terça-feira, 24 de julho de 2012


AVENTURAS LONDRINAS 2 (21)

Conversei um pouco com eles e tirei fotos. A casa tinha sido reformada a recém. Não subi a escadaria, mas o piso do banheiro e da cozinha foram trocados, o carpete foi retirado na sala e no quarto do andar de baixo e os eletrodomésticos da cozinha, salvo as geladeiras, foram todos trocados. Não sei se farei isso da próxima vez que for a Londres, mas precisava fazer dessa. Como diz a música, “momentos são iguais aqueles em que eu te amei.” Claro que o que eu amei não foi a casa em si, mas os momentos que em que eu vivi nela e esses, como a casa mesmo que reformada, ficarão de pé eternamente na minha lembrança.

Saindo de lá ainda fui dar uma passada na casa do Ale e da Carol. Dessa vez não pra ficar, mas pra visitar. Talvez a última visita, já que eu estaria partindo de volta em poucos dias. Como eu cheguei cedo, ou melhor, o horário ainda era o de expediente e eles não estavam em casa, aproveitie pra dar uma volta e tirar algumas fotos de Candem Town, o bairro mais alternativo e underground que conheço de Londres. O ruim foi que mesmo sendo a tarde, já estava escuro. E percebia-se de verdade que era outono, já que nos parques e ruas aquele tapete de folhas secas cobriam o chão. Prenuncio do longo e tenebroso inverno. Longo não pela quantidade de meses, mas pela ausência natural da luz do sol que, quando sai, dura pouco.  O tempo estava se encaminhando praquilo. Eu não ia pegar esse tempo.

Mas, enfim, voltando a Candem, fui em algumas lojas perguntando se eles tinham um óleo de patchouli (acho que é assim que se escreve) que um amigo meu costumava usar por ser famoso e bem difundido na cena alternativa do final da década de sessenta extendendo pra década de setenta. Não tinha o óleo, apenas o incenso. Fiquei rodando a área até fazer hora pra chegar na casa do Alê e da Carol.

Morta poucos meses antes dessa minha incursão de volta pra Londres, a cantora Amy Winehouse norava no mesmo bairro. Pelo que o Alê havia me explicado uma vez, era perto da casa deles. Só com essas indicações, fui andando até localizar a casa dela. Não cheguei a ir na porta, mas fui até o início da rua. Começou a chover, ou melhor, aumentou o volume da chuva. Liguei pra eles e já estavam em casa. Fui lá, bati um papo com eles, a Carol fez um jantar pra gente e fiquei ali até o Airton sair da igreja e ir pra casa. Também ia pra casa dele, já que eu estava desabrigado do hotel.

O Alê me perguntou se, caso ele não repassasse até o dia de eu vir embora, não poderia trazer na mala pra ele um paraquedas. Como a mala não estava cheia e não iria passar do peso, não ia me custar nada. Ainda ficamos de nos encontrar, mas a Carol era bem provável que aquele seria nosso último encontro. Me despedi deles e voltei pra casa. O Airton já havia chegado. Eu ainda fui tomar banho pra poder dormir. Lógico que antes de dormir a gente ainda conversou e chegou a ver alguma coisa, algum filme na internet mas, como sempre, a gente dormia antes de terminar o que estivesse passando.

Na quinta feira eu acordei e fiz o que ainda faltava fazer. Fui andando até a Tower Bridge. Foi uma caminhada longa, umas duas horas de caminhada. Fazia tudo andando. Era raro eu pegar o metrô, mas naqueledia eu tive que pegar pra voltar. Eu queria voltar andando pela outra margem do rio, já que a caminhada de ida eu fui por southwalk, o lado que fica a London Eye, a roda gigante. E dali até a Tower Bridge é uma boa caminhada. Tem um filme, senão me engano é Robin Hood com o Russel Crowe, que tem uma cena em que aparece essa ponte sendo construída. O castelo que tem do lado da ponte é mais antigo ainda porque no filme se passa uma cena lá. Enquanto eu caminhava,volta e meia o Airton me ligava. Estavamos combinando de nos encontrar com a Emma, uma francesa que morou na mesma casa que a gente. 

segunda-feira, 23 de julho de 2012


AVENTURAS LONDRINAS 2 (20)

Então fomos até um café do parque mesmo para que elwes comessem alguma coisa. Eu só os acompanhei. O sol tava baixando, o dia tava bonito e gostoso, apesar da temperatura ter caído um pouco. Dali mesmo assistimos ao pôr do sol por volta das cinco da tarde. O Pawel tinha que ir embora, já que ele trabalha num hotel durante a madrugada.

