segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

FECHANDO

FECHANDO

É. Chegamos ao fim. Mais cedo ou mais tarde esse dia iria chegar. Essa é a última vez que escrevo nesse espaço. Esse ano. Ou estão pensando que seria assim tão fácil ficar longe daqui. Não aguentaria. Aqui é minha válvula de escape e só não estaria aqui mediante a uma situação extrema, o que não tem sido o caso há mais de uma década.

Nessa última postagem do ano é bom fazer aquele balanço. Em termos pessoais 2013 foi muito bom pra mim. Não tenho do que reclamar. E como disse semana passada, se 2014 for igual a 2013 já vai estar de bom tamanho. Claro que vamos buscar melhorar o que já foi bom. Não pode é piorar. Talvez a maior novidade desse ano, e eu particularmente adoro fazer isso, foi ter conhecido lugares novos e pessoas bacanas e marcantes.

O ano começou com um carnaval voltando pra Sapucaí, a qual não me interessava (e ainda não me interessa) até que pintou a oportunidade de acompanhar a evolução de uma escola de samba nos seu últimos dois meses até a hora do desfile. Com direito a concentração em quarto de hotel a partir do sábado e tudo. Desfilei como apoio de destaque pela Mocidade Independente no domingo. Ao chegar em casa na segunda, recebo uma ligação do meu tio me chamando para assistir ao desfile no camarote da empresa em que ele trabalha vinculada ao Rio, Samba, Carnaval. Pra mim foi um carnaval atípico. Acompanhava escolas de samba até o ano que fui morar em Londres, mas mesmo assim gostava mais de blocos. Ainda gosto. Escolas de samba já não me enchem os olhos, no entanto confesso que a bateria ainda e sempre vai me arrepiar. Bloquinhos eu vou atrás de um ou outro.

Algumas semanas depois do carnaval eu literalmente entrei de gaiato num navio. Pela primeira vez fiz um cruzeiro e pra começar bem fui logo atravessando o atlântico. Saí do Rio no início de março e quinze dias depois estava chegando em Gênova, na Itália, depois de ter passado por Salvador, Recife, Tenerife, Lisboa, Cadiz, Barcelona e Tulon. De lá fui pra Roma, Milão e Londres. Não poderia ter deixado Londres de fora. Ainda dei uma passada de um dia em Bruxelas, na Bélgica, só pra pegar o avião de volta que parou em Frankfurt por causa da conexão de volta pro Rio.

Ainda em Londres recebi um mail me convidando pra entrar num projeto pra ajudar a produzir uma peça de teatro que entrou em cartaz exatamente um mês depois da minha volta, no início de abril. Estreiamos em maio e fomos até agosto com um sucesso grande. No fim da temporada fui conhecer uma cidade que até então parecia ser longe. Vitória, no Espírito Santo. Parentes e amigos novos e antigos morando lá e um clima bastante agradável. Tanto que voltei no fim de novembro novamente e pretendo ainda passar uns dias em fevereiro próximo pra começo de conversa. Também pretendo voltar pra São Paulo, onde passei uns dias em setembro, conhecer outros lugares por aqui e lá por fora.


Enquanto isso tudo estava acontecendo comigo, no Brasil, durante esse ano de 2013 aconteceram alguns fatos que podemos até revisitar alguns no decorrer do próximo ano. A saber: manifestações, revelações de espionagem, prisões de poderosos do caso do mensalão, formação de alianças políticas para tentar uma terceira via, um deputado que despacha na cadeia, médicos cubanos, derrocada financeira de um mega investidor, tragédia numa boate no sul, a volta dos arrastões nas praias do Rio, a invasão de um laboratório pra salvar cachorros da raça beagle, a constância da violência das torcidas organizadas, a censura das biografias ... Seja como for, venha como vier, eu já estou pronto pra receber de braços abertos o ano que se inicia. Que venha 2014. Um feliz, maravilhoso, excelente e impar (apesar de ser par) Ano Novo. 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

CARTA AO PAPAI NOEL

CARTA AO PAPAI NOEL

Querido Papai Noel, não sei se você ainda recebe cartinhas dado o dia em que te escrevo. Aliás, sei que não há mais tempo hábil de colocar essa minha cartinha no correio. Também não sei se você tem mail. Não deve ter tempo em ficar no computador principalmente nessa véspera da véspera de Natal.

Já passa das duas da manhã e hoje é dia 23, ou seja, de acordo com a sua lenda amanhã você monta no seu trenó puxado pelas suas renas e vai entrando de chaminé em chaminé, colocando os presentes nas meias penduradas e sapatinhos colocados nas janelas. Espero que pelo menos o espírito natalino que tento embutir nessa carta chegue de alguma forma pra você, já que a carta física ou o mail não vai chegar mesmo a tempo.

Não sei qual a sua avaliação sobre a minha pessoa durante esse ano, mas te confesso que não foi muito diferente do ano passado. Não sei se de acordo com você eu mereço ganhar um presente bom, no entanto, pelo quadro que se apresentou durante o desenrolar desse ano, acho que presente eu já ganhei. Espero que o próximo ano meus presentes venham e doses homeopáticas como vieram nesse ano. Várias surpresas, na sua grande maioria, calculo que uns oitenta e cinco por cento, boas. Claro, nem tudo é perfeito e os cem por cento é uma meta quase inatingível, mas estamos trabalhando pra isso. E o que eu peço pra você não é uma coisa impossível. É só repetir a dose.

Meu presente de Natal que quero pedir é novamente que aconteçam as mesmas coisas que aconteceram comigo nesse ano de 2013. Não estou dizendo do mesmo modo, do mesmo jeito, ipsis literis, mas digo em termos gerais. Quando as pessoas que eu conheço fazem aniversário e eu coloco uma mensagem no facebook uma mensagem pronta criada por mim, uma espécie de bordão, um mantra, ou seja lá como queira classificar. É exatamente esse mantra que espero que chegue pra mim também nesse Natal e que se espalhe ao longo do próximo ano que chega em poucos dias. Espero ganhar o mesmo que desejo a todos. É um conjunto de palavras que se isoladas já fazem certa diferença,quando juntas e em harmonia cria-se uma áurea de energia muito boa e de certa forma forte também.  

Sorte em todos os projetos nos quais vou trabalhar, nos quais vou me empenhar, seja projeto de trabalho, de viagem, de reuniões e de uniões com pessoas que estejam dispostas a somar comigo, a me ensinar algo novo e que juntos possamos fazer algo que gostamos de fazer e mostrar o resultado final a quem interessar. Saúde pra poder fazer isso tudo. Corpo são, mente sã. Cuidar do físico e da alma. Tentar manter numa constante paralela. Sei que volta e meia uma das duas linhas vai subir ou cair no gráfico, mas tentando manter já está de bom tamanho. Sucesso em todos esses empreendimentos e mais alguns que possam vir a surgir também. Fazer com vontade, com paixão, com disciplina, com vigor e com carinho já é sinal de um bom resultado e bons resultados são sinais de sucesso que por sua vez também pode atrair o dinheiro. A grana é sempre bem vinda, principalmente sendo proveniente do bem suceder. Pra encerrar, peço também muitas, mas muitas mesmo, aos milhões as alegrias que são proporcionadas.
          
          Talvez seja por causa desse mesmo pedido, dessas cinco coisinhas que a sua lenda, Papai Noel, perdura. A sorte de ser passada de geração a geração. Sempre haverá no mundo crianças acreditando em você. A saúde que você tem pra todo ano cruzar os céus, presentear as crianças e realizar os sonhos de boa parte delas. O sucesso que você causa, o impacto da sua figura, o esboço do sorriso de uma criança ao te ver multiplicado em vários lugares. A grana que move essa indústria. Deve ser caro cuidar das renas e manter sua fábrica de brinquedos e sonhos durante o ano. E os milhões de alegrias que você causa em cada embrulho aberto. Um Feliz Natal pra todo mundo.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

RAZÕES DO CORAÇÃO

RAZÕES DO CORAÇÃO

Tem uma marchinha de carnaval que diz assim: “Quem sabe, sabe / Conhece bem / Como é gostoso / Gostar de alguém.” Eu concordo plenamente. Ter alguém pra quem se dedicar faz um bem danado, acho que até desopila as artérias. Claro que se a gente entrar no âmbito dos relacionamentos, todos vão dizer que tem os prós e contras. Isso é fato. E se a gente pesar e pender mais os prós é sinal de que está valendo a pena. Se pender mais pro contra, não insista e parta pra outra. Não adianta ficar dando murro em ponta de faca. Só tente fazer com que seja o menos sofrível possível. O ideal é que a amizade se mantenha quando a paixão acaba. Que quem já foi namorado, casado se tornem grandes amigos. Já que na natureza tudo se transforma, creio que essa é a transformação do amor. Nem sempre dá pra ser assim, às vezes até por outros motivos alheios a nossa vontade, mas, enfim, é a vida.

