terça-feira, 27 de maio de 2014

AINDA SOBRE LÍNGUAS

AINDA SOBRE LÍNGUAS

Como disse na postagem retrasada, saí da escola de inglês que frequentei em Londres no sétimo nível dos nove que integram a hierarquia daquele curso; que volta e meia ligo nos canais de notícias de língua inglesa pra treinar o ouvido e que vou tentar me conduzir a ler um livro em inglês pra também enriquecer e/ou relembrar o vocabulário.

Minha maior dificuldade quando cheguei em Londres foi equalizar o ouvido pra assimilar e entender os vários sotaques ingleses que são falados naquela cidade cosmopolita. O pior deles é o inglês falado pelos indianos. Creio que os países que se encontram naquela área do mapa que a gente chama de oriente médio e se estendendo de um lado pra Turquia e de outro pra Índia são, pra nós do ocidente, os de sotaque mais incompreensível. Até o inglês falado por japonês é mais inteligível, compreensível. Convivi com um durante alguns meses.

No início de novembro sobrou pra mim a tentativa de comunicação em inglês com um árabe. A situação era que minha mãe e o proprietário da agência de viagens pra qual ela presta serviço como free lance iriam dali a alguns dias pra Dubai. Até então só a passagem estava confirmada e precisavam de reservar um quarto de hotel. Pelos hábitos, costumes e religião local, tudo seria mais complicado que o habitual pra gente. Eles descobriram um número de telefone gratuito pra ligar, mas tanto a gravação quanto o atendente só falavam em inglês. Pediram socorro pra mim. Fui lá e falei com o atendente.

A gravação dava pra entender, e mesmo se não desse é igual a qualquer outra gravação de telemarketing quando a gente quer falar com alguma empresa ou corporação. São dadas algumas informações  e no fim ainda falam que aquela ligação é importante pra eles. A musiquinha também fazia parte da espera. A diferença é que não esperei muito tempo e pelo desenrolar do atendente ele não me fez de bolinha de pingue-pongue e ficou me jogando de um setor pro outro. Quando ele atendeu eu expliquei que estava atrás de um hotel e ele não entendeu a primeira vez que eu falei. Do mesmo jeito que eu não entendia o sotaque dele, ele não devia estar entendendo o meu. Por mais que naquela semana eu tivesse lendo um livro em inglês e volta e meia ligo num canal de língua inglesa, pra que eu possa encarar uma conversação fluente, preciso de uns três dias pra que as engrenagens da minhas sinapses linguísticas encontrem seu ritmo, sua velocidade normal. Normal pra mim.

O atendente falou coisas que eu entendi, fazia perguntas básicas como qual seria o hotel desejado, pó quantos dias ficariam lá e quantas pessoas no total iriam. Mas convenhamos que não é um sotaque palatável. Além disso, a velocidade com que ele falava o inglês era a mesma que parece ser a do árabe que vemos em filmes e documentários. Pra mim era mais um fator contra. Sotaque e velocidade. Como entender um inglês desse sem antes uma imersão mais profunda na língua? No fim consegui captar a informação que eu queria. Não havia vagas naquele hotel que eles queriam ficar. Pelo resto que ele desembestou a falar e eu pegava uma palavra ou um contexto, ele até ofereceu outros hotéis e outros quartos mais caros. Pelo mesmo foi isso que eu entendi. Pode até não ser o que ele tinha dito.


Sinceramente prefiro resolver tudo por mail. Acho bem mais prático. Se for pra falar, que se utilize outros métodos, tipo skype que se não der pra entender verbalmente pode se usar o recurso da mímica. Ao menos com quem tem esses sotaques mais estranhos pros nosso ouvidos. Isso pode acontecer novamente e novamente de supetão. Sempre estarei despreparado pra esse fato. A não ser quando vou viajar e procuro intensificar mais o mergulho, a imersão na língua com as ferramentas que me cercam. 

domingo, 18 de maio de 2014

O GIGANTE VOLTOU A DORMIR?

