terça-feira, 28 de janeiro de 2014

CURTÍSSIMA TEMPORADA

CURTÍSSIMA TEMPORADA

Estava dando uma olhada aqui no calendário desse ano e já vi que logo logo terei que desejar um feliz ano novo novamente. Mas como se mal estamos terminando o mês de janeiro? Exatamente por isso. O mês de janeiro termina em poucos dias. Na próxima semana já entra fevereiro e quando dermos por conta o carnaval chega junto com o mês de março.

Posso estar misturando a história, mas pelo que sei existe um dia certo no calendário lunar pra se comemorar a Páscoa e, consequentemente, uns quarenta dias antes se celebra o carnaval, que significa a festa da carne. Consta que eram três dias de muita fartura pra poder fazer o sacrifício de durante a quaresma ficar sem comer carne. Não sei se estou delirando ou se essa história procede. Também não sei se eram todos os tipos de carne ou só a carne do cordeiro. Conhecedores de plantão, me ajudem por favor.

De qualquer modo eram três dias de festa e pelo calendário continua sendo. O problema é que nós, os brasileiros, povo festivo, aumentamos esses três pra dez dias ou mais. Acho que na Bahia são quinze. A quarta feira de cinzas não mais dá fim ao carnaval e sim junto com a quinta é uma meia trava nas festividades, retomando com o mesmo gás na sexta, sábado e domingo. E o que se começava no domingo e se estendia durante a segunda e a terça, já começa em definitivo na sexta após o por do sol. Ou seja, no mínimo dez dias.

E como o país não funciona na sua potência máxima entre Natal e Carnaval, esse ano será tipicamente um ano atípico. Findo o carnaval em meados de março, começam os preparativos pra Copa do Mundo em meados de junho. Durante esse campeonato, o Brasil costumava parar nos dias em que a seleção canarinho entrava em campo. Mas esse ano será diferente pelo fato da competição ser realizada aqui no Brasil. Sinal de que já perdemos um mês. E mal vamos retomar o ritmo quando provavelmente um mês depois do término do campeonato futebolístico começar a corrida presidencial. Ano de copa do mundo é ano eleitoral. De olimpíadas também, mas essas mais regionais.

Tem algum outro evento paralisante no último trimestre do ano? Ou bimestre, já que se houver segundo turno o mês de outubro será totalmente voltado às eleições? Está apertado esse ano, quase que sem espaço pra nada. Eu acho melhor a gente estender.

É. Já que fica nesse anda e para, anda e para, anda e para, pra que ficar fazendo esforço em tentar se locomover. Para de uma vez. Emenda tudo e vamos ser felizes. Fiquemos de agora até pelo menos o carnaval do ano que vem no oba oba. Esse país não é sério mesmo. Se fosse, não estaríamos convivendo com tanta atrocidade, tanta barbaridade, tanta impunidade, tanta coisa ridícula que inventam e/ou acontece. Por isso sugiro que vestimos logo nossa roupa mais confortável, as sandálias nos pés e aproveitemos a vida, ou melhor, aproveitemos melhor a oportunidade de não fazer quase nada que esse ano vai nos proporcionar.


É fato que esse papo se repete de quatro em quatro anos, mas com Copa no Brasil, sabe-se lá quando vai acontecer novamente. Alguém cuja memória ainda esteja boa pode me contar como o Brasil se comportou no ano em que o Maracanã ouviu um silêncio sepulcral, no final da Copa de 50? Acho que antigamente ainda tentavam fazer desse país uma nação de respeito. Hoje em dia é tudo esculhambado mesmo, ninguém quer nada com a hora do Brasil. O povo vai aproveitar essa curtíssima temporada de dias cujo calendário vai se normalizar pra marcar presença e enrolar no trabalho até o próximo evento que não demora muito a chegar conforme demonstrei acima. Eu estava até pensando em adotar pra esse ano o conselho dado pela música do Raul Seixas e alugar de vez o Brasil. Com isso, a gente aproveita pra tirar férias de um ano na Europa. 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

