terça-feira, 28 de junho de 2011

CARLA E BRUNO

Tem uma música que meu avô gostava de cantar que diz que o coração tem razões que a própria razão desconhece, ou seja, quando tem que acontecer, não há lógica que explique o motivo do auto grau de sentimento por uma determinada pessoa. Levo isso pro complicadocampo do amor. Nas suas várias vertentes, uma se encaixa perfeitamente nesse caso. O amor entre duas pessoas.

No início do ano, mais precisamente dia doze de fevereiro, mais um amigo meu fez questão de mostrar, confirmar, celebrar e compartilhar esse sentimento com algumas pessoas. O segundo da turma de faculdade a colocar uma aliança no dedo, mostrando seu comprometimento para com a parceira escolhida, o Bruno casou. Não preciso nem dizer o quanto ele é importante pra minha vida. A faculdade é um período onde há uma transformação brutal na vida de quem entra numa. Afinal, sua visão de mundo é modificada e seu ciclo de amizades sai daquela fase de adolescência pra um mundo mais adulto, ou seja, é um rito de passagem sem sombra de dúvida. E no nosso caso em particular, mesmo depois de dez anos de formados, não perdemos o contato, apesar de obviamente ser diminuído pelos traçados da vida de cada um de nós.

O Bruno conseguiu juntar boa parte da nossa turma e agregados, por que ao contrário do que pensavam na época da faculdade, não éramos uma panelinha, só tínhamos uma afinidade maior uns com os outros e várias outras pessoas dos nossos ciclos de amizades também juntaram-se a nós aumentando ainda mais o nosso ciclo de amizade desde então. Tanto que o único padrinho de casamento que eu não conhecia até então era o marido da irmã dele.

Uma novidade que ele me mostrou foi o suplente de padrinho. Um dos que ele convidou, por motivos de força maior, não pode deixar a Bahia pra participar da celebração. Ele me ligou e eu prontamente aceitei o convite para uma substituição de última hora. Eu, Jorge, Sassá, Leandro, Jonas (o cunhado) e seu Oswaldo (pai do noivo) formávamos a meia dúzia de padrinhos. As madrinhas ficaram por conta da noiva, que, por já ter casado tradicionalmente na igreja, inovou na cerimônia tanto pelo celebrante da igreja ortodoxa com ritos que não estamos acostumados a ver nos tradicionais casamentos, quanto pela surpreendente aparição da noiva e madrinhas vindas não numa carruagem ou num carro antigo, mas numa lancha. O casamento foi no deck do Barra Point, portanto estilo americano.

Alguém estava me contando da velocidade com a qual aconteceu o turbilhão de amor entre os dois. Pelo que fiquei sabendo, no réveillon de 2009-10 o Bruno comentou que aquele ano era o ano que ele iria conhecer uma pessoa e com ela ficaria pro resto da vida. O Bruno nunca foi de galinhagem. Claro que de vez em quando dava suas peruadas. Ninguém é de ferro. Mas no somatório ele sempre passou um ar de rapaz sério. Conheci algumas outras companheiras de relacionamentos dele, e ele sempre mostrou ser um sujeito sensato e responsável nesse sentido, o que a gente chama de “bom pra casar”. Sorte da Carla que conseguiu fisgá-lo a ponto de trocarem alianças. E realmente entre se conhecerem e se casarem foi praticamente um ano sabático.

O que falar da Carla? Só elogios. Principalmente por fazer meu amigo se sentir completo do lado dela. Sem contar a gracinha, a docura, a beleza, a simpatia, o bom caráter, o bom humor, a prestreza, enfim, se se considerar que o amor é uma loteria, o Bruno ganhou sozinho um prêmio acumulado.

