sábado, 27 de dezembro de 2014

DESEJO DE ANO NOVO

DESEJO DE ANO NOVO

Vou aproveitar essa tarde do último sábado do ano pra escrever essa postagem derradeira de 2014. Ao contrário de todas as outras, essa e a anterior não tem rascunho. Tô criando diretamente no arquivo do blog no meu pen drive.

Geralmente eu costumo postar no domingo ou na segunda, mas como eu pretendo ir manhã pra Saquarema e voltar na terça pra passar a virada do ano aqui e como eu não tenho nada pra fazer agora, a primeira ideia era de fazer isso mais tarde, a noite. Mas eu vou assistir ao musical do Chacrinha e depois vou correndo tentar pegar a sobra da comemoração do aniversário da tia Roseléa que fez ontem mas vai comemorar hoje. O musical sobre o Chacrinha foi o meu pedido de amigo oculto esse ano. Enquanto as pessoas pediram livros e peças de vestuário eu pedi um ingresso pra teatro. Cada um consome o que lhe convém. Eu gosto de consumir cultura. Custei muito a decidir e só botei na lista uma semana antes do Natal. Tio Roberto, que me tirou, comprou pra hoje sem saber que tia Roseléa iria comemorar o aniversário dela hoje também.

Mas como última postagem do ano que eu chamo de ao vivo pelo fato de escrever e imediatamente depois da edição e formatação já ir pro ar, eu costumo fazer um balanço do meu ano. No meu microcosmo foi bom, no macrocosmo já não foi tão redondo assim. Eu não posso reclamar do que aconteceu comigo, do que eu passei. Trabalhei fazendo o que eu gostava e o melhor, ganhando pra isso. Não era um excelente salário, mas deu pra juntar uns cascalhos e ajudar na viagem de outubro. Tanto que já começo a pensar no que eu vou fazer no próximo ano em termos de viagem. Não tá nada fechado ainda, tá muito cedo, mas começo a fazer um esboço, a ver as datas e a juntar dinheiro pra essa próxima. Agora, em termos de conjuntura global 2014 é um ano pra ser esquecido. Muita perda de gente boa principalmente no ramo da cultura. Não vou ficar aqui fazendo obituário de um ou de outro.

Não foi um ano fácil. Não só na área da cultura, mas na política e economia também. Mais escândalos políticos vindo a tona, a economia afundando cada vez mais, enfim, coisas que indiretamente nos atingem. Temos que colocar a armadura pra passar 2015 ilesos. Armadura boa, se não não adianta. E mesmo assim ela vai amassar um pouco. No macrocosmos, 2015 não vai ser muito diferente desse ano. Talvez um pouco melhor, o que dada a atual circunstancia já é uma boa notícia.

Meus prognósticos pessoais pro ano que vem são bons em termos de trabalho. Pelo menos eu recebi uma notícia boa alguns dias atrás que se concretizar é como a realização de um dos meus sonhos. Não vou adiantar nada por aqui por que ainda não tem nada concreto, assinado, lavrado, mas o acordo verbal já foi feito. Por outro lado devo continuar a fazer o que venho feito com mais afinco desde o ano passado (2013) que por enquanto é o que eu estou gostando de fazer, o que me dá prazer em fazer e o que eu quero fazer. Claro que tem seu grau de sacrifício, mas qual não tem?
             
            Espero que em 2015 eu seja mais feliz. Que o meu trabalho seja mais reconhecido e valorizado – percebo que o caminho é esse e vou mantê-lo devagar e sempre – e que entre dinheiro não só pra viagem do fim de ano, que é a prioridade, mas pra começar a fazer outros tipos de investimentos como um carro ou porque não um apartamento. Sonhar ainda não custa nada. Assim como quero pros meus, desejo que seus sonhos se realizem também em 2015, que haja foco, trabalho e vibrações positivas pra que tudo dê certo. Nos reencontramos ano que vem. Garanto pelo menos mais um ano de críticas, elogios, comentários, sátiras e casos. Agora, 3:30 da tarde desse sábado 27 de dezembro de 2014, hora de pensar em almoçar pra logo mais começar a me arrumar e curtir meu presente de Natal. Feliz 2015, que seja um ano impar.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