DEIXA EU FALAR

DEIXA EU FALAR

“Nega do cabelo duro / Qual é o pente que te penteia.” Sinceramente espero não ser processado por ter escrito isso. Essa frase nem é minha e sim de uma antiga música que, se fosse composta hoje, seria alvo fácil de comentários sobre racismo e preconceito por se enquadrar no que empurram pra gente como politicamente incorreto. Já dissertei sobre isso uma vez, mas tá demais. Esse cerceamento, esse policiamento, essa espécie de censura não faz bem pra ninguém, princialmente pra quem trabalha com humor. Acho essa história uma babaquice.

Tem uma outra frase que diz: “Sou responsável pelo que digo, e não pelo que você entende.” Se em uma hipotética discussão acalorada com uma pessoa obviamente diferente da sua cor de pele sair a palavra ‘crioulo’ isso é capaz de processo. Se na mesma discussão acalorada for dita a palavra ‘afrodescendente’ aí pode mudar de configuração. Porque? Na minha concepção a ofensa se dá nas duas situações. Não é a palavra por si só, mas o contexto da situação e com qual intensão a palavra foi dita. O preconceito está aí. Não é por dizer uma palavra que a pessoa tem que ser processada. Aliás, cadê a tão falada e defendida liberdade de expressão? Só por que um ou outro pode se sentir ofendido as pessoas não podem mais dizer o que acham, o que pensam, o que sentem.

Na época em que chegaram os médicos cubanos teve uma pessoa que postou nas redes sociais que eles tinham cara de empregados domésticos – como se empregados domésticos tivessem um perfil único - e por conta desse comentário foi processada. Eu acho que as pessoas são livres pra fazerem e falarem o que quiserem, desde que arquem com as conseqüências. Pode até matar, mas depois se entenda com a justiça. Eu não consigo julgar e condenar no tribunal da minha consciência ninguém por ter uma opinião divergente da minha. Pelo contrário, quero saber o que leva aquela pessoa a pensar daquele jeito. Eu só não concordo é quando tudo se acaba nas vias de fato. Um exemplo é o linchamento de uma pessoa por ter se declarado homossexual, ou porque um bando de babacas achou que o sujeito fosse, como num episódio em que um pai abraçado ao filho sofreram na pele esse preconceito. E olha que nem era um casal gay. Eram pai e filho. E mesmo assim , numa festa, no interior de São Paulo, se não me engano, um bando de idiotas preconceituosos se juntaram pra espancar os dois. E mesmo se fosse um casal gay, qual seria o problema?

Do mesmo jeito que se você tem uma opinião contra a homossexualidade, a favor do nazismo, da ditadura militar, do aborto, deve sim se expressar, abrir sua opinião e ter fundamento, base e argumento pra defendê-la e sustentá-la. Não é pelo fato de incomodar os outros que você não pode ficar calado. Talvez, o que mais incomode nem seja a opinião em si, mas a exposição dela. Você espalhar o seu ponto de vista com certeza provoca reações muitas das vezes iradas, o que provoca a polêmica e o bombardeamento dos comentários contra a sua opinião.


Uma vez, assistindo a um programa que debatia sobre o limite de uma piada, tangenciando o assunto politicamente correto, o Renato Aragão, um dos meus ídolos de infância, disse que mesmo com todo esse limite de não poder falar, do cerceamento de opinião, o pior mesmo era a época da ditadura militar, onde ele tinha que encenar pra três censores pra que esses pudessem dar o aval e dizer se a cena era passível de corte ou não. Se ofendesse ou referisse a alguma coisa que ia contra o pensamento político da época era sumariamente cortado do programa. Hoje não tem censura, não essa declarada, mas acho que o cerceamento da liberdade de expressão é uma espécie de censura. Ser processado, julgado e condenado simplesmente por falar o que vai de encontro ao que a grande maioria acha ou pensa é uma censura velada.  

