segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

2011 PASSOU

Chegamos ao último post desse ano de 2011. O próximo somente ano que vem. Não tão “ao vivo” como da semana passada, nem tão adiantada como geralmente são os meus posts, esse eu escrevo cinco dias antes de sua, digamos, exibição e dez dias antes de terminar o ano. Hora de fazer aquele balanço, ver os pontos positivos e negativos, as lições que a gente tirou e o que vamos fazer pra melhorar no próximo ano. Porque eu to falando em terceira pessoa? Não sei se é todo mundo que faz isso.

Bem, o meu ano não foi tão excepcional assim. Também não é daqueles que eu tenho vontade de arrancar do calendário da minha vida, mas poderia sim ser um pouco melhor, tirando, óbvio, o que muito me marcou. A começar pela mudança de apartamento. Os meses de julho e agosto foram totalmente voltados pra isso, preparo e acomodação das novas instalações familiares. O mês de outubro foi outro que me marcou nesse ano. Depois de dois anos eu voltei pra Londres pra visitar meus amigos e a cidade que escolhi pra passar uma temporada da minha vida. É muito bom você fazer isso de vez em quando e a minha idéia é tentar passar entre vinte e trinta dias por ano lá enquanto eu não tomar a decisão de passar mais uma temporada lá.

Esses dois fatos terão um destaque maior nesse meu espaço a partir da semana – ano – que vem. Já adianto que estou preparando a segunda parte das aventuras londrinas, já que a primeira foi há pouco mais de dois anos, e que o primeiro semestre será praticamente todo delas. Isso é o que eu tenho de fato quanto a novidades pro ano que vem.

Em relação a minha pessoa, vou me privar de algumas coisas pra tentar conseguir outras. Traduzindo, vou fazer uma promessa. Reza a lenda que eu não posso dizer pra ninguém qual é a promessa até que eu a comece na primeira segunda feira de janeiro, ou seja, daqui a uma semana.

Agora, pra quem não sabe (nem eu sabia até a minha prima vir com a proposta) esse ano eu até virei compositor de samba pro bloco da família que vai completar um ano no carnaval cujo nome, bem sugestivo por sinal, é “Pra lá de Bagdá”. Ela veio com duas sugestões de tema. A primeira era “Se a canoa não virar, Saquarema vai bombar” e a segunda foi “2011 passou e finalmente Léo casou” A saber: Léo é o irmão dela. Aí eu perguntei a ela: Posso juntar os dois? Eis o que surgiu de minha mente. Feliz 2012.

Olê olé olá ôôôôôô
Tô pra lá de Bagdá
E com muita emoção
Carnaval em Saquarema
Sou eterno folião
Vinho não virou vinagre
Aconteceu um milagre
A Vanessa se casou
2012 promete
Casamento se repete
Nesse assunto eu sou bacharéu
Se a canoa não virar
Dessa vez quem vai pro altar
É Vanessa e Gabriel

Refrão: 2011 passou
Léo finalmente casou
Saquá bombou
E a canoa não virou

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

CONFRATERNIZANDO

Estamos aqui ao vivo, ou melhor, quase. Praticamente. Talvez com um delay de alguns minutos, várias palavras e muitos caracteres. Afinal isso me parece ser um blog e não um twitter. Mas está parecendo último capítulo de novela de sucesso, onde eles gravam às seis da tarde pra ser exibido às nove da noite.

Estamos quase lá. Mais que isso só se vocês acompanhassem dígito por dígito e consequentemente correção por correção, mas ainda não chegamos nesse ponto. Pra mim também está sendo uma volta aos primórdios desse blog, onde cada postagem era feita praticamente dessa maneira até eu descobri a minha fórmula mágica de produzir e postar meus textos que quem me acompanha já deve estar careca de saber como faço.

Isso é o espírito de Natal. Tá certo, Natal mesmo só no próximo domingo e hoje ainda é segunda, ou seja, tem uma semana pela frente. Mas a próxima postagem será depois do Natal e o espírito já deve ter ido embora com Papai Noel, saco vazio e renas cansadas.

Aliás, por falar nisso, fica a dica pra quem quiser saber mais e entender essas tradições e simbologias natalinas. Entrem no blog Sete Ramos de Oliveira, capitaneado pelo meu tio Rodolfo, que por sinal é um major da reserva da aeronáutica, e lá tudo é explicado com uma clareza e nitidez que dá gosto e elucida toda e qualquer dúvida sobre o Natal, sua simbologia e representatividade. Merchand feito.

Tornando a falar sobre o espírito de Natal ele é muito mais visto, materializado, presente aqui no Brasil que, por exemplo, em Londres. Claro que o Natal que eu passei lá, longe da minha família foi no meio de brasileiros que ativaram esse espírito em gélidas terras inglesas. Aqui, todo o preparo da ceia, até a disputa nas lojas pelos presentes e/ou lembrancinhas de Natal tem um clima que lá não tem. Não sei se por serem mais frios eles façam isso pra cumprir tabela ou se realmente eles sintam alguma coisa diferente. Nós começamos de véspera, eles só comemoram no dia. O que fazemos em dois dias (tá, um dia e meio) eles fazem em poucas horas, apenas no tradicional almoço. Pra nós aqui o almoço nada mais é que comer o que não coube no estômago na noite anterior, ou o famoso “enterro dos ossos”.

Outra coisa que volta a minha lembrança nesses tempos natalinos são os famosos jingles de grandes empresas. Uma delas é o da extina Varig. Quem não se lembra da “estrela brasileira no céu azul / iluminando de norte a sul / menssagem de amor e paz / nasceu Jesus chegou o Natal / Papai Noel voando a jato pelo céu / trazendo um Natal de felicidade / e um ano novo cheio de prosperidade”. Santo You Tube. Outro que nunca sai da minha cabeça é o de um coral de crianças que canta enquanto um dos seus componentes corre pra chegar a tempo da apresentação. Esse era atribuído ao também extinto Banco Nacional e a musiquinha era assim: “Quero ver / você não chorar / não olhar pra trás / nem se arrepender do que faz / Quero ver o amor vencer / mas se a dor nascer / você ressistir e sorrir / Se você pode ser assim / tão enorme assim / eu vou crer / que o Natal existe / que ninguém é triste / que no mundo há sempre amor / Bom Natal / um Feliz Natal / Muito amor e paz pra você.” Nessa hora, no vídeo chega a criança atrasada só pra repetir essa última frase “pra você”. Só mesmo um milagre de Natal pra fazer com que aquela criança chegasse a tempo de falar “pra você” cruzando a cidade de bicicleta

Enfim, acho que é isso que o Natal faz com as pessoas, esse espírito de confraternização que, se as atribulações do dia-a-dia não nos perimte fazer com certa constância, essa época é a melhor pra que as confraternizações sejam feitas. E tenho por encerrado esse texto praticamente ao vivo nessa segunda, dia 19 de dezembro de 2011 ás três horas e quinze minutos da manhã, desejando a todos um feliz espírito de Natal.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

FECHANDO CICLOS

Essa postagem encerra um ciclo. Um não, alguns. Essa é a última postagem. Não, não estou encerrando carreira e essas não são as minhas últimas palvras. Na verdade são, mas não pra sempre. Vamos esclarecer os fatos.

Primeiramente, de uns tempos pra cá eu tenho escrito em série, ou seja, por temporada. Acho que já falei isso aqui antes, mas vou ressaltar. Essa temporada, por exemplo, começou dia vinte e cinco de abril e hoje, madrugada do dia primeiro pra dois de julho encerro o ciclo. Pra acabar o ano ainda faltam duas postagens, uma especial pro Natal e outra pro réveillon. Mas agora, em julho, não tem nem clima pra falar sobre o fim do ano. Isso está ocorrendo porque como eu só publico uma vez na semana, geralmente às segundas, a produção dos meus textos é dobrado.
Isso quer dizer que se eu publico um texto por semana, escrevo dois, geralmente às segundas e quintas. O resultado é esse, ter textos e mais textos de frente a ponto de praticamente acabar o ano em julho. Essa temporada se encerra por aqui. Só vou tornar a escrever novamente em outubro, que é o que vocês, caríssimos leitores, vão começar a conferir em janeiro. Fazendo as contas, quando eu voltar a publicar já terei praticamente mais meio ano de textos inéditos. Eu chamo isso de frente, acostumado com linguagem televisiva. Quando em TV se fala que tem programas de frente são vários programas já gravados e que ainda não foram ao ar, é o caso dos meus textos. Esse é um dos ciclos que se fecha.

A outra informação relevante é qwue esse é o último texto que escrevo no aconchego do meu sacrossanto lar. O próximo também será escrito, mas no meu novo sacrossanto lar. Estou de mudança e esse mês de julho foi (será) somente dedicado a isso. Essa é a mudança mais brusca que acontece na minha vida até esse momento. Minha ida a Londres também foi brusca e bastante positiva, mas essa em determinado aspecto barra qualquer outra. Esse talvez seja o ciclo mais longo que eu esteja fechando, afinal são trinta e quaatro anos de existência em um único lugar. Calma, não quero dar um tom macabro a essa informação. Não vou me matar, longe disso, esse é um tempo de mudança, de renovação.

Estamos de mudança de apartamento e com isso meus trinta e quatro anos de vida passados aqui nesse quase antigo apartamento vão ficar plantados aqui. Claro que vou levar as lembranças, as imagens, as recordações, tudo que eu vivi nesse apartamento aqui. Mas, como dizem, ano novo, temporada nova, apartamento novo, tudo novo.

Três gerações da família já passaram por aqui, ou melhor, quatro gerações. Meus avós, meus pais, eu e meu irmão e agora meu sobrinho. Não sei se ele vai ter recordações daqui. Talvez as fotos e os vídeos quando ele vir mais tarde pode até ajudar a lembrar de alguma coisa. Acho difícil, mas depois que minha tia Dora se lembrou de um fato que ela presenciou aos quatro anos de idade, e olha que nem foto e nem filmagem eram tão acessíveis naquela época, tudo pode acontecer, principalmente para essa pequena geração que está crescendo. Esse ano tem sido bom. Pelo menos até agora, inicio de julho tá quase tudo perfeito, mas o balanço final será feito na próxima postagem.

Enfim, estou chegando no fim. No fim de uma temporada, no fim de uma parte da minha vida, no fim dessa postagem, no fim da página... vários são os fins que estão me cercando nesse exato momento. Mas isso tudo é sinal que depois de um fim vem um começo, ou um recomeço. Ao se fechar um ciclo é sinal que tudo está pronto pra se abrir outro. É isso exatamente que eu vou fazer a partir de agora. E vamos ver até quando. Pro momento estou dando um ponto final. Breve aguarde o próximo parágrafo.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

NA CALADA DA NOITE

Desde que me entendo por gente, sempre fui notívago. Sempre gostei mais da noite que do dia. Acho que a noite é muito mais fascinante que o dia. Tem aquele ar gostoso de mistério, de dúvida, de apreensão, de desconhecido. O silencio que impera, a certeza de que o telefone não vai tocar, que não tem ninguém acorado, apto pra ajudar, é você e você. Nu e cru ali. Aquele friozinho na barriga quando você olha pros lados pra se certificar que não tem ninguém suspeito ou estranho atrás de você enquanto anda em direção ao ponto do ônibus, por exemplo.

Não que o dia seja menos valioso que a noite. Muito pelo contrário. Tudo praticamente acontece entre nove da manhã e seis da tarde, o que é absolutamente normal, não só aqui, mas em todo canto do mundo. E ao marcar meus compromissos respeito esse espaço de hora e tempo dos seres comuns, esses que dormem a noite, e não dos vampirescos como eu.

Quando eu morei em Londres, uma das nossas diversões era ir a uma boate praticamente toda segunda pelo fato da entrada naquele dia ser gratuita. Inúmeras vezes chegávamos altas horas da noite em casa e eu tinha que dormir até as dez e meia quando eu acordava e ia para o curso. Isso sem contar quando a gente resolvia fazer nossos preciosos jantares na casa e, além dos moradores, chamávamos amigos e vizinhos pra compartilhar a comida e ficávamos horas noite a dentro batendo papo. Era verdade que nós exceíamos um pouco no volume das conversas e/ou das brincadeiras a ponto do landlord ter que bater na nossa porta e reclamar que a vizinhança estava reclamando do volume com o qual nos comunicávamos. Realmente a gente exagerava às vezes, mas outras achei que era mais drama dele.