PEDIDO DE NATAL

PEDIDO DE NATAL

Nessa madrugada do dia 21 pra 22 e dezembro, quase 02:30 da manhã eu sei que tá muito em cima, mas vou arriscar a escrever minha cartinha pro Papai Noel. Não sei se ele vai ter tempo de me atender. Os trabalhos lá na Lapônia devem estar a todo vapor já que chegamos na reta final e tudo deve estar pronto daqui a dois dias.
Acho legal essa ocupação do bom velhinho de se preocupar com as cartinhas, os pedidos que fazem a ele porque não se deve ter muita coisa a fazer na Lapônia, uma terra fria na maior parte do ano. Também acho que que pela idade ele deve dormir assim que volta pra casa da entrega dos presentes e só acorda pra ver a virada do ano. Depois tira férias até o carnaval – Será que tem carnaval lá na Lapônia? – e retoma sua produção pra atender a demanda que se intensifica mais pro final do ano, ou seja, já deve deixar alguns presentes pré fabricados durante o ano. Mas vamos deixar de especulações sobre a vida de Noel e vamos a cartinha.
Pela proximidade do dia vai ser por e-mail mesmo. Até o correio chegar lá com minha cartinha, pelo caos que fica durante essa época do ano creio que em todo mundo, já vai ser ano que vem. Espero que paralelamente às cartinhas ele esteja na era da conectividade, leia e-mails e tenha tempo de ler mais um.
Não sei se começo com querido ou prezado Papai Noel. Já não tenho mais tanta intimidade com ele quanto o meu sobrinho tem. Ele já não frequenta meu ciclo de amigos e se ele tivesse um perfil real no facebook poderia até estar figurando entre os meus amigos, mas acho que não teria nenhum histórico de conversa com ele. Então é melhor começar com prezado . Querido é pra quem é mais íntimo.
“Prezado Papai Noel, fui um bom menino esse ano.”
É engraçado que nessa época do ano todos esquecem das pirraças, dos maus comportamentos e certamente há a garantia que em alguma parte do mundo tiveram outros mais deselegantes que nós em certas ocasiões.
“Não fiz xixi na cama, não fiz má criação, fui sempre a escola e aprendi sempre a lição.”
Isso é só copiar, pra quem conhece, da música do Carequinha. Só que no meu caso eu não tenho mais idade pra fazer xixi na cama, má criação de vez em quando, mas na minha idade muda de configuração um pouco e há muito tempo eu não piso numa sala de aula. Talvez isso poderia servir pra cartinha do meu sobrinho, mas acho que ele não sabe quem foi o Carequinha.  
Acho melhor pular essa parte dos êxitos pessoais e ir logo pro setor de pedidos. Olhando bem, materialmente eu não preciso de muita coisa. Tenho praticamente tudo. Acho que o que eu vou pedir já sai da alçada de Noel. Ele só fica na seara dos brinquedos e o meu tipo de brincadeira atualmente não tem nada a ver com os brinquedos fabricados por ele. Eu queria mesmo era continuar a fazer o que eu tenho estado fazendo e poder brincar de casinha. Casinha de verdade com fogão, máquina de lavar, geladeira e contas a pagar no fim do mês e o carrinho na garagem. Esse é o patamar mais alto dos meus desejos. Se eu for atendido esse ano com tudo isso nunca mais preciso recorrer a ninguém nem escrever mais cartinhas ou e-mails a Papai Noel.
Sinto que estou sendo um pouco egoísta nesse pedido. Então vamos num mais abrangente, e provavelmente num patamar mais baixo que o meu pedido pessoal.
“Gostaria de pedir que em 2015 me dê um país com menos corrupção na Petrobrás e em qualquer outra empresa. Que os políticos assistam mais a quem os colocou para representa-los e não fiquem pensando só em próprio benefício.”
             Acho que pra começar tá bom. Sei que é um pedido difícil, não sei se mais que o desejo pessoal. A todos vocês desejo nessa semana um Feliz Natal. 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

20 POR HORA

20 POR HORA

Quando se tem 20 anos, descobre-se que você pode mudar o mundo e tem a faca e o queijo na mão, além da jovialidade, vitalidade e da gana para que isso aconteça. Aos 20 anos nós somos jovens, invencíveis e, mesmo que numa ingenuidade ainda infantil nos achamos até imortais. Aos 30 anos, sem tanta gana, você compartilha de uns 70% dos seus pensamentos de 10 anos antes. Outros 30% foram repensados e não constam mais nas suas listas de reivindicações pra mudar o mundo. São aquelas coisinhas que vão levar gerações e gerações para que de fato sejam modificadas.

Percebe-se também que as coisas não evoluem na velocidade que você acha ou quer que sejam evoluídas. Geralmente, com esse início de maturidade, a passagem da adolescência pra vida adulta, o acúmulo de responsabilidades vemos que o mundo gira mais lento do que imaginávamos aos 20. Quando se chega aos 40 anos, aqueles 70% já caem pra uns 40 ou 30%, ou seja, inverte tudo. Não é de uma tacada só que se muda o mundo, aliás é a descoberta de que o mundo se modifica a passos de formiga e sem vontade. Lá no fundo você sabe até que o mundo se modifica, mas não conta mais com sua vitalidade em se embrenhar numa batalha por uma ideologia  de juventude perdida com o passar dos anos.

No entanto, quando se está com 40, já tem outra geração de 20 que acha que é invencível e vai mudar o mundo. Por mais que se advirta essa geração, não adianta. Eles são os donos do mundo, assim como foi a atual geração dos 40. Quando se chega aos 60 a impressão que tenho é de que, além de não ter mais a jovialidade, não se crê mais na mudança do mundo.

