segunda-feira, 25 de novembro de 2013

"DINHEIRO NA MÃO É VENDAVAL"

“DINHEIRO NA MÃO É VENDAVAL”

Paulinho da Viola já cantava o que está escrito no título dessa postagem. O assunto hoje é econômico. Eu não sei lidar muito bem com dinheiro. Não que eu esbanje, seja um gastador, pelo contrário. Atualmente seleciono o que me interessa, gasto apenas o necessário, o essencial no que concerne à minha evolução como ser humano. Isso inclui principalmente e basicamente a área cultural. Teatro, cinema, viagens, shows... é nisso que vai o meu investimento.

Tem gente que acha que isso é gastar dinheiro a toa. Aí vai do ponto de vista e do interesse de cada um. Eu tenho uma certa aversão por pessoas extremamente consumistas. Aquelas que só querem saber de comprar, comprar e comprar. As mais doentes compram sem necessidade nenhuma. E o pior é que tem gente que compra e fica acumulando coisas, ou seja, além de consumistas não conseguem se desfazer das coisas mais antigas. Eu sou altamente desprendido, desapegado de tudo que é coisa material. Não ligo mesmo. Principalmente se for roupa de marca. Isso na Europa é tão barato e a visão deles quanto a marcas é completamente diferente. Claro que tem os rótulos, as marcas que são top em todo mundo, mas por exemplo, uma loja Zara, que aqui o preço das coisas é extremamente caro, lá fora tem um cunho mais popular. Eu sinceramente não entendo porque comprar uma cueca da Calvin Klein a despeito da Zorba se a função da cueca é uma só.

Lido muito bem com dinheiro. Se é meu não gasto ou, como disse, apenas em algumas coisas que em se tratando de Brasil ainda é caro. Agora, quando é dinheiro dos outros o meu cuidado aumenta muito. Afinal, aquilo não me pertence. Tudo que não me pertence o cuidado é maior da minha parte. Tenho cuidado com todas as minhas coisas também. Quem me conhece sabe que eu sou zeloso com minhas coisas, mas com as coisas dos outros eu tenho um zelo que chega a ser quase que um TOC. Em se tratando de dinheiro me ocorreu uma situação que vivenciei em Londres.

No evento de moda que eu trabalhava, na semana masculina, eu era o encarregado de um dos provadores. Um dia caiu uma moeda de uma libra do bolso de algum cliente e eu tirei a moeda do chão e a coloquei em cima do balcão onde ela ficou por dias. Provavelmente foi pro caixa do evento. Em relação a administração do meu dinheiro, acho que me dou muito bem com ele. Não sou gastador. Pelo menos não comigo. Faço a linha Madre Teresa quando um amigo meu está precisando, ou quando sei que que vai agradar a alguém procuro fazer uma boa ação, mas comigo mesmo não gasto muito.

Sei que vai chegar um dia que eu vou ter que mudar essa mentalidade de ser dispendioso com os outros e focar mais em mim. Pra isso eu preciso mudar de vida, pagar um aluguel, ou mesmo assumir as minhas contas, como telefone, plano de saúde e até o bilhete único. Mas pra isso preciso ganhar dinheiro. Isso eu ainda não sei. Não tenho tino e muito menos lábia de vendedor seja lá do que pra convencer alguém a comprar um produto que eu confie ou até mesmo que eu produza, não sei como se faz isso e ninguém me ensina. Sei que tenho várias qualidades e características que me fazem agir em vários seguimentos. Mas o meu mal é não focar em um que me dê um retorno financeiro que me agrade e me sustente decentemente. Na verdade foco muito mais no que me agrada e o sustento sempre deixo pra segundo plano.


