segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

2012, PERDEMOS


2012, PERDEMOS

Esse ano foi um ano bom pra mim. Claro que já tive melhores, mas também já tive piores. No entanto sempre tenho a esperança de que o ano vindouro será melhor. Não faço nenhuma simpatia de fim de ano, não acho que pular sete ondas, comer uva e jogar os caroços pra trás por sobre o ombro direito ou romã e guardar o caroço na carteira (nem carteira tenho) faça com que oano seja bom, apenas traço metas a serem cumpridas. Planos são longos, metas são mais curtas. E caso eu não atinja alguma, as esperanças sempre são renovadas. Me lembro que comecei o ano em grande estilo, no camarim da minha artista predileta Rita Lee, lá em Saquarema no sétimo dia desse ano.

Por falar em sete dias, quem sobreviveu foi o próprio mundo. Pelo menos hoje completam dez dias do anúncio da sua morte, do seu fim, porque esse ano também foi o ano do fim do mundo. Desde que eu me entendo por gente o mundo já se acabou umas três vezes. Na passagem do cometa Halley, na virada do milênio, o chamado bug do milênio e agora, semana passada, pelo calendário maia. Apesar do mundo não ter acabado, pelo menos foi esquisito em alguns aspectos.

Perdemos alguns gênios insubstituíveis, pessoas que não só vão fazer falta, mas que sabemos que vai levar tempo pra que alguém atinja ao menos um terço da genialidade dos que foram, ou seja, foi embora uma geração de mestres, de ícones dos quais não há profissional que chegue perto. Pesquisei na internet e selecionei alguns nomes que nos deixaram esse ano.

Vamos começar lá por fora. Quem não se embalou num sábado a noite ao som de Robin Hugh Gibb, um dos fundadores e integrantes dos Bee Gees. Digo o mesmo pra Donna Summer e Whitney Houston. Já Etta James com sua voz fantástica cantando jazz deixa um legado de gravações sensacionais pra ficarmos curtindo eternamente.

Voltando pro patropi, perdas irreparáveis sofremos também. Jorge Goulart, a voz do rádio que provavelmente apresentou em alguma ocasião as vozes de Carminha Mascarenhas, Carmélia Alves e Ademilde Fonseca, a rainha do chorinho. Ainda na seara da música, João Mineiro e Tinoco representando a verdadeira músicade raiz, sertaneja, que também vem sofrendo influencias, interferências e alterações que perdem a sua verdadeira característica defendida por esses dois.

Mais na área urbana Peri Ribeiro, filho de Dalva de Oliveira e Herivelton Martins. O casal mais vulcanesco(?) que a música brasileira já teve. Ele foi o mestre de cerimônia da Garota de Ipanema, fez a primeira gravação da música que encantou o mundo, mostrando a beleza da praia e das suas freqüentadoras. Quem mostrava a beleza da periferia, do subúrbio e seu cotidiano bem humorado e que nos deixou foi o Dicró. Já a sogra dele não sei se ainda está viva. Provavelmente sim. Quem atingia os corações mais populares e românticos a ponto de receber calcinhas em troca era o obsceno do Wando.

Perdemos também a primeira dama da televisão brasileira, a mulher que por pouco não entoou o hino da televisão, deixando essa tarefa a cargo da amiga Lolita Rodrigues. Hebe Camargo morreu dois dias depois de assinar o contrato em que voltava pra “casa” (SBT) de onde saiu pra se aventurar pela RedeTV por um ano e pouco. No campo do humor o mestre Chico Anisio, criador de mais de duzentos tipos e personagens também apagou sua estrela aqui pra brilhar em outro lugar. Assim como o jornalista, cartunista e também humorista Millor Fernandes.

Ao apagar das luzes do ano, nesse mês, no início o quase imortal e centenário Oscar Niemeyer e no dia de Natal a também quase imortal e centenária Dona Canô, mãe de Caetano e Bethânia também findou sua existência aqui no plano terrestre. Que em 2013 percamos pouco e ganhemos mais. Mais alegria, mais dinheiro, mais vida.                        

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012


TROCA TEMPORÁRIA DE Q.G.

Agora são duas e meia da tarde. Hoje é dia vinte e quatro de dezembro de 2012. Esse é o único post do ano que eu chamo de ao vivo. Assim que eu acabo de escrevê-lo, publico no meu blog. Essa é a única semana do ano em que não há uma defasagem de tempo já que hoje é véspera de Natal e essa semana ainda escrevo o post de ano novo pra ser publicado na próxima semana.

Dentro de algumas horas estarei reunido com a minha família por parte de pai, como em todo ano. Natal é tradição e todo ano é a mesma coisa. Acho que o único ano em que passei Natal fora de casa foi quando morei em Londres. Mas sempre com a parte de pai. Quando eu era pequeno, até os meus dez anos mais ou menos, o reveillon era certo com a família por parte de mãe. Depois que minha avó morreu essa tradição se desfez. Até pelo fato da família ser um pouco maior que a do meu pai e ter gente que não mora em Niterói.

Coisa que não acontece com a família do meu pai que só tem quatro irmãos e todos moram relativamente perto. De longe só a Jana que mora nos Estados Unidos e nem sempre dá pra ela passar o Natal com a gente, mas ainda bem que existe o Skype. A Bela está morando em Viçosa (MG) e agora o Ruizinho passa a semana em Petrópolis trabalhando. E mesmo com a morte dos meus avós paternos não deixamos a peteca cair.

Se não me engano, os primeiros três anos o nosso quartel general passou a ser na casa da tia Roseléa, depois tio Roberto virou o anfitrião do Natal, até pelo espaço da cobertura dele, que cabe todo mundo sem ficar comprimido. Esse ano vamos voltar a fazer a ceia de Natal na casa da tia Roseléa em virtude da perda de D. Amália, sogra do tio Roberto que nos deixou há uns três meses. É justo que a Andréa tenha seu momento de luto, afinal, as festividades geralmente na casa dela contava com a presença da mãe. Esse vai ser o primeiro natal dela sem a mãe, nada mais justo que o tempo dela seja respeitado. Não sabemos quando esse tempo vai acabar, nem qual será a reação dela mais tarde. Esses casos só o tempo mesmo.

Esse ano mais uma vez vamos nos utilizar da tecnologia. Olha o Skype aí de novo. Dois anos atrás tia Roseléa e Belinha passaram o Natal com Jana lá nos Estados Unidos e o Skype ficou conectado a noite toda. Ano passado Jana veio pra cá, mas esse ano ela não pode vir, ou seja, a conexão vai ficar online direta novamente, principalmente por esse ano ser na casa da mãe dela. Natal é isso, é tradição, é família, é todo ano a mesma coisa. É um especial do Roberto Carlos. Não tem mais o que inventar. Se bem que essa troca de sede vai ser bom pra mexer um pouco com as estruturas. Quem sabe ano que vem não seja aqui em casa, ou na casa do tio Rui. Só na casa da tia Rosely que não dá pra fazer. Primeiro que ela ainda mora na casa que meus avós moraram, segundo que por ser sozinha não tem estrutura suficiente pra que a família toda baixe lá. A volta da ceia natalina pra casa da tia Roseléa é diferente. Por mais que ela também esteja sozinha, a infra estrutura que ela tem é de quando as filhas ainda moravam com ela. E volta e meia elas, quando vem pra cá, ficam lá. O espaço não é grande, mas é só uma noite. É provisório. Ano que vem a gente volta pro tio Roberto. Ou não. Até lá muita água vai rolar, tem um ano inteiro pra passar e muitas decisões a serem tomadas. Mas a nossa noite de Natal, seja onde for é sempre uma noite animada, uma verdadeira noite feliz.

E é isso que eu desejo a todos. Que essa noite de Natal realmente seja uma noite feliz, de paz, de luz. Que sejam feitas as reflexões, que as rusgas, quem as tiver, sejam pelo menos amenizadas nessa noite, que as preocupações só retornem no dia vinte e seis e que elas voltem em pouco volume e não cresçam muito. Esses são meus sinceros votos pra esse Natal. Três e meia da tarde. Vou publicar esse texto agora. Ao vivo.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

ÚLTIMA?


