segunda-feira, 26 de novembro de 2012

DO HOSPITAL


DO HOSPITAL

Tento escrever essa postagem de um hospital. O verbo tentar é só pra pontuar que de vez em quando eu tenho que largar o texto pra atender ao chamado da paciente impaciente. Hoje estou aqui como cão de guarda pra qualquer emergência mais grave, dado que ela voltou do CTI para o quarto nessa manhã. Primeiramente o hoje pra mim equivale a cerca de seis meses atrás pra vocês. Escrevo do passado, do mês de maio. E segundo que esta tudo bem, pelo menos até o momento em que eu escrevo. Agora vamos aos fatos.

Minha tia Tania tem erizipela. Ela herdou da minha avó e, dos meus primos, quem teve essa má sorte foi o Leonardo. Até aí tudo bem. Bem pra gente que pelo menos ate agora não sofre desse mal. Tanto o Léo quanto tia Tânia, quando têm a crise, quando sentem sinal de que a doença esta para eclodir, não há remédio melhor que ficar internado por uns dez dias no hospital tomando o remédio pra que a crise passe o mais rápido possível e a perna fique curada. Por que essa doença, pela experiência de observação, ela da um sinal de que vai surgir.

Essa ultima crise que tia Tania teve começou no dia 15 de abril. Nesse dia ela se sentiu mal, mas não quis ir para o hospital, somente dois dias depois ela foi internada pra cuidar da crise de erizipela. Essa doença e sazonal. Volta e meia ela aparece, ela surge e não tem jeito, tem que ir pro hospital mesmo. Ficou internada, até mais tempo que o de hábito. E no dia que ela iria receber alta veio a noticia de que ela não ia sair. A erizipela ja tinha sido curada, mas agora tinha surgido uma outra doença.

Talvez por ter ficado muito tempo deitada, sem poder se exercitar muito, desencadeou um outro problema. Eu digo que é doença de rico, daquelas que a gente nunca ouviu falar e que so a partir de agora vamos descobrir outras pessoas que também tiveram essa doença. Não é bem uma doença, é uma síndrome. Pelo menos foi assim que o médico descreveu. Síndrome de Guillan Barret. Olha que nome chique. Esse sujeito se não foi o cara que descobriu essa doenca provavelmente foi o primeiro a tê-la ou o primeiro que teve e foi reconhecida pelo medico. O caso se trata de anarquia. É a primeira vez que eu ouço falar de um caso desse tipo.

Essa síndrome é a anulação dos comandos que o cérebro dá para, no caso da minha tia, a movimentação das pernas dela. Eu não sabia que do nada isso também poderia acontecer. Minha tia deu sorte pelo fato dessa doença a ter atacado em sua forma mais branda. Segundo o medico, dependendo da região e da gravidade, ou seja, da agressividade, essa síndrome ela e capaz até de levar uma pessoa a morte. Principalmente se acometida na  região dos pulmões. Ela teve que ficar uns dias no CTI pra descobrir essa doença e começar a tratar dela. Hoje ela voltou pro quarto. A previsão e de ficar mais uns dias, não deve passar de uma semana, se nada atrapalhar ou interromper esse percurso de recuperação.

E estranho também escrever nesse mini laptop, que uns chamam de netbook. A tela e menor, o teclado também, mas foi a única forma de passar o tempo nesse quarto de hospital e ficar ocupado dividido entre elaborar esse texto, conversar com amigos e dar noticias em tempo real pra família conectada no facebook e, claro, ajudar a minha tia nos momentos em que ela precisa, que não são poucos. E só agora vi que essa TV daqui tem boa parte dos canais a cabo que eu gosto de ver. Lá em cima, logo no inicio, disse que volta e meia teria que largar o texto pra ajudar a minha tia. Pois bem, são pouco mais de três da manha, cheguei por volta das nove da noite e eu ainda vou ficar aqui por mais seis horas. Minha tia está roncando aqui. Agora ela achou uma posição menos incomoda pra que passasse uma noite, ou melhor, madrugada mais tranqüila. Só espero que fique menos tempo possível acamada nesse hospital.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

PRIMEIRO ERRO


PRIMEIRO ERRO

Pra tudo (ou quase tudo) existe uma primeira vez. Sempre fui um consumidor de letras e melodias. Discos e livros são meus alvos prediletos em termos de aquisição. Gosto também de tecnologia, mas ainda sinto um certo conflito, uma certa incompatibilidade no que diz respeito a cobertura de rede e velocidade para conexões com internet e eu estou numa fase em que cada vez mais quero ter menos relação com as máquinas e mais com as pessoas.

