domingo, 25 de janeiro de 2015

CLASSIFICANDO

CLASSIFICANDO

A propaganda que passa na televisão de um desses sites de anúncios classificados diz que a cada um minuto quatro coisas vendem. Eu só preciso de três minutos pra poder vender os onze itens que anunciei lá há quase um ano. Não são onze livros. Digo que são onze lotes. Tem itens que são coleções e por isso só sai com o pacote completo, com os dois, quatro, cinco ou seis livros juntos.

Como a grande maioria das minhas coisas, os livros estão em bom estado e por isso acho que estou cobrando o preço justo. Um exemplo é a coleção com três volumes contando a história de Dom Quixote, encadernado em capa dura e numa edição que completa setenta anos. Praticamente uma raridade, mas ninguém olha por esse prisma. Pesquisam mesmo é pelo valor oferecido e mesmo assim está difícil de vender. Até o momento em que escrevo essa postagem já tive que renovar o anúncio duas vezes e somente uma pessoa demonstrou interesse pela coleção da saga Crepúsculo. Não passou disso. Na época também havia anunciado no concorrente, mas quando tive que renovar decidir manter somente em um site de classificados. No entanto há um outro mais antigo, mais tradicional que penso e expor minhas mercadorias também.

O único problema é esse, a mercadoria. Livros não são artigos de primeira necessidade. E o pior é que eu mesmo, que gosto de escrever e volta e meia me arrisco soltando umas publicações, estou começando a compartilhar dessa ideia, de não acumular muito e ficar só com o essencial. Não estou me desfazendo de todos. Depois que eu conseguir zerar o estoque já anunciado vou pensar em fazer o mesmo com os que ainda me restaram.

Penso também em anunciar os autorais, os que eu mesmo escrevi e que ainda ocupam espaço no armário dentro de caixas de sapato. Talvez esses eu comece pelo site mais antigo, mais tradicional. Outra ideia é diminuir o valor que eu estou pedindo nos lotes. Uma margem pra negociação, uma faixa de valor, de tanto a tanto e sempre começando de cima, do teto máximo. É outra tática boa pra venda. Tenho um amigo cuja família tem uma banca de jornal. É uma boa pedida pra ele anunciar lá também. E bem mais condizente com o tipo de mercadoria.

A primeira atitude que tomei após expor meus livros nesses sites foi relê-los todos. Todos os que estão nessa zona de degola. Acho que só os da saga Crepúsculo que não reli. Agora estou bem mais aliviado. Me sentiria um desnaturado se tivesse feito isso, se eles saíssem daqui sem que eu desse uma última olhada neles. Ainda não sei como proceder e como será se eu decidir fazer os mesmos com os discos, mas esse é um outro dilema que, a princípio, eu não vou modificar. Geralmente enquanto leio, rola uma musica de fundo, seja rádio ou disco. Já me habituei com isso e acho estranho ler sem nenhuma melodia envolvendo o ambiente. Até as revistas semanais quando leio, a música está lá, junta.


Não vou me desfazer do hábito da leitura pelo fato de estar querendo vender meus livros. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. O que não quero é acumular livros porque os livros foram feitos pra circular e não ficarem presos numa caixa de papelão, esquecidos no fundo do armário. Por outro lado há um valor incutido neles, tanto financeiro quanto sentimental, às vezes, que nos faz pensar duas vezes, no mínimo, antes de tomar atitudes como a que eu estou tomando. É difícil, eu sei, e como diz a propaganda, dá pra fazer um bom negócio, dá pra desapegar. Acho que isso é evolução. Não falo só das coisas materiais. Sentimentos também se incluem nos bons negócios, nos desapegos da vida. Se você se esforçar a fazer isso, você consegue e assim a vida se torna um grande mercado livre de entraves que podem interromper ou atrapalhar certos aspectos, certos ramos, certos fluxos da vida.                                  

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

FERNANDA CASOU

FERNANDA CASOU

Tá ficando difícil, mas a gente tá resistindo. Eu e mais duas amigas de infância somos a zaga do time dos solteiros do prédio onde fomos criados. No início de agosto passado mais uma da nossa turminha, a Fernanda, oficialmente trocou de time e foi jogar no campo dos casados. Foi mais uma oportunidade da gente se reunir e botar nossa conversa em dia.

Fernanda não era bem da “nossa” turma, mas adotamos como a caçula, a mascote do nosso grupo. Ela era de uma geração posterior a nossa que também tinha o seu grupinho de brincar e bater papo, mas desse grupinho ela era a que mais interagia com o nosso também. Essa dualidade, essa versatilidade, fez com que nos tornássemos amigos a ponto dela nos convidar pro dia mais feliz da vida dela. (Mesmo que daqui a alguns anos o casamento, e aí eu estou generalizando, acabe, acho que a noiva viveu naquele dia o dia mas feliz da vida dela. Pode ser que o segundo dia mais feliz da vida dela seja o dia do divórcio.) E, no caso da Fernanda, além dela, também nos demos muito bem com o irmão e com a mãe dela. Eles eram uma unidade no nosso convívio. Uma coisa meio santíssima trindade.