ÚLTIMA?

Essa é a derradeira. Se dessa vez as profecias estiverem certas – elas tem errado muito ultimamente, mas vai que dessa vez calha de ser  a correta – essa semana é a última. Não digo do ano, mas de toda a nossa existência. O mundo está pra acabar. O mais interessante é que a data que eles dizem, dia vinte e um de dezembro é daqui a quatro dias, numa sexta-feira, ou seja, já é um motivo pra prolongar o fim de semana independente do local para que todos nós vamos, seja céu, inferno, paraíso ou purgatório.

Imagino as pessoas mais corajosas, que vão se atrever a trabalhar em meio ao caos mais caótico que de costume e ao sair, se conseguirem, vão ligar pra casa dizendo que assistirão ao espetáculo da destruição do mundo num barzinho, ou de frente pra praia, ou num dos meus locais preferidos que é a pedra do arpoador. Se o fim do dia, o por do sol é aplaudido lá, o fim do mundo deve se comparar a uma final de copa do mundo. Copa essa que seria no Brasil e que não vai existir. Talvez eles não queiram falar, mas as obras estão atrasadas de propósito e só serão realmente aceleradas caso o mundo não acabe.

Essa história até já foi cantada por Carmem Miranda na música “E o mundo não se acabou”, cujo primeiro verso diz que ‘anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar’. Eu acho que é exatamente isso que vai acontecer. O mundo não vai se acabar. Dizem os mais místicos que essa data marca o começo de uma nova era, onde uma revolução lenta e silenciosa que vem das minorias vai se fazer valer. Fico pensando que por aqui no Brasil, onde muita coisa tem que entrar nos eixos em termos principalmente de política no que diz sentido ao fim da corrupção e a benefícios para o cidadão até acho válido que essa tal revolução astral ocorra. Mas e em países onde praticamente não existe isso como a Noruega, a Finlandia, a Suécia? O fim do tédio com as cenas de destruição do mundo deve ser comemorado como uma grande festa lá pra eles.

E eu? Vou acabar junto como mundo ou ainda vou penar um pouco mais? Aliás, tenho que programar alguma coisa pra quinta-feira pra curtir minha última noite no mundo. Infelizmente não vou conseguir reunir meus amigos,visto que todos vão assistir ao fim do mundo de locais diferentes do meu. O Airton lá em Londres deve ir, como todo londrino pra beira do Tâmisa assistir ao bombardeio dos meteoros sobre a London Eye, o Big Bem e a Tower Bridge. Jana, na Virgínia, deve pegar o carro e ir pra Washington pra grande festa popular que os Estados Unidos também devem promover, inclusive comercializando lembrancinhas pra comemorar o fim do mundo. Todos lá assistindo aos monumentos a Washington e Lincoln sendo estilhaçados também.

Aqui no Rio o espetáculo e as apostas deverão se voltar para o Cristo. Se ele cai do pedestal do Corcovado por inteiro e vai se despedaçando montanha abaixo, se vai se deteriorar lá mesmo e cair esquartejado, primeiro a cabeça, depois um braço e assim por diante, ou, como acreditam os mais fiéis, já que ele está lá por cima mesmo é mais rápido e fácil que aconteça uma ascenção até ele sumir em meio a catástrofe que estará acontecendo. Já os ateus vão debater se isso não teria sido uma estratégia de retirada e nem Cristo aguentou ficar até o último minuto se recusando a salvar a humanidade pela segunda vez. Sabe lá.

E já que esse pode ser  minha última postagem vou parar de fazer elocubrações e aproveitar esse pouco espaço que me resta para me despedir e agradecer a paciência e a perda de tempo de quem tira alguns minutos da preciosa semana para ler essas bobagens que aqui ponho. Dez anos de blog, mais de quinhentos textos e eu ainda insisto em continuar a escrever. Mas agora,com o fim dos tempos, o fim do mundo, nada mais me resta a não ser finalizar também esse meu espaço aqui. 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

DIVINA RAINHA


DIVINA RAINHA

Estou aqui pensando qual seria a minha reação ao encontrar a rainha da Inglaterra. Como eu iria agir, qual o protocolo a seguir, como me comportar? Eu que cresci num país presidencialista, apesar de ter vivido uma temporada nas terras dela, não tenho a mínima idéia se só um aperto de mão bastaria ou se ainda é válido, dentro das normas da socila, me curvar diante da coroa, ou melhor, da pessoa que está carregando uma coroa na cabeça.

Talvez, por estar já a sessenta anos no trono, completando seu jubileu de diamante, a própria rainha já não ligue muito pra essas formalidades, desde que não seja quebrado o tal do protocolo. Aliás, a rainha, ou melhor a corte real, a família e os agregados que circulam no palácio de Buckingham pra mim não passam de meros bobos da corte, já que em termos de governo mesmo eles pouco dão pitaco. Figura importante e emblemática, mas mera figurante em termos de política, há sessenta anos Elizabeth reina sobre aquela ilha. Infelizmente, no tempo que eu passei lá, não esbarrei com ela.  Se esbarrasse não teria a mínima idéia do que fazer. Provavelmente olharia pros lados e imitaria alguém que tivesse por perto. E se não tivesse ninguém? Ficaria estático, só olhando ela e/ou a corte passar. Pelo menos essa é a minha reação principal.

Quando estive no início do ano frente a frente da rainha do rock brasileiro falei o mínimo possível. E só teci elogios com o pouco que falei. Em maio tive o privilégio e o prazer de ficar frente a frente com outra rainha. Reclusa por natureza, ela só sai de casa pra trabalhar ou pra prestigiar alguns colegas da classe artística, que foi o que ela fez no dia em que nos cruzamos. Digo isso porque provavelmente ela já não se lembra de que se dirigiu a mim. A ocasião do encontro foi no dia da primeira apresentação do espetáculo do Tom Cavalcanti no Vivo Rio.

Fui com meu amigo Serguei prestigiar o ex-patrão dele. Chegamos, trocamos o ingresso, ele deu entrevista para imprensa, entramos, fomos ao banheiro e na saída eis que a rainha do teatro brasileiro estava entrando no foyer da casa. Passei a informação pra ele e ele se dirigiu efusivamente a ela com arroubos de carinho misturado com uma boa pitada de tietagem. Só aí o tal protocolo já teria sido quebrado. Não se beija nem  se abraça uma rainha quando não se tem intimidade com ela. Eles trocaram meia dúzia de palavras  carinhosas e ambas as partes foram elogiadas.

Nos encaminhamos pra nossa mesa e sentamos pra assistir ao espetáculo. Passadas duas horas mais ou menos, juntando o tempo de espera com o tempo da apresentação, ficamos no aguardo para falar com o Tom. Conforme manda as normas sociais, pelo menos assim deveria ser em todos os lugares, as damas em primeiro. Esperamosa rainha subir para subirmos na segunda leva das pessoas que foram pro camarim. Nessa hora, enquanto estávamos lá dentro o Serguei se lembrou de me apresentar a rainha.

Eu deveria me reverenciar, me curvar diante dela como todos os súditos, mas não, a única coisa que eu fiz foi apertar a mão dela e dizer que era um prazer. Ninguém chamou a minha atenção para o que eu estava fazendo, nenhum lord, nenhuma lady, ninguém me lembrou que eu deveria me agachar perante tal figura. Só depois que eu me atinei pra isso. E ela, com toda a delicadeza, a elegância e a postura de uma rainha aceitou o humilde cumprimento. Fernanada Montenegro é simplesmente divina. Uma verdadeira diva. Uma rainha mesmo.

