segunda-feira, 26 de março de 2012

AVENTURAS LONDRINAS 2 (4)

O plantão é das seis da tarde as nove da manhã, no entanto tendo liberdade de dormir no local, num quarto vago, a partir das onze da noite pra, caso chegue hóspede de madrugada, ou aconteça algum problema durante a noite.

Arrumei minhas coisas, separei algumas roupas pra levar pro outro hotel, pois dividiríamos o quarto e assim tentaríamos cumprir com o nosso acordo de passar o máximo de tempo possível juntos e já tínhamos compromisso para o dia seguinte. Eu cheguei e ele já estava na recepção com o chip pra ser utilizado no meu telefone, o qual ali na hora eu havia suposto ter deixado dentro da mochila no outro hotel. De qualquer modo botei quinze libras de crédito e tive o direito de falar por quatrocentos minutos durante um mês. Claro que eu não utilizei essa quantidade enorme de minutos. Não gastei nem cem, mas pelo menos tinha meu próprio número. Até tinha a possibilidade de mudar de número e resgatar o meu número antigo, mas podia demorar mais tempo pra fazer a transferência e seria só por alguns dias. Resolvi ficar com aquele número mesmo.

Quem estava lá com o Airton e foi dividir também o quarto com agente foi outro amigo dele, um dos melhores que ele tem lá em Londres e que ele conheceu nesse hiato de dois anos em que estivemos afastados fisicamente. O Pawel é um polonês dos mais malucos que eu já conheci. Polonês maluco não é raro, mas como ele não existe. Altamente engraçado, ele só fazia piadas e dizia coisas divertidas. Um amor de pessoa. Apesar de no nosso primeiro contato mesmo ele ter ficado um pouco mais conciso, conforme os minutos iam passando ele ia se soltando mais. Pawel foi se tornando um grande amigo meu também.

Apesar de estar trabalhando, depois das onze da noite teoricamente ele teria que estar dormindo. Teoricamente. Por que na pratica ele nos levou a um pub bem perto do hotel. Local pequeno, barulhento como todo pub que se preze, mas agradável. É um pub austríaco de nome Tiroler Hut e passado de geração em geração de modo que é uma família que cuida dele, o pai fica na porta, a mãe na cozinha, as filhas no balcão e talvez sejam os primos ou amigos que fazem também as vias de garçon.

Não podíamos ficar muito tempo por lá, afinal o Airton estava em horário de trabalho e em mais oumenos uma hora estávamos voltando pro hotel pra enfim descansarmos e aproveitarmos meu primeiro fim de semana livre em Londres, sem compromissos, digamos, profissionais.

Acordamos e pouco antes das nove, hora em que já estávamos prontos pra curtir o sábado de sol e calor. Sim, apesar de já ter entrado no outono, o calorzinho do verão ainda pairava no ar. Eu botei uma bermuda, coisa que raramente eu fazia lá na época em que eu morei lá. Camisa normal, de manga e um colete de capuz que depois de um tempo, com o calorzinho do clima adicionado ao calor do meu corpo, eu tirei. Meu corpo esquentou pelo fato de andarmos de bicicleta. O Airton foi com a dele e como ele paga a anuidade das bicicletas públicas, eu peguei uma pra mim e o Pawel pegou a dele. Minha sacola de roupas foi comigo. O primeiro trecho foi do hotel pra casa do Airton em Nothing Hill. Lá ele tomou um banho, se arrumou e fomos tomar café da manha num pequeno restaurante que fica na rua dele. Pra quem viu o filme “Um lugar chamado Nothing Hill” ele por enquanto tá morando na rua da livraria que foi o principal cenário do filme, apenas uma esquina a frente. O restaurante no qual tomamos um café ficava bem em frente a essa livraria.