Pela Grã Bretanha se localizar acima do paralelo trinta norte, o inverno escuro a partir das quatro da tarde e bem mais rigoroso na temperatura se contrasta com o verão claro até as nove e meia da noite com um clima bem mais ameno e agradável (mas ainda sim frio para os padrões tropicais). Não sei exatamente se foi por causa disso, mas em Londres a frequencia de passar noites em claro, sem a menor vontade de dormir aumentou muito. Muitos foram os dias em que eu virava madrugadas conversando ou com o meu companheiro de quarto, quando ele dormia, com alguém através do MSN sem esboçar sequer um bocejo de sono. Não sei por que quando eu voltei essa freqüência caiu vertiginosamente.

Uma das coisas também que caiu foi a minha freqüência nas noites. Eu fiquei um pouco mais seletivo desde que voltei. Não saio mais apenas por sair, escolho os locais e/ou as companhias. Antes de ir pra Londres, frequantava uma festa que um amigo meu defaculdade era um dos DJ`s. A festa se chamava Soundtrack e a proposta era tocar apenas músicas que faziam parte de trilhas sonoras de filmes e enquanto a música rolava, passava trechos de filmes no telão. Essa idéia depois foi aproveitada em outros tipos de festas como a Cliperama que, como o próprio nome diz, passa os clipes das músicas.

Depois de pouco mais de um ano indo a algumas festas, boates, lugares pra me divertir, achei uma festa que é minha cara. Eclética, alternativa, aquela que agrada a grande maioria das pessoas não só pelo clima que fica entre os freqüentadores, mas pelo repertório que os DJ`s selecionam pra tocar. Virada é o nome dessa festa que eu estou falando. Não é tão conhecida, não faz parte de um roteiro noturno definitivo até pelo fato de atualmente estar ainda tentando se firmar num calendário mais favorável a ela. E o lugar não podia ser melhor. Praticamente dentro da baía de Guanabara de cara pro Pão de Açúcar e aos pés do Cristo, ou seja, no lugar mais abençoado do Rio.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

ENAFAB4

Entre os dias vinte e três e vinte e seis de junho foi realizada a quarta edição do ENAFABA. O Encontro Nacional da Família Barcelos é um evento cujo único e principal motivo é a reunião da família sem ser em uma data específica, como aniversário de alguém. Se bem que esse ano havia um aniversário no meio e, das quatro edições já realizadas, duas tiverem como pano de fundo comemorações de aniversários, a primeira em setembro de 2004 e essa agora.

Ausência, além das duas pessoas que já nos deixaram como tio Tarcísio e tia Maria Helena, o núcleo familar do Artur e do Luis Cláudio e a Diana, filha da minha prima Lívia, não compareceram. As outras pessoas, mesmo que passando um tempo curto por conta de compromissos pessoais, presenciaram alguma hora alguma parte do evento.

Os trabalhos foram abertos na noite de quinta feira, feriado de Corpus Cristi, quando ao se ajeitar a casa temporária da tia Branca para o churrasco do dia seguinte, foram feitos e servidos Caldo Verde e Sopa de Abóbora pra espantar o frio da véspera de São João. A intenção foi receber as pessoas que chegavam para o grande encontro, de modo que somente o Ricardo chegando de São José dos Campos e consequentemente junto com a irmã Bia, o sobrinho Daniel e o pai, tio Rodolfo que o esperavam aqui em Niterói cumpriram o esperado e o pensado praquele dia.

O dia seguinte foi o primeiro grande dia de festa. Sexta feira, dia de São João, aniversário da Elaina (apesar da comemoração oficial ter sido marcada para o dia seguinte) e quando boa parte do núcleo de Guaratinguetá chegou, o churrasco rolou durante o dia todo até a cerimônia de entrega do Troféu Enafaba 2011, idéia da minha prima Elaina que premiou membros da família em doze categorias, além dos três Oscars honorários, aqueles entregues pelo conjunto da obra.

A cerimônia de entrega foi já no fim do churrasco, na noite de sexta e a expectativa da família era grande pra saber quem eram os vencedores nas categorias. A votação foi durante o churrasco e depois de apurados os votos e eleitos os concorrentes, a correria foi na hora da preparação da cerimônia, já que o computador da Elaina resolveu pifar naquele momento, ou seja, o improviso ali correu solto e a rapidez com que tudo foi refeito, parecia escola de samba que perdera tudo no incêndio um mês antes do carnaval. A entrega dos prêmios foi uma farra e bastante engraçada. A grande vitoriosa foi Líva, que ganhou nas categorias “Só na aba”, “Toda Errada” e “Tomo Todas” além do Oscar “Forrest Gump – O contador de histórias.”

O sábado vinte e cinco foi a comemoração do aniversário da Elaina. A casa temporária e praticamente também de festas da tia Branca teve um descanso já que nesse dia a cicerone foi Elaina, sendo a farra transferida para o salão de festas do condomínio dela. Oficialmente as duas da tarde deu-se por aberta a celebração que constava de um almoço e o prato principal foi a feijoada. Terceiro dia de orgia alimentar.

Particularmente eu estava com medo do domingo, mas, se eu levar em conta de que comi só duas cuias de caldo, duas de sopa de abóbora na quinta, além de alguns pedacinhos de carne – também queimaram uma carninha na quinta, um pré churrasco – e na sexta não comi comida, só fiquei na carne, sábado por eu ter comido também apenas um bom prato de feijoada, o domingo não ficou sobrecarregado no meu estômago. Até pelo fato de também ficarmos até as dez da noite dançando e nos divertindo, deu pra desgastar praticamente tudo, tanto da própria feijoada quanto dos dias anteriores. Domingo foi dia da rebordosa e das despedidas de quem partiu, e que venham mais reuniões como essa, sejam ou não ENAFABAs.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

VISITA DE CASA

De toda minha família, tanto do lado paterno quanto do lado materno, dois dos irmãos da minha mãe moram fora do estado do Rio. Tio Marcos em Guaratinguetá, no vale do Paraíba, interior de São Paulo, acerca de três horas de carro e tio Sérgio em Curitiba, capital do Paraná, acerca de uma hora e meia de avião.

Quando eles vêm pra Niterói é um evento – aliás, qualquer coisa nessa família quando juntam mais de cinco pessoas se torna um evento – principalmente o tio Sérgio, que mora mais longe e nos visita com freqüência menor. Se bem que ultimamente, pelo André, filho caçula dele e primo caçula nosso, estar fazendo faculdade aqui e temporáriamente hospedado na casa da tiaTania, essa freqüência tem aumentado um pouco. Tio Marcos quando vem pros lados de cá, a não ser que haja um evento, uma festa, é pra passar uns dias na nossa casa lá em Saquarema.

Creio que o André, depois de um tempinho aqui, já percebeu que a rotina é como se fosse uma força centrífuga que afasta a gente do ponto de união. Ele também criou e fez a dele e constatou que cada um tem uma vida fora daquela que ele via quando era uma visita. Hoje ele está no meio de nós. Já o pai dele, tio Sérgio, é disputado a tapas enquanto visita. Supondo que talvez mudado pra cá, essa disputa acabaria, pois o encanto de ser visita não ia perdurar por muito tempo, até ele cair na rotina também.

Minha prima Jana que mora nos Estados Unidos, ficou anos no vai e vem, passando uma temporada aqui e outra lá,quando esteve aqui de férias entre junho e julho foi tratada como visita também, por mais que até ano passado ela tivesse morando aqui. Um ano depois já tem tratamento diferente, por mais que entre na rotina e volte a ser tudo igual durante o pouco mais de um mês em que esteve aqui. Belinha, irmã de Jana que atualmente mora em Vila Velha, no Espítito Santo, também é tratada da mesma forma.

É completamente diferente de quando você passa uma temporada fora e volta porque volta pra uma rotina. No meu caso levei quase seis meses pra me enquadrar num trilho, pra reduzir, pra limitar a expansão que uma viagem como essa certamente faz na vida de uma pessoa. Alguns amigos que conviveram comigo em Londres já vieram me visitar aqui e o tratamnto foi diferente do que a gente dava pra gente mesmo lá fora. A Rose, o Samuca, o Rafa, sem contar meus amigos de São Paulo, que eventualmente a gente se encontra apesar do constante e permanete contato Marcelo e Emerson. Todos eles passaram por aqui como visitas, e muito bem tratadas por sinal, desde quando eu voltei de Londres.

Falando em Londres, toda vez que eu for pra lá também serei tratado como visita. E eles quando vierem pra cá acontecerá o mesmo. Por mais que eu seja de casa, enquanto tiver por lá, serei uma visita. O tratamento vai ser diferente, eu sei, afinal será por pouco tempo, por alguns dias e todas às vezes serão diferentes e especiais. Mas sempre vão fazer, assim como eu faço, com que eu não me sinta uma visita.

Enrolei, enrolei, enrolei pra chegar no ponto que eu queria. Quantas vezes a gente escuta assim: “Fica a vontade, você é de casa.” Claro que vindo de certas pessoas como parentes e alguns amigos soa diferente. Às vezes a pessoa fala pra deixar o outro mais a vontade, mas nem sempre isso procede. Eu, particularmente, tenho uma fórmula pra diferenciar uma visita visita de uma dita visita de casa. São dois testes. Na verdade duas violações. Pra mim eu vejo como violações. Se você puder ou tiver a liberdade de abrir a porta do armário ou da geladeira da casa de outra pessoa, seja ela de que grau for, sem pedir licença pro dono, você realemente é considerada uma visita de casa. Agora, se você pedir uma água e for servido, aí sim é realmente e simplesmente uma visita. Tem um outro ponto aí que pode complicar essa teoria, mas é uma outra história.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

VEJA ESSA CANÇÃO

Nesse exato momento estou escutando uma coletânea de grandes músicas de jazz cantadas pelo Rod Stewart. Foi um projeto que ele fez a alguns anos e fez um sucesso considerável a ponto de, se não me engano, ele fazer três discos fechando uma série e mesmo assim abrir outra de soul. Já tinha escutado algumas músicas, até ganhei no fim do ano passado, junto com a discografia da Rita Lee, o terceiro disco da série em formato de MP3. Num dia desses qualquer, nas Lojas Americanas, na sessão que eu mais gosto que é aquela onde se encontram vários discos a preços módicos, encontrei esses discos, o primeiro e o segundo. Na mesma hora eu passei a mão. Não ia disperdiçar uma oportunidade dessas.

Aliás, atualmente, com o download, poucos são os discos que merecem ser comprados pelos preços que eles realmente custam. Ultimamente, a tendência é fazer com que o preço do disco diminua um pouco com a economia de capas. Aquele tradicional acrílico está com os dias contados. Agora a moda é capa de papelão, daqueles bastante resistentes e que se desdoram ou formam livretos, mas com qualidade boa. Eu mesmo, pra economizar bastante comprei um disco da Diana Krall que é o tal digipack, ou seja, a capa de papel e o disco sem encartes, letras das músicas ou outra coisa parecida. A qualidade do som é o mesmo, mas sem maiores detalhes de créditos.

Já disse aqui em postagens anteriores que sempre gostei e sempre fui interessado por música. Uma das coisas mais engraçadas e/ou curiosas foi que eu morei em Londres, considerada o berço do rock and roll, terra de Beatles e Rolling Stones, mas quem eu trouxe de volta, na minha mala comigo, foram grandes artistas de jazz como Sara Voughan, Billie Holliday, Ella Fitzgerald, Ray Charles, Louis Armstrong, Duke Ellington, Charlie Parker, ou seja, só craque do jazz. Quanto aos Beatles, tenho toda a discografia em MP3 e em se tratando de Rolling Stones uma coletânea com quarenta sucessos. Gostaria até de ter ido na apresentação que o Paul McCartney fez aqui no Rio no mês de maio, mas infelizmente não deu. Quem sabe na próxima oportunidade, se houver. Se não houver também não vou me arrepender.

Lá em Londres, vários shows aconteciam quase que diariamente no Arena O2 (O2 é o nome de uma operadora telefônica, seria como se fosse uma espécie de Vivo Rio) e eu só gostaria de ter ido em um. Considerada por mim como uma das maiores cantoras americanas, não tive como pagar o ingresso pra assistí-la e fiquei sem ver o show e as pernas de Tina Turner.