Rainha por rainha, por mais que rotulem as várias que até eu já citei em uma postagem anterior, além da rainha Elisabeth do Reino Unido, só mais uma aparece em minha mente. Tereza Rachel interpretando a rainha Valentina na novela “Que rei sou eu”, recém reprisada pelo canal Viva. 

domingo, 2 de dezembro de 2012

REAL ENCONTRO


REAL ENCONTRO

A matéria prima essencial do mundo está sendo modificada em suas relações. Estamos tendo escassez de gente. Não na quantidade de pessoas, mas na qualidade das relações entre elas. As pessoas estão se afastando cada vez mais umas das outras, estão se isolando, se retendo apenas a telas de computadores e celulares. O diálogo, o olho no olho, o som da voz ,essas formas básicas de todo e qualquer relacionamento estão se perdendo conforme um encurtamento da proporcionalidade do espaço-tempo que age sobre nossas vidas atualmente.

Na minha opinião, uma conversa via skype, um bate papo virtual não substitui a conversa ao vivo. Facilita sim pela distância. Afinal, não dá pra ir sempre a Londres, por exemplo, pra olhar e bater um papo com meus amigos que ainda vivem lá. Mas, se for possível, procuro sempre substituir o virtual, estar sempre ao vivo, cara a cara, com meus amigos. Estou numa fase de “desmaquinização” – olha o neologismo ai – da minha vida. Na verdade estou reduzindo o numero de acessos a minha pessoa, a fim de limitar, de restringir apenas a três ou quatro tipos de acesso indireto, ou seja, via aparelho, seja celular ou computador.

Gosto da tecnologia, na verdade, gosto da agilidade que ela nos dá. Tanto que minha ultima aquisição telefônica foi um celular com dual sim, o qual o principal e o chip do Rio e o secundário e o de São Paulo, de modo que a partir desse eu tenho acesso a internet do próprio aparelho celular. Posso ficar mais tempo conectado se eu quiser. Mas isso será mais útil pra uma viagem ou quando tiver realmente necessitando de falar com mais urgência com alguém que vive online no facebook, enfim, pra alguma eventualidade cujo computador não pode ser acessado de imediato. Sei que chega a ser uma contradição obter um aparelho desse pra quem diz que esta se “desmaquinizando”. Mas realmente sinto que tenho passado menos horas na frente do computador, e quando fico estou sempre com os acessos a mim, as vezes não todos, mas o principais, abertos pra quem quiser falar comigo e pra quem quiser marcar um encontro fora da rede social.

Apesar disso, confesso que e por elas que fico sabendo de vários eventos, encontros e reuniões. No mês de maio, por exemplo, soube que a mãe de uma amiga minha dos tempos de escola iria lançar um livro infantil na tarde de um domingo na Livraria da Travessa em Ipanema. Por mais que ela também seja a minha amiga no facebook, tanto a mãe quanto a filha, essa seria uma bela oportunidade de eu reencontra-las, assim como boa parte da família, já que estudamos juntos no segundo grau – no meu tempo se chamava segundo grau, hoje eu acho que tem o nome de ensino médio – e  em dois períodos da faculdade. E como  o tempo é escasso, nos vemos muito raramente. Sempre sabemos o que estamos fazendo, pra isso serve o bate papo do facebook, mas nada substitui a felicidade delas ao me ver, os sorrisos, os abraços carinhoso, os beijos. Não há máquina que tenha a capacidade de fazer isso além da própria máquina humana.

Conversei com minha amiga por pouco mais de uma hora. Precisávamos botar o papo em dia, falar das nossas vidas, por mais que soltássemos algumas coisas nos sempre rápidos papos do facebook. Por mais que a tecnologia encurta o espaço, não significa que as relações humanas também se aproximem.

E preciso estimular os sentidos humanos. O toque, o cheiro, o som, o gosto, e a visão nunca será a mesma pra uma pessoa que esta do outro lado da tela em relação a pessoa que esta ao seu lado. Facilitar não e substituir. O ser humano é a matéria prima do próprio ser humano. O que será de nos se cada um perder o contato humano real e ficar apenas no virtual, o que será se cada um ficar no seu quadrado e evitar ao máximo sair dele? A tecnologia é uma faca de dois gumes. Eu já escolhi o gume que quero. 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

DO HOSPITAL


DO HOSPITAL

Tento escrever essa postagem de um hospital. O verbo tentar é só pra pontuar que de vez em quando eu tenho que largar o texto pra atender ao chamado da paciente impaciente. Hoje estou aqui como cão de guarda pra qualquer emergência mais grave, dado que ela voltou do CTI para o quarto nessa manhã. Primeiramente o hoje pra mim equivale a cerca de seis meses atrás pra vocês. Escrevo do passado, do mês de maio. E segundo que esta tudo bem, pelo menos até o momento em que eu escrevo. Agora vamos aos fatos.

Minha tia Tania tem erizipela. Ela herdou da minha avó e, dos meus primos, quem teve essa má sorte foi o Leonardo. Até aí tudo bem. Bem pra gente que pelo menos ate agora não sofre desse mal. Tanto o Léo quanto tia Tânia, quando têm a crise, quando sentem sinal de que a doença esta para eclodir, não há remédio melhor que ficar internado por uns dez dias no hospital tomando o remédio pra que a crise passe o mais rápido possível e a perna fique curada. Por que essa doença, pela experiência de observação, ela da um sinal de que vai surgir.

Essa ultima crise que tia Tania teve começou no dia 15 de abril. Nesse dia ela se sentiu mal, mas não quis ir para o hospital, somente dois dias depois ela foi internada pra cuidar da crise de erizipela. Essa doença e sazonal. Volta e meia ela aparece, ela surge e não tem jeito, tem que ir pro hospital mesmo. Ficou internada, até mais tempo que o de hábito. E no dia que ela iria receber alta veio a noticia de que ela não ia sair. A erizipela ja tinha sido curada, mas agora tinha surgido uma outra doença.

Talvez por ter ficado muito tempo deitada, sem poder se exercitar muito, desencadeou um outro problema. Eu digo que é doença de rico, daquelas que a gente nunca ouviu falar e que so a partir de agora vamos descobrir outras pessoas que também tiveram essa doença. Não é bem uma doença, é uma síndrome. Pelo menos foi assim que o médico descreveu. Síndrome de Guillan Barret. Olha que nome chique. Esse sujeito se não foi o cara que descobriu essa doenca provavelmente foi o primeiro a tê-la ou o primeiro que teve e foi reconhecida pelo medico. O caso se trata de anarquia. É a primeira vez que eu ouço falar de um caso desse tipo.

Essa síndrome é a anulação dos comandos que o cérebro dá para, no caso da minha tia, a movimentação das pernas dela. Eu não sabia que do nada isso também poderia acontecer. Minha tia deu sorte pelo fato dessa doença a ter atacado em sua forma mais branda. Segundo o medico, dependendo da região e da gravidade, ou seja, da agressividade, essa síndrome ela e capaz até de levar uma pessoa a morte. Principalmente se acometida na  região dos pulmões. Ela teve que ficar uns dias no CTI pra descobrir essa doença e começar a tratar dela. Hoje ela voltou pro quarto. A previsão e de ficar mais uns dias, não deve passar de uma semana, se nada atrapalhar ou interromper esse percurso de recuperação.

E estranho também escrever nesse mini laptop, que uns chamam de netbook. A tela e menor, o teclado também, mas foi a única forma de passar o tempo nesse quarto de hospital e ficar ocupado dividido entre elaborar esse texto, conversar com amigos e dar noticias em tempo real pra família conectada no facebook e, claro, ajudar a minha tia nos momentos em que ela precisa, que não são poucos. E só agora vi que essa TV daqui tem boa parte dos canais a cabo que eu gosto de ver. Lá em cima, logo no inicio, disse que volta e meia teria que largar o texto pra ajudar a minha tia. Pois bem, são pouco mais de três da manha, cheguei por volta das nove da noite e eu ainda vou ficar aqui por mais seis horas. Minha tia está roncando aqui. Agora ela achou uma posição menos incomoda pra que passasse uma noite, ou melhor, madrugada mais tranqüila. Só espero que fique menos tempo possível acamada nesse hospital.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

PRIMEIRO ERRO


PRIMEIRO ERRO

Pra tudo (ou quase tudo) existe uma primeira vez. Sempre fui um consumidor de letras e melodias. Discos e livros são meus alvos prediletos em termos de aquisição. Gosto também de tecnologia, mas ainda sinto um certo conflito, uma certa incompatibilidade no que diz respeito a cobertura de rede e velocidade para conexões com internet e eu estou numa fase em que cada vez mais quero ter menos relação com as máquinas e mais com as pessoas.