Outro filme que foi lançado aqui no Brasil no fim de janeiro, “Histórias Cruzados” (The Help, em inglês) estava sendo muito bem falado, comentado pela crítica e como o super iphone do Airton fazia tudo, ele checou o horário e o cinema. A gente até cogitou de passar em casa antes, mas decidimos ir direto pro cinema, que ficava bem em frente a Portobelo Road, logo, perto da casa dele. Ao contrário do cinema do shopping, esse era um cinema de bairro, como os que estão sumindo aqui no Brasil, pelo menos aqui no Rio. Não tinha lugar marcado. Era o esquema chegou, sentou. Tal como os vôos de avião de baixo custo. Achei o cinema cheio pro dia e horário, mas parece que lá os dias de promoção são às terças-feiras, ou seja, era pra ficar cheio mesmo, principalmente pelo ingresso ser barato. Era mais ou menos o preço de um sanduiche do Mc Donalds.

O filme é muito bom. Quem ainda não viu, vale a pena ver. Em um certo momento eu estava chorando por conta de uma cena forte, chocante. Olhei pro lado e o mesmo estava acontecendo com o Airton. É um filme tocante, que retrata a realidade vivida principalmente pelo sul dos Estados Unidos na década de sessenta, onde o racismo e o preconceito imperavam. Voltamos pra casa inclusive debatendo sobre o assunto do filme.

O dia seguinte era uma quarta-feira. Meu cartão de transporte não mais validava para ser usado na semana. Por duas semanas eu o utilizei pra semana cheia, mas a partir de então eu carregava no tipo ‘pay as you go’, ou seja, carregava só quando utilizava. Esse dia eu tirei pra fazer uma loucura que eu me propunha desde quando pisei dessa vez em Londres. Primeiro que eu não estava achando o chocolate  costumava comer. Na verdade eram dois. Um eu achava em qualquer lugar, e agora na versão meio amargo, o Kit Kat era comprado a toda hora. O outro, produzido pelo próprio mercado Sainsbury’s eu não encontrava nos mini mercados e, que eu me lembre, o supermercado dessa rede que eu costumava fazer compras na temporada que eu fiquei morando lá, tinha certeza que teria. Então aproveitei pra matar dois coelhos numa cajadada só.

Peguei o metrô, saltei na estação de Willesden Green, bairro que eu morava, andei até a Osborne Road e finalmente cheguei na que eu considro a minha rua em Londres pra visitar e rememorar lembranças vividas naquela casa. Começei a fotografar as casas, não só a minha, mas a que eu fiquei com a minha mãe nos meus últimos quinze dias que não foi a mesma, mas bem perto, e outra que passei bons momentos, bons jantares e bons churrascos com minha amiga Aline. Mas claro que com a minha eu tive um carinho maior. A trinta e oito é especial e parte da minha história está lá. Acho que não só pra mim, mas pra todos que passaram uma temporada lá, pelo menos enquanto euestava lá. Vi que tinha uma movimentação, mas antes, pra tomar mais coragem, fui no mercado atrás do chocolate.

