segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

BACK TO THE FUTURE

Diz o velho ditado que um bom filho a casa torna. É o que eu vou fazer semana que vem. Se bem que pra quem tá lendo, isso eu fiz há alguns meses atrás. É estranho ficar falando de uma coisa que está pra acontecer em uma semana comigo, mas só expor bem depois que aconteceu. Mas enfim, as expectativas não vão mudar e o foco hoje está sobre elas. E vou dizer o que estou sentindo no momento em que escrevo essas palavras.

Depois de exatos dois anos e dez dias eu estou voltando pra cidade que escolhi passar uma temporada da minha vida. Vou passar vinte e cinco dias em Londres e as expectativas são grandes, e por incrível que pareça, diferentes. Quando a gente mora numa grande cidade até por conta da correria do dia-a-dia, éraro a gente parar praperceber as belezas e o que ela nos proporciona. Por exemplo, aqui no Rio não é sempre que eu subo no Corcovado ou no Pão de Açúcar, apesar de vê-los de longe, praticamente todos os dias. Lá em Londres eu fiz passeios turísticos também, mas não era sempre. Visitei alguns museus, andei na London Eye, fui ao observatório de Greenwich onde passa a linha divisória imaginária entre outras pequenas coisas que quando tinha brecha no tempo podia fazer.

Dessa vez não vou ficar sete meses lá, mas quase sete vezes quatro dias. Acho que é tempo suficiente pra rever meus amigos, trabalhar uns dez dias e possivelmente fazer algo novo pra mim, como ir a algumas cidades que não fui. De qualque modo, novo vai ser. Dessa vez não estou indo com a mesma proposta daquela vez. E outra, meus amigos também não estão lá com a mesma proposta de dois anos atrás. Sinto que será tudo diferente. A mesma cidade, mas novos ares, novos contatos, nova atmosfera.

Estou procurando fazer esse tipo de aventura, renovar os ares londrinos pelo menos uma vez por ano. Quero também aproveitar pra fazer uma espécie de resgate, como rever a casa em que morei, ou seja, reavivar as boas lembranças que passei lá. Poucos foram os que ficaram e vou atrás desses, além de firmar novas amizades possíveis. Preciso disso, preciso ver pra crer, preciso sentir a atmosfera de agora, dois anos depois. Talvez possa ser que eu caia na real e finalize o encanto que Londres causou sobre mim. Nem tanto a cidade em si, mas mais pelas pessoas que me rodearam enquanto eu fiquei por lá e é exatamente por isso que eu já estou saindo daqui com outras expectativas, afinal muita coisa muda em dois anos. Inclusive eu. Claro que lembranças e histórias virão a tona e outras estarão prestes a serem escritas e memoradas. E se dois anos atrás a cidade me abriu alguma possibilidade, quero ver qual será dessa vez. Não digo que a expectativa é grande, mas a ansiedade é maior.

Confesso que a única coisa que me preocupa é o caminho entre a saída da porta do avião e a entrada oficial no país com o carimbo no passaporte. Por mais que eu não esteja fazendo nada de errado a gente nunca sabe o que se passa na cabeça de um agente de imigração. Nos Estados Unidos nunca tive problema, mas sempre entrei como turista. Lá entrei como estudante e quando fui como turista não precisei mostrar o passaporte por que estava vindo da Irlanda. Sinceramente, não tem nada de errado pra que eu seja barrado, mas nunca se sabe qual o critério que eles adotam e usam no controle de entrada do Reino Unido. A única preocupação é essa, mas eu tenho quase certeza que isso não vai passar de apenas uma preocupação.