Claro que nunca vai ser um corte total, uma volta aos sinais de fumaça. So acho que estava ficando exagerado o número de redes sociais em que todos têm que ficar conectados. No meu caso, resolvi somente ficar com o e-mail, o perfil no facebook e a conta de skype. No momento em que escrevo ainda possuo o MSN, mas penso seriamente em me desfazer dele.

Quanto aos livros, quando me mudei para o apartamento novo me desfiz de grande parte deles permanecendo apenas com as coleções, as séries e os autografados e comprando ainda um ou outro, desde que se enquadrem nessas condições. Mas o que ainda mais me atrai é a música. Desde pequeno sempre gostei de música e isso me fez ficar eclético tendo minhas preferências. A principal, graças ou culpa da minha amiga Joana, é Rita Lee.

Depois de inúmeras compras via internet, ou seja, encomendas através do site – realmente perdi a conta, mas deve ter uns dez anos que faço isso – uma encomenda que fiz no mês de maio veio com um problema. Encomendei dois livros, um para o meu pai e um que faz parte de uma das coleções que tenho e dois discos que fazem parte de coleções distintas. O primeiro disco que eu escutei, Acústico MTV do Arnaldo Antunes – sim, tenho todos os Acústicos MTV nacionais lançados até hoje, a excessão do Jorge Ben Jor o qual eu emprestei pra alguém que não me devolveu – estava perfito. Mas quando eu fui escutar o segundo, justamente a minha preferida Rita Lee com o disco de nome Reza, aconteceu o inesperado. As três últmas músicas não tocaram de jeito nenhum e em nenhum CD player testado. Fiquei desesperado
.
Corri atrás do serviço de atendimento ao cliente, mas só funcionava até as oito da noite. Não dormi direito rolando na cama pensando na estratégia a ser tomada no dia seguinte. Imprimi o mail que eles enviam dizendo que a postagem já tinha sido enviada pra mim, peguei a nota fiscal que veio junto com as mercadorias e, sem sucesso nos meios cabíveis ao atendimento ao consumidor tanto por mail quanto por telefone, corri pra loja física reclamando o defeito. Eles trocaram e testaram o disco na minha frente. Passou no primeiro teste, o disco tocou na loja, mas mesmo assim eu estava apreensivo pro teste definitivo. Tocar no meu aparelho de som.

Cheguei em casa, fui botando pedacinho de música por música e foi tocando tudo até chegar na antepenúltima que deixei rolar até o fim. Ufa! Dessa vez estava inteiro, para minha alegria. Não culpo a loja, e muito menos o funcionário que botou o disco defeituoso dentro da caixa que veio aqui pra casa.

Como eu disse, foi a primeira vez que isso aconteceu. E assim como aconteceu comigo, deve ter acontecido com muitas pessoas. O meu caso ainda foi brando. Pior se eu tivesse adiquirido um eletro-eletrônico a trabalheira e a dor de cabeça ia ser bem maior. E eu sabia que provavelmente isso iria acontecer mais cedo ou mais tarde. Dado o tempo que eu já compro nesse esquema de tiro no escuro, até que eu estou no lucro. Mas o mais engraçado foi que esse tiro foi muito bem dado. Justamente no disco novo da artista que eu mais admiro e acompanho. O recado que eu deixo para o desvio ou a falta de mais energia positiva pra que tudo acabasse bem é um trecho da música dela: “Deus me proteja da sua inveja, Deus me defenda da sua macumba.”

USE A IMAGINAÇÃO


USE A IMAGINAÇÃO

Já ouvi essa frase em algum lugar. Não sei quem disse, mas recuso a atribuição a minha pessoa. Quando a criança nasce, ela tem todos os dons em potencial, mas com a sua criação o foco vai pra alguns em detrimento de outros. Acho que isso faz sentido e que bom que é assim. É isso que faz a diversidade. Claro que isso se aplica tanto pro bem quanto pro mal. A criatividade é fundamental pra infância. É a partir dessa conectividade da imaginação infantil com o mundo em que vivemos que se forma uma personalidade.

Minha infância foi super saudável e feliz. Brincava normalmente com minha turminha. Aliás, que turminha. Todos convivendo no mesmo edifício, mas curtindo a infância como dava. Não pegamos o tempo de brincadeiras de rua. As adaptávamos ao playground do prédio que, por ter sido construído no início da década de setenta, não tinha esse conceito de pavimentos próprios para o estacionamento ou para o que se chama hoje de PUC, aquele espaço onde se pratica a sociabilidade dos moradores, onde há a piscina, sauna, salão de festas, academia, churrasqueira, salão de jogos e tal. Um verdadeiro clube num espaço de seis apartamentos, isso aqui no meu caso.

Brincávamos de tudo. Piques, bolas, e outras brincadeiras que todos em algum momento da vida também brincaram. E tudo que nossos pais faziam, nós adaptamos a um espaço mais restrito. As brincadeiras tinham regras que nós fazíamos e respeitávamos. Ai de quem as quebrasse. O máximo que nós fazíamos era brincar na vila em que os carros e pedestres acessavam o prédio sendo esse o único acesso a ele. Enquanto mais novos, o portão era o limite. Não existia a paranóia da preocupação de hoje em dia. Estávamosseguros sempre. As vezes brincávamos no corredor de algum andar para irritação do síndico de plantão. Sempre tem aquele morador chato que reclama. Ônus e bônus de se morar num condomínio de apartamentos. Sessenta e quatro no total. E tinha épocas que sabíamos quem habitava cada unidade.

Pode ser que seja a pouca idade ainda, mas não percebo isso no meu sobrinho. Pra ele a porta de casa ainda é o limite. Mas ele reina soberano no quarto dele e a varanda também é liberada pra ele jogar bola comigo ou com quem ele escala. Eu não tinha soberania. Apesar de ser o mais velho, sempre dividi quarto com meu irmão, mas brincava com meus playmobils tranqüilo e criava as minhas tramas muito influenciado pelas novelas da TV. Na época não tina esse acesso fácil e essa quantidade de canais que se oferece hoje.

Voltando ao meu sobrinho, numa coisa eu me identifico com ele ás vezes. Ele tem uma criatividade e imaginação que eu também tinha. Acho que toda criança tem isso bem forte e esse é o grande trunfo da infância. Outro dia ele resolveu dar uma festa de aniversário. Talvez ainda influenciado pela festa de aniversário dele. Armou a mesa com a toalha, botou um bolo vencido em cima da mesa, arrumou o s bichinhos ao redor da mesa, chamou os pais dele, os avós e a mim pra cantar parabéns pro leãozinho de pelúcia. Passando alguns dias ele fez outro. Agora pro Bob, o cachorro. Dessa vez o bolo foi uma fatia de pão que ele partiu e passou requeijão dividindo irmamente entre eu, minha mãe, André, meu primo, e minha mãe, copos com refrigerante pra nós e dois dos descartáveis só com uma sujeirinha líquida pro cachorro e pro macaco, e um balde de pipoca daqueles que as pessoas compram nos cinemas.

Isso sem contar a festa de aniversário do macaco que está por vir. Mas essa ele quer inovar. Quer fazer lá em Saquarema. Minha mãe, comprando a idéia dele, já falou que vai ser um churrasco. Ou seja, pode ter, como ele tem, vídeo game, televisão com vários canais de desenhos animados, brinquedos de todos os tipos dos mais sortidos e diversos, mas em primeiro lugar vem sempre a imaginação. 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

MODA?