Fazendo uma má comparação, o mundo seria um disco de vinil comas faixas arranhadas. A primeira toca bem, direito; a segunda tem um pulo da agulha; a terceira já está com um arranhão; a quarta é uma música que você não agüenta mais ouvir. Aos 80 aquele disco da vida é a única opção que se tem pra ouvir mesmo com todas as faixas de sempre e sabendo dos problemas e/ou defeitos de todas elas. Talvez não seja a única opção, mas a outra é mais macabra, no caso a morte. E pra quem faz a opção de continuar a escutar esse disco, o melhor mesmo é aguardar da melhor forma possível que esse disco acabe e a agulha encoste no rótulo do meio. Espero que a geração de 20 saiba o que é o rótulo no meio do disco de vinil.

A minha geração, faixa dos 30 a 40, já sabe qual é a música, mesmo inconformado com quem rege a orquestra do país, mesmo sabendo que a batuta não está nas mãos da pessoa certa. Principalmente pra quem já teve a oportunidade de conhecer outros tipos de música e de orquestras mundo afora. Percebo que o ritmo, o andamento e a harmonia não estão condizentes com que a gente já escutou por aí. Mas ainda levo fé nessa geração de 20 que quer mudar o mundo.

Sei que não é exatamente essa que aí está, que vai conseguir esse feito. Mesmo que eu esteja com meus 80, terminando de escutar o disco da minha vida e a geração de 20 ainda não tiver mudado o mundo, até lá alguma coisa já deve ter mudado pra melhor, já deve ter evoluído, mesmo que pouco, graças a jovialidade , vitalidade e gana dessa geração. Mesmo que dure outros 80 anos, mesmo que várias gerações de 20 perpassem, o mundo só evolui no máximo a 20 km/h.


Acho que descobri o ciclo da vida, ou melhor, como ele se dá em determinado setor da vida. Como todo e qualquer ciclo, ele está sempre se renovando. Faz parte da evolução e raras são as exceções de quem não passa por cada uma dessas fazes. O avanço da idade é inversamente proporcional ao fato de querer mudar o mundo. Todavia, quando há uma unanimidade em lutar por direitos, por exemplo, não importa a idade que tenha. O coro aumenta, o tranco funciona e atitudes são tomadas.      

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

INÍCIO, FIM E MEIOS

INÍCIO, FIM E MEIOS

No final de 1865 havia um impasse nos Estados Unidos. O país estava numa guerra civil sangrenta, a chamada Guerra de Secessão, onde o sul era escravocrata e o norte com o regime livre. Quem estava sentado na cadeira mais importante do mundo era o 16º presidente americano Abraham Lincoln que havia dois meses tomara posse do segundo mandato do cargo. Numa tentativa de solucionar esse problema que já se arrastara desde o seu primeiro mandato, Lincoln propôs e enviou pro senado e pra câmara dos deputados seu projeto da 13ª emenda à carta magna daquele país.

Aprovada pelo senado, era a vez da câmara votar essa polêmica emenda. O texto dizia que a partir dali a escravidão estaria abolida definitivamente em território americano. Os estados do sul logicamente foram os que mais se opuseram a essa proposta, pois eles eram altamente dependentes da mão de obra escrava e não sabiam lidar com outro tipo de regime. Por meios não muito coesos Lincoln conseguiu fazer com que a emenda fosse aprovada. Os deputados que a princípio eram contra, representantes do sul, mudaram de ideia quando a eles eram oferecidas algumas vantagens, seja em dinheiro, seja em cargos ou em favores. Eles foram coagidos a mudar seus votos em troca de algo.

Cerca de 150 anos depois essa prática ainda é vigente, ou seja, a política não evoluiu muito nesse tempo. Aqui no Brasil então isso parece mais um câncer em metástase e sempre que se acha que não pode piorar, há a desgraça. A base aliada do governo pouco se lixa pro plano que esse traça pro país, só interessado no seu quinhão. Ninguém mais tem a consciência do que está fazendo quando se vê que pode tirar vantagem daquilo, principalmente pra enriquecer ainda mais. E quanto mais se aprova leis, mais brechas, mais lacunas são abertas pra que eles fiquem blindados.

Não estou defendendo o que Lincoln fez, mas dadas as circunstâncias, foi a única maneira dele defender a ideia encrustada na própria constituição americana de que a os estados Unidos era o país da liberdade. Foi pra defender a carta magna daquele país que ele se utilizou de meios escusos pra fazer valer o que estava escrito. Aquela velha história do escrever certo por linhas tortas. A guerra não acabou de imediato e pouco mais de dois meses depois de promulgada essa 13ª emenda, Lincoln foi assassinado.

Essa história está muito bem retratada no filme de Steven Spielberg com grande atuação de Daniel Day Lewis no papel do presidente. Tem uma frase quase no fim do filme que sintetiza tudo: “A maior medida do século XIX, aprovada com corrupção, apoiada e promovida pelo homem mais puro dos Estados Unidos”. Ao contrário dele, aqui ninguém põe a nação num grau de importância suprema. Nossos representantes não nos representam. Nada é feito diretamente direcionado ao povo brasileiro, não há interesse político em dar no mínimo o básico com qualidade.

