terça-feira, 31 de janeiro de 2012

PROCURAMOS INDEPENDÊNCIA

Ano passado, no início de setembro, aconteceu no Rio a Bienal do Livro. Eu, como bom amante dos livros não pude deixar de ir. Ou melhor, poderia sim ter deixado de ir, mas mediante o convite da minha tia eu fui. Ela me cedeu dois convites pra ir em qualquer dia do evento e eu até me planejei pra ir num dia e ainda não tinha companhia pra ir comigo até que mediante a outro convite da minha tia fui com ela. Tudo bem que foi num dia em que eu não queria ir, mas fui de carro com ela, num conforto que não teria se fosse no dia seguinte de ônibus, como eu tinha pensado. Sinceramente, quando ela me ligou eu quase declinei do convite por ser no feriado de sete de setembro e eu sabia que ia estar muito cheio. Troquei o perrengue de ir de ônibus num dia normal pelo perrengue de enfrentar os três pavilhões cheios num dia de feriado, mas compensou por eu estar em família.

Disse três pavilhões. Um azul, um laranja e um verde e como eu disse, por ser feriado, muita gente pensou em fazer o mesmo, principalmente pelo dia não estar com cara de praia. Pra se ter idéia, saímos as duas da tarde da casa da minha tia e só pusemos os pés na Bienal por volta das quatro e meia. Enfrentamos um engarrafamento desde a metade da avenida Abelardo Bueno que nos fez desviar desse transito por um dos atalhos que eu conhecia e volta e meia fazia quando ia pro projac. Ladeamos o Rio Centro e vendo que realmente não daria pra estacionar dentro da área, fizemos como alguns que estacionaram no terreno da Assossiacão dos Pescadores da Lagoa de Jacarepaguá que fica em frente a antiga área que abrigou os “Rock in Rio” de 85 e de 2001, e atravessamos as pistas pra chegar dentro dos pavilhões.

Circulamos por eles e não achamos nada de interessante. Quem mais saiu com livros foi a minha tia que me fez o convite pra ir com ela. Outra tia minha que também foi, foi atrás de um livro específico e não achou. Eu também não achei os dois que eu queria. Um já saiu de linha, ou seja, nem no estande da própria editora esse livro lançado há um bom tempo estava. Ele é um dos pecados da coleção dos sete. É que me pediram esse emprestado e não me devolveram desbancando minha coleção. O mesmo fizeram com a minha coleção de Acústico MTV Nacional de modo que o do Jorge Ben Jor alguém pediu e não me devolveu. Tentei aproveitar a Bienal pra recuperar esse livro, mas se nem na própria editora havia, desisti, por enquanto, de correr atrás. Tentei procurar outro, de outra coleção sobre mitologia grega, mas nesse caso ainda não havia sido lançado. De minha parte, só compraria esses dois. Mas me atrevi e quando a gente tava quase indo embora decidi ir atrás de outra coisa.

Por incrível que pareça não era livro, e sim uma coleção de discos lançados pela Folha de São Paulo. Pra variar a coleção não estava completa, pois esse era o critéro que eu estava utilizando pra comprar. Como já chegou as bancas e eu não comprei em tempo hábil, só levaria se tivesse completa. De curiosidade perguntei também sobre a coleção, essa sim com os lançamentos ainda em curso à época da Bienal, de DVD’s dos filmes europeus. Nesse caso não tinha nenhum. Eu acho que fui o único que foi numa Bienal de Livros atrás de discos e dvd’s.

