segunda-feira, 26 de agosto de 2013

REDESCOBRIR

REDESCOBRIR

No exato momento em que escrevo esse post, escuto Maria Rita cantando um dos grandes sucessos na voz da mãe. O disco que ela lançou em homenagem a Elis Regina é bom, as vinte e oito faixas registradas bem escolhidas e alternadas entre grandes sucessos e outros nem tão grandes assim. Claro que tiveram alguns críticos e outros chatos que não gostaram dessa homenagem. Eles sempre querem compará-la a mãe.

Existem vozes que permeiam a música brasileira que são incomparáveis. Não creio que a Maria Rita se lançou como cantora pra ser melhor do que a mãe. Mas nem se ela quiser isso vai acontecer. Acredito que ela se tornou cantora por não ter outra saída, não só pela genética (mãe, pai e irmãos músicos) mas pela vivência, convivência e até pelo fantasma da mãe que registrou canções maravilhosas e generosamente abriu portas pra compositores como Milton Nascimento, Ivan Lins e João Bosco entre outros. É inegável que a influência existe e que em alguns momentos a voz até se iguala e no palco os trejeitos também, mas são duas pessoas, duas artistas completamente diferentes.

O registro de uma pretensiosa pequena turnê em homenagem a mãe, que foi tomando proporções grandiosas é uma leitura de algumas músicas que algum dia a Elis também deu voz. Mas grande parte das músicas foram gravadas por outros artistas. Porque só esse trabalho, por ser da filha dela, tem que ser crucificado, tem que ser comparado com a mãe? Desde que ela se lançou como cantora que acompanho o trabalho dela. E esse é apenas o quinto trabalho dela, ou seja, ela teve que gravar quatro discos e se consolidar como uma cantora para poder enfim fazer uma homenagem a mãe nos trinta anos de ausência dela. Não se pode comparar Maria Rita com Elis Regina, Jair Oliveira e Luciana Mello com Jair Rodrigues, Beto Lee com Roberto de Carvalho, Pedro Baby com Pepeu Gomes, Davi Moraes com Moraes Moreira, Luiza com Zizi Possi. Apesar das fortes influências de seus respectivos genitores e do DNA, são artistas completamente diferentes.

Aliás, as influências desses filhos que estão fazendo a cabeça da juventude, pelo menos os da minha faixa etária. Nós, da faixa dos trinta anos, não passamos por nenhum movimento musical de importância relevante, como nossos pais passaram pela bossa nova, jovem guarda e Tropicália. Eles passaram por uma turbulência musical em tão pouco tempo e nós talvez só temos o rock brasileiro, de bandas que completam trinta anos de carreira, como Titãs, Paralamas, Kid Abelha, Capital Inicial, Barão Vermelho por exemplo.


Nesses últimos trinta anos não surgiu nenhum movimento musical. Tiveram artistas de destaque em um momento ou outro. Há também os que defendem que o sertanejo e a música baiana foram os que surgiram. Minha linha de raciocínio segue que eles não surgiram, mas foram apresentados ao país, já que até o início da década de noventa eles não passavam dos limites dos seus estados de origem. Ultimamente a novidade é resgatar o passado e aí recorremos a Pedro Baby, que colocou sua mãe no palco pra cantar os grandes sucessos gravados por Baby Consuelo do Brasil, a Gal Costa que voltou aos palcos cantando inéditas de, e sendo dirigida por, Caetano Veloso, Erasmo Carlos que fez um sucesso com seu último show Sexo e Rock’n roll, Barão Vermelho lançando uma música inédita ainda na voz do Cazuza que não entrou no primeiro álbum da banda, Kid Abelha passeando pelos seus trinta anos de grupo, ou seja, pessoas que ouvíamos nas vitrolas dos nossos pais aos sábados pela manhã e que aprendemos a gostar com o passar do tempo e o que foi novidade pra nós trinta anos atrás. O que veio depois ou já vimos alguém fazer ou não nos é interessante. 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

NOTA-SE?