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

TRANSPORTE ESCOLAR

TRANSPORTE ESCOLAR

Não sei como meus pais se viravam pra me levar pra escola quando eu era criança. Pelo que eles contam, quando ainda frequentava a creche, minha mãe me deixava quando ia sair pra trabalhar e meu pai me pegava quando voltava do trabalho.

A lembrança mais remota foi a de pegar o ônibus escolar até os meus oito anos de idade. Me lembro que a Glória, uma empregada que tivemos que chamo de babá, já que ela cuidou de mim dos quatro aos dez anos de idade, ficava no ponto do ônibus com a gente – eu e meu irmão – até ele passar e nos pegar pra levar pra escola. Já particular, mas de qualidade, onde parte da minha família havia passado e até hoje, por outras vias, temos ligação com a família que foi dona dela. Outra curiosidade nessa época é que o ônibus virava bem na esquina em que meus avós paternos moravam e até uma determinada época eles ficavam esperando passar pra nos acenar.

No ano seguinte, quando completei nove anos, a gente já pegava ônibus de linha comum, urbano. Entrávamos sem pagar a passagem, na época pela porta da frente. Pelo menos aqui em Niterói, alguns ônibus ainda mantêm esse esquema. Me lembro até hoje. A linha era a de número 11 (aqui os itinerários das linhas de ônibus são representados por dezenas). O ponto era perto de uma esquina e quando o ônibus era visto virando a esquina anterior corríamos até o ponto. Não era só a gente que faria isso. Vários outros alunos faziam o mesmo. No fim desse ano essa escola fechou e passamos a estudar numa bem perto de onde morávamos em que íamos a pé. A partir daí as duas escolas que estudei não precisei de condução, só de uma boa sola de tênis. Só mudei de escola no segundo grau. Bairro mais afastado, além túnel, e minha mãe levava a gente de carro até ter uma bicicleta.

Sei que estamos na segunda semana do ano e ainda não sei que decisão meu irmão tomou em relação a educação do meu sobrinho. Se ele realmente mudar de escola a decisão será principalmente pelo fato dele morar longe da escola que frequenta. Desde quando começou a frequentar a escola, no primeiro ano em uma rua movimentada do bairro de Icaraí e nos demais em uma rua mais tranquila e mais perto da minha casa, o esquema que é feito, se alguém daqui tiver que levá-lo à escola, é de pegar o carro, ir na casa dele que mora praticamente no centro com a mãe e a outra avó, pegá-lo e trazer pra escola. Isso até uma hora da tarde, a hora que ele entra. Na hora da saída pegamos ele e trazemos aqui pra casa. Como ele janta na escola, pegamos por volta das seis da tarde. Claro que há dias em que ele volta direto pra casa da mãe dele. O que eu to falando é o normal, o mais cotidiano. Agora periga de não mais haver esse esquema. A ideia, como disse ainda não concreta, é de que ele mude de escola para que não se desprenda mais o nosso tempo nesse traslado. Na minha humilde, singela e desprezada opinião o traslado é o de menos.


Eu fico mais preocupado é com a qualidade do ensino que meu sobrinho vai receber. Ele já está acostumado com a escola que ele frequenta e sabemos que a educação lá é primorosa. Praticamente todos os meus primos por parte de pai passaram por lá. Acho que só eu e meu irmão que não frequentamos. E sabemos disso porque quem gerencia a escola é uma prima do meu pai. Minha avó, a mesma que me acenava quando eu voltava da escola, e a mãe da diretora dessa escola eram irmãs. Eu mesmo já tive uma experiência como professor de inglês nessa mesma escola durante algum tempo. Não creio que o desgaste seja grande. Já estamos condicionados a isso e geralmente minha mãe que faz as vias de motorista. Não conheço o estilo nem o nível de educação da escola que ele pode vir a frequentar a partir desse ano, apesar de ser renomada também. Se bem que a atual não tem tanto nome assim, nem uma estrutura condizente a de uma escola mas o conteúdo dela deixa a distância pro saber mais curta. 