Eu gosto dessa sensação de borboletas na barriga, de ouvir sininhos no cruzamento de um olhar, na aspiração mais profunda de um cheiro diferente e marcante, numa troca de palavras. Gosto de estar apaixonado, de ser romântico, de idealizar uma longa vida a dois. Acredito no amor, acredito no ser humano, acredito que só o amor constrói, salva, modifica, apazígua, enternece e amolece. Quero descobrir a pessoa ideal, o par certo pra mim. Tenho esperança, fico na eterna busca e acredito piamente que um dia eu vou encontrar alguém que esteja procurando o mesmo que eu, esteja na mesma sintonia, tenha interesses bem similares aos meus e principalmente me ensine muita coisa.

Na minha opinião, pra uma relação ser bastante saudável deve estar sustentada por um tripé e a partir daí as conseqüências se apresentam de modo positivo. E isso não vale apenas pra relação amorosa, mas também amistosa e até laboriosa. O primeiro e provavelmente o mais importante é o respeito. Sem respeito não se vai a lugar nenhum. Saber os limites, as dificuldades, os defeitos do outro e lidar com isso é fundamental pra que uma relação flua de modo perene e orgânico. Em segundo lugar eu destaco a parceria. Mesmo com duas pessoas diferentes a relação pode ser complementar. Acredito que dá pra se fazer uma boa parceria com pessoas de hábitos diferentes. E a terceira é a cumplicidade. Não se deve esconder nada, absolutamente nada um do outro. É confiar mesmo porque se realmente há um envolvimento por trás, não há o que temer.

A vida é uma grande escola. Talvez a melhor de todas onde todos são matriculados assim que nascem e cada um, conforme os moldes da criação, toma suas decisões e arca com as conseqüências. Chega uma fase da vida em que os hormônios ficam em ebulição, nos tornamos super homens, nos sentimos imortais, frequentamos todas as festas, até que conhecemos uma pessoa especial e aí, quando o cupido atinge uma primeira vez ele já começa a aperfeiçoar a mira e vai nos flechando de vez em quando. Nem sempre as setas que nos atingem são certeiras, mas enquanto a mosca do nosso coração não é alvejada, vamos tentando com as outras que fincam nos círculos próximos a bolinha preta.


Dizem que a paixão é avassaladora. É necessário distinguir a paixão do amor. A paixão é condicional, é segregada, é apenas uma atração física que te sacia num momento de carência, desespero ou até necessidade e a pessoa se diz apaixonada. O amor é diferente. Não se ama pela condição de ou em troca de alguma coisa. Simplesmente se ama. E ponto. Ao contrário da paixão, o amor tem que ser visto como um todo. Por isso a dificuldade que eu sinto em me manter amando – estou falando estritamente em termos de relacionamento – alguém. Procuro conteúdo e não forma física. Busco sintonia, freqüência. Como se fosse mesmo uma estação de rádio. Aquela pessoa que se encontra na freqüência que eu defino o meu dial é a pessoa ideal. 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

TOCANDO EM FRENTE

TOCANDO EM FRENTE

Pelo menos uma vez por ano eu me torno um DJ. DJ é a abreviação de Disk Jóquei. Não sei quem deu esse nome àqueles que trabalham selecionando, programando e executando as músicas numa estação de rádio ou numa festa. O Chacrinha com a galhofada dele colocava um chapéu como o de um jóquei e pendurava no peito o disco de um telefone - as gerações mais novas não sabem que telefone um dia teve disco e não apenas teclas – e anunciava as atrações musicais que iam ao seu programa.

Certa feita, na minha festa de formatura, houve um momento em que eu assumi as carrapetas. Tudo bem que o lugar não se encontrava cheio devido o avançado da hora, mas ao escutar os primeiros acordes da música que eu havia separado para abrir o meu set list que devia ter no máximo dez músicas, uma grande amiga se animou e dançou numa pista toda pra ela de início, visto que a empolgação dela atraiu outras pessoas e fizeram um pouco a minha alegria. Como era uma festa coletiva, com todos participando de todas as etapas do processo, inclusive no que tangia a colocação das músicas, acabou que o que coube a mim ficou mais pro final. Lembro que tive uma certa dificuldade na seleção do meu repertório e, principalmente, na sequência das músicas. No entanto, se agradou a uma pelo menos, sinal que tinha surtido o efeito que eu gostaria que surtisse. Ainda tenho vontade de fazer isso novamente.

Sei que dá um trabalho escolher, selecionar as músicas e costurá-las de um modo que a curva de animação da pista de dança não sofra baixas repentinas. Tocar uma música que agrade a grande maioria e que mantenha as pessoas na pista de dança não é pra qualquer um. Tem toda uma técnica por trás disso que eu acho que consigo fazer. Pelo menos consegui na minha única experiência e só tocando música nacional, a que mais consumo.

Uma vez por ano me dou ao luxo de fazer isso. Não de ser um DJ de fato, mas de bolar uma sequência musical que é tocada numa festa. Todo ano gravo um CD com algumas músicas para serem executadas numa festa infantil. Não sei até quando vou fazer isso. A festa em questão é o aniversário do meu sobrinho e nos últimos quatro anos – estava morando fora no primeiro aniversário dele – fiz isso. Claro que as músicas que escolho agradam não só a ele, mas a todas as gerações de convidados da festa. Pelo menos tenho uma vantagem. Como é festa de criança, ninguém presta atenção no que está tocando. Mesmo assim confesso que tenho dificuldade para escolher o repertório principalmente por ser tão vasta e variadas as opções musicais já que cada vez menos foco nas músicas infantis. Aliás, nunca me prendi a esse rótulo.

Existem tantas músicas que não são infantis, mas que cabem perfeitamente numa festa de criança, que reportam a infância de alguém ou que tem esse apelo infantil. Alguns artistas já trabalharam sobre esse tema, como Adriana Calcanhoto e Fernanda Takai. Um exemplo que eu dou é o “Meu limão, meu limoeiro” sucesso na voz de Wilson Simonal. Que eu saiba ele nunca gravou um disco infantil ou com temas feitos exclusivamente para crianças. Mas essa música em particular era a que eu cantava pra ninar o meu sobrinho e ele acabou aprendendo e gostando. Outra que ele aprendeu, mas essa acho que é voltado para o público infantil, foi “Alecrim”.


Meu sobrinho era espectador assíduo da versão brasileira que o SBT fez da novela “Carrossel” e a trilha sonora dessa novela, os dois discos que eles lançaram também tinham essa concepção de misturar não só o gênero musical infantil com outras músicas de outras gerações e os mais variados ritmos. Meu sobrinho não liga muito pra música. Não sei se ainda não foi despertado pra isso, se um dia vai despertar. Mas espero de coração que um dia ele revisite essas compilações e descubra em algumas das 110 músicas pelo menos uma que o faça se sentir tocado de alguma forma. 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

EXTRA, EXTRA

EXTRA, EXTRA

É engraçado como a mídia manipula uma notícia pra vender mais. Parece que o compromisso não é com a verdade e sim com o lucro, com a atenção pra curiosidade alheia. Isso é cada vez mais revoltante e me tira a vontade de ler jornais. Mesmo as notícias televisivas me deixam  com uma pulga atrás da orelha e não me fazem crer cem por cento nelas. Acho que o melhor mesmo é você ver e/ou ouvir a declaração da boca da própria pessoa.

Mesmo o disse me disse, que um amigo falou, que o colega disse, por mais que a pessoa tenha a boa vontade de falar sobre alguém quando questionado por um órgão de imprensa, ainda assim é suscetível a deturpações e nunca sai completamente na íntegra e dentro do contexto. Por isso que eu gosto de programas de entrevistas onde a própria pessoa fala o que pensa e sem cortes ou edição. Nesses, quando há, são perceptíveis.

