domingo, 27 de julho de 2014

FALTA ENERGIA

FALTA ENERGIA

O verão é quente e cada vez mais os termômetros ultrapassam as máximas registradas no último verão. Se não ultrapassam ao menos emparelham. E por ser verão, os dias costumam se encerar com as freqüentes tempestades, as famosas chuvas de verão. Anunciando essas chuvas geralmente vem os raios e trovões e de vez em quando rajadas de vento, quando essas não acompanham a água que cai. As conseqüências são sempre as mesmas. Ruas alagadas, enchentes, bolsões d’água, transito caótico e o que pra mim é o pior de tudo que é a falta de luz.

A falta de podas das árvores é um fator que causa o corte de energia quando seus galhos e folhagens se misturam aos cabos de transmissão de energia. O estouro de transformadores afixados nos postes sobrecarregam e podem provocar o efeito dominó tendo explosões atrás de explosões . Nem precisa tanto. Qualquer ventania pode provocar isso. Nem estou mencionando aqui a incidência enorme da queda de raios. Somos campeões nesse quesito. Enfim, entra ano e sai ano e continua tudo igual. Ou pior. Não é possível que as concessionárias de energia não tenham um plano B ou uma ideia renovadora, revolucionária pra minimizar esse caos que se repete todos os verões. As águas de março já deixaram de fechar o verão há um bom tempo. Não tem mais mês certo pra isso. Fevereiro, março, abril... as águas rolam de qualquer jeito.

Uma solução boa pra isso, mas que por falta de pulso não é adotada aqui no Brasil é o que eu vejo na Europa, por exemplo, onde grande parte da rede elétrica é subterrânea. É muito raro ver um poste com fios e se ligando a outros postes. Não estou dizendo que não exista, mas eu não estou me lembrando nesse momento de nenhuma cidade que eu tenha visitado e que a fiação elétrica fosse exposta. Vou até rever algumas fotos pra ver se acho. No entanto, como sempre, estou me baseando por Londres, cidade que morei. Lá eu tenho uma autoridade maior em comentar sobre. Fica tão mais limpo, tão mais elegante e evita roubos de energia, conhecidos como gatos. Além disso é menos um risco de pombos ou passarinhos pousarem e transeuntes serem o alvo dos excrementos deles. Não sou estudioso ou especialista no assunto, mas me parece que é mais seguro e causa menos problemas se os cabos passassem pelo subsolo.

Aqui, além das galerias de esgoto tem também a concorrência da tubulação de gás. Não é aconselhável que se ponha os dois lado a lado. Seus conduítes deveriam ter alguns metros de distancia um do outro. Posso estar falando uma besteira. Especialistas de plantão me corrijam por favor, mas que isso evitaria a constante falta de luz aqui no meu bairro por causa da ventania que acompanha as chuvas de verão, poderia sim evitar. Quais são as desvantagens dessa sugestão pra cabeamento de energia subterrâneo?

Enquanto eu morei em Londres só enfrentei falta de luz uma vez e se eu não estou enganado durou em torno de uma hora. Aqui, no nosso antigo apartamento era hábito ser o último pedaço onde se restabelecia a energia numa eventual queda. Já nesse novo em que estamos morando a quase três anos, quedas de energia são mais constantes, principalmente quando venta e chove, não necessariamente no verão. Nessa estação a freqüência de queda de energia é acentuada pela constante instabilidade do tempo. Já ficamos horas sem luz, as vezes apenas com uma fase funcionando, mas com luzes de emergência sempre localizadas estrategicamente e sempre a mão caso o pior aconteça, o que tem sido comum mais do que no apartamento antigo.