Ir numa bienal de livros sem sequer trazer um pra casa é como se fosse minha declaração de independência. Não do ato de ler, de modo que esse está incutido em mim, mas do fato de adquirir exemplares de livros. A excessão são as coleções que fiz e faço. São os únicos que eu vou manter. Não estou trocando o livro tradicional pelos leitores eletrônicos. Livro tem que ser de papel. Tem todo um ritual, um cheiro, uma maneira de mnusear e é altamente portátil sem precisar de baterias. O que estou fazendo é pedir livros emprestados pra ler e certamente devolver. Minha independência é quanto ao acúmulo de livros. É disso que aos poucos eu estou me livrando.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

VIZINHANÇA

Uma vez eu vi uma entrevista de um escritor, que mais tarde adicionei como amigo no facebook, dizendo que ele só sobe e desce a escada do edifício dele, não usando o elevador pra não ficar naquele clima de não olhar um pra cara do outro. Segundo ele, mora no décimo sexto andar. A vantagem que eu levaria sobre ele é que eu moro no quinto e abaixo tem o quarto, o playground, um andar de garagem e o térreo. Apenas quatro lances de escada. Mas eu não faço isso. Subo e desço mesmo de elevador, mas torço pra que ninguém esteja dentro dele. Também não sou mal educado. Bom dia, boa tarde e boa noite sempre, pra quem quer que esteja no elevador ou portaria. Mas que eu prefiro não compartilhar o espaço com ninguém eu prefiro.

No momento em que escrevo esse post, ainda não fui (e nem pretendo ir tão cedo) para o playground. Aquele é um espaço pra socializar, e o que eu quero é justamente o contrário. Lá no outro prédio, onde nasci e cresci era diferente. Eu tinha uma turma, eram várias crianças juntas, que assim como eu nasceram ali também. A gente fazia questão de socializar e só não faz isso até hoje com mais freqüência por cada um ter tomado o rumo que a vida predestinou, mas mesmo assim ainda mantemos contato ou, pelo menos, gostamos de saber o que os outros estão fazendo e como estão.

Me lembro que tinha uma época que não só eu, mas todos nós que ficávamos, brincávamos, estávamos juntos praticamente o tempo todo no play do prédio sabíamos exatamente de todas as pessoas que lá moravam. Andar por andar. Apartamento por apartamento. Era só perguntar que a resposta vinha no ato. Mas isso foi uma fase. Com a alta rotatatividade de moradores nosa memória foi sendo gradativamente afetada até ficar mesmo aquelas pessoas que assim como eu, criaram raízes lá e algumas pelo visto pretendem ficar por lá ad eternum. Minhas raízes ficaram por lá, estão por lá, não vão sair de lá, mas, como se sabe minha árvore não para de crescer e já está fazendo sombra em outra área; o que deveria ser comum e natual de todas as ‘árvores humanas’.

Essa coisa de socializar com outras pessoas vai ficar a cargo do meu sobrinho. Ele que vai começar essa fase de independência, de querer ir para o playground sozinho, mas, por enquanto, ele vai acompanhado por um responsável. Eu ainda não fui, e nem pretendo ir tão cedo, mas sei que mais cedo ou mais tarde, vai sobrar pra mim. Terei que acompanhá-lo nas traquinagens que por ventura ele vier a fazer até que ele chegue a uma idade que poderá fazer isso tudo sozinho. Eu acho que comecei aos cinco ou seis anos.

O playground daqui não se restringe apenas a brinquedos para crianças. Além de piscina, vários ‘espaços gourmet’ (é o nome que se dá atualmente para churrasqueira e forno a lenha) tem também dois tipos de sauna e uma pequena academia. É aí que eu entro, ou não. É o único espaço que eu pretendo aproveitar. Confesso que ainda não entrei lá, não vi a aparelhagem e nem sei se serei assíduo naquele pequeno espaço. É um projeto a ser estudado com bastante carinho. Sinceramente eu preferiria freqüentar uma academia onde existem profissionais que possam me indicar um exercício, me guiar num movimento e apontar os erros cometidos conforme eu tento feito regularmente desde setembro de 2010 (até a hora em que eu estou escrevendo esse texto). Pode ser também que, usando a aparelhagem disponível, se contrate um profissional desses. Só espero que os vizinhos não tenham a mesma idéia, ou melhor, não contratem o mesmo profissional e muito menos vão todos no mesmo horário que o que eu estipular pra fazer os exercícios, caso realmente essa idéia prevalecer.

