segunda-feira, 28 de abril de 2014

É PERMITIDO PROIBIR?

É PERMITIDO PROIBIR?

Direito a privacidade ou liberdade de expressão? Essa dicotomia dominou o noticiário no fim do ano passado por conta da polêmica em que se meteram os defensores da liberdade nos anos 60 e que hoje, na faixa dos 70 anos, parece que mudaram de opinião. Djavan, Chico, Caetano, Erasmo e Roberto formaram a linha de frente desse grupo que defende a censura prévia a biografias publicadas. Isso significa que o biografado ou ele escreve a sua própria como fizeram Caetano e Erasmo, ou tem que passar pelo crivo, por uma edição prévia, se morto da família, pra depois o livro ir pro prelo. Nunca podia imaginar que essa polêmica partiria dessas pessoas. Poderia até surgir, mas não causariam tanta polêmica se viesse de um deputado, por exemplo.

Mas tudo isso tem um que de Roberto Carlos que proibiu que a biografia escrita pelo Paulo Cesar Araujo fosse distribuída. Ela chegou a ser retirada das livrarias o que é pior, pois se já pronta aguça mais a curiosidade e quando liberada será um sucesso de vendas exatamente pelo fato de ter sido proibida. Parece que o rei não quer que certas passagens da vida pessoal dele seja amplamente difundida. Por exemplo como ele perdeu parte da perna. Oras, todo mundo sabe que ele tem uma perna mecânica por causa de um acidente com um trem quando criança. Por que ele não quer que essas passagens sejam contadas? Ninguém que gosta do trabalho, das composições, da música dele vai deixar de gostar por ter sabido um pouco mais sobre sua vida. Não é a primeira vez que isso acontece. O jornalista Rui Castro enfrentou esse mesmo tipo de problema ao lançar a biografia sobre o Garrincha.

Uma sacada interessante foi um livro que li uma vez que era uma biografia contada com detalhes, mas tendo uma trama paralela, uma historinha de ficção com a biografia como pano de fundo. Chama-se “Rita Lee mora ao lado” e virou um musical mês passado. Essa é uma boa tática. Em qualquer outro lugar do mundo biografias saem as pencas; não raramente duas ou três sobre a mesma personalidade são lançadas na mesma época. Devia ser assim aqui também. Se o biografado por ventura se sentir ofendido com o que sai sobre ele, que use dos meios legais pra que o biógrafo se retrate e não proibir previamente.

Acho todo e qualquer tipo de censura abominável e graças também a esses mesmos que hoje formam essa corrente que a censura acabou. Hoje em dia, por causa do politicamente correto, ela tem voltado de forma mais velada, mais escondida e a polêmica é só uma das formas dela se fazer presente. Esse assunto ficou mais em voga com o advento dos paparazzi que ficam fotografando e publicando imagens não bem quistas pelos “modelos” tirando assim a privacidade. A diferença é que as fotos são publicadas.

Tem acontecido um boom de musicais biográficos por aqui. Nos palcos, histórias como de Tim Maia, Luiz Gonzaga, Cazuza, Elis, Carmem Miranda, Milton Nascimento e agora Rita Lee já foram contadas e nenhuma pessoa interveio querendo proibir, vetar ou censurar os espetáculos.

            A máxima “falem mal mas falem de mim” já não serve mais aqui no Brasil. Se é pra falar bem ou mal que se saiba o que se fala. Quando Caetano cantava “É proibido proibir” mal sabia que um dia essas mesmas palavras se voltariam contra ele. Tanto essa quanto outra música do Chico Buarque vetada pela censura vieram a calhar bem nessa polêmica. “Apesar de você amanhã há de ser outro dia.” Espero que com muito mais liberdade que os censurados de ontem não se imponham como os censores de hoje. O que fica dessas pessoas é a obra, que obviamente se confundem com a vida e fica difícil dissociar uma da outra. Acho que vou fazer uma auto biografia não autorizada pra poder me processar e ganhar indenização de mim mesmo.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

REFLEXO

REFLEXO

Tem uma música que o Renato Russo canta que diz: “Quem acredita sempre alcança.” Eu acho que isso é válido e tem tudo a ver com a fé. Quando me pego revendo minha vida ou alguma parte dela, chego a conclusão de que estou quase atingindo aquilo que despretensiosamente me propus a fazer. Se eu cavucar lá atrás no meu passado encontrarei algumas situações e circunstancias que podem ser um prenuncio de onde eu estou hoje.

