segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

HOUVE UMA VEZ DOIS VEROES


HOUVE UMA VEZ DOIS VERÕES

Estamos no verão. Estamos? Não sei. Vocês se lembram como foi o último inverno? Inverno? Tivemos inverno ano passado? Teoricamente sim, como em todos os anos, mas na prática me pareceu que o inverno tirou férias e foi curtir com os pingüins no pólo sul.

Quando estamos na escola, lá bem no comecinho dos estudos pela segunda ou terceira série – eu sei que a nomenclatura foi alterada, mas quanto a isso sou antigo – aprendemos os movimentos de rotação e translação da terra e consequentemente as quatro estações do ano. Antigamente, quando eu estava na escola, a gente distinguia as estações pelo próprio clima. Primavera e outono com clima mais moderado, verão quente e úmido e o inverno frio e um pouco mais seco. Hoje está tudo mudado. Depois que a temperatura atingiu a marca de 40 graus em pleno mês de setembro, ainda no inverno apesar da proximidade com a primavera, não duvido de mais nada. Acho até que aqueles filmes-catástrofes como “O dia depois de amanhã” podem deixar de ser ficção e nós realmente vivenciarmos aquilo tudo.

Por mais que ano passado tenha tido a reunião do Rio+20, onde procurava se discutir questões sobre o futuro do planeta Terra pelo viés da ecologia, ninguém conseguiu evitar, e sinceramente acho que não dá mais tempo pra isso, ou reter a insanidade climática que o mundo está vivendo. O tal do tão temido aquecimento global já está acontecendo há um bom tempo. Não está quente somente aqui. Na Europa, cujo clima é, ou ao menos deveria ser, mais ameno que aqui na região dos trópicos também se atinge níveis desproporcionais de calor. Consta que quando os termômetros atingem os 30 graus cidades como Londres ficam em estado de alerta, quando não de calamidade pública de tão quente que é. Pra cá, essa temperatura jê é passível de lotação cheia nas praias.

Me lembro de um verão recente em que um determinado dia os termômetros chegaram a marcar 50 graus com sol a pino e em se comparando com o deserto do Saara, o Rio estava mais quente. Nesse último inverno, os termômetros marcaram 40, chegando a 45,46, nos lugares onde constantemente se registram as temperaturas mais quentes do Rio, no caso a área de Bangu e adjacências. Acho que nunca vi tanto pingüim perdido por aqui quanto no ano passado. Volta e meia aparece uma baleia ou golfinhos pelas águas do Rio. Uma vez eu estava em Saquarema com meu tio Marcos e meu primo Gabriel quando vimos na linha do horizonte  do mar um “cardume”  de baleias da espécie orca. E em uma outra ocasião os pingüins estavam por lá também,  dividindo a mesma água com nós banhistas.

Enfim, não há termômetro que agüente bruscas mudanças de temperaturas. Aliás, até que temperatura um termômetro pode medir? Será que eles estão regulados ou o excesso de calor pode fazer com que eles não marquem com precisão? Qual a margem de erro dos termômetros que vemos nas ruas?

Na minha humilde e singela opinião, só tende a piorar. Os verões vão ficar cada vez mais insuportáveis e os invernos mais quentes. O chamado veranico que pinta no inverno vai se extender como aconteceu ano passado e o ano vai constantemente ter dois verões. Pra se ter uma idéia de quanto esteve quente, meu edredom, que fica fora do armário, cobrindo minha cama e me esquentando a noite justamente na época que a gente chama de inverno, fez o seu papel durante pouco tempo nesses quatro meses em que ele fica exposto, entre os meses de junho e setembro.

Pras gerações futuras que, segundo o quadro que está se formando, devem curtir o verão o ano todo, a gente pode dizer que na época em que as estações eram mais bem defininas, houve uma vez dois verões.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

UMA PUXA A OUTRA


UMA PUXA A OUTRA

A cada dia que passa, a tecnologia avança, isso é fato. Os tempos mudam de geração pra geração. E creio que a minha, ou seja pessoas nas faixa entre trinta e quarenta anos fazem parte de uma espécie em extinção. Pegamos a guinada mais brusca. Em poucos anos pulamos da maquina de escrever pro computador.