A vizinhança não é mal vista por mim, só não quero muita intimidade. Nada além do que ultrapasse um papo de elevador ou aquela troca de xícara de açúcar e jamais me passa pela cabeça interfonar ou mesmo bater na porta de outro apartamento.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

NEM TUDO É MARAVILHA

Sabe aquele ditado que diz que nem tudo que reluz é ouro? E aquele outro que diz que quando a esmola é demais o santo desconfia? Esses podem definir o que eu vou tentar dizer aqui. Desde o início do ano eu postei minhas conjecturas sobre esse apartamento novo, o qual habito desde agosto. A maioria delas positivamente. Pois bem. Hoje vou falar do que não presta nesse novo edifício.

Não sei se os engenheiros fazem isso de propósito, colocam de um lado e tiram de outro, ou se isso realmente é uma tendência do mercado mobiliário. Não sou de ficar reparando nessas coisas. Acho até que possam existir sim alguns novos espigões com o mesmo defeito, ou problema desse.

Teoricamente, temos quatro andares de garagem aqui. Parece até um shopping center, mas nem shopping tem disso, pelo contrário, o deles é mais espaçado. De baixo pra cima começa pelo andar -2 (dois negativo ou menos dois), -1 (isso me faz lembrar as aulas de matemática (argh!!!) das quinta e sexta séries) o próprio térreo e um andar identificado como G de garagem. Esses quatro andares de vagas de garagem divididos para uns setenta apartamentos, de modo que o número de vagas pode variar dependendo do apartamento, alguns com uma e outros com duas; acho até que as coberturas têm três vagas de garagem, mas essa informação eu não posso precisar. Ai vocês me perguntam: e o que isso tem de ruim? E eu respondo: vem estacionar um carro aqui pra você ver como é ruim.

O planejamento, o espaçamento entre vagas, as posições em que elas se encontram, a rampa de acesso, é tudo ruim. Eu relutei ao máximo em pegar o carro e estacionar na vaga. A nossa fica enterrada lá em baixo, no andar -2, num espaço onde cabem quatro carros. Dois para o nosso apartamento e dois para o outro apratamento que, até a hora em que escrevo, está, pelo menos a vaga, desocupada. Aliás, nem todas as vagas estão ocupadas, o que facilita pra fazer a manobra. Sim, manobra. Nossa vaga é um carro na frente do outro, ou seja, se o carro que fica entre a parede e o outro carro tiver que sair, o que está atrás tem que dar espaço pra ele. Quando todas as vagas estiverem ocupadas esse espaço de manobra vai ser reduzido dificultando ainda mais, pelo menos pra mim que não sou um bom motorista, a retirada do veículo.

As vagas talvez tenham a mesma largura da minha cama, talvez pouca coisa maior. O espaço para a locomoção do veículo também não é bom e as ‘tomadas de curva’ também tem que ser bem calculadas, principalmente pra quem tem carro com porta malas grande. Eu sempre tive vontade de ter um carro pequeno, um Cooper ou um Smart e creio que quem projetou essas vagas também. Mas e quem gosta de um carro grande? Não vai poder ter um? Vai ter que estacionar fora, correndo o risco de ser roubado? Deveriam pensar nisso também.

Ou, já que isso pode ser uma tendência, pra facilitar a vida dos motoristas, bons ou ruins como eu, as auto escolas poderiam incluir na grade curricular, já que agora é obrigatório aulas de direção a noite, duas ou três aulas pra solucionar o problema de como estacionar em vagas de difícil acesso e apertadas de edifícios novos. Não sei se é por relutar muito em ter feito isso e, portanto, não ter prática em ficar entrando e saindo o tempo todo do prédio, ou se é pelo fato de se ruim em matemática que os meus cálculos nas curvas nunca dão certo e assim a marcha ré é bastante utilizada. As vezes que eu calculo bem, que eu percebo que a curva que fiz principalmente pra entrar nas duas rampas não oferece nenhum risco pra lataria do carro, mesmo assim, eu vou com cautela e precaução, sempre dando aquela marcha ré quando pinta a dúvida.

