terça-feira, 25 de setembro de 2012

CRUZEIRO NA BAÍA



CRUZEIRO NA BAÍA

No início do mês de março estava rolando pelo facebook uma conta que é tanto absurda quanto real. A circulação dessa conta se deu pelo fato do preço do bilhete simples da barca que faz a travessia Rio – Niterói ter aumentado de R$ 2,80 para R$ 4.50. Isso pra quem não tem o cartão chamado Bilhete Único ou Riocard. Os usuários do cartão têm um desconto que faz a tarifa cair para R$ 3,10.

A conta nada mais era do que os cálculos dos valores de um passeio em navio de cruzeiro operado pela CVC. Em sendo um cruzeiro de três dias, o valor total seria de R$ 888,22. Convertendo os três dias em horas seriam setenta e duas e pro equivalente em minutos teríamos 4.320 minutos. Ora, dividindo o valor de 888,22 pelos 4.320 minutos, o resultado são vinte centavos por minuto. O tempo médio da travessia da baia de Guanabara pela barca são vinte minutos.

Com a tarifa antiga, ou seja R$ 2,80, dividida pelos vinte miutos, temos catorze centavos. Seis centavos mais barato que o cruzeiro. Já fazendo os cálculos com a tarifa nova que são R$ 4,50 e dividindo esse valor pelos vinte minutos de travessia, o resultado são vinte e dois centavos por minuto. Dois centavos a mais que o preço do cruzeiro. Está mais barato fazer um cruzeiro que andar de barca. Mais uma vez, quem está pagando o pato é o povo que precisa desse meio de transporte diariamente pra trabalhar, estudar ou mesmo se divertir.

Talvez o aumento fosse justificado se as condições de infraestrutura assim o acompanhasse. Mas não. A Barcas S/A não fazem melhoras nem no lado de Niterói e nem no do Rio. Vida de gado é o que se vê tanto pela manhã do lado de Niterói quanto a partir das seis da tarde no lado do Rio, de modo que não há embarcações suficientes para a demanda da população. O que se chama de ‘escoamento’, a evasão da população do cais na hora em que mais se necessita de rapidez não é bem feita, ficando três turmas a mercê dachegadade uma embarcação. A primeira, que já passou do portão e fica praticamente no atracadouro, a segunda entre as roletas e o portão e a terceira que forma filas quilometricas antes de passar na catraca, não importando o tempo que faz. Chova ou faça sol, não há proteção, além de, as vezes, uma lona improvisada pros dias de chuva.

Como o que é pregado pela secretaria de transportes do estado do Rio é que adiquirindo o cartão há um desconto na passagem, isso obriga, força a todos fazerem um cartão e assim possivelmente eles terem um controle maior sobre os usuários. Nada contra os cartões. Acho até que é melhor e sou adepto desse sistema. Fui um dos primeiros a fazer um pra mim logo que foi implantado. Em Londres é raro ver alguém pagando a passagem com dinheiro vivo. Claro que lá funciona muito melhor. O cartão é um só. Aqui, por exemplo, o metrô além de aceitar bilhete único ainda tem o cartão próprio do metrô. Não costumo andar de trem, mas acho que a Central do Brasil também tem seus próprios cartões de embarque.

Poderiam simplificar, unificar tudo vender ou carregar em qualquer ponto. Lá em Londres, qualquer off license, que a gente pode traduzir aqui como quitanda carrega o cartão. Aqui não. Na minha vizinhança tinha quatro pontos de recarga. Hoje só tem um e mesmo assim teve um diaque eu tinha quecarregar meu cartão, cheguei lá e o estabelecimento estava fechado porser feriado. Tive que ir até a bilheteria das barcas, rezando pra que o sistema estivesse online pra carregar o meu cartão. É. De vez em quando o sistema cai e a gente fica a ver navios e pagando mais caro.