Me lembro que pra fazer qualquer tripo de pesquisa escolar tínhamos que utilizar as enciclopédias. Eram volumes e mais volumes de livros que abríamos a ponto de conhecer mais profundamente sobre o assunto abordado. Barsa era a mais famosa.

Com o acesso aos computadores  pessoais – inclusive estou utilizando um pra poder redigir esse texto – e principalmente com a chegada da internet, também sendo acessível a uma grande parte da população, a palavra enciclopédia perdeu seu espaço e atualmente ao invés de falarmos “consulte a enciclopédia” dizemos “põe no Google”. A facilidade com que pipocam links falando do tema que se quer pesquisar é enorme. E o mais engraçado é que você pode se auto pesquisar. Eu, por exemplo, achei vários homônimos de nome de guerra. O que tem de Rafa Barcelos com variações próprias (nome e sobrenome diferentes) não está no gibi. Outra expressão que está em desuso.

Será que as crianças de hoje em dia sabem o que é gibi e/ou lêem algum? Eu me lembro que lia alguns da Turma da Mônica, mas colecionava mesmo o gibi dos Trapalhões. Pra quem não conhece, ou não se lembra, Trapalhões era um programa de TV humorístico que era exibido aos domingos ás sete da noite e que tinha como espinha dorsal Didi, Dedé, Mussum e Zacarias.

Por falar nisso a espinha dorsal mudou de nome? Porque alguns pedaços do corpo humano andaram trocando de nome também, principalmente as que tinham nomes de gente como a trompa de Eustáquio, no ouvido e a de Falópio que virou apenas uma tuba uterina.

Tuba também foi um instrumento que um dia fez parte de uma orquestra. Era de sopro, pesado e você praticamente tinha que vesti-la pra poder tocar. Meu primo teve um amigo que tocava tuba. Até fez parte de uma banda que já ganhou o título de melhor banda escolar do mundo, cujo maestro veio a falecer ano passado com seus mais de noventa anos. Eu cheguei a ir na sala dele uma vez pra tentar tocar saxofone.

Tenho um amigo, o Samuca, que comprou o sax dele lá em Londres mas só depois de voltar pro Brasil começou a dedicar um tempo a mais pros estudos do instrumento e hoje ele toca na banda da cidade dele, Graças a sua admiração pelo grupo Kid Abelha e em particular pelo saxofonista da banda, o George Israel.

Israel por sua vez é um território judeu criado depois da segunda guerra, mas que por ficar no oriente médio é cercado de muçulmanos por todos os lados.

Lados eram o A e o B de qualquer disco de vinil ou fita cassete. Para fins de lançamento, existiam os compactos simples com uma faixa em cada lado e o duplo com duas em cada lado antes mesmo de sair o disco de vinil. O Samuca tem o primeiro compacto do Kid Abelha autografado por quem participava da banda até então.

Várias foram as bandas que surgiram juntas com o Kid Abelha mas poucas sobrevivem até hoje. De qualquer forma, pra se saber, se ter idéia ou até mesmo ver, escutar e sentir o que erma essas bandas não precisa ir muito longe. Só botar no Google ou acessar o You Tube que pode se ver grande parte delas.

De algumas bandas desfeitas saíram músicos que hoje são conhecidos como o Paulinho Mosca – que agora se assina somente Moska – e que tinha uma banda chamada Inimigos do Rei cujo grande sucesso era uma música de nome “uma barata chamada Kafka".

Kafka foi... Quem foi Kafka mesmo? Vou consultar minha enciclopédia.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

E VAI MUDAR ALGUMA COISA?


E VAI MUDAR ALGUMA COISA?