O GIGANTE VOLTOU A DORMIR?

No próximo mês completará uma ano que a população brasileira foi pras ruas fazer a sua reivindicação. O movimento eclodiu com o aumento das passagens de ônibus que por pressão popular foi mantida no preço anterior ao tal aumento. Na verdade esse foi o pretexto pras reclamações que não se ataram somente ao aumento da tarifa do transporte. O grito foi pela má qualidade do serviço prestado à população. Serviço esse que é concedido pelas prefeituras às empresas de ônibus.

Estamos fartos de pagar por um serviço ineficiente e daí surgiu não só o reclame do transporte público, mas de todos os outros setores básicos e direito de todo cidadão que não são feitos com dignidade. Saúde, educação, segurança também foram muitos reivindicados. Somos um país que se paga muito de imposto e não sentimos o retorno em serviços básicos. Sempre tem um hospital público que está faltando alguma coisa; médicos, leitos, aparelhos para exames e medicamentos, por exemplo, assim como sempre tem escolas que faltam professores ou esses não são motivados a exercer o seu ofício. E sempre vai ter um cidadão, inocente ou não, morrendo nas ruas e esquinas das cidades por falta de segurança ou por excesso de abuso de autoridade de um policial mal formado que acaba por passar da conta.

Nessas manifestações, não só aqui no Brasil, mas em qualquer parte do mundo, sempre estarão entre os manifestantes aqueles mais exaltados que por alguma razão, seja ela política, ideológica, parte pro quebra-quebra, pra destruição. Acontece que quando as manifestações do ano passado tomaram forma, surgiu não sei como e nem de onde um grupo que promovia essa baderna, esse vandalismo. A imprensa os denominou de ‘black blocks’. As manifestações começavam pacíficas, mas no fim sempre acabava em pancadaria e conflito com a polícia.

Não estou defendendo aqui as atitudes brutais e grotescas de policiais que botavam todas as pessoas num balaio só e saia dando porrada a esmo, machucando e ferindo quem quer que estivesse na frente, como alguns jornalistas que sentiram na pele os efeitos de balas de borracha, spray de gás de pimenta e cacetadas de cassetetes. Agora que eu acho imbecilidade e babaquice um grupo de pessoas se infiltrarem nas manifestações pra promover ataque e destruição de patrimônios públicos e privados, não tenha dúvida. Ratificando, deixo claro aqui que um erro não justifica o outro e também sou contra as atitudes que os policiais tinham frente aos manifestantes. Depredar agencias bancárias, concessionárias de automóveis, saquear lojas e quebrar ou tacar fogo em prédios públicos não leva a lugar nenhum. Só mostra o quão atrasado e mal educado são as pessoas que fazem isso.


É pra ficar revoltado quando um trem para no meio do trajeto e seus usuários tem que descer e andar uma parte dos trilhos a pé, ou esperar outra composição chegar pra fazer o resgate. É pra ficar possesso da vida quando pela manha, pra ir trabalhar a população tem que pegar ônibus lotado e se não der sorte de arrumar um lugar sentado, ir espremido feito sardinha em lata, se equilibrando dentre freadas bruscas de motoristas estressados com o trânsito caótico. Mas isso não pode justificar os atos de vandalismo que fazem ao queimar um ônibus ou atacar com paus e pedras uma composição do trem. Se a prestação de serviço já é ruim, isso só faz piorar. Não é assim que se mobiliza autoridades pra tomarem partido do que realmente acontece e encontrarem uma solução pra tais problemas. Sabemos que as soluções encontradas por eles são de curtíssimo prazo, só mesmo pra amansar um pouco mais a população até ela se exaltar novamente. Mas tem um dito popular que diz “de grão em grão a galinha enche o papo”.  Sei que não é o suficiente. Mas temos antes de tudo promover uma quebradeira que já soluciona boa parte dos problemas. Vamos pras ruas depredar a má educação. 