Se alguém souber de algum curso, que não seja caro, e que ensine como ganhar dinheiro, mas bastante dinheiro e não qualquer merrequinha que essas já me bastam, me avise. Entrando mais não quer dizer que vai sair mais, mas pelo menos o conforto será bem maior. Mesmo se eu abrir a carteira num furacão o dinheiro não voa. Até por que tenho o hábito de ficar passando o cartão mesmo e poucas são as notas que ficam.

domingo, 17 de novembro de 2013

ALTA FREQUENCIA

ALTA FREQUÊNCIA

Meu sobrinho herdou uma coisa de mim. Infelizmente não muito boa. Não me lembro se meu irmão tinha também, mas na freqüência que eu tinha acho que não. Quando eu era criança, mais ou menos na faixa etária que meu sobrinho está, eu tinha muita crise de bronquite e volta e meia eu baixava na Albert Sabin, uma clínica que não existe mais e que atualmente virou um edifício onde mora minha tia Roseléa. Isso ele deve ter herdado de mim. Ainda não com a mesma freqüência, mas volta e meia ele tem que ir pra algum hospital fazer nebulização.

Eu fiz muito quando criança e sei o tamanho do desespero que a gente fica quando a gente tenta encher os pulmões de ar e as vias aéreas ficam obstruídas. Uma atividade que me ajudava a diminuir a freqüência dessas crises era a natação. Meu sobrinho também faz natação, não com a freqüência que eu fazia. A natação é um esporte completo. Eu, ás vezes, quando o verão está pra começar, me arrisco a dar umas braçadas de vez em quando na piscina aqui do edifício. Meu sobrinho também faz incursões pela madrugada atrás de um nebulizador quando é atacado pela crise asmática.

Eu tinha asma brônquica, não sei se ele também tem isso. Me lembro que minha mãe dormia comigo e dependendo da minha respiração durante o sono, me levava  pra clínica. Lá eu fazia a nebulização e o ar ficava literalmente mais respirável. No fundo, apesar do desconforto, eu gostava de fazer nebulização. Brincava de piloto de caça de avião com aquela máscara cobrindo meu nariz e boca. Adorava ouvir o barulhinho do tanque de ar soltando aquele vaporzinho. Com meu sobrinho de vez em quando acontece a mesma coisa. Ele chega a chorar por não estar conseguindo respirar. Eu entendo. Me dá uma agonia em vê-lo assim também.

Está chegando a fase das doenças de criança. Não sei se já erradicaram todas e se a geração dele tem menor risco do que a minha de pegar uma catapora. No mínimo uma catapora. Eu tive catapora. Tomava banhos de permanganato de potássio, uma água de cor vinho com a qual tinha que me esfregar junto com um sabonete especificamente recomendado pra tal. Também arrumei sarna pra me coçar. Era um pouco mais velho que meu sobrinho, estava entrando na adolescência, mas consegui pegar sarna não me lembro como. E conjuntivite?

Agora, meu irmão batia recorde. Ele conseguia pegar as doenças mais estranhas que eu já vi. Orquite, mononucleose, além de hepatite e algumas incontáveis fraturas. Alguma coisa desse tipo, bem estranha, era o que fazia ele parar em casa. Até hoje é assim. Só sossega quando não tem mais jeito. Mas não é uma gripezinha qualquer que vai fazer ele parar. Tem que ser uma porrada boa, uma doença que deixe ele de cama mesmo, que derrube e mesmo assim ele não faz o resguardo completo.

Eu fico na expectativa de quando o primeiro dentinho dele cair. Qual será a reação dele? Será que vai ficar apavorado, ou vai curtir a troca da dentição? Acho que eu fiquei apavorado com o primeiro, mas no segundo eu já acostumei com a idéia e daí por diante adorava um dente mole. Achei uma pena a natureza só trocar uma vez a dentição. Agora, não só as crises de bronquite que meu sobrinho tem de vez em quando, mas os possíveis, imagináveis e previsíveis tombos, arranhões, escoriações, contusões e por que não dizer quebras e fraturas podem ser que venham com a fase que meu sobrinho está entrando agora.


