sábado, 27 de dezembro de 2014

DESEJO DE ANO NOVO

DESEJO DE ANO NOVO

Vou aproveitar essa tarde do último sábado do ano pra escrever essa postagem derradeira de 2014. Ao contrário de todas as outras, essa e a anterior não tem rascunho. Tô criando diretamente no arquivo do blog no meu pen drive.

Geralmente eu costumo postar no domingo ou na segunda, mas como eu pretendo ir manhã pra Saquarema e voltar na terça pra passar a virada do ano aqui e como eu não tenho nada pra fazer agora, a primeira ideia era de fazer isso mais tarde, a noite. Mas eu vou assistir ao musical do Chacrinha e depois vou correndo tentar pegar a sobra da comemoração do aniversário da tia Roseléa que fez ontem mas vai comemorar hoje. O musical sobre o Chacrinha foi o meu pedido de amigo oculto esse ano. Enquanto as pessoas pediram livros e peças de vestuário eu pedi um ingresso pra teatro. Cada um consome o que lhe convém. Eu gosto de consumir cultura. Custei muito a decidir e só botei na lista uma semana antes do Natal. Tio Roberto, que me tirou, comprou pra hoje sem saber que tia Roseléa iria comemorar o aniversário dela hoje também.

Mas como última postagem do ano que eu chamo de ao vivo pelo fato de escrever e imediatamente depois da edição e formatação já ir pro ar, eu costumo fazer um balanço do meu ano. No meu microcosmo foi bom, no macrocosmo já não foi tão redondo assim. Eu não posso reclamar do que aconteceu comigo, do que eu passei. Trabalhei fazendo o que eu gostava e o melhor, ganhando pra isso. Não era um excelente salário, mas deu pra juntar uns cascalhos e ajudar na viagem de outubro. Tanto que já começo a pensar no que eu vou fazer no próximo ano em termos de viagem. Não tá nada fechado ainda, tá muito cedo, mas começo a fazer um esboço, a ver as datas e a juntar dinheiro pra essa próxima. Agora, em termos de conjuntura global 2014 é um ano pra ser esquecido. Muita perda de gente boa principalmente no ramo da cultura. Não vou ficar aqui fazendo obituário de um ou de outro.

Não foi um ano fácil. Não só na área da cultura, mas na política e economia também. Mais escândalos políticos vindo a tona, a economia afundando cada vez mais, enfim, coisas que indiretamente nos atingem. Temos que colocar a armadura pra passar 2015 ilesos. Armadura boa, se não não adianta. E mesmo assim ela vai amassar um pouco. No macrocosmos, 2015 não vai ser muito diferente desse ano. Talvez um pouco melhor, o que dada a atual circunstancia já é uma boa notícia.

Meus prognósticos pessoais pro ano que vem são bons em termos de trabalho. Pelo menos eu recebi uma notícia boa alguns dias atrás que se concretizar é como a realização de um dos meus sonhos. Não vou adiantar nada por aqui por que ainda não tem nada concreto, assinado, lavrado, mas o acordo verbal já foi feito. Por outro lado devo continuar a fazer o que venho feito com mais afinco desde o ano passado (2013) que por enquanto é o que eu estou gostando de fazer, o que me dá prazer em fazer e o que eu quero fazer. Claro que tem seu grau de sacrifício, mas qual não tem?
             
            Espero que em 2015 eu seja mais feliz. Que o meu trabalho seja mais reconhecido e valorizado – percebo que o caminho é esse e vou mantê-lo devagar e sempre – e que entre dinheiro não só pra viagem do fim de ano, que é a prioridade, mas pra começar a fazer outros tipos de investimentos como um carro ou porque não um apartamento. Sonhar ainda não custa nada. Assim como quero pros meus, desejo que seus sonhos se realizem também em 2015, que haja foco, trabalho e vibrações positivas pra que tudo dê certo. Nos reencontramos ano que vem. Garanto pelo menos mais um ano de críticas, elogios, comentários, sátiras e casos. Agora, 3:30 da tarde desse sábado 27 de dezembro de 2014, hora de pensar em almoçar pra logo mais começar a me arrumar e curtir meu presente de Natal. Feliz 2015, que seja um ano impar.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