Esse por enquanto é o primeiro defeito, talvez defeito seja uma palavra forte, mas a primeira falha que essa minha nova habitação me mostrou. Seria a única?

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

AMPLIFICANDO

Casa nova, tudo novo. Ou quase tudo. Mas pra quem viveu em um apartamento quase trinta e cinco anos, e com praticamente quatro gerações passando por lá considerando que meus avós conheceram o apartamento antigo e os três primeiros anos do meu sobrinho também fizeram parte da história do imóvel, tava na hora de renovar muita coisa a começar pelos móveis e eletrodomésticos.

Aparelho de televisão com sinal digital de cabo tem em todos os cômodos. A excessão do aparelho da cozinha que veio do antigo, todos os outros são novos, e o que fica na sala tem mais polegadas quenão sei o que. A Tv é gigantesca, talvez seja a maior que caiba sozinha num compartimento de estante, porque depois dessa, só mesmo pendurando na parede ou tendo um móvel especificamente pra ela. Todos digitais, tela plana e tecnologia de led, que eu não faço a mínima idéia do que significa, mas, dizem os experts que é melhor do que os aparelhos de plasma. Todos os cômodos também com saída pra telefone. Inclusive no quarto de empregada, o qual já vou falar sobre.

Dos móveis, o sofá-cama que ficava na sala e hoje está no quarto do meu irmão ainda corre o risco de sair da casa. Está no paredão. Uma das quatro cômodas, depois de passar por uma transformação e ficar toda branquinha (o sofá também passou por essa transformação a la Michael Jackson) também está no quarto do meu irmão pra guardar grande parte das roupas do meu sobrinho que cá ficam. Também vieram uma mesa de madeira e um estrado esses do conjunto de móveis que meus pais compraram quando casaram. A mesa também branquinha fica na cozinha e o estrado em sua forma original suportou durante pouco mais de três meses a enorme televisão da sala e tem lugar cativo na varanda. Aqui tudo que veio também se transforma pra dar um ar de novo, por mais que seja mais velho que eu. Mas, como disse, os móveis de antigamente duram muito mais.

Pelo apartamento ser maior, ou seja, depois de um upgrade de cômodos – cinco no antigo, e esse no novo é quase a quantidade de banheiros – a gente até fica perdido. Meu medo é que tendo um espaço maior minha família inssista em acumular mais coisas, mas acho que essa época já passou, ou, se não passou, está sendo encarada de outro jeito. Podem até continuar a acumular, mas creio que o trauma de mudança, de ficar quase dois meses pra esvaziar o apartamento antigo vai fazer acumular menos coisas tornando o mafuá generalizado em pequenos nichos desordenados.

Aqui são três quartos, sendo um suíte, um banheiro completo, uma sala boa, varanda, cozinha e área separadas apenas por um vidro que foi colocado justamente pra fazer essa divisão além do quarto de empregada, que aqui foi transformado em escritório, o lugar do computador, com a um aparelho de telefone fixo do lado – olha o nicho desorganizado – com direito a banheirinho de empregada também.

O tamanho desse quarto de empregada mal caberia uma cama. E como as empregadas não dormem no serviço, pra que mais um quarto? O único trabalho que elas vão ter é o de limpar um apartamento maior. O banheirinho minha mãe já inutilizou e fez de depósito de material de limpeza e etc. Tascou pratileira nele todo, ou seja, por mais que tenha tirado o chuveiro e botado ducha, ainda há acesso ao banheiro, pia e privada, mas esse banheiro é só pra casos extremíssimos. Até por que eu me esqueci de mencionar o pequeno lavabo que é a primeira área a que se tem acesso quando se entra no apartamento, apesar de ver de cara a cozinha – o lavabo fica a esquerda logo que se abre a porta e a cozinha fica bem na frente. Apenas duas (a dois e a cinco) das seis colunas desse edifício aqui tem porta de entrada pela cozinha também. Nossa coluna não é nenhuma dessas duas. O apartamento é tão grande e a gente ainda ta se adaptando a ele que nem deu tempo de falar sobre a dispensa com o freezer, a geladeira nova...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

QUINQUILHARIAS

Em francês, a palavra quincaillerie (pronuncia-se kãkairrí) significa loja de ferragens. No meu vocabulário a palavra que mais se assemelha a essa é quinquilharia. Na minha concepção de apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo da região metropolitana do Rio, quinquilharia tem o mesmo significado de troço, bagulho, de coisas que não tem mais utilidade e só ocupam espaços.

