sábado, 22 de janeiro de 2011

ESPECIAL AUTO DE NATAL (4)

NÚCLEO 3 – VÍTIMA

GE - Já tá pronto?
RAFA - Quase.
GE - Não vai se atrasar, hein?
RAFA - Tem tempo ainda. Ela deve chegar dentro de uma hora. Isso se não houver atraso, o que geralmente costuma acontecer.
GE - Depois de três anos finalmente a minha irmã tá chegando pra passar uns dias aqui com a gente. To até com um pouco de vergonho do que a gente vai oferecer pra ela na nossa ceia de Natal. Primeiro pelo fato de eu não cozinhar tão bem quanto ela, segundo por nossa mesa estar um pouco mais pobre que a do ano passado.
RAFA - Mas agradeça a Deus que ainda temos o que comer na noite de Natal. Você sabe que estamos passando por problemas financeiros.
GE - Sorte sua que ainda não bateu nenhum credor a nossa porta. Eu fico com pena é desse nosso menininho que tá aí, coitado.
RAFA - Coitado de que? Ele não tá passando fome, não tá passando necessidades, tem de tudo. Não do bom e do melhor, mas faltar, não falta. Desde quando você me disse que iríamos ter uma criança eu te afirmei que iria fazer das tripas coração pra que nada faltasse a ela.
GE - Mas não me disse que pra isso iria se afundar em dívidas. Tem dois anos praticamente que você tá devendo a Deus e o mundo. Pode não estar faltando nada nessa casa hoje, mas amanhã pode até faltar a casa.
RAFA - Também não exagera.
GE - Até parece que você não conhece esse tipo de gente. Eles vão querer tudo com juros e correção monetária. O dia que vierem nos cobrar é capaz de pedirem nossas almas como forma de pagamento de uma dívida que a gente não tem como pagar.
RAFA - Acho que você está indo longe demais.
GE - Só estou com medo.
RAFA - Tá concordando com o dito popular que diz que quem não deve não teme. Não é só pelo fato de agente estar devendo que precisamos temer. Existe sempre uma força superior, um universo que conspira mais a nosso favor do que contra. O que tiver de acontecer vai acontecer. Sejam as conseqüências boas ou ruins, nós vamos sair dessa. Deus dá o frio conforme o cobertor.
GE - Esse seu otimismo chega a ser preocupante.
RAFA - E esse seu realismo é um pouco irritante.
GE - Parece que sempre vamos ter essa diferença. Se for o caso temos que aprender a viver com nossas diferenças, respeitando e aceitando com a gente sempre fez e sempre deu certo.
RAFA - Quanto a isso você tem razão. Alguma coisa nós temos em comum além do nosso filho. Por isso essa união estar durando sete anos no total. Aliás, não foi você que disse uma vez que sete é o nosso número da sorte?
GE - Mas isso foi num teste daquelas revistas que as madames lêem lá no salão de beleza que eu trabalho.
RAFA - Bem, se a gente recém completou sete anos de relacionamento, ainda há tempo da sorte bater a nossa porta. E essa época é propícia pra isso.
GE - Até parece que a sorte bate na porta dos mais necessitados, dos que precisam mais, dos, como se diz, inadimplentes. Vai terminar de se arrumar.
RAFA - Vou levar a criança comigo. Ela vai adorar conhecer de verdade o sobrinho quando chegar.
GE - Leva sim. Ela nem vai acreditar quando ver o menino andando. Acho que essa surpresa vai ser o primeiro presente de Natal.
RAFA - Falando nisso, na volta vou aproveitar pra passar com ele numa lojinha de brinquedos.
GE - Mas antes você vai trazer minha irmã pra cá pra casa?
RAFA - Pensei em passar direto lá e depois vir pra cá. Se eu vier direto depois é capaz dele dormir e não ter mais tempo de fazer isso, afinal, o Natal é daqui a dois dias. Por que você não vem comigo, não vamos todos pra lá. Garanto que sua irmã iria adorar ver todos nós lá, recebendo ela.
GE - Mas eu tenho que terminar de fazer o feijão pro almoço.
RAFA - Não pode deixar pra terminar depois?
GE - Posso, mas...
RAFA - Então se arrume e vamos fazer um passeio em família. Não vemos sua irmã desde quando você estava grávida e acho que ela merece uma recepção calorosa. Vamos já entrando no clima e tentar fazer desse o melhor Natal que ela passou com a gente. Vamos ser e fazer alguém feliz, pelo menos na primeira hora.
GE - Me convenceu. Me dá só um tempinho pra botar outra roupa e ver se tá tudo certo com a criança e as coisas dela. Ela acabou de comer, mas não custa deixar uma mamadeira pronta na bolsa, levar uma aguinha e uma banana pra qualquer eventualidade. Faça um favor, veja se precisa trocar a fralda.
RAFA - Vou lá pra dentro então.
(Batidas na porta. Os dois se olham.)
RAFA - Tá esperando visita?
GE - Será que ela chegou mais cedo e veio sozinha pra cá?
RAFA - Só abrindo a porta pra gente ver. Abro eu ou você?
GE - Sim. O que o senhor deseja?