Me lembro de um fato quando eu ainda estava fazendo figuração na novela ‘América’ onde duas atrizes não concordavam com um detalhe da cena. Detalhe esse meramente técnico, que envolvia o figurino de uma delas e que, ali, na frente da gente mesmo que estava na cena com elas, foi apenas uma colocação, cada uma ao seu modo, com a sua interpretação e não passou disso. Lembro que essa gravação foi na segunda e na sexta já havia uma nota no jornal que a discussão tinha sido braba. Bate boca violento a ponto de parecer que as duas atrizes se engalfinharam no set de filmagem. Mentira. Balela. Exagero da parte do jornal. Agora, como é que a notícia saiu no jornal? Será que alguém estava infiltrado no meio dos figurantes? Será que na própria produção de um modo geral tinha um recalcado que tem um contato no jornal e quis mesmo detonar as atrizes?

Eu já começo a desconfiar de tudo. Por isso que não leio mais jornal. Só dou uma passada de olhos nas manchetes. Prefiro mil vezes ler uma coluna, que é diferente. Ali está a opinião de quem escreve e nesse caso não se inveta nada, apenas se observa temas, fatos e se disserta sobre. Nelson Rodrigues já escreveu sobre esse sensacionalismo dos jornais com uma peça chamada “O Beijo no Asfalto”. Me lembro do filme protagonizado por, se não me engano, Tarcísio Meira e Ney Latorraca. Esse assunto é bastante polêmico e comentado. Principalmente pelo fato de se ter criado uma indústria para esse segmento. Coitada da Princesa Diana que pagou com a vida o fato de ser uma celebridade e cuja perseguição dos paparazzi culminou no acidente que causou a morte dela.

Eu não sei por que, sinceramente não me entra na cabeça, tamanha curiosidade pela vida alheia. Parece que a própria vida não está cheia de problemas pra serem  resolvidos. Ainda querem bisbilhotar a vida dos outros e o pior, querer cuidar, dar palpite. Acho isso um absurdo. Ainda na seara de Glória Perez, li meses atrás uma entrevista do Adriano Garib, que interpretou o Russo em `Salve Jorge` dizendo não estar preparado para o sucesso. Hoje em dia, onde qualquer um pode fazer a sua notícia própria e divulgar nas redes sociais, o Garib comentou que uma vez saiu pra ir a um shopping ou restaurante e quando voltou pra cada viu sua imagem exposta em vários sites. Eu mesmo já sofri isso na pele. Uma vez dei uma declaração acerca de um amigo famoso que estava enfrentando uma dificuldade de saúde e quando saiu a nota achei que estava um pouco exagerada. Se bem que a parte que eu falei não era mentira. O exagero estava no resto da nota. Mesmo assim desenhou um quadro que não era fiel ao que realmente se apresentava.   


Notícias vendáveis são o que há de mais absurdo nesse mundo cão em que vivemos. Notas plantadas, bate-boca falsos, disse me disse, isso não é saudável pra quem compra, pra quem vende e principalmente pra quem faz. Abaixo aos tabloides. 

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

"DINHEIRO NA MÃO É VENDAVAL"

“DINHEIRO NA MÃO É VENDAVAL”

Paulinho da Viola já cantava o que está escrito no título dessa postagem. O assunto hoje é econômico. Eu não sei lidar muito bem com dinheiro. Não que eu esbanje, seja um gastador, pelo contrário. Atualmente seleciono o que me interessa, gasto apenas o necessário, o essencial no que concerne à minha evolução como ser humano. Isso inclui principalmente e basicamente a área cultural. Teatro, cinema, viagens, shows... é nisso que vai o meu investimento.

Tem gente que acha que isso é gastar dinheiro a toa. Aí vai do ponto de vista e do interesse de cada um. Eu tenho uma certa aversão por pessoas extremamente consumistas. Aquelas que só querem saber de comprar, comprar e comprar. As mais doentes compram sem necessidade nenhuma. E o pior é que tem gente que compra e fica acumulando coisas, ou seja, além de consumistas não conseguem se desfazer das coisas mais antigas. Eu sou altamente desprendido, desapegado de tudo que é coisa material. Não ligo mesmo. Principalmente se for roupa de marca. Isso na Europa é tão barato e a visão deles quanto a marcas é completamente diferente. Claro que tem os rótulos, as marcas que são top em todo mundo, mas por exemplo, uma loja Zara, que aqui o preço das coisas é extremamente caro, lá fora tem um cunho mais popular. Eu sinceramente não entendo porque comprar uma cueca da Calvin Klein a despeito da Zorba se a função da cueca é uma só.

Lido muito bem com dinheiro. Se é meu não gasto ou, como disse, apenas em algumas coisas que em se tratando de Brasil ainda é caro. Agora, quando é dinheiro dos outros o meu cuidado aumenta muito. Afinal, aquilo não me pertence. Tudo que não me pertence o cuidado é maior da minha parte. Tenho cuidado com todas as minhas coisas também. Quem me conhece sabe que eu sou zeloso com minhas coisas, mas com as coisas dos outros eu tenho um zelo que chega a ser quase que um TOC. Em se tratando de dinheiro me ocorreu uma situação que vivenciei em Londres.

No evento de moda que eu trabalhava, na semana masculina, eu era o encarregado de um dos provadores. Um dia caiu uma moeda de uma libra do bolso de algum cliente e eu tirei a moeda do chão e a coloquei em cima do balcão onde ela ficou por dias. Provavelmente foi pro caixa do evento. Em relação a administração do meu dinheiro, acho que me dou muito bem com ele. Não sou gastador. Pelo menos não comigo. Faço a linha Madre Teresa quando um amigo meu está precisando, ou quando sei que que vai agradar a alguém procuro fazer uma boa ação, mas comigo mesmo não gasto muito.

Sei que vai chegar um dia que eu vou ter que mudar essa mentalidade de ser dispendioso com os outros e focar mais em mim. Pra isso eu preciso mudar de vida, pagar um aluguel, ou mesmo assumir as minhas contas, como telefone, plano de saúde e até o bilhete único. Mas pra isso preciso ganhar dinheiro. Isso eu ainda não sei. Não tenho tino e muito menos lábia de vendedor seja lá do que pra convencer alguém a comprar um produto que eu confie ou até mesmo que eu produza, não sei como se faz isso e ninguém me ensina. Sei que tenho várias qualidades e características que me fazem agir em vários seguimentos. Mas o meu mal é não focar em um que me dê um retorno financeiro que me agrade e me sustente decentemente. Na verdade foco muito mais no que me agrada e o sustento sempre deixo pra segundo plano.


Se alguém souber de algum curso, que não seja caro, e que ensine como ganhar dinheiro, mas bastante dinheiro e não qualquer merrequinha que essas já me bastam, me avise. Entrando mais não quer dizer que vai sair mais, mas pelo menos o conforto será bem maior. Mesmo se eu abrir a carteira num furacão o dinheiro não voa. Até por que tenho o hábito de ficar passando o cartão mesmo e poucas são as notas que ficam.

domingo, 17 de novembro de 2013

ALTA FREQUENCIA

ALTA FREQUÊNCIA

Meu sobrinho herdou uma coisa de mim. Infelizmente não muito boa. Não me lembro se meu irmão tinha também, mas na freqüência que eu tinha acho que não. Quando eu era criança, mais ou menos na faixa etária que meu sobrinho está, eu tinha muita crise de bronquite e volta e meia eu baixava na Albert Sabin, uma clínica que não existe mais e que atualmente virou um edifício onde mora minha tia Roseléa. Isso ele deve ter herdado de mim. Ainda não com a mesma freqüência, mas volta e meia ele tem que ir pra algum hospital fazer nebulização.

Eu fiz muito quando criança e sei o tamanho do desespero que a gente fica quando a gente tenta encher os pulmões de ar e as vias aéreas ficam obstruídas. Uma atividade que me ajudava a diminuir a freqüência dessas crises era a natação. Meu sobrinho também faz natação, não com a freqüência que eu fazia. A natação é um esporte completo. Eu, ás vezes, quando o verão está pra começar, me arrisco a dar umas braçadas de vez em quando na piscina aqui do edifício. Meu sobrinho também faz incursões pela madrugada atrás de um nebulizador quando é atacado pela crise asmática.