MODA?

O que é moda? Quem detém essa informação? O que dita a moda? Quem segue e porque segue a moda? Eu nunca liguei pra marca de roupas. Nunca fui vidrado nisso e muito menos acompanho o que se chama de tendências. Cada um tem seu estilo e é muito raro que o que se vê nas passarelas pelo mundo seja visto nas ruas. Uma coisa é você ter um estilo, ser mais dark, mais social, mais esporte fino, depende do seu gosto, mas não do que os estilistas te oferecem.

O que eu acho bacana da moda é que pra algumas pessoas, principalmente na Europa, ninguém tai pra isso. As pessoas se quiserem usar o que tiverem a fim elas usam independente do julgamento dos outros, até pelo fato dos outros pensarem do mesmo jeito e usarem também as roupas do jeito que estiverem a fim. Aqui no Brasil as pessoas se preocupam muito mais com isso. As pessoas não se vestem pra ficarem confortadas, pra se sentirem a vontade e usarem o que bem quiserem, mas se vestem pra competir com os outros, pra se sentirem mais poderosos, pra dizer que podem mais que os outros. Eu acho isso uma babaquice enorme. A moda é um conceito extremamente subjetivo e tendência não significa obrigação. Nada me impede de usar azul se a tendência tá mais pro amarelo.

Certas combinações eu não uso por que eu acho feio, mas também não vou condenar quem usa. Não é pelo fato de eu não querer, de eu não gostar que vou ficar fazendo campanha contra quem usa. Não ligo mesmo pra roupas, mas tem uma loja que vou de vez em quando em Petrópolis chamada Priorité que tem modelos e tipos de roupas que eu gosto. Mas pelo que me lembro a última vez que eu fui lá com esse intuito de comprar roupas foi antes de eu ir a Londres pela primeira vez. Volta e meia eu ganho umas camisas, principalmente de Natal e de aniversário, e as vezes umas bermudas também. Na verdade, bermuda é mais pra replacement, ou seja, as novas são pra substituir as mais velhas, gastas e usadas. Aliás devo ter umas três na gaveta pra pregar o botão e tornar a usar. A última grande compra de roupa que eu fiz foi dias antes de voltar de Londres, há três anos. De lá pra cá dá pra contar nos dedos de apenas uma mão quantas vezes entrei numa loja com a finalidade de sair com alguma peça de roupa.

A moda é cíclica. É como o Lulu Santos e a Fafá de Belém  cantam: “as ondas vão e vem e vão e são como o tempo”. Não só em se tratando de roupas, tendências e tal, mas eu vejo isso em brinquedos também. Há poucos meses atrás a moda do bate-bola voltou. Em abril/maio grande parte das crianças brincavam com um brinquedo que sazonalmente volta a tona. O que eu chamo de bate-bola são duas bolinhas amarradas nas pontas de um pequena cordinha de naylon e exatamente no meio da cordinha um anel pra segurar e com o braço, fazer o movimento pra que as bolas fiquem batendo, mas o máximo desse brinquedo é fazer com que essas mesmas bolas batam tanto acima quanto abaixo da linha do segurador. Eu nunca consegui essa proeza por muito tempo nos meus tempos de bate-bola.

É interessante esse ciclo de brinquedos que somem e de repente reaparecem. Geralmente, e espero que continue, quando começa a moda de um na sequência vem outros como o iô-iô, por exemplo. Existem também aqueles jogos de tabuleiro que tem sua fase certa e por mais que modernizem a embalagem e os personagens, a essência vai continuar a mesma. Detetive, War, Jogo da Vida, Cara a Cara, Banco Imobiliário – que agora vem até com cartão de crédito – entre outros. Quem ta perdendo espaço, pelo menos nas grandes cidades é a bolinha de gude.

Minha infância também teve essas modas todas. É bom que meu sobrinho se não está curtindo agora, provavelmente o fará na próxima temporada daqui a uns dez anos. Esses tipos de brinquedo nunca saem de moda, apesar de esquecidos temporariamente.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

O MAL


O MAL

Tem um trecho de uma música cantada pela Baby, na época Consuelo e atualmente do Brasil e pelo também na época marido dela, o Pepeu Gomes que diz que o mal nunca entra pela boca de um homem, que o mau é o que sai pela boca de um homem. Hoje em dia realmente tudo o que for falado tem que ser policiado e isso é uma espécie de censura.Velada, mas é. Aquela história que a gente vê nos filmes americanos onde os policiais dizem que tudo o que você disser pode e deve ser usado contra você no tribunal, aqui não vale apenas pra hora em que se é preso, mas pra qualquer hora em que você eventualmete fala alguma coisa que é interpretada de modo errado por quem te escuta e geralmente tira a frase ou a palavra de um contexto.

Voltando ao trecho da música, na minha concepção o mal não é o que sai da boca do homem mas o que entra no ouvido do homem com todos os filtros e interpretações que o ouvinte possa colocar sobre o que está ouvindo. Somos sim responsáveis pelo que dissemos, mas não pelo que os outros entendem e aí sim está o perigo. O politcamente correto está tolindo muita coisa principalmente na área criativa. O humor está mudando, está ficando menos engraçado. As pessoas estão ficando mais ranzinzas, mais sisudas e isso a longo prazo não faz bem a ninguém.

Onde nós vamos parar eu não tenho idéia, mas que não será num lugar agradável, disso eu tenho certeza. Será que é legal viver num lugar sóde aparências, onde a realidade não pode ser falada? Será que ultimamente a verdade dói mais que antigamente? Por que maquiar, tornar uma coisa falsa, mascarada? Está me vindo a memória nesse exato momento o gênio do Nelson Rodrigues que magnificamente escrevia “A vida como ela é”, onde ele naquelas histórias maravilhosas ele revelava o lado considerado na época, podre do ser humano. Todos os desvios de caráter, de comportamento de pessoas consideradas normais na sociedade da década de 50 eram por ele destrinchados nos seus contos,crônicas e peças teatrais. O choque que Nelson Rodrigues provocava, de certa forma está voltando.

Tanto o politicamente correto, quanto as cotas universitárias pra negros e índios é um retrocesso na evolução desse país. Essa proteção, essa maquiagem é perjudicial pro crescimento e desenvolvimento do ser humano. Esse tipo de solução nunca foi tomada em nenhum outro país do mundo. Sem falar da lei da ficha limpa, ou seja, o que é o certo agora tem que ser legalizado. Antes de qualquer coisa uma pessoa pra se candidatar a qualquer cargo, seja do executivo, legislaivo ou judiciário tem que estar quite com a justiça, sem sequer uma passagem pela polícia ou, de modo que se fizer uma busca, uma pesquisa nos sites dos tribunais de justiça não apareça, não seja mencionado o nome em nenhum processo, podendo ser excetuadas as pequenas causas e assim mesmo dependendo da gravidade da ação.

O país nunca vai ser um grande país enquanto formos governados por um bando de merdas que se acham os reis e têm um pensamento, uma mentalidade mesquinha e retrógrada. Chega a ser revoltante ver um país que tem problemas socioestruturais gravíssimos estar mais preocupado com a pontualidade da entrega dos estádios de futebol para a Copa do Mundo do que com projetos realmente necessários na saúde, educação, transporte, segurança e habitação. De que adianta passar a Inglaterra e se tornar a sexta economia do mundo se não se tem a educação britânica, se a desigualdade aqui continua díspare? Grande merda ser a sexta economia do mundo. Enquanto o povo tiver passando fome, tiver morrendo nas filas do hospital, tiver que voltar pra casa por falta de professores na escola ou porque os vagabundos resolveram se revoltar e cair de tiro pra cima da polícia impedindo assim mais um dia de aula, esse país não vai pra frente. E mais, o mal desse país é a famosa lei de Gérson, onde só quer levar vantagem.   

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

QUE PROGRAMA!

