segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

AVENTURAS AMERICANAS (4)

Ficamos mofando na estação mesmo, sentados, em pé, revezando um com outro, cada um dava uma volta por vez, cansados, quase dormindo, afinal já estávamos naquela agitação a quase vinte e quatro horas e a viagem nem tinha terminado ainda, não havíamos chegado ao nosso destino. Tentamos ligar pra minha prima pra avisar que estávamos bem e só esperando o trem, mas não acertamos fazer uma ligação. Depois foi que ela nos disse que tinha que discar o número um na frente do número do telefone.

Uma cera hora fui na lanchonete do sorvete Hagen Das pra pedir um Milk-shake do sorvete feito com o licor Baileys, mas pelo fato de eu estar tomando antibiótico esse ficou sendo a pedida da minha mãe e eu resolvi tomar o de chocolate belga, que também estava exposto num banner lá e parecia ser delicioso. Parecia não, era. Como todos os sorvetes dessa cadeia, mesmo aqueles que eu nunca tomei até por dar preferência sempre ao sorvete de Baileys.

No momento em que eu pelo menos não agüentava mais ficar esperando, chegou a hora do embarque. Pra nossa alegria o trem também atrasou um pouco, praticamente uma meia-hora. Primeiro era pra ser numa plataforma, depois mudaram pra outra exatamente do lado. Como se uma fosse a plataforma I e a outra J. Isso acontece com bastante freqüência em aeroportos domésticos, aqui no Brasil principalmente. No bilhete tá escrito que é um portão, mas depois a aeronave é remanejada pra outro e você que se vire pra correr atrás do avião. Enfim, pegamos o trem e dali a algumas horas e estações iríamos descer em Charlottesville. Pra quem estava com sono, aquela era uma boa hora pra cochilar. E foi exatamente o que a gente fez. É tão gostoso andar de trem, um balanço que convida o sono. E lá também é igual a Europa no sentido de que vem um fiscal olhar os bilhetes e marcá-los com furador, e ainda escrevem num papelzinho o código da cidade que nós vamos descer e afixam no bagageiro acima das poltronas, onde colocamos as malas.

Deviam ser umas sete e meia da noite, hora local, oito e meia, hora de Brasília quando finalmente chegamos ao nosso destino final. Agora só faltava mesmo minha prima nos pegar na estação de trem e nos levar pra casa dela. Mais de vinte e quatro horas no ar, doido pra tomar um banho e comer alguma coisa, já que o sanduiche do Subway não constava mais no meu estomago, por maior que fosse. Ela sabia que chegaríamos mais ou menos naquela hora, mas ela mesma não tinha chegado. Ficamos ali comas malas na porta da estação. O mais legal é que a estação de Charlottesville é completamente diferente de todas as estações de trem pelas quais eu passei. Pra quem brincava de ferrorama quando criança como eu, se parecia muito com a estação do brinquedo, já que não há um terminal e as pessoas não saem por uma plataforma convencional. O trem simplesmente pára e você desce apenas por um lado. A rua passa por cima dessa parada e o escritório da Amtrack é numa casinha que fica em frente a saída dos passageiros de modo que se tem que atravessar a entrada de um pequeno estacionamento pra poder entrar nela. É muito bacana.

Dentro desse pequeno escritório havia telefones públicos e utilizei um desses pra tentar ligar pra minha prima novamente. Dessa vez eu consegui. Ela disse que já estava a caminho, quase chegando. Vimos quase todas as pessoas que desceram lá irem embora enquanto estávamos esperando. Creio que só ficou uma ou duas além da gente. Nós sabíamos que o carro dela era um Passat, mas a surpresa ficou por conta da placa. Tanto na frente quanto atrás a placa era a mesma. Existe uma taxa que se paga pra isso. Lá os carros são obrigados a terem placas normais, como as nossas, com letras e números, apenas na traseira. Na frente é liberado. Pra fazer o que ela fez, se paga um adicional, que foi botar a placa de “enfeite” tanto na frente quanto atrás.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

AVENTURAS AMERICANAS (3)

Nos dirigimos ao portão demarcado do nosso vôo e embarcamos para mais uma etapa da viagem. Grande parte dela feita, já havíamos entrado oficialmente no país. Restava agora aquele vôo considerado doméstico, a conexão perdida, além de uma viagem de trem de aproximadamente três horas.

