segunda-feira, 26 de setembro de 2011

NÃO, É O VELHO SUPER-HOMEM

Olha pro céu, veja como ele está lindo. O que vem ali? É um pássaro, um avião, não, é o Super-Homem. Há setenta anos ele vem cortando os céus do mundo, trazendo a paz e enfrentando os piores vilões do planeta e escutando essa frase com a qual abri o texto.

Por ser o primeiro, serviu de modelo pra todos os outros que vieram depois. Claro que cada um com seus problemas e bandidos particulares, mas o grande modelo de herói, ou de super-herói foi mesmo o Super-Homem. Criado na década de trinta pra levantar os ânimos de um país que acabara de ter a bolsa de valores quebrada e estarem em uma depressão econômica por conta disso, alguém vindo de fora, de outro planeta veio ajudar a América a se livrar de alguns problemas. De todos os heróis eu sempre gostei mais dele, mesmo sabendo que ele é um extra terrestre.

De acordo com o histórico, os pais dele o mandaram pro planeta Terra momentos antes do planeta Kripton explodir, justamente pelas atmosferas dos planetas se parecerem muito. A viagem durou aproximadamente sete anos terrenos, mas pra ele foi questão de horas. Ele saiu um bebê de Kripton e chegou uma criança aqui caindo literalmente como um cometa, numa chuva de meteoritos no terreno da família Kent adotando, assim, a cidadania americana e a identidade de Clark Kent.

Começando com quadrinhos, passando à série de TV, animada ou filmada, até virar uma sequencia de quatro filmes no fim da década de setenta e início de oitenta – que foi quando ele se materializou na pele do Cristopher Reeve e se eternizou na minha concepção – e há alguns anos tiveram aousadia e a coragem de filmar o retorno do Super Homem no cinema.

Essa sequencia de quatro filmes, por serem feitos entre as décadas de setenta e oitenta, mostravam como grande inimigo da América e consequentemente do Super-Homem, o bloco sociaista, já que a guerra fria assombrava o mundo naquela época. Hoje, pelo que se sabe, o herói estria renunciando a cidadania americana e se tornando um cidadão do mundo. É o super-herói acompanhando as transformações geopolíticas mundiais.

Por mais que a gente saiba que ele é imortal, que só estando perto de uma pedra de kriptonita pode amortizar seus super poderes, as características e consequencias, o peso da idade e as limitações que ela pode trazer, retardam um pouco a ação dele em salvar vidas. Eu imagino uma cena. Ele deitado na cama com a Lois Lane, essa também na faixa dos setenta, escutando muito mal, já que o alcance da sua superaudição não está lá cem por cento, um chamado de socorro. Com uma certa dificuldade ele levanta da cama e demora pra torcar o pijama pelo uniforme e ouve um comentário da Lois:

- Assim vai chegar tarde.
- Aposto que é mais um pedindo pra que eu tire o gatinho de cima da árvore. Pra que existe o corpo de bombeiros?
- Quem manda querer ser herói.
- Tanto tempo na ativa, quase setenta anos só fazendo o bem, só ajudando, pegando e encarceirando os piores bandidos e ainda me querem tirando gatinho de cima de árvore. Estou começando a achar que os gatos da cidade estão fazendo um complô contra minha pessoa. Poderiam ter um pouco mais de consideração, afinal já estou atingindo uma certa idade. Tá na hora de perceberem que eu posso ser mais seletivo e deixarem as coisas mais escabrosas pra que eu resolva. Não esses gatinhos em cima da árvore.
- Ossos do ofício.
- Ossos cada vez mais duros de roer. Lois, querida, onde botei minhas botas?

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

MÚSICA, HUMANA MÚSICA

Segundo minha mãe, desde antes do meu nascimento eu já curtia escutar música. Ela conta que meses antes do parto, no carnaval, eu já pulava muito dentro dela. Talvez venha daí o fato de eu gostar bastante de carnaval. Além disso, cresci numa família musical por ambos os lados.