Claro que nunca vai ser um corte total, uma volta aos sinais de fumaça. So acho que estava ficando exagerado o número de redes sociais em que todos têm que ficar conectados. No meu caso, resolvi somente ficar com o e-mail, o perfil no facebook e a conta de skype. No momento em que escrevo ainda possuo o MSN, mas penso seriamente em me desfazer dele.

Quanto aos livros, quando me mudei para o apartamento novo me desfiz de grande parte deles permanecendo apenas com as coleções, as séries e os autografados e comprando ainda um ou outro, desde que se enquadrem nessas condições. Mas o que ainda mais me atrai é a música. Desde pequeno sempre gostei de música e isso me fez ficar eclético tendo minhas preferências. A principal, graças ou culpa da minha amiga Joana, é Rita Lee.

Depois de inúmeras compras via internet, ou seja, encomendas através do site – realmente perdi a conta, mas deve ter uns dez anos que faço isso – uma encomenda que fiz no mês de maio veio com um problema. Encomendei dois livros, um para o meu pai e um que faz parte de uma das coleções que tenho e dois discos que fazem parte de coleções distintas. O primeiro disco que eu escutei, Acústico MTV do Arnaldo Antunes – sim, tenho todos os Acústicos MTV nacionais lançados até hoje, a excessão do Jorge Ben Jor o qual eu emprestei pra alguém que não me devolveu – estava perfito. Mas quando eu fui escutar o segundo, justamente a minha preferida Rita Lee com o disco de nome Reza, aconteceu o inesperado. As três últmas músicas não tocaram de jeito nenhum e em nenhum CD player testado. Fiquei desesperado
.
Corri atrás do serviço de atendimento ao cliente, mas só funcionava até as oito da noite. Não dormi direito rolando na cama pensando na estratégia a ser tomada no dia seguinte. Imprimi o mail que eles enviam dizendo que a postagem já tinha sido enviada pra mim, peguei a nota fiscal que veio junto com as mercadorias e, sem sucesso nos meios cabíveis ao atendimento ao consumidor tanto por mail quanto por telefone, corri pra loja física reclamando o defeito. Eles trocaram e testaram o disco na minha frente. Passou no primeiro teste, o disco tocou na loja, mas mesmo assim eu estava apreensivo pro teste definitivo. Tocar no meu aparelho de som.

Cheguei em casa, fui botando pedacinho de música por música e foi tocando tudo até chegar na antepenúltima que deixei rolar até o fim. Ufa! Dessa vez estava inteiro, para minha alegria. Não culpo a loja, e muito menos o funcionário que botou o disco defeituoso dentro da caixa que veio aqui pra casa.

Como eu disse, foi a primeira vez que isso aconteceu. E assim como aconteceu comigo, deve ter acontecido com muitas pessoas. O meu caso ainda foi brando. Pior se eu tivesse adiquirido um eletro-eletrônico a trabalheira e a dor de cabeça ia ser bem maior. E eu sabia que provavelmente isso iria acontecer mais cedo ou mais tarde. Dado o tempo que eu já compro nesse esquema de tiro no escuro, até que eu estou no lucro. Mas o mais engraçado foi que esse tiro foi muito bem dado. Justamente no disco novo da artista que eu mais admiro e acompanho. O recado que eu deixo para o desvio ou a falta de mais energia positiva pra que tudo acabasse bem é um trecho da música dela: “Deus me proteja da sua inveja, Deus me defenda da sua macumba.”

