segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

PROJETANDO O FIM

PROJETANDO O FIM

Ano passado, entre maio e agosto, me envolvi com um projeto. Na verdade eu ainda estava viajando, no finalzinho da temporada de “férias” que começou num cruzeiro no início de março, quando dias antes da data marcada pra minha volta recebo um e-mail me convidando pra ser assistente de produção de um espetáculo que eu já havia assistido na temporada anterior.

Indicado por um amigo meu, o remetente do e-mail queria conversar comigo assim que eu voltasse. Ele é o dono, diretor e produtor chefe do NEPAC (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Artes Cênicas), um grupo muito respeitado na cena teatral de Niterói. Cheguei num domingo e a reunião foi na segunda a noite para firmarmos o acordo. A partir dali tínhamos exatos um mês para a estréia do espetáculo. Minha incumbência era a de correr atrás de apoio e patrocínio. Apesar de ter meio caminho andado, consegui apoio de um cabeleireiro para dois cortes masculinos para os atores e produtores e quatro jantares num restaurante bem ai lado de onde o espetáculo iria ser encenado. E um dos atores conseguiu o apoio de uma padaria. Tentei outros restaurantes, lavanderia, empresas de segurança, mas só ficamos com esses três apoios. Fora as reuniões e os ensaios gerais.

Realizado no Solar do Jambeiro, um antigo casarão que faz parte do equipamento cultural da prefeitura de Niterói, os projetos “Encontro de Machado de Assis e Artur Azevedo” executado às terças e “Te conto em cena" encenado às sextas, preencheram a agenda do estabelecimento de 7 de maio a 6 de agosto, teoricamente. Por motivo das manifestações de junho e da visita do papa em julho tivemos que postergar duas apresentações das terças encerrando a temporada definitivamente no dia 20 de agosto. O mesmo aconteceu numa sexta, quando uma atriz que ficou grávida teve que ficar de repouso absoluto por uma semana tendo que adiar o espetáculo. De qualquer modo ficou dentro do estabelecido. No total foram vinte e quatro apresentações.

Durante a temporada eu ficava na produção fazendo tudo. Desde arrumar cenário até recepcionar as pessoas. Claro que tiveram alguns contratempos durante os espetáculos que com o tempo foram contornados. No início, até azeitar esquecíamos algumas coisas, levávamos bronca, normal. No decorrer da temporada as coisas foram ficando mais redondas até formar um ritmo, uma organicidade própria. O sucesso foi tão grande que no último dia a lotação super esgotou, passou dos limites mesmo. Foram contabilizadas 106 pessoas e como não tinha cadeira suficiente pra todo mundo, teve gente que ficou assistindo em pé. É bem possível que tenha uma nova temporada ainda esse ano. Em julho, além desse projeto, ainda fizemos o espetáculo infantil Rapunzel no Teatro Municipal de Niterói.

Trabalhar no ambiente alternativo do Solar do Jambeiro é muito bom. A equipe gerenciada pela Carla é muito amiga, parceira e responsável. Espero muitas vezes executar mais projetos por lá. Não só os do NEPAC, mas quem sabe dos Objetores, outro grupo do qual eu faço parte, também. Sim, anos passado entrei mais profundamente na seara da produção teatral e com isso fechei o triangulo TV, cinema e teatro. Já passei pelos três veículos. Tv e cinema eu fiquei mais na área da figuração. No teatro eu circulei por diversas outras áreas. Acho que teatro e cinema tem mais a ver no sentido artesanal da construção da cena. É mais grupal, mais tribal. Tv não. Tem muito mais gente envolvida, é mais difícil de lidar, apesar de também ser prazeroso. Outro ramo que eu gosto é o de shows, mas desse eu falo em uma outra oportunidade.


