segunda-feira, 25 de junho de 2012


AVENTURAS LONDRINAS 2 (17)


Mas mesmo assim algumas pessoas, principalmente as duas monitoras faziam algumas perguntas pra mim, não só sobre o que eu achava de certos pontos do testemunho como curiosidades sobre minha vida pessoal, o que é normal.

Estranhei um pouco o fato do Airton não ter falado muito. Durante esse debate, o Airton se prontificou a pegar o chá com chocolate pra distribuir para os participantes do grupo. Além do jantar ainda tinha um chá pra ser tomado. Outra coisa que me surpreendeu foi que por volta das nove e quinze as meninas deram o debate por encerrado e nos convidaram pra ir pro pub. O fato de ir pro pub, segundo o Airton me disse, é normal. Eles faziam isso não em todos os encontros, mas com freqüência. Mas encerrar o debate mais cedo que o de costume não.

O que desencadeou outra discussão e nessa o Airton participou com mais veemência. Em pauta agora estava a conduta das meninas para com o grupo. Ficamos nós todos discutindo o que deveria ser feito ou não. Realmente achei o debate ali meio superficial, parecendo mesmo que ainda faltava alguma coisa. Mas, enfim, quem tem que resolver isso são eles. Eu só estava lá de visita e até hoje não sei e nem tive curiosidade de saber que fim levou aquela discução.

Voltamos de bicicleta, eu pro hotel, se não me falhe a memória, e o Airton pra casa dele. O dia seguinte era de trabalho. O primeiro dia em que abriríamos ao público. E consequentemente, eu levava minhas mudas de roupa pracasado Alê e da Carol e por lá eu ficava. Dessa vez o combinado seria ficar até o último dia de feira, o domingo. Trabalhamos até as nove da noite. Nessa semana o Alê também trabalhava na sexta, além do fim de semana, ou seja, no dia seguinte teria companhia.

Na época do trabalho e principalmente ali junto com o Alê e a Carol era a rotina casa-trabalho, o qe não dava nem tempo nem vontade de fazer outra coisa. A não ser no sábado, mas sábado era um dia especial. Aniversário da Carol. Além do tradicional parabéns cantado na feira e do bolo servido pra todos os funcionários, depois saímos pra comemorar num outro pub perto do trabalho. Nesse eu já tinha ido. Só não sabia que a cozinha era tailandesa. Sábado a hora que a gente sai é as seis da tarde. Pela época, final de outubro, já estava começando a escurecer cedo, a partir das cinco, como no inverno daqui, mas o tempo lá tendia a piorar e escurecer cada vez mais cedo.

Meu presente pra Carol, aliás não só pra ela, mas pra ela e pro Alê também foi promover um encontro. Eles sempre me ouviram falar no Airton que por sua vez sempre me ouviu falar neles. Por incrível que pareça, mais um ineditismo. Depois de dois anos finalmente eles se conheceram. O Airton que tirou o sábado pra andar de bicicleta enquanto resolvia algumas coisas particulares, parou lá. Na verdade ele chegou a ir na feira, mas já estava fechado pra entrada de clientes, então, pra me esperar, ficou dando voltas pelo bairro e quando a gente tava saindo pra ir pra esse pub eu o avistei. Quase que não nos encontramos. Tentava falar com o telefone sem bateria dele, mas enquanto seguíamos nosso caminho eu olhava pra trás até que o vi entrando na rua e corri atrás dele. Finalmente as apresentações foram feitas e o Airton, empurrando a bicicleta, nos acompanhou até o pub, que não era muito longe dali.

Pela cozinha ser tailandeza, eu pedi um prato que chegasse ao máximo perto do que eu costumava pedir quando almoçava com o Airton no restaurante perto do hotel. Mesmo assim a comida veio com mais pimenta do que meu organismo estavaacostumado a agüentar. A do outro restaurante eu também sentia a pimenta,mas misturava no arroz ou no frango, desconcentrava ela e conseguia comer numa boa, mas essa, era de me fazer suar, de cuspir fogo.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

AVENTURAS LONDRINAS 2 (16)

Também é recomendado os apetrechos de segurança como capacete e as roupas fluorescentes, mas o que dá multa é a ausência de lus. As bicicletas que eu andava tinham a iluminação embutida, mas o Airton tinha que instalar o farolzinho dele toda vez que fosse andar a noite pra não correr o risco.