USE A IMAGINAÇÃO


USE A IMAGINAÇÃO

Já ouvi essa frase em algum lugar. Não sei quem disse, mas recuso a atribuição a minha pessoa. Quando a criança nasce, ela tem todos os dons em potencial, mas com a sua criação o foco vai pra alguns em detrimento de outros. Acho que isso faz sentido e que bom que é assim. É isso que faz a diversidade. Claro que isso se aplica tanto pro bem quanto pro mal. A criatividade é fundamental pra infância. É a partir dessa conectividade da imaginação infantil com o mundo em que vivemos que se forma uma personalidade.

Minha infância foi super saudável e feliz. Brincava normalmente com minha turminha. Aliás, que turminha. Todos convivendo no mesmo edifício, mas curtindo a infância como dava. Não pegamos o tempo de brincadeiras de rua. As adaptávamos ao playground do prédio que, por ter sido construído no início da década de setenta, não tinha esse conceito de pavimentos próprios para o estacionamento ou para o que se chama hoje de PUC, aquele espaço onde se pratica a sociabilidade dos moradores, onde há a piscina, sauna, salão de festas, academia, churrasqueira, salão de jogos e tal. Um verdadeiro clube num espaço de seis apartamentos, isso aqui no meu caso.

Brincávamos de tudo. Piques, bolas, e outras brincadeiras que todos em algum momento da vida também brincaram. E tudo que nossos pais faziam, nós adaptamos a um espaço mais restrito. As brincadeiras tinham regras que nós fazíamos e respeitávamos. Ai de quem as quebrasse. O máximo que nós fazíamos era brincar na vila em que os carros e pedestres acessavam o prédio sendo esse o único acesso a ele. Enquanto mais novos, o portão era o limite. Não existia a paranóia da preocupação de hoje em dia. Estávamosseguros sempre. As vezes brincávamos no corredor de algum andar para irritação do síndico de plantão. Sempre tem aquele morador chato que reclama. Ônus e bônus de se morar num condomínio de apartamentos. Sessenta e quatro no total. E tinha épocas que sabíamos quem habitava cada unidade.

Pode ser que seja a pouca idade ainda, mas não percebo isso no meu sobrinho. Pra ele a porta de casa ainda é o limite. Mas ele reina soberano no quarto dele e a varanda também é liberada pra ele jogar bola comigo ou com quem ele escala. Eu não tinha soberania. Apesar de ser o mais velho, sempre dividi quarto com meu irmão, mas brincava com meus playmobils tranqüilo e criava as minhas tramas muito influenciado pelas novelas da TV. Na época não tina esse acesso fácil e essa quantidade de canais que se oferece hoje.

Voltando ao meu sobrinho, numa coisa eu me identifico com ele ás vezes. Ele tem uma criatividade e imaginação que eu também tinha. Acho que toda criança tem isso bem forte e esse é o grande trunfo da infância. Outro dia ele resolveu dar uma festa de aniversário. Talvez ainda influenciado pela festa de aniversário dele. Armou a mesa com a toalha, botou um bolo vencido em cima da mesa, arrumou o s bichinhos ao redor da mesa, chamou os pais dele, os avós e a mim pra cantar parabéns pro leãozinho de pelúcia. Passando alguns dias ele fez outro. Agora pro Bob, o cachorro. Dessa vez o bolo foi uma fatia de pão que ele partiu e passou requeijão dividindo irmamente entre eu, minha mãe, André, meu primo, e minha mãe, copos com refrigerante pra nós e dois dos descartáveis só com uma sujeirinha líquida pro cachorro e pro macaco, e um balde de pipoca daqueles que as pessoas compram nos cinemas.

Isso sem contar a festa de aniversário do macaco que está por vir. Mas essa ele quer inovar. Quer fazer lá em Saquarema. Minha mãe, comprando a idéia dele, já falou que vai ser um churrasco. Ou seja, pode ter, como ele tem, vídeo game, televisão com vários canais de desenhos animados, brinquedos de todos os tipos dos mais sortidos e diversos, mas em primeiro lugar vem sempre a imaginação. 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

MODA?