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

MUDANÇAS À VISTA (E COM PRAZO)

MUDANÇA À VISTA (E COM PRAZO)

Ano novo, vida nova. Essa é a frase mais dita e mais clichê que a gente escuta e fala na passagem do ano. No meio da festa, da empolgação, e das taças de champanhe até traçamos algumas mudanças e geralmente começamos no dia dois de janeiro ou na primeira segunda-feira do ano. E geralmente a gente não dá continuidade a grande maioria das resoluções que fazemos durante os fogos da virada. 

Não adianta mudanças se não partir da gente mesmo. E não é só promessa. É pegar e mudar mesmo. Seguir a risca e até se sacrificar, se tolir de algo em virtude de outro melhor que chega a médio prazo. Mas nem sempre a gente vê o que pode ser melhor e precisamos de ajuda de um observador de fora para nos dar dicas, orientações de como proceder para que uma mudança seja eficiente.

Esse introito todo é pra dizer que eu estou mudando. Não, não é de endereço, pelo menos o físico por enquanto, até pelo fato de já ter feito isso há dois anos e meio. Estou mudando de endereço virtual. Também não é de mail. Desse só me desfaço se realmente o servidor me obrigar. Depois de onze anos (2002-2013) estou desativando o meu blog. Calma, não é pra tanto desespero. Estou falando de mudanças e não vou ficar sem esse meu espaço virtual, apenas vou mudar o endereço dele. Sai o rafabarcelos e entra o bdrafa (abreviatura de blog do rafa).

Essa mudança foi pensada lá atrás, no meio do ano passado, pelo meu tio Rodolfo, leitor assíduo do meu blog, que reclamava em não poder me dar um feedback dos textos que eu postava. Ele queria que eu abrisse o blog para comentários e opiniões de terceiros. Eu achei essa idéia boa e ele bolou um segundo blog onde finalmente há espaço para críticas, comentários, sugestões e opiniões de quem quisesse se expressar ao ler um texto meu. Daí surgiu a idéia e a criação do bdrafa. E realmente meu tio tem razão. Através dele eu posso ver a freqüência de pessoas que acessam e comentam, coisa que com o rafabarcelos eu não conseguia mais fazer. Nos primórdios do blog eu até via, mas depois, por questões de configuração do próprio blog que realmente não me lembro se fui eu quem fiz ou se o próprio servidor que alterou, não conseguia mais ver e nem meu tio postar um comentário que fosse, o que acabou culminando na criação de um outro.

Essa mudança nem está sendo tão radical assim, visto que desde a criação do bdrafa, eu já venho postando os meus textos em ambos os blogs em fase experimental e agora, pra começar o ano, eu estou anunciando e confirmando essa mudança que se dará em breve. Ainda vou manter os dois blogs até o carnaval. Como é tradição, e apesar da mudança não vou me desfazer dela, a semana do carnaval é a única em que não funciono e na semana seguinte ao carnaval já não haverá mais postagem no rafabarcelos. E se possível, se eu descobrir como, será sumariamente deletado, excluído dos anais virtuais.


Quanto aos textos antigos, graças ao trabalho do meu tio, estão com livre acesso no endereço novo. Podem consultar a vontade. Confesso que até eu tenho que fazer isso, pois tem alguns que não estão no meu arquivo pessoal e é bem capaz que estejam lá. Confesso que já está melhorando inclusive o contato com os leitores. Mesmo nessa fase experimental, meu tio, que faz parte de uma comunidade de blogueiros, divulgou o bdrafa na página principal do blog dele e uma leitora dele veio comentar um dos meu textos comigo. Claro que fiquei feliz com essa resposta e a respondi. Agora, com essa mudança e essa propaganda, espero que isso aconteça com mais freqüência. Mas, se não acontecer também, não faz mal. Estou tão acostumado a apenas jogar na nuvem as minhas opiniões que a mudança que vier, seja ela qual for, pra mim será lucro. De qualquer maneira fico sempre de braços e coração aberto para mudanças.