Eu e o Airton pedimos o mesmo prato e o Pawel escolheu um outro lá. O café da manhã tradicional deles é realmente um refeição. O meu, por exemplo tinha, batatas, cogumelos e até Salmão. Pra acompanhar, o bom e velho suco de laranja.

segunda-feira, 19 de março de 2012

AVENTURAS LONDRINAS 2 (3)

Mesmo com o mapa que tinha na mão me indicando como sair da estação de Paddington e chegar até o hotel eu me perdi. Saí pela saida certa, até andei um pouco pela rua certa, mas virei na rua que não era pra virar. Eu sabia que estava perto e que estava na direção certa, mas não consegui me acertar com o mapa. Estava numa rua paralela a que eu queria ir. Fui cruzando as outras ruas até que me achei. Ao invés de chegar pelo lado indicado, cheguei pelo outro.

Era um pouco mais de quatro horas da tarde. Eu chegui em frente ao portão, meu cachorro me sorriu latindo. Não, não foi bem assim como diz a música do Roberto e Erasmo. Substitui o portão pela porta do hotel e o cachorro pelo Airton que se aproxima mais da minha realidade. Nos demos um longo abraço interrompido pela passagem do chefe dele e de uma piadinha que ele soltou quando viu a cena. Após um curto papo de boas vindas o Airton me disse pra que eu subisse pra não dar mais motivos a piadinhas e comentários dos chefes e supervisores dele e que assim que ele acabasse a hora do trabalho dele ele iria subir no quarto pra gente conversar um pouco melhor. Me deu a chave do quarto 17, no terceiro andar, ou seja, teria que subir alguns lances de escada. Pra sorte minha só carregava uma mala e a mochila.

Me acomodei, abri a mala e a mochila, tirei algumas coisas como material de banheiro, casaco, coisas miúdas e esperei o Airton subir lá. Nós conversamos por mais alguns minutos. Por ser uma quinta-feira e ele ter um comprimisso com uma turma com a qual ele tinha feito um workshop nas quintas anteriores eu resolvi tirar esse tempo pra descansar. Aliás, acho que aquele era o último dia do workshop e depois eles iriam sair pra um pub. Combinamos de que a hora que ele saísse iria me dizer onde ele estaria pra que eu encontrasse com ele no tal pub.

Saimos juntos. Ele pro compromisso dele e eu pra algum lugar onde eu pudesse comprar algo para comer e beber. Na própria estação de Paddington tinham vários establecimentos comerciais, entre eles dois dos mercados mais conhecidos de Londres na sua forma compacta, local. Não o hipermercado. Foi lá que eu me abasteci de, como se diz em Portugal, combustível por certos instantes. Suco de laranja e leite foram imprenscindíveis na sacola do mercado, além de algumas comidas e snacks pra qualquer hora.

Voltei pro hotel, comi, tomei um banho liguei a TV e caí na cama. Durmi mesmo. Não eram oito da noite e eu já estava dormindo. Cansado da viagem, tentando acertar o jet leg, tudo isso me fez ficarem casa. O Airton me ligou por volta das dez da noite, mas eu não fui encontrar com ele. Ele me disse que não ia demorar muito pois tinha que trabalhar no dia seguinte. Eu acabara de chegar e, a princípio o telefone que eu usei foi o que ele havia me emprestado. O celular de emergência do próprio hotel que nem que eu quisesse faria ligações praouto número, a nãoser se fosse a cobrar. Mas eu disse que só iria atender as ligações dele e/ou faria o esquema do dar um toque pra ele me retornar . Havia levado meu celular também, mas ainda tinha que comprar um chip pra botar nele e isso eu faria no dia seguinte.

Perdi o sono por volta das quatro e meia da manhã. Liguei o computador, conectei a internet e fiquei aceso até umas sete da manhã. Voltei a dormir e acordei por volta onze da manhã. Tomei outro banho e novamente fiquei no computador até uma da tarde. Saí pra almoçar com o Airton num restaurantezinho tailandês próximo ao hotel. Passei em frente a ele quando estava perdido. Durante esse almoço combinamos o que faríamos na noite daquela sexta. O Airton às sextas feiras dá plantão no outro hotel da “cadeia”, duas ruas paralelas da do hotel que ele trabalha diariamente entre nove da manhã e seis da tarde.

segunda-feira, 12 de março de 2012

AVENTURAS LONDRINAS 2 (2)

Algum tempo depois, não me lembro quanto, despertei e, como não tinha o que fazer, fui assistir a outro filme chamado “Hangover 2”, cujo título em português é “Se beber não case 2”. Foi o tempo exato para que servissem o café da manhã e começasse a preparação para o pouso no aeroporto de Heatrow. A partir daí minha maior procupação aumentava. A passagem pela imigração. O terror de qualquer não europeu que quer entrar em Londres.

