domingo, 24 de agosto de 2014

A LISTA

A LISTA

Outro dia eu estava pensando naquela lista de promessas que a gente faz todo fim de anoe não cumpre quase nada do que foi estipulado em termos de metas. Acho que descobri o motivo pra engavetar essa tal lista. Queremos começar tudo junto, de uma vez só. Coitada da primeira segunda-feira do ano que não tem condições de comportar o rol de resoluções que decidimos tomar naquele ano.

Temos trezentos e sessenta e cinco dias pela frente. Temos sim condições de fazer tudo, ou pelo menos a maioria. Eu, por exemplo, ponho a minha viagem à marte em todas as listas que faço, mas tenho que esperar baratear o custo da passagem pra poder alcançar essa meta. Esse ano eu tirei ela do meu roteiro. Sei que não vou cumprir mesmo, então pra que botar?

Esse é outro defeito que grande parte das pessoas tem. Colocar aquelas que não há condição nenhuma de cumprir. Não e só escrever num papel que quer comprar um carro ou uma casa. Tem que ver se as atuais consições financeiras em que se encontram conspiram ou não ao seu favor. Virada de ano não significa que o gênio saiu da lâmpada e vai atender a todos os seus pedidos de uma só vez. As promesas mais corriquiras de perder peso, fazer mais exercícios, parar de fumar, se alimentar melhor são mais fáceis de serem cumpridas. Basta força de vontade. Mas não precisa também começar tudo no mesmo dia. Pode ir desmembrando ao longo do ano. Essa mania que temos de jogar tudo pro início do ano é o que faz desandar tudo. Põe uma resolução pra janeiro, outra pra abril, outra pra julho e a última pra outubro, por exemplo, que dá pra fechar a lista e renovar os itens pro outro ano.

Uma coisa que eu faço, que eu ponho na minha lista é o ineditismo. Todo ano tenho que fazer ou aprender alguma coisa nova ou visitar um lugar que eu ainda não tenha ido. Ano passado eu fui a vários, mas indo a um já vale a pena. Talvez marte não sinta nunca os meus pés, mas a vontade de pisar lá é igual a essalista de resoluções, ou seja, engavetada. Poupar também é um dos itens que se perpetua na minha lista. Eu consigo. Até que a força do capitalismo me suga de modo violento e a vontade de gastar fique do tamanho da poupança e daí não tem o que me impeça de consumir o que tanto tenho vontade. Consumo poucas coisas, mas geralmente acima do padrão mediano de valores.

Já disse isso e continuo afirmando. Metas são mais fáceis de cumprir do que planos. Planos são pra longos prazos e metas pra curto e médio prazos. Ambos podem não dar certo, não serem cumpridas, mas a meta é bem mais fácil de se realizar. Não sei o que pode acontecer daqui a dez anos, mas nos próximos doze meses já temos uma idéia. Só nos resta transformar esse curto espaço de tempo numa maneira mais fácil, mais ágil e melhor no sentido de infra estrutura pra cumprir nossas metas, nossas resoluções de ano novo. As mais sensatas.

Ainda é cedo pra afirmar se eu cumpri as metas que tracei pra esse ano. Estamos no decorrer dele e algumas metas estão surgindo agora na listagem. Tenho que me esforçar pra cumpri-las e não deixá-las acumular pro próximo ano. E se marte ainda ‘caro e fica muito longe vou me contentar com uma viagem pro exterior ou pra aqui perto desde que a terra seja vermelha.

           Planos, metas, realizações, nada disso vai pra frente sem a já mencionada força de vontade. Tem que fazer valer o esforço pra atingir tudo. Aliás, essa tinha que ser a primeira pergunta antes de que se faça uma lista. Vale o esforço? Se a resposta for positiva aí seim é uma garantia de que vale a pena colocar aquele item, aquela meta na sua lista. Já se a resposta for negativa, a quantidade de vezes que entrar na sua lista é o mesmo número que vai deixar de cumprir, de fazer. Só vai ter o esforço de listar

terça-feira, 19 de agosto de 2014

CADA QUAL NO SEU

CADA QUAL NO SEU

Sou daquele tipo que pode passar horas, se bobear um dia inteiro num museu pra ficar apreciando a exposição que fica lá, seja ela itinerante ou permanente. Pra isso que servem os museus.