Eu tinha asma brônquica, não sei se ele também tem isso. Me lembro que minha mãe dormia comigo e dependendo da minha respiração durante o sono, me levava  pra clínica. Lá eu fazia a nebulização e o ar ficava literalmente mais respirável. No fundo, apesar do desconforto, eu gostava de fazer nebulização. Brincava de piloto de caça de avião com aquela máscara cobrindo meu nariz e boca. Adorava ouvir o barulhinho do tanque de ar soltando aquele vaporzinho. Com meu sobrinho de vez em quando acontece a mesma coisa. Ele chega a chorar por não estar conseguindo respirar. Eu entendo. Me dá uma agonia em vê-lo assim também.

Está chegando a fase das doenças de criança. Não sei se já erradicaram todas e se a geração dele tem menor risco do que a minha de pegar uma catapora. No mínimo uma catapora. Eu tive catapora. Tomava banhos de permanganato de potássio, uma água de cor vinho com a qual tinha que me esfregar junto com um sabonete especificamente recomendado pra tal. Também arrumei sarna pra me coçar. Era um pouco mais velho que meu sobrinho, estava entrando na adolescência, mas consegui pegar sarna não me lembro como. E conjuntivite?

Agora, meu irmão batia recorde. Ele conseguia pegar as doenças mais estranhas que eu já vi. Orquite, mononucleose, além de hepatite e algumas incontáveis fraturas. Alguma coisa desse tipo, bem estranha, era o que fazia ele parar em casa. Até hoje é assim. Só sossega quando não tem mais jeito. Mas não é uma gripezinha qualquer que vai fazer ele parar. Tem que ser uma porrada boa, uma doença que deixe ele de cama mesmo, que derrube e mesmo assim ele não faz o resguardo completo.

Eu fico na expectativa de quando o primeiro dentinho dele cair. Qual será a reação dele? Será que vai ficar apavorado, ou vai curtir a troca da dentição? Acho que eu fiquei apavorado com o primeiro, mas no segundo eu já acostumei com a idéia e daí por diante adorava um dente mole. Achei uma pena a natureza só trocar uma vez a dentição. Agora, não só as crises de bronquite que meu sobrinho tem de vez em quando, mas os possíveis, imagináveis e previsíveis tombos, arranhões, escoriações, contusões e por que não dizer quebras e fraturas podem ser que venham com a fase que meu sobrinho está entrando agora.


Se ele for igual ao pai vai ser assim. Agora, se ele me puxar no que tange a saúde, apesar de eu também ter tido as minhas doenças de infância e de ter quebrado o braço uma vez, a freqüência de idas a hospitais, pronto socorros não será tão alta assim. Crise asmática é hospital na certa. Vejamos como se comporta em outras situações.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

CATIVANDO

CATIVANDO

Na história do Pequeno Príncipe tem uma frase que diz que você é eternamente responsável por aquilo que cativas. Fico imaginando o tamanho da minha responsabilidade já que tem várias pessoas, e cada vez mais o número é crescente, que eu cativo. Já percebo que minha responsabilidade sobre elas está falha. Não necessariamente falha, mas deficiente. Talvez pelo fato da própria vida dar rumos diferentes a pessoas tão queridas a sensação que se tem é que você as deixa meio de lado, meio esquecidas. Não é isso. A hora que precisarem, elas sabem que podem contar comigo.

Eu tento saber ao menos como as pessoas que me circundaram em um determinado momento ou época da minha vida estão. Claro que saber sobre quem estudou comigo no jardim de infância também já é querer demais. Nesse aspecto só mantenho contato com algumas pessoas do segundo grau. Da faculdade é mais certo, garantido o contato. Atualmente, com o advento das redes sociais, esse contato fica mais fácil. Ainda não reconheci ninguém que tenha estudado comigo no jardim de infância primeiro ou segundo grau. Uma vez até achei uma pessoa que estudou comigo na oitava série – acho que hoje se chama nono ano – e cheguei a adicioná-la na época do Orkut, mas acho que ela não se lembrou de mim e ficou por isso mesmo.

Hoje são raros os meus amigos que não tem Facebook, mas existem. Já os que tem, fica sendo um contato permanente, um canal aberto onde a qualquer hora, em qualquer momento a gente possa se comunicar. E a responsabilidade parece que tem um peso menor, mas ainda pesa. Pesa pelo fato de ainda estar ali, você estar vendo e, se faz parte do seu grupo de amigos é por que houve em algum momento uma cativação (se é que existe essa palavra). Acho também que o facebook diminuiu a função do “dar um telefonema pra saber se tá tudo bem” dada principalmente pela auto exposição, pela evasão de privacidade, pela externalização de um sentimento ou opinião. Até pra dar os parabéns eu dou pelo facebook, a não ser se for alguém que eu dê a preferência para telefonar, aí não deixo mensagem. Pra mim uma substitui a outra. Acontece as vezes de eu tentar ligar, não conseguir, deixar um recado, tentar ligar novamente e falar com o aniversariante, mas é raro fazer os dois.

Tem algumas pessoas que estão lá como amigos mas que não passam de meros figurantes. Várias vezes já pensei em desfazer essas amizades, mas por menos que haja contato, que ninguém escreve pra ninguém os deixarei lá quietos até eles me detonarem. De minha parte não farei isso. Talvez até faça, mas vou pensar muito se realmente fizer. No fundo, acho que isso é fechar portas, perder contato, coisa que eu não gostaria que fizessem comigo. Mesmo que eu tenha cativado essas pessoas em algum momento e atualmente esse fato não esteja mais em vigor na vida delas, o que é natural acontecer e/ou que por conta de outras circunstâncias o contato mais frequente foi perdido, sempre é tempo de se recuperar, de recomeçar. E outra, se essas mesmas pessoas também não fizeram o mesmo comigo é por que lá no fundo rola uma esperança também da parte delas de o contato ser restabelecido.


Quando a vida me afasta das pessoas que eu cativo eu fico um pouco chateado, mas não triste. Afinal as pessoas chegam e partem, se encontram e se despedem. Infelizmente esse é o ciclo da vida. Ë difícil pra mim, que sou muito apegado as pessoas e no que elas representam pra mim, parar de falar com quem quer que seja é u pouco doloroso. Parece que é um sinal de que não cativei direito, o suficiente pra que aquela pessoa mantivesse o contato e não apenas figurasse, como tem acontecido, no meu facebook. Mas fazer o que? Nem tudo sai como a gente espera. O negócio é aprender a contornar essas situações e tentar aliviar essas perdas com alguns outros. 

CINEMÚSICA

CINEMÚSICA

Algum tempo atrás eu era mais fixado em filmes de um modo geral. Corria para o cinema pra assistir aqueles filmes que entravam em cartaz e dar o meu aval, o meu parecer sobre a trama nas rodinhas de conversa. Na época do vídeo cassete, logo assim que adquirimos um, frequentei bastante uma vídeo locadora que hoje nem existe mais. Aliás, existe locadora hoje em dia? Claro que existe, mas não deve ter o mesmo apelo que tinha antigamente. Agora, já na era do DVD não sinto tão atraído até pelo fato de a TV a cabo também oferecer uma boa gama de filmes pra se ver em casa. Com esse sistema de gravação no próprio aparelho que fica armazenado o tempo que você quiser, aí mesmo que nem me arrisco a me cadastrar numa vídeo locadora. A última inscrição que fiz em uma foi aqui perto de casa logo assim que meu primo Luis Antônio casou. Lembro que a numeração da carteirinha dele e da minha era bem próximo, apenas dois números de diferença.

Eu sempre apostei na leitura. Acho que isso é quase uma unanimidade. Os livros são bem melhores que as adaptações deles pras telas de cinema. E eu particularmente tenho um problema. Se eu leio um livro depois de já ter virado filme, minha imaginação fica limitada. Às vezes acontece de eu pegar o livro anos depois  de anos do lançamento e de eu ter visto o filme, alguns detalhes do filme ainda ficam na minha memória. Ao menos as atuações dos protagonistas. Já os detalhes mais técnicos e minuciosos como luz e enquadramento eu esqueço na sua grande maioria, mas mesmo assim aquela história já está formatada e eternizada na visão daquele diretor, que nem sempre é a minha.