Projetos surgem e as vezes se viabilizam ou não. E quando se viabilizam tem um período de vida, ou seja, são efêmeros, acabam um dia. Talvez no fundo no fundo, já que a arte imita a vida, é tudo efêmero e chega um momento em que acaba. 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O VELHO

O VELHO

Um amigo meu de oitenta anos brinca comigo dizendo que sou mais velho que ele. Posso até ser em algumas atitudes dada a vitalidade que ele tem, apesar da idade. Mas ele diz isso dado o meu conhecimento musical. Ele não acredita que conheço cantores que ele escutava no rádio quando mais jovem do que eu. A brincadeira é a seguinte: ele fala o nome de um cantor ou cantora e eu tento me lembrar de uma música do repertório. Em oitenta por cento dos casos eu acerto. Um pouco mais, até. Tem alguns nomes que nem sabia que existiu. Música então, nem se fala.

Ele não acha possível que eu tenha esse conhecimento todo. Tenho graças a minha família que quando se reúne em roda de viola solta pérolas musicais do tempo do meu avô, que se vivo fosse estaria fazendo cem anos ano que vem. Tenho graças ao meu gosto por música. Quando digo música não é qualquer música. Dado o cenário musical em que o país se encontra tem é muita porcaria circulando por aí e o pior que é com respaldo de mídia que valoriza e superexpõe “cantores sazonais”, famosos relâmpagos que não vão durar muito tempo por serem substituídos por outros tão ruins, mas tão novidades como os que estão em voga hoje.

Existem duas alas no que se refere a música. Eu me classifico como a que faz parte do lado mais clássico, mais conservador, mais tradicional. Não sou averso a novidades, sou averso a porcarias. Consumo cantore(a)s cujas carreiras tem pouco tempo, mas são de extrema qualidade e bom gosto musical. E consumo também aqueles que estão anos na estrada. Alguns até podem achar que esses estão velhos e fora de moda, mas estão chegando aos seus quarenta, cinqüenta anos de estrada não é a toa. Sinal de que a qualidade é atemporal e nesses longos anos de carreira quantos já surgiram e sumiram. Se se mantêm até hoje com músicas tocando na rádio, carimbando clássicos da música popular brasileira é porque tem muito valor. Eu me mantenho fiel a esses, até pelo fato de que quem chega hoje não trás novidades. Esses que estão na estrada foram os que foram realmente de vanguarda, que trouxeram e implementaram todo tipo de novidade e experimentação a nossa música.

Fico me perguntando se esses famosos relâmpagos sabem quem foram os pioneiros dos sucessos populares como o rei da voz ou o cantor das multidões. Acho que não. Concordo que na época a disseminação de um sucesso se dava apenas e somente pelas rádios e que hoje a distorção é tamanha que se paga por execução da música na programação da rádio, seja ela qual for, o famoso jabá.

Não sou contra o sucesso de ninguém. Acho que há espaço pra todos os gêneros musicais, mas acho que se deve ter no mínimo uma cultura nessa parte, saber o que veio antes. Tem uns DJ’s que fazem uma mistura boa. Pegam antigos sucessos e transformam em música dançante, na área eletrônica, pra que sejam tocadas em boates. É de suma importância que haja periódicas regravações de sucessos antigos, resgates musicais, desde que sejam executadas nas mais populares rádios ou virem um viral da internet e caiam se não no gosto, ao menos na boca do povo.


No último Rock in Rio teve uma artista internacional, dessas que cantam com playback e tem um corpo de baile acompanhando que fez uns passinhos de funk cujo referido refrão é “Ah lelek lek lek lek”. A repercussão que teve foi que ela mostrou uma ‘brasilidade’ ao dançar. No entanto, outra repercussão boa foi a de um também internacional roqueiro sessentão que abriu o seu show cantando em português o sucesso ‘Sociedade Alternativa’ de Raul Seixas. Quem teve mais credibilidade em relação a cena musical brasileira? Sei que cada um tem a sua opinião, cada artista aqui citado tem seu público específico  e essa pergunta pode até causar polêmica, mas a minha resposta fica com o velho sessentão que canta e sabe tocar o bom e velho Rock’n Raul.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