Quando nos mudamos pro apartamento novo cogitei de pendurar alguma coisa nas paredes do meu quarto. Ou alguma coisa que me remetesse a Londres, ou emoldurar algumas fotos minhas, mas depois decidi que as paredes continuassem nuas e brancas. Ora, se é pra pendurar quadro que se pendure nas paredes do museu. Não sou marchand e muito menos colecionador de quadros famosos. Gosto de botar tudo nos devidos lugares. Um quadro é muito mais útil nas paredes de um museu que nas do meu quarto. Claro que se for o presente de alguém, esse meu conceito é revisto. Em relação as fotos nada que um porta retrato digital não resolva. Além de não ficar sempre as mesmas expostas, resumidas a oito ou nove, elas ficam se revezando e todas elas, não só da Europa mas também de outras viagens, tendo a chance de aparecerem nos seus cinco segundos de tempo e várias vezes ao dia enquanto fica ligado o porta retrato.

Nada contra quem compra, coleciona, investe nesse ramo, desde que seja pra compartilhar um dia. Não conheço ninguém e nem sou convidado a freqüentar casas cujas paredes estão tomadas por Picassos, Dalis, Caravaggios, Rembrants, Monets, Mirós entre outros tantos que deixaram seus nomes nas tintas das telas que pintaram. Também não sou contra quem gosta e compra, por exemplo, uma réplica da Monalisa de Da Vinci no Louvre, em Paris, e trás pra casa como lembrança.

Isso é pessoal. Eu jamais faria isso. Claro que essa configuração pode mudar se eu me deparar com a oportunidade de possuir uma obra de um pintor de renome. Não sei como reagiria numa situação dessa. Não sei se guardaria esse quadro a sete chaves, no cofre de um banco ou se deixaria pendurado na parede de casa. Partindo desse princípio, já que lugar de quadro é no museu, o mesmo eu acho de livros na biblioteca. Já fui muito rato de livraria. Aliás, são lojas que ainda me atraem. Ainda entro em livrarias e vejo as novidades folheando um ou outro, mas pra comprar um exemplar tem que envolver mais que a vontade de ler.

Já disse aqui em algum lugar do passado, que na mudança me desfiz de muitos deles só mantendo as coleções e alguns desses mais especiais. Atualmente, pego o livro emprestado, leio e devolvo, seja pro dono ou pra biblioteca a qual ele pertence. É muito melhor, muito mais prático e não tem que ficar guardando, acumulando os exemplares, dando combustível alimentar a traças e fungos. No meu caso foi-se o tempo. E de tempos em tempos temo que dar uma renovada nessas bibliotecas, desfazer e desapegar daqueles que não te fazem ter vontade de revisitá-los e doá-los, emprestá-los sem cobrança de prazo de devolução.

Aos poucos até com meus discos também estou agindo dessa forma. Se bem que eu não conheço nenhuma discoteca onde podemos pegar um, escutar e devolver. E música é diferente. Se revisita com muito mais freqüência que um livro. Discos físicos também estão ficando cada vez mais raros na minha discoteca particular. Já a digital aumenta a passos de tartaruga, mas é mais fácil atualmente eu ter uma música em meus arquivos digitais do que físicos. Tenho seguido a mesma cartilhas dos livros. Só compro os que fazem parte de uma coleção ou discografia de um artista que gosto.