MODA?

O que é moda? Quem detém essa informação? O que dita a moda? Quem segue e porque segue a moda? Eu nunca liguei pra marca de roupas. Nunca fui vidrado nisso e muito menos acompanho o que se chama de tendências. Cada um tem seu estilo e é muito raro que o que se vê nas passarelas pelo mundo seja visto nas ruas. Uma coisa é você ter um estilo, ser mais dark, mais social, mais esporte fino, depende do seu gosto, mas não do que os estilistas te oferecem.

O que eu acho bacana da moda é que pra algumas pessoas, principalmente na Europa, ninguém tai pra isso. As pessoas se quiserem usar o que tiverem a fim elas usam independente do julgamento dos outros, até pelo fato dos outros pensarem do mesmo jeito e usarem também as roupas do jeito que estiverem a fim. Aqui no Brasil as pessoas se preocupam muito mais com isso. As pessoas não se vestem pra ficarem confortadas, pra se sentirem a vontade e usarem o que bem quiserem, mas se vestem pra competir com os outros, pra se sentirem mais poderosos, pra dizer que podem mais que os outros. Eu acho isso uma babaquice enorme. A moda é um conceito extremamente subjetivo e tendência não significa obrigação. Nada me impede de usar azul se a tendência tá mais pro amarelo.

Certas combinações eu não uso por que eu acho feio, mas também não vou condenar quem usa. Não é pelo fato de eu não querer, de eu não gostar que vou ficar fazendo campanha contra quem usa. Não ligo mesmo pra roupas, mas tem uma loja que vou de vez em quando em Petrópolis chamada Priorité que tem modelos e tipos de roupas que eu gosto. Mas pelo que me lembro a última vez que eu fui lá com esse intuito de comprar roupas foi antes de eu ir a Londres pela primeira vez. Volta e meia eu ganho umas camisas, principalmente de Natal e de aniversário, e as vezes umas bermudas também. Na verdade, bermuda é mais pra replacement, ou seja, as novas são pra substituir as mais velhas, gastas e usadas. Aliás devo ter umas três na gaveta pra pregar o botão e tornar a usar. A última grande compra de roupa que eu fiz foi dias antes de voltar de Londres, há três anos. De lá pra cá dá pra contar nos dedos de apenas uma mão quantas vezes entrei numa loja com a finalidade de sair com alguma peça de roupa.

A moda é cíclica. É como o Lulu Santos e a Fafá de Belém  cantam: “as ondas vão e vem e vão e são como o tempo”. Não só em se tratando de roupas, tendências e tal, mas eu vejo isso em brinquedos também. Há poucos meses atrás a moda do bate-bola voltou. Em abril/maio grande parte das crianças brincavam com um brinquedo que sazonalmente volta a tona. O que eu chamo de bate-bola são duas bolinhas amarradas nas pontas de um pequena cordinha de naylon e exatamente no meio da cordinha um anel pra segurar e com o braço, fazer o movimento pra que as bolas fiquem batendo, mas o máximo desse brinquedo é fazer com que essas mesmas bolas batam tanto acima quanto abaixo da linha do segurador. Eu nunca consegui essa proeza por muito tempo nos meus tempos de bate-bola.

É interessante esse ciclo de brinquedos que somem e de repente reaparecem. Geralmente, e espero que continue, quando começa a moda de um na sequência vem outros como o iô-iô, por exemplo. Existem também aqueles jogos de tabuleiro que tem sua fase certa e por mais que modernizem a embalagem e os personagens, a essência vai continuar a mesma. Detetive, War, Jogo da Vida, Cara a Cara, Banco Imobiliário – que agora vem até com cartão de crédito – entre outros. Quem ta perdendo espaço, pelo menos nas grandes cidades é a bolinha de gude.

Minha infância também teve essas modas todas. É bom que meu sobrinho se não está curtindo agora, provavelmente o fará na próxima temporada daqui a uns dez anos. Esses tipos de brinquedo nunca saem de moda, apesar de esquecidos temporariamente.