terça-feira, 29 de março de 2011

AVENTURAS AMERICANAS (7)

O dia seguinte já era um domingo. Se alguém souber porquê o tempo passa mais rápido quando a gente está viajando me avisa. E também o que importava ser um domingo num país altamente capitalista como os Estados Unidos. Aqui no Brasil está se copiando essa mania do comércio ficar aberto aos domingos também. Os shoppings já abrem das três da tarde até as nove da noite. E em época de Natal, é de praxe nessa eferverção do comércio das lojas não ficarem fechadas aos domingos. Lá, dependendo da loja, fica aberta até as sete, oito da noite, ou seja, sendo domingo ou não as lojas abrem do mesmo jeito para deleite e felicidade da minha mãe.

Passamos por duas delas. A primeira foi a Walmart, uma das lojas que minha mãe mais gosta devido a diversidade de produtos. Falar isso é meio redundante, praticamente todas as lojas têm uma diversidade de produtos, mas essa é como se fosse uma loja de departamentos e não aquele tipo de loja que é focado em um produto em geral como só roupas ou só eletrônicos. A Walmart tem de tudo, ou quase. Claro que seria muito pra minha cabeça de confinado listar quais foram os produtos que ela comprou. Aliás comprou-se muito, como ela sempre faz. Tanto que no final houve a multiplicação das malas. Levamos duas e trouxemos quatro e cheio de coisas úteis e inúteis dentro. Na verdade essa percepção e altamente subjetiva. No fim das contas tudo é útil, mas nem tudo me convém e a essas chamo de inúteis.

Essa loja e esse tipo de comércio já chegou no Brasil e o Walmart se esconde com o nome de Sam’s Clube, pelo meos aqui perto de casa é assim, mas tal qual uma Brastemp não tem comparação principalmente em relação aos preços das mercadorias. Por isso a minha mãe faz a festa da economia quando vai pra lá, ou vai pra lá pra fazer a festa da economia dela. Uma coisa meio tostines.

Três horas. Esse foi o tempo que a gente ficou dentro dessa loja. Entre onze da manhã e duas tarde. Três horas e quinze minutos pra uma consumista dentro de uma gigantesca loja é a mesma coisa, ou seja, nada. Mesmo comprando muito, esse tempo não foi o suficiente pra satisfazê-la. Nunca será. E só saímos pelo fato de termos combinado com a Jana que fazia vias de nossa motorista pra nos pegar e voltar pra casa pra gente almoçar. O que foi rápido. Geralmente num dia de domingo, o almoço é um evento, uma hora calma, sem aquela responsabilidade de hora e tal. Nesse dia foi diferente por vários fatores. Não estávamos em casa, as lojas continuavam abertas, minha mãe só pensava em comprar e tinha que aproveitar cada momento possível praquilo. Em uma hora já tínhamos almoçado e estávamos de volta, confinados em outra loja. Geralmente domingo é dia da Jana levar o Diego pra curtir um parque, dar uma volta com ele. E justamente nessas horas de lazer era o tempo que a gente aproveitava pra ir pras lojas. A gente, lê-se eu carregado pela minha mãe, afinal era esse o propósito. Mais três horas confinado dessa vez não no Walmart, mas na Target, outra loja que tem quase de tudo, mas o foco das mercadorias se concentrava nas peças de roupa.

As seis da tarde saímos de lá. Esse era o tempo médio de confinamento numa loja. Três, quatro horas. Era de enlouquecer. A mim por não ter nada pra fazer e a ela por ficar tão surpresa com o preço dos produtos que, se desse, compraria praticamente a loja toda. Eu até dava umas checadas nos produtos de minha preferência, ou que, por acaso eu estaria interessado. Era um ou outro. Pra mim quinze minutos é bem diferente de três horas. Mas o pior estaria por vir. Essa média seria ultrapassada no dia seguinte. A Jana se dispôs a passar um dia com a gente, que não poderia ser na quinta, para ir ou pra Washington ou para uma loja. E esse dia ficou acordado que seria na segunda-feira. Adivinha pra onde fomos? Até eu conscenti dessa vez por gostar da loja escolhida.

segunda-feira, 21 de março de 2011

AVENTURAS AMERICANAS (6)

De qualquer modo, com os cotocos de giz que havia lá ainda consegui escrever uma frase que dizia que eu vim do Brasil. Claro que não ia durar muito tempo. Aquele muro não era o do estúdio da Abbey Road lá em Londres, onde o muro também é pichado mas limpo, ou seja, pintado de branco, uma vez por ano pra depois começarem a escrever nele novamente. Esse deve ser limpo uma vez por semana, no mínimo.