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

ESPECIAL AUTO DE NATAL (3)

A LUZ

ROSELY - Fuma?
ROBERTO - Não, obrigado.
ROSELY - Eu também não.
ROBERTO - Pediu cigarro por que?
ROSELY - Só pra puxar conversa. Sabe, eu to um pouco preocupada, apreensiva.
ROBERTO - Com que?
ROSELY - Com esses tempos. Esse mundo tá muito maluco, não acha?
ROBERTO - Em que sentido?
ROSELY - Em todos. Ninguém mais se respeita, tá tudo uma bagunça. Você veja lá no Rio, por exemplo, pessoas são mortas a cada minuto e ninguém fica indignado, parece que faz parte do cotidiano. Sabe, não é uma coisa que choca. Até que acontece com um amigo um vizinho, um parente, aí sim os que tem coragem esboçam um plano pacífico de reação, uma coisa pra tentar conscientizar a sociedade, mas não adianta muita coisa.
ROBERTO - Faz um pouco de sentido.
ROSELY - O senhor é trabalhador?
ROBERTO - Sou. Pai de família, pago meus impostos. Tudo certinho conforme manda a lei.
ROSELY - Está indo passar as festas no recinto do seu sacro-santo lar?
ROBERTO - Não. Tenho que executar uma tarefa do meu trabalho. Há três dias organizei com minha mulher e meu filho o Natal de lá de casa. Mas me deram uma missão de última hora. Não tive como dizer não.
ROSELY - Pelo visto não irá passar o Natal com eles. Ou você consegue realizar esse trabalho rápido?
ROBERTO - O trabalho em si em um minuto tá pronto.
ROSELY - Hahahaha. O senhor tem um bom senso de humor. É uma coisa que eu sinto falta. O riso. As pessoas a cada dia que passa estão ficando mais sisudas. Concorda?
ROBERTO - Plenamente.
ROSELY - O senhor me disse que tem um filho. Que mal lhe pergunte, qual é a idade dele?
ROBERTO - Cinco.
ROSELY - Uma criança ainda. Que Deus o abençoe. Espero que ele viva muito e te dê muitas alegrias. E sinceramente que ele cresça num mundo melhor, sem tanta maluquice. Sei que vai ser difícil, principalmente num país como nosso.
ROBERTO – A gente faz o que pode.
ROSELY – Apenas o ensine o real significado da palavra valor. Os valores estão diferentes hoje. Todo mundo só fica preocupado com dinheiro, tratam pessoas como máquinas que dão lucro e não pensam no resto. Onde andam a solidariedade, a justiça, a ética, o respeito, a paz e o amor. Tomara que seu filho seja um operário pra transformar as pessoas que povoam esse mundo em seres dignos, que pensem antes de cometerem algum ato falho que possa prejudicar a vida de outros. Ao invés de usar as pessoas e amar as coisas temos que usar as coisas e amar as pessoas. Acho que chegamos. Boas festas, meu senhor. Obrigado pela paciência. Nos esbarramos pela vida, pelo mundo afora.
ROBERTO - Eu que agradeço pelo desabafo. Há muito tempo não encontrava uma pessoa tão intrigante, justa, firme e ao mesmo tempo serena. Vou levar essa conversa como uma diretriz pra minha vida a partir de agora. Quer ajuda? Tá indo pra onde? Quer carona? Ei. Deixou cair um papel aqui.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