QUE PROGRAMA!

Depois de ficar cara a cara com uma das duas artistas que mais venero no início do ano, o último dia de abril foi o dia em que mais uma vontade minha foi feita. Desde os primórdios do “Programa do Jô”, ainda no SBT, quando se chamava “Jô Soares 11:30” tive vontade de participar da platéia e acompanhar a gravação de um dos poucos programas que ainda assisto em TV aberta. Acho que além dele só mesmo a Marília Gabriela no SBT aos domingos e quartas, além dos noticiários.

Eu basicamente assisto dois canais fechados Globonews e Viva, pra assistir as novelas antigas. O GNT também pra assistir a Gabi e, caso eu esteja zapeando, volta e meia paro nele pra ver o Saia Justa, mas não com a freqüência que eu via na primeira temporada do programa onde Rita Lee, Marisa Orth e Fernanda Young dividiam o sofá com a atual única remanescente dessa época, Monica Valdwogel. Atualmente os três programas que eu faço questão de assistir passam em sequencia no domingo. As dez da noite a Gabi no GNT, as onze o Manhattan Conection na Globonews e meia noite a Gabi novamente no SBT. Depois disso, quarta torna a ter a Gabi. Esses eu sigo mesmo, assisto até as reprises quando não dá pra ver no horário. O da Gabi no SBT, se eu perco, no dia seguinte já está disponível na internet na íntegra, ou seja, esse a gente assiste em qualquer parte do mundo.

Voltando pro Jô, por mais que digam que ele é arrogante, prepotente, que não deixa o convidado falar e tal, e as vezes realmente isso se faz aparente, seja sem querer ou propositalmente, sempre gostei dele desde o Viva o Gordo, programa de humor onde ele protagonizava vários quadros. Quando foi pro SBT, já nessa intensão do programa de entrevistas, ainda fazia o programa de humor até consolidar o talk show. Os bate papos na sua grande maioria são sempre interessantes, descontraídos e o Jô é um gênio. Ator, diretor, humorista, pintor, escritor, compositor, músico, ou seja, multimídia, além de ter uma bagagem cultural gigantesca por toda sua história de vida. Assim como a Rita Lee e a Marília Gabriela, gosto de acompanhar o que o Jô faz. Menos que as duas supracitadas, mas também  o acompanho.

Dia 30 de abril saio eu aqui de casa por volta das 9 da manhã e vou direto ao aeroporto Santos Dumont. Passagem a R$ 65 talvez por estar bem no meio de um feriadão, mas não me atrevi a comprar a de volta por não saber a hora que eu ia sair do estúdio. Cheguei lá por volta do meio dia e fui direto pro camarim. Não, eu não seria o entrevistado, até por que quem bancou a passagem fui eu e não a produção do programa. Ainda não cheguei a esse ponto apesar de achar que já tenho histórias boas suficientes pra sustentar pelo menos um bloco de entrevista. O Serguei seria o entrevistado. Mais uma vez.

Aquela computava a décima em todos os anos de programa, incluindo o tempo do SBT. Praticamente uma entrevista a cada ano e meio de programa. A última que ele deu foi em agosto de 2009. Eu estava em Portugal e vi tudo pela internet. Eu só vi a gravação do programa em que ele participou apesar de outros programas, dois se não me engano, terem sido gravados no mesmo dia. Um foi com o Emílio Santiago. Tanto que quando ele foi gravar o musical o Serguei foi lá falar com ele. O Serguei gravou dois números musicais “Born to be Wild” que foi exibida durante a entrevista e “Hells Angels” que praticamente encerrou o programa.

Apesar da espera, que é como se faz televisão, o musical foi gravado por volta das 4 da tarde e a entrevista as 7 da noite, o dia valeu a pena e realmente eu não ia pegar a última ponte aérea pelo mesmo preço, já que estava marcada pras 9:30. De lá fui pra rodoviária e peguei o ônibus de volta as 11:20 da noite, chegando em casa as 7 da manhã. Ainda ia encarar a festa de 4 anos do meu sobrinho pela frente.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A RITA

A RITA

A Rita levou meu sorriso no sorriso dela desde a primeira vez em que a vi pessoalmente no lançamento e/ou divulgação do seu disco  “Santa Rita de Sampa” em uma tarde do ano de 97, na extinta rádio carioca RPC. A partir de então meu assunto começou a convergir nos outros trabalhos, na carreira e, por ser uma pessoa pública, na vida dela também. Claro que sem a voraz curiosidade jornalística e fanática. Ela me cativou de uma forma avassaladora e eu passei a querer protege-la de todos os jeitos. Ai de quem a atacasse.

Ela levou junto com ela todo meu carinho, apoio, respeito e admiração, ou seja, tudo que eu acho que um artista merece sem ultrapassar a barreira do non sense. Tem gente que não tem noção e pede uma foto ou um autógrafo quando o artista está no meio de uma refeição ou um velório. O máximo que eu faço é fazer isso depois de um show, mas isso eu acho normal, assim como também entendo quando por vezes o artista não pode ou não quer receber as pessoas no camarim. E o que me é de direito continuará sendo. Consumir os discos e os eventuais shows, se ela tornar a fazê-los.

Ela arrancou-me do peito toda caretice, toda babaquice que um jovem podria ainda trazer consigo. Foi o ponto de partida para a minha anarquia. E tem mais, as letras das músicas compostas por ela com esse cunho político-social demonstra uma realidade ainda muito encruada na nossa sociedade. Me lembro que esse primeiro contato foi idealizado por uma grande amiga minha que fingiu estar passando mal no trabalho e me ligou aos sussuros. Ela levou seu retrato, seu trapo, seu prato e tudo mais que ela tinha sobre Rita Lee e ainda contou uma história que não era mentirosa para entrarmos no auditório da rádio e ficar cara a cara com Rita Lee.

Na verdade eu fui o portador desses badulaques todos. Passei na casa dela como ela me pediu aos sussuros pelo telefone e peguei tudo. Nos encontramos num ponto estratégico e ela me jogou dentro de um taxi sem me falar nada até chegarmos na rádio. Que papel valeria mais pra minha amiga naquele momento do que uma capa de disco autografado pela ídola dela eque apartir dali se tornava minha também.

Essa minha ídola tem o poder de Midas. Torna precioso tudo o que toca dela. Se sai em defesa da causa dos animais, se torna uma imagem de São Francisco, se lança um disco novo esse geralmente recebe boas críticas e se compara tanto aos gênios que foram os Beatles e um bom disco de Noel.

A Rita matou nosso amor ao traduzir nossos mais primitivos sentimentos em melodias como Mania de Você e Doce Vampiro. Não há amor sincero, leal e verdadeiro que resista, que persista às palavras já proferidas e profetizadas pelas suas músicas. De vingança, muitas aparecem e são efêmeras pois nem herança deixou, ao contrário do legado de mais de 40 anos de carreiraque ela tem.

Consta que no início de tudo não levou um tostão porque não tinha não, mas causou perdas e danos. Taí a Mamãe Natureza que até hoje é sua fonte da juventude mesmo com seus 67 anos como ela diz ou 64 como nos documentos oficiais. Levou os meus planos. Não os faço mais a longo prazo. Estabeleços metas e tenho sonhos. Planos não mais. Meus pobres enganos ainda os cometo. Não sou perfeito. Os meus vinte anos foram absolutamente especiais por conta desse encontro. O meu coração sempre vai ter um cantinho especial praquela lá que carinhosamente chamo de Tia Rita.