Tem uma linha que eu até vejo, apesar de não ser muito fã, ou seja, vejo como se fosse outro filme qualquer que são os musicais, geralmente saídos dos palcos da Broadway. O último que vi nessa linha, e gostei, foi Os Miseráveis, da obra de Victor Hugo e talvez o mais famoso seja “A Noviça Rebelde” que atravessa gerações. Não sei se meu sobrinho viu e nem se na idade em que ele está tem paciência de ficar sentado vendo o filme. Ele ainda está na fase do desenho animado. Outro que me lembro bem foi “Evita”, aquele com a Madonna. Mas tem também Chicago, O Fantasma da Ópera, Mamma Mia entre muitos outros. Falei de filmes adaptados de livros e de musicais.

No fim da década de oitenta o Cacá Diegues fez um filme chamado Veja essa canção. Ele pegou quatro músicas e bolou quatro histórias, uma sobre cada música e filmou. Filmes sempre andaram acompanhados de músicas. Quem não reconhece os acordes da marcha imperial do Darth Veider na guerra nas Estrelas, do voo do Super Homem do Christopher Reeve, da bicicletinha voando do ET, da ação do Missão Impossível ou do James Bond.


Dessa vez fizeram ao contrário. Pegaram uma letra de música e roteirizaram para transformar em um longa metragem. A música tem a idade do meu irmão, mas devido a turbulência política que o país estava vivendo naquela época – ditadura militar – só foi lançada anos depois, no terceiro disco do grupo. A banda em questão é a Legião Urbana e a música é Faroeste Caboclo. Estourada nas rádios em meados da década de 80 e fora dos padrões normais de uma música executável em rádio já que ela tinha dez minutos de duração, essa música marcou uma geração, a minha, e conta a história de um triangulo amoroso conturbado e violento entre Jeremias, João de Santo Cristo e Maria Lúcia. A música nada mais é do que a sinopse do roteiro do filme. É interessante, e se essa moda pega, pelo menso aqui no Brasil tem uma variedade enorme de sinopses em formas melodiosas. O samba enredo é mais ou menos isso também, dada as devidas proporções. Se eu fosse chamado pra roteirizar uma música, sem pestanejar, escolheria “A perereca de vizinha” da Dercy. 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

UM MONTE DE NADA

UM MONTE DE NADA

Volta e meia eu me pergunto por que é que a gente guarda tanta porcaria. Tem coisas que a gente ganha, compra ou simplesmente aparecem que não servem pra muita coisa e a gente ainda mantém aquilo não se sabe o motivo. Não gosto de acumular coisas. Claro que o mínimo, o básico a gente tem que guardar. Documentos, roupas e tal. Mas o que mais me incomoda é guardar quinquilharia.

Acho que de todos aqui em casa eu sou o que menos acumula coisa. Tanto que a minha cama-baú e parte do meu armário guardam coisas que nem pertencem a mim. Eu sou organizado. Já fui mais chato, mais metódico nas minhas arrumações. Mas isso me ajuda a otimizar mais a minha vida de um modo geral. Se me perguntarem onde está alguma coisa minha sei responder. Outro dia minha mãe precisou do número de um documento meu e não sabia onde encontrar. Ela me ligou e eu dei as indicações exatas. Não demorou dois minutos pra ela achar. Se fosse ao contrário poderia levar horas pra achar.

Falta de organização dá nisso. Minha mãe é desorganizada, assim como meu irmão. E o pior que meu sobrinho está indo pelo mesmo caminho. A bagunça é apenas um estagio da desorganização. Talvez o principal estágio. Não sei se é a preguiça de parar um ou dois dias, sentar e mexer nas coisas fazendo a seleção do que é útil (eu disse é útil e não pode ser útil que esse, no meu caso, eu também descarto e fico só com o que é certo) e se desfazer das outras coisas. O problema é que a gente se apega muito a muita bobagenzinha.

Eu também já fui assim, já guardei muita coisa, mas agora me sinto desapegado dessas coisinhas materiais que a gente ganha e guarda. Até dos meus discos, minha última barreira de acúmulos, já estou me desfazendo e, a exemplo dos livros, estou ficando apenas com alguns, geralmente com os artistas que mais me tocam, que eu tenho vários discos a exemplo de Gal, Erasmo, Marisa Monte, Vanessa da Mata, coletâneas e tributos. O resto eu transformo em MP3 e vai pro meu acervo virtual. Pelo menos ganho espaço físico fazendo isso. Como os livros que ainda mantenho ainda não dá pra fazer isso. Só se eu descobrir um aplicativo onde eu possa baixar o livro, ler pelo celular e depois descartar ou mesmo acumular virtualmente. Um dia chego lá.

Esse post, por exemplo, eu estou escrevendo do desktop aqui de casa que fica no escritório. Esse lugar aqui é tão pequeno pra se dizer que é um quarto de empregada que foi transformado num escritório e se acumula material dos meus pais no que diz repeito a papelaria e afins. No entanto me dá agonia ficar aqui. Prefiro abrir o meu laptop no meu limpo e organizado quarto e ficar por lá, isolado no meu canto. Me dá agonia ficar aqui no meio dessas pastas, montanhas de papéis espalhados pela mesa sem contar essa estante do meu lado que também ta cheia de papel e de porcaria. Nada que se utiliza com frequência. Só está aqui acumulando mesmo. Eu nem me atrevo a mexer aqui. Nada que está aqui me pertence ou me interessa e se por acaso acharem algo que é meu no dia em que resolverem dar uma varredura aqui pode descartar, jogar fora, já que eu não estou mesmo sentindo falta e nem precisando do que quer que seja.


Dizem que que tem um não tem nenhum e quem tem dois tem um. Isso vale só em alguns aspectos na minha concepção, como por exemplo frascos de perfume, mas no geral eu não vejo necessidade de ficar acumulando coisas. Se os textos desse blog fossem escritos na máquina de escrever certamente eu já teria encerrado os trabalhos há um bom tempo de tanto papel que eu teria escrito. Já estaria na segunda resma. Graças a tecnologia eu posso tê-los guardados em um arquivo que fica num pen drive. Uma diferença de espaço bastante considerável. A nova ordem pra botar tudo em ordem é aquela música cantada pela Sandra (de) Sá cujo refrão é “joga fora no lixo.”  

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

SALVE A MOCIDADE

SALVE A MOCIDADE

Hoje passei por uma esquina aqui em Niterói, das ruas Gavião Peixoto com Presidente Backer quando me veio a memória um daqueles episódios que a gente faz na adolescência. Por pouco tempo (acho que não durou um ano ou quem sabe ainda está lá e ninguém percebe) próximo a essa esquina funcionou uma boate chamada vinte e um. Entrei lá uma vez acompanhado da turma do meu prédio. Devíamos ser em no máximo dez pessoas contando com a aniversariante.

Sim, era o aniversário da Juliana. Só ela também pra ficar sabendo desses lugares inusitados. Se não fosse por ela a boate fecharia sem o meu conhecimento. A entrada dessa boate era uma escadaria, pois ela ficava no pavimento superior. Vinte e um devia ser o número da capacidade máxima do lugar de tão pequeno que era. Tá, vinte um é exagero, mas não cabia mais do que quatro vezes esse número. Até pelo fato de ter que dividirmos o espaço com mesas de sinuca e totó (pebolim).

Foi a primeira vez que eu vi uma boate com mesas de jogos no salão. Geralmente vejo isso em pubs, não todos, mas é mais comum. Em boates foi a primeira vez. Mas também chamar aquele lugar de boate é generosidade da minha parte. Além das mesas, existia uma pilha de jogos de tabuleiros pra serem utilizados pelos clientes. Era uma boate com cara de pub, uma mescla dos dois, boate no aspecto e pub no tratamento. A pista de dança devia ser do tamanho do meu quarto. Primeira e única vez que entrei lá. Pelo menos tinha uma vantagem. Ficava mais perto de casa.

Na nossa época de juventude as melhores casas noturnas se concentravam na orla de São Francisco, bairro separado de Icarai por um túnel. Bedrock, Barthô e Acrópole eram as nossas principais opções de diversão no saco. Saco, nesse caso é o acidente geográfico onde fica o bairro de São Francisco. Assim como tem baia, restinga, enseada tem saco também. E particularmente incluo o bairro de Charitas, que é depois de São Francisco. Bons tempos aqueles e, que fazíamos parte do “exército do surf”. Tinha o Le Village também, mas esse era lá em Itaipu e raramente a turminha ia pra lá.