Não estou falando de dinheiro, patamar econômico social, patrimônio pessoal, ou melhor de bens pessoais. Patrimônio eu tenho. É imaterial, mas eu tenho e prezo muito por ele. Falo de felicidade,  de bem estar e até de qualidade de vida. Citando uma outra frase musical, em uma das suas composições, Rita Lee fala: “Meu único defeito é não ter medo de fazer o que gosto”. Compartilho desse mesmo conceito. O que eu não gosto procuro não fazer. Às vezes é inevitável e até necessário que se faça o que não goste. Em último caso, quando não se tem outra alternativa, o que se há de fazer?

Fé e sorte. Não sei se exatamente sorte. Quem tem sorte é quem ganha na mega sena, ou seja, uma a cada não sei quantas pessoas que também fizeram a sua “fézinha” e não tiveram a mesma sorte. Nem sei onde se encontram essas pessoas que criam expectativas para, digamos, um investimento que não deu certo. Sei que eu me encontro nesse grupo porque vários investimentos que eu fiz na minha vida não vingaram.

Por mais que eu tivesse me dedicado a algumas coisas, essas mesmas coisas as quais me empenhei não vingaram muito. Tudo que tem dado certo na minha vida é pelo fato de eu deixar a vida me levar como canta dessa vez Zeca Pagodinho. Talvez seja por isso que eu seja tão desprendido principalmente de coisas materiais. Dou valor a outras coisas, me importo com os amigos que me cercam, me preocupo com o bem-estar. Isso está cada vez mais raro. Eu estranho o fato de muitas pessoas ao meu redor dizerem que eu sou diferente, especial. Me sinto um alienígena quando escuto esse tipo de elogio. Me vejo como regra e não a exceção. Meu patrimônio são as emoções que guardo, as sensações que a vida me proporciona, as imagens, cheiros e gostos de cada lugarzinho que visito e as pessoas que eu cativo. Não há cobertura tríplex na Vieira Souto com uma BMW na garagem que substitua esse patrimônio. Se complementar eu fico feliz, mas substituir nunca.

Quando criança, fase de fértil imaginação, apesar da minha turma de amigos lá do prédio, eu também era cercado de amigos de brinquedo. Meus playmobis e minha coleção de super powers eram meus principais companheiros quando por algum motivo não brincava com meus amigos reais. Aquele era o meu mundo virtual. Meu e da minha geração. Entre esses dois mundos que eu frequentava na infância e pré-adolescência havia uma realidade virtual que era a novela e que teve forte influencia mais até que o cinema até certa época.

Me lembro que quando ia encontrar minha mãe no trabalho dela e ficava esperando, a minha diversão era ficar batendo à máquina e inventando qualquer coisa, historinhas, diálogos, slogans. Uma que me marcou e que lembro até hoje era uma brincadeirinha ingênua, tola e vista com esse distanciamento, sem graça onde dizia: depois da sexta-feira 13 vem aí sábado 14, o sol volta a brilhar.

           A máquina de escrever evoluiu, virou um computador com editor de texto e hoje me divirto escrevendo essas e outras bobagens pra quem estiver lendo. Já as produções das historinhas que eu fazia com meus brinquedos, atualmente tenho feito com pessoas. Não das minhas historinhas, mas um dia chego lá. E sinto que esse dia está perto. Pra quem esperou até agora, um pouco mais não vai fazer diferença. Bem ou mal a projeção que fiz de mim mesmo sem pretensão está se mostrando.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

SAÚDE É O QUE INTERESSA

SAÚDE É O QUE INTERESSA

De julho pra cá eu estou sendo acompanhado por uma nutricionista. Sempre achei que não tinha mais motivo em ficar gordo. Ainda me considero um gordo. Como diz a música: “Eu nasci assim”. Já fui obeso. Não cheguei a ser mórbido, mas já pesei 120 kg. Tudo bem que minha altura disfarçava um pouco o excesso de peso, mas quando cheguei nesse nível comecei a tomar umas atitudes que me fizeram mudar um pouco.