Um mês antes de eu ir pra Londres, o Léo e a Nadine fizeram o mesmo. A Júlia, filha deles, completou um ano no fim de janeiro. Agora, o Bruno e a Carla se casaram e torço pra que a felicidade com que eles fizeram aquela cerimônia perdure para a eternidade, ou, como dizia o poeta, que seja eterno enquanto dure. E muito obrigado.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

AVENTURAS AMERICANAS (19)

Coisas que os próprios membros da segurança não estavam acostumados a ver, tanto que eles começaram a rir. Não sei o que eles estavam comentando, mas pelo visto era sobre as coisas que eles estavam vendo no monitor da esteira.

Depois de liberados dessa fase, fomos pro saguão principal do aeroporto e antes de passar pelo raio-x pessoal eu quis ir ao banheiro, já que essa brincadeira consumiu pouco mais de uma hora. Mais uma vez, por motivos de segurança, ainda mais num país paranóico principalmente onde qualquer um é suspeito até que se prove o contrário, e as provas tem que ser bem convictas, ainda mais dentro de aeroportos, passamos novamente por uma minuciosa revista. Dessa vez com os pertences pessoais e aquela bela escaneada no corpo pra ver se não há nada suspeito acoplado a você. Tira-se tudo, inclusive os sapatos. Uma coisinha esquecida faz você voltar e ser escaneado novamente, como aconteceu com minha mãe. Com a mania de viajar com o dinheiro na bolsinha canguru que ela põe por dentro da roupa, passou com isso e acusou. A segurança viu e fez com que ela voltasse, tirasse e passasse novamente. Só então a segurança liberou ela pra entrar pro setor de embarque.

Por termos antecipado o vôo de Washington pra Charlotte, era mais um tempo que tínhamos que ficar esperando. Ficamos sentados na entrada do portão de embarque e revezávamos as esticadas de pernas, caminhando pelo saguão. Pouco depois de nos instalarmos na frente do portão de embarque, compramos uma coisinha pra comer, já que também a comida depois era só a do avião ecomida de avião, no meu caso, eu só como por falta de opção e por nunca se saber exatamente quanto tempo depois da refeição aérea se fará uma refeição decente. Também não estava com muita fome. Afinal entre Washington e Charlotte, que deve ser duas horas de distancia, o tradicional amendoinzinho com suco de laranja foi servido, mas não custava nada forrar o estômago e prepará-lo para o que estava por vir.

Embarque aberto. No balcão, antes de entrar pro avião, tínhamos que devolver o cartãozinho de permissão pra permanecer no país. Embarcamos. Ao encerrar o embarque, percebemos que o vôo não estava tão cheio a ponto de minha mãe pegar uma fileira de três poltronas só pra ela e me deixar na janela ocupando os assentos reservados pra nós dois.

O vôo prosseguiu normalmente a não ser por dois fatos que me marcaram. Não tínhamos completado a primeira hora de vôo quando ao olhar pela janela eu vi uma belíssima tempestade de raios. O avião estava passando a alguns quilômetros dela e não voávamos na região da tempestade, ou seja, o perigo do avião ser atingido por um raio que pudesse nos partir estava muito distante. As descargas elétricas estavam formando desenhos maravilhosos que iluminavam a enorme nuvem que as envolvia. Um espetáculo uma imagem que eu não vou tirar da minha mente nunca. O outro fato que eu também adorei ter sentido foi que pela primeira vez eu senti o que era uma turbulência de verdade. Até então parecia que eu sempre passava numa estrada esburacada. Dessa vez não. Dava pra sentir meu traseiro se levantando da poltrona, apesar da cabeça não bater no compartimento superior de bagagem. Mesmo assim, me senti num carrinho de montanha russa.

Tal eram as quedas bruscas que o piloto fazia pra tentar tirar a aeronave da zona de turbulência. A moça que estava sentada atrás de mim, brasleira também, começou a ficar desesperada, com medo de morrer, praticamente entrando em pânico. Eu estava adorando aquilo e espero sinceramente pegar mais turbulências como aquela em outros vôos. Chegamos de volta. Enfim, mais um fim de uma aventura no exterior. Veremos qual será a próxima.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

AVENTURAS AMERICANAS (18)

Chegamos em casa. Prioridade era fechar o resto das malas e pesar pra saber se havam passado do peso estipulado, mas ninguém se entendia com a balança. Jana foi botar Diego pra dormir e antes disso nos despedimos dele, pois estaria na escola na hora em queiríamos sair de casa. Ele ainda deu um beijo na gente pela manhã, antes de sair pro colégio.