Eu nunca fiz um cruzeiro, mas quando eu fizer, não quero que fique restrito a baía de Guanabara. Espero sinceramente que se melhore a dinâmica da empresa que controla a travessia pra não acabar como o Titanic. O povo é mais forte que um iceberg.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

ATESTADO DE ÓBITO



ATESTADO DE ÓBITO

Gostaria de constatar que no dia sete de abril desse ano, em pleno sábado de aleluia, entre cinco da tarde e oito da noite, na praia de Copacabana, perdi um grande companheiro. Nossa amizade vinha de  longa data, mas precisamente de janeiro de 2009, em Londres, onde o encontrei e foi amizade a primeira vista. Coincidencia ou não, eu estava indo ver amigos meus que também havia feito em Londres e estavam passando o feriado aqui no Rio.

Se bem me lembro foi na loja da Argus bem perto ali de Marble Arch, numa avenida que agora me foge o nome, mas quase no início da Oxford Street. A que eu mais freqüentava era a de Tottenham, na outra ponta da Oxford, mas não sei porque ele eu só consegui encontrar lá, e já estava quase no fim também. De início houve uma curta e rápida adaptação. Eu ainda não tinha em mãos algo com uma capacidade de armazenamento tão grande.

Ele foi o meu primeiro e, por isso, será sempre querido e lembrado, principalmente agora que ele se foi. Raras e perdoáveis foram as vezes que ele me deixou na mão. Geralmente por distração ou risco meu. Mas durante esses longos três anos e pouco foi meu fiel companheiro. Quantas vezes só restava nós dois, principalmente durante os quase três meses de tour pela Europa. Ele amenizava minha solidão. Por causa dele não me sentia tão sozinho, principalmente por conta do repertório que carregava consigo e escolhido por mim. Ao longo dos anos isso foi aumentando e geralmente era trocado de três em três meses. A última troca se deu dias antes da constatação do óbito. Não sei se por sorte ou prenúncio, semanas antes do ocorrido sugiram dois novos mp4 trazidos de Nova Iorque. Um o meu sobrinho se apoderou dele e o outro eu guardei no meu armário. Mas até então esse meu companheiro estava vivo e bastante lúcido.

O meu irmão uma vez foi com ele pra um jogo de futebol e chegou reclamando que ele não tinha rádio. Na verdade tinha, mas não funcionava. De qualquer modo isso não fazia diferença pra mim já que a minha atração por ele era justamente a capacidade de ter inserido nele a quantidade enorme de músicas. Sempre na faixa entre quatrocentas e quinhentas. Super prático e discreto, era com ele que eu caminhava todo santo dia no calçadão da praia. Tinha lugar cativo nos bolsos traseiros das bermudas que uso pra caminhar.

Agora o que me resta são as recordações que tenho com ele. Ninguém passou e nem vai passar os momentos e as situações as quais estávamos juntos, mas infelizmente terei que substituí-lo. Uns vão, outros vem, ninguém é eterno. Esse é o ciclo da vida, inclusive dos aparelhos eletrônicos. Antigamente tudo tinha conserto, hoje em dia sai mais barato as vezes, dependendo do aparelho e do envolvimento que se tem com ele, comprar outro similar. Ele representou muito pra mim, mas tenho que respeitar o momento dessa partida e não tentar ressucitá-lo. Os aparelhos podem ser substituidos por outros que façam a mesma função, mas os momentos em que esse passou comigo, por ser especial, por ser o primeiro, por ter me acompanhado num divisor de águas na minha vida, esses vão ficar pra sempre na minha memória, e não há o que me faça esquecer disso. O que se  leva da vida são momentos, lições, alegrias e amizades.