O Polar é um chocolate abiscoitado cujo recheio é de menta. Tinha recheios também de laranja e de chocolate. Nunca provei esses dois. Comprei logo três pacotes com nove barras cada. Voltei lá. Não hesitei. Cheguei perto da janela, vi que eram brasileiros e bati a porta. Me apresentei e disse que era um ex morador que só queria entrar pra ver como estava a casa. Eles deixaram. Se foi loucura bater a porta, mais loucura foi eles terem me deixado entrar. 

terça-feira, 10 de julho de 2012

AVENTURAS LONDRINAS 2 (19)

Inicialmente eu combinei com o Airton de esperar ele se arrumar pra gente pegar o trem e irmos juntos, mas, como sempre ele ia se atrasar ele próprio deu a idéia de ir com a Ana. Liguei pra ela e combinamos tal hora na estação de Bayswater. Lá fomos nós. É um pouco longe da zona central de Londres. Não lembro se era zona três ou quatro, mas era distante e somente o metro da linha verde que ia praquele destino (visto que a linha verde, também conhecida como District Line tem várias estações terminais  e não podíamos pegar o trem errado mesmo que na linha certa).

Chegamos lá e o Danny, inglês e pontual, mesmo com os eventuais atrasos que o metrô poderia ter dado, estava ao telefone falando com uma amiga dele da Califórnia, possivelmente sobre assunto de trabalho. Não sou curioso e muito mesnos fuxiqueiro. Já não me intrometo na vida dos outros em português, imagina se iria fazer o mesmo em inglês. O Airton estava sendo monitorado pela gente e nós três combinamos de sentar no restaurante e esperar pelo “mister delay” para pedirmos a nossa refeição.

Já havíamos escolhido quando ele chegou e a água, cortesia da casa, já tinha sido servida para nós três. Entrada, prato principal e sobremesa por um preço módico praquele restaurante de renome bom e pessoas seletas. Nunca pagaríamos o valor cobrado, pago pela gente que ainda arredondamos um pouco por conta das gorgetas, hábito cultural deles. Eu pedi como prato principal algo que se assemelhava a um peixe. Era uma carne branca que continha algumas cartilagens no fundo. Não estava ruim, mas até hoje não sei o nome daquele prato. Acho que saímos de lá por volta das onze da noite. Voltamos eu e a Ana pro hotel e o Airton e o Danny pra casa. Eu estava em outro quarto. Não no que eu costumava ficar. E também era apenas por aquela noite. No dia seguinte eu estava voltando pra casa do Airton.

Aliás, o dia seguinte era todo do Airton. Ele tinha que resolver alguma coisa da papelada do visto dele com o Pawel e combinamos nos encontrar depois disso que parecia ser rápido e no final da manhã. Parecia. O Airton saiu mais cedo de casa e eu continuei dormindo. Depois, bem depois de ter acordado, tomado meu leite, checado meus mails no computador dele, entre outras coisas, saí de casa pra me encontrar com eles. Só que aconteceu alguma coisa que o Airton teve que voltar em casa pra pegar um documento oficial brasileiro com foto que ele tinha esquecido de levar, ou melhor, não deram essa informação pra ele, houve um ruído de comunicação. Deram um prazo pra que ele voltasse com o tal documento ainda naquela tarde. Corremos até a casa dele, vasculhamos tudo quanto é pasta que ele guarda os documentos e, como sempre, na última hora, quando o tempo estava estourando, eis que ele olhou pela enésima vez um envelope lá e achou o bendito documento. Corremos de volta pro tal lugar. Ele ainda teve a ousadia de comprar uma garrafa de um bom vinho pra entregar ao servidor público que o atendeu lá.

Enquanto isso, além de visitar a loja dos Beatles, do Elvis, do Rock e passar várias vezes pela frente do museu do Sherlock Holmes, ligava pra Danila e pra Aline pra gente combinar de sair, pois eu estava quase voltando de Londres, na verdade ainda tinha até o fim de semana, mas como sempre, passa rápido. Combinamos então de fazer algo na quinta ou na sexta a ser confirmado ainda, mas já tínhamos bolado uma pré-programação. Estava começando a ficar com fome e nada deles voltarem da repartição pública. Passei no mercado, comprei aquele pote de macarrão com molho de tomate e um suco de laranja pra fazer um pic-nic no Regent´s Park que também ficava ali perto. Foi só eu começar a comer que o meu telefone toca. Eles tinham saído de lá. Falei pra eles andarem em direção ao parque e nos encontramos por lá. Segundo eles, havia dado certo. Eu tinha acabado de comer, mas eles estavam com fome.