Depois de algumas fotos e alguns piques com o Diego, correndo por ali, fomos almoçar naquela rua mesmo, num dos restaurantes que ficam lá. O bacana é que nos dois lados, beirando as entradas das lojas e dos restaurantes os corredores são livres, mas no meio da rua, os restaurantes fazem o loteamento e botam mesas e cadeiras cercadas por grades, cada uma demarcando seu território. Não me lembro do nome do que a gente foi, mas a comida era deliciosa e farta. Meu pedido foi uma lasanha de abobrinha. O da minha mãe foi um bolo de carne lá com outras coisas. Ela não conseguiu comer tudo de tão abundante que vinha. Abundante pro estomago dela. Pro meu dava na conta.

Voltamos pra casa dali, mas não sem antes fazer as primeiras compras. Passamos no supermercado pra abastecer a geladeira da minha prima com não só as coisas que ela usava e gostava, mas com uma quantidade suficiente pra ela e pra gente. Eu me espelhava nas compras que eu fazia em Londres, a excessão da parte dos legumes. Pão, manteiga, presunto, queijo, suco de laranja, leite achocolatado, chá, snacks e um doce pra sobremesa, pra dar aquela colherada de vez em quando. Um cheesecake, por sinal bem gostoso. Tem certos tipos de comida que aqui ou é cara, ou é difícil de encontrar, e lá você praticamente tropeça nela e a um preço bem módico. Sinto saudades de alguns tipos de comida que me satisfaziam lá em Londres.

Mas o foco aqui é Charlottesville. Voltamos pra casa e descarregamos o carro. Arrumamos tudo em seus devidos lugares e esis que minha prima dá a fatídica idéia pra minha mãe ir pra uma loja que ela conhecia e gostava de ir. É uma redundância dizer que minha mãe gosta de ir numa loja, principalmente se essa loja vender artigos que ela gosta de comprar e se localizar em qualquer ponto do território americano. Como todas as lojas vendem artigo que ela gosta de comprar e por ela ser compulsiva quando fora do país, claro que essa proposta soava como tilintar de sinos aos ouvidos dela. Dali a pouco saímos novamente de casa, pro deleite da minha mãe, pra começar a fazer as compras dela. A primeira loja que a gente entrou nessa temporada foi a Marshals.

Sabe aquela loja tipo a Leader, que tem praticamente de tudo, pois bem, a Marshals é uma desse tipo de modo que mais focado no setor de casa e decoração, mas isso não impede que haja outros setores na loja também. E minha mãe é do tipo que esmiúça tudo, produto por produto, peça por peça, checa preço a preço. Pra uma pessoa que detesta isso, mas tava absolutamente consciente de que aqueles dias iriam ser assim, até que começou um pouco tarde. Me irrita a falta de objetividade de uma pessoa que entra numa loja. Talvez por eu saber exatamente o que eu quero, entrar e comprar, ficar confinado esperando a decisão de uma pessoa indecisa é desagradável.

Outra coisa, a partir dali minha função estava se iniciando. Devido a quantidade de sacola, conseqüência do volume de compras, estava começando a cumprir talvez o principal motivo que me levou a ir pra lá. Burro de carga. Sacolas e mais sacolas de compras eram carregadas pelas minhas mãos, e sem dúvida as mais pesadas principalmente. Pelo menos mnha prima se colocou a disposição pra fazer vias de motorista e transportar todas as insanidades compradas por minha mãe pra casa. As sacolas começaram a fazer volume e ocupar mais espaço no cantinho reservado pra nossa bagunça. E dali por diante a tendência seria a metástase das sacolas de compra.