Nunca fui muito apegado as minhas coisas, tanto que já me desfiz de todos os meus vinis, mas com meus CD’s ainda vai demorar um pouco. Meus livros, só ficaram aqueles que fazem parte de alguma coleção. O resto me desfiz de tudo. DVD’s não tenho muito. Não sou muito chegado a eles, apesar de ter alguns. Engraçado que eu era mais fã do videocassete, talvez pelo fato de poder gravar filmes e programas e repetir aquelas cenas diversas vezes além, claro, da função que hoje é feita pelo DVD. Mas tudo que se acumula materialmente eu tô fora. Gosto mesmo é de acumular sentimentos bons, amigos, lembranças boas, sensações. Esses nunca são demais e não ocupam espaço.

Agora botei o volume dois pra tocar e estou curtindo aqui. Sempre que me perguntam quais os tipos de música que eu gosto, respondo que meus gêneros preferidos são MPB, rock clássico e jazz, mas isso não me impede de garimpar coisas antigas da música ou de saber as novidades e tendências que essa nova geração está escutando. Não consumo isso, mas é difícil não tocar em festas ou boates. Se bem que tem algumas festas em boates que variam muito o repertório e conseguem agradar a gregos e troianos. São esses tipos de festa que busco freqüentar ultimamente.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

FESTA (DE UM ANO) NO INTERIOR

O próximo já vai ficar no banco de reservas. Onze é o número de jogadores de um time de futebol e também o número de filhos dos meus primos, ou seja, a terceira geração da família começando a contar da geração da minha mãe e meus tios. Não sei a ordem de nascimento deles, só sei que o mais velho é o Daniel, filho da Bia, e o mais novo é o Lucas, segundo filho do Artur. Entre esses dois vem Pedro, Miguel, Diana, Ana Helena, Igor, Murilo, Enriquinho, Victor Hugo e Luiza. A diferença de idade entre o mais velho e o mais novo são quinze anos.

Em junho quem completou um ano foi o Murilo. Quem nasce no mês de junho tem um tema eterno para fazer como festa que são as festas juninas. Não deu outra. Na véspera do dia dos namorados e anti-véspera do dia do chamado santo casamenteiro, Santo Antônio, Tiago e Thais estruturaram uma festinha para comemorar um ano do nascimento do filho. Uma verdadeira festa do interior. Temática junina e caipira numa chácara dos sogros do Tiago, entre Lorena e Guaratinguetá, no interior de São Paulo.

Ornamentada com barraquinhas de quentão, vinho quente, canjiquinha e cachorro quente, churrasquinho, jogo de argolas, boca do palhaço, pescaria, pula-pula, churros e maçã do amor, bandeirinhas e fogueira no enorme espaço livre e descampado, por debaixo da pequena parte coberta, a mesa do bolo e doces como cocada, paçoca, além dos tradicionais brigadeiros e uns bolinhos assemelhados ao Ana Maria e/ou Bebezinho, recheados de goiabada com cobertura ora de goiabada e ora de chantily – esses foram os que eu mais me deliciei dispensando todos os outros da área da mesa do bolo – além das bebidas estarem sempre sendo oferecidas pelos garçons, a festa foi perfeita, inclusive pelo frio que estava fazendo. Não tinha clima melhor. Isso sem falar das músicas que no começo eram as típicas e que depois foi dando espaço as duplas sertanejas ou qualquer outro que se diz sertanejo. Agora é moda.

Eu, minha mãe, meu irmão minha cunhada e meu sobrinho saímos daqui no sábado pela manhã e chegamos lápor voltade uma da tarde. A festa começava as três. Paramos duas vezes no trajeto. Uma para irmos ao banheiro num posto de gasolina na área de Resende e outra já em Guará para comprar a comida do almoço e o presente do Murilo no shopping da cidade. De lá partimos pra casa do meu tio onde ficamos até a hora de irmos pra festa. Antes ainda esperamos por uns minutos uma tia minha que desceu do ônibus da viação Expresso Brasileiro na parada obrigatória que ele faz antes de seguir viagem para São Paulo para então irmos direto para a tal chácara.

Não fomos os primeiros a chegar, mas ainda havia mesas vazias suficientes para nos alocarmos e resevar os nossos lugares e os de quem ainda estavam pra chegar. Os pais estavam a caráter, mas o Murilo estava nos recebendo vestindo um smoking, como um verdadeiro noivo. Pouco depois chegou a noiva, outra neném da mesma idade vestida com tules, véu e grinalda. Só faltou o buquê. A hora foi passando, as pessoas chegando, luminosidade caindo, o frio aumentando e a parte da família que estava pra chegar não chegava nunca.

Lá pelas sete da noite o Tiago anunciou no alto falante que, pela ordem, haveria a mostra de um pequeno clipe de fotos, o parabéns e a quadrilha. Ele só não contava com uma coisa. O noivo a essa hora estava dormindo. Devia estar de ressaca da noite de despedida de solteiro. Eu nem vi se a noiva estava por lá, mas devia estar escondida, chorando de raiva por aquele momento. Depois da retrospectiva desse primeiro ano em fotos, quando estávamos cantando o parabéns a outra parte da família chegou.

O frio só deu trégua quando nós fomos dançar a quadrilha minutos depois do parabéns. Ali eu tirei meu casaco de frio londrino e fiquei por uns quinze minutos esperando o frio me secar. A festa rolou com direito a um segundo tempo na casa do tio.
ATACANDO O DIFERENTE

Estava sem nenhuma idéia do que escrever por aqui hoje, até que um assunto que hoje se debate muito me veio a cabeça. Numa hora meio inusitada, pois eram pouco mais de sete horas da manhã e eu estava indo para a academia fazer ginástica. O que uma coisa tem a ver com a outra? Nada, absolutamente nada a não ser por aquele pequeno grupo de meia dúzia que se acha diferente e superior aos considerados preguiçosos. Mas não sei se nesse recorte que acabei de fazer pode ser considerado bullying.

Antes que eu me complique mais, estou falando aqui de algumas poucas pessoas que por ter uma beleza plástica acima da média e valorizar isso mais que outra coisa chegam a humilhar os outros e com isso praticar o bullying que, nesse caso, agridem, mesmo que só visualmente os considerados preguiçosos, gordinhos e portadores de uma forma alternativa, pra ficar no politicamente correto. Aliás, esse também é um bom tema pra discussão, mas por enquanto vamos nos ater somente ao bullying. Algumas pessoas se sentem realemtnte humilhadas somente em ver aqueles corpos sarados e não comentam nada e nem fazem um esforço pra mudar a sua forma física. Digamos que esse seja um bullying velado.

O que hoje tem esse nome e que na minha infância não tinha nome nenhum tem se sobressaído muito por causa de alguns comportamentos observados principalmente em escolas. Claro que, a parte os exageros cometidos por alguns como agressões físicas e morais exacerbadas, acho normal e natural que se custe a entender e aceitar o diferente e vejo isso como uma evolução normal e até saudável pro ser humano. E uma fase pela qual todo mundo deve passar e provar. Não estou com isso concordando que se pratique o bullying, só dizendo que até certo ponto é aceitável sim. O problema é que esse certo ponto está sendo bastante ultrapassado e indo muito além do aceitável e tolerável. E isso sim precisa ser combatido.

É normal, por exemplo, numa sala de aula, as crianças serem taxadas por elas mesmas de gordinhos, nerds (na minha época se chamava de cdf, sigla pra crânio de ferro) quatro olhos – usuários de óculos – e por apelidos que possam estar na moda por conta de alguma novela ou programa de TV que esteja no ar naquele momento. Acho que tudo vale a partir do senso de humor e aceitação de quem recebe esses apelidos conjuntamente com a intensidade, com a forma que eles são ditos por quem pratica o, nesse caso, pré bullying. Creio que isso é muito mais uma prova de autoconfiança, auto aceitação e auto-estima que de sacanagem mesmo. Estou falando isso dentro dos padrões normais de aceitação dessas provocações. Afinal, a aceitação em qualquer ciclo social na vida é difícil principalmente quando se foge aos padrões estabelecidos pela sociedade. Padrões esses que estão mudando pela sociedade ser altamente dinâmica. Tudo bem que ela custa um pouco às vezes a se alterar, mas acaba mudando. O problema todo é a aceitação do que é diferente, seja a diferença ela qual for. O que causa o hoje tão comentado bullying é a intolerância de pessoas em relação as outras, é não saber lidar com as diferenças, é cada um ditar o que é certo e o que é errado mesmo sabendo que essa classificação é completamente equivocada e induz ao erro, o que pode causar o efeito bola de neve e resultar no que a gente assiste nos noticiários.

A primeira imagem que me veio à cabeça quando pensei nesse assunto foi um livro que trata desse problema de forma lúdica e muito antes de nomearem essa falha de comportamento como bullying. Ziraldo há muitos anos atrás nos mostrou a história de Flicts, uma cor que era rejeitada pelas outras até que encontrou seu lugar. Depois, analisando melhor, várias histórias trazem esse mesmo tema nas entrelinhas, tais como o Patinho Feio, Cinderella, Tarzan, a Bela e a Fera entre algumas outras.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A RAINHA E O SACERDOTE

A idéia vinha sendo elaborada há um bom tempo, mas a concretização dela deu-se somente no primeiro domingo de junho. Minha incumbência era pra ser motorista por um dia de uma rainha. Mesmo no período em que eu vivi em Londres, onde o ar de realeza circula com mais facilidade, creio que nunca tinha estado lado a lado com uma rainha. Considerando que a expressão lado a lado seja diferente de frente a frente o ineditismo do fato é válido. Frente a frente eu já havia ficado com uma outra rainha, mas dessa vez era diferente, havia um pouco mais de convivência e de tempo pra apreciar tal nobreza.

Arranjamento já pronto, o combinado era que eu passasse para primeiro pegar a princesa, o príncipe consorte e a filha que iriam me indicar o caminho do castelo da rainha. Guiando o coche, separei um repertório condizente e que possívelmente faria gosto da família real. Talvez a única que torceria o nariz para a trilha sonora da viagem poderia ser a jovem princesa, mas acostumada com suas antecessoras também embarcou na viagem musical. Fomos em direção ao castelo da rainha. Não era um lugar inacessível, mas por ficar no alto a dificuldade era um pouco maior.

Princesas morando em Niterói e rainha no alto do Corte do Cantagalo, entre Lagoa e Copacabana, pelo caminho que me foi indicado rapidamente chegamos lá. A partir daquele momento tudo girava mais ainda em torno da rainha. Elegantemente vestida, ela entra no coche e pegamos a via de volta para Niterói, pois tínhamos que passar por aqui para seguir viagem até Saquarema. Sim, Saquarema. A rainha iria entrar no Templo pela primeira vez depois de pouco mais de cinco anos. Apesar de se falarem sempre, esse tipo de encontro é muito raro de acontecer e eu tive a sorte de ser um pouco responsável e de participar disso tudo.

Chegando ao Templo, o sacerdote nos recebeu na porta e, como ele faz com todos os fiéis que o procura, abriu a porta do seu sacrosanto e profano lar pra nos receber. Antes mesmo de a rainha sair do coche, o sacerdote já entregou uma flor colhida ali na hora do seu jardim. Reverências de boas vidas a rainha a parte, entramos. Fiuk, Joelma e Elis, guardiões caninos do Templo, também ficaram em polvorosa com tanta gente que tinha chegado num só momento. O sacerdote começou mostrando a parte externa do Templo, seu jardim e seu quintal, a piscina com fonte improvizada e suas plantas e árvores. Até que a porta principal foi aberta e finalmente a rainha entrou no templo.

Tanto ela como a corte que a acompanhava ficou admirando todo o acervo preservado e exposto nas paredes do templo pelo sacerdote. Apesar da rainha ser de um gênero e o sacerdote e o Templo guardarem outro tipo de acervo, é mesmo admirável o que se faz e se tem lá. Realmente é de deixar qualquer um de queixo caído. Após toda mostragem tanto do acervo quanto da disposição dos cômodos do Templo, o banquete foi pedido e enquanto isso o mezanino superior foi tomado para exibição de imagens de idolatria tanto da rainha quanto do sacerdote. Nesse ínterim o banquete chegou e eu fiquei na cozinha preparando e arrumando a comida para a família real e para o sacerdote, fazendo vias de criadagem. O banquete estava farto e consistia em quatro pizzas e um vasilhame de empadas de camarão além de quatro garrafas de coca-cola. A rainha se fastiou apenas com dois pedaços de pizza e duas empadinhas e, das quatro pizzas encomendadas, ainda sobraram duas inteiras. Pouco mais de três horas foram suficientes para que sacerdote e família real se deleitassem entre histórias, casos, lembranças e confissões.