Sempre digo que há uma lei que atravanca o progresso no nosso país. É a conhecida lei de Gérson que diz que o brasileiro quer levar vantagem em tudo. Que vantagem Lincoln levou ao corromper uma dezena de deputados? Estes sim tiveram uma vantagem. Entraram pra história e acho bem provável que a votação a favor da 13ª emenda sobressaiu ao gesto de serem corrompidos, ou seja, fizeram o bem pra nação. Se não fossem eles, seriam outros, mas a imposição da Casa Branca em acabar com a guerra e/ou a escravidão se daria de forma não muito diferente.


Anos levaram pra que um negro ou uma mulher pudessem votar, por exemplo. Cem anos depois os negros começaram a sua luta pra que esse ranço fosse apagado e a prova maior foi o Obama ter sentado na mesma cadeira que Lincoln. Eu não mudo o meu discurso de que um erro não justifica o outro, mas, depois de ter assistido ao filme, depende muito do fim pra que esse justifique os meios.                       

domingo, 30 de novembro de 2014

UNHAS

UNHAS

Sempre ouvi minha mãe dizer: “Tira essa mão da boca” referindo-se ao meu péssimo hábito de roer unhas. Não sei se por ansiedade, timidez ou por ser gordo e ter sempre alguma coisa na boca que acabava por ser a unha. Quando tinha uns 13 anos quebrei meu braço esquerdo – sou canhoto, portanto o mesmo que segura essa caneta pra fazer o rascunho dessa postagem – e me lembro que essa foi a primeira vez que vi minhas unhas crescerem. Minha mãe até sentiu um certo orgulho em ter que cortá-las quando as viu grandes. Foram só os cinco dedos, mas era uma vitória pra ela. Com o braço engessado não conseguia levar a mão esquerda a boca. Talvez o polegar sim, mas por me dar mais trabalho, durante um mês, não consegui roer as unhas da mão. Nem conseguia conceber a imagem das unhas monstruosas do Zé do Caixão que chegavam a se enrolar formando um caracol. Sei que depois ele cortou e não as deixa chegar no tamanho que já tiveram, apesar de ainda e sempre ficarem bem acima da média de qualquer normal.

Unha grande quem geralmente tem é cobrador de ônibus. Nesse caso certamente a do dedo mindinho é a que fica maior que as outras. Não sei o motivo da preferência pela unha do dedo mindinho, já que os dedos indicadores e o polegar opositor são os mais utilizados. No entanto se vir um indivíduo com a unha do dedo mindinho maior que as outras ou é cobrador de ônibus ou então produz muita cera no pavilhão auricular e aquilo serve de pá pra tirar a secreção em excesso.

A unha agora tem suas variedades. Manicure que se preza, além de fazer o básico, deve estar bem informada do material que se utiliza pra produzir uma bela unha, daquelas que a Alcione adora usar. Não é só pintar de uma cor. A moda agora é diversificar e transformar a unha numa tela em branco própria pra se criar uma obra de arte. Além das tintas, cores, desenhos, decalques há também a técnica da resina que é utilizada para que haja um alongamento da unha. Olha a Marrom aí novamente.

Eu agora deixo a minha crescer normalmente. De um tempo pra cá não roo mais unhas. Cansei, desisti, foquei em outra coisa a ponto de não mais roê-las. Não nego que às vezes ainda me pego com a mão na boca, não pra fazer o que eu fazia, mas pra uma função um pouco mais escatológica que roer. A minha unha limpa faz vias de fio dental ou, ao contrário, se ela está grande eu limpo a unha com o dente também. Pelo fato dela crescer completamente descuidada, ela racha, quebra toda. Sobretudo nas pontas. Aí me utilizo do dente pra poder mais ou menos acertar o formato dela. Não considero que isso seja roer unha, mas um acerto de pontas.

Hoje em dia, ao contrário da minha infância/adolescência eu gosto de ver minha unha grande. Não quero chegar a ser um novo Zé do Caixão. Elas são devidamente cortadas uma vez por mês, mas sempre deixo uma linha branca, tipo francesinha, como as mulheres conhecem, até mesmo por que assim eu acho que elas crescem mais depressa. Dizem que tecidos cartilaginosos como orelhas, nariz e unhas não param de crescer. Acho que o cabelo também, quem os tem, entram nessa classificação. Meu nariz é grande – mal de família – minha orelha é proporcional a minha cabeça, meu cabelo é cortado de 3 em 3 meses, ou seja, 4 vezes por ano e minhas unhas são mensalmente aparadas, tanto as dos pés quanto as das mãos. Apesar de tudo eu ainda tenho que me aprimorar no corte das unhas do pés. Será que pedicure corta também?