Meu avô, pai do meu pai, passava o dia cantando e eu adorava escutar e aprender as músicas que faziam parte do repertório dele. Tanto que até hoje eu curto as músicas das décadas de trinta e quarenta e procuro pesquisar e ter essas músicas no meu acervo. Do lado materno, meu avô, apesar deeu ter tido poucocontato com ele pelo fato dele ter morrido quando eu tinha três anos, deixou uma herança musical e o violão sempre está presente nas nossas reuniões de modo que o repertório é bastante vasto e extenso. E um dos primeiros presentes que minha avó me deu foi aquela vitrolinha vermelha da Philips cuja tampa se transforma numa caixa de som. Foi lá que rodei meus primeiros disquinhos de historinhas da “Coleção Disquinho”, feitas pelo Braguinha, dos discos de cantigas de roda e os de música.

Outro fator pra eu gostar bastante de música é meu pai. Ele sempre foi de consumir discos de vinil – e eu peguei esse hábito dele e até alguns anos fazia isso também com cd`s – e preencher as manhãs de sábado com melodias que hoje se tornaram clássicas. Minha infância também foi bastante musical. Tive o privilégio de ter feito parte da última geração cuja criança era tratada como criança, com músicas inteligentes especialmente compostas pra nós e cantadas por grupos como Balão Mágico e Trem da Alegria. Sem considerar os especiais de televisão também voltados para crianças como Plunct Plact Zum, Pirlimpimpim, Casa de Brinquedos e Arca de Noé, esse último com músicas compostar pelo poeta Vinícius de Morais e interpretados por grandes estrelas da MPB, como Elis Regina, Ney Matogrosso, Clara Nunes e MPB-4 entre outros.

Consumo música desde sempre. Comprava discos praticamente toda semana em uma determinada época. Com o fim dos vinis, o consumo passou a ser de CD`s e mais uma vez pelo avanço da tecnologia, de um tempo pra cá o computador, a internete e os programas de baixar músicas são meus aliados nas pesquisas e descobertas musicais que venho fazendo. Partindo desse princípio, eu criei um monstro que sou eu mesmo. Eu baixo tanta música, mas tanta música que toda vez que eu renovo o repertório do meu MP3 tenho que fazer uma seleção delas. Apenas 10% das músicas que tenho arquivadas cabem no meu aparelhinho utilizado principalmente nas minhas caminhadas e em algumas viagens. Aliás, esse aparelhinho foi quem me acompanhou pelo meu tour pela Europa. Companheiro inseparável.

Eu tenho uma dificuldade enorme em selecionar um repertório pra botar no meu aparelhinho. Mudo esse repertório de três em três ou de quatro em quatro meses e sempre com músicas novas baixadas na entre-safra das trocas de música. Confesso que tenho que fazer uma limpa nesse meu acervo. Realmente tem muita música que eu nem escuto e que baixei por baixar, por compulsão ou mesmo só pra ouvir mais canções de um determinado artista e não só as mais famosas, pra me inteirar mais com o trabalho dos artistas. Mas me dá pena em fazer esse tipo de faxina. Acho que vou injustiçar alguém, principalmente a mim. Mas que eu tenho que fazer isso, tenho. Quando, eu não sei.

O que eu estou achando interessante e gostando de fazer é de incluir no imaginário e no repertório do meu sobrinho as músicas que marcaram a minha época ou as que passam de geração em geração, que todas as crianças conhecem. Ele ta começando a se interessar por algumas a ponto de pedir pra colocar, cantar e repetir.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

NÓS SOMOS JOVENS

O Juca Chaves tem duas frases que ele canta numa modinha composta por ele que eu acho batata - pra usar uma expressão que saiu de moda há muito tempo. Uma diz que “Velho é quem se ilude que idade é juventude. Ser jovem é saber envelhecer.” E a outra fala que “Idade não é culpa, velhice não é desculpa, nem mesmo a juventude é profissão.” Eu acho que com a idade, normalmente e naturalmente o foco da gente muda. Mas não acho que isso seja sinal de velhice. Não por isso que a gente diz “Tô ficando velho pra essas coisas.” A gente muda, evolui, se interessa por outras coisas, temos fases e isso tudo ajuda a deixar apenas na recordação as experiências pelas quais passamos e acumulamos durante a vida.