ESPECIAL AUTO DE NATAL (2)


NÚCLEO 2 - SUBALTERNO

ANDREA - Nossa! Você estava desde aquela hora no telefone? Quase três horas falando. Ainda bem que não é a gente que vai pagar essa conta. Que cara é essa?
ROBERTO - Não sei se a notícia é boa. Talvez eu tenha que passar o Natal fora de casa. Gastei essas quase três horas argumentando, mas acho que dessa vez não vai dar.
ANDREA - Te ligaram daquele seu trabalho que eu não sei nada sobre ele?
ROBERTO - Mas é graças a ele que você tem essa vida confortável, que a gente pode dar o melhor pro nosso filho.
ANDREA - É. Nisso você tem razão, mas que pra mim, que sou casada com você há sete anos continua sendo um mistério esse seu emprego. Até hoje não entendi direito qual é sua verdadeira profissão. Parece até que faz algo errado do tipo mexer com pirataria ou pior ainda.
ROBERTO - Olha,vamos deixar esse assunto de lado.
ANDREA - Esse telefonema te deixou mesmo preocupado, pelo visto.
ROBERTO - Um pouco sim. Pela primeira vez eu terei de passar o Natal longe de você e do nosso filho, e isso é inconcebível pra mim.
ANDREA - Liga pra quem te ligou e recusa a oferta que te fizeram.
ROBERTO - Isso é mais inconcebível ainda pra mim.
ANDREA - Trabalhando nessas condições de sair de casa de uma hora pra outra, ou na calada da noite, de repente, e agora mais essa de te afastar da gente no Natal... esse emprego ainda vai acabar te matando uma hora dessas.
DIEGO - Papai, papai. Olha a cartinha que eu escrevi pro Papai Noel.
ROBERTO - E o que você pede nela, meu filho.
DIEGO - Uma bola, uma bicicleta, e uma espada laser.
ROBERTO - Tudo isso? Três presentes. Você acha que vai ganhar? Se comportou direitinho esse ano? Fez muita bobagem? Papai Noel só gosta dos bons meninos. Um bom menino não faz xixi na cama, um bom menino não faz mau criação, um bom menino vai sempre a escola e na escola aprende sempre a lição. Vamos ver se você aprendeu. Quanto é dois mais dois.
DIEGO - Quatro.
ROBERTO - E você só pediu três presentes. Vai lá meu filho. Põe mais um na lista que é bem capaz de você também ganhar. Se ficar com vergonha pode dizer pro Papai Noel que esse último fui eu que pedi pra você botar na sua lista.
ANDREA - Você acha que vai dar conta?
ROBERTO - Dos presentes? Sempre dei e não vai ser esse ano que não vou comprar os presentes pra ele e pra gente. Você já escolheu os seus?
ANDREA - Ainda não tive tempo pra pensar nisso. Mas eu quero dizer se você vai dar os presentes. Acabou de dizer que é bem provável que não passe o Natal com a gente.
ROBERTO - Tenho que dar meu jeito.
ANDREA - Por falar nisso, tem algum amigo ou parente que venha ceiar com a gente esse ano? Preciso ir no mercado pra comprar tudo. Do lombinho ao peru. Pra comprar a quantidade certa.
ROBERTO - Liguei pra uns amigos aí, mas todos eles esse ano estarão ocupados. Vamos passar só nós três mesmo, sozinhos, na paz.
ANDREA - Vamos?
ROBERTO - Não estou te dizendo que sim?
ANDREA - Mas e esse telefonema, esse imprevisto, esse trabalho de última hora que você não pode cancelar?
ROBERTO - Dou meu jeito.
ANDREA - Você dá jeito pra tudo.
ROBERTO - Essa é a minha profissão. Sou um tipo faz tudo. Um quebra-galho. Por isso esses horários impróprios e essas épocas incertas pra fazer certos tipos de coisas.
ANDREA - Bem, se em sete anos eu não extraí o que eu quero de você, não vai ser agora, de uma hora pra outra que você vai me contar detalhes desse seu trabalho. Mas ainda vou ficar insistindo. Quem sabe, assim, aos poucos eu vou pegando as peças e montando o quebra cabeça esse lado misterioso da sua vida.
ROBERTO - O jantar tá pronto?
ANDREA - Desconversou.
ROBERTO - Não. Tô com fome. Brinquei o dia todo com nosso filho. Tenho que repor minhas energias.
ANDREA - Depois de amanhã é a confraternização do pessoal do meu trabalho. Você quer vir comigo. Esse ano a gente fechou um clube e vai ter até banda ao vivo tocando.
ROBERTO - Não sei. Talvez eu vá. Tenho que resolver uns problemas.
ANDREA - Do trabalho?
ROBERTO - Também. Tem algumas pendências pra resolver, tenho que ir ao banco, essas coisinhas. Se quiser até vou ao mercado pra você comprar as comidas pra nossa ceia de Natal. É até bom que distraio nosso filho que já está de férias no colégio. Gosto de passar o dia com ele.
ANDREA - Ele também adora passar o dia com o super pai dele. Vai sim. Você já sabe o que comprar? Se quiser deixo a lista de manha antes de eu sair pra trabalhar.
ROBERTO - Não tem necessidade. Nós vamos as compras amanhã. Mas não repara se na geladeira tiver 100 potes de danoninho ao invés de um bacalhau.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