Uma breve curiosidade sobre a viagem de trem. Minha mãe havia comprado uma passagem de trem na véspera da viagem por um valor considerado e ao passar as informações pra minha prima, ela ficou espantada com o valor. Se realmente tivéssemos que pegar esse REM, com a perda da conexão, iríamos também perder a passagem do trem. Não sei se nesses casos a Amtrack, a companhia ferroviária americana, nos deixaria trocar a passagem ou se realmente teríamos que comprar outra. Seria um dinheiro alto e perdido.

Minha prima percebendo o absurdo que pagamos resolveu esse problema e ficava na linha com minha mãe enquanto estávamos indo para o aeroporto, pegando os dados os quais minha mãe fez o cadastro pra reverter a situação E conseguiu. A passagem foi trocada pra um pouco mais tarde e tudo se encaixou perfeitamente. Santa Jana. Parecia que ela tava prevendo que a gente iria mesmo perder a conexão por conta da fila da imigração.

O vôo de Charlotte para Washington DC foi normal. Dura uns vinte minutos a mais que uma ponte aérea Rio – São Paulo. Eu até pensei que, como na Europa e até mesmo em algumas companhias aéreas americanas, teríamos que comprar o serviço de bordo, mas a bebida pelo menos eles ofereceram. Se bem que no vôo internacional eles venderam os fones de ouvido por cinco dólares ou dez reais. Minha técnica é nunca pedir bebida gaseificada enquanto estiver voando já que a potencialização é triplicada, ou seja, lá em cima, no ar, é como se uma dose de wiskhy se tornasse três. E com a pressurização e tal, eu prefiro tomar um chá, do tipo iced tea ou mate, ou um suco de laranja que era o que eu sempre pedia.

Pousamos em Washington, pegamos as malas e fomos pedir informações de como se fazia para ir dali para a Union Station, a estação de trem. Um senhorzinho bem simpático, educado e atencioso nos explicou detalhe por detalhe de como se fazia isso por metro, mas minha mãe disse que havia um ônibus que fazia o mesmo trajeto e que a gente não precisaria ficar subindo e descendo escada, fazendo baldeação. No fim pagamos pouco mais de vinte dólares por um shuttle, ou seja, um transporte, como se fosse uma van, que nos deixou lá. Confesso que ficava maravilhado quando o carro se aproximava dos monumentos e pontos turísticos da cidade, de alguns prédios com arquitetura.

Ao chegar na estação fomos direto pro balcão da Amtrack para pegar logo nosso cartão de embarque. Tentamos despachar as malas também, mas o trem que iríamos pegar não havia compartimento de bagagens, ou seja, teríamos que ficar o tempo todo com elas. Até pensamos em deixá-las num armário alugado e dar uma volta em Washington, mas pelo cansaço e tensão da viagem resolvemos deixar pra um dia em que estaríamos mais relaxados e dispostos a explorar aquela cidade que é cenário do mais recente livro do Dan Brown, o Símbolo Perdido, e que minha mãe levou pra começar a ler no avião. Eu já tinha lido.

Naquelas alturas a fome estava batendo. E ainda ficaríamos algumas horas por lá até pegarmos o trem das dez pras cinco da tarde. E devia ser em torno de meio dia, horário local. A estação é maravilhosa e na parte de baixo, considerado o subsolo, é uma grande praça de alimentação com vários tipos de cadeias de restaurantes e fast-foods. Escolhi uma da qual sou fã e minha mãe também gosta. Comemos no Subway.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

AVENTURAS AMERICANAS (2)

De toda essa tripulação, um se destacava. A única pessoa de todo aquele grupo que sabia falar português. Pelo menos um pra falar a língua mãe. De modo que o português que o sujeitinho falava era o castiço de Portugal. E ele falava muito rápido a ponto da minha mãe ter que pedir que eu traduzisse o que ele estava falando em certos momentos de tão ligeiro que a locução dele saia naquele alto-falante. A parte isso, o vôo transcorreu bem e chegamos na cidade de Charlotte na hora prevista.