Pra início de conversa me habituei a dar uma caminhada no calçadão da praia. Alguma coisa relacionada a comida e a hábitos alimentares também foram mudados gradativamente. O resultado foi sendo apresentado aos poucos. Mais disposição, menos dificuldades, mais leveza e maior auto estima. Fui gostando do que eu estava fazendo. E por conta própria, sem orientação e auxílio de ninguém. O primeiro passo tem que partir da gente mesmo. E assim foi até eu ir morar em Londres.

Lá, por eu ter chegado no auge do inverno, no primeiro mês quase não saia de casa e comprava aquelas comidas prontas, que só botava no microondas pra esquentar. Era bem mais prático e rapidamente enjoativa. Combinei então com meu companheiro de quarto, o Airton, de a gente mudar esse nosso hábito alimentar e começamos a comer uma comida mais saudável. Legumes acompanhados por uma carne, na sua grande maioria hambúrgueres. E assim foi durante a minha temporada de sete meses em Londres. Depois fiz um tour pela Europa e vida de mochileiro também proporciona m bom regime, já que se anda todos os dia e o dia todo.

Cheguei de volta ao Brasil, quase um ano depois, magro. Acho que foi a primeira vez que me achei, me vi e me senti magro. Não sou de ficar me pesando – na nutricionista sim, pra controlar – mas na época devia estar em torno dos 90 kg. Pelas contas, 30 kg em quatro anos. Começando a contar lá atrás na minha decisão e culminando com a minha volta ao Brasil quase 5 anos atrás. Tem gente que perde isso em quatro meses. Não acredito nessas fórmulas milagrosas. Nesses casos, o difícil nem é perder peso e sim manter; e pessoas que fazem essas dietas milagrosas ou tomam remédios do tipo inibidor de apetite ficam no efeito sanfona, o que também não acho bom pra saúde. A minha experiência me diz que a comida regrada, moderada e exercícios físicos fazem uma boa parceria para a perda e manutenção de peso.

Quando cheguei na minha nutricionista, as primeiras recomendações que ela me fez foram mastigar mais os alimentos, não beber durante as refeições e beber muita, bastante água mesmo, o equivalente a um copo a cada meia hora. Depois fomos adaptando as refeições aos meus estranhos horários. Encontramos um denominador comum e fomos adequando os alimentos às refeições. Comecei a seguir as instruções e foi dando certo. Até a última consulta do ano passado foram quatro quilos em três meses. Outra atitude: pouco depois da Páscoa do ano passado, cortei em definitivo com o refrigerante na minha vida.


Uma vez, com uns quatro meses limpo, fui a um churrasco do pessoal da faculdade. Chegando lá só tinha cerveja. Não adianta que cerveja e uísque eu não tomo de jeito nenhum. Eu e mais alguns amigos que não podiam ou não queriam beber cerveja nos juntamos pra ir na vendinhada frente comprar alguma coisa pra gente. Não havia outra opção além do refrigerante, e a marca universal foi a escolhida pra gente levar umas três garrafas de dois litros. Devo ter tomado, durante o churrasco, no máximo uns sete copos. Não tomei mais pelo fato de sentir que aquilo estava começando a me enjoar. Cheguei em casa a noite de ressaca. Um mal estar, uma sensação horrível. Depois dessa, nem mesmo por falta de opção eu tomo um. Foi aí que eu constatei que refrigerante faz mal. Nunca havia sentido aquilo. Fiquei surpreso. 

