segunda-feira, 28 de outubro de 2013

UM MONTE DE NADA

UM MONTE DE NADA

Volta e meia eu me pergunto por que é que a gente guarda tanta porcaria. Tem coisas que a gente ganha, compra ou simplesmente aparecem que não servem pra muita coisa e a gente ainda mantém aquilo não se sabe o motivo. Não gosto de acumular coisas. Claro que o mínimo, o básico a gente tem que guardar. Documentos, roupas e tal. Mas o que mais me incomoda é guardar quinquilharia.

Acho que de todos aqui em casa eu sou o que menos acumula coisa. Tanto que a minha cama-baú e parte do meu armário guardam coisas que nem pertencem a mim. Eu sou organizado. Já fui mais chato, mais metódico nas minhas arrumações. Mas isso me ajuda a otimizar mais a minha vida de um modo geral. Se me perguntarem onde está alguma coisa minha sei responder. Outro dia minha mãe precisou do número de um documento meu e não sabia onde encontrar. Ela me ligou e eu dei as indicações exatas. Não demorou dois minutos pra ela achar. Se fosse ao contrário poderia levar horas pra achar.

Falta de organização dá nisso. Minha mãe é desorganizada, assim como meu irmão. E o pior que meu sobrinho está indo pelo mesmo caminho. A bagunça é apenas um estagio da desorganização. Talvez o principal estágio. Não sei se é a preguiça de parar um ou dois dias, sentar e mexer nas coisas fazendo a seleção do que é útil (eu disse é útil e não pode ser útil que esse, no meu caso, eu também descarto e fico só com o que é certo) e se desfazer das outras coisas. O problema é que a gente se apega muito a muita bobagenzinha.

Eu também já fui assim, já guardei muita coisa, mas agora me sinto desapegado dessas coisinhas materiais que a gente ganha e guarda. Até dos meus discos, minha última barreira de acúmulos, já estou me desfazendo e, a exemplo dos livros, estou ficando apenas com alguns, geralmente com os artistas que mais me tocam, que eu tenho vários discos a exemplo de Gal, Erasmo, Marisa Monte, Vanessa da Mata, coletâneas e tributos. O resto eu transformo em MP3 e vai pro meu acervo virtual. Pelo menos ganho espaço físico fazendo isso. Como os livros que ainda mantenho ainda não dá pra fazer isso. Só se eu descobrir um aplicativo onde eu possa baixar o livro, ler pelo celular e depois descartar ou mesmo acumular virtualmente. Um dia chego lá.

Esse post, por exemplo, eu estou escrevendo do desktop aqui de casa que fica no escritório. Esse lugar aqui é tão pequeno pra se dizer que é um quarto de empregada que foi transformado num escritório e se acumula material dos meus pais no que diz repeito a papelaria e afins. No entanto me dá agonia ficar aqui. Prefiro abrir o meu laptop no meu limpo e organizado quarto e ficar por lá, isolado no meu canto. Me dá agonia ficar aqui no meio dessas pastas, montanhas de papéis espalhados pela mesa sem contar essa estante do meu lado que também ta cheia de papel e de porcaria. Nada que se utiliza com frequência. Só está aqui acumulando mesmo. Eu nem me atrevo a mexer aqui. Nada que está aqui me pertence ou me interessa e se por acaso acharem algo que é meu no dia em que resolverem dar uma varredura aqui pode descartar, jogar fora, já que eu não estou mesmo sentindo falta e nem precisando do que quer que seja.


Dizem que que tem um não tem nenhum e quem tem dois tem um. Isso vale só em alguns aspectos na minha concepção, como por exemplo frascos de perfume, mas no geral eu não vejo necessidade de ficar acumulando coisas. Se os textos desse blog fossem escritos na máquina de escrever certamente eu já teria encerrado os trabalhos há um bom tempo de tanto papel que eu teria escrito. Já estaria na segunda resma. Graças a tecnologia eu posso tê-los guardados em um arquivo que fica num pen drive. Uma diferença de espaço bastante considerável. A nova ordem pra botar tudo em ordem é aquela música cantada pela Sandra (de) Sá cujo refrão é “joga fora no lixo.”  