           Não sei o que isso significa, se maturidade, mania ou vontade de acumular menos coisas cujo acesso pode se dar por outros meios que não a aquisição. Pode ser que de um tempo pra cá meu foco, meus interesses tenham mudado e por isso não vejo tanta vontade em ter um quadro, um livro ou um disco. Talvez não se pinte, escreva ou componha como antigamente.

domingo, 10 de agosto de 2014

INTERA‘TV’DADE

INTERA‘TV’DADE

Uma vez eu vi o todo poderoso da TV brasileira, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, afirmando que o futuro da televisão obrigatoriamente vai passar pela internet e que tem que haver uma maior interatividade entre os conteúdos. Bem, ele não é mais o todo poderoso, mas por ter ocupado esse posto durante um bom tempo e ter sido a pessoa fundamental para estruturar a TV como conhecemos hoje, a opinião dele tem fundamento. Eu concordo inteiramente com ele e me utilizo de dois recursos pra fazer a minha programação televisiva pessoal.

O primeiro é a gravação. Antigamente fazíamos isso com fitas de videocassete. Hoje podemos fazer isso com as condições oferecidas pelas próprias operadoras de TV a cabo e gravar um programa isolado ou em sequência para assistir depois. Novelas antigas que volto a acompanhar, programas esporádicos que me interessam e uma vez ou outra um filme. Após assistí-los, apago pra dar espaço para outras gravações e outros interessados em fazer o mesmo. Principalmente o meu sobrinho que também utiliza desse recurso pra gravar e manter sua novelinha e seus desenhos. Ele só não lembra de apagá-los depois.

O segundo é justamente o recurso da internet. Poucos, mas alguns programas depois de exibidos colocam trechos ou versão na íntegra na rede para serem acessados e vistos. O meu acesso basicamente se dá com o programa da Marília Gabriela que caso eu não veja no momento de sua exibição, no dia seguinte está lá pra ser visto no site do programa. A vantagem é que se por acaso eu estiver viajando, posso ver o programa em qualquer parte do Brasil ou do mundo e a hora que eu quiser. Acho que esse é o ideal de todos os programas e novelas. Com o programa dela ainda tem a vantagem de ser compartilhado, ou seja, se você achou interessante uma resposta ou depoimento, seus amigos do facebook podem ver também através do seu perfil. A desvantagem é que sempre vai ter alguém que vai converter os capítulos, episódios, programas para um canal do you tube para que todos tenham um livre acesso sem ter que assinar algum provedor ou fazer um cadastro que te dê acesso ao conteúdo.

Gostaria de pedir ajuda pra encontrar esse mesmo esquema de acesso para as séries de TV. Me indicaram um site que tem filmes e séries a vontade para assistir pela internet. Esse site, para que se assista alguma coisa tem que baixar alguns arquivos e programas próprios para a exibição da sua escolha. Eu fiquei com uma vontade enorme de assistir a uma série britânica chamada ‘Downton Abbey’ e me rendi a esses procedimentos técnicos para satisfazer a minha vontade. Na TV inglesa já foram exibidas quatro temporadas. Aqui no Brasil, pelo que eu soube, a última ainda não foi exibida. No entanto fui ludibriado por esse site. Primeiro por dizer que eles tinham as quatro temporadas exibidas quando na verdade tinham apenas duas; e segundo pelo fato de botarem mais episódios do que os existentes. Por exemplo, na segunda temporada a listagem indicava que haviam nove episódios quando na verdade eram só seis. Tive que procurar um outro recurso para terminar de acompanhar essa série.


É assim que gosto de ver esses seriados. De uma vez só. Ao contrário de novelas e/ou minisséries, que mesmo menores costumam ser mais longas que as temporadas de seriados estrangeiros, não consigo assistir aos seriados de outra forma. Se ao menos tivessem a mesma ideia do SBT e da Globo em deixar disponível e com acessibilidade livre para assistir no tempo que eu quisesse seria muito mais fácil. Acho que talvez fosse isso que o Boni quis falar quando disse sobre a interatividade de conteúdo. Um jogando com o outro, uma via de mão dupla pra satisfazer os espectadores mesmo que estes estejam trocando as telas da TV pelas telas do computador, tablets ou smartfones.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