terça-feira, 13 de maio de 2014

LENDO LINGUAS

LENDO LÍNGUAS

Quando cheguei em Londres a primeira coisa que fiz logo depois que me instalei na casa da Carol e do Alê foi ir pra escola em que eu estava matriculado para que eu fizesse o nivelamento de turma. Isso foi somente dois dias depois da minha chegada lá. Eu ainda estava meio cru em relação a cidade e logo depois do fim de semana – esse teste foi feito numa sexta-feira – seria o meu primeiro dia de aula. Essa escola tinha um método no qual havia nove níveis de fluência em inglês seno o primeiro mais básico e o nono o mais avançado.

Como eu já havia estudado inglês um bom tempo aqui no Brasil e num curso bom, que me deu uma certa fluência em pouco mais de três anos, caí no sexto nível, apesar do meu inglês ser basicamente americano e estar, na época, com dez anos de formado aqui no Brasil. Ou seja, não entrava num cursinho de inglês a um bom tempo. Cumpri todos os níveis do curso aqui, mas por falta de prática a gente sempre perde um pouco da fluência. Ainda assim acho que meu inglês é bom e, pelo visto, a diretora do curso lá em Londres também achou.

Na segunda-feira, depois de entrar em sala de aula e ser apresentado a turma, a aula correu normalmente. Eu ainda estava me adaptando a tudo e naquele mesmo dia, no fim da aula, o professor anunciou que teríamos exames de mudança de nível em duas semanas. Era dia primeiro de dezembro e no dia quinze começariam as provas. Somente duas semanas. E por causa do trabalho que iria exercer, teria que faltar alguns dias de aula. Não iria adiantar me esforçar em acompanhar a turma que já vinha junta há três meses, então paguei pra ver o que aconteceria comigo. E por pouco não me dei bem. Na verdade o que me encrencou foi a má administração do tempo para fazer as provas.

Quando tivemos a reunião para o recebimento das notas e comentários sobre as provas, meu professor falou que eu fui muito bem nas provas, menos na redação que eu não entreguei e que se eu tivesse entregue, com o nível que ele viu nas outras provas, certamente eu teria ido pro nível sete. Infelizmente tive que esperar mais três meses e acompanhar, aí sim, com material exigido e tudo direitinho.

Lá, a prática é uma questão de sobrevivência. Em casa, com os não brasileiros, era uma regra – eu já tinha saído da casa do Alê e da Carol, onde passei só os vinte primeiros dias – que se algum deles estivesse compartilhando do mesmo ambiente a língua predominante era o inglês. Questão de bom senso. Outros meios que a gente usava na casa lá eram os filmes, programas de TV e os livros largados numa estante da sala. Eu cheguei a tentar ler um ou outro, mas não cheguei no final deles. Me lembro que no último nível do curso daqui tínhamos um livro com alguns contos pra gente debater em sala de aula.

No fim de outubro do ano passado me emprestaram um livro pra ler em inglês. Topei. É bom incluir livros em inglês no hábito que tenho de leitura. Claro que não sabia o significado ipsis líteris de todas as palavras escritas. Assim como se eu vir um filme sem legendas também não vou entender palavra por palavra dita, mas no contexto eu entendo a trama. Preciso fazer isso com mais freqüência. Volta e meia eu ligo minha TV num canal de notícias americano pra treinar o meu ouvido, mas a leitura propriamente dita não costumo ter esse hábito.