PEDIDO DE NATAL

PEDIDO DE NATAL

Nessa madrugada do dia 21 pra 22 e dezembro, quase 02:30 da manhã eu sei que tá muito em cima, mas vou arriscar a escrever minha cartinha pro Papai Noel. Não sei se ele vai ter tempo de me atender. Os trabalhos lá na Lapônia devem estar a todo vapor já que chegamos na reta final e tudo deve estar pronto daqui a dois dias.
Acho legal essa ocupação do bom velhinho de se preocupar com as cartinhas, os pedidos que fazem a ele porque não se deve ter muita coisa a fazer na Lapônia, uma terra fria na maior parte do ano. Também acho que que pela idade ele deve dormir assim que volta pra casa da entrega dos presentes e só acorda pra ver a virada do ano. Depois tira férias até o carnaval – Será que tem carnaval lá na Lapônia? – e retoma sua produção pra atender a demanda que se intensifica mais pro final do ano, ou seja, já deve deixar alguns presentes pré fabricados durante o ano. Mas vamos deixar de especulações sobre a vida de Noel e vamos a cartinha.
Pela proximidade do dia vai ser por e-mail mesmo. Até o correio chegar lá com minha cartinha, pelo caos que fica durante essa época do ano creio que em todo mundo, já vai ser ano que vem. Espero que paralelamente às cartinhas ele esteja na era da conectividade, leia e-mails e tenha tempo de ler mais um.
Não sei se começo com querido ou prezado Papai Noel. Já não tenho mais tanta intimidade com ele quanto o meu sobrinho tem. Ele já não frequenta meu ciclo de amigos e se ele tivesse um perfil real no facebook poderia até estar figurando entre os meus amigos, mas acho que não teria nenhum histórico de conversa com ele. Então é melhor começar com prezado . Querido é pra quem é mais íntimo.
“Prezado Papai Noel, fui um bom menino esse ano.”
É engraçado que nessa época do ano todos esquecem das pirraças, dos maus comportamentos e certamente há a garantia que em alguma parte do mundo tiveram outros mais deselegantes que nós em certas ocasiões.
“Não fiz xixi na cama, não fiz má criação, fui sempre a escola e aprendi sempre a lição.”
Isso é só copiar, pra quem conhece, da música do Carequinha. Só que no meu caso eu não tenho mais idade pra fazer xixi na cama, má criação de vez em quando, mas na minha idade muda de configuração um pouco e há muito tempo eu não piso numa sala de aula. Talvez isso poderia servir pra cartinha do meu sobrinho, mas acho que ele não sabe quem foi o Carequinha.  
Acho melhor pular essa parte dos êxitos pessoais e ir logo pro setor de pedidos. Olhando bem, materialmente eu não preciso de muita coisa. Tenho praticamente tudo. Acho que o que eu vou pedir já sai da alçada de Noel. Ele só fica na seara dos brinquedos e o meu tipo de brincadeira atualmente não tem nada a ver com os brinquedos fabricados por ele. Eu queria mesmo era continuar a fazer o que eu tenho estado fazendo e poder brincar de casinha. Casinha de verdade com fogão, máquina de lavar, geladeira e contas a pagar no fim do mês e o carrinho na garagem. Esse é o patamar mais alto dos meus desejos. Se eu for atendido esse ano com tudo isso nunca mais preciso recorrer a ninguém nem escrever mais cartinhas ou e-mails a Papai Noel.
Sinto que estou sendo um pouco egoísta nesse pedido. Então vamos num mais abrangente, e provavelmente num patamar mais baixo que o meu pedido pessoal.
“Gostaria de pedir que em 2015 me dê um país com menos corrupção na Petrobrás e em qualquer outra empresa. Que os políticos assistam mais a quem os colocou para representa-los e não fiquem pensando só em próprio benefício.”
             Acho que pra começar tá bom. Sei que é um pedido difícil, não sei se mais que o desejo pessoal. A todos vocês desejo nessa semana um Feliz Natal. 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