Na América cada companhia aérea de lá entra no país por uma cidade diferente se o vôo for internacional. Creio que também deve acontecer com os vôos procedentes da Europa. Por exemplo: a Delta Airlines o primeiro pouso dela em território americano é em Atlanta; a American Airlines é em Miami e a US Airwais é em Charlotte. De lá a gente ainda ia pegar um vôo, fazer uma conexão pra Washington DC. Enfim pousamos. Como todo não cidadão americano, a fila da imigração, visto que mais ou menos dois terços do avião eram de brasileiros e praticamente todos tinham conexões, era enorme e pela autorização de abrir a portada aeronave demorou uma meia hora e por nós estarmos sentados bem atrás do avião, próximo a galley – a cozinha do avião – ficamos sendo os últimos da fila.

Havia no saguão uma distinta senhora, funcionária do consulado brasileiro que fazia uma pré checagem dos passaportes e formulários preenchidos e nos orientava quanto pra qual guichê deveríamos seguir e até auxiliava nas entrevistas que os oficiais da imigração faziam, o que no nosso caso não foi necessário. As perguntas foram as de praxe: qual o motivo da viagem, quanto tempo iríamos ficar por lá e tal. Mas teve um momento em que ele olhou para o meu passaporte e me perguntou onde ele tinha sido feito. Respondi que em Londres, que tinha morado lá em 2009. Aí ele me pediu pra ver o visto de lá. Eu só ia levar dois passaportes, o que está com visto americano válido até 2012, mas o passaporte está vencido desde 2004 e o passaporte atual que eu tirei em Londres. Existe um passaporte entre esses dois que era o que justamente estava o visto de Londres e na última hora decidi levá-lo pra sorte minha. Pela demora na fila, umas duas horas pra sermos atendidos, não só eu e minha mãe, mas boa parte de quem tava lá havia perdido a conexão.

Nos dado o prazo de poder ficar por lá até quinze de abril de 2011, ou seja, seis meses, fomos os últimos a sair do saguão da imigração. Alguma alma caridosa já havia colocado nossas malas num carrinho. Passamos pela aduana, deixamos o outro formulário e logo em seguida nos desfizemos do carrinho recolocando as malas na esteira atrás do balcão da companhia aérea que estrategicamente ficava logo depois desse setor das esteiras e trocando nossa passagem pro próximo vôo que saísse pra Washington DC.

Carregando só nossas bagagens de mão, saímos no saguão central do aeroporto e depois de tanto tempo um banheiro era procurado. Pouco mais aliviado entramos na fila para irmos em direção ao portão de embarque para o vôo de Washington. Mais uma vez passamos pelo raio-x e lá se tira até os sapatos. Não me lembro bem, mas acho que na Europa também. Logo depois de passarmos pelo aparato de segurança, nosso primeiro ato de consumo. Starbucks. Um café pra minha mãe e um chocolate quente pra mim. Os aviões não oferecem essa opção de bebida pros passageiros na hora de servir o café da manhã. Falo do chocolate, que é o que eu tomo quando acordo. Praticamente os primeiros oito dólares gastos dentre tantos que ainda seriam. Claro que a refeição de um serviço de bordo não segura por muito tempo, mas depois do reforço daquele chocolate quente e com alguns snakcs na bolsa da minha mãe, comer mesmo só em Washington, antes do embarque no trem.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

AVENTURAS AMERICANAS (1)

Exatamente um ano e doze dias depois que eu pisei de volta da Europa peguei novamente o avião e fui pra fora do país. Infelizmente não foi pra passar uma temporada longa como da outra vez. Foram só dez dias. Entre quinze e vinte e cinco de outubro do ano passado. Contando com os dias dos vôos põe aí mais dois, mas lá foram dez dias. Na verdade, eu não queria muito, mas não tive outra opção. Fui meio que obrigado a ir.