           O pior é que nossa geladeira é moderna, daquelas que tem água no dispenser da porta onde é só pressionar o copo contra o botão pra que o mesmo se encha de água ou gelo. Se falta luz nós ficamos sem água também. Se antigamente cantava-se que no verão de dia faltava água e de noite faltava luz, aqui em casa as duas faltam concomitantemente.

sábado, 19 de julho de 2014

ATORDOADO

ATORDOADO

Começo essa prosa falando de coisas que volta e meia me atordoam. A primeira delas é porque a minha nutricionista é contra o leite e seus derivados? Sabemos que o homem é a única espécie que continua tomando leite depois do desmame. Leite esse de outra espécie animal que não o ser humano. Corrijam-me se eu estiver errado , mas o leite é fonte de proteína e gordura. Tudo bem que a orientação alimentar que ela me passou é pra emagrecer evitando ao máximo a gordura, mas daí a não ingerir um queijo branco ou iogurte eu acho exagero e de vez em quando furo o bloqueio e tomo leite e derivados. Dei uma boa diminuída, mas n”ao consegui cortar radicalmente o leite do meu cardápio. E sempre que viajo essa dieta fica desvirtuada. Na verdade só sigo dieta a risca quando estou em casa. Claro que procuro não fugir muito da linha, no entanto, em certas ocasiões não há como.

Segundo ponto: estou começando a me inclinar pra uma repaginada no visual. Não me considero bonito, mas gostaria de mexer em alguma coisa do meu corpo. Nada de intervenção cirúrgica. O acompanhamento da nutricionista foi o primeiro passo e que por enquanto tem dado certo. A “reforma” de dentro pra fora já começou, agora penso em fazer uma de fora pra dentro. Continuo dando minha caminhada, mas a musculação fica naquele vai-não vai. Não quero me limitar a isso. Sei que ajuda, mas busco uma pegada mais radical onde se vê resultado rápido. Personal? Pilates? Não sei ainda. Talvez os dois. Tenho que analisar bem antes de decidir que rumo tomar. Penso também em fazer uma depilação a laser pra tirar os pelos das costas. Se eu pelo menos tivesse o talento e o salário do Tony Ramos até deixaria de pensar nisso. Não que me incomode. É apenas questão de estética mesmo. E será que fazendo isso no rosto pra tirar a barba em definitivo surte o mesmo efeito? No rosto é mais arriscado que nas costas. O rosto fica a mostra, a não ser que eu lance moda e começe a usar a burka também.

Terceira coisa. Por que cargas d´água eu não consigo deletar, eliminar certas pessoas do meu facebook? Já falei disso aqui, mas eu realmente não consigo fechar o único canal que tenho com algumas pessoas cujo contato é praticamente nulo. Sinto dó em fazer isso e sei que mais cedo ou mais tarde será inevitável. É a única rede social que frequento. Twitter foram só 160 posts; instagram em três meses de uso foram sete fotos postadas. Cada vez tenho aversão a esses programas e aplicativos que fazem a gente perder tempo. Já passa pela minha cabeça fazer o mesmo com o facebook, que convenhamos tem enchido o saco, pelo menos o meu.

O canal de comunicação que o face proporciona, o chamado bate-papo, como era o MSN antigamente, é o que me faz repensar e não cometer o facebookcídio. Existem tantos aplicativos e programas que podem ser baixados e utilizados que esse excesso me provoca repulsa. Então fico com apenas esses: e-mail, Skype e Facebook. O único que sai desse tripé é o ‘whats app’ que faz vias de telefone. Utilizo bastante esse aplicativo também. O outro que está no telefone  mas é pouco utilizado é o ‘viber’ que faz ligações como se fosse um telefonema, mas utiliza o sinal da internet ao invés da própria linha telefônica. Acho que esses são os canais de comunicação mais frequentes que existem, então os tenho sempre disponíveis e abertos pra quem quiser.

Outra coisa atordoante é o fato de não quererem que esse país não dê certo. Alguns fatos acontecidos ano passado sinalizaram que sabemos que está tudo errado e não concordamos com tudo que aí está. Levará gerações pra que tal sinalização se torne de fato uma realidade concreta. Basta de utopias e vamos a prática.