Por mais que pareça um conto de fadas, essa história é verídica. Nomeando personagens: o sacerdote é o Serguei e a rainha é a do chorinho, Ademilde Fonseca.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

VIVER É RECORDAR

Há pouco mais de um ano atrás, estreava um canal dentre o conglomerado deles que ficam a cargo da Globosat, chamado ‘Viva’. Esse canal tem como objetivo ser um eterno vale a pena ver de novo. Novelas e programas antigos, e alguns atuais com um delei pequeno entre a exibição original e a reprise nesse canal, preenchem a grade de programação.

Alguns realmente valem a pena serem revistos, principalmente os programas de humor que, até então ocupam as faixas de horário dos sábados a tarde e a noite. Programas como Tv Pirata, um marco do humor na TV brasileira, ser exibido vinte anos depois, onde não havia tanta patrulha ideológica, tanto politicamente correto como tem hoje e com um distanciamento não deixa de ser uma aula de história, já que se trata do recorte de uma época. Isso pode ser visto não só nos programas de TV, mas na moda e nos modismos que estavam incutidas e expostas nas próprias novelas reprisadas.

Foi público e notório o sucesso estrondoso, atingindo altos índices de ibope, da novela “Vale Tudo” sucesso de Gilberto Braga. Novamente Odete Roitman mostrou ao mundo a que veio e novamente tanta maldade foi rompida com seu assassinato. Se percebe uma nítida diferença entre as novelas de ontem e de hoje. Além da tecnologia que evolui constantemente, a novela de antigamente era melhor trabalhada no sentido de se fazer uma cena. Atualmente a linguagem do vídeo clipe, rápida, ágil, frenética invadiu e tomou conta dos folhetins. E o mais legal disso tudo é que a gente percebe quando o que a gente vê hoje não passava de vários experimentos, além de certa ousadia que dominou por um tempo as tramas, as investidas certas em alguns temas e assuntos.

Além de “Vale Tudo”, já passaram pelo canal “Por Amor”, “Quatro por Quatro”, “O Rei do Gado”, “Anos Douados”, “Anos Rebeldes” entre outras, mas uma que eu procurava acompanhar, talvez a minha preferida, era “Vamp”. Engraçado que por eu ter arquivado 98% dos textos que eu postei nesse blog, me lembro nitidamente que no primeiro, no texto inaugural dessa forma que faço há anos, cheguei a mencionar essa novela por conta de uma música que tocava muito nela. Não posso precisar o que vou falar, mas acho que “Vamp” foi a primeira novela cuja trilha sonora criou um disco a mais, o que hoje é normal apesar de não ser comum. Dentro da trama, foi criada uma tal rádio comunitária chamada de Corsário e esse terceiro disco nada mais era que as músicas que tocavam na rádio. Que eu me lembre agora, “Vamp” e “Tieta” foram as novelas que eu tinha a trilha sonora completa, e olha que eu era mestre em comprar disco de trilha sonora de novela, mania que com o surgimento do CD na minha vida raramente o faço.

Além de uma trama leve, principalmente para os padrões atuais, e de uma história que apesar de tratar sobre seres malévolos, sombrios e sanguinários, mostrava uma outra faceta, explorando mais o lado cômico e lúdico, a etena luta do bem contra o mal eram nitidamente personalizados no protagonista e antagonista da história. Assisti essa novela na época em que foi originalmente exibida. Essas e algumas outras que marcaram minha infância e adolescência e que agora pode ser que eu tenha a oportunidade de rever ao menos alguns trechos.

Me lembro com muita saudade de “Vamp”. Era uma novela que eu gostava de ver. Não só eu como boa parte dos meus amigos na época. Agora, com esse canal, a Tv Globo pode tirar toda a poeira do seu material de arquivo e fazer do “Canal Viva” seu verdadeiro museu áudio-visual deixando em exposição um grande e belo acervo de novelas, minisséries, especiais, temporadas de série, programas de um modo geral que agora se tornaram atemporal e não mais factual, com uma exibição e provavelmente apenas uma reprise e fica por isso só. Liberdade pra viver e recordar.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

MELÔ DO EXÉRCITO GAÚCHO

Algum tempo atrás, circulou uma notícia de que um grupo de soldados de um quartel do Rio Grande do Sul, todos em serviço e uniformizados debocharam do hino nacional brasileiro quando perfilados e escutavam a música até que o ritmo mudasse e se tornasse um funk e todos começassem a dançar descontroladamente. Noticiado por vários veículos de comunicação que mostraram o vídeo que caiu na rede e se tornou por instantes bastante polêmico dividindo a opinião pública entre culpados e inocentes os soldados que fizeram isso.

Não quero aqui condenar o inocentar ninguém, só vou expressar a minha opinião. Achei altamente desnecessário aquela atitude. Se eles estão arregimentados em um quartel do exército, prestando serviço, existe uma norma de conduta a ser seguida como acontece em qualquer empresa e inclusive na sociedade de um modo geral. Se aquilo fosse feito num churrasco entre os amigos ou numa reunião de família, no mesmo tom de brincadeira que fizeram no quartel, talvez a repercussão fosse mínima ou nenhuma a ponto de ganhar um destaque na imprensa nacional. Ao ser executado em algum tipo de competição, uma tia minha, onde quer que ela esteja, fica de pé põe a mão no coração e canta junto com os atletas, que nem sempre sabem a letra completa do hino. Não acho que seja falta de respeito transformar a harmonia do hino nacional.

Me lembro da Fafá de Belem cantando na época dos comícios das Diretas Já, mas creio que a norma, a conduta diz que pra eventos oficiais, solenidades, deve ser executado o hino na sua forma original. Já escutei uma gravação do hino também na voz de Vicente Celestino, gravação da década de quarenta.

Se tem um ritmo que eu não gosto é o funk, ao contrário do meu irmão que adora. Quer dizer, o ritmo em si e o funk como um movimento que propõe um olhar diferente para a periferia e/ou favelas coforme no início, na década de 70 e liderados por artistas como James Brown nos Estados Unidos, e tendo como um de seus representantes no Brasil o também legendário Tim Maia eu apóio e tiro o meu chapéu. Acontece que do modo como as coisas andam, pro caminho que ele, o funk, foi levado, me fez cada vez mais detestar e odiar esse tipo de música. Ainda as periferias e/ou favelas se fazem ouvir através desse ritmo, mas a base musical do funk, pelo menos aqui no Rio é a mesma, ou seja, a batida é aquela coisa sempre chata e enjoada e as letras são as de piores gosto possíveis, na sua maioria estimulando o sexo ou fazendo menção a algum tipo de violência – os tais proibidões.

Por causa disso, que já é motivo suficiente, não é uma música que me agrade e que eu consuma e, por conta das letras que só visam os lados mais primórdios do ser humano, faço questão de levantar bandeira contra. Confesso que no início do tal Funk Brasil, no início da década de 90 eu até gostava de alguns e tenho três na minha lista de músicas baixadas em MP3. Melô do Bebado, Melô da Mulher Feia e Melô de Acari, além de uma que a Dercy Gonçalves canta em resposta ao Rock das Aranhas do Raul Seixas. Essas eram letras mais bem estruturadas e bastante engraçadas, mas depois foi tomando outra forma mais abominável e repudiosa possível.

Mas esse vídeo me fez pensar em uma coisa. Se é através do funk que a “cultura” chega nas regiões da periferia, por que não transformar outras músicas em funk. Acho que assim a visão de mundo pra quem não tem acesso a ela vai ser aos poucos transformada, outros artistas serão redescobertos e revisitados e, melhorando a cultura, um efeito dominó pode ser desencadeado e outros setores, como a educação, podem até melhorar junto. Que esse polêmico hino nacional se mantenha nesse ritmo, no entanto que seja cantado e não somente instrumental; seja e executado nas rádios mais populares para que todos ouçam e aprendam a realmente cantar o hino nacional.
ONTEM, HOJE E SEMPRE

Rio de Janeiro, domingo dia vinte e dois de maio de dois mil e onze. Nesse dia aconteceu o último dia do viradão carioca. Esse tipo de evento começou há uns seis anos em São Paulo, onde vários shows e atrações culturais se espalharam pela cidade e levaram, principalmente para a população que não tem acesso a esse tipo de evento, a possibilidade de participarem de um evento cultural.

No Rio, essa mesma idéia já vem sendo executada há três anos. Diferença entre as duas é que a de São Paulo faz mais juz ao nome, virando a noite litralmente e acontece durante vinte e quatro horas. Já o modo como é feito no Rio consiste em três dias de shows e apresentações entre cinco da tarde e meia noite, sem que a madrugada seja propriamente atingida. Dessa vez, no Rio, as atrações foram em três lugares: Realengo, Quinta da Boa Vista, e pela primeira vez resgataram a lona no ponto de partida do Circo Voador, no Arpoador.

Trinta anos atrás, antes de pousar definitivamente na Lapa, o Circo estava armado ali no finalzinho de Ipanema e dava a oportunidade de bandas e artistas novos, que na época só buscavam seu espaço ao sol e hoje são nomes que representam uma geração. Paralamas do Sucesso, Kid Abelha e Blitz foram algumas dessas bandas que entre idas e vindas, até hoje seguem sua estrada iniciada lá naquele cantinho da praia. Para celebrar os trinta anos do Circo Voador, esse ano a lona foi remontada ali e alguns dos artistasquese apresentavam na época, como bons filhos, retornaram à casa. Uma dessas bandas foi a Blitz.

Saí de casa exclusivamente para assistir ao show deles, que embalam minha vida com os sucessos do início da década de oitenta e volta e meia pincelam músicas novas mantendo a sátira e o bom humor característicos da banda. Claro que não é a formação original. Fernanda Abreu, umas das backing vocals original, está a anos em carreira solo e se sustenta com o seu próprio trabalho. O show em si, apesar de ser curto por ter vários artistas se apresentando, foi muito bom. E várias gerações estavam lá assistindo a banda se apresentar. Filhos, pais e até avôs curtiam o som que há trinta anos atrás era novidade. Mas, como o próprio Evandro Mesquita, líder e vocalista da Blitz, falou em alto e bom som, música boa não tem idade, ou seja, é atemporal. Do mesmo modo que as pessoas há trinta anos atrás, naquele mesmo lugar, cantavam músicas como “Geme-Geme” com um frescor e uma energia , nós também estávamos lá com esse mesmo frescor e energia cantando a mesma música.

Ainda de acordo com o líder da banda, a disposição do palco estava diferente. Mas tudo era diferente, inclusive o sistema de áudio, que, comparado com o de hoje em dia, é jurássico, mas não menos importante pra evoluir e chegar ao patamar onde estamos hoje, em se tratando de tecnologia. É fato que o novo sempre vem, que o mundo evolui, mas é sempre bom relembrar, afinal, sábio é o dito popular quando fala que “recordar é viver.”

Rio de Janeiro, domingo dia vinte e dois de maio de dois mil e onze. Nesse dia aconteceu o primeiro dia da apresentação de Sir Paul McCartney no estádio do Engenhão. Depois de passar por São Paulo e Porto Alegre no ano passado, esse ano o Rio teve exclusividade para com o show do ex-Beatle que, somados os anos com o grupo, são quase cinqüenta anos de composições maravilhosas que também passam de geração para geração. Ao contrário da Blitz, que eu vi surgir, Paul McCartney já havia consolidado uma carreira solo quando eu nasci e, mesmo assim, quando eu comecei a me abrir para sons novos que não os voltados para criança, na minha descoberta do rock e dos jeitos que são feitos e tocados esse ritmo que nunca sai de moda, os Beatles são imprencindíveis e indispensáveis para qualquer discoteca, assim como Blitz e outros.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

NÃO, É O VELHO SUPER-HOMEM

Olha pro céu, veja como ele está lindo. O que vem ali? É um pássaro, um avião, não, é o Super-Homem. Há setenta anos ele vem cortando os céus do mundo, trazendo a paz e enfrentando os piores vilões do planeta e escutando essa frase com a qual abri o texto.