Agora é me adaptar a outro, carregá-lo com o repertório e dessa vez com algumas fotos e até vídeos se eu quiser. Pelo menos por mais três anos, assim espero, que eu tenha mais momento de prazer, alegra e felicidade como eu tive com o U4 da Samsung durante esses últimos três anos e pouco. Não sei nem se ainda é fabricado, mas recomendo esse MP3 a quem tiver na dúvida pra comprá-lo, caso ainda o ache nas lojas. Meu adeus, meus sentimentos, minhas condolências pro meu pequeno aparelho.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012


VIDA QUE SEGUE

Quando Filipinho, filho de Sabrina e Filipe, fez três anos eu fui de carona com Juliana  pra festinha dele na casa dos sogros de Sabrina. Vinte dias depois foi a vez de Valentina fazer aniversario de um aninho com uma festinha no mesmo lugar. Claro que os temas foram diferentes. O dele foram os palhaços Patati Patatá e o dela foi da Branca de Neve. Sabrina só fez essa loucura de duas festas num curto espaço de tempo por que era o primeiro aniversário dela. Segundo ela, a partir do próximo ano as festinhas serão unificadas.

Juliana, hoje uma senhora de família, foi com o marido Roberto – casamento esse o qual fui padrinho – e com o enteado Eduardo pro aniversário de Filipinho e eu fui, na verdade voltei com eles. Fui de ônibus. Não consegui falar com eles antes e não sabia se eles iam. No de Valenetina o Roberto estava viajando a trabalho e Juliana e Eduardo foram comigo de carona. Riquinho não foi no de Filipinho por estar em Saquarema com os pais e também não foi no de Valentina por que não estava com vontade de ir. Minha mãe me emprestou o carro e fomos nós.

Lá na festa, tanto a de Filipe quanto a de Valentina, quem apareceu foi Carlinha com Cristian e o filho que também se chama Cristian. Raros são esses momentos de revival da nossa turminha do prédio. Cada um tomou um rumo na vida e nos juntar novamente vai ser cada vez mais difícil. Lembro que a ultima vez que nos mobilizamos e nos esforçamos pra juntar grande parte da turminha no inicio de novembro de 2008, dias antes do meu embarque pra Londres. Nos divertimos muito matando a saudade mesmo com os agregados, maridos e filhos. Juliana juntou algumas fotos, fez um DVD e distribuiu pra gente. Depois disso, s’o mesmo presen’ca na lista de amigos do, na ‘epoca, Orkut, e hoje, facebook. Contato mesmo, assim f’isico, como eu ainda tenho com Sabrina e Juliana, s’o com elas mesmo. Depois que eu me mudei do pr’edio então a situação piorou. Contato telefônico alem das supracitadas tem o de Joana que ‘e outra que devido ao trabalho se afastou da gente, mas volta e meia d'a  notícias e a gente se encontra.

Quando eu estava voltando com Juliana da festa de Valentina, que a gente estava comentando justamente sobre a vida, ela me fez uma pergunta que eu nunca parei pra pensar. Como no inicio desse ano eu comecei a fazer concursos públicos,  justamente pra arrumar uma ocupação, e at’e o momento em que escrevo esse post ainda não  arrumei nada, ela me perguntou como eu me via daqui a dez anos, por exemplo. Eu nunca parei pra pensar nisso. Ser’a que algu’em se vê daqui a dez anos do jeito que gostaria? A vida ‘e tao cheia de percalços, de sinuosidades, de opções de escolhas que mesmo fazendo um projeto a longo prazo nem sempre fica do jeito que a gente gostaria. Não consegui responder essa pergunta pra Juliana. Talvez pelo fato de nunca ter um plano a longo prazo.

Claro que sonhos e desejos todos temos. Tenho os meus também. Acho que o problema não se da ai. Acho que o grave defeito que eu tenho ‘e não ser ambicioso, principalmete na parte material. Se eu gostaria de ter bens, a resposta e positiva, mas ao mesmo tempo não acho nem sinto necessidade grande em te-los pelo fato de que isso ‘e um pouco aprisionador. Alias, essa e uma outra discussão que vou debater aqui nesse espaço numa outra ocasião.

Não me vejo daqui a dez, daqui a cinco nem daqui a três anos. Não sei se eu estarei vivo ate la. Meus planos vão so ate o fim do mês e eu já me dou por satisfeito. Tanto que existe duas datas por ano que eu fico mais emocionado. Uma ‘e o reveill’on, quando me dou conta que passei por mais um ano ileso, sem nenhum dano. E a outra ‘e o meu aniversario, onde o sentimnto ‘e o mesmo, so que com a idade mais redonda.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012


SOIS REI?