Poderíamos fazer o mesmo que fizemos na vinda. Pegar o trem, ir pra Washington e da estação pro aeroporto. Mas mamãe optou por contratar um shuttle e fazer um ponto a ponto (casa da Jana – aeroporto). Realmente era muito mais cômodo e a gente tinha praticamente o dobro de malas.

Nos despedimos de Jana e Jesse a base de muita emoção. Desde quando ela foi em definitivo pra lá no mês de junho, logo depois do casamento, fomos os primeiros membros da família a estar com ela. E dali a dois meses quem iria passar as festas de fim de ano com ela eram a mãe e a irmã dela, ou seja, estava começando a ser gerada uma nova expectativa principalmente no Diego que logo depois que fomos embora perguntou se nós não ficaríamos morando com eles. Soubemos desse comentário logo que chegamos.

Estava começando a jornada da volta. Na hora marcada – pontualidade britânica apesar de estarmos na América – o motorista chegou com o taxi. Era por volta do meio dia e por incrível que pareá chovia. Era o segundo dia que pegamos de chuva. Parecia que a América também estava triste pela nossa partida. Pusemos as malas no carro, nos despedimos de Jana e Jesse e entramos no carro para o início da primeira etapa da volta. Chegarmos a Washington era essa etapa. O vôo de Washington a Charlote era asegunda, Charlotte para o Rio a terceira e do aeroporto pra casa a última, se é que podemos considerar essa como uma etapa, já que a distância e o tempo não são os mesmos em relação a casa de Jana.

Durante o trajeto até Washington foi tudo tranqüilo. A chuva logo passou e em alguns trechos o sol saia de trás das nuvens. Eu fui observando a paisagem e escutando uma radio country que tocava umas musiquinhas legais. O motorista até fez umas perguntas pra gente, ou melhor pra mim, mas depois ele ficou calado e eu também não queria puxar assunto com ele. Eu estava mais interessado em ver alguma coisa diferente durante o trajeto. Não lembrava se aquele tinha sido o mesmo trajeto que a Jana tinha feito conosco ao irmos pra a IKEA na semana anterior, visto que a loja ficava nos arredores da cidade.

Chegamos ao aeroporto Reagan. O motorista nos deixou o mais próximo possível do balcão de check-in da companhia US Airways. Tiramos as malas do carro e nos dirigimos ao balcão. Na hora do despacho uma delas havia pasado do peso limite de setenta libras. Mamãe teve que fazer o remanejamento das coisas. Abre mala, tira daqui, bota ali, troca isso com aquilo fecha com cadeado, põe fita durex no entorno, onde passa o zipper e tenta de novo. Uma ainda tava com sobrepeso, mas como passou pouco, foi liberada. O nosso vôo tava com um problema e pra nos adiantar e facilitar eles anteciparam em uma hora nos trocando de vôo, ou seja, era mais tempo pra gente ficar esperando no aeroporto de Charlotte, o que eu particularmente achei melhor. Se é pra esperar, que seja mais perto do destino.