Nunca me utilizei desses recursos pra cuidar delas. O máximo que eu fazia era passar um esmalte que me ajudava a deixar crescer a unha. Bem, não era bem um esmalte, mas uma solução que deixa um gosto ruim na unha e quando eu a levava a boca aquele gosto me fazia sentir uma repulsa e mudava durante um curto período de tempo o meu paladar. Ótima ajuda que eu tive pra deixar minhas unhas crescerem. 

domingo, 23 de novembro de 2014

ARTE

ARTE

De vez em quando entra na pauta de discussões com meus amigos a arte e voltam aquelas questões como o que é arte hoje em dia e pra que serve. Na minha opinião singela e humilde a arte é aquilo que de um jeito te toca, te comove, te faz pensar. Isso é arte. Tem gente que vê a arte como mercadoria. Fica muito mais interessado no valor de um quadro do Portinari, por exemplo, do que no quanto de reflexão ele pode ter a capacidade de incutir no espectador daquela obra. O mesmo acontece com as outras formas de expressão como a música e o teatro.

Conheço cantores e compositores que são bons, que tem dom e talento, mas vivem nos porões, bares, nas garagens, no submundo ou em alguma churrascaria se apresentando, mostrando seu trabalho pra uma qualidade de pessoas que as vezes não tem nada a ver com ela, mas que só tem aquele espaço pra se exibir, além do espaço virtual na internet onde divulga suas músicas compartilhando, criando uma rede de amigos mesmo sem ter a canção difundida por uma emissora de rádio.

Por um lado pode até se ter a facilidade de uma música ser bastante distribuída virtualmente, mas a dificuldade de execução numa rádio ainda é grande e o famoso jabá ainda rola, e não é barato o preço. Me lembro, por exemplo, do caso da Zélia Duncan que começou assim até uma música emplacar na novela e aí sim ela se tornar produto de consumo. Antigamente música em novela significava alavancamento de carreira. E a música nem era dela, mas a partir dali ela pode mostrar o seu trabalho de forma abrangente.

Não só pra música, mas novela, por incrível e incongruente que pareça, atrai para o teatro também. Ainda bem que existem autores e produtores de novelas que fazem o caminho inverso, assistem espetáculos teatrais e escrevem praquele novato. Novato na carreira televisiva, pois por trás daquele rostinho novo na TV vem uma bagagem teatral muito grande. Claro que há exceções, sem dúvida, e isso deveria acontecer com muito mais freqüência pelo fato de ter muita gente boa por aí mostrando sua arte e por estar a margem da mídia não aparecem pro grande público.

A gente sabe que novela é produto e volta aquela discussão lá de cima com meus amigos, quando a gente pergunta se é arte ou apenas entretenimento. Se te toca, te comove, te faz pensar, sim, é arte. Mas existe muita gente como eu que não acompanha, não vê novela ou que liga a televisão sem mesmo saber ou ver o que está passando, mas por pura companhia, por agradar em ter algum barulho dentro de casa.

Atualmente o teatro tem sido visto como um produto, o que eu acho uma lástima. Tem tanta gente boa, querendo mostrar trabalhos de qualidade, mas que não se encaixam no perfil que os produtores e gestores ou donos de teatro buscam, ou seja, o lucro, a rentabilidade. Se é cara desconhecida, que nunca trabalhou em novela então, essa dificuldade fica ainda maior. Creio que se deixassem esses ilustres desconhecidos se apresentarem sem ficar refém de patrocínio, de lei de incentivo, de editais, muita coisa boa poderia ser mostrada, vista e compartilhada, poisa melhor propaganda ainda é o boca-a-boca.  Digo isso de carteirinha pelo fato de fazer parte de uma companhia também. E por participarmos de vários festivais de esquetes vemos que não só nós, mas muita gente boa está por aí nos porões, nas garagens, no submundo ou fazendo figuração em alguma novela e almejando ser o próximo galã da novela das oito.

            Porque hoje é diferente? Por que hoje é fragmentado e não tem o mesmo espetáculo a semana toda? Por que não se abre espaço pra espetáculos desconhecidos ou com elencos desconhecidos do grande público? Por que um espetáculo não pode se sustentar apenas pela bilheteria? Enfim, perguntas que entram na pauta de discussões com meus amigos. Isso é arte? 

terça-feira, 18 de novembro de 2014

TEMPO PERDIDO

TEMPO PERDIDO

É sabido que quando vamos viajar temos que checar principalmente o passaporte, nosso documento oficial pra qualquer canto do mundo que vamos, sendo exceção os países fronteiriços os quais podemos levar a identidade, pelo menos nos países do chamado MERCOSUL (ainda existe o MERCOSUL?). Consta também que ao embarcar esse documento tem que estar válido pelo menos por seis meses a partir da data do embarque.

Por conta desse fato, quando eu estava morando em Londres e decidido a fazer o tour pela Europa tive que renovar meu passaporte. Ele estava pra vencer em novembro e o meu tour começou em julho, ou melhor, dia 30 de junho, último dia válido do meu visto de estudante, peguei o avião em Londres e fui pra Milão. Meu passaporte ficou pronto em 8 de junho de 2009 com validade até o mesmo período desse ano. Poderia até manter o passaporte antigo, pois voltei pro Brasil início de outubro e o vencimento como disse era em novembro. Por via das dúvidas e precaução fiz esse novo que pra minha alegria está todo carimbado. Talvez seja o passaporte que mais carimbo recebeu até pelo fato de ao fazer um cruzeiro, em cada porto que se para é um carimbo de entrada. Bem, deveria ser.