SUPER POPULAÇÃO

SUPER POPULAÇÃO

O mundo é pequeno. Quantas vezes a gente diz isso quando encontramos alguém improvável em locais mais improváveis ainda. Uma história que eu posso contar pra ilustrar isso é a do Cesinha e do Caio. O César foi a primeira pessoa que eu conheci em Londres, antes mesmo do Airton, portanto antes de eu me mudar da casa do Alê e da Carol. Alguns meses se passaram quando o Cesinha teve que se mudar de casa, e como tinha uma vaga na casa pra qual me mudei falei com ele e ele ficou algumas semanas por lá. Quando ele foi embora, entrou o Caio no lugar dele. Alguns anos depois os dois se conheceram por trabalharem na mesma equipe na IBM em Campinas, cidade deles. Essa história só veio a tona pra eles quando se adicionaram no facebook e viram os amigos em comum, nós, os moradores da casa. Por essas e outras coincidências a gente diz que o mundo é pequeno.

Mas o que quero dizer hoje aqui é que o mundo não só é pequeno como está pequeno. E minha família teve uma parcela de culpa considerável para o aumento da população no ano passado. Juntando o meu lado paterno com o materno foram quatro partos. Eu ainda acho que botar um filho no mundo e criá-lo no meio desse turbilhão em que se encontra o planeta é maluquice. Isso me dá a certeza de que os quatro nasceram na família certa, a minha, e não importa de qual lado seja. Pelo lado materno ser maior as maluquices são mais frequentes e constantes, mas isso não significa que seja em detrimento do meu lado paterno, malucos em menor número. Agora imagina um bando de doido se proliferando. Sinto como se fossemos Gremilins, aquele filme dos bichinhos feios que surgem aos montes se um deles se molhar. Pior que foi quase isso mesmo. Foi uma sequência.

Começando com a Júlia em 30 de julho. Filha da Jana, minha prima por parte de pai, com o Jesse e irmã caçula do Diego, Julia, assim como o irmão é americana. Nascida na cidade de Charlottesville, na Virgínia ela foi a pioneira, a que deu início a maratona de partos. Ela foi a única da parte paterna. A partir dela desde então e até agora veio tudo do lado materno.

Minha prima Elaina foi a segunda a parir em 14 de julho. Caio, primogênito dela e do Marcelo, pegou a segunda posição na corrida das bolsas d’água estouradas. Em primeiro de setembro foi o dia do Tiago ver o seu segundo rebento com a Thaís vir ao mundo e do Murilo de fato e de direito ter o seu irmãozinho caçula, o Felipe. Pra finalizar essa competição, pelo menos parte dela, no dia 25 de setembro, cinco dias depois do seu próprio aniversário a Vanessa deu a luz à Maria Laura. Aliás, cinco depois do seu próprio aniversário, dois depois do aniversário da avó materna da criança, minha tia Branca, e doze dias depois do aniversário do pai, meu primo Léo, que já viveu essa emoção de ser pai em outros tempos, quando o filho dele, agora irmão mais velho, Victor Hugo, nasceu há mais de uma década.

Mas quem pensa que acabou por aí está muito enganado. A qualquer momento está pra nascer o priminho do Felipe. Gabriel, irmão do Tiago (e do Artur que já tem dois filhos também), e sua esposa Vanessa, pais de primeira viagem, estão chegando nos dias críticos, nos dias em que qualquer hora pode ser a boa hora e deixando tio Marcos e tia Mirna em primeiro lugar em termos de números de netos. Cinco.