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

SALVE A MOCIDADE

SALVE A MOCIDADE

Hoje passei por uma esquina aqui em Niterói, das ruas Gavião Peixoto com Presidente Backer quando me veio a memória um daqueles episódios que a gente faz na adolescência. Por pouco tempo (acho que não durou um ano ou quem sabe ainda está lá e ninguém percebe) próximo a essa esquina funcionou uma boate chamada vinte e um. Entrei lá uma vez acompanhado da turma do meu prédio. Devíamos ser em no máximo dez pessoas contando com a aniversariante.

Sim, era o aniversário da Juliana. Só ela também pra ficar sabendo desses lugares inusitados. Se não fosse por ela a boate fecharia sem o meu conhecimento. A entrada dessa boate era uma escadaria, pois ela ficava no pavimento superior. Vinte e um devia ser o número da capacidade máxima do lugar de tão pequeno que era. Tá, vinte um é exagero, mas não cabia mais do que quatro vezes esse número. Até pelo fato de ter que dividirmos o espaço com mesas de sinuca e totó (pebolim).

Foi a primeira vez que eu vi uma boate com mesas de jogos no salão. Geralmente vejo isso em pubs, não todos, mas é mais comum. Em boates foi a primeira vez. Mas também chamar aquele lugar de boate é generosidade da minha parte. Além das mesas, existia uma pilha de jogos de tabuleiros pra serem utilizados pelos clientes. Era uma boate com cara de pub, uma mescla dos dois, boate no aspecto e pub no tratamento. A pista de dança devia ser do tamanho do meu quarto. Primeira e única vez que entrei lá. Pelo menos tinha uma vantagem. Ficava mais perto de casa.

Na nossa época de juventude as melhores casas noturnas se concentravam na orla de São Francisco, bairro separado de Icarai por um túnel. Bedrock, Barthô e Acrópole eram as nossas principais opções de diversão no saco. Saco, nesse caso é o acidente geográfico onde fica o bairro de São Francisco. Assim como tem baia, restinga, enseada tem saco também. E particularmente incluo o bairro de Charitas, que é depois de São Francisco. Bons tempos aqueles e, que fazíamos parte do “exército do surf”. Tinha o Le Village também, mas esse era lá em Itaipu e raramente a turminha ia pra lá.

Essa época foi quando eu comecei a sair na noite. Já tinha meus dezessete anos. Fui muito tardio nesse aspecto. E hoje não tenho mais paciência pra isso. Avalio muito se vale a pena perder uma noite numa boate com música barulhenta e pessoas falando bem alto no seu ouvido. No enanto, na mocidade, se a gente não saísse pelo menos um dia nos fins de semana é porque havia alguma coisa de errado. A gana, a ânsia, a vontade de de ir pra boate todo fim de semana, novidade, descoberta, toda uma fase e que todo jovem passa por, era o que a gente estava vivendo no momento.

Também tínhamos umas coisas que hoje, vendo afastadamente, com outra mentalidade, era uma esquisitice. De repente essa mesma média de dez pessoas saia do prédio e ia andando até a rua paralela a praia de Icaraí e parava numa famosa sanduicheria local. Isso pela madrugada. Volta e meia também apostávamos corridas de madrugada no calçadão da praia, jogávamos vôlei nesse mesmo horário (ao menos a praia não estava cheia e tinha menos concorrência nos postes onde armávamos a rede). E quando nosso bando pegava as bicicletas e ia até a Fortaleza Santa Cruz fazer um pic-nic e voltava? Teve uma vez que o pneu da bicicleta de alguém furou quase chegando lá. Conclusão: tivemos que descer da bicicleta e voltar a pé empurrando até em casa.


Fizemos sim, fizemos com prazer e com orgulho. Não nos arrependemos e faríamos tudo novamente. Essa fase áurea foi a melhor. Sem muitos compromissos, as únicas preocupações eram com as provas escolares e com a média no boletim no fim de cada bimestre. Depois veio a faculdade e o rito de passagem da adolescência pra vida adulta. Creio que no meu caso foi da infância para adolescência ainda, fase essa que devo estar saindo agora. Pelo menos o número de preocupações aumentou um pouco.  