Essa época foi quando eu comecei a sair na noite. Já tinha meus dezessete anos. Fui muito tardio nesse aspecto. E hoje não tenho mais paciência pra isso. Avalio muito se vale a pena perder uma noite numa boate com música barulhenta e pessoas falando bem alto no seu ouvido. No enanto, na mocidade, se a gente não saísse pelo menos um dia nos fins de semana é porque havia alguma coisa de errado. A gana, a ânsia, a vontade de de ir pra boate todo fim de semana, novidade, descoberta, toda uma fase e que todo jovem passa por, era o que a gente estava vivendo no momento.

Também tínhamos umas coisas que hoje, vendo afastadamente, com outra mentalidade, era uma esquisitice. De repente essa mesma média de dez pessoas saia do prédio e ia andando até a rua paralela a praia de Icaraí e parava numa famosa sanduicheria local. Isso pela madrugada. Volta e meia também apostávamos corridas de madrugada no calçadão da praia, jogávamos vôlei nesse mesmo horário (ao menos a praia não estava cheia e tinha menos concorrência nos postes onde armávamos a rede). E quando nosso bando pegava as bicicletas e ia até a Fortaleza Santa Cruz fazer um pic-nic e voltava? Teve uma vez que o pneu da bicicleta de alguém furou quase chegando lá. Conclusão: tivemos que descer da bicicleta e voltar a pé empurrando até em casa.


Fizemos sim, fizemos com prazer e com orgulho. Não nos arrependemos e faríamos tudo novamente. Essa fase áurea foi a melhor. Sem muitos compromissos, as únicas preocupações eram com as provas escolares e com a média no boletim no fim de cada bimestre. Depois veio a faculdade e o rito de passagem da adolescência pra vida adulta. Creio que no meu caso foi da infância para adolescência ainda, fase essa que devo estar saindo agora. Pelo menos o número de preocupações aumentou um pouco.  

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

ALÔ

ALÔ

Uns podem chamar de traição, outros de crédito de confiança. Se não me engano a algum tempo atrás escrevi aqui sobre aparelhos de telefones celulares. Sobre minha relação com eles. Pois bem. No meio do cruzeiro citado na postagem anterior, um dos pontos de parada é a cidade de Tenerife. Apesar de ficar na costa africana, Tenerife é uma ilha que pertence a Espanha e pra a alegria dos bolsos dos emergentes é zona franca, ou seja, os produtos lá não são taxados, não tem impostos. É o verdadeiro paraíso pra se comprar produto eletrônico como tablets, DVD portátil, câmeras fotográficas e aparelhos celulares entre outros.

Finalmente chegou a oportunidade que eu queria pra cortar o meu cordão umbilical com as marcas até então fidelizadas por mim. Não, não estou cuspindo no prato que comi. Continuo gostando tanto da Nokia – dois aparelhos no ranking pessoal – quanto da Sony Ericson – se não me engano quatro aparelhos ou mais, ou seja, a preferida. Mas era chegada a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor. Hora de respirar novos ares, de experimentar outra coisa. Minha mãe já tinha ido lá e infelizmente, por ser domingo, na hora em que o navio aportou as lojas boas que ficavam próximas ao porto estavam fechadas. Se soubéssemos que abririam duas horas depois a gente até poderia esperar, mas como adivinhar?

Em outra parte da ilha tem uma região chamada Santa Cruz do Tenerife. E foi pra lá que os motoristas de táxi que nos cercaram no porto nos levaram. Com a desculpa de que estava tudo fechado, fomos não só as compras quanto visitar a parte antiga da cidade. Uma das lojas próximas ao porto era a da Samsung. Eu estava atrás de um Galaxy note, que pra mim é um mini tablet também com a função de telefonar. Um smartphone. Pra onde a gente foi, pra loja que os motoristas nos levaram esse aparelho  tão cobiçado por mim estava em falta, mas o sujeito lá me apresentou a um genérico dele que era o LG. O aparelho da minha mãe era LG e funcionava direitinho. Não tinha nada contra e nem a favor. Estava atrás do Galaxy Note. O LG estava na minha mão e eu pensando troco ou não troco, levo ou não levo. Pensei, pensei, pensei e decidi. Quer saber, se esse faz tudo o que o Samsung faz também, posso colocar os aplicativos que eu quero então porque não levar esse mesmo? Levei. E não tô arrependido. Até que ele é bonzinho.

Acho que a dificuldade maior foi encontrar uma capa pra ele. Essa só fui conseguir em Roma e mesmo assim não era a capa ideal. Os buracos não condizem exatamente com as áreas que deveriam ser descobertas. É tudo meio torto, mas foi a que mais se aproximou. Pra mim a capa ideal seria aquela que o Samsung Galaxy Note tem, que lembra um pouco um livrinho, com capinha que abre pro lado, mas essa ainda não achei pro LG. Aliás, tudo lá fora é voltado basicamente pra Samsung ou Iphone. É complicado achar acessórios pra outros modelos ou marcas. Até encontra, mas em oferta bem menor. 


Outra coisa que fui atrás mas só achei aqui no Brasil na volta foi aquela película de proteção da tela. Colei uma na semana que eu cheguei. Pra sorte minha, também na semana que eu cheguei a Anatel me baixou um decreto dizendo que a partir do próximo ano TODOS (com letras garrafais mesmo) os aparelhos celulares serão obrigados a passar pela homologação da agência reguladora. Essa história de trazer de fora está com os dias contados. O governo até cortou os impostos de uns modelos pra baratear o custo na hora da compra. Se realmente isso se mantiver e o valor dos aparelhos se equivalerem tanto quanto lá fora, se as tarifas telefônicas não fossem tão caras e se aprestação do serviço fosse realmente de qualidade até dá vontade de comprar um aparelho aqui. Mas eu sinceramente duvido que isso aconteça a tempo de eu presenciar.  

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

CRUZANDO DE CRUZEIRO

CRUZANDO DE CRUZEIRO

Dizem que viajar é bom, mas que voltar pra casa é muito melhor. Eu não acho. A gente volta pra casa porque não pode continuar viajando. Passei praticamente o mês de março todo desse ano viajando. Um mês é muito tempo pra muita gente, pra mim não. Acho pouco. Por mim viajaria de três a quatro meses por ano. Minha viajem foi bem dividida. Quinze dias em mar e quinze em terra.

Um cruzeiro. Meu primeiro cruzeiro e já atravessando o atlântico. Não imaginava que um cruzeiro era tão bom. Todos que foram falavam que era bom, mas nunca tive vontade de fazer um até agora. Na verdade o que me fez gostar do cruzeiro foi uma série de fatores. Por ficar tanto tempo no navio e convivendo com as mesmas pessoas durante esse tempo a gente acaba criando um vinculo, mesmo que efêmero. Por menos que você queira, aquelas são as pessoas com as quais você vai conviver e não tem como escapar. As verá da hora que acorda até a hora que vai dormir. A não ser que se trancafie na cabine e não saia de lá pra nada, fique totalmente recluso, tipo o Roberto Carlos quando faz show no navio.

Não, no que eu fui não teve Roberto Carlos nem ninguém famoso. Mas tem shows do staff do navio. Existe toda uma estrutura gigantesca pra fazer com que esse isolamento não ocorra, desde shows com cantores, dançarinos, acrobatas, concertos de música clássica, equipe de animação, e várias outras atividades que só te deixam em paz se você quiser. Atravessar o atlântico de navio é como bando de pássaros que migram. Os navios atravessam uma vez por ano pra cada hemisfério. Geralmente em novembro eles vem para o Brasil e em março retornam a Europa.

Claro que existem vários navios de várias empresas. A que eu fui foi a MSC e o que eu achei imprescindível nesse navio é a quantidade de brasileiros que mantem o pique dos hóspedes passageiros pra cima. Além de brasileiros, franceses e alemães eram o que dava o tempero desse navio. A nossa alegria contagiante era o que sustentava o animo das pessoas, geralmente acima dos sessenta. Eu apelidei de cruzeiro geriátrico. Mas encontrei uma turminha mais ou menos da minha faixa etária e agente também aprontou um pouco. Uma das vezes foi a invasão da festa da tripulação. Claro que tinha um esquema pra gente invadir. Mas a festa foi tão boa que pedimos ao comandante pra que a tripulação fosse liberada para outra. Fizemos abaixo-assinado e tudo. O comandante liberou. Ele também é um amante de brasileiros. Ele próprio confessou isso quando a gente esbarrou com ele num dos portos que paramos. Acho que ainda foi aqui em Salvador ou Recife.