Por ser o primeiro, serviu de modelo pra todos os outros que vieram depois. Claro que cada um com seus problemas e bandidos particulares, mas o grande modelo de herói, ou de super-herói foi mesmo o Super-Homem. Criado na década de trinta pra levantar os ânimos de um país que acabara de ter a bolsa de valores quebrada e estarem em uma depressão econômica por conta disso, alguém vindo de fora, de outro planeta veio ajudar a América a se livrar de alguns problemas. De todos os heróis eu sempre gostei mais dele, mesmo sabendo que ele é um extra terrestre.

De acordo com o histórico, os pais dele o mandaram pro planeta Terra momentos antes do planeta Kripton explodir, justamente pelas atmosferas dos planetas se parecerem muito. A viagem durou aproximadamente sete anos terrenos, mas pra ele foi questão de horas. Ele saiu um bebê de Kripton e chegou uma criança aqui caindo literalmente como um cometa, numa chuva de meteoritos no terreno da família Kent adotando, assim, a cidadania americana e a identidade de Clark Kent.

Começando com quadrinhos, passando à série de TV, animada ou filmada, até virar uma sequencia de quatro filmes no fim da década de setenta e início de oitenta – que foi quando ele se materializou na pele do Cristopher Reeve e se eternizou na minha concepção – e há alguns anos tiveram aousadia e a coragem de filmar o retorno do Super Homem no cinema.

Essa sequencia de quatro filmes, por serem feitos entre as décadas de setenta e oitenta, mostravam como grande inimigo da América e consequentemente do Super-Homem, o bloco sociaista, já que a guerra fria assombrava o mundo naquela época. Hoje, pelo que se sabe, o herói estria renunciando a cidadania americana e se tornando um cidadão do mundo. É o super-herói acompanhando as transformações geopolíticas mundiais.

Por mais que a gente saiba que ele é imortal, que só estando perto de uma pedra de kriptonita pode amortizar seus super poderes, as características e consequencias, o peso da idade e as limitações que ela pode trazer, retardam um pouco a ação dele em salvar vidas. Eu imagino uma cena. Ele deitado na cama com a Lois Lane, essa também na faixa dos setenta, escutando muito mal, já que o alcance da sua superaudição não está lá cem por cento, um chamado de socorro. Com uma certa dificuldade ele levanta da cama e demora pra torcar o pijama pelo uniforme e ouve um comentário da Lois:

- Assim vai chegar tarde.
- Aposto que é mais um pedindo pra que eu tire o gatinho de cima da árvore. Pra que existe o corpo de bombeiros?
- Quem manda querer ser herói.
- Tanto tempo na ativa, quase setenta anos só fazendo o bem, só ajudando, pegando e encarceirando os piores bandidos e ainda me querem tirando gatinho de cima de árvore. Estou começando a achar que os gatos da cidade estão fazendo um complô contra minha pessoa. Poderiam ter um pouco mais de consideração, afinal já estou atingindo uma certa idade. Tá na hora de perceberem que eu posso ser mais seletivo e deixarem as coisas mais escabrosas pra que eu resolva. Não esses gatinhos em cima da árvore.
- Ossos do ofício.
- Ossos cada vez mais duros de roer. Lois, querida, onde botei minhas botas?

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

MÚSICA, HUMANA MÚSICA

Segundo minha mãe, desde antes do meu nascimento eu já curtia escutar música. Ela conta que meses antes do parto, no carnaval, eu já pulava muito dentro dela. Talvez venha daí o fato de eu gostar bastante de carnaval. Além disso, cresci numa família musical por ambos os lados.

Meu avô, pai do meu pai, passava o dia cantando e eu adorava escutar e aprender as músicas que faziam parte do repertório dele. Tanto que até hoje eu curto as músicas das décadas de trinta e quarenta e procuro pesquisar e ter essas músicas no meu acervo. Do lado materno, meu avô, apesar deeu ter tido poucocontato com ele pelo fato dele ter morrido quando eu tinha três anos, deixou uma herança musical e o violão sempre está presente nas nossas reuniões de modo que o repertório é bastante vasto e extenso. E um dos primeiros presentes que minha avó me deu foi aquela vitrolinha vermelha da Philips cuja tampa se transforma numa caixa de som. Foi lá que rodei meus primeiros disquinhos de historinhas da “Coleção Disquinho”, feitas pelo Braguinha, dos discos de cantigas de roda e os de música.

Outro fator pra eu gostar bastante de música é meu pai. Ele sempre foi de consumir discos de vinil – e eu peguei esse hábito dele e até alguns anos fazia isso também com cd`s – e preencher as manhãs de sábado com melodias que hoje se tornaram clássicas. Minha infância também foi bastante musical. Tive o privilégio de ter feito parte da última geração cuja criança era tratada como criança, com músicas inteligentes especialmente compostas pra nós e cantadas por grupos como Balão Mágico e Trem da Alegria. Sem considerar os especiais de televisão também voltados para crianças como Plunct Plact Zum, Pirlimpimpim, Casa de Brinquedos e Arca de Noé, esse último com músicas compostar pelo poeta Vinícius de Morais e interpretados por grandes estrelas da MPB, como Elis Regina, Ney Matogrosso, Clara Nunes e MPB-4 entre outros.

Consumo música desde sempre. Comprava discos praticamente toda semana em uma determinada época. Com o fim dos vinis, o consumo passou a ser de CD`s e mais uma vez pelo avanço da tecnologia, de um tempo pra cá o computador, a internete e os programas de baixar músicas são meus aliados nas pesquisas e descobertas musicais que venho fazendo. Partindo desse princípio, eu criei um monstro que sou eu mesmo. Eu baixo tanta música, mas tanta música que toda vez que eu renovo o repertório do meu MP3 tenho que fazer uma seleção delas. Apenas 10% das músicas que tenho arquivadas cabem no meu aparelhinho utilizado principalmente nas minhas caminhadas e em algumas viagens. Aliás, esse aparelhinho foi quem me acompanhou pelo meu tour pela Europa. Companheiro inseparável.

Eu tenho uma dificuldade enorme em selecionar um repertório pra botar no meu aparelhinho. Mudo esse repertório de três em três ou de quatro em quatro meses e sempre com músicas novas baixadas na entre-safra das trocas de música. Confesso que tenho que fazer uma limpa nesse meu acervo. Realmente tem muita música que eu nem escuto e que baixei por baixar, por compulsão ou mesmo só pra ouvir mais canções de um determinado artista e não só as mais famosas, pra me inteirar mais com o trabalho dos artistas. Mas me dá pena em fazer esse tipo de faxina. Acho que vou injustiçar alguém, principalmente a mim. Mas que eu tenho que fazer isso, tenho. Quando, eu não sei.

O que eu estou achando interessante e gostando de fazer é de incluir no imaginário e no repertório do meu sobrinho as músicas que marcaram a minha época ou as que passam de geração em geração, que todas as crianças conhecem. Ele ta começando a se interessar por algumas a ponto de pedir pra colocar, cantar e repetir.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

NÓS SOMOS JOVENS

O Juca Chaves tem duas frases que ele canta numa modinha composta por ele que eu acho batata - pra usar uma expressão que saiu de moda há muito tempo. Uma diz que “Velho é quem se ilude que idade é juventude. Ser jovem é saber envelhecer.” E a outra fala que “Idade não é culpa, velhice não é desculpa, nem mesmo a juventude é profissão.” Eu acho que com a idade, normalmente e naturalmente o foco da gente muda. Mas não acho que isso seja sinal de velhice. Não por isso que a gente diz “Tô ficando velho pra essas coisas.” A gente muda, evolui, se interessa por outras coisas, temos fases e isso tudo ajuda a deixar apenas na recordação as experiências pelas quais passamos e acumulamos durante a vida.

Meses atrás, mais precisamente dia catorze de maio, meu primo de dezenove anos, que entrou pra faculdade esse ano e por conta disso mudou-se de Curitiba pra cá pra Niterói e está se enturmando com o pessoal daqui, me ligou perguntando se eu queria ir pra Lapa com ele por conta da comemoração do aniversário de um amigo dele de faculdade. Sei que é uma fase de descobertas e novidades pra ele. Eu também passei por isso e, por menos que eu estivesse disposto eu fui. Não só pra mostrar o caminho pra ele e dar um pouco mais de segurança por ele não ser natural daqui, quanto pelo fato de ter sido um dos poucos lugares, das poucas casas da região da Lapa que eu ainda não tinha ido. Portanto, pra mim também era novidade e o novo me instiga. A casa até que é boazinha e não foge muito dos padrões das casas noturnas da Lapa, mas o problema é que os dj’s, que também evoluem conforme o cenário musical – diga-se de passagem que particularmente acho desprezível – e põem nas carrapetas músicas que realmente não me agradam.

Conto nos dedos as que eu realmente gosto. Por isso não tenho saído muito. Prefiro outros tipos de programas. Eu realmente fiquei meio deslocado dentro daquele ambiente, cheio de rapazes e moças de tipos mais variados possíveis. Ás vezes eu me perguntava “O que que eu tô fazendo aqui.” Mas não me sentia velho por causa da sensação de deslocado. Prefiro curtir outros tipos de programas que não mais uma boate tocando músicas completamente desinteressantes pra minha pessoa e cheio de gente mais nova que eu e que tá descobrindo a vida cada um a seu modo. Minha diferença de idade pro meu primo são quinze anos. Eu também quando entrei pra faculdade, que descobri a Lapa, freqüentava praticamente toda semana aquele lugar que ainda me agrada e vou continuar freqüentando. Mas não do jeito que eu freqüentava, não com os mesmos olhos com olhos que o meu primo está enxergando agora, não com essa voracidade toda de querer explorar tudo ao mesmo tempo agora. Procuro passar maior parte do tempo com amigos,seja apenas com um ou com um grupo grande, mas amigos que eu sei que também já passaram dessa faze de sair duas, três vezes por fim de semana batendo papo, jogando conversa fora ou indo pra shows, cinema ou teatro.

Um ponto interessante dessa casa que fui com meu primo é que existe um mesanino, parecido com um balcãozinho em cima do bar, que faz vias de palco e um sujeito sobe com o violão pra ficar tocando músicas do repertório pop nacional. Essa parte de ficar sentado numa mesa e assistindo ao showzinho foi a que eu mais gostei da noite. O lugar é grande e tem três ambientes, de modos que o único que me agradou foi esse. Claro que nessa hora eu já estava sozinho, pois meu primo já tinha se envolvido com um moça lá. Ele está na idade de fazer isso. Eu já to na idade de ficar mais sossegado, na minha. Já mudei o foco. Alguns podem chamar de velhice, outros de experiência, outros de maturidade. Pode ser até que seja as três coisas ao mesmo tempo, mas, na atual circunstância eu chamo de jovialidade, de frescor, afinal, como diz o garoto Juquinha, “ser jovem é saber envelhecer”.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

NO BANCO

Me considero um sujeito conectado com o mundo. Gosto do que as novas tecnologias trazem pra facilitar a vida e a comunicação da gente. A moda agora é ter aqueles tablets, que a marca Apple chama de IPad. Depois do sucesso dos I Phones a inovação é constante não só dessa como também das marcas concorrentes. Não possuo nada disso. Talvez, se tivesse na Europa poderia ter, mas também não seria certo. Acho que ainda não chegou no meu ideal, no objeto que eu visse e dissesse “Esse eu preciso. Esse eu quero pra mim.” Esses organizadores de arquivos que substituem os computadores, por eu ser organizado de natureza, apesar de eu ser completamente a favor de que eles existam e que todos tenham acesso a ele não me enchem os olhos.

Acho que quem tem esses tipos de aparelhinhos, claro que também por necessidade, hoje, pelo menos aqui no Brasil, é mais questão de status. Não sou adicto o suficiente a ponto de adquirir uma coisa dessas. Verifico minha caixa de e-mail no mínimo uma vez por dia e, quando por ventura estou viajando, sinto falta de fazer isso, mas nada que me deixe assim subindo pelas paredes. Quando dá, vejo, leio, respondo e acerto tudo. Talvez eu seja mais dependente do telefone celular. Acho que o número dele é tão importante quanto o CPF. È quase um RG. De modo que esses dois últimos só são divulgados quando pedem e o número do telefone geralmente a gente dá mesmo quando não pedem. O telefone, por ser menos trabalhoso, eu verifico com muito mais freqüência. Sempre vejo se tem chamada perdida, mensagem nova e curto mexer nas funções e configurações que meu telefone celular traz com ele, a ponto de trocar o toque uma vez por mês e o encher de músicas pra se fazer passar também por um MP3. Mas eu não sou daqueles que fica pendurado no celular falando sem parar.