Minha mãe fez seu último passaporte nessa mesma época e portanto também teria que renovar no meio desse ano, mas como ela viaja muito, por conta dessa validade, desse prazo de carência vamos assim dizer, ela teria que renovar o dela antes que eu, já que minha previsão, minha programação de viagem utilizando o passaporte daria tempo de sobra de renovar dentro do prazo, mas a pressa da minha mãe em fazer o dela correndo, insistiu pra que eu fizesse o meu também. Isso foi no final de janeiro e o passaporte vencia em junho, ou seja, além dos cinco meses perdidos na renovação do passaporte feito em Londres, menos 6 meses na renovação do mais recente passaporte que, somado ao anterior, agora são cinco passaportes guardados. Bastam os últimos 3, mas ainda faço questão de tê-los todos em meu poder até quando me der na telha.

Como foi minha mãe que resolveu tudo, inclusive o agendamento e sabendo que eu não funciono bem na parte da manhã, foi marcado pras 9 da manhã. O dela foi 45 minutos depois. Você passa mais tempo esperando ser chamado que lá dentro mostrando a documentação. Mas o pior momento é quando você faz a sua assinatura digital num painel onde há uma linha e a caneta não sai tinta e só vê a letra na tela do computador do agente federal. Sempre vai sair ruim. Pelo menos no DETRAN eles põem um papelzinho por baixo  e lê o que escreve. A documentação é a mais básica possível. No meu caso identidade, CPF (que já vem na identidade) título de eleitor e certificado de reservista. Talvez seja o penúltimo passaporte que tenho que apresentar esse certificado. Só até os 45 anos de idade. Também tem que levar o comprovante de votação da última eleição. Se forem 2 turnos tem que ser os dois, ou a folha que se imprime direto do site do TRE dizendo que você está quite com o cartório eleitoral. Quando eu mudei o meu título para o biométrico joguei os comprovantes fora e tive que imprimir o tal papel. Mas por ser título novo, não tinha a necessidade de levar. Melhor o excesso de documento que a falta de algum deles e o transtorno de agendar online, voltar pra lá e fazer tudo novamente.


Foi justamente o que aconteceu com a minha mãe. Ela esqueceu de levar a certidão de casamento. Tentou resolver voltando lá no mesmo dia, na parte da tarde, mas aí já não tinha mais jeito. Isso é Brasil e o sistema cai frequentemente. Sem previsão de voltar e com agendamento pra todos os dias ela penou um pouco pra que seu passaporte novo ficasse pronto. Me recordo daquela fábula da lebre e da tartaruga. Enquanto a lebre corre e se estrepa, a tartaruga se dá bem com a velocidade lenta.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

COMIDA

COMIDA

Vou falar de um assunto hoje que é a alegria dos gordinhos como eu. Não sei se é doença já que tenho sido acompanhado por uma nutricionista e controlado um pouco a minha alimentação, mas acho que sou gordo mesmo tendo emagracido. Claro que os quilos a menos forma resultado de uma nova conduta alimentar, no entanto, se tem algo que gosto de fazer é comer. A quantidade pode ser reduzida, a qualidade pode ter sido modificada, mas ainda tenho prazer em enfiar o garfo cheio na boca.
Nasci gordo, sempre fui gordo, me acostumei a ser gordo e sempre que vou a um restaurante penso como gordo, mas já não mais como feito um gordo. Antigamente era difícil eu parar de comer mesmo quando saciado. Isso me dava uma sensação horrível deplois durante horas. Agora não. Quando me sinto satisfeito paro de comer.

Quando morei em Londres tive overdose de junk food, ou seja, aquelas porcarias de comida congelada e até mesmo várias idas a cadeias de fast food, que não deixa de ser junk, mas era o que as vezes dava pra comer no dia por falta de grana mesmo. Até que fui enjoando disso e combinei com o Airton de a gente fazer compra descente no mercado e fazer em casa legumes, carnes e às vezes arroz pra comer nas nossas refeições. Bem mais saudável, nutritivo e apetitoso. A carne, por ser cara lá, trocamos por hambúrgueres mesmo. Além de ser mais barato, rendia mais. Às vezes comprávamos filé de salmão, que por incrível que pareça era mais barato que um quilo de carne moída. Quando estávamos com um estoque alto de hambúrgueres nos dávamos ao luxo de comer salmão.

Comida sempre foi o carro chefe pra tudo. Almoço de família aos domingos na casa dos meus avós paternos foi muito bom enquanto durou. Outro sabor inesquecível foi de uma lasanha caseira que eu comi em trastevere, em Roma. O que ela fez comigo de juntar a comida, o clima local, a época da minha vida, não tem descrição.