E além de tudo me deixou mudo um violão. Instrumento esse que nunca tive e nem faço questão de ter. Tenho vários primos que tocam e tocam bem. Deixo pra eles essa função. Mas em se tratando de musica, mesmo se eu soubesse tocar alguma coisa, não me atreveria a competir com gênios como Rita Lee e por conseguinte não me atreveria a compor uma musica. Não tenho capacidade de chegar ao patamar dela. 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

CASA DA MÃE MIRANDA

CASA DA MÃE MIRANDA

Em vinte e três de março desse ano mais uma nova casa de shows foi inaugurada no Rio. Com o encerramento das atividades do Canecão, vítima de um processo litigioso já a alguns anos, o Rio ficou dividido entre Vivo Rio e Metropolitan (que sinceramente mudou tanto de nome que eu não sei como se chama atualemente). Enquanto o Vivo Rio se localiza praticamente no centro da cidade, bem próximo ao aeroporto Santos Dumont, o Metropolitan fica no subsolo do shopping Via Parque, na Barra da Tijuca.
Enquanto público, minha estréia no Vivo Rio, se não me falhe a memória, foi pra ver um show da Rita Lee. Ia dizer que no Metropolitan também, mas agora eu me lembro que quem me fez pisar lá pela primeira vez foi o Jô Soares. A Rita me fez pisar mais vezes. Me lembro muito bem da minha primeira vez com a Rita na casa da Barra. Pra se ter uma idéia, nem a linha amarela existia ainda. O Canecão sempre teve uma história, um glamour em torno dele e ainda é a casa que eu freqüentei mais vezes. Essa escassez fez com que um palco considerado alternativo tivesse um upgrade, mas mesmo assim sem perder suas características anárquicas. O Circo Voador, na Lapa, volta e meia abriga shows dos órfãos do Canecão, como Ney Matogrosso, Erasmo Carlos e Rita Lee, que decretou sua aposentadoria dos palcos no único show que fez lá em janeiro desse ano.

A nova casa de shows não é tão ampla quanto as outras, pelo contrário, ela é mais intimista. Devem caber umas duzentas pessoas e não sei se por ser nova ou por ficar sob a arquibancada do estádio de remo da lagoa, ponto nobre da cidade, cobra tão caro pelo preço de um ingresso. Eu gostaria muito de ter ido no show de inauguração, mas pagar R$ 800 pelo ingresso, mesmo eu gostando muito não tem condições. No entanto, pros desligados e desavisados, esse preço pode ser reduzido pela metade se for efetivado o cadastro no site da casa. Mesmo assim, R$ 400 só pra entrar sentar e assistir ao show ainda não faz partes dos meus planos. A saber: o nome dessa casa de shows é Miranda e quem inaugurou ela foi Gal Costa. Sou louco pela voz da Gal a acompanho há quase vinte anos. Nem a Rita que acompanho a pouco menos tempo que a Gal, mas com mais cara de fã eu daria esse valor no ingresso, principalmente por ainda restar opções mais accessíveis para shows.

Um mês depois da inauguração da Miranda, recebi um par de convites pra ir numa feijoada com direito a três horas de show de samba com um set com um sambista que está se destacando cada vez mais. Apesar de ser feijoada, a canja quem deu foi o Leandro Sapucahy. Chamei minha mãe que aceitou o convite. Como meu irmão foi para o jogo em que o Vasco decidiu uma vaga na final do segundo turno do campeonato carioca, minha cunhada e meu sobrinho também foram. Por ele ser criança, ainda não havia feito quatro anos, o ingresso dele foi livre. Já o da minha cunhada teve que ser pago. Pelo pacote show+feijoada, o valor sai a R$ 80, o que eu particularmente não acho caro, visto que um rodízio de comida japonesa, ou uma churrascaria sai também por mais ou menos esse preço. As bebidas são a parte e a preço de casa noturna, custando uma latinha de refrigerante o valor de R$ 5.

Achei interessante e um ambiente gostoso, bem a minha cara. É um lugar que eu gostaria de freqüentar mais e só não faço isso por considerar os preços um tom acima da média. Será que é por isso que o slogan da  casa é esse? “Miranda – Um tom acima”. Quem sabe se eles me contemplarem mais com esses pares de ingresso eu não me torne um freqüentador assíduo. Não sei se pra shows eles ousem fazer isso. Pelo menos enquanto a casa está dando seus primeiros passos. A feijoada será muito bem recomendada, pra quem não tem opção de restaurante pros almoços de domingo.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

“O FRIO DE SÃO PAULO ME FAZ TRANSPIRAR”

“O FRIO DE SÃO PAULO ME FAZ TRANSPIRAR”

Eu adoro São Paulo. Não canso nunca de passear por lá. E facilmente moraria por lá. Acho a cidade de São Paulo uma coisa de primeiro mundo que se assemelha muito a Nova Iorque e Londres, por exemplo, mas que não consegue chegar lá justamente por estar encravado no Brasil. Ou seja, além dos problemas bastante comuns a grandes cidades mundiais, São Paulo traz consigo os problemas de administradores e políticos brasileiros. Se não fosse por esse detalhe, a cidade seria também de primeiro mundo.

É fato que a cidade não dorme, diferentemente do Rio que por estar a beira mar tem que dar aquela cochiladinha, tirar aquela sesta. Tem alguns locais da cidade que eu não canso de visitar, que eu passaria um dia inteiro sem reclamar. A Avenida Paulista é um desses locais. Sempre que eu passo por ali eu fico imaginando os casarões dos barões de café que ocupavam aqueles espaços onde hoje os prédios se fazem imponentes. E ali tem de tudo praticamente noite e dia.

Uma das vezes que eu estive por lá, passeando pela Avenida Paulista, mais pro lado da estação Paraíso do metrô, eu encontrei uma loja de livros usados, um sebo, mas que não tinha cara de sebo, ou melhor, até tinha, mas era tão organizado que parecia uma ‘Saraiva’ da vida. Com direito a sessão de cd’s e vinis também. Tinha até uma caixa dedicada a vinis de trilha sonora de novelas e algumas eu tive na minha infância e/ou adolescência. Além de um pequeno café e uns espaços pra se sentar e ler ali mesmo. Não me lembro o nome da loja, mas se eu tivesse tino comercial abriria uma dessas pro lado de cá da Via Dutra. Eu me sinto muito bem na Paulista e redondezas (Augusta, Bela Cintra, Consolação...).

Outro lugar que me agrada muito é a Estação da Luz. Construída pelos ingleses aquela já foi considerada uma das portas de entrada da cidade. E dá pra se reportar a grande maioria das estaçoes de trem na Europa. Me lembra muito a de Amsterdam e algumas na própria Londres. É linda, e dá pra ficar horas vendo não só a construção, o acabamento, a estrutura da estação quanto as idas e vindas dos trens, as chegadas e partidas das pessoas. O parque do Ibirapuera com seu espaço verde no meio da selva de pedra e o mercadão municipal com seus famosos sanduíche de mortadela e pastel de bacalhau, além de todas as frutas possíveis e imagináveis do mundo todo são outros lugares imperdíveis pra quem vai visitar São Paulo.

Na verdade existe muitos lugares imperdíveis, a cidade toda é imperdível, praticamente. Mas eu estou mais habituado a andar pelo centro, tanto o anitgo quanto o atual, ou o que eles chamam de financeiro, que é justamente a região da Paulista. Na vejo, não sinto, nunca senti a tal rivalidade entre paulistas e cariocas. Claro que de vez em quando pinta um comentário, uma brincadeira ou outra, mas nunca percebi um tom mais ofensivo ou mais impositivo deles.

São Paulo já foi muito cantada, desde Alvarenga e Ranchinho até a mais famosa canção de Caetano Veloso. Confesso que no meu coração não acontece nada quando eu cruzo a Ipiranga com a São João. Cansei de passar lá e a única coisa que acontece é a minha mente automaticamente puxar a música do acervo da minha memória. E me considero fã de duas paulistas de nascimento e paulistanas por opção e de coração. Uma delas, inclusive escreveu a música cujo verso eu peguei emprestado para dar título a essa postagem.