NOTA-SE?

Sei que parece brincadeira, mas não é. Podem pesquisar que vão encontrar. Vou dar até a fonte. Saiu no jornal Extra do dia 17 de janeiro, bem no início desse ano. A nota é pequena e vou reproduzi-la aqui, assim como a pequena manchete.

“Homens de olhos castanhos parecem mais confiáveis – Traços típicos de homens de olhos castanhos, como rosto redondo, queixo largo, boca larga e olhos grandes, sugerem mais confiança e honestidade do que os de olhos azuis, concluiu um estudo da Universidade de Praga. Já olhos pequenos e boca estreita fazem homens de olhos azuis parecerem mais espertos.”

Isso é sinal de que está cientificamente comprovado o que vários amigos meus me falam. De modo que sempre que eles falam eu nunca acredito piamente, agora já posso embarcar nesse tipo de comentário sem duvidar, afinal, estudantes de Praga passaram anos pesquisando sobre isso. Que eu sou confiável eu já sabia, não só pelo feedback que meus amigos me dão nesse sentido, mas também pelo fato da minha personalidade ser assim.

Nisso tudo, a minha única curiosidade é saber como e porque esses estudantes resolveram utilizar esse critério como objeto de estudos. Quais os parâmetros que eles utilizaram pra chegar a essa conclusão, qual foi o método de pesquisa, que tipo de teste eles fizeram e quanto tempo eles levaram pra chegar a essa conclusão. Imagino aquele bando de estudantes discutindo calorosamente (isso em Praga deve ser difícil) e colocando na pauta de discussão suas experiências pessoais com pessoas de olhos castanhos, rostos redondos e boca e queixo largos.

Com tanta coisa no mundo pra ser pesquisada, descoberta esse pessoal de Praga me gasta tempo e dinheiro com esse tipo de pesquisa. Vai tentar buscar uma cura pro câncer ou pra aids, vai resolver o problema da poluição, da fome, sei lá, com tanta coisa ainda a ser feita pelo mundo vão se ater a confiabilidade de uma pessoa pela cor dos olhos. Não é sua iris que define sua personalidade, e sim toda uma circunstancia sócio-econômica e cultural. Confiança ou confiabilidade vem de berço, você é moldado, digamos assim, desde bebê. Tem cada pesquisa maluca nesse mundo.  Sinceramente, essa pesquisa até pode não ser muito confiável se a maioria das pessoas que moram em Praga tiverem olhos azuis, como eu suponho que tenham. Logo abaixo dessa notinha tem uma outra que segue o mesmo estilo.

“Jurados condenam mais os gordinhos no tribunal – Uma pesquisa de psicólogos da Universidade de Yale, nos EUA, apontou que jurados homens em um tribunal são mais propensos a condenar uma mulher se ela estiver acima do peso. Jurados do sexo masculino acreditam mais facilmente que uma mulher com sobrepeso ou obesa é reincidente ou mal intencionada.”


A vez agora é das gordinhas. Olha o tal chamado bullying aí. Quer dizer que a mulher quanto mais engorda mais malvada ela fica? Não quero aqui justificar nenhuma crueldade cometida por ninguém, muito menos pelas gordinhas, mas esse tipo de pesquisa também não vai levar ninguém a lugar nenhum. Pode até ser que essas criminosas gordinhas condenadas tenham praticado mais crimes passionais seja pra crimes passionais. Essa é a linha que eu seguiria se fosse um detetive ou um pesquisador de Yale.  Gordinha má intencionada geralmente é só pra um âmbito da personalidade humana que não que não o crime. E outra, acho que isso vai totalmente contra todo o arquétipo do assassino, principalmente os em série, que costumam ser altos e magros. Se bem também que eu nunca vi uma notícia de uma ‘serial-killer’, muito menos gordinha. Quem sabe ela não está presa depois de julgada e condenada, fazendo sua última refeição e tentando seduzir o carcereiro com seus lindos olhos azuis. 