Nem eu e nem ele tínhamos jantado. Geralmente o dia em que se monta a feira é o dia em que a gente almoça sanduíche, ou seja, a fome começava a apertar. Mas lá na igreja, pela colaboração simbólica de cinco libras a janta é servida. Uma saladinha, arroz e frango, além de refrescos à vontade e frutas para sobremesa. A comida nem estava totalmente pronta quando chegamos, mas pusemos nossa contribuição para garantir. Tinha uma banda ensiando uma música. Segundo o Airton me disse, essa banda era uma das que estavam no topo da parada de sucesso das bandas do estilo gospel e estava ficando muito famosa em Londres.

É muito legal como eles conservam a estrutura e os moldes antigos das construções, modernizando seu interior. É uma mistura que cabe pelo fato de um não atingir o outro fazendo com que o antigo e o moderno vivam em harmonia e convivam pacificamente.

Assistimos ao ensaio da banda e ficamos esperando a janta ser servida. Enquanto isso as pessoas iam chegando. Não sei se fazem esse tipo de encontro aqui no Brasil ou em outro lugar do mundo, mas esse foi interessante e, como já disse, inédito pra mim. Claro que tudo era focado na doutrina da igreja católica, mas acho que eles fazem isso justamente pra arrebanhar algumas pessoas que buscam algumas repostas que pode ser que consigam encontrar lá. Não quero aqui entrar nesse mérito. Cada um busca a ajuda que quiser, seja de uma igreja, seja de um analista, enfim, como diz a música, cada um no seu quadrado. Mas o mais interessante é que mesmo as pessoas que não seguiam os preceitos da igreja católica podiam participar daquele voluntariado, de um daqueles grupos que estavam lá.

Sentamos no espaço reservado para o grupo do Airton. Cada espaço tinha cerca de umas dez cadeiras com uma forma meio quadrada, meio redonda. Fiu sendo apresentado a cada membro do grupo que chegava. Multietnico e cultural. Tinha gente do Japão, da Itália, dos Estados Unidos e da Austrália. Duas meninas eram as cabeças, as representantes do grupo. Uma devia ser só auxiliar, mas era das duas que partiam as perguntas. Eu já vou chegar nas perguntas.

Cerca de meia hora depois do jantar todos ficam de pé. O padre, ou o ministro da reunião naquela noite apresenta ao distinto público a pauta a ser discutida nas próximas horas. Aquela noite era o testemunho de uma pessoa que se drogou durante um bom tempo, ficou bastante tempo afastado da família, foi preso, mas graças a luz divina, as palavras que ele leu na bíblia e consequentemente a conversão ou o mergulho que deu na religião católica, o tiraram dessa vida e o tornaram um homem de bem. É uma história de vida como outras que a gente conhece não só por aqui, mas como em qualquer parte do mundo e pra qualquer religião. Não senti um fanatismo muito forte da parte dele durante o relato, ou seja, ele não estava ali pra converter quem o assistia, mas pra auxiliar mesmo. Não lembro direito dos detalhes que ele contou. Mas eu achei sensacional a idéia e a história de vida que ele contou.