            Tem várias outras questões que me atordoam. Só expus algumas delas de modo que nenhuma me tira o sono ou trazem danos reais a minha saúde. Também não tenho a intensão de botar caraminholas na cabeça de ninguém. Já basta estarem na minha

terça-feira, 15 de julho de 2014

CONVITES

CONVITES

Outro dia ao abrir meu facebook me deparei com o convite pra duas festas. Convite pra festas sempre aparecem e é cada vez mais raro a minha presença nelas, mas essas duas especificamente não são festas que fazem parte da grade de eventos das casas noturnas da cidade, ou dos DJ´s que as divulgam nos seus perfis aos quais eu tenho acesso. Eram festas de aniversário, as duas na sexta. Uma subsequente a outra. E de duas pessoas que eu não tenho tanta intimidade assim. Conheço os dois, mas mais de falar via mensagens.

Os encontrei poucas vezes pessoalmente. Uma mais vezes que a outra pelo fato dessa última amizade ter começado recentemente. A de amizade mais antiga, no convite, pediu pra confirmar presença. RSVP. Apesar de não ter sido com bastante antecedência – apenas dois dias – acho interessante em qualquer evento que isso aconteça. É de bom tom as pessoas confirmarem presença pra poder se ter uma estimativa de público e gastos. A de amizade mais recente apenas postou o evento em comemoração ao aniversário descriminando data, hora, local, atrações e preço. Será subsidiado pelos convivas o aluguel do espaço alternativo na Lapa e não necessariamente se tem a obrigação de resposta , já que pagou entrou dentro das limitações da casa. A chamada confirmação antecipada, ou o famoso nome na lista, dá direito a desconto de mais da metade do valor do ingresso.

Ao receber esses convites comecei a indagar algumas coisas. Primeiro que os dois foram educados e cortezes em me convidar pras suas respectivas festas, apesar de achar que o de amizade mais recente fez isso com todos que fazem parte da sua rede de amigos. De qualquer forma ele poderia selecionar as pessoas para mandar o convite e me excluir. Segundo que eu não tenho mais pique e nem animo de frequentar festas e não sei recusar esses convites. De modo que se eu realmente fizer isso, estaria abrindo prescedente a um “pseudo” bloqueio profissional. Não que isso seja fato, mas pode ser que um recalque devido a essa recusa fique no consciente dessas pessoas e se pintar uma parceria profissional, fique um clima tenso. Sei que isso é coisa de gente mesquinha e pequena, mas por não conhecer bem a de amizade mais recente me questiono se vale o esforço, o sacrifício. Por mais que eu conheça algumas pessoas em comum, tenho certeza que indo sozinho ficarei deslocado, desenturmado.

É mais uma questão social e profissional que um deleite propriamente dito. É como se eu tivesse indo pra uma reunião de negócios. Quem sabe se eu for com um amigo me sinta um pouco mais a vontade, mas sempre nesse propósito de estar numa vitrine. Já foi o tempo, já passei dessa fase, não vou mais a festas regularmente. Nesses casos são aniversários. Quais consequências eu sofrerei se não for a nenhuma dessas duas festas? Será que confirmo presença mesmo não tendo certeza de que irei? Qual o grau de relacionamento extra profissional que essas duas pessoas tem para comigo? Os canais continuarão abertos se eu não comparecer nessas festas? Será que ficarão chateados se eu não for a ponto de cortar relações – leia-se excluir do facebook, por exemplo?