Quinquilharia era o que mais tinha no apartamento antigo. No processo de mudança boa parte da quinquilharia foi jogada fora. No entanto boa parte continua sendo uma parte. A outra veio pra cá, pro apartamento novo e durante um bom tempo ficaram encaixotadas e acomodadas principalmente na varanda por dois motivos. Primeiro pelo fato de todos os móveis não terem chegado ao mesmo tempo, ou seja, parte do armário da cozinha, o armário do quarto dos meus pais e a estante da sala custaram para ficar prontas e, portanto, ainda não tinha lugar pra acomodar as quinquilharias encaixotadas e segundo pela falta de coragem de praticar o desapego e jogar as coisas que não servem mais, não presta, não tem função nem utilidade fora.

Eu por exemplo trouxe o essencial pra minha sobrevivência e ainda tenho vontade de jogar algumas coisas mais fora. É por que simplesmente não deixam. Mas também, por enquanto não está tirando espaço, lugar, de outras coisas. Eu escolhi um armário grande pra que tudo seja guardado lá dentro. Me assustei com o tamanho dele. Tres divisórias. Até pensei em trocar com o meu irmão que é de duas portas e tem que dividir com o meu sobrinho, mas conforme eu ia botando as coisas dentro vi que era o tamanho ideal. Nem mais, nem menos. Ainda tem algum espaço que não pretendo ocupar. Além disso, minha cama é de casal e do tipo box, ou seja, é mais espaço pra guardar as quinquilharias que por ventura não forem descartadas. Lá já estão os livros que não me desfiz ainda. Só as coleções. O resto foi pra vala comum.

Jogar fora, descartar são palavras que tem que fazer parte de todos os vocabulários, não só nas coisas materiais como sentimentais também. Não deu certo, não tem chance de se acertar, parte pra outra. O undo seria muito menos sofrido se fosse fácil assim. Sei que não é pra grande maioria das pessoas. Eu cheguei a um estágio que nenhum objeto material representa a sensação e a emoção pela qual passei em determinado período da vida. Por muito tempo ia acumulando tudo, até o dia que eu abri o armário e não dava mais pra acumular nada. A partir de então passei a acumular o que era essencial pra mim, ainda assim era muito, mas já foi um grande avanço.

É público, notório e sabido que as coisas mais antigas têm uma durabilidade maior. Quem é que ainda não se desfez do baú da bisavó ou da cadeira de balanço do vovô. E pra constatar isso é só ir pra Roma e ver aquelas construções como o Coliseu que, mesmo em ruínas, ainda estão de pé e acumulam ali séculos de histórias, de eras e gerações.

Aliás, acumular é praxe da minha família, salvo um ou outro que já adota o ‘jogar fora’ como parte do vocabulário. Por isso que tinha tanta quinquilharia lá no outro apartamento, coisas que estavam intocáveis há trinta e seis anos – tempo de habitação daquele imóvel – e que mesmo traziadas pra cá podem continuar a ser intocáveis. Pra mim é casa nova, tudo novo. Tanto que de móveis, pro meu quarto não veio nada. Coisas e roupas tiveram que vir. Também não dá pra renovar tudo de uma vez só. E mesmo assim ainda tenho que fazer uma revisão pra ver se não tem coisas e roupas demais. Eu digo o seguinte quando tenho dúvida se tenho ou não que jogar alguma coisa fora. É só fazer três perguntas: Tem função? Tem utilidade? Está servindo pra alguma coisa? Se a resposta for não pra qualquer uma dessas três pode descartar.