Aliás, por ser celular me controlo mais por conta dos custos das ligações. Mas com tantas promoções das operadoras de falar gratuitamente com os outros tem gente que não tira o telefone do ouvido. Toda essa introdução pra chegar no ponto que eu queria desde a última postagem. Cartões de banco e telefones celulares agora se juntam pra que eu conte um caso que eu presenciei. Por conta dos assaltos conhecidos como “saidinha de banco” algumas agencias proíbem ou restringem usos de telefone celular dentro delas, mas não sei se o mesmo vale pras áreas de auto atendimento.

Teve uma vez em que eu fui fazer um favor pra minha mãe num auto atendimento desses e fiquei pasmo quando a pessoa que estava atrás de mim – uma mulher, que já tem mais facilidade em desfiar conversas horas a fio – entrou na fila atrás de mim já falando com alguém – provavelmente sobre os acontecimentos do fim de semana e pelo visto com alguém que esteve junto a ela, já que isso aconteceu numa segunda-feira – e não parou nem um minuto. Outra pessoa perguntou se ela era a última da fila e, respondendo verbal e positivamente com o ouvido colado no aparelho, chegou a comentar tudo o que ela estava observando. Não só esse fato de alguém perguntar pela fila, mas comentou também que uma pessoa estava com dificuldades numa das máquinas de auto atendimento. Fui pra uma que vagou, em seguida ela foi também, e nem assim largou o telefone. Haja assunto. E falta dele também.

Eu não consigo ficar assim. A não ser quando faço ligação com Londres, mas isso não é todo dia. E outros tipos de meios de comunicação como o MSN, mail, skype também são utilizados nos meus contatos com meus amigos de lá. Eu até prefiro, pra não gastar muito os pulsos telefônicos e ainda tenho a vantagem de olhar pras pessoas como se elas estivessem na minha frente. E estão. Virtualmente, mas estão. Aí sim fico pendurado. Contando o tempo que não os vejo de verdade, a distância de um oceano separando a gente além dos hemisférios opostos e claro a saudade que aperta de vez em quando. Agora, ficar pendurado ao telefone na fila de banco chega a ser inconveniente.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

HABITUÊ

Adiquiri um hábito europeu. Na verdade alguns deles, mas um sobressai mais. Eu não gosto de andar com dinheiro vivo no bolso. Questão de segurança. Se eu for roubado fica mais difícil pra quem me roubou ficar com meu dinheiro por não conseguir sacar. Do mesmo modo que pra mim a dificuldade também será maior por ter que ligar para inviabilizar o uso daquele cartão, pedir outro, desbloquear esse outro e poder utilizá-lo novamente até ser roubado novamente. Carrego ás vezes uma pequena quantidade pra estabelecimentos que ainda não aceitam cartão, os mais atrasados ou, por exemplo, uma festa num local improvisado.

Outro hábito europeu, pelo menos o que é utilizado em Londres é o Oyster, ou cariocamente chamado de riocard ou bilhete único (esse último também nomeado em São Paulo). Claro que ainda falta muito pra chegar ao que é lá. Digamos que atualmente é o jeitinho brasileiro de andar de ônibus. De modo que as desvantagens daqui começam tendo poucos postos de recarga, o que acarreta uma fila enorme pra se carregar um cartão e também pela diferença de valor e utilização. Lá se carrega por semana. Há um valor fixo para quem quiser andar ou só de ônibus, ou de ônibus e metrô pra região mais central, ou ônibus e metrô também pras demais áreas. Cada um desse tem um valor fixo e dentro daquele prazo (pode-se carregar pra um mês caso queira) a permissão pra rodar por dentro da cidade é irrestrita. Aqui se carrega por um valor e a medida que se passa o cartão na maquininha o valor da passagem é descontado até que se carregue novamente.

No caso da capital e região metropolitana ainda existe uma vantagem, um abatimento, um desconto de, dependendo do destino, atualmente, praticamente um real. Dentro da cidade do rio, com o cartão, o preço da passagem é um só pra quem tem que pegar dois ônibus num prazo de duas horas ou duas horas e meia. Para sair da região metropolitana e ir para a capital, ou vice-versa, o valor, claro, é um pouco maior, mas com a vantagem sobre o pagamento em dinheiro vivo, vale a pena obter o cartão. Eu não sei nem o porquê de estar falando isso aqui agora, o tema que eu queria propor era outro e que vai ficar pra próxima. Mas já que comecei, vamos até o fim, que não está muito longe.

Nesse quesito lá tem outra vantagem. Todos os bairros são acessíveis e não se depende de uma ou outra empresa pra fazer aquele itinerário. Até pelo fato de lá não ser concessão e sim transporte público no amplo sentido da palavra, ou seja, tanto para atender a todos os públicos, quanto custeado pelo estado inglês e não por uma empresa privada que presta um serviço público. Outra coisa. Aqui no Rio já aconteceu comigo uma vez apenas e espero que eles implantem em todos os carros de praça, como eram chamados antigamente, o sistema de cobrança tarifária via cartão de crédito ou débito. Aliás, como eu voltei com o hábito de passar o cartão pra tudo e atualmente a facilidade em se ter uma máquina cadastrada no nome do estabelecimento é grande e, por mais que se pague uma taxa de manutenção, ou seja lá que nome leva, o volume de compras com cartão também tem aumentado pela ascensão das classes antes menos favorecidas aos créditos.

Estou levantando a bandeira, não da administradora dos cartões, mas da utilização dos mesmos pra tudo. Dinheiro de plástico, dinheiro virtual utilizado pra pagar tudo e somente ir ao banco quando estritamente necessário, só pra checar o saldo da conta, coisa que já dá pra se fazer também via internete, mas quanto a isso eu ainda não confio. Por falar em banco, era justamente sobre isso que eu queria falar e que vai ficar pra próxima postagem. Uma cena que me deixou pasmo quando outro dia fui fazer um favor num banco para minha mãe utilizando um cartão. Começei a falar de cartão, mas o assunto descambou pra outro viés que explorei e termino de falar aqui.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O BUM DO BIN

Mal William e Kate terminaram de distribuir os pedaços de bolo, brigadeiro e cajuzinhos pra alta sociedade britânica, dois dias depois do casamento real, o presidente norte americano em cadeia de rádio e televisão anunciou que o terrorista mais procurado e temido no mundo acabara de sucumbir ao poder de fogo dos Estados Unidos e teria sido morto pela tropa de elite americana numa mansão em Abbottabad, perto de Islamabad, capital do Paquistão. O inimigo número um do considerado país numero um, depois de quase dez anos de busca, finalmente foi alvejado. E não foi através de dois aviões, mas sim por um helicóptero que levou a tropa até o esconderijo depois de uma bem sucedida intervenção de estudos da CIA.

Osama Bin Laden foi quem arquitetou o ataque ao World Trade Center por duas vezes. Uma não tão poderosa quando por volta de seis pessoas foram mortas e mil e quarenta e duas feridas em vinte e seis de fevereiro de mil novecentos e noventa e três. Mesmo que não constasse o nome de Bin Laden na lista de culpados diretos pelo ataque, a organização terrorista Al Qaeda era comandada por ele. Oito anos e alguns meses depois o mais bem tramado, o mais bem arquitetado e o mais bem executado plano de ataque levou abaixo as torres gêmeas em Manhattan, Nova Yorque. Torres que foram construídas pra suportar o impacto de um avião do mais moderno, para a época da sua construção, um Boing 727. O edifício não evoluiu, mas a aviação se modernizou e dois Boing 767 atravessaram as torres as fazendo derrubar matando mais de três mil pessoas. Foram dois nas torres gêmeas, um que caiu no Pentágono, o edifício onde se concentra o departamento de defesa americano, e um que caiu na Pensilvânia antes mesmo de atingir seu alvo.

De lá pra cá os Estados Unidos fizeram a reeleição do Bush, invasão no Iraque, guerras no Afeganistão, combate ao regime Talibã, caçada, julgamento, e execução de Sadam Hussein entre outras medidas de política exterior e combate ao terrorismo altamente discutível pela sua legalidade. Por falar em discutível, agora com a queda de Osama Bin Laden a discussão muda de foco. Não é por causa da morte dele que os ataques devem parar de acontecer. Como organização bem preparada, a Al Qaeda já deve estar se articulando para rever sua estrutura de penetração nos países do mundo e onde e como serão seus próximos ataques. Europa e Estados Unidos estarão sempre em alerta agora. Consta que eles já estavam planejando ataques ao sistema ferroviário americano no décimo aniversário do ataque, em setembro próximo. Semanas antes do anúncio da morte do Bin Laden, Barack Obama havia praticamente lançado sua candidatura a reeleição americana. E logo após o anúncio a população comemorou como se tivesse ganhado uma Copa do Mundo.

Talvez a batalha principal tenha sido ganha, mas a guerra vai continuar e não vai acabar tão cedo e todos terão que estar preparados pras conseqüências provenientes desse fato. Um fato que também parece ser estranho de modo que o corpo do terrorista logo foi escondido, dizem que jogado ao mar, ou desfeito de imediato para que não houvesse um certo tipo de idolatria para com o terrorista. Bin Laden era um sujeito rico morando num lugar pobre. Quem quiser saber mais sobre a relação entre Bin Laden, sua fortuna e os Estados Unidos, vale a pena ver um documentário feito pouco depois do atentado terrorista das torres gêmeas pelo maior contestador-cineasta (ou vice-versa) Michael Moore, chamado “Farenheit 9-11” Vale a pena ver pra entender a contextualização e até, por que não ousar dizer, a razão dos ataques. Não que eles se justifiquem. E não confundir islâmico ou muçulmano com terrorista. Religião é uma coisa e visão política é outra completamente diferente. Temos que ficar de olho aberto nos próximos acontecimentos e conseqüências que isso irá acarretar.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

THE ROYAL WEDDING

“E viveram felizes para sempre.” Essa frase é o clichê que encerra se não todas, a maiotia dos contos de fada, das histórias que ouvimos e aprendemos a gostar na nossa infância. Histórias que atravessam gerações e volta e meia são representadas em desenhos, principalmente os da Disney, e até em filmes. Mas seria esse clichê uma máxima também? Esse romantismo vem sumindo com o passar dos anos, das gerações, apesar de ainda encontrar certas resistências. Eu, por exemplo, faço parte dessa resistência.

Na última sexta feira do mês de abril, um conto de fadas saiu dos livros de história e fez com que o mundo parasse por algumas horas para ver sua concretização. Uma das poucas, mas mais famosa família real do mundo oficialmente ganhou mais uma integrante, condecorada como a Duquesa de Cambridge. É público e notório os contos de fadas, quando trazidos pra realidade, não são fiéis às histórias escritas. Principalmente em se tratando da família real britânica. Da última vez aconteceu o que a gente já sabe. No início da década de oitenta, o primogênito da rainha, herdeiro legítimo e direto do trono, se casa com uma moça comum, mas com ar aristocrático e não viveram felizes para sempre. Pelo contrário, foi talvez o mais escandaloso casamento dos tempos modernos de realeza, com separações, segundas núpcias de ambos até culminar com a morte da princesa de Gales – pode ter acabado o casamento, mas ainda permanecia a condecoração recebida – num túnel em Paris, perseguida pelos paparazzi que não desgrudavam do pé dela.

Antigamente, e põe antigamente nisso, as princesas, rainhas, príncipes e reis eram mortos principalmente por seus cônjuges, filhos, e parentes justamente pra se tomar o poder, principalmente se houvesse uma insurreição, uma insatisfação por parte dos próprios membros da corte. E esses tipos de escândalos eram bem mais comuns. Outros tempos. Hoje seria inaceitável se Charles matasse a rainha Elizabeth e se William matasse Charles pra ficar com o poder. Já não basta todos os escândalos da família, não só por Charles e Diana, mas por outros membros como o Andrew, Anne, Sara Fregson, ou seja, só a rainha tenta se manter sóbria, calma, elegante e controlar as peculiaridades, escândalos e excentricidadas da família real. De perto, nenhum inglês é normal, nem a rainha.