Vamos começar pelo início. De tempos em tempos minha mãe junta um dinheiro e vai pros Estados Unidos fazer umas compras. Isso é normal. Qualquer um pode fazer isso, mas em se tratando de minha mãe a coisa não é bem por aí. Altamente compulsiva, fazer compras com ela é um trabalho de paciência pra quem a acompanha Tem que ter muito saco pra passar horas e horas dentro de uma loja esperando uma pessoa completamente indecisa e ávida por produtos e novidades, algumas não tão novidades assim, mas com preços atraentes e muito abaixo da faixa de preços dos mesmos produtos ou similares em território nacional, se decidir. Só um maluco como eu pra aturar esse descompasso dela. Pra sorte minha, isso é só de tempos em tempos e por poucos dias.

Aqui no Brasil ela é bem contida, compra pouco, quase nunca sai, mas tudo isso pra poder extravasar nas lojas lá fora. E como free lancer de agente de viagens ela conseguiu uma passagem barata pra ela e um acompanhante, que a princípio não era eu. Enquanto ela pesquisava as passagens, pesquisava também alguém que se disponibilizasse a ir com ela. Acabou que ela achou as passagens a preços módicos, mas não a companhia. Acabou sobrando pra mim. Comunicado oficialmente dias antes do embarque, quando a passagem foi emitida, por um lado eu gostei, mas por outro sabia que ia sofrer um bocado. O que ela considera uma terapia, pra mim é uma tortura. Mas teria suas compensações. Enfim, viajei de burro que sou. Burro de carga das compras da minha mãe.

Dia catorze de outubro, uma quinta-feira, um taxista amigo nosso nos levou ao aeroporto às quatro e meia da tarde. Fizemos todos os procedimentos que se faz pra um vôo internacional pros Estados Unidos. Ah. Foi pra lá que fomos. Pros Estados Unidos. Mais precisamente pro estado da Virgínia, Charlottesville é o nome da cidade. Cidade essa na qual minha prima Jana está morando agora. Depois de passar uma temporada longa aqui no Brasil ela volta com a corda toda e já acostumada com o “american way of life”, que é diferente do jeito europeu de viver em alguns aspectos. Mas essa discussão não está em pauta aqui. Enfim, três meses depois que ela voltou, já estabelecida com casa própria - subtende-se ela, filho e marido e mais ninguém – estudando e tal, fomos nós conhecer e meio que invadir o espaço novo dela, que adorou a visita pra felicidade também do Diego, filho dela e do Jesse, o marido que também tá mais que enturmado com a família. Mas antes de chegar lá tivemos que sair daqui.

Foi a primeira vez que voei pela US Airways, contabilizando assim a quarta companhia aérea que já me levou pra lá, além da TWA que peguei uma vez pra fazer a ponte Orlando-Miami, mas essa também é uma outra história. Sei que estou fresco na área. Tem quase três meses também que consegui minha licença de vôo pra poder trabalhar como comissário de bordo e ainda querendo uma oportunidade de alguma companhia aérea. E de um modo geral, também foi a primeira vez que a faixa etária dos comissários dessa companhia era alta. Pra eles, ao invés de aplicar a expressão comissário de bordo, o mais cabível seria aeromoça. Não só pelo fato de aparentarem ter idade ultrapassada pra exercer a profissão, quanto pelas próprias características físicas das senhoras. Várias aero velhas. Tinha uma lá que devia ter servido um dos irmãos Wright naqueles vôos experimentais deles de tão idosa que parecia.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

ESPECIAL AUTO DE NATAL (5)