O ano começou e os prefeitos eleitos tomaram posse dos seu cargos. Agora vem aquela pergunta. Será que alguma coisa vai mudar? Eu sinceramente creio que não. Tenho anulado meus votos nas últimas eleições, ou feito o voto de protesto, ou seja, votar em quem eu não tenho a menor afinidade ou simpatia para que o oponente, geralmente na frente, tenha um número menor de votos justamente pra não compactuar, não ter minha parcela de culpa para com os despautérios que são cometidos nos três âmbitos do legislativo e executivo. Pra mim político é tudo igual, salvo raríssimas exceções contadas nos dedos das mãos,  independente da cidade que esteja localizado. É uma classe que não tem mais jeito, ou melhor, até tem se os jovens – não que eu seja um velho – que são mais engajados tiverem força suficiente pra começar a esboçar um movimento de basta. Não esses que vestem a camisa e fazem uma passeata pela orla de Copacabana num domingo a tarde. Isso é só um paliativo, momentâneo.

Não há uma continuidade nem pela parte interessada nem pela interessante, se é que essa existe. A única continuidade que existe nesse país é quanto a corrupção, a mamata, a falcatrua, o conchavo e o cambalcho. Eu duvido que uma pessoa que ocupa um cargo público, desde um simples vereador de cidade do interior quanto os membros do senado realmente ponham o interesse de quem os elegeu em primeiro lugar. No mínimo meio a meio, mas sempre com o prato da balança a seu favor. Esse país não vai chegar a um patamar de Estados Unidos ou Europa, mesmo que estes estejam enfrentando crises econômicas. A mentalidade da população em geral é de gentinha e não de maior amplitude como deveria ser. Só pensam em se dar bem, em levar vantagem em tudo. Essa é a única lei quer vale e a principal a ser derrubada. A lei de Gérson.

A população ainda não tem o mínimo de infra estrutura e está tudo de ponta cabeça. E o pior é que as fatalidades, as brutalidades tem se tornado bastante comum a ponto de ninguém mais se sentir indignado com o que acontece nas filas de hospitais, por exemplo. Não vou dizer que o Brasil não tenha melhorado, mas a passos de formiga as coisas até que estão evoluindo por aqui. No entanto, falta muito pra se chegar no objetivo final.

Ano passado o Canal Viva começou a exibir uma novela que foi sucesso há pouco mais de vinte anos, justamente na época que o Brasil se preparava para ter a primeira eleição presidencial  direta. E até hoje seu texto continua atual. Falo de ‘Que rei sou eu?’ onde no fictício reino de Avilã, havia uns conselheiros da rainha que traduzem até hoje o que se passa dentro do congresso nacional. É superfaturamento de obras, desvio de dinheiro público, ou seja, coisas que até hoje acontecem e foram satirizadas nessa novela, já que realmente não dá pra se levar a política a sério nesse país. E tem gente que ainda é engajada, partidária, dita de esquerda ou com tendência pra direita. Bem, cada um com seu cada um. Dizem que política é uma das coisas que não se discute.

Eu duvido que eles que lá estão pensem em nós que cá estamos. É um absurdo um parlamentar ganhar o salário que ganha mais verba pra gabinete, auxílios, benefícios, passagens aéreas enquanto ditam o que o salário mínimo pra população em geral chega a quase setecentos reais. Devia ser o contrário principalmente pra grande maioria que tocam suas empresas paralelamente ao cargo político. Ninguém iria topar ficar em Brasília, trabalhar de terça a quinta, ganhando o mesmo salário mínimo que é determinado por eles mesmos.

E por mais que tenhamos passado a Grã Bretanha em termos de economia conquistando o sexto lugar no ranking, a desigualdade social continua alarmante.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

EU PODERIA ESTAR ROUBANDO


EU PODERIA ESTAR ROUBANDO

O ano está começando agora e eu continuo sem perspectiva do que fazer. Na verdade, não é bem do que fazer, mas de como garantir o arroz com feijão como diz minha mãe. Essa é a minha única e aparentemente eterna desavença com ela.