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

ALÔ

ALÔ

Uns podem chamar de traição, outros de crédito de confiança. Se não me engano a algum tempo atrás escrevi aqui sobre aparelhos de telefones celulares. Sobre minha relação com eles. Pois bem. No meio do cruzeiro citado na postagem anterior, um dos pontos de parada é a cidade de Tenerife. Apesar de ficar na costa africana, Tenerife é uma ilha que pertence a Espanha e pra a alegria dos bolsos dos emergentes é zona franca, ou seja, os produtos lá não são taxados, não tem impostos. É o verdadeiro paraíso pra se comprar produto eletrônico como tablets, DVD portátil, câmeras fotográficas e aparelhos celulares entre outros.

Finalmente chegou a oportunidade que eu queria pra cortar o meu cordão umbilical com as marcas até então fidelizadas por mim. Não, não estou cuspindo no prato que comi. Continuo gostando tanto da Nokia – dois aparelhos no ranking pessoal – quanto da Sony Ericson – se não me engano quatro aparelhos ou mais, ou seja, a preferida. Mas era chegada a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor. Hora de respirar novos ares, de experimentar outra coisa. Minha mãe já tinha ido lá e infelizmente, por ser domingo, na hora em que o navio aportou as lojas boas que ficavam próximas ao porto estavam fechadas. Se soubéssemos que abririam duas horas depois a gente até poderia esperar, mas como adivinhar?

Em outra parte da ilha tem uma região chamada Santa Cruz do Tenerife. E foi pra lá que os motoristas de táxi que nos cercaram no porto nos levaram. Com a desculpa de que estava tudo fechado, fomos não só as compras quanto visitar a parte antiga da cidade. Uma das lojas próximas ao porto era a da Samsung. Eu estava atrás de um Galaxy note, que pra mim é um mini tablet também com a função de telefonar. Um smartphone. Pra onde a gente foi, pra loja que os motoristas nos levaram esse aparelho  tão cobiçado por mim estava em falta, mas o sujeito lá me apresentou a um genérico dele que era o LG. O aparelho da minha mãe era LG e funcionava direitinho. Não tinha nada contra e nem a favor. Estava atrás do Galaxy Note. O LG estava na minha mão e eu pensando troco ou não troco, levo ou não levo. Pensei, pensei, pensei e decidi. Quer saber, se esse faz tudo o que o Samsung faz também, posso colocar os aplicativos que eu quero então porque não levar esse mesmo? Levei. E não tô arrependido. Até que ele é bonzinho.

Acho que a dificuldade maior foi encontrar uma capa pra ele. Essa só fui conseguir em Roma e mesmo assim não era a capa ideal. Os buracos não condizem exatamente com as áreas que deveriam ser descobertas. É tudo meio torto, mas foi a que mais se aproximou. Pra mim a capa ideal seria aquela que o Samsung Galaxy Note tem, que lembra um pouco um livrinho, com capinha que abre pro lado, mas essa ainda não achei pro LG. Aliás, tudo lá fora é voltado basicamente pra Samsung ou Iphone. É complicado achar acessórios pra outros modelos ou marcas. Até encontra, mas em oferta bem menor. 


Outra coisa que fui atrás mas só achei aqui no Brasil na volta foi aquela película de proteção da tela. Colei uma na semana que eu cheguei. Pra sorte minha, também na semana que eu cheguei a Anatel me baixou um decreto dizendo que a partir do próximo ano TODOS (com letras garrafais mesmo) os aparelhos celulares serão obrigados a passar pela homologação da agência reguladora. Essa história de trazer de fora está com os dias contados. O governo até cortou os impostos de uns modelos pra baratear o custo na hora da compra. Se realmente isso se mantiver e o valor dos aparelhos se equivalerem tanto quanto lá fora, se as tarifas telefônicas não fossem tão caras e se aprestação do serviço fosse realmente de qualidade até dá vontade de comprar um aparelho aqui. Mas eu sinceramente duvido que isso aconteça a tempo de eu presenciar.  