Comida tem disso. Te reportar pra vários lugares e sabores. Um caso interessante foi o do feijão. Aqui no Rio o feijão que a gente come é o feijão preto. Na minha memória está marcado que o primeiro feijão do tipo marrom que comi foi feito pela minha tia Mirna lá em Três Marias, interior de Minas, quando ela, meu tio Marcos e meus primos moraram por lá durante um tempo. Eu devia ter uns 5, 6 anos na época e até hoje isso ficou como uma memória culinária e afetiva. Outro caso de feijão foi a primeira vez que eu comi um feijão doce. Estava em Miami com minha família e tínhamos perdido a conexão do vôo para o Rio só podendo embarcar no dia seguinte a noite. No almoço fomos a um restaurante em frente ao hotel. Alias, foi a única vez que saímos do hotel já que estávamos sem malas praticamente pois essas já haviam embarcados pro Rio. Ao ver aquele feijão não tive dúvidas e coloquei no prato. Na primeira garfada, um sabor totalmente diferente do que eu estou acostumado. Um feijão bastante adocicado.

           Falar em comida aqui em casa e não falar da Norminha é praticamente cometer um crime. Norminha cozinha pra gente desde os meus 8 anos de idade. Não só fazendo os congelados, mas sendo o bufê de praticamente todas as festas e eventos que a minha famíla faz. Aniversários, 15 anos, casamentos, ela está lá presente, nos brindando com seus quitutes tradicionais como o kibe, a coxinha de galinha e a bolinha de queijo que não é simplesmente uma bolinha, mas uma trufa como ela mesma chama, quanto com suas novidades que esporadicamente aparecem. Tem sempre algo de novo numa festa que ela inventa e traz pra gente. Com a moda dos chefes de cozinha, mostrando suas receitas mirabolantes em programas de televisão e livros, a simplicidade, o tempero e a mão da Norminha, que é o que atesta a qualidade dela, sempre foi o seu diferencial e é por isso que não abrimos mão dela. Agora me dê licença pra fazer uma boquinha.

MEUS DISCOS E LIVROS E NADA MAIS

MEUS DISCOS E LIVROS. E NADA MAIS.

Decisão tomada. Agora não tem mais volta. Há muito já vinha pensando nisso e vi que é realmente o melhor a ser feito. Ao me mudar de apartamento boa parte dos livros que eu tinha foi levado e vendido para um sebo me restando apenas uns poucos e na sua grande maioria coleções. Agora são essas coleções que vão ter fim, não num sebo que não paga bem, mas em sites de classificados da internet onde eu dou o meu preço. Fiz essa separação ontem e ainda falta escolher o melhor site para expô-los. Claro que enquanto há essa procura vou relê-los todos pela última vez e na medida do possível.

Desculpem-me. Disse que fiz ontem e realmente fiz, mas o ontem pra mim não é o mesmo pra quem está lendo. Trabalhamos em espaço-tempo diferentes e sinceramente espero já ter me desfeito de todas as coleções anunciadas. Talvez, no dia em que tiver postado esse texto tenha até sanado a minha dúvida quanto ao anúncio e venda de uma das coleções que por enquanto não está no rol dos que vão ter fim. Adoro ler (e escrever também). Tenho prazer e embarco fácil numa história. O que me dá agonia é ter que ficar acumulando exemplares. Já falei sobre isso aqui. Lugar de livro é na biblioteca e não no meu armário, estante ou prateleiras. Sou daqueles que hoje, com a maturidade, o livro tem que circular e não ficar estocado em algum canto, ali, parado, servindo pra acumular poeira e sendo refeição de fungos e traças.

Além dessa coleção que talvez já não esteja mais comigo, fiquei apenas com uma lançada pelo ‘O Globo’ uns anos atrás, com a do Jô, a do Veríssimo e com uns autografados e mais afetuosos. Das outras já me desapeguei. Consultei um professor de literatura amigo meu pra saber qual o melhor site de revenda de livros. Anunciei em sites de classificados comum, daqueles que vendem até a mãe. Quem sabe ele pode até ficar com algumas dessas coleções, do jeito que ele ama livros...

A próxima etapa é fazer o mesmo com os meus discos. Sou um pouco mais apegado a eles, apesar de já ter me desfeito de vários. E por incrível que pareça é mais fácil desfazer dos discos que dos livros. Os discos você pode gravá-los no computador como arquivos musicais, ou seja, a música vai permanecer contigo apesar de não mais tocar no disco físico. Mas confesso que meu ciúme maior é com meus discos. Até a idéia amadurecer vai levar um tempo, mais tempo que com os livros, mas creio que um dia ela chega.

Ás vezes eu acho estranho alguém que adora ler querer se desfazer dos livros. Uma pessoa que como eu gosta, e até se arrisca a publicar algum de tempos em tempos é uma contradição, mas o que posso fazer? O que me interessa, o mais importante em um livro é o conteúdo, são as palavras, é o que ele traz, é a história que ele conta, o que tem dentro dele, a capacidade que ele tem de te fazer rir, chorar, pensar, viajar, mudar e não a pequena resma de papel com uma capa bem feita que fica junto de outros num armário, estante ou prateleiras que você tem acesso mais facilitado por estar próximo a ele. Não é pelo fato de estar me desfazendo dos poucos que me restam que o meu volume de leitura vai diminuir.