Meses atrás, mais precisamente dia catorze de maio, meu primo de dezenove anos, que entrou pra faculdade esse ano e por conta disso mudou-se de Curitiba pra cá pra Niterói e está se enturmando com o pessoal daqui, me ligou perguntando se eu queria ir pra Lapa com ele por conta da comemoração do aniversário de um amigo dele de faculdade. Sei que é uma fase de descobertas e novidades pra ele. Eu também passei por isso e, por menos que eu estivesse disposto eu fui. Não só pra mostrar o caminho pra ele e dar um pouco mais de segurança por ele não ser natural daqui, quanto pelo fato de ter sido um dos poucos lugares, das poucas casas da região da Lapa que eu ainda não tinha ido. Portanto, pra mim também era novidade e o novo me instiga. A casa até que é boazinha e não foge muito dos padrões das casas noturnas da Lapa, mas o problema é que os dj’s, que também evoluem conforme o cenário musical – diga-se de passagem que particularmente acho desprezível – e põem nas carrapetas músicas que realmente não me agradam.

Conto nos dedos as que eu realmente gosto. Por isso não tenho saído muito. Prefiro outros tipos de programas. Eu realmente fiquei meio deslocado dentro daquele ambiente, cheio de rapazes e moças de tipos mais variados possíveis. Ás vezes eu me perguntava “O que que eu tô fazendo aqui.” Mas não me sentia velho por causa da sensação de deslocado. Prefiro curtir outros tipos de programas que não mais uma boate tocando músicas completamente desinteressantes pra minha pessoa e cheio de gente mais nova que eu e que tá descobrindo a vida cada um a seu modo. Minha diferença de idade pro meu primo são quinze anos. Eu também quando entrei pra faculdade, que descobri a Lapa, freqüentava praticamente toda semana aquele lugar que ainda me agrada e vou continuar freqüentando. Mas não do jeito que eu freqüentava, não com os mesmos olhos com olhos que o meu primo está enxergando agora, não com essa voracidade toda de querer explorar tudo ao mesmo tempo agora. Procuro passar maior parte do tempo com amigos,seja apenas com um ou com um grupo grande, mas amigos que eu sei que também já passaram dessa faze de sair duas, três vezes por fim de semana batendo papo, jogando conversa fora ou indo pra shows, cinema ou teatro.

Um ponto interessante dessa casa que fui com meu primo é que existe um mesanino, parecido com um balcãozinho em cima do bar, que faz vias de palco e um sujeito sobe com o violão pra ficar tocando músicas do repertório pop nacional. Essa parte de ficar sentado numa mesa e assistindo ao showzinho foi a que eu mais gostei da noite. O lugar é grande e tem três ambientes, de modos que o único que me agradou foi esse. Claro que nessa hora eu já estava sozinho, pois meu primo já tinha se envolvido com um moça lá. Ele está na idade de fazer isso. Eu já to na idade de ficar mais sossegado, na minha. Já mudei o foco. Alguns podem chamar de velhice, outros de experiência, outros de maturidade. Pode ser até que seja as três coisas ao mesmo tempo, mas, na atual circunstância eu chamo de jovialidade, de frescor, afinal, como diz o garoto Juquinha, “ser jovem é saber envelhecer”.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