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

CRUZANDO DE CRUZEIRO

CRUZANDO DE CRUZEIRO

Dizem que viajar é bom, mas que voltar pra casa é muito melhor. Eu não acho. A gente volta pra casa porque não pode continuar viajando. Passei praticamente o mês de março todo desse ano viajando. Um mês é muito tempo pra muita gente, pra mim não. Acho pouco. Por mim viajaria de três a quatro meses por ano. Minha viajem foi bem dividida. Quinze dias em mar e quinze em terra.

Um cruzeiro. Meu primeiro cruzeiro e já atravessando o atlântico. Não imaginava que um cruzeiro era tão bom. Todos que foram falavam que era bom, mas nunca tive vontade de fazer um até agora. Na verdade o que me fez gostar do cruzeiro foi uma série de fatores. Por ficar tanto tempo no navio e convivendo com as mesmas pessoas durante esse tempo a gente acaba criando um vinculo, mesmo que efêmero. Por menos que você queira, aquelas são as pessoas com as quais você vai conviver e não tem como escapar. As verá da hora que acorda até a hora que vai dormir. A não ser que se trancafie na cabine e não saia de lá pra nada, fique totalmente recluso, tipo o Roberto Carlos quando faz show no navio.

Não, no que eu fui não teve Roberto Carlos nem ninguém famoso. Mas tem shows do staff do navio. Existe toda uma estrutura gigantesca pra fazer com que esse isolamento não ocorra, desde shows com cantores, dançarinos, acrobatas, concertos de música clássica, equipe de animação, e várias outras atividades que só te deixam em paz se você quiser. Atravessar o atlântico de navio é como bando de pássaros que migram. Os navios atravessam uma vez por ano pra cada hemisfério. Geralmente em novembro eles vem para o Brasil e em março retornam a Europa.

Claro que existem vários navios de várias empresas. A que eu fui foi a MSC e o que eu achei imprescindível nesse navio é a quantidade de brasileiros que mantem o pique dos hóspedes passageiros pra cima. Além de brasileiros, franceses e alemães eram o que dava o tempero desse navio. A nossa alegria contagiante era o que sustentava o animo das pessoas, geralmente acima dos sessenta. Eu apelidei de cruzeiro geriátrico. Mas encontrei uma turminha mais ou menos da minha faixa etária e agente também aprontou um pouco. Uma das vezes foi a invasão da festa da tripulação. Claro que tinha um esquema pra gente invadir. Mas a festa foi tão boa que pedimos ao comandante pra que a tripulação fosse liberada para outra. Fizemos abaixo-assinado e tudo. O comandante liberou. Ele também é um amante de brasileiros. Ele próprio confessou isso quando a gente esbarrou com ele num dos portos que paramos. Acho que ainda foi aqui em Salvador ou Recife.

Andar de navio é isso. Como Adriana Calcanhoto canta, “um amor em cada porto”. A cada dia você para em um lugar diferente, passa horas lá e depois toma o navio de volta pra seguir viagem. Saímos do Rio e passamos em Salvador, Recife, Tenerife, Lisboa, Cadiz, Barcelona, Tulon e Gênova. Foi lá que o navio parou. Nesses quinze dias conheci e convivi com pessoas bacanas, dignas da minha amizade eterna e constante. Pessoas que eu gostaria imensamente que a amizade não fosse tão efêmera quanto a viagem. Algumas, as que faziam parte do grupinho que a gente formou, da minha faixa etária, até troquei contato e adicionei no facebook, mas não de todas as pessoas que eu gostaria. É difícil, mesmo sabendo que a viagem acaba, com o vínculo criado, se desfazer dele. 


Faria um cruzeiro novamente, se pelo menos a equipe de animação for a mesma eu vou curtir mais. Mas eu tinha que fazer um com as mesmas pessoas pelo menos da minha turminha, já que cada um mora em um lugar diferente e vai ser muito difícil reunir todos novamente. Enfim, o primeiro cruzeiro a gente nunca esquece. Principalmente quando se atravessa o atlântico.