Quero fazer o que eu gosto, mas o que eu gosto pode não me sustentar financeiramente. Por outro lado, inclusive pra fazer o que eu gosto, preciso do vil metal. Mas também não me vejo em trabalhos normais diariamente das nove da manhã as cinco da tarde, por exemplo. Meu limite máximo são quatro anos fazendo a mesma coisa. Por mais que haja um progresso na função, as pessoas que estão no seu redor sempre vão querer te derrubar. Não tenho estômago pra isso.

No fim de julho e início de agosto, passei por  uma dessas com minha mãe. Eu já tinha programado o fim de semana quando minha mãe arrumou um trabalho temporário pra mim. Tive que desprogramar tudo e isso me deixou puto. Em contrapartida fui com o carro dela todos os dias. O trabalho era fazer uma pesquisa de mercado  num posto de gasolina na beira da BR-101 em Itaboraí pra verificar a freqüência e o fluxo dos pagamentos pelos abastecimentos com o cartão de crédito. Foram dez dias corridos, inclusive dois fins de semana das três da tarde às 11 da noite preenchendo uma planilha sem a menor necessidade. Pra mim foi o mesmo que ficar enxugando gelo.

Sem a empresa de São Paulo que fez o contato com minha mãe saber, liguei pra minha tia Roseléa que trabalha gerenciando os postos da BR do Rio e Espírito Santo e ela mesmo disse que pro posto que me jogaram não precisava de fazer isso. O foco principal era saber qual o tipo de cartão de crédito se utilizava. Se era standard, classic, gold, platinum, infinite ou black. Ora, se cada planilha a ser preenchida continham vinte e cinco lacunas pra serem preenchidas, uma por cada cliente e a gente preenchia uma média de sete planilhas; se duas fossem com pagamento de cartão de crédito já tava de bom tamanho. Me lembro que o dia que deu maior movimento foram cinqüenta e três pagamentos com cartão de crédito. A grande maioria tem o hábito antigo de pagar com o dinheiro, ás vezes o débito também era utilizado, mas o dinheiro vivo imperava. Pela área, pela região os cartões que não fossem os mais simples (classic/standard) ou no máximo gold e platinum eram raros de se ver por ali. Até passava um ou outro, mas muito pouco mesmo.  E geralmente eram as mesmas pessoas que abasteciam com vinte ou trinta reais seus carrinhos velhos, motos e mobiletes.

Foi um trabalho sacal, foram dez dias que o que me forçava ir era a grana no fim do trabalho. E outra. Sem vínculo nenhum. Gosto disso. Trabalho por tarefa e/ou produtividade. O que não era o caso. Não me senti nada produtivo naquele posto. Perda de tempo mesmo. Além disso tinha que escanear e mandar não só as minhas mas as planilhas da Luciana, que ficava lá das seis da manhã até as três da tarde. Teoricamente meu horário era das três até meia noite, mas eu não tirava uma hora de almoço e sim uns vinte minutos pra ir ao banheiro e comer algo por volta das sete da noite. Fazia contagem regressiva de quantos dias me restavam ficar ali e ficava só pensando nos cento e cinqüenta reais de ajuda de custo mais os novecentos que seriam depositados no fim do serviço, que no fim acabou sendo mil reais. Custaram a pagar. Quase um mês depois o dinheiro entrou na conta. Ainda não foi o suficiente pra voltar a passar uma pequena temporada em Londres, mas já deu pelo menos pra tocar outros projetos que desejava fazer.

Tomara que esse ano que acaba de entrar eu consiga um trabalho que me dê prazer em fazer ou arrume mais desses temporários que pague bem. Eu percebi que quanto mais dinheiro entra na minha conta, sem que seja minha mãe que coloque, menos vou escutar ela falando sobre esse assunto.