Claro que eu tava munido de toda documentação necessária e desnecessária pra, caso acontecesse um interrogatório mais profundo eu tivesse base fundamentada e documentadade argumentação que os convenceria de que eu não estava indo pra ficar de vez e me tornar ilegal e clandestino lá. Desde a aplicação do meu visto de estudante, até as passagens e reservas de albergues que fiquei durante o meu tour pela Europa estava tudo lá pra que nenhuma dúvida parasse na cabeça deles.

Mesmo assim, dias antes o Airton havia me mandado um voucher do hotel que ele trabalhava confirmando minha reserva pelos vinte e cinco dias em que eu estaria lá. A idéia inicial era de que eu ficasse entre a casa dele e a do Alê e da Carol, mas por sorte ou coincidência havia um quarto vago no hotel e foi lá que eu fiquei por vários dias. De modo que a única questão que eles me fizeram foi a de que se eu estava indo pra rever os meus amigos, por que não ficaria na casa deles. Minha resposta foi que eu não queria importuná-los, tirá-los da rotina deles.

Eles não perguntaram sobre, mas fiz questão de frizar que não era a minha primeira vez em Londres, que dois anos atrás eu estava lá pra estudar e agora voltei pra rever os amigos que um dia escreveram parte da minha história comigo. A única omissão que fiz foi a de não ter mencionado minha rápida passagem por lá depois do meu tour pela Europa, pois como havia voltado num vôo de Dublin, na Irlanda pra lá, eles não checam passaportes, é como se eu não tivesse entrado, já que não tem nenhum carimbo indicando que eu estive lá novamente. Também não queria ter o trabalho de contar uma longa história e aimentar o risco de não ser permitida a minha entrada lá de volta. Ele apenas anotou o endereço do hotel no verso do formulário que a gente preenche, carimbou meu passaporte me dando o direito de ficar por seis meses por lá e me deixou passar. Muito mais suave e muito menos nervosismo que na primeira vez que fui. Acho que já estou tirando de letra passagens pelas imigrações.

E eu preocupado com a quantidade de dinheiro que havia levado que, como da outra vez, era pouco prase entrar no país. Havia quarenta libras e noventa e cinco euros além do Visa Travel Money emprestado do meu primo e o cartão de crédito no meu bolso. Dessas quarenta libras, oito e meia seriam gastas naquela hora com o bilhete do trem que me deixaria cerca de meia hora depois na estação de Paddington. Confesso que durante a viagem de trem, que parava em cinco estações antes do destino final, meus olhos marejaram. A emoção aflorou. Afinal foram dois anos sem ver ao vivo o meu melhor amigo, mas logo me contive. Sabia que era outro momento pelo qual nós dois estávamos passando, ele lá e eu aqui.

Enquanto os cenários iam se modificando na janela do trem eu estava me dando conta de que estava mesmo em Londres. Quanto mais pra perto do centro mais igual ia ficando. Assim é Londres. Tudo igual, mas diferente. E era justamente essa diferença que eu queria encontrar nessa pequena temporada de quase um mês. Eu sabia que as pessoas que ficaram por lá estavam diferentes, apesar de serem as mesmas. E era justamente esse lado que eu queria explorar, valorizar essas diferenças e rememorar e até reviver algumas experiências pelas quais eu vivi. Essa era a minha idéia, minha intenção e de certa forma eu consegui fazer isso.

segunda-feira, 5 de março de 2012

AVENTURAS LONDRINAS 2 (1)