Andar de navio é isso. Como Adriana Calcanhoto canta, “um amor em cada porto”. A cada dia você para em um lugar diferente, passa horas lá e depois toma o navio de volta pra seguir viagem. Saímos do Rio e passamos em Salvador, Recife, Tenerife, Lisboa, Cadiz, Barcelona, Tulon e Gênova. Foi lá que o navio parou. Nesses quinze dias conheci e convivi com pessoas bacanas, dignas da minha amizade eterna e constante. Pessoas que eu gostaria imensamente que a amizade não fosse tão efêmera quanto a viagem. Algumas, as que faziam parte do grupinho que a gente formou, da minha faixa etária, até troquei contato e adicionei no facebook, mas não de todas as pessoas que eu gostaria. É difícil, mesmo sabendo que a viagem acaba, com o vínculo criado, se desfazer dele. 


Faria um cruzeiro novamente, se pelo menos a equipe de animação for a mesma eu vou curtir mais. Mas eu tinha que fazer um com as mesmas pessoas pelo menos da minha turminha, já que cada um mora em um lugar diferente e vai ser muito difícil reunir todos novamente. Enfim, o primeiro cruzeiro a gente nunca esquece. Principalmente quando se atravessa o atlântico. 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

NA TELA

NA TELA

Quando Graham Bell inventou o telefone, mal sabia ele que o tal aparelho iria se transformar num utilitário imprescindível na sociedade do século XXI. Atualmente é raro conhecer uma pessoa que não carrega sempre consigo um aparelho celular. E mais raro ainda um que desligue ou mantenha distância considerável dele por mais de cinco minutos.

Toda tecnologia quando chega em nossas mãos, a princípio, assusta. O que costumávamos ver nos filmes de James Bond era inacessível e fazia parte do imaginário cinematográfico. Eram o que chamávamos de coisas de cinema.

Hoje, nas nossas mãos, com o intuito de que as pessoas aproximem seu mundo das outras, o aparato tecnológico tem suas desvantagens. Criam um mundo artificial, superficial, deixando pra trás a realidade e por isso mesmo modificando valores e conceitos muito prezados e cultuados antigamente. Essa prática do “cada um no seu quadrado” não contribui para uma carga, uma bagagem, um aprendizado ou uma troca, até pelo fato de o ser humano tender a se aproximar dos seus iguais, isto é, dos que tem mais afinidade não percebendo assim a diversidade a qual é composto o mundo além das polegadas da tela do computador, tablet  ou do próprio telefone.

O contato vai além da web cam ou das mensagens trocadas pelo celular. Está faltando o olho no olho, o toque, o cheiro, a troca, a reação imediata através da linguagem corporal. O que acontece hoje é o emudecimento do corpo. É preciso afastar esse cale-se e utilizar a tecnologia como aliada e não como algoz. Não devemos e nem precisamos depender totalmente dela, apesar de reconhecer que ela nos auxilia em vários aspectos. Como tudo que é inventado, só tem que vir pra somar e não pra substituir.

Fico imaginando um bate papo descontraído entre o próprio Graham Bell e Steve Jobs. O que eles tem de assunto pra tratar um com o outro deve durar uma eternidade.


Parece pequeno, mas eu tinha no máximo trinta linhas na folha e utilizei vinte e sete na estrutura de redação, ou seja, a primeira linha é o título, pula uma e começa o texto. Apenas duas linhas foram deixadas em branco no final. Sei que esse texto não está grandes coisas, mas devido a pressão da hora não consegui fazer melhor. Isso pelo fato de eu sempre fazer questão em escrever um rascunho antes de ficar definitivo na folha que é entregue.

E só agora, botando ele aqui, eu percebo os erros que cometi. Redação de concurso público não é blog. A começar pelo título, que foi a última coisa que escrevi nessa redação. “Na tela” não caiu bem. Talvez se eu complementasse com “do telefone” ou “ do computador” até poderia melhorar. Cito tela de tablet e menciono até as de cinema, mas esse não é o cerne da questão. Claro que depois de escrito outras idéias de título surgiram. Mas aí já era tarde. Também fiquei na dúvida de como se escrevia Graham Bell. Não sei se é assim e por isso mesmo, ao escrever pela segunda vez o nome dele mantive essa grafia. Outra palavra foi ‘imprescindível’. Nem consultei no dicionário pra não ficar mais apreensivo com o resultado do julgamento da a banca examinadora.


Nesse concurso em específico foram quatro horas de prova. Meu tempo até que foi bem dividido. Levei duas pra responder as sessenta questões, meia hora pra fazer o jogo da loteria, ou seja, marcar no cartão-resposta essas sessenta questões e uma hora e meia entre pensar, rascunhar e passa a limpo essa redação. Ainda preciso cortar alguns vícios que tenho ao escrever, mas pelo menos o tempo eu estou sabendo administrar.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

LOTERIA PÚBLICA

LOTERIA PÚBLICA

Dizem que se você trabalha em uma função que gosta, na verdade não configura um trabalho, mas uma diversão. Eu concordo e compartilho desse pensamento. Não vejo o trabalho como um ato sacrificante e que tem sua compensação uma vez por mês, quando se recebe a remuneração pra tal. Dependendo do cargo que ocupa, isso até pode influenciar negativamente na saúde. Eu faço de um tudo pra não me render a esse estilo de vida. Preciso ter um motivo bom que me faça levantar da cama e dizer: “Que bom que hoje tem.” Não acredito no fazer por fazer. Tem que existir um animo, uma paixão que nos move a trabalhar e não apenas o dia do pagamento.

Esse tempo que eu me dedico a escrever nesse blog, pra mim, é um trabalho dos mais prazerosos, mesmo quando escrevo que não tenho nada pra dizer. Acontece que tanto esse, quanto alguns outros “trabalhos” que eu faço não são remunerados e faço por simples e puro prazer. Digo que meu salário é o sorriso no rosto, é a alegria de ter feito e vivenciado certos momentos. Não há dúvidas de que, caso eu venha a ser remunerado por conta disso eu não precisarei mais “trabalhar”. Concordo com minha mãe quando ela insiste em dizer que eu preciso do meu arroz com feijão, mas o que ela não entende é que eu quero ter o meu arroz com feijão com um sorriso no rosto, sem ficar de cara amarrada por estar fazendo uma coisa que não me agrada muito. Não me imagino, por exemplo, sentado numa mesa de atendimento de um banco ou em pé atrás de um balcão de loja pra lidar com o público. Não tenho talento, dom e nem vocação pra isso.

E é justamente esse fato que me leva a prestar concurso público pros cargos que são mais o meu perfil. Não que eu acho que concurso público é uma maravilha. Faço mais pra agradar a minha mãe mesmo, que como toda mãe se preocupa com o futuro de um filho, mas não saio mais fazendo todo e qualquer concurso que pinta por aí e sim aqueles que quando eu olho digo internamente que aquele concurso em si é a minha cara. Sei que todo e qualquer concurso público é como um jogo da mega sena. Você tem que estar iluminado no dia da prova ter a sorte de marcar as letras certas. Claro que se você estudar a probabilidade de marcar as letras certas aumenta, mas isso não significa que pelo fato de você ter estudado vai necessariamente passar. O fator sorte acho que conta mais que o fator estudo. Pra mim é a mesma coisa que se eu me comparar a um matemático pra apostar na mega sena. Ele, com todos os estudos, probabilidades e arranjos que faz tem mais chance do que eu de ganhar, mas eu posso ter a sorte que ele não teve e levar o prêmio.

Por essas e outras que eu não frequento e muito menos acredito nesses cursinhos preparatórios pra concurso, apesar de já ter feito isso. Conheço, inclusive, professores que dão aula nesses cursinhos, mas comigo não cola mais. Não acho que seja investimento e sim dinheiro jogado fora. Eu prefiro ir na banca, comprar uma apostila e estudar por ela em casa do que gastar dinheiro com mensalidades e passagens pra assistir aula presencial. Eu não tenho mais paciência pra aula presencial. Essas apostilas também são passíveis de falha e as vezes, nos testes que elas propõem ,puxam muito um dos assuntos que vai cair na prova e esquecem dos outros.