Antes, a banda cantou e tocou um hit musical de louvor. Parecia um mega karaokê, de modo que os monitores e o telão mostravam no ritmo a letra da música e as pessoas cantavam em alto e bom som. Soltavam a voz mesmo. O sujeito lá deu a tal palestra e em seguida começou o debate interno dos grupos. Eu, como estava ali de ouvinte, fiquei retido ao máximo a esse papel.

terça-feira, 12 de junho de 2012


AVENTURAS LONDRINAS 2 (15)

Algumas poltronas geralmente localizadas no centro da sala de exibição de modo que a largura e consequentemente o vonforto é mair, mas também se paga um pouco a mais pra usufruir desse conforto todo. E como já não estávamos no nosso lugar, seria atrevimento demais sentarmos na cara de pau nesses lugares vips. O filme foi em 3D, ou seja, os óculos foram usados pra dar maior vivacidade a imagem projetada na tela. O filme é fantástico, bem feito e segue a linha reporter investigativo que dava ao Tintin o charme dos quadrinhos. A única coisa que não agradou ao Airton foi que eles fizeram um personagem muito inglês pra quem originalmente é belga da parte francesa. A volta do cinema foi outra aventura. Aliás o Airton sempre me surpreende com essas aventuras repentinas que ele inventa e que na maioria das vezes são muito boas. Dessa vez seria voltar pra casa dele andando.

Viemos caminhando por altas horas por dentro de vários bairros ate chegarmos em Nothing Hill. Lembreida música “Gente Humilde”, no trecho que fala que ‘são casas simples com cadeiras na calçada’. Mas lembrei da música pelo fato de não ter nada a ver. De simples não tem nada. Não pro nosso estilo. Pode até ser simples pro estilo dos londrinos, mas a região em que se encontram, dentro da ‘garrafa’, como a gente chama, na zona um, não significam que sejam fáceis de alugar ou comprar. Quanto mais central, mais caro fica o valor. A saber: a ‘garrafa’ é uma área bem central de Londres cujas linhas de metrô, na visualização do mapa, é exatamente o desenho de uma.

Viemos caminhando e conversando. Eu adoro conversar com o Airton. Somos bastante parecidos. Acho que temos uns noventa porcento de compatiblidade nos gostos, e em que não combinamos, apesar de respeitar muito, é bem diferente mesmo. Uma diferença eu já disse aqui anteriormente no fato de fazer compras. Conversamos sobre as casas,os estilos, a decoração que ele quer ter na casa dele, as possibilidades de voltar a morar ali naquela área morar ali, como ele já teve oportunidade de morar e inclusive me mostrou onde era a casa que ele dividia com o Danny e ficou por mais ou menos um ano lá. O bairro é legal, a maior dificuldade é que por ser bem residencial, não tem uma estação de metro perto e não passa ônibus nas ruas pelas quais gente caminhava, mas era um bairro bastante aprazível e aconchegante. A cada casa que o Airton via ele dizia que era naquea que ele queria morar. Coisas de Airton.

Agora não estou lembrado se nesse dia a gente dormiu na casa dele ou no hotel. Tenho quase certeza de que ainda foi no hotel, mas não lembro se ele dormiu lá comigo ou foi pra casa. Só sei que no dia seguinte começava a maratona da segunda semana do trabalho. E às nove e meia em ponto estava chegando lá pra ajudar a montar. O Marcelo, indicado pelo Alê pra trabalhar com eles e que eu conheci na semana anterior também estava lá. Aliás, aquela equipe que fica na quarta raramente muda. O staff que trabalha de quinta a domingo que é de alta rotatividade, mas a base é a mesma. Passamos o dia esperando as entregas e montando estrutura pros clientes que iriam começar a aparecer no dia seguinte. Serviço feito, voltei pro hotel.

Quarta-feira é o dia que o Airton tira pro voluntariado numa igreja lá perto. Mais um ineditismo se apresentava pra mim e m Londres. Frequentar uma igreja. Na verdade era freqüentar uma reunião do que se pode chamar de um grupo de jovens. A base, a conduta, a teologia que se seguia lá era a católica, mas é muito diferente do que eu estou habituado a ver por aqui.