ESPECIAL AUTO DE NATAL (1)

Mal tinha eu chegado de volta da Europa, não havia ainda um mês, quando tia Roseléa resolveu juntar a família num barzinho e jogou a proposta no ar. Ela havia levado Diego, o neto, pra assistir a um espetáculo teatral infantil e ficou com vontade de testar e explorar sua veia artística. Me encumbiu de escrever a peça e marcou um ensaio dali a quinze dias, onde iríamos resolver coisas sobre e sortear o amigo oculto do Natal. Claro que o ensaio foi mais um pretexto e, mesmo assim, ninguém decorou as falas mesmo na hora da apresentação a gente lia o texto pra platéia que era a gente mesmo. Conclusão: comédia na certa. A história também tem a ver com uma brincadeira de família, e a partir de agora, depois de um ano acho que já posso tornar público. Durante esse mês cada semana uma parte, um núcleo diferente. Divitam-se como nós nos divertimos bastante ‘atuando’.

NÚCLEO 1 - MAFIOSOS

RUI - Mata!
JANA - O que?
RUI - Mata. Acaba. Elimina. Executa. Já era.
JANA - Mas assim?
RUI - E queria que fosse como? Sempre foi assim e assim será enquanto houver um pouco de dignidade em nossa família, coisa que com esses tempos tá ficando difícil.
JANA - Não acha que isso é pra ser um consenso?
RUI - Lá vem você coma idéia de reunir todos pra discutir um assunto banal e que todos sabem qual será o resultado.
JANA - Pelo menos todos tem que saber do que se trata. O que tá se passando. Essa é a minha opinião.
RUI - Opinião!!! Sabe qual é a minha opinião? É que o mundo tá a merda que tá hoje por que todo mundo opina e ninguém tem a praticidade de ir lá e simplesmente executar, mas já que o que vale é a opinião, vamos fazer a maldita reunião.
RUBINHO - Outra reunião? Pra que?
JANA - Descobri um defcit na folha de pagamento. Tem um pequeno buraco de 150 milhões de reais. E o pior é que vai pro segundo ano de dívida. Isso contando com os juros e a correção monetária.
RUI - Segundo ano? Assim não dá. Na hora de pedir esse povinho vem, chora, implora, promete absurdos, mas na hora de pagar ninguém se mexe.
ROSE - Peraí, mas todos tem suas dificuldades.
RUI - Tem por que quer ter. Dificuldade pra pedir um dinheiro emprestado ninguém tem, agora, pra quitar a dívida cai o mundo. Tudo é motivo pra não pagar. Em qual célula da nossa organização tem essa dívida?
JANA - Região Norte
ROSE - Mais um ponto pra ela. Com essa agora, se eu não me engano, passou o nordeste em termos de devedores.
RUI - Sinceramente, eu acho que a gente deveria cortar esse braço nosso. O que tem no Norte além daquele matagal todo? Nada.
RUBINHO - Calma lá. Também não seja tão radical assim não. Os olhos do mundo estão voltados praquele matagal. É uma boa bolsa de negócios a médio e longo prazo. Concordo contigo na questão de eliminar o devedor, mas sair do Norte já é muito pra mim.