Não foi como daquela vez. Não teve despedidas nem choros no saguão do aeroporto. Dessa vez eu sabia que ia voltar. Da outra também, mas sem data definida e com uma grande possibilidade de ter ficado. Não deu. Em compensação, deu pra voltar dois anos e dez dias depois com outra visão, outra cabeça, outra mentalidade e outra situação. Dessa vez foi como turista. Turista na cidade em que escolhi passar uma temporada de, no total, quase oito meses. A mala, com muito menos coisas, foi uma só. Daquele tipo sacolão de viagem, além da mochila. Na quarta-feira dia doze de outubro minha mãe me deixou no aeroporto pra eu tomar novamente o meu rumo pro ponto da Europa que é o meu escolhido.

Fiz o meu check-in normalmente, na maior paz e tranqüilidade, pegando primeiro um vôo pro aeroporto de Guarulhos, em São Paulo pra de lá voar pra Londres. Londres de tantas aventuras, tantas descobertas, tantas lembranças e experiências insubstituíveis que só me fizeram crescer em vários aspectos. O único problema foi que eu não tinha levado uma tranca, um cadeado pra trancar a mala e, pela companhia aérea não ter lacre disponível, tive que sair atrás de um pra que minha mala não passasse por nenhum tipo de dano no sentido de violação. Claro que cadeado na lojinha do aeroporto custa o equivalente a cinco aqui fora. Tive que arcar com esse prejuízo. E prejuízo por prejuízo, um lanchinho como eu fiz lá com um milk shake e uma batatinha frita também não foi lá tão baratinho. Voltei pra trancar a mala e finalizar em definitivo meu check-in poucos minutos antes desse tal lanchinho e de entrar na área mais restrita do aeroporto já pra ficar na entrada do portão, do finger que leva até a porta do avião. Uma passada de olhos nas lojas super-mega-hiper caras e free shop até mesmo pra dar uma primeira pesquisada e comparada nos preços e fazer hora pra entrar no avião.

A chegada no aeroporto de São Paulo foi com fila. Uma fila enorme pra passar novamente no raio-x, coisa que obrigatóriamente, por motivos de segurança, acirrada após os atentados de onze de setembro, todos tiveram que fazer. Alguns passaram na frente por questão de preferencia ou horário de vôo. Eu só não entendi é que se eu já passei por isso aqui no Rio, por que passar novamente em São Paulo. Saindo dessa área de trânsito, caindo no saguão do aeroporto, desemboco direto na área do free shop e dei uma olhada nos produtos, principalmente no perfume que eu visava em comprar. Minha distração era ficar escutando música no meu companheiro inseparável MP3 enquanto não chegava a hora de entrar no avião. Tentei conectar a internet, já que é livre no aeroporto. Mas não é tão livre assim. Tem que ter uma conta em alguns sites e/ou portais parceiros, coisa que eu não tinha. Foi até bom pra eu não gastar tanta bateria do laptop.

Hora de entrar no avião. Depois de me acomodar na poltrona do corredor, na ponta das quatro poltronas que ficam no meio, comecei a assistir a um filme. Um que eu gostaria muito de ter visto enquanto estava em cartaz. “Meia noite em Paris” do Woddy Allen. Excelente filme. Isso tudo entre a decolagem e o início do serviço de bordo quando foi servido o jantar. Não sei se é pela companhia ser brasileira, mas achei o tempero da comida melhor, mais tragável que as companhias americanas, por exemplo. Como eu não consigo dormir em avião depois desse filme asisti a outro, dessa vez um nacional. Baseado numa peça do Juca de Oliveira, “Todo gato vira lata” é uma comédia romântica bem mela-cueca, daquelas bobinhas e que divertem.

Depois de ter comido e visto dois filmes levantei da poltrona pra esticar as pernas e ir ao banheiro e ao voltar tentei relaxar um pouco. Botei num canal de música e escutei todo o repertório selecionado enquanto descansava de olhos fechados, mas sem conseguir ferrar no sono.