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

FOME DE QUE?

FOME DE QUE?

No início desse ano eu fui a estréia de uma peça chamada “O Cara”, com Paulo Mathias Jr. onde ele interpreta um publicitário jovem e ambicioso cujo objetivo era fazer fortuna antes de completar trinta anos. Claro que isso tudo visto pelo prisma do humor e realmente tem passagens muito engraçadas e situações bastante indentificáves com qualquer expectador.
Antes de começar o espetáculo ele bate um papo com a platéia quando essa ainda chega e procura pelos seus lugares e no meio desse bate papo ele escolhe três pessoas e faz três perguntas diferentes de modo que as respostas são encaixadas no meio da cena em algum momento do decorrer da atuação dele. Quem me arrumou o convite foi um dos meus melhores amigos que levou um outro amigo também, ou seja, éramos três. Uma das três perguntas feitas pelo Paulo Mathias Jr. caiu pra esse amigo do meu amigo. A pergunta foi qual era o sonho de consumo dele. A resposta foi um triplex na Vieira Souto.
Vou pegar esse mote pra me imaginar morando num tríplex na Vieira Souto. Primeiro que eu teria que ser rico o suficiente pra manter o apartamento, pagar um dos o IPTU’s mais caros do Rio e tudo que vem embutido como as contas de água, luz, gás. Segundo que eu teria que bolar eventos no mínimo semanais pra dar vida a um apartamento enorme. Festas mesmo, chamar amigos e amigos dos amigos. Mas, sinceramente, não me imagino morando num tríplex na Vieira Souto. Talvez nas redondezas, adjacências, num apartamentinho menor. Até mesmo um conjugado já me satisfaz.
Às vezes me acho estranho por não ter nenhuma ambição. Será que é normal isso? Sou totalmente minimalista. Aqui em casa eu só não fico isolado no meu quarto pelo fato de volta e meia ter que ir na cozinha ou no banheiro e assim transitar pelo resto da casa. Se meu quarto já é quase suficiente pra mim, o que eu vou fazer morando num tríplex de frente pra praia de Ipanema? Não sei se devo dizer que não sou ambicioso ou se o meu tipo de ambição é diferente da grande maioria que almeja ter alguma coisa. Eu também quero ter alguma coisa, mas um pouco que me baste.
Um carro, por exemplo eu já tive. Vendi pra poder morar em Londres. Mas nesse momento não e apetece ter outro. O trânsito está caótico e cada vez fica pior. Tem me irritado bastante, principalmente quando vou para o Rio e atravesso a ponte. Ultimamente, mesmo nas horas mais escabrosas, o fluxo da ponte tá cheio. E quase sempre no sentido e no horário em que passo por ela. Não importa mais a hora. Qualquer hora é hora além da já tradicional hora do rush. Ou eu saio com mais tempo de antecedência ou vou de barca. Mas ter um carro a minha disposição agora só quando o transito estiver ao meu favor também. E quase sempre não está a favor de ninguém.
Minhas ambições não são materiais. Definitivamente não quero um tríplex na Vieira Souto e nem um carro Honda sei lá qual o modelo, outro produto citado lá no teatro. Ambiciono o conhecimento, o prazer de estar junto, a convivência com as pessoas que me circundam e a felicidade dos meus amigos. Isso de vez em quando até pesa mais que a minha própria. Sei que isso é errado, mas não aprendi ainda a ser de outro jeito. Até porque eu gosto de ver os outros felizes e não há preço que pague um sorriso estampado no rosto de um amigo.

Não almejo um emprego espetacular que me pague um salário espetacular e que me faça comprar coisas espetaculares. Acho que a coisa mais espetacularque eu tenho são as minhas amizades, esses são meus maiores tesouros e são eles que eu tenho que guardar num baú, preferencialmente acumulando mais e mais amigos. Como diz a música do Roberto: “Eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar.”  

domingo, 4 de agosto de 2013

AZAR O MEU

AZAR O MEU

Não me considero um cara sortudo, mas também não sou azarado. Se isso fosse mensurável, digamos que eu estaria até um pouco acima da média perante aos sorteios que participei.