segunda-feira, 7 de abril de 2014

LOURA BELA

LOURA BELA

Em algum lugar do passado, postei aqui sobre as minhas paixões celebres. Se há alguém que eu posso chamar de ídolo são essas duas mulheres que rondam a esfera artística, cada uma em seu metiê. Não sei se ídolo é a palavra certa até pelo fato de não me ver como fã no sentido fanático da palavra, daqueles que guardam tudo que é revista, jornal, fotos publicadas ou qualquer outra coisa que mencionem o nome do artista. Não tenho posters no quarto, foto delas na mesinha de cabeceira, mas gosto de acompanhar o que elas estão fazendo, seus trabalhos e sua vida profissional. Na área da música é a Rita Lee, que ultimamente tem estado mais reclusa e eu e alguns amigos estamos querendo que ela se apresente aqui no Rio. Já na área televisiva, a mulher que me faz prestar mais atenção em tudo que ela faz, e não se limita a televisão, é a Marília Gabriela.

Sempre a admirei e acho que ela é a melhor entrevistadora do Brasil sem sombra de dúvida. Essa especialidade dela que me deixa cada vez mais admirado. A forma com que ela conduz uma entrevista deixando a vontade quem está de frente com ela e fazendo de modo discreto, gentil e educado com que seu entrevistado revele e/ou se abra sobre determinado assunto é muito peculiar. Essa delicadeza não é tão comum entre os jornalistas mais novos. Ao longo do tempo eu venho percebendo e de certo modo aprendendo com ela como se coloca uma pergunta a um convidado.

No ano 2000 entrou no ar a Rede TV, que aqui no Rio é sintonizada no mesmo canal que a extinta Rede Manchete, e com ela o programa “Gabi”. Foi ali que tudo começou. Esse programa era diário e por estar em uma emissora de TV nova, eles estavam abertos a todo tipo de experimentações e interatividade, creio que pra fidelizar seu tipo de público. A Marília já tem um público cativo que migra junto com ela pras diversas emissoras às quais já pertenceu e a partir de então eu comecei a me aproximar do trabalho dela. Nesse programa ela disponibilizava o terceiro bloco para as perguntas que internautas mandavam aos convidados e passavam pelo crivo dela e da produção.

Juntando a estreia da emissora com esse conceito, da chegada da internet aqui em casa e a admiração que tenho por ela, resolvi arriscar e também mandar perguntas. A primeira vez que eu a vi mencionando o meu nome e fazendo uma pergunta enviada por mim, tomei um susto. Sinal de que ela gostou da minha pena. Fiz uma segunda vez e novamente emplaquei uma pergunta. Gostei de brincar disso, mas levava a sério essa brincadeira. Pesquisava um pouco sobre os convidados e sempre baseava, fundamentava minha pergunta em uma informação. Claro que nem todas eram lidas, mas durante os dois anos em que “Gabi” esteve no ar, digamos que 80% das perguntas que eu enviei foram lidas.

Ano passado, o segundo horário reservado ao programa dela, às quartas, se tornou específico. Se aos domingos as entrevistas abordam temas gerais, às quartas o assunto é basicamente sexo. “Gabi quase proibida” tornou viável novamente o envio de perguntas aos convidados, desde que o questionamento tivesse a ver com o assunto sugerido. Do mesmo jeito que há catorze anos, mando minhas perguntas para os convidados e do mesmo jeito ela continua me citando nos programas. Talvez não com a mesma freqüência que antigamente. De lá pra cá mudou muita coisa. O acesso a internet  não era tão abrangente, não tinha banda larga e muito menos smartphones conectados com a rede mundial de computadores. Mesmo assim ainda sou citado.


Não tenho a certeza se ela sabe que retomou uma parceria há muito tempo parada, se ela ligou o nome à pessoa, se ela sabe que é a mesma pessoa e se a minha imagem chega na mente dela toda vez que ela me menciona. Mas isso também pouco me importa. E mesmo se ela parar de me citar, não será isso que vai minar meu lado fã.