Se ele for igual ao pai vai ser assim. Agora, se ele me puxar no que tange a saúde, apesar de eu também ter tido as minhas doenças de infância e de ter quebrado o braço uma vez, a freqüência de idas a hospitais, pronto socorros não será tão alta assim. Crise asmática é hospital na certa. Vejamos como se comporta em outras situações.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

CATIVANDO

CATIVANDO

Na história do Pequeno Príncipe tem uma frase que diz que você é eternamente responsável por aquilo que cativas. Fico imaginando o tamanho da minha responsabilidade já que tem várias pessoas, e cada vez mais o número é crescente, que eu cativo. Já percebo que minha responsabilidade sobre elas está falha. Não necessariamente falha, mas deficiente. Talvez pelo fato da própria vida dar rumos diferentes a pessoas tão queridas a sensação que se tem é que você as deixa meio de lado, meio esquecidas. Não é isso. A hora que precisarem, elas sabem que podem contar comigo.

Eu tento saber ao menos como as pessoas que me circundaram em um determinado momento ou época da minha vida estão. Claro que saber sobre quem estudou comigo no jardim de infância também já é querer demais. Nesse aspecto só mantenho contato com algumas pessoas do segundo grau. Da faculdade é mais certo, garantido o contato. Atualmente, com o advento das redes sociais, esse contato fica mais fácil. Ainda não reconheci ninguém que tenha estudado comigo no jardim de infância primeiro ou segundo grau. Uma vez até achei uma pessoa que estudou comigo na oitava série – acho que hoje se chama nono ano – e cheguei a adicioná-la na época do Orkut, mas acho que ela não se lembrou de mim e ficou por isso mesmo.

Hoje são raros os meus amigos que não tem Facebook, mas existem. Já os que tem, fica sendo um contato permanente, um canal aberto onde a qualquer hora, em qualquer momento a gente possa se comunicar. E a responsabilidade parece que tem um peso menor, mas ainda pesa. Pesa pelo fato de ainda estar ali, você estar vendo e, se faz parte do seu grupo de amigos é por que houve em algum momento uma cativação (se é que existe essa palavra). Acho também que o facebook diminuiu a função do “dar um telefonema pra saber se tá tudo bem” dada principalmente pela auto exposição, pela evasão de privacidade, pela externalização de um sentimento ou opinião. Até pra dar os parabéns eu dou pelo facebook, a não ser se for alguém que eu dê a preferência para telefonar, aí não deixo mensagem. Pra mim uma substitui a outra. Acontece as vezes de eu tentar ligar, não conseguir, deixar um recado, tentar ligar novamente e falar com o aniversariante, mas é raro fazer os dois.

Tem algumas pessoas que estão lá como amigos mas que não passam de meros figurantes. Várias vezes já pensei em desfazer essas amizades, mas por menos que haja contato, que ninguém escreve pra ninguém os deixarei lá quietos até eles me detonarem. De minha parte não farei isso. Talvez até faça, mas vou pensar muito se realmente fizer. No fundo, acho que isso é fechar portas, perder contato, coisa que eu não gostaria que fizessem comigo. Mesmo que eu tenha cativado essas pessoas em algum momento e atualmente esse fato não esteja mais em vigor na vida delas, o que é natural acontecer e/ou que por conta de outras circunstâncias o contato mais frequente foi perdido, sempre é tempo de se recuperar, de recomeçar. E outra, se essas mesmas pessoas também não fizeram o mesmo comigo é por que lá no fundo rola uma esperança também da parte delas de o contato ser restabelecido.


Quando a vida me afasta das pessoas que eu cativo eu fico um pouco chateado, mas não triste. Afinal as pessoas chegam e partem, se encontram e se despedem. Infelizmente esse é o ciclo da vida. Ë difícil pra mim, que sou muito apegado as pessoas e no que elas representam pra mim, parar de falar com quem quer que seja é u pouco doloroso. Parece que é um sinal de que não cativei direito, o suficiente pra que aquela pessoa mantivesse o contato e não apenas figurasse, como tem acontecido, no meu facebook. Mas fazer o que? Nem tudo sai como a gente espera. O negócio é aprender a contornar essas situações e tentar aliviar essas perdas com alguns outros. 