Duas festas, dois casos a se pensar. A noite pela noite não me atrai mais. As companhias, essas sim, me fazem perder uma noite a toa que não é tão a toa. Através delas que baseio todo e qualquer compromisso não profissional. Como disse, em comparecendo a essas festas, não encaro como festas, mas reuniões profissionais. Aquelas geralmente em que um bando de gente se encontra pra falar de projetos e quem sabe firmar futuras parcerias profissionais. Eventos assim devem ser frequentados mesmo um pouco a contra gosto. Quem sabe um simples parabéns pra você pode abrir uma porta. É melhor aparecer por lá e marcar presença mesmo.               

segunda-feira, 7 de julho de 2014

CALENDÁRIO

CALENDÁRIO

Se alguém conhecer outro país cujo número de feriado é excessivo, por favor me avise. É impressionante como tudo é motivo pra se tornar um dia não útil. O primeiro feriado do ano eu até concordo que não se trabalhe. Dia primeiro de janeiro está todo mundo de ressaca mesmo e comemorando o ano novo, além disso esse é universal. O mundo não trabalha, a não ser quem presta os serviços básicos e é escalado pra trabalhar nesse dia.

Seguindo o calendário brasileiro o feriado seguinte é carnaval. Em destaque só fica a terça-feira gorda, mas já é implícito que, pelo menos aqui no Rio oficialmente se abre o carnaval no sábado de manhã, apesar de na noite de sexta e quinta já terem blocos esquentando seus tamborins. Quarenta dias depois tem a páscoa. As escolas param na quinta, mas os serviços somente na sexta. Existe um cálculo que se faz pra saber quando cai a páscoa para então ser definido os dias de carnaval. É estranho um feriado ser definido pelo outro, mas acho que tem algum envolvimento regido por astros que fazem com que esses feriados sejam os únicos móveis, ou seja, sem a data certa no calendário. E tanto o carnaval quanto a páscoa – mais a páscoa – tem um cunho religioso.

Em seguida temo feriado de Tiradentes. Um mártir da luta pela independência do Brasil. Pelo menos essa é a história oficial, que as escolas contam. Várias teorias da conspiração estão no ar quanto a veracidade dessa história. Esse feriado particularmente é importante pra mim pelo fato de ser meu aniversário e do meu irmão também. E o que eu acho mais estranho é que o dia seguinte, 22 de abril, é dado como o dia do descobrimento e não é feriado. Não se comemora a descoberta, mas a morte de uma pessoa considerada guerreira e fundamental para a independência do país. Maio começa com o dia do trabalho, também comemorado em várias partes do mundo. Não tão universal quanto primeiro de janeiro, mas nada mais justo que se comemorar o dia do trabalho sem trabalhar. Quem não trabalha não tem motivo pra comemorar e continua sem trabalhar. Outro feriado de cunho religioso que segue a mesma linha do carnaval e páscoa, ou seja, é considerado um feriado móvel, é o Corpus Christi que geralmente cai em junho, mas pode cair em maio também.

Julho e agosto são dois meses que oficialmente não tem feriado e setembro tem o dia da independência. Quase cinqüenta anos depois da morte daquele que representou a Inconfidencia Mineira, quem deu o grito de independência foi o imperador D. Pedro I no dia 7 de setembro. Temos o feriado de quem moreu por querer a independência e o do grito de indepencia. São dois feriados que se referem ao mesmo assunto. Talvez seja outra peculiaridade do Brasil. Outubro tem o dia da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, que se confunde como dia das crianças. Pura jogada de marketing. Novembro temos finados dia 2 e proclamação da república dia 15. Feriado do império em setembro e da república em novembro. E dezembro outro feriado quase universal, celebrado pelos países cristãos, que é o Natal no dia 25. Esses são os feriados nacionais.

Estaria de bom tamanho se não inventasse os feriados locais. Aqui no Rio, por exemplo, dia 23 de abril também é feriado por ser dia de São Jorge. Em alguns estados, 20 de novembro é o feriado da consciência negra, ou o dia de Zumbi. Se for o caso eu sou a favor que proclamem feriado também no dia 19 de abril, dia do índio. Afinal eles estavam aqui antes dos brancos e negros chegarem. No calendário oficial temos onze feriados nacionais. Se permanecessem esses seria praticamente um por mês. O que atrapalha mesmo são os projetos de lei que passam na assembléia legislativa decretando outros dias como feriados. Tudo é motivo de festa, de comemoração, de feriado. Tudo é motivo pra não produzir