Pela média que se fala nas reportagens eu ainda me considero um leitor que supera essa meta lendo em média de 20 a 30 livros por ano. Nesse ponto quero superar essa meta e ler no mínimo um livro por semana, ou seja, 50 por ano. Sei que tem gente que lê dois ou três ao mesmo tempo. Isso eu não consigo. Se eu pego um, o leio até o fim, mesmo que eu ache chato, monótono e não entenda muito a história, como já aconteceu comigo. Se eu leio a primeira linha tenho que chegar na última.
Como se percebe, eu não quero uma casa no campo. Já não tenho tantos livros pra levar pra uma.  

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

SENTIDO DUPLO

SENTIDO DUPLO

Bigorrilha ou bigorrilhas: indivíduo reles, despresível. Essa definição está no Aurélio. Por que começar com essa definição? Porque não achei a que eu queria, no gênoro masculino. Alguém sabe o que é um bigorrilho? Faço essa pergunta pelo simples fato de existir uma música que fala sobre um bigorrilho. Mesmo não sabendo o que significa, me parece muito prendado esse sujeito indefinido. Atualmente não é qualquer um que come e que saiba fazer mingau. Além disso ele ensina a tirar o cavaco do pau. Também não sei exatamente o que significa essa expressão. Essa música é muito antiga e recentemente num dueto com Ney Matogrosso a Maria Alcina a regravou e ficou muito boa. A letra não passa do que eu já mencionei acima com um seu Antônio e um siri no pau no meio disso tudo. Claro que é de duplo sentido. Só não entendo nem um e nem outro em se tratando dessa música.

Eu adoro essas músicas de duplo sentido. E pena que não se faz mais atualmente essas letras mais salientes. Ou são normais ou pornográficas. Lá nos idos da década de 30/40, Carmem Miranda cantava aos quatro ventos que deu. Essa música é uma marchinha carnavalesca que consta nos meus arquivos. Pra não ir tão longe assim, quando eu era criança, pré-adolescente, tinha um grupo chamado Dr. Silvana e Cia que fez uma música que foi um sucesso e eles seguem se apresentando até hoje em festas voltadas a pessoas da minha geração por conta principalmente dessa música . O nome oficial dela é “Serão Extra”, mas se a gente entoar o verso “eu fui dar, mamãe” quem regula com a minha idade e até os mais velhos vão recordar a música. A mais famosa talvez seja o grande sucesso de Dercy Gonçalves. Quem é que nunca soltou da gaiola a perereca da vizinha? Tem uma outra cantada pela Carmélia Alves que eu também gosto que fala assim: “Trepa no coqueiro, tira coco, gip gip, nheco nheco, no coqueiro orirá.” Gip gip nhco nheco no coqueiro todo mundo imagina o que seja.

Hoje em dia se perdeu muito a inocência das coisa. Talvez por isso não se faz músicas de duplo sentido. Aliás o cenário musical carioca está fadado a músicas de dupla penetração. Essa vulgaridade principalmente difundida pelo funk, vide o tal “quadradinho de oito”, do creu em velocidade cinco e de outras músicas (se é que se pode chamar isso de música), está disvirtuando as pessoas desde cedo. Jovens a partir de 13 anos ou menos já escutam coisas do tipo “tô ficando atoladinha”.

Sou absolutamente contra todo e qualquer tipo de censura, mas acho que deveria haver um bom senso que parta dos responsáveis sobre essas crianças. O que elas vão fazer com o futuro delas? Mais crianças? Antes que alguém me atire a primeira pedra, eu não condeno o funk como estilo musical. Apesar de não gostar desse funk que aí está, o respeito e admiro como movimento. Funk pra mim vem lá dos anos 60/70 com James Brown lá fora e Tim Maia que por ter morado lá trouxe pro Brasil e difundiu mais ainda esse ritmo aqui dentro.

Claro que como o rock, o funk tem as suas vertentes e variáveis. Pelo que ouço (por tabela porque meu irmão adora e volta e meia sintoniza na rádio que toca esse tipo de música) atualmente a base do funk é uma só. Isso significa que qualquer um pode compor um funk, cantar e ter a sorte e ficar estourado e conhecido pelo menos nos seus domínios territoriais. Se alguém souber de algum funk de duplo sentido mande cartas para a redação ou comente no espaço reservado pra isso logo abaixo dessa postagem.


Confesso que já gostei de funk. Lá no início, nos primórdios do funk brasilquando a gente podia escutar coisas engraçadas como a melo do bêbado, a feira de acari ou a melo da mulé feia que era uma tradução livre de uma música americana eu achava interessante, mas as letras que se apresentam atualmente são intragáveis. Se pusessem uma letra mais consistente, quem sabe minha ojeriza contra o funk acabe.