Não sou um apostador, não faço minha ‘fezinha’. Esse departamento eu deixo para o meu pai,que uma vez ganhou na loteria junto com outras tantas pessoas que na divisão do prêmio, a quantidade de dinheiro que cada um levou dava pra comprar um fogão novo na época. Isso foi na década de setenta e eu nem era nascido. Pelo que dizem, um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Pelo menos não na mesma tempestade. Seja oficial ou não – atualmente mais oficial – no mínimo duas vezes por semana ele vai até a loteria apostar nos números da sorte, que não são sempre os mesmos. Tem todo um estudo de estatística por trás e mesmo assim não dá certo. Isso sem contar o não oficial, o jogo do bicho, que hoje está bem mais esporádico, mas não perde o freguês.

Esses chamados jogos de azar, proibido pelo presidente Dutra na década de 50, como o carteado valendo dinheiro, a roleta e tal nunca me atraíram, aliás, nunca achei jogo um bom investimento pra dinheiro. Pra se ter uma idéia eu passei vinte e quatro horas em Las Vegas sem depositar um níquel sequer em nenhuma maquininha daquelas que vemos em filmes.

Aqui no Brasil houve há alguns anos a febre das casas de bingo. Bingo legal era bingo de quermesse de igreja, mas esse, pelo visto tá em extinção ou é sazonal das festas juninas e tem um fundo geralemte de cunho social. Desse, às vezes gosto de participar, mas nada também que vá além de três cartelas ou rodadas.

Esse ano mesmo, no início, preenchi dez fichas de uma rede popular de mercado pra concorrer a ingressos pra assistir ao desfile na Sapucaí. Claro que não ganhei. Essas coisas eu não ganho e não conheço ninguém que tenha ganhado também. Sorteio de carro em shopping center na época do Natal eu nem me arrisco até pelo fato de ter que gastar fortuna no shopping, coisa que eu não faço, pra ter direito a um cupom pra concorrer.

O que eu ganho, quando ganho, são coisas pequenas de valor material, mas enormes pro meu aprendizado, pra minha bagagem, pro meu conhecimento.Uma vez eu fui ao lançmento do livro de um amigo e ele gravou alguns ‘CD’s promocionais’ pra sortear entre os convidados. Por acaso eu fui sorteado e ganhei um. Era como e fosse a trilha sonora do livro dele. Eu lia enquanto o disco rolava. E tem duas ou três músicas que eu gostei bastante, apesar do tipo de música que ele gosta e botou no disco não ser tão compatível com o meu gosto e muito menos consumido por mim.

Quando eu disse lá em cima que eu estava acima da média, considero pelo fato de volta e meia ser sorteado em alguma promoção pela rádio que escuto. Uma vez cadastrado lá tenho direito a participar das promoções divulgadas pela estação. Escolho as que mais me apetecem e deixo meu contato lá com a equipe de promoção. Não é sempre. Calculo que umas seis vezes por ano, no máximo, ganho alguma coisa, das quais já deixei de ir também a umas três ou quatro no total das que fui contemplado.


Quinzenalmente entro no site da rádio, na parte de promoções, vejo o que tem de bom lá, me cadastro e aguardo. Não que eu morra se não for a alguma. As que eu muito quero ir não espero e compro meu ingresso mesmo. Isso por enquanto não me aconteceu de ganhar entrada pra um show, ou uma peça de teatro que também tenha sido sorteado em meu nome. Moacir Franco (show que já falei sobre) ou as próprias gravações de programas da rádio, várias foram as situações em que eu fui o sortudo. E mesmo que a sorte me deixe nesses casos, não vai ser por isso que vou deixar de escutar a rádio.