A partir da próxima postagem tentarei descrever aqui, todas as sensações, emoções, aventuras que esses vinte cinco dias de ares londrinos vão me proporcionar. Mas agora é melhor que eu volte pra minha linha de espaço-tempo. Vou voltar pro mês de outubro e começar a arrumar as malas pra viajar de volta pro meu passado, presente ou futuro. Nem sei mais onde estou. Só sei quem ainda sou e, principalmente sei pra onde vou.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

ROCK IN RIO

Entre 23 e 25 e 29 de setembro e 2 de outubro do ano passado aconteceu a quarta edição do Rock in Rio no seu lugar de origem, ou seja, a cidade do Rio de Janeiro. Por ter se tornado uma marca, algumas edições aconteceram na Europa, o que estranhamente foi chamado de Rock in Rio Madri ou Lisboa. Vinte e seis anos depois da primeira edição, vinte após a segunda e dez passado a terceira, o Rock in Rio evoluiu assim como as tendências musicais e suas diversificações. Como se tornou marca, Rock in Rio não pode mudar de nome, mesmo que não se atenha apenas ao rock como estilo musical predominante, como tem sido feito mais enfaticamente desde sua última edição carioca e nas cidades em que ele é montado fora do Rio. Em compensação, o rock é o mote predominante de no mínimo dois dias do festival.

Nem se compara essa edição com a primeira há vinte e seis anos atrás. Infra-estrutura e tecnologia avançaram bastante e por mais que o primeiro seja memorável por ser o primeiro, para a época, dentro de todo um contexto sócio-economico e político que o Brasil atravessava, teve o seu valor mesmo com todos os contras que um primeiro grande festival de música pudesse provocar. Ninguém vai esquecer de Freddie Mercury regendo o coral cantando Love of my life ou de James Taylor espantado com o número de ‘amigos’ que ganhou cantando um trecho da sua música que dizia ‘You’ve got a friend’ e nem da cantora alemã Nina Haggen. Essa todo mundo já esqueceu, mas eu me lembro bem. Um terreno em Jacarepaguá (na época a Barra da Tijuca não havia chegado até lá) foi o palco desse melting pot e quem abriu oficialemente o primeiro festival foi Ney Matogrosso. Na época os artistas nacionais eram preteridos pelos estrangeiros no que concerne a atendimendo e exigências, mas valeu a pena como experiência.

O palco do segundo festival seis anos depois foi o estádio do Maracanã que lotou pra novamente fazer com que todos fossem ‘numa direção, uma só voz, uma canção’ durante os dias de festa. Dentre os vários acontecimentos, a rejeição sofrida por Lobão pelo fato dele ter levado a bateria da Mangueira numa noite mais rock e a descida do Serguei cantando Summertime no meio da multidão foram marcantes também.

Diz o ditado que um bom filho a casa torna e a terceira edição do festival aconteceu no mesmo terreno onde o primeiro havia acontecido (agora não se sabia o que era Barra e o que era Jacarepagua). A estrutura já havia sido modificada. Não apenas um palco, mas vários nichos já compunham a cidade do Rock. Sim, o título cidade do Rock surgiu com muita força dessa vez. Além do palco mundo havia a tenda Brasil e a tenda eletro, onde dj’s comandavam as carrapetas de batida eletrônica. Nesse eu fui. No último dia. E tive que dividir a área com mais duzentos e cinqüenta mil pessoas.

Já pra essa quarta edição esse número abusivo foi reduzido pra cem mil pessoas por dia. A área fica bem perto de onde aconteceram a primeira e a terceira edição, de modo que a cidade do Rock foi erguida num terreno praticamente em frente ao já citado e com uma infra-estrutura melhor ainda. Um parque de diversões com montanha russa, roda gigante e tirolesa, uma rua cenográfica imitando Nova Orleans onde rolava jam sessions, uma área especial pra quem curte música eletrônica e o Palco Sunset, onde aconteceram encontros inusitados como Emecida, Cidade Negra e Martinho da Vila comungando do mesmo espaço e misturando rap, raggae e samba dividindo com o Palco Mundo por onde passaram grandes astros e estrelas como Elton John, Stevie Wonder, Red Hot Chilli Peppers, Guns and Roses, Katy Perry, Ivete Sangalo entre vários outros. Eram cinco shows por noite só nesse palco que volta a ser palco principal da quinta edição já confirmada pra ano que vem, em 2013, provavelmente também pelo mês de setembro. Pois que venham mais edições e com elas mais melhorias.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