20 POR HORA

20 POR HORA

Quando se tem 20 anos, descobre-se que você pode mudar o mundo e tem a faca e o queijo na mão, além da jovialidade, vitalidade e da gana para que isso aconteça. Aos 20 anos nós somos jovens, invencíveis e, mesmo que numa ingenuidade ainda infantil nos achamos até imortais. Aos 30 anos, sem tanta gana, você compartilha de uns 70% dos seus pensamentos de 10 anos antes. Outros 30% foram repensados e não constam mais nas suas listas de reivindicações pra mudar o mundo. São aquelas coisinhas que vão levar gerações e gerações para que de fato sejam modificadas.

Percebe-se também que as coisas não evoluem na velocidade que você acha ou quer que sejam evoluídas. Geralmente, com esse início de maturidade, a passagem da adolescência pra vida adulta, o acúmulo de responsabilidades vemos que o mundo gira mais lento do que imaginávamos aos 20. Quando se chega aos 40 anos, aqueles 70% já caem pra uns 40 ou 30%, ou seja, inverte tudo. Não é de uma tacada só que se muda o mundo, aliás é a descoberta de que o mundo se modifica a passos de formiga e sem vontade. Lá no fundo você sabe até que o mundo se modifica, mas não conta mais com sua vitalidade em se embrenhar numa batalha por uma ideologia  de juventude perdida com o passar dos anos.

No entanto, quando se está com 40, já tem outra geração de 20 que acha que é invencível e vai mudar o mundo. Por mais que se advirta essa geração, não adianta. Eles são os donos do mundo, assim como foi a atual geração dos 40. Quando se chega aos 60 a impressão que tenho é de que, além de não ter mais a jovialidade, não se crê mais na mudança do mundo.

Fazendo uma má comparação, o mundo seria um disco de vinil comas faixas arranhadas. A primeira toca bem, direito; a segunda tem um pulo da agulha; a terceira já está com um arranhão; a quarta é uma música que você não agüenta mais ouvir. Aos 80 aquele disco da vida é a única opção que se tem pra ouvir mesmo com todas as faixas de sempre e sabendo dos problemas e/ou defeitos de todas elas. Talvez não seja a única opção, mas a outra é mais macabra, no caso a morte. E pra quem faz a opção de continuar a escutar esse disco, o melhor mesmo é aguardar da melhor forma possível que esse disco acabe e a agulha encoste no rótulo do meio. Espero que a geração de 20 saiba o que é o rótulo no meio do disco de vinil.

A minha geração, faixa dos 30 a 40, já sabe qual é a música, mesmo inconformado com quem rege a orquestra do país, mesmo sabendo que a batuta não está nas mãos da pessoa certa. Principalmente pra quem já teve a oportunidade de conhecer outros tipos de música e de orquestras mundo afora. Percebo que o ritmo, o andamento e a harmonia não estão condizentes com que a gente já escutou por aí. Mas ainda levo fé nessa geração de 20 que quer mudar o mundo.

Sei que não é exatamente essa que aí está, que vai conseguir esse feito. Mesmo que eu esteja com meus 80, terminando de escutar o disco da minha vida e a geração de 20 ainda não tiver mudado o mundo, até lá alguma coisa já deve ter mudado pra melhor, já deve ter evoluído, mesmo que pouco, graças a jovialidade , vitalidade e gana dessa geração. Mesmo que dure outros 80 anos, mesmo que várias gerações de 20 perpassem, o mundo só evolui no máximo a 20 km/h.


Acho que descobri o ciclo da vida, ou melhor, como ele se dá em determinado setor da vida. Como todo e qualquer ciclo, ele está sempre se renovando. Faz parte da evolução e raras são as exceções de quem não passa por cada uma dessas fazes. O avanço da idade é inversamente proporcional ao fato de querer mudar o mundo. Todavia, quando há uma unanimidade em lutar por direitos, por exemplo, não importa a idade que tenha. O coro aumenta, o tranco funciona e atitudes são tomadas.      