O último – até o momento em que escrevo essa postagem – concurso que fiz foi exatamente isso. Duas matérias tenderam mais para um caminho na apostila e para outro na prova. Tanto a matéria de “Noções de Administração Pública” quanto a de “Conhecimentos Específicos”, que era a que tinha mais peso dentre todas, tiveram isso de ruim. As outras duas “Língua Portuguesa” e “Noções de Informática” nem tanto, mas também essas duas não têm muito pra onde tendenciar, por serem mais abrangentes. Além dessas, ainda tive que fazer uma redação. Nisso eu me acho sortudo e não me falta prática. Aliás, vou transcrevê-la aqui na próxima postagem.  

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

A VOZ

A VOZ

Acho que atingi o nirvana. Aquele estágio em que você sente o quão perfeita é a natureza, o gozo pleno da vida, aquele momento em que você não consegue enxergar uma coisa mais sublime. Como se você tivesse recebido uma benção e consequentemente fica em estado de alfa, não acreditando no que está se passando naquele momento. Esses momentos são únicos, incomparáveis e indescritíveis.

Passei por um desses no fim do mês de janeiro quando fui assistir a um show no Circo Voador. Aliás, o Circo tem tido uma programação muito boa ultimamente e tem sido a alternativa não só de músicos órfãos do Canecão como de público órfão de qualidade musical. O Circo tem feito esse casamento, essa combinação de modo sábio e inteligente. Juçá, a diretora presidente do Circo, deveria ser canonizada pelos artistas e produtores. Artistas como Rita Lee, Baby Consuelo, Moraes Moreira, Erasmo Carlos, Ney Matogrosso tem mostrado debaixo da lona da Lapa o porquê de estarem na estrada há tantos anos. Espaço pra novatos também tem, afinal é um Circo e tem que ter do palhaço ao trapezista, do domador de leões ao atirador de facas.

Esse show em específico que eu fui, assim que os ingressos foram colocados a venda corri na bilheteria pra comprar , pois sabia que iria lotar e não deu outra. Na semana do show já não havia mais nenhum ingresso a venda. E é um show que desde quando foi lançado na inauguração de uma nova casa de shows do Rio eu estava com vontade de ir, mas na época, o ingresso chegou a custar oitocentos reais. Claro que a casa, vendo que o preço estava exorbitantemente um absurdo depois deu uma equalizada nesses valores. No entanto esse mesmo show passou pelo Terezão e eu também não fui não lembro por qual motivo, mas finalmente consegui ir ao tão esperado show.

Existem artistas que são imperdíveis em disco, mas no palco não agradam muito. Como exemplo disso eu sempre cito o Pavarotti que tinha uma voz extraordinária, mas no palco não era tão expressivo ao cantar ou interpretar uma ópera. Tem também o contrário, que no palco é um espetáculo mas no disco nem tanto. E tem aqueles que vale a pena ter os dois. No meu caso a Rita Lee é um exemplo disso. Compro todos os discos e vou a todos os shows possíveis.

Esse show que eu fui no Circo Voador em janeiro, por estar rolando, por estar em turnê, não era tão esperado – pelo menos não pro local que foi. Me surpreendeu de ter sido lá, mas como eu disse anteriormente, o Circo tem sido o abrigo dos órfãos de Canecão. Claro, tem outras casas como o Vivo Rio, Metropolitan – que já mudou tanto de nome que eu nem sei qual é agora – e até a própria Miranda cuja inauguração foi feita por esse show que assisti.

O disco base dese show chama-se Recanto e as músicas e letras assim como a concepção do próprio show foram do Caetano Veloso que botou a melhor voz do Brasil pra cantar depois de um bom tempo afastada dos discos e dos shows. O disco tem um tom puxado mais pro eletrônico, pro experimentalismo, pro sintetizador. Vejo como uma releitura ou revisita àquela coisa experimental do rock dos Mutantes, por exemplo. No show só havia quatro instrumentos. O chamado Power Trio, baixo, guitarra e bateria incluindo-se nessa última a programação e bateria eletrônica que assessorava o quarto e mais importante instrumento, a voz. Como a própria Rita Lee diz: “isso que é cantora, não é aquela porcaria que eu tenho em casa.”


Pra quem ainda não matou a charada, esse show foi de uma cantora baiana. Não daquelas que ficam pulando como macacas de auditório. Cantora baiana de renome internacional e que segurou uma barra levantando a bandeira do tropicalismo. Falo da melhor voz feminina do Brasil. Me desculpem os “bethanistas”, mas Gal é fundamental.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

NÓS SEMPRE TEREMOS LONDRES

NÓS SEMPRE TEREMOS LONDRES

Londres. O que dizer de Londres? O que dizer da cidade que eu escolhi pra passar uma temporada e que me fez um bem enorme? Ás vezes me pego nostálgico, pensando no que teria acontecido comigo se eu ficasse por lá. Será que estaria melhor do que estou hoje? Será que eu também teria que ter passado pelo que o meu amigo Airton passou pra conseguir o que ele tanto queria? Não sei.

Hoje mesmo vi um videozinho que o Caio fez mostrando a casa que a gente dividia. Inclusive eu também apareço nele. Eu, o Tuco, o Rafa da Bahia, a Débora, a Catarina e a Danila. Saudade daquele tempo. É uma lembrança boa, uma memória gostosa de se resgatar de vez em quando. Pode até ser nostálgico sem ser aquela coisa melancólica. No fundo acho que fiz bem de ter voltado em tempo. Por mais que a vida nos afaste ainda podemos nos manter em contato graças a tecnologia. Todos temos o facebook de todos e assim podemos nos falar a qualquer hora.

Quando estive em São Paulo ano passado e revi o Caio, a Kitty e a Jeysa. Essa última me falou que mesmo se a gente voltasse a fazer o que fizemos naquela época nos dias de hoje, não seria a mesma coisa. E não seria mesmo. Tudo tem o momento certo, o tempo certo pra acontecer. E foi exatamente o que aconteceu as trocas, as experiências,as descobertas a união que tínhamos, a liga que nos juntava, se tentarmos repetir hoje não conseguiríamos.

Gosto de Londres sim. Gosto mesmo, gosto muito e sempre que eu puder vou pra lá. Não com a mesma gana, os mesmos olhos, mas mais ciente, mais centrado, mais responsável, mais consciente de que aquela aventura acabou. Quando voltei lá em 2011, ou seja, dois anos depois, tive a cara de pau de bater na porta da casa que morei e pedir pra entrar. Claro que não vou fazer isso toda vez que eu for. Talvez leve o Airton da próxima vez só pra gente tirar uma foto na frente dela. Afinal, foi lá que tudo se concretizou, foi naquela casa que a gente decidiu morar.

Me lembro como se fosse hoje. Ele tinha feito a mudança dele uns quatro dias antes de mim. Ele se alojou na quinta e eu no domingo. Antes disso, no nosso primeiro encontro real, sentamos pra ver os classificados de aluguel pra gente dividir. Chegamos a visitar alguns quartos, mas nenhum nos apeteceu até que a Aline deu a dica daquela casa. Na mesma rua dela. Santa Aline. Outra que está lá em Londres, hoje casada com o Jonathan.

Aliás, praticamente tudo que diz respeito a Londres, mesmo passado quase quatro anos, me lembro como se fosse hoje. O cheiro, o som, o tom de cinza, a luz do sol, o vento frio cortante de quando eu cheguei lá, nada me sai da cabeça. Fiquei impregnado pela cidade. Ela me tomou de um jeito arrebatador. Também não era pra menos. Fui de peito aberto, sem medo de ser feliz. E fui muito feliz. Mesmo. Ainda almejo em voltar pra lá.

Quando eu voltei pro Brasil tinha enfiado isso na minha cabeça. Correr atrás do meu passaporte italiano, se é que eu tenho direito como acho que tenho. Mas depois essa vontade foi adormecendo. Faria isso só pelo fato de não ter que me aporrinhar com a imigração. Ainda penso se vale a pena fazer isso, dispor de tempo, paciência e dinheiro pra garantir um passaporte que me dá passe livre pra poder entrar lá sem ser importunado.


Rezo na cartilha do John Lennon, um dos mais célebres ingleses que o mundo conheceu. Assim como ele, vocês podem dizer que eu sou um sonhador, mas não sou o único em viver em um mundo sem intolerância, sem fronteiras, sem guerras. Um mundo que a gente pode ir e voltar quando quiser, a hora que quiser e pra onde a gente quiser. Meu destino pode até não ser Londres, mas é lá que que tenho parada certa. Pra sempre.