Uma multidão se aglomerou na porta tanto da Abadia de Westminister quanto no Palácio de Buckingham pra acompanhar o que já chamaram de casamento do século. Sinceramente, acredito que antes do século terminar outros príncipes e princesas irão nascer e outros casamentos reais irão acontecer, mas mesmo assim aqueles contos de fadas que estamos acostumados a ouvir enquanto crianças não vão sair do papel e consequentemente da imaginação.

Só espero que todo aquele romantismo que essas mesmas histórias pregam se façam valer mais. Que todo o casamento seja real, que não haja uma jogada política ou marqueteira por traz disso, que realmente haja amor entre os dois e não só uma conveniência ou uma fachada. Sei que o ‘pra sempre’ sempre acaba, como diz a música e que o ‘viver feliz’ é o ideal pra todos nós, se não juntos a alguém, sozinhos mesmo, mas feliz na maior parte do tempo.

Contos de fadas não existem nem mesmo pra quem nasceu príncipe ou se transformou em princesa, mas eu ainda acredito e invisto no romantismo das histórias e procuro transferir dos livros, filmes e desenhos, para a vida real, para a minha vida pelo menos. Que William e Kate sejam felizes enquanto o amor deles durar, de preferência pra sempre.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A LÍNGUA É MINHA PÁTRIA

Uma das minhas frustrações durante meu tour pela Europa em 2009, foi a minha chegada na Alemanha. Desci do avião, me dirigi a estação de metrô (diferentemente daqui, como eu estava comentando na postagem anterior, a grande maioria das cidades européias têm uma acessibilidade maior de mobilidade para o aeroporto que não apenas uma rua ou avenida cujo carro é o único meio para que se chegue ou saia de lá) para seguir a orientação dada pelo site em que eu reservava os albergues. Deacordo com eles, havia uma estação em que eu fazia baldeação. Até então tudo bem, já que todas as reservas eram feitas na língua inglesa, que eu domino razoavelmante bem. Só esqueceram de falar ou fazer isso nas maquininhas de auto-atendimento pra se comprar o bilhete do metrô pra não nativos. Levei em torno de meia hora até que uma alma caridosa percebesse a situação em que eu me encontrava e, com um inglês macarrônico, veio me ajudar a adiquirir o bilhete.

Aqui no Brasil logo se desconfiaria de um assalto, de um integrante de quadrilha, de seqüestro relâmpago, já que infelizmente se parte do presposto que todos são suspeitos até prova em contrário. Se uma pessoa se aproxima pra perguntar as horas automaticamente suspeita-se de uma segunda intenção que geralmente não é benévola.

Graças a essa pessoa, juntamente com as indicações que estavam na impressas no papel da reserva do albergue consegui chegar onde queria. Outra sorte que dei na Alemanha foi que o recepcionista do albergue era português de Porugal. Segundo ele, o pai dele vivia ou viveu um bom tempo no nordeste do Brasil, não me lembro bem. E por mais que falássemos a mesma língua sendo de lugares diferentes aconteceu um ruído de comunicação, mas rápidamente contornado apesar do instante de constrangimento para ambas as partes visto que o entendimento não se converteu pra um só significado.

Mas tanta sorte pra uma pessoa só era de se desconfiar. Foi o único lugar que mexeram nas minhas coisas e me roubaram cem euros e um cartão de boa viagem que a Emma, minha amiga francesa, tinha escrito pra mim. O dinheiro estava dentro do envelope do cartão e nem tiveram a sensibilidadede, pelo menos deixarem o cartão. Mas, vivendo e aprendendo.

Foram apenas seis dias em Berlim, minha segunda parada depois de dez dias na Itália e antes de quinze na casa do Renan, na Holanda, mas tempo suficiente pra tomar uma decisão pra quando eu tivesse de voltar dali a um tempo. Claro que não foi de imediato. Entre a minha chegada e o começo desse projeto pessoal levou quase um ano, mas comecei no final do ano passado a fazer cursos de línguas.

Meu foco é mais na conversação e no ‘como se virar’ em algumas situações como a que eu passei chegando na Alemanha. Por isso o descarte das aulas presenciais e a aquisição daqueles cursinhos de áudio-livro do tipo ‘aprenda tal língua em três meses’ ou ‘quinze minutos tal lingua’que é o cursinho que eu faço. Claro que os quinze minutos são transformados em uma hora diária. Não sigo a risca a proposta do curso. Quero ir mais além, e como tenho essa possibilidade, a utilizo.

Esse curso é dividido em doze temas diferentes e cada um com quatro aulas e uma revisão. Doze semanas de aula equivalendo a três meses para se aprender o básico. Com a flexibilização que eu faço, estendo por mais uma ou duas semanas no máximo para fazer revisões gerais e parciais. A primeira língua que comecei a estudar por esse método foi a língua francesa no fim do ano passado, passando por revisões mensais até o carnaval. A partir do mês de abril comecei a fazer o mesmo com a língua alemã. Claro que por já ter noção do francês foi muito mais fácil aprender e memorizar em relação ao alemão. Na lista ainda tem o italiano e o espanhol. Árabe, chinês e japonês é muito difícil de engressarem na lista, mas em caso de extrema necessidade, quem sabe um dia.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

SERÁ QUE VAI?

O dia dois de outubro de dois mil e nove ficou marcado para o povo da cidade do Rio de Janeiro. Não só pelo fato de ser o dia em que esse que vos escreve ter chegado de uma temporada de dez meses na Europa – agradeço a faixa de bem vindo e o tapete vermelho estendido para minha passagem na saída do aeroporto, cujos festejos foram conduzidos pelas minhas tias Dôra e Tania – mas também pelo anúncio oficial da cidade ter se tornado a sede dos jogos olímpicos de 2016.

O Brasil, como bola da vez, já tinha conquistado o direito de sediar também a copa do mundo de 2014. O que acontece é que festa é o nosso principal know how. Já se passaram quase dois anos desse anúncio e quais foram as melhorias da cidade?

Talvez somente uma, assim mesmo não por completo, mas também pela sua repercurssão mundial, a curto prazo foi um feito que por enquanto tem surtido certo efeito. As Unidades de Polícia Pacificadora, principalmente a implementada no Complexo do Alemão, dão a sensação de maior segurança a cidade e, pelas estatísticas oficiais, que podem e devem ser argüidas e duvidadas de todos os jeitos e maneiras, a criminalidade nas suas diversas vertentes caiu, mas não se encerrou. Crimes bárbaros e brutais ainda aparecem no noticiário policial, a luta conta o tráfico de drogas continua incessante e pelo visto infindável, mas convenhamos que não mais do jeito que estava nos governos antecessores. Como disse acima, a sensação, a curto prazo, de segurança está sendo boa.

Pelo menos nesse ponto, está parecendo que há uma evolução. Mas e quanto aos outros pontos? Copa e Olimpíadas requerem uma mobilidade de atletas, jornalistas e torcedores e o que foi feito para que isso tenha avançado?

Alguém pode levantar a bandeira e dizer que no bairro de Copacabana, depois da implementação do sistema BRT que impede que carros de passeio trafeguem em duas faixas exclusias para ônibus e taxis o trânsito desafogou. Tudo bem, mas isso é pontual. O engarrafamento continua nas vias expressas, ponte, linhas vermelha e amarela toda manhã sem sequer uma previsão de melhoria ou de implantação de meios alternativos, não só do transporte em si, mas também de rotas.

Por que não fazem como na Holanda, Bélgica ou Alemanha, onde a bicicleta é bastante utilizada e, se o trecho entre origem e destino é muito longo, a bicicleta também anda de trem ou metrô? Existem soluções, mas é por puro interesse político que elas não são implementadas. Não querem construir linhas novas de metrô por ser muito caro e a curto prazo não há retorno financeiro esperado. Mentalidade tacanha a dessas pessoas. É a famosa lei de Gérson que enquanto vigorar nesse país nada vai pra frente como deveria ser.

Pras olimpíadas ainda há tempo pra se resolver e/ou encontrar soluções, mesmo que temporárias, pra diversos segmentos da sociedade. Mas, pra copa do mundo, o maior evento do futebol mundial, a situação está ficando mais crítica. O custo das obras que já se inicaram estão aumentando e o das que nem começaram estão indo pelo mesmo caminho do superfaturamento.

Além disso, e o mais grave de tudo é a situação limite atual que se encontram os aeroportos. Ultimamente eu tenho freqüentado muito a ponte aérea e se percebe nítidamente que, principalmente em São Paulo, o aeroporto de congonhas não comporta mais a quantidade crescente de passageiros e nem de aeronaves. Voar pra congonhas é querer estar engarrafado. Ou na avenida que leva pro aeroporto – e não há outro método, não há uma estação de trem ou metrô que leva ao centro da cidade, já que fica um pouco afastado – ou na própria pista de decolagem. Já levei uma hora do momento em que entrei no avião, até quando o comandante diz: “Decolagem autorizada.”

terça-feira, 26 de julho de 2011

O QUE EU QUERO É EMPREGO

Eu não sei exatamente qual será a minha situação quando eu postar esse texto. Tomara que meus lamúrios e minha agonia aqui citados tenham se resolvido até então. Como eu escrevo com muita antecedência e não posso prever o futuro, pra quem tá me lendo agora esse texto foi escrito na semana do carnaval, ou seja, minha situação na época do carnaval estava começando a ficar insustentável em um aspecto. Emprego. Eu preciso trabalhar. Pode ser que quando eu postar esse texto eu já esteja trabalhando. Tomara que sim, mas como já disse anteriormente, essas palavras podem não ter valor nenhum e não validarem minha situação atual, ou seja, no momento da postagem do texto.

Como sabem, desde minha volta da Europa investi na carreira de comissário de vôo e me dei um prazo até o fim do ano passado pra ser contratado por alguma companhia aérea. Utilizei de todos os meios indicados pelas próprias companhias, apliquei currículos através dos sites, como também pra conhecidos de conhecidos que trabalham nessa área, até ir pessoalmente ao aeroporto entregar currículo no balcão das empresas eu fui. A partir de janeiro desse ano comecei a espalhar currículo para outras áreas e outro estado também, no caso, São Paulo. Queria ir pra capital.

As três áreas que fiz isso foram a de professor para cursinho de inglês. Não é uma coisa que eu gosto. No caso a necessidade é maior, mas não é o ideal. O ideal mesmo é poder voar. Trabalhar na carreira que investi. Outra área é a que eu costumava fazer antes de ir pra Londres que é a de produção. E uma terceira seria uma espécie de conselheiro de viagem. Justamente por eu ter viajado tanto enquanto estive por lá. Acho que me daria melhor nessa última. Essas todas foram basicamente pra cidade de São Paulo.

Pro Rio teve uma outra área que eu tenho uma certa hojeriza, mas por necessidade, também botei minha cara a tapa lá. Por eu ter trabalhado num outlet sazonal lá em Londres, digo que isso também acrescenta no meu currículo, o que não deixa de ser verdade, mas é completamente diferente o esquema de vendas desse outlet e o de uma loja aqui no Brasil. São experiências diferentes. Na verdade a daqui deve ser bem mais estressante que a de lá, apesar dos dias e horas de pico em que nem o almoço era respeitado decentemente.

O que eu busco (ou buscava) é um trabalho que me dê um salário bom pra que eu possa daqui a algum tempo poder sair de casa (se é que não já saí) e finalmente mudar de ares novamente, como é do meu desejo. Há pouco tempo atrás, queria mudar tão radicalmente quanto fiz ao ir pra Londres. Agora, nem tanto. Por que não ao invés de atravessar a Dutra, só atravessar a ponte? Morar em Ipanema, por exemplo, seria uma boa. Já que o custo de vida lá é alto, deve se equiparar com o de Ipanema. E não fica tão longe da família. No entanto, para que isso aconteça só preciso de uma coisinha só. Um emprego. Um trabalho. Alguém que queira comprar minha mão de obra.

Acho que pra se fazer alguns sacrifícios,terei que me vender ao sistema. Sempre achei que tem que trabalhar no que se gosta justamente pra se fazer com prazer e não ter que rotular de trabalho. Do mesmo jeito que o que eu vi em três anos prestando serviços pra Globo eu devo ver em qualquer local e situação de trabalho. Gente que quer passar a perna no outro, gente falsa, egoísta, que só pensa em se dar bem independente do outros e não sabe o que é parceria. Isso tem em todos os lugares e é o que tira o prazer do que se faz, ou seja, são os pontos negativos que anulam os positivos.