“Crescei-vos e multiplicai-vos.” Tudo bem, mas não nessa progressão geométrica. Deixa que outras famílias também se encarreguem disso. Não precisa ser só a minha. Fazendo a contabilidade da terceira geração e contando com o do Gabriel já são dezoito. Mais um e empata com o número de primos. Isso só da parte materna e incluindo meu sobrinho Riquinho. Já no lado paterno, além de Riquinho, temos o Diego e a Júlia agora, contabilizando três. 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

PRA POSTAR NO FACEBOOK

PRA POSTAR NO FACEBOOK

Se eu abrir meu facebook vejo lá que tenho cerca de 400 amigos. Na verdade ‘amigos’ é como ele define. Claro que poderia classificar essas pessoas nas mais variadas categorias que o próprio facebook me disponibiliza, mas eu mantenho todos na faixa dos amigos pra não causar nenhum tipo de atrito. O mais segregador dos passos em relação a isso e a distinção do grau de parentesco dos membros da minha família. Tirando isso, ou mesmo assim, todos estão classificados como amigos.

Às vezes penso em dar uma limpa, fazer uma faxina e eliminar todos que estão apenas figurando nele, os que por mais que estejam com suas carinhas lá eu não tenho contato mais. Tem gente que eu adicionei que eu nunca vi na vida. Sei que isso pode até ser perigoso e pelo que rolava nos noticiários ano passado, até posso estar sendo alvo de espionagem por esses ‘amigos’ desconhecidos. Sinceramente eu não tenho medo disso. Não sou um presidente da república que pode ter segredos a esconder da nação e ser prejudicado politicamente se por acaso vazar qualquer informação que vier a afetar tanto a vida privada quanto a pública principalmente. Podem xeretar a vontade que não vão descobrir nada de anormal. E a única coisa que me impede de fazer essa faxina é que esse é o único meio de contato, caso haja uma vontade da parte, para se restabelecer.

O facebook já está me enjoando. Não tenho muita paciência pra ficar o tempo todo com ele na tela do meu computador ou entrar nele pelo meu smartfone constantemente. Aliás, coisas que ocupam muito tempo sem uma finalidade definida me dão engulhos. Minha relação com o facebook é estritamente básica. Vejo o que as pessoas postam, que as vezes pode ser interessante e chamar minha atenção, e só o deixo vivo para me utilizar do recurso do bate-papo, que pouco tomo a iniciativa de dar início a um. Não creio que é só por estarem logados no facebook como eu que todos tem a disponibilidade de ficar jogando conversa fora. Às vezes arrisco um ou outro com respostas positivas; às vezes me respondem depois e às vezes nem isso, mas também não fico chateado se mando uma mensagem e a pessoa não responde. Houve algum motivo e não vou ficar cobrando uma explicação para isso.

Não me convidem pra participar de comunidades que eu não vou participar. Já me bastam as 6 das quais faço parte e mesmo assim vou eliminar uma logo após o carnaval. Não me convide para ingressar e engrossar o time dos viciados em Candy Crush, Criminal Case ou qualquer outro tipo de joguinho. Não me interesso por nenhum deles. O único jogo que me apetece é o que está no meu celular e que ultimamente tenho acessado pouco. Um joguinho de perguntas e respostas que lembra o “Show do Milhão” do Silvio Santos chamado Qranio (com Q mesmo). Além do facebook tenho e-mail, que acho tão obrigatório hoje quanto o RG, e o skype que serve pra uma conversa ao vivo, em tempo real com parentes e amigos, principalmente os que estão distantes. Os que estão perto um telefonema basta.

Falando nisso, ano passado postei um texto falando sobre as minhas preferências de celulares. Um aplicativo que gosto muito de usar é o Whatsapp. É um programa de mensagens instantâneas que também tem cobertura mundial. Basta cadastrar o telefone do destinatário da mensagem que também deve ter o aplicativo instalado e mandar mensagens, fotos e até mensagem de voz. Pra quem tá longe, perto, em qualquer parte do mundo, na minha opinião atualmente esse é o melhor aplicativo para smartfone que eu já utilizei. Outro aplicativo que gosto, apesar de não estar frequentemente utilizando é o Viber, que substitui a ligação telefônica desde que conectado a uma rede de internet. Tem a mesma finalidade sem que a conta de telefone chegue com valores astronômicos. Comecei falando do facebook e acabei no meu telefone, que também tem facebook. Enfim, a modernidade tecnológica que constantemente é superada tem suas vantagens.