O DESFECHO

RUBINHO - A cozinheira não tinha sido dispensada há uns dias atrás?
ROSE - Pras festas de fim de ano. Por que? Quer comer o tal macarrão a carbonara novamente?
RUBINHO - Não é nada disso. Ela acionou o código pessoal dela pra abrir a porta de serviços.
ROSE - Ela tá aqui?
RUBINHO - Pelo que eu vi nas câmeras de circuito interno ela está acompanhada por um bando de gente.
ROSE - Hoje? Mas é véspera de Natal e dentro de algumas horas nós vamos fazer a nossa ceia.
ROBERTO - E foi isso que nós viemos fazer com vocês. Vamos confraternizar todos juntos.
RUI - Que está acontecendo aqui? Quem são vocês?
ROBERTO - Quer que eu explique ou você explica.
ROSE - Vocês se conhecem?
JANA - Ele é um funcionário nosso.
RUI - Petulante desse jeito. Acho que ele não tem noção do perigo.
RAFA - Então eles são seus patrões. Que tipo de empresa é essa?
GE - Empresa? Que eu saiba minha irmã trabalha pra uma das famílias mais respeitadas do Brasil.
RAFA - Isso é uma família, uma empresa, uma família empresa, ou uma empresa família?
ROBERTO - Uma democracia eu sei que não é.
ROSE - É melhor alguém ter uma explicação boa pra essa confusão que se formou aqui em nossa casa.
ANDREA - Caramba. Olha o tamanho e a beleza dessas coisas. Tudo chique, de primeira linha. To me sentindo até em uma novela.
RUI - Por que vocês não vão logo embora daqui antes que eu fique vermelho de raiva e esse chão fique vermelho de sangue.
RAFA - Meu Deus. Ele é louco. O cara anda armado dentro de casa.
RUBINHO - Calma. Guarda isso. Se eles estão aqui é porque tem um motivo.
RUI - Você sempre fazendo a linha mole. Essa idéia sua de fazer uma mudança lenta e gradual do nosso negócio pra outro completamente diferente nunca fez a minha cabeça. Nosso pai deve estar se remexendo na sepultura com raiva.
RAFA - Família a gente sabe que é, falta agora descobrir se tem uma empresa por trás.
GE - Cadê a minha irmã?
RAFA - Deve estar na cozinha preparando alguma surpresa pra gente.
ROSE - O que vocês vieram fazer aqui?
ROBERTO - Viemos pagar uma dívida.
ANDREA - Viemos?
ROBERTO - Como já foi dito sou um funcionário de vocês. Ou melhor, era por que a partir de agora peço demissão desse meu emprego de matador.
ANDREA - Então todo aquele mistério é pra que eu não soubesse que você é matador?
GE - Você foi lá pra matar a gente? Por causa daquela dívida. Bem que eu já desconfiava. O que foi que a gente tava conversando?
ROBERTO - Quando recebi a missão de liquidar com o devedor fiquei meio sentido de fazer nessa época de Natal. No entanto, como era meu serviço fui. Sete anos fazendo isso, destruindo famílias, matando pessoas e quantas vezes eu vi os olhos das vítimas brilhando, implorando misericórdia antes de apertar o gatilho.
ROSE - E por que você mudou de idéia justamente agora?
ROBERTO - Porque durante a minha ida pra encontrar essa família eu conheci um sujeito na viagem que me abriu os olhos e a mente pra vários fatos que me impulsionaram a tomar essa decisão.
RUI - Esse sujeito misterioso merece é morrer.
JANA - Eu não sabia que ele era o cunhado da nossa cozinheira. E só obedeci as ordens de vocês.
ROSE - Peraí. Quem deve tem que pagar. A gente não pode ignorar uma dívida de 150 milhões. Como vamos resolver essa parte?
ROBERTO - Com esse cheque.
ANDREA - Mas a gente não tem esse valor na nossa conta bancária.
ROBERTO - Exatamente. Esse valor nós não temos. Temos muito mais que isso. Esse sujeito, além de ter me aberto os olhos, deixou cair um pedaço de papel. Cheguei a correr atrás dele, mas ele sumiu misteriosamente. Quando vi, era um bilhete premiado da loteria federal cujo prêmio deu pra quitara dívida dele e me dar condições de não depender mais de vocês na questão financeira. Quero liberdade, carta de alforria.
ROSE - Era só essa a dívida que estava faltando na nossa planilha?
JANA - Sim. Agora parece que tá tudo zerado. Deixa só eu dar uma checada.
RUBINHO - Então a partir desse momento, com a autoridade que me foi conferida por assumir os negócios escabrosos dessa família, destituo a mim e a qualquer membro que pertença a essa família de tirar a vida de qualquer pessoa por dívidas. Acabou a máfia. Ninguém mais vai mandar matar. E vamos aproveitar pra fazer desse o melhor Natal de todas as nossas vidas, dando partida pra sonhos e desejos. Está na hora. Estão sentindo o cheirinho? Sinal de que tá na hora. Vamos lá. Um Feliz Natal pra todos.
RUI - Ah não! Não posso mandar matar? Assim eu morro.