veio a cabeça pelo fato de eu ter passado no meio de uma feira. Mas não era uma feira qualquer, era a feira que eu ia quando criança com minha mãe. Ela resiste até hoje apesar de não ser a mesma coisa.

Toda quarta-feira, na parte da manha, interditam uma rua aqui perto de casa e montam as barraquinhas pra que sejam expostas e vendidas as mercadorias. Poucas são as barracas, em relação ao tamanho da feira que eu ia quando criança. Não pelo fato de que eu era menor e a feria parecia grande, mas a extensão dela foi reduzida a um quarto do tamanho original. Vendia-se de tudo lá, de frutas, legumes e verduras até peixes, biscoitos e doces. Confesso que essa barraca de biscoitos e doces era a minha preferida. Pessoas que cultivavam na horta de casa, traziam seus produtos pra vender aqui. Quantos pedaços de frutas, punhado de biscoitos eu comia de graça.

Hoje em dia tá tudo diferente, os grandes supermercados praticamente tiraram as feiras da rua, e mais recentemente, com mercados mais voltados para os ‘hotifruti’ poucas são as pessoas que compram nas feiras. Os garotos com seus carrinhos de rolimã, ajudando as senhoras com as compras, a barganha natural da feira livre, aquele carrinho que minha mãe tinha com uma divisória e sempre preocupada em botar o mais pesado no compartimento de baixo e os mais leves por cima.

A evolução e o desenvolvimento mundial fazem com que algumas coisas só fiquem na lembrança. E as quitandinhas de esquina? Aqui perto ainda existe a mercearia do seu ‘Manel’, que hoje nem pertence mais a família dele e depois da venda o ‘lay-out’ do lugar foi completamente mudado e além de não ter mais graça, continua sendo caro e um lugar só pra comprar um quebra galho. Outro dia, por exemplo, o açúcar havia acabado. Tive que recorer a quitanda pra comprar um quilo. Só assim mesmo. Na infância, a turminha do prédio cansava de fazer altas excursões pra lá pra comprar bala, chiclete, pirulito, chocolate e sorvete. Uma turminha de dez pessoas que achava o máximo andar por cem metros em bando pra botar doce na boca. Conforme a gente foi crescendo, os lugares que descobríamos e fazíamos tais excursões ficavam mais longe.

Outro lugar que me remete a infância que hoje não existe mais era a coperativa. Uma espécie de mercado pra quem, como minha mãe, era funcionária do Banco do Brasil e tinha uma espécie decarteirinhade sócia, quehoje se vê em vários estabelecimentos comerciais, alguns deles fazem até cartão de crédito, mas no caso era apenas uma carteirinha parecendo a de um clube. Época de inflação, remarcação constante de preços e compras grandes com a finalidade de estoque pro mês. E as frurase legumes que tinham um tempor de perecividade bem menor que um quilo de açúcar, por exemplo, eram comprados na feira.

Eu me considero um privilegiado por ter vivido e acompanhado essa mudança toda. No meu tempo, o ‘Google’ era bem mais trabalhoso pois tínhamos que ir até uma biblioteca para fazer uma pesquisa, pegar vários livros que falavam do mesmo assunto e resumir. Acredito que meu sobrinho nem deve ler em livro de papel, mas nesses leitores digitais que estão começando a ser divulgados e vendidos agora. Daqui a algum tempo, como tudo que a tecnologia faz, quem não tiver um é demodê, obsoleto, quadrado. Alguém sempre pergunta: ‘Como é possível você ainda não ter um. Isso é uma mão na roda.’ Tudo que a tecnologia faz é uma mão na roda, senão eu não estaria por aqui, e sempre vai haver um foco de resistência por menor que seja. Apesar da roda-viva do mundo, pra quem quiser, resistindo, as quartas tem feira aqui perto de casa. E aproveita, freguesa, por que tá acabando. Está praticamente na hora da xepa.