CINEMÚSICA

CINEMÚSICA

Algum tempo atrás eu era mais fixado em filmes de um modo geral. Corria para o cinema pra assistir aqueles filmes que entravam em cartaz e dar o meu aval, o meu parecer sobre a trama nas rodinhas de conversa. Na época do vídeo cassete, logo assim que adquirimos um, frequentei bastante uma vídeo locadora que hoje nem existe mais. Aliás, existe locadora hoje em dia? Claro que existe, mas não deve ter o mesmo apelo que tinha antigamente. Agora, já na era do DVD não sinto tão atraído até pelo fato de a TV a cabo também oferecer uma boa gama de filmes pra se ver em casa. Com esse sistema de gravação no próprio aparelho que fica armazenado o tempo que você quiser, aí mesmo que nem me arrisco a me cadastrar numa vídeo locadora. A última inscrição que fiz em uma foi aqui perto de casa logo assim que meu primo Luis Antônio casou. Lembro que a numeração da carteirinha dele e da minha era bem próximo, apenas dois números de diferença.

Eu sempre apostei na leitura. Acho que isso é quase uma unanimidade. Os livros são bem melhores que as adaptações deles pras telas de cinema. E eu particularmente tenho um problema. Se eu leio um livro depois de já ter virado filme, minha imaginação fica limitada. Às vezes acontece de eu pegar o livro anos depois  de anos do lançamento e de eu ter visto o filme, alguns detalhes do filme ainda ficam na minha memória. Ao menos as atuações dos protagonistas. Já os detalhes mais técnicos e minuciosos como luz e enquadramento eu esqueço na sua grande maioria, mas mesmo assim aquela história já está formatada e eternizada na visão daquele diretor, que nem sempre é a minha.

Tem uma linha que eu até vejo, apesar de não ser muito fã, ou seja, vejo como se fosse outro filme qualquer que são os musicais, geralmente saídos dos palcos da Broadway. O último que vi nessa linha, e gostei, foi Os Miseráveis, da obra de Victor Hugo e talvez o mais famoso seja “A Noviça Rebelde” que atravessa gerações. Não sei se meu sobrinho viu e nem se na idade em que ele está tem paciência de ficar sentado vendo o filme. Ele ainda está na fase do desenho animado. Outro que me lembro bem foi “Evita”, aquele com a Madonna. Mas tem também Chicago, O Fantasma da Ópera, Mamma Mia entre muitos outros. Falei de filmes adaptados de livros e de musicais.

No fim da década de oitenta o Cacá Diegues fez um filme chamado Veja essa canção. Ele pegou quatro músicas e bolou quatro histórias, uma sobre cada música e filmou. Filmes sempre andaram acompanhados de músicas. Quem não reconhece os acordes da marcha imperial do Darth Veider na guerra nas Estrelas, do voo do Super Homem do Christopher Reeve, da bicicletinha voando do ET, da ação do Missão Impossível ou do James Bond.


Dessa vez fizeram ao contrário. Pegaram uma letra de música e roteirizaram para transformar em um longa metragem. A música tem a idade do meu irmão, mas devido a turbulência política que o país estava vivendo naquela época – ditadura militar – só foi lançada anos depois, no terceiro disco do grupo. A banda em questão é a Legião Urbana e a música é Faroeste Caboclo. Estourada nas rádios em meados da década de 80 e fora dos padrões normais de uma música executável em rádio já que ela tinha dez minutos de duração, essa música marcou uma geração, a minha, e conta a história de um triangulo amoroso conturbado e violento entre Jeremias, João de Santo Cristo e Maria Lúcia. A música nada mais é do que a sinopse do roteiro do filme. É interessante, e se essa moda pega, pelo menso aqui no Brasil tem uma variedade enorme de sinopses em formas melodiosas. O samba enredo é mais ou menos isso também, dada as devidas proporções. Se eu fosse chamado pra roteirizar uma música, sem pestanejar, escolheria “A perereca de vizinha” da Dercy.