Leio bastante sim, em português e sinto uma diferença principalmente na velocidade da leitura quando não domino muito bem a língua. Talvez com o espanhol, pela similaridade, seja um pouco mais rápido. Nem me atrevo a fazer o mesmo com outras línguas que também conheço, apesar de não ter quase fluência nenhuma nelas; a saber: francês, alemão e italiano, de modo que a primeira e a última ainda curto as canções originárias desses países, principalmente as mais clássicas.

terça-feira, 6 de maio de 2014

TEM OBAMA NA LINHA

TEM OBAMA NA LINHA

Quando eu era criança e a minha avó se mudou pro mesmo prédio que eu morava, mas em outro apartamento, dois andares acima do meu e os telefones eram na sua grande maioria com fio e de disco ainda – já existiam outros nem tão acessíveis no preço – a linha telefônica ficou sendo a mesma tanto lá em casa quanto na casa dela. Quando a gente atendia e o telefonema era pra ela, dávamos uns toques no gancho (dois pininhos brancos que se abaixavam simutaneamente se apenas um era acionado e com o peso do fone ao descansar ali era o que fazia o telefone tocar) e ela sabia que teria que atender.

Desde então essa é a linha que usamos aqui em casa. Atualmente, na verdade desde o fim dos anos 90, quando as linhas digitais começaram a aparecer tem uma outra linha que quase não se usa aqui. Tanto que só existem duas saídas pra essa linha. Uma na cozinha e outra no quarto do meu irmão, que adotou como sendo a dele. Mesmo assim quase não toca. A linha da época da minha avó é a que domina, que impera, que todos sabem o número de cor, já que nunca mudou a não ser o acréscimo do número 2 na frente do número original. Ano passado os números dos telefones celulares aqui no Rio e Espírito Santo a exemplo de São Paulo ganharam também o nono dígito, começando eles todos com o nove na frente seguido pelos oito números próprios da linha.

Voltando ao telefone fixo, a extensão que era de um apartamento pro outro na época da minha avó, atualmente, desde a mudança pra esse apartamento maior em agosto de 2011, agora é de um cômodo para o outro. Tem um aparelho na sala, no escritório, no quarto dos meus pais e aqui na mesa onde abro o meu lap top pra escrever essas postagens. Em qualquer parte da casa que esteja, exceto nos banheiros, existe um acesso a linha telefônica. Eu só atendo o meu aparelho se tem alguém em casa, quando passa do terceiro toque. Fui criado e educado pra não ficar escutando conversas dos outros. Caso eu atenda e a ligação seja, por exemplo, pro meu pai que está na sala passo o aparelho pra ele e desligo o que foi atendido por mim. Me parece que esse tipo de comportamento que levo, não é passado para quem senta na principal cadeira presidenciável do mundo.

É público e notório que há muito tempo os Estados Unidos espiam os outros países. Quem é James Bond se não um agente secreto que se infiltra e espiona os inimigos da rainha da Inglaterra? Na guerra fria isso se dava a torto e a direito. Depois, com a nova configuração das guerras, que passaram a ser feitas por ataques terroristas e suas respostas, a espionagem foi avançando conforme a tecnologia. O motivo do alarde que houve ano passado em relação a isso, foi o vazamento de informações de um ex-agente de um dos órgãos de informação americano, Edward Snowden, onde ele dizia que vários representantes de governo dos chamados países aliados aos Estados Unidos foram espionados. Todos eles pediram pra que o tio Sam se retratasse, que é um absurdo que isso ocorra com os países aliados e blá blá blá. Palhaçada.

          Duvido que o governo brasileiro, francês, alemão, espanhol, mexicano fosse prejudicado por causa dessa prática. E outra, se os grupos terroristas se formam em células, eu não confio mesmo no serviço de inteligência brasileiro pra que detecte destrua e denuncie esas células que podem estar se formando por exemplo na tríplice fronteira, como já anunciado anos atrás. E se essa espionagem se verter pro meio financeiro, é como jogo de xadrez, você tem que saber como o outro tá jogando pra preparar a sua próxima jogada. Jogo é jogo. Mesmo sendo um jogo entre amigos, um perde e outro ganha. Não creio que Obama não seja ocupado o suficiente pra perder tempo ouvindo conversas de comadre entre Dilma e Merkel, independente do assunto