quarta-feira, 16 de março de 2011

AVENTURAS AMERICANAS (5)

Didico. O apelido carinhoso do Diego, filho dela. Talvez a pessoa mais ansiosa pra nos ver, nos encontrar. A felicidade em que ele ficou foi indiscritível. A gente também ficou feliz, mas ele tava radiante. Botamos as malas no carro e partimos. Dentro de poucos minutos realmente chegaríamos ao nosso destino final. A casa da Jana e do Jesse. A casa não é muito grande, mas é bem distribuída. No andar de baixo tem a sala, a cozinha, um pequeno lavabo, além de um miniquintal e no andar de cima os dois quartos e o banheiro.

Fizemos da sala o quarto de hóspedes. Largamos as malas num canto da sala, que conforme os dias iam passando foi tomando um espaço maior devido a compulsividade das compras da minha mãe, e um colchão de casal era nosso companheiro nas noites. Sexta feira a noite, aqui em casa, geralmente é dia de pizza. E não é que pizza também foi o nosso jantar de sexta a noite lá, quando chegamos. Duas caixas enormes de pizza pra cinco pessoas. Diego também adora. E por mais que eu tivesse com fome, comi o que me bastou. Dali só mesmo um banho e cama.

Por falar em cama, antes de dormir, passamos a agenda do dia seguinte. Sábado era dia de levar Diego pra passear. Eu achei o máximo. Eu também queria passear, apesar de que tinha a plena consciência de que esse verbo seria pouco utilizado pela minha pessoa dado o objetivo da minha mãe, mas tá valendo também. Ainda mais que havia atividades na cidade que ele iria gostar de fazer, e por tabela eu também. Fiquei tão criança quanto ele. A única exigência que eu fiz pra todos é de que me deixassem dormir até não poder mais. Tinha que recuperar o sono perdido e todo o cansaço que aquela viagem causou. Nunca tive uma noite de sono tão gostosa como essa. Aliás quanto mais cansado mais gostosa é a dormida, pelo menos pra mim. Conheço gente que é justamente o contrário.

Acordei no dia seguinte pronto pra conhecer e explorar a histórica cidade de Charlottesville. Em tempo saberão o porque de histórica. Pra meu deleite, acordamos tarde e saímos de casa tarde também. Tudo o que eu queria. E pra completar fomos pra um evento que criança adora. Numa pracinha lá fizeram o festival do chocolate. Ou melhor, o chocolate era o mote principal. Tinha também bandinhas de música e pra alegria do Diego, pula-pula e aquela parte em que pintam máscaras na cara. A que ele escolheu, claro, foi a de um dos super-heróis que ele adora, o Batman. Ficou o dia todo com a pintura na cara. Depois de uma horinha nessa praçinha, depois de comprar algumas trufas de chocolate com recheio de laranja pra comerem casa além de umas provinhas como amostra grátis, saímos de lá. Se bem que já estava pra acabar mesmo. Eles ficaram das nove da manha as duas da tarde e, acabado esse tempo eles desmontam tudo bem rapidinho e deixam tudo como estava, horas depois se você passa por aquela pracinha écomose não tivesse acontecido evento nenhum. E parecia ser organizado por um pessoal de igreja, beneficente, mas nem só de chocolate era a feira. Tinha gente vendendo quinquilharia, livros a um dólar, parecia um bazar.

De lá fomos dar uma volta no centro histórico da cidade histórica. Era uma rua principal, com lojas, bancos, restaurantes, lanchonetes e fechada pro trânsito. Ali os carros só atravessam aquela rua, mas não circulam ao longo dela. É uma rua de pedestres. E nada de prédios enormes, só estbelecimento de dois, três andares no máximo. Lembrei muito de Enschede, na Holanda. Parecia mesmo. Andamos até o fim dessa rua de pedestrs. Numa das pontas tinha uma espécie de anfiteatro, inclusive estava sendo arrumado para alguma apresentação que iria ter lá, algum show de um famoso desconhecido. Desconhecido pra gente. Um pouco antes desse palco, havia um muro próprio pra ser escrito com giz o que se quisesse, mas não havia giz lá na hora.