ALGUMAS LENDAS URBANAS

ALGUMAS LENDAS URBANAS

Cabeça de bacalhau e enterro de anão todo mundo sabe que existe apesar de poucas pessoas presenciarem. Eu já vi através de fotos e ilustrações, creio até que em alguma peixaria pelo mundo, mas ao vivo, nadando na minha frente em algum tanque de aquário ou mar aberto, nunca. Lendas urbanas. Esse assunto é interessante. Uma coisa que tem muito aqui em casa é caneta. Claro eu nunca perto do telefone pra anotar recado. Se bem que hoje em dia ninguém deixa recado. Já ligam direto pro celular. Mas voltando às canetas, esse objeto bastante utilizado por mim pra escrever os rascunhos dos textos principalmente, elas quando somem são pra valer. Não há quem te faça achar uma caneta quando se perde. Pra onde elas vão? Não se sabe. Por isso aqui em casa elas brotam aos montes.

Só aqui na minha gaveta devo ter umas trinta apesar de ter sempre aquela que há um apego maior e é a primeira que se procura. Se sumir tem as outras pra substituir caso essa de tinta preta que está nesse momento na minha mão não esteja no lugar quando eu pegar o papel numa próxima vez. Tenho feito assim ultimamente e não sei até quando. Escrevo um esboço, um pré-texto e depois o passo a limpo digitando no computador. Sigo a risca tudo que escrevo, no entanto às vezes escrevo mais a mão e ao reescrever o papel virtual termina de modo que tenho que me editar e cortar algumas frases e/ou palavras para que caiba na formatação também determinada por mim.

Confesso que isso é uma controvérsia. Sou daqueles que apóia o fim do papel, ou melhor, a utilização dele apenas se necessário. Penso até em trocar o livro físico pelo virtual, mas resisto a isso. Ao menos encontrei outra solução temporária que não essa em se tratando de livros. Fico em posse de poucos e pego emprestado pra ler. Sou a favor de não imprimir papéis e se os utilizo para esboçar meus textos é justamente por essa razão, para dar uma finalidade na enorme quantidade de papéis de rascunho que, assim como as canetas, também mostram aos montes. Mas eu entendo o motivo.

Se a gente escreve em algum lugar é pra não esquecer. Antigamente tinha aquele caderninho pra anotar nomes e endereços e que hoje isso tudo é anotado na agenda eletrônica do celular. Mas pessoas de gerações antigas que não se adaptam as novas tecnologias ou custam a se adaptar e quando conseguem já estão obsoletos precisam do papel e caneta, precisam ser burocratas e só vale o que está escrito no fisicamente e não virtualmente. Eu dispenso papel até pra fazer check-in em avião. Eu anoto no próprio celular pra mostrar no balcão o número do tíquete ou o localizador. Depois que passo esse texto a limpo, rasgo o papel e jogo fora.

Voltando às lendas urbanas, outro objeto, esse em número bem mais modesto que as canetas, são os guarda-chuvas. Todos perdem. Guarda-chuva foi feito pra esquecer. É muito comum se perder o guarda-chuva, mas ninguém comenta que achou um. E quando acha nunca é em bom estado. É sempre um descassetado, com varetas e arestas quebradas, sem o nylon que o cobre. Difícil, quase impossível de achar um em bom estado e próprio pra uso. E já que ao perdermos um guarda-chuva ele se encontra em estado utilizável, repito a pergunta que fiz pras canetas. Pra onde eles vão? Mais um mistério da humanidade que até hoje ninguém desvendou.

          Falando em lendas urbanas, tem uma que rola no imaginário dos amantes do rock. A saber: o Serguei teve relações sexuais com a artista americana Janis Joplin? Isso só ele que responde. Além dela rola também a mesma pergunta em relação a uma tal árvore , que ele já especificou ser um cajueiro. Eu não vou me meter na vida sexual dos outros, apesar de já saber das respostas. Mesmo se não aconteceu nem com ela, nem com a árvore, o assunto quando citado em alguma entrevista ou mesmo nos bate papos com seus fãs já é tratado como lenda urbana também.