JANA - Então manda matar?
RUBINHO - Faz o que você quiser, mas não me feche o balancete desse ano sem que essa dívida esteja quitada.
JANA - Esse balancete tem que ser fechado até semana que vem.
RUBINHO - Então a solução tem que ser dada até semana que vem.
RUI - E a solução é matar. É tão simples quanto tirar doce da boca de criança. O ruim é aturar o choro depois, mas isso se resolve de outra forma.
ROSE - Essa época...Será que é bom fazer isso nesses tempos de festa?
RUI - Agora você tá passando dos limites. Pra pedir dinheiro emprestado não tem época, mas pra matar uma pessoa tem. Tenha a santa paciência, né? Manda matar, pronto e acabou.
JANA - Bem, eu vou fazer o que posso.
RUI - Você pode qualquer coisa. Esqueceu em que família você nasceu. Você manda e desmanda nesse mundo. Quem você acha que botou o Obama na Casa Branca? Nossa família tem influência em qualquer parte do mundo desde que o mundo é mundo. Diz a bíblia que a mulher é um pedaço da costela de Adão, mas a gente é descendente direto da serpente.
JANA - Eu ainda acho...
RUI - Quem acha vive se perdendo. Esse sujeitinho aí já se perdeu em 15 mil tem dois anos e ate agora não esboçou nenhuma retratação quanto ao empréstimo que ele pegou com a gente, portanto fez por merecer.
ROSE - Não tem outro jeito?
RUBINHO - Infelizmente não. Você tem a ficha completa desse inadimplente aí contigo?
JANA - Tá tudo aqui.
RUBINHO - Deixa eu dar uma olhada. (ANALISANDO) Hum... Regiãozinha braba essa que ele mora. Mas se ele teve meios de chegar até a gente, não vai ser qualquer fim do mundo que vai nos impedir de fazer o que tem que ser feito.
JANA - Mas se a gente matar, quem é que vai nos pagar. Como vai ficar o balancete?
RUI - Vão-se os dedos e ficam os anéis. Você ainda tá um pouco nova nessa função. Eu vou te explicar como as coisas funcionam nesse caso. A morte é o prenúncio de mais vinte e quatro horas pra dívida ser quitada. Se isso não acontecer, o que não será a primeira nem a última vez, a gente toma outras medidas mais drásticas que nem vou mencionar aqui.
ROSE - Vocês querem um vinho? O jantar está sendo servido em cinco minutos. A cozinheira fez um macarrão a carbonara que ninguém mais sabe fazer. Pedido meu especial pra hoje. Amanha depois do almoço ela sai de férias e só volta na segunda semana do ano. Vai passar as festas com a família, no interior. Ela cozinha divinamente.
RUI - Vamos lá. Acompanharei vocês no vinho sim. Você não vem não?
JANA - Vou sim, mas antes preciso resolver umas coisinhas aqui. Preciso dar um telefonema. Alô. Sou eu. Escuta bem o que eu vou te dizer. Sabe que não admitimos falhas.Sabe aquele caso que você mesmo me apontou. Já sabe o que tem que ser feito. Mata. Acaba. Elimina. Executa. Já era.