AMIGO DE FÉ

É fato que minha vida se divide entre antes e depois de Londres. Sempre aconselho a quem quer que me pergunte que vale a pena passar uma temporada fora caso haja oportunidade. É bom você passar por esse tipo de experiência de se jogar no mundo e arcar com todas as conseqüências e experiências, boas ou ruins, de modo que no final quem sai ganhando é você. Conhecer pessoas de todos aos tipos, gêneros, idiomas e cultura diferentes é edificante e abre e/ou muda completamente a visão de mundo que você tem.

Na minha experiência particular em ter passado dez meses na Europa eu aprendi muito. Imergi em vários países diferentes absorvendo um pouco do modus operandis de cada um deles. Durante as rápidas passagens por diversos países em quase três meses de tour não deu pra fazer muitas amizades por conta da alta rotatividade, não só dos albergues em que eu ficava como do meu tempo curto de não mais que seis dias neles.

Em compensação, em Londres, cidade que eu escolhi pra ficar uma temporada maior, de sete meses, não faltou oportunidades de fazer amigos. Assim como nos albergues, a casa em que eu morei, também tinha essa alta rotatividade. Claro que as temporadas que as pessoas passavam lá não eram de seis dias, mas era tempo suficiente pra que construíssemos verdadeiras amizades e fossemos confidentes dos nossos co-habitantes.

Guardo todos eles com carinho e procuro manter contato com o maior número possível. Confesso que o feedback é bom e sempre sabemos eu deles e eles de mim. Não frequentemente. Geralmente leva semanas e até meses pra que um contato seja estabelecido, mas o bom é que é estabelecido não importando o tempo que leve. Todos esses meus amigos que conviveram comigo em Londres, sabem que eu tenho uma afinidade maior com uma pessoa. Todas têm o seu valor, mas temos afinidades maiores com algumas pessoas.

Eu me apeguei a uma, por quem eu tenho um carinho mais do que especial e até hoje, mais de três anos depois de nos conhecermos e da distância estar nos afastando geograficamente, me sinto espiritualmente (não sei se essa é a palavra certa) ligado a ela, de modo que eu não me vejo mais vivendo sem ela, não tomo grandes decisões sem ouvir os conselhos dela, continuo reportando os passos que dou na vida a ela. Essa pessoa é muito mais que um amigo, é praticamente meu irmão. Um irmão que adotei e que, queira ele ou não, vou continuar a tratar ele como um irmão pro resto da minha vida. Faça o que fizer, esteja onde estiver e com quem estiver ele nunca vai estar desamparado por que sabe que dentro de mim ele tem uma cadeira cativa e de destaque. Dificuldade todos passam, problemas todos têm, mas amigo igual e esse meu é muito raro de encontrar perambulando pelo globo terrestre. Sou mesmo um privilegiado.

Tem uma música que nada mais é que uma declaração de amor e eu choro pensando nele toda vez que a escuto. Você meu amigo de fé, meu irmão camarada / Amigo de tantos caminhos e tantas jornadas / Cabeça de homem, mas um coração de menino / Aquele que está em meu lado em qualquer caminhada / Me lembro de todas as lutas, meu bom companheiro / Você tantas vezes provou que é um grande guerreiro / O seu coração é uma casa de portas abertas / Amigo você é o mais certo das horas incertas / As vezes em certos momentos difíceis da vida / Em que precisamos de alguém pra ajudar na saída / A sua palavra de força, de fé e de carinho / Me dá a certeza de que eu nunca estive sozinho / Você meu amigo de fé, meu irmão camarada / Sorriso e abraço festivo da minha chegada / Você que me diz a verdade com as frases abertas / Amigo você é o mais certo das horas incertas / Não preciso nem dizer / Tudo isso que eu lhe digo / Mas é muito bom saber / Que você é meu (que eu tenho um grande) amigo.