Como lá é quase tudo automático e self-service, o trabalho de botar as malas na esteira era feito pela gente mesmo. E por estarem com cadeado e durex tiveram que passar por uma inspeção mais minuciosa pelo raio-x. Ficamos mais tempo ali, esperando a liberação, do que a maioria dos passageiros. Eram quatro malas enormes cheias de coisas.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

AVENTURAS AMERICANAS (17)

Depois o convite pra ir pra vinícola se transformou na ida a um dos maiores parques florestais dos Estados Unidos. E talvez um dos mais bonitos, pelo menos naquela época do ano, onde as cores das árvores se misturam em várias cores, um matiz único e inesquecível. Além de um visual da cidade, ou melhor, de parte da cidade que parecia que estávamos, realmente estávamos – numa espécie de mirante. Enquanto isso o sol começava a baixar e a comida prometida ainda nem tinha sinal de que estava perto de deglutí-la. Por mais que tivéssemos comido alguns bolinhos aquilo não sustentou o suficiente. Precisávamos de comida mesmo.

Depois do magnífico passeio foi que a Jakie foi preparar a comida. E a fome aumentando. O mais engraçado é que o cotume dela é bem diferente do americano típico. Ela fica a margem do que conhecemos por ‘sociedade americana’. Pode ser pelo fato de ela só passar a semana naquela casa e o fim de semana na Pensilvania, mas mesmo assim é diferente. Na casa da Virgínia, não há um aparelho de televisão sequer. Acho que tem um rádio, mas nem ligado estava. Vi muitos livros na estante e isso é um bom sinal, mas outras formas de comunicação e informação, principalmente no mundo de hoje, é imprencindível. Por ficar num lugar isolado, quase rural, minha pessoa não se adaptaria naquele lugar que é lindo pra se visitar, pra passar uma tarde, mas não pra morar. Imagino como minha prima deve ter ficado ao passar o primeiro mês dela com Diego lá quando da volta dela pros Estados Unidos.

A gente não podia fazer desfeita e simplesmente sair de lá, mesmo com a desculpa – que não era desculpa – de ter que fechar as malas e preparar tudo para a volta no dia seguinte, as aulas do Diego e os afazeresde Jana. Isso é ofensa. E como era só aquela vez, pelo menos pra gente, entramos na onda. Hábitos e costumes são diferentes de um lugar pro outro e só nos resta respeitar. Jackie foi fazendo a comida. Jesse apareceu por lá, pois os jogos de futebol já haviam acabado e ele aproveitou pra visitar e comr a comidinha da mamãe. Quem apareceu por lá também foi a Holly, uma irmã do Jesse que estava viajando pra Nova Yorque e também chegou no momento da feitura da refeição.

Uma hora lá ela nos mostrou o cogumelo que havia crescido na ruazinha dela. O bicho era grande. Segundo a pesquisa que ela havia feito sobre aquele específicamente não era venenoso. Ela já havia comido um pouco. Mas parecia um cogumelo de Itu e foi uma das iguarias que ela preparou pra nós. Além de polenta, frango, salada entre outras coisas. (É ótimo usar o recurso ‘entre outras coisas’ quando se esquece que coisas foram essas). Finalmente o tal almoço saiu por volta das oito da noite. Fizemos uma prece de agradecimento antes de comer. Costume deles. A comida não era ruim, o tempero de lá que é diferente. Tava até mais puxado pro tempero nosso que pro deles mesmo, mas a diferença era perceptível.

No nosso último dia lá foi um dia de surpresa e expectativas. Surpresa pelo lugar que visitamos e expectativa pela comida que foi sair tarde, mas saiu. Nos despedimos de Jackie e Holly e voltamos pra casa. Diego e Jesse no truck do Jesse e eu, Jana e minha mãe no carro dela. A estradinha escura me lembrou um trecho da que a gente pega pra ir pra Saquarema. Um lugar bem ermo, que mal se via uma casa ao lado da outra. Até passamos por uma casa lá, tanto na ida pra casa da Jackie e pro parque ecológico, quanto na volta, onde vimos uma casa cheia de cacareco. Parecia de filme de terror. Aquela região tinha vários lugares e casas que poderiam servir como locação de filme. E o que mais me espantou é que é longe de tudo, não tem um mercado, um pronto socorro, uma padaria perto pra se precisar de algo emergencial. É tudo longe, distante e só de carro mesmo. Ônibus naquela área ali, se muito, só o escolar.