Fomos de bicicleta do hotel até lá. Era praticmente só atravessar o Hyde Park. Ele ia na frente e eu atrás. A noite toda bicicleta é obrigada a estar com a iluminação ligada. Isso é lei. 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

AVENTURAS LONDRINAS 2 (14)

O tempo, como de hábito em Londres, estava frio, cinza e chuvoso, mas não a ponto de usar aqueles casacos grossos. Estava até fresco pros moldes londrinos. Se bem que do momento em que a gente saiu da estação até chegarmos à casa da Aline não choveu. No entanto, quando fomos embora estava chovendo. Aline ofereceu pra nos levar de carro até a estação de metrô mais perto, que foi a de Elephant and Castle, última estação da Bakerloo Line, a linha marrom que pra Danila era mais fácil, pois não teria que fazer baldeação e como estava com a Marina, ligou pro André para buscá-la na estação de Willesden Junction que era relativamente perto de onde a gente morava.

O carro estava lotado. John dirigindo e eu no banco do carona, Ana, Danila, Marina no colo e Airton no banco de trás. Foi a primeira vez que andei de carro em Londres. Pra falar a verdade a segunda. A primeira mesmo foi pra levar minha mãe e eu de casa pro aeroporto da outra vez que estive lá.  Mas assim, passando pela cidade, sem pegar uma auto-estrada foi mesmo a primeira vez.

Eu e Ana fomos para o hotel e o Airton foi pra casa. Na terça foi um outro dia de ineditismo pra mim. Almoçamos juntos. Não lembro se foi no restaurante tailandês, Café Rouge ou Ask, de comida italiana, que eram os três restaurantes que fazíamos revezamento na hora do almoço. Dei a minha tradicional volta da tarde por aqueles pontos que eu gostava e com meu iseparável MP3 e depois que o Airton largou o trabalho nosso rumo foi o shopping de Shephered’s Bush para irmos ao cinema ver um filme que tinha acabado de estreiar nos cinemas britânicos e que só chegou ao Brasil em janeiro. Nunca tinha estado num cinema em Londres.

Fomos ver “As aventuras de Tintin.” O combinado era que fossemos na sessão das nove da noite, mas lá na hora se resolveu postergar para a última sessão. Enquanto isso o Airton fez uma coisa que me irrita um pouco. Ficar badalando no shopping, escolhendo e comprando roupas. Particularmente acho perda de tempo ficar fazendo isso, não gosto, me irrita. Não gosto de zanzar em shoppings. Só vou quando tenho algo pra consumir lá, seja, um cinema ou um disco ou dificilmente, mas também, uma roupa. E o Airton gosta de entrar nas lojas, ver, comparar, provar, perguntar qual é o melhor e mesmo que eu fale que é um ele pode ficar com o outro.

Horas e horas em lojas. E olha que tanto eu quanto ele tínhamos que trabalhar no dia seguinte. Mas teve uma que me tirou do sério. E não era nem uma das lojas que ele passava horas até pelo fato dessa os preços estarem bem acima da nossa arcada, do nosso padrão e orçamento de gastos. Eu, vendo o preço dos relógios numa das mais caras lojas do shopping quando dos auto-falantes dela me soa um funk carioca daqueles brabos mesmo. Em plena loja da Armani Exchange. A partir dali meu conceito com essa marca caiu muito. Tá certo, eles não entendem bulhufas do que tá sendo dito na letra só se atinam para o ritmo. Mas mesmo assim uma loja da estirpe da Armani tocando a mais bagaceira das letras do cancioneiro popularesco brasileiro – põe popularesco nisso – é de embrulhar o estomago. Nem se eu tivesse a grana pra comprar o relógio que eu tinha visto na vitrine eu iria fazê-lo. Tem tantas outras formas de se expressar musicalmente o Brasil, porque eles fizeram aquilo?

Enfim, entramos no cinema. Diferentemente daqui, as salas de cinema desses grandes complexos parecem de teatro. Não pela sua disposição, mas pela numeração. É assento marcado. A gente chegou a sentar nos nosso lugares, mas logo depois ele foi lá na entrada perguntar se não poderia mudar de lugar. Por ser a última sessão, a sala estava vazia. Poderíamos sim trocar de lugar desdeque não tivessedono. E como iríamos saber? Era só o dono chegar, mas isso não ocorreu e ficamos por lá mesmo. Tinha também uma chamada área vip.