Algumas pessoas dizem que se você expõe num pedaço de papel seus desejos, e fica toda hora mandando bilhetinhos pro universo no fim eles se realizam. Caso eu ainda não tenha realizado esse desejo espero que essa versão eletrônica desse bilhetinho funcione.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

FAZER NADA (CRÔNICA DE RUBEM ALVES)

A manhã está do jeito como eu gosto. Céu azul, ventinho frio. Logo bem cedinho convidou- me a fazer nada. Dar uma caminhada - não por razões de saúde, mas por puro prazer. Os ipês-rosa floriram antes do tempo - vocês já notaram? E não existe coisa mais linda que uma copa de ipê contra o céu azul. Cessam todos os pensamentos ansiosos e a gente fica possuído por pura gratidão de que a vida seja tão generosa em coisas belas. Ali, debaixo do ipê, não há nada que eu possa fazer. Não há nada que eu deva fazer. Qualquer ação minha seria supérflua. Pois como poderia eu melhorar o que já é perfeito?

Lembro-me das minhas primeiras lições de filosofia, de como eu me ri quando li que, para o Taoísmo, a felicidade suprema é aquilo a que dão o nome de Wu-Wei, fazer nada. Achei que eram doidos. Porque, naqueles tempos, eu era um ser ético que julgava que a ação era a coisa mais importante. Ainda não havia aprendido as lições do Paraíso - que quando se está diante da beleza só nos resta ... fazer nada, gozar a felicidade que nos é oferecida.

Queria perguntar aos ipês das razões do seu equívoco. Será que, por acaso, não possuíam uma agenda? Pois, se possuíssem, saberiam que floração de ipê está agendada somente para o mês de julho. Qualquer um que preste atenção nos tempos da natureza sabe disto. Mas antes que fizesse minha pergunta tola ouvi, dentro de mim, a resposta que me dariam. Responderiam citando o místico medieval Angelus Silésius, que dizia que as flores não têm porquês; florescem porque florescem. Pensei que seria bom se também nós fôssemos como as plantas, que nossas ações fossem um puro transbordar de vitalidade, uma pura explosão de uma beleza que cresceu por dentro e não pode ser guardada. Sem razões, por puro prazer.

Mas aí olho para a mesa e um livro de capa verde me lembra que não vivo no Paraíso, que não tenho o direito de viver pelo prazer. Há deveres que me esperam. O que todos pedem de mim não é que eu floresça como os ipês, mas que eu cumpra os meus deveres - muito embora eles me levem para bem longe da minha felicidade. Pois dever é isto: aquela voz que grita mais alto que minhas flores não nascidas - os meus desejos - e me obriga a fazer o que não quero. Pois, se eu quisesse, ela não precisaria gritar. Eu faria por puro prazer. E se grita, para me obrigar à obediência, é porque o que o dever ordena não é aquilo que a alma pede. Daí a sabedoria de dois versos de Fernando Pessoa. Primeiro, aquele que diz: Ah, a frescura na face de não cumprir um dever! Desavergonhado, irresponsável, corruptor da juventude, deveria ser obrigado a tomar cicuta, como Sócrates! Não é nada disto. Ele só diz a verdade: só podemos ser felizes quando formos como os ipês; quando florescermos porque florescemos; quando ninguém nos ordena o que fazer, e o que fazemos é só um filho do prazer. E o outro verso, aquele em que diz que somos o intervalo entre o nosso desejo e aquilo que o desejo dos outros fez de nós.

No meu livro de capa verde estão escritos os desejos dos outros. Ele se chama agenda. Os meus desejos, não é preciso que ninguém me lembre deles. Não precisam ser escritos. Sei-os (isto mesmo, seios!) de cor. De cor quer dizer no coração. Aquilo que está escrito no coração não necessita de agendas, porque a gente não esquece. O que a memória ama fica eterno. Se precisa de agenda é porque não está no coração. Não é o meu desejo. É o desejo de um outro. Minha agenda me diz, que devo deixar minha conversa com os ipês para depois, pois há deveres a serem cumpridos. E que eu devo me lembrar da primeira lição de moral ministrada a qualquer criança: primeiro a obrigação, depois a devoção; primeiro a agenda, depois o prazer; primeiro o desejo dos outros, depois o desejo da gente. Não é esta a base de toda vida social? Uma pessoa boa, responsável, não é justamente esta que se esquece dos seus desejos e obedece os desejos de um outro - não importando que o outro more dentro dela mesma?

Ah! Muitas pessoas não têm alma. O que elas têm, no seu lugar, é uma agenda. Por isto serão incapazes de entender o que estou dizendo: em suas almas-agendas já não há lugar para o desejo. No lugar dos ipês existe apenas um imenso vazio. Há um vazio que é bom: vazio da fome (que faz lugar para o desejo de comer); vazio das mãos em concha (que faz lugar para a água que cai da bica); vazio dos braços ( que faz lugar para o abraço); vazio da saudade (que faz lugar para a alegria do retorno).

Mas há uma vazio ruim que não faz lugar para coisa alguma, vazio-deserto, ermo onde moram os demônios. E este vazio, túmulo do desejo, precisa ser enchido de qualquer forma. Pois, se não o for, ali virá morar a ansiedade.

A ansiedade é o buraco deixado pelo desejo esquecido, o buraco de um coração que não mais existe: grito desesperado pedindo que desejo e coração voltem, para que se possa de novo gozar a beleza da copa do ipê contra o céu azul. Tão terrível é este vazio que vários rituais foram criados para se exorcizar os demônios que moram nele. Um deles é a minha agenda - e a agenda de todo mundo. Quando a ansiedade chega, basta ler as ordens que estão escritas, o buraco se enche de comandos, e se fica com a ilusão de que tudo está bem. E não é por isto que se trabalha tanto - da vassoura das donas de casa à bolsa de valores dos empresários? São todos iguais: lutam contra o mesmo medo do vazio.

"E vós, para quem a vida é trabalho e inquietação furiosos - não estais por demais cansados de viver? Não estais prontos para a pregação da morte? Todos vós para quem o trabalho furioso é coisa querida - e também tudo o que seja rápido, novo e diferente - vós achais por demais pesado suportar a vós mesmos; vossa atividade é uma fuga, um desejo de vos esquecerdes de vós mesmos. Não tendes conteúdo suficiente em vos mesmos para esperar - e nem mesmo para o ócio" (Nietzsche).

Por isto ligamos as televisões, para encher o vazio; por isto passamos os domingos lendo os jornais (mesmo enquanto nossos filhos brincam no balanço do parquinho), para encher o vazio; por isto não suportamos a idéia de um fim de semana ocioso, sem fazer nada (já na segunda-feira se pergunta: "E no próximo fim de semana, que é que vamos fazer?"); por isto até a praia se enche de atividade frenética, pois temos medo dos pensamentos que poderiam nos visitar na calma contemplação da eternidade do mar, que não se cansa nunca de fazer a mesma coisa.

Certos estão os taoístas: a felicidade suprema é o Wu-Wei, fazer nada. Porque só podem se entregar às delícias da contemplação aqueles que fizeram as pazes com a vida e não se esqueceram dos seus próprios desejos.

Mais um texto recebido por mail. Reiterando, os créditos que aqui estão também vieram por mail, portando não credenciando a veracidade entre o autor exposto e o texto escrito. De modo que, o texto é tão gostoso de se ler que até deu vontade de escrever... nada sobre ele.

Essa expressão ‘fazer nada’ me lembrou uma fase da minha vida em que eu me locomovia em no mínimo duas horas, ia pra um lugar, me arrumava e praticamente não fazia nada durante o dia inteiro. Ainda tínhamos refeição e ganhávamos pra isso. Foi o começo de uma carraira de sucesso como figurante de novelas. Só fazíamos alguma coisa na hora daação da cena. Mas a maior parte do dia ficávamos sentados, aguardando ordens para cumprí-las, quando dava vontade. Ás vezes dava pra escapar, mas não era sempre. E o pior de tudo é que no fim do dia o cansaço te pegava. Foi exatamente nessa época que eu descobri e constatei uma verdade que até então não levava muito a sério. Mesmo gostando, fazer nada é extremamente cansativo. Lê-se nada como ausência de tudo. Pois tinha gente que substituía o nada por uma palavra cruzada, por exemplo.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A QUE PONTO ESTAMOS CHEGANDO?

Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar!).

A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.

O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares.

Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática.

No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento”. Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando...

E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”

Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno – cliente...

Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”.

Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.

Ao assassino, corretamente , deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal a o autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça.

Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.

Igor Pantuzza Wildmann - Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário

Esse mail que recebi tinha um texto maior, mas essa pequena edição já deixa claro o valor da (má) educação que essa geração vem recebendo e demonstrando.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

APRENDA A DEDICAR SEU TEMPO A QUEM MERECE

Quem é que já não ouviu aquela famosa frase: “Não dê preferência a quem te trata como opção”? Difícil você ainda não tê-la ouvido ou lido por aí. Mas, na verdade, o que isso significa? Significa que, na vida, é preciso estar atento às pessoas e aos acontecimentos para não acabar valorizando quem não merece.

Tudo bem que todo mundo tem o direito de ser e de fazer outra pessoa feliz e dividir com ela suas alegrias e seus medos. Mas, infelizmente, nem sempre somos correspondidos nesse sentimento. No amor, só se pode controlar o lado do relacionamento que corresponde a si mesmo e torcer para que o outro siga aquilo que você acredita.

Essa ideia de que viver sozinho é o que há, está completamente equivocada. Apesar das aparências, muitas pessoas ainda vivem em busca de alguém para dividir as escovas de dente. O problema é quando, depois de encontrar essa pessoa, por medo de perdê-la, você se fecha e não se permite ver que estar com ela não anda valendo tanto à pena.

Nas relações humanas, é normal que haja situações de altos e baixos, momentos em que o parceiro não pode lhe dedicar tanta atenção. Mas, é preciso compreender as verdadeiras razões e se dar conta quando isso passa dos limites aceitáveis. Dê todas as chances que puder, mas quando perceber que não há mais o que fazer, não faça! Você saberá quando for a hora de dar um basta.

Ser apenas mais um item na vida de alguém não é nada agradável. Ter um companheiro que não reconhece nem lhe dá o valor que merece, muito menos. Certas situações só servem exatamente para você perceber que, às vezes, aquela pessoa não é a ideal para você. Você precisa deixar claro que não quer ser mais uma alternativa na infinita lista de prioridades que a pessoa coloca na sua frente. Se for assim, o melhor mesmo é chutar o balde e partir para outra.

Não perca seu tempo com pessoas que não lhe dão a menor atenção e que, em vez de contribuir para sua evolução, ficam empatando a sua felicidade. E olhe que você pode percebe isso facilmente se parar para prestar um mínimo de atenção aos fatos. Reflita e se permita acreditar em você mesmo e em todo o seu potencial. Com certeza você encontrará alguém que mereça sua dedicação. Mas lembre-se: a prioridade deve ser sempre você!

Esse texto eu recebi por mail de uma amiga da minha mãe, ex-companheira de trabalho dela. Segundo ela, a autoria é desconhecida. Sei que não dá pra confiar muito nesses textos que vêm pela internet. Eu sempre fico com o pé atrás. No entanto, a mensagem dele, quem quer que o tenha escrito, é muito bacana. Por isso a decisão de postar ele aqui. Aliás, tem mais dois que estão na fila para serem expostos aqui também. Todos nessa condição de, mesmo sendo citado, o autor é incerto e não sabido com suspeitas dos créditos que virão juntos.

Quanto a menssagem que o texto sugere, pra mim serviu como um tapa de luva de pelica, pois eu me preocupo muito com meus amigos, priorizando a vida e a vontade deles e esqueço da minha. Já fui mais assim. Confesso que estou melhorando, principalmente depois da Europa. Pra mim, essa ida pra Europa foi uma espécie de ‘afrouxamento’de laços com todos aqui no Brasil, e isso me mostrou exatamente o que o texto diz no final “a prioridade deve ser sempre você.” Até pelo fato de não ter ninguém pra dar prioridade a não ser a minha pessoa, principalmente nos primeiros meses em que fiquei lá. E por mais que depois fizesse muitos amigos, desde então procuro não me colocar em segundo plano, mas pelo menos colocá-los no mesmo nível de prioridade que eu. De modo que estamos no mesmo barco e ninguém é melhor.