terça-feira, 3 de julho de 2012

AVENTURAS LONDRINAS 2 (18)

As três primeiras garfadas me fizeram praticamente chorar, depois, acho que meu organismo foi adaptando e consegui comer a custo também de alguns goles na bebida para amenizar a sensação de ardência na boca. Passamos um tempinho lá. Depois o Airton foi pra casa e eu ainda fiquei com o Alê e a Carol. Ainda tinha mais um dia de trabalho e o domingo no meu caso seria dia de dizer até logo pros meus colegas de trabalho. No final de tudo, o Roger, meu chefe, perguntou se eu voltaria em setembro. Respondi que não sabia se em setembro, outubro ou quem sabe talvez chegaria em setembro e ficaria até outubro, mas que ele ficaria sabendo.

Mais uma vez, mais um domingo no fim do expediente fomos pra um pub. Dessa vez não ficava dento de um cinema antigo, mas, acreditem ou não era um pub brasileiro. Tinha estrutura de um pub inglês, com balcão grande, mesas e cadeiras espalhadas e de um lado tocando os sambinhas daqueles grupos de pagode paulistas e do outro passando o jogo do flamengo com uma torcida bem forte. Claro que também tinha gente com camisas do corinthians, grêmio, da própria seleção brasileira, no entanto, por causa do jogo, as rubro-negras imperavam naquele espaçozinho. Alê e Carol foram pra lá não só pro flamenguista do Alê assistir ao jogo, mas tinha um amigo dele que fazia aniversário e eles marcaram pra se encontrar ali. Eu já tinha levado minha sacola de roupa pra voltar dessa vez, com certeza, pra casa do Airton. Só tava esperando ele ligar pra dizer que já estava em casa, enquanto isso curtia o pub brasileiro.

O nome desse pub é Canecão e a localização é bem na rua de trás da casa deles. Esse pub é famoso, ou melhor, é bem divulgado entre os brasileiros que moram em Londres. Também, quem é que de vez em quando não sente vontade de comer uma porção de coração de galinha com farofa. Foi exatamente o que eu fiz. Por eu estar evitando o refrigerante, o suco de laranja acompanhou. Pub não é restaurante. Você tem que ir no balcão, fazer seu pedido, pagar e o máximo que eles vão fazer é levar a comida, se demorar muito, na mesa em que estiver sentado. Meu coração de galinha chegou um pouco depois, na mesa. Eles ainda pediram outros tipos de comida, praticamente todas brasileiras tais quais, picanhas, coxinhas de galinha, feijão amigo entre outras. Só esperei o jogo acabar pra poder me despedir de todos e pegar o metrô pra casa do Airton.

Existe uma estação mais perto da casa dele que a própria estação de Nothing Hill Gate, mas como eu não sabia chegar dessa outra estação que se chama Ladbroke Grove pra casa dele eu ia mesmo andando pela Portobelo Road pra sentir e curtir mais o clima alternativo de Nothing Hill. Cheguei na casa dele. Não estou lembrando bem, mas tenho quase certeza que foi a primeira vez nessa temporada que fiquei pra dormir no quarto que ele aluga nessa casa. A partir dali começava a minha última semana de estada em Londres. Não tinha muito que fazer e nem muitos lugares pra ir, pelo menos por ali pelo centro. Não me lembro bem o que fiz naquela segunda pela manhã. Acho que foi o mesmo esquema de ficar por ali até a hora do almoço. Não lembro mesmo o que fiz durante o dia. Ah, eu fui sim pro hotel.

Havia um quarto vago lá só por aquela noite e eu aproveitei pra ficar lá e lavar minhas roupas na lavanderia da rua do lado. Passei a tarde lá entre idas a lavanderia pra botar a roupa pra lavar, secar e recolher e o bate papo na internet com meus amigos que estavam online aqui no Brasil e querendo saber das novidades. Esse dia, de noite o combinado foi de a gente jantar num dos mais chiques e bem freqüentados restaurantes de Londres, que fica na estação de Kew Gardens.

A Ana havia reservado quatro lugares pra gente naquelas promoções do tipo grupon, onde dava um desconto bom.