Pelos meus cálculos – me corrijam os matemáticos, mas cálculos nunca foram o meu forte – essa semana se celebra o ano 190 da independencia do Brasil. Não tem nem duzentos anos que D. Pedro I gritou do córrego do Ipiranga, às margens plácidas, o brado “Independência ou Morte” que retumbou mundialmente, mesmo sem a velocidade da internet e portanto com alguns meses pro grito chegar do outro lado do mundo, principalmente no ouvido dos portugueses. Reza a lenda que aquele grito elevou o Brasil de colônia, vice-reino ou seja lá o que era denominado naquela época pra um país independente, que poderia andar com as próprias pernas sem depender de mais nada ou ninguém. Não vou entrar aqui no mérito da geopolítica, das conseqüências desse ato. Isso deixo pros historiadores.

O que eu acho curioso é que mesmo depois da independência ficamos sem rei. Pedro I se manteve imperador. Abrindo o Aurélio, o significado de imperador é aquele que rege um império ou nome dado ao soberano de algumas nações. Já no significado de rei diz que é o soberano que rege ou governa um estado monárquico e em certos casos é o título do marido da rainha. Não é o nosso. Nosso estado não se tornou monárquico. Talvez o Brasil não estava fadado a ter um rei. E realmente se a gente for a fundo nunca tivemos um rei. Um único. O Brasil é um dos países que mais se dá título nobiliárquico de rei que eu tenho conhecimento. Além da família real inglesa, que outro rei ou rainha a Grã-Bretanha nos deu? Além do rei Juan da Espanha vocês conhecem outro? Já aqui que nenhum rei existe na área político-representativa, tem é rei e rainha espalhados por aí.

Nossa monarquia se restringe as áreas específicas e os reis e rainhas são coroados pelo povo e não passam pela hereditariedade. Nós, o povo brasileiro, corooamos vários reis e rainhasao longo da República. Não me lembro se houve um no tempo do império , entre 1822 e 1889. Tem um filme que trás no título “Maua, o imperador e o rei.” que conta a história de Irineu Evangelista de Souza, o  Barão de Mauá. Apesarde ter como título o de barão, foi considerado por muitos o verdadeiro rei por ser um empresário muito fluente e engajado na a idéias de modernização do Brasil. Se a gente for fazer uma comparação, poderíamos dizer que ele foi o Eike Batista da época, dada as devidas proporções.

Entre reis e rainhas do Brasil a listagem é extensa. Me desculpem se vou esquecer de algum. O rei da voz foi Francisco Alves. O rei das multidões foi Orlando Silva. Xuxa como a rainha dos baixinhos. Pelé como rei do Futebol. Roberto Carlos como rei também (talvez da música de modo geral). Hebe como a rainha da televisão. E Fernanda Montenegro ao lado de Bibi Ferreira como rainhas do teatro. Tudo bem, essas últimas não são ditas como rainhas, mas como primeiras-damas. Mas mesmo assim entram na minha lista de realeza tais como dona Ivone Lara no samba. Ademilde Fonseca foi a rainha do chorinho. Um que não é rei, mas tá quase lá como príncipe do samba é o Paulinho da Viola. Sergio Murilo já foi o rei do  rock no Brasil. A rainha é Rita Lee, cargo brevemente ocupado anteriormente por Cely Campelo. Luiz Gonzaga como o rei do baião. Marlene e Emilinha entre outras sempre disputando pra serem a rainha do rádio. Gil também imortalizou dois reis na sua música ‘Domingo no Parque’. O rei da brincadeira é José e o rei da confusão é João. Deve ter algum outro ou outra que agora não me vem a mente.

Acho que esse rol de rainhas e reis é mais democrático, apesar de um certo lobby em alguns casos, mas mesmo assim essas monarquias são válidas. Acabei de lembrar de um rei que vem desde o tempo do império, ou antes até. Figura famosa em vários países do mundo, o rei da cocada preta está por aí.