NO BANCO

Me considero um sujeito conectado com o mundo. Gosto do que as novas tecnologias trazem pra facilitar a vida e a comunicação da gente. A moda agora é ter aqueles tablets, que a marca Apple chama de IPad. Depois do sucesso dos I Phones a inovação é constante não só dessa como também das marcas concorrentes. Não possuo nada disso. Talvez, se tivesse na Europa poderia ter, mas também não seria certo. Acho que ainda não chegou no meu ideal, no objeto que eu visse e dissesse “Esse eu preciso. Esse eu quero pra mim.” Esses organizadores de arquivos que substituem os computadores, por eu ser organizado de natureza, apesar de eu ser completamente a favor de que eles existam e que todos tenham acesso a ele não me enchem os olhos.

Acho que quem tem esses tipos de aparelhinhos, claro que também por necessidade, hoje, pelo menos aqui no Brasil, é mais questão de status. Não sou adicto o suficiente a ponto de adquirir uma coisa dessas. Verifico minha caixa de e-mail no mínimo uma vez por dia e, quando por ventura estou viajando, sinto falta de fazer isso, mas nada que me deixe assim subindo pelas paredes. Quando dá, vejo, leio, respondo e acerto tudo. Talvez eu seja mais dependente do telefone celular. Acho que o número dele é tão importante quanto o CPF. È quase um RG. De modo que esses dois últimos só são divulgados quando pedem e o número do telefone geralmente a gente dá mesmo quando não pedem. O telefone, por ser menos trabalhoso, eu verifico com muito mais freqüência. Sempre vejo se tem chamada perdida, mensagem nova e curto mexer nas funções e configurações que meu telefone celular traz com ele, a ponto de trocar o toque uma vez por mês e o encher de músicas pra se fazer passar também por um MP3. Mas eu não sou daqueles que fica pendurado no celular falando sem parar.

Aliás, por ser celular me controlo mais por conta dos custos das ligações. Mas com tantas promoções das operadoras de falar gratuitamente com os outros tem gente que não tira o telefone do ouvido. Toda essa introdução pra chegar no ponto que eu queria desde a última postagem. Cartões de banco e telefones celulares agora se juntam pra que eu conte um caso que eu presenciei. Por conta dos assaltos conhecidos como “saidinha de banco” algumas agencias proíbem ou restringem usos de telefone celular dentro delas, mas não sei se o mesmo vale pras áreas de auto atendimento.

Teve uma vez em que eu fui fazer um favor pra minha mãe num auto atendimento desses e fiquei pasmo quando a pessoa que estava atrás de mim – uma mulher, que já tem mais facilidade em desfiar conversas horas a fio – entrou na fila atrás de mim já falando com alguém – provavelmente sobre os acontecimentos do fim de semana e pelo visto com alguém que esteve junto a ela, já que isso aconteceu numa segunda-feira – e não parou nem um minuto. Outra pessoa perguntou se ela era a última da fila e, respondendo verbal e positivamente com o ouvido colado no aparelho, chegou a comentar tudo o que ela estava observando. Não só esse fato de alguém perguntar pela fila, mas comentou também que uma pessoa estava com dificuldades numa das máquinas de auto atendimento. Fui pra uma que vagou, em seguida ela foi também, e nem assim largou o telefone. Haja assunto. E falta dele também.

Eu não consigo ficar assim. A não ser quando faço ligação com Londres, mas isso não é todo dia. E outros tipos de meios de comunicação como o MSN, mail, skype também são utilizados nos meus contatos com meus amigos de lá. Eu até prefiro, pra não gastar muito os pulsos telefônicos e ainda tenho a vantagem de olhar pras pessoas como se elas estivessem na minha frente. E estão. Virtualmente, mas estão. Aí sim fico pendurado. Contando o tempo que não os vejo de verdade, a distância de um oceano separando a gente além dos hemisférios opostos e claro a saudade que aperta de vez em quando. Agora, ficar pendurado ao telefone na fila de banco chega a ser inconveniente.