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

INÍCIO, FIM E MEIOS

INÍCIO, FIM E MEIOS

No final de 1865 havia um impasse nos Estados Unidos. O país estava numa guerra civil sangrenta, a chamada Guerra de Secessão, onde o sul era escravocrata e o norte com o regime livre. Quem estava sentado na cadeira mais importante do mundo era o 16º presidente americano Abraham Lincoln que havia dois meses tomara posse do segundo mandato do cargo. Numa tentativa de solucionar esse problema que já se arrastara desde o seu primeiro mandato, Lincoln propôs e enviou pro senado e pra câmara dos deputados seu projeto da 13ª emenda à carta magna daquele país.

Aprovada pelo senado, era a vez da câmara votar essa polêmica emenda. O texto dizia que a partir dali a escravidão estaria abolida definitivamente em território americano. Os estados do sul logicamente foram os que mais se opuseram a essa proposta, pois eles eram altamente dependentes da mão de obra escrava e não sabiam lidar com outro tipo de regime. Por meios não muito coesos Lincoln conseguiu fazer com que a emenda fosse aprovada. Os deputados que a princípio eram contra, representantes do sul, mudaram de ideia quando a eles eram oferecidas algumas vantagens, seja em dinheiro, seja em cargos ou em favores. Eles foram coagidos a mudar seus votos em troca de algo.

Cerca de 150 anos depois essa prática ainda é vigente, ou seja, a política não evoluiu muito nesse tempo. Aqui no Brasil então isso parece mais um câncer em metástase e sempre que se acha que não pode piorar, há a desgraça. A base aliada do governo pouco se lixa pro plano que esse traça pro país, só interessado no seu quinhão. Ninguém mais tem a consciência do que está fazendo quando se vê que pode tirar vantagem daquilo, principalmente pra enriquecer ainda mais. E quanto mais se aprova leis, mais brechas, mais lacunas são abertas pra que eles fiquem blindados.

Não estou defendendo o que Lincoln fez, mas dadas as circunstâncias, foi a única maneira dele defender a ideia encrustada na própria constituição americana de que a os estados Unidos era o país da liberdade. Foi pra defender a carta magna daquele país que ele se utilizou de meios escusos pra fazer valer o que estava escrito. Aquela velha história do escrever certo por linhas tortas. A guerra não acabou de imediato e pouco mais de dois meses depois de promulgada essa 13ª emenda, Lincoln foi assassinado.

Essa história está muito bem retratada no filme de Steven Spielberg com grande atuação de Daniel Day Lewis no papel do presidente. Tem uma frase quase no fim do filme que sintetiza tudo: “A maior medida do século XIX, aprovada com corrupção, apoiada e promovida pelo homem mais puro dos Estados Unidos”. Ao contrário dele, aqui ninguém põe a nação num grau de importância suprema. Nossos representantes não nos representam. Nada é feito diretamente direcionado ao povo brasileiro, não há interesse político em dar no mínimo o básico com qualidade.

Sempre digo que há uma lei que atravanca o progresso no nosso país. É a conhecida lei de Gérson que diz que o brasileiro quer levar vantagem em tudo. Que vantagem Lincoln levou ao corromper uma dezena de deputados? Estes sim tiveram uma vantagem. Entraram pra história e acho bem provável que a votação a favor da 13ª emenda sobressaiu ao gesto de serem corrompidos, ou seja, fizeram o bem pra nação. Se não fossem eles, seriam outros, mas a imposição da Casa Branca em acabar com a guerra e/ou a escravidão se daria de forma não muito diferente.


Anos levaram pra que um negro ou uma mulher pudessem votar, por exemplo. Cem anos depois os negros começaram a sua luta pra que esse ranço fosse apagado e a prova maior foi o Obama ter sentado na mesma cadeira que Lincoln. Eu não mudo o meu discurso de que um erro não justifica o outro, mas, depois de ter assistido ao filme, depende muito do fim pra que esse justifique os meios.