Caso alguém me faça uma proposta indecente, ou receba um convite para trabalhar na cidade de São Paulo não vou pensar duas vezes antes de aceitar. Como já disse, São Paulo é uma quase Londres. Como diz a música: “Eh São Paulo/ Eh São Paulo/ São Paulo da garoa/ São Paulo de terra boa.” Eu adoro São Paulo.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

CRUZEIRO NA BAÍA



CRUZEIRO NA BAÍA

No início do mês de março estava rolando pelo facebook uma conta que é tanto absurda quanto real. A circulação dessa conta se deu pelo fato do preço do bilhete simples da barca que faz a travessia Rio – Niterói ter aumentado de R$ 2,80 para R$ 4.50. Isso pra quem não tem o cartão chamado Bilhete Único ou Riocard. Os usuários do cartão têm um desconto que faz a tarifa cair para R$ 3,10.

A conta nada mais era do que os cálculos dos valores de um passeio em navio de cruzeiro operado pela CVC. Em sendo um cruzeiro de três dias, o valor total seria de R$ 888,22. Convertendo os três dias em horas seriam setenta e duas e pro equivalente em minutos teríamos 4.320 minutos. Ora, dividindo o valor de 888,22 pelos 4.320 minutos, o resultado são vinte centavos por minuto. O tempo médio da travessia da baia de Guanabara pela barca são vinte minutos.

Com a tarifa antiga, ou seja R$ 2,80, dividida pelos vinte miutos, temos catorze centavos. Seis centavos mais barato que o cruzeiro. Já fazendo os cálculos com a tarifa nova que são R$ 4,50 e dividindo esse valor pelos vinte minutos de travessia, o resultado são vinte e dois centavos por minuto. Dois centavos a mais que o preço do cruzeiro. Está mais barato fazer um cruzeiro que andar de barca. Mais uma vez, quem está pagando o pato é o povo que precisa desse meio de transporte diariamente pra trabalhar, estudar ou mesmo se divertir.

Talvez o aumento fosse justificado se as condições de infraestrutura assim o acompanhasse. Mas não. A Barcas S/A não fazem melhoras nem no lado de Niterói e nem no do Rio. Vida de gado é o que se vê tanto pela manhã do lado de Niterói quanto a partir das seis da tarde no lado do Rio, de modo que não há embarcações suficientes para a demanda da população. O que se chama de ‘escoamento’, a evasão da população do cais na hora em que mais se necessita de rapidez não é bem feita, ficando três turmas a mercê dachegadade uma embarcação. A primeira, que já passou do portão e fica praticamente no atracadouro, a segunda entre as roletas e o portão e a terceira que forma filas quilometricas antes de passar na catraca, não importando o tempo que faz. Chova ou faça sol, não há proteção, além de, as vezes, uma lona improvisada pros dias de chuva.

Como o que é pregado pela secretaria de transportes do estado do Rio é que adiquirindo o cartão há um desconto na passagem, isso obriga, força a todos fazerem um cartão e assim possivelmente eles terem um controle maior sobre os usuários. Nada contra os cartões. Acho até que é melhor e sou adepto desse sistema. Fui um dos primeiros a fazer um pra mim logo que foi implantado. Em Londres é raro ver alguém pagando a passagem com dinheiro vivo. Claro que lá funciona muito melhor. O cartão é um só. Aqui, por exemplo, o metrô além de aceitar bilhete único ainda tem o cartão próprio do metrô. Não costumo andar de trem, mas acho que a Central do Brasil também tem seus próprios cartões de embarque.

Poderiam simplificar, unificar tudo vender ou carregar em qualquer ponto. Lá em Londres, qualquer off license, que a gente pode traduzir aqui como quitanda carrega o cartão. Aqui não. Na minha vizinhança tinha quatro pontos de recarga. Hoje só tem um e mesmo assim teve um diaque eu tinha quecarregar meu cartão, cheguei lá e o estabelecimento estava fechado porser feriado. Tive que ir até a bilheteria das barcas, rezando pra que o sistema estivesse online pra carregar o meu cartão. É. De vez em quando o sistema cai e a gente fica a ver navios e pagando mais caro.

Eu nunca fiz um cruzeiro, mas quando eu fizer, não quero que fique restrito a baía de Guanabara. Espero sinceramente que se melhore a dinâmica da empresa que controla a travessia pra não acabar como o Titanic. O povo é mais forte que um iceberg.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

ATESTADO DE ÓBITO



ATESTADO DE ÓBITO

Gostaria de constatar que no dia sete de abril desse ano, em pleno sábado de aleluia, entre cinco da tarde e oito da noite, na praia de Copacabana, perdi um grande companheiro. Nossa amizade vinha de  longa data, mas precisamente de janeiro de 2009, em Londres, onde o encontrei e foi amizade a primeira vista. Coincidencia ou não, eu estava indo ver amigos meus que também havia feito em Londres e estavam passando o feriado aqui no Rio.

Se bem me lembro foi na loja da Argus bem perto ali de Marble Arch, numa avenida que agora me foge o nome, mas quase no início da Oxford Street. A que eu mais freqüentava era a de Tottenham, na outra ponta da Oxford, mas não sei porque ele eu só consegui encontrar lá, e já estava quase no fim também. De início houve uma curta e rápida adaptação. Eu ainda não tinha em mãos algo com uma capacidade de armazenamento tão grande.

Ele foi o meu primeiro e, por isso, será sempre querido e lembrado, principalmente agora que ele se foi. Raras e perdoáveis foram as vezes que ele me deixou na mão. Geralmente por distração ou risco meu. Mas durante esses longos três anos e pouco foi meu fiel companheiro. Quantas vezes só restava nós dois, principalmente durante os quase três meses de tour pela Europa. Ele amenizava minha solidão. Por causa dele não me sentia tão sozinho, principalmente por conta do repertório que carregava consigo e escolhido por mim. Ao longo dos anos isso foi aumentando e geralmente era trocado de três em três meses. A última troca se deu dias antes da constatação do óbito. Não sei se por sorte ou prenúncio, semanas antes do ocorrido sugiram dois novos mp4 trazidos de Nova Iorque. Um o meu sobrinho se apoderou dele e o outro eu guardei no meu armário. Mas até então esse meu companheiro estava vivo e bastante lúcido.

O meu irmão uma vez foi com ele pra um jogo de futebol e chegou reclamando que ele não tinha rádio. Na verdade tinha, mas não funcionava. De qualquer modo isso não fazia diferença pra mim já que a minha atração por ele era justamente a capacidade de ter inserido nele a quantidade enorme de músicas. Sempre na faixa entre quatrocentas e quinhentas. Super prático e discreto, era com ele que eu caminhava todo santo dia no calçadão da praia. Tinha lugar cativo nos bolsos traseiros das bermudas que uso pra caminhar.

Agora o que me resta são as recordações que tenho com ele. Ninguém passou e nem vai passar os momentos e as situações as quais estávamos juntos, mas infelizmente terei que substituí-lo. Uns vão, outros vem, ninguém é eterno. Esse é o ciclo da vida, inclusive dos aparelhos eletrônicos. Antigamente tudo tinha conserto, hoje em dia sai mais barato as vezes, dependendo do aparelho e do envolvimento que se tem com ele, comprar outro similar. Ele representou muito pra mim, mas tenho que respeitar o momento dessa partida e não tentar ressucitá-lo. Os aparelhos podem ser substituidos por outros que façam a mesma função, mas os momentos em que esse passou comigo, por ser especial, por ser o primeiro, por ter me acompanhado num divisor de águas na minha vida, esses vão ficar pra sempre na minha memória, e não há o que me faça esquecer disso. O que se  leva da vida são momentos, lições, alegrias e amizades.

Agora é me adaptar a outro, carregá-lo com o repertório e dessa vez com algumas fotos e até vídeos se eu quiser. Pelo menos por mais três anos, assim espero, que eu tenha mais momento de prazer, alegra e felicidade como eu tive com o U4 da Samsung durante esses últimos três anos e pouco. Não sei nem se ainda é fabricado, mas recomendo esse MP3 a quem tiver na dúvida pra comprá-lo, caso ainda o ache nas lojas. Meu adeus, meus sentimentos, minhas condolências pro meu pequeno aparelho.