Não foi a toa que em pleno início da adolescência da Fernanda, e com as faculdades mentais sem nenhuma deficiência, a mãe da Fernanda deixou que ela fosse conosco pro Canecão assistir ao show da Marisa Monte, quando ela lançou o disco “Barulhinho Bom”. Que mãe deixaria uma filha de doze anos ir com um bando de adolescentes pro Canecão ou similar? Hoje em dia nenhuma. Mas a mãe da Fernanda confiou na gente e acho que depois daquele dia ela passou a nos dar credibilidade e de se tornar nossa amiga também. Tanto que chegávamos a ficar horas e horas fazendo companhia pra ela independente de Fernanda estar em casa.

No casamento ainda tivemos oportunidade de rever também algumas pessoas da geração, da turma dela que ficaram em outra mesa não muito afastada da nossa. Só a Marianinha que foi madrinha e a mãe que sentou com a gente. O agora marido, que tem o nome do irmão dela, foi outro amigo de infância da Fernanda. Isso foi o que me disseram. Não apurei os fatos e nem to interessado na vida pregressa do menino. Não morou no nosso prédio, então deve ter sido da escola ou do cursinho de inglês. Da faculdade acho que não. Não se faz faculdade na infância.

Enfim, os pombinhos se reencontraram, se redescobriram, se reinventaram unindo-se matrimonialmente. Agora acabou. Do meu lugar de infância vai ser muito difícil alguém casar e se casar nos convidar. Até pelo fato de ninguém mais estar morando lá, cada um ter tomado um rumo na vida e da minha geração praticamente todos, com exceção de nós três, estarem casados e com filhos. Do prédio não há mais ninguém. Esse ciclo está fechado.

Aliás, casamento está ficando raro de se ver. Antes do da Fernanda que eu me lembre só fui no do meu primo Guilherme, no carnaval do ano passado, cinco meses antes. Depois até tive convite pra mais um, mas por questões de força maior não fui. Essa desculpa de força maior é a melhor porque você não precisa descriminar, especificar o motivo. Esse ano, por enquanto, ainda não anunciaram nenhum. E se surgir algum convite, principalmente se não for da família, eu vou estranhar um pouco.


Antes de terminar deixa só eu falar um pouco sobre a cerimônia. Foi do lado de fora de uma igrejinha antiga que fica no alto de uma colina entre os bairros de São Francisco e Charitas. O altar ficava aos pés de uma árvore, a noite estava linda e tinha uma pequena orquestra tocando as melodias. O local da festa eu já conhecia. O serviço foi bom e o DJ da festa é um amigo da minha prima que não me reconheceu. Esse foi o último casamento que fui. Quem será o próximo a subir no altar?

domingo, 11 de janeiro de 2015

PRA FRENTE, PRA TRÁS

PRA FRENTE, PRA TRÁS

Quando a gente pensa que há uma evolução, tem sempre alguma coisa que lembra que não somos ou não chegamos ao ponto que deveríamos. É aquela história de dois passos pra frente e um pra trás. E assim esse país caminha.

Quando foi implementado o bilhete único em fevereiro de 2010 aqui no Rio eu fui um dos primeiros adeptos. Havia chegado de Londres pouco meses antes e lá esse sistema de um cartão ao invés do dinheiro vivo pra se pagar a passagem do transporte público já é praticamente cultural. Em São Paulo esse sistema também já existia. Não que só se pudesse pagar passagens com esse cartão, isso não anula aquele que paga com o dinheiro, mas há vantagens e facilidades para os portadores do cartão.

Assim como em Londres, estudantes aqui também tem seus benefícios. Lá havia um desconto sobre o valor total carregado no cartão para ser utilizado na semana. Sim, essa ideia ainda não pegou aqui e pelo visto vai demorar muito pra que ela vingue. Paga-se pela semana usando ou não. O valor é fixo e se há a escolha de andar só de ônibus excluindo outros tipos de transporte esse valor cai pela metade. Tem-se a liberdade de se andar indefinidamente dentro daquele prazo pela cidade inteira sem a preocupação do débito do valor. Ainda falta muito para que haja uma evolução tanto nesse sentido quanto na qualidade do serviço prestado pelas concessionárias.

As maquinas de auto atendimento foram uma mão na roda fazendo com que se pudesse efetuar a compra dos créditos de passagem através de um cartão bancário e sem a necessidade de enfrentar a fila dos guichês da bilheteria. Claro que não é como lá fora onde essas mesmas máquinas que aceitam cartão ou dinheiro, aceitam moedas e dão o troco. Aqui essas máquinas só aceitam notas de 10,20,50 e 100. Outro valor só se somar esses. Eu quando ia carregar o meu cartão com valor quebrado e se não fosse com o cartão do banco, corria com minhas moedinhas pra bilheteria a fim de transformar as moedas em mais créditos de passagem. Qual não foi minha surpresa em meados do ano passado quando esse tipo de transação não era mais feita? Só pode carregar o cartão com o valor de R$ 3.10 que é a passagem da barca pra quem usa o bilhete único ou de R$ 5.25 que é o valor da tarifa cheia de uma viagem com o bilhete único. Outros valores que não sejam redondos não podem mais ser revertidos para crédito de passagem.

Por exemplo, se eu quiser carregar o cartão com um valor de R$ 72.40 não posso. Isso pelo menos na bilheteria da barca. Não sei se essa regra se aplica  em outros pontos de recarga e nem quando ou se vai voltar ao normal. Outra inovação, ou melhor, outra defasagem. Os pontos de recarga são específicos, de modo que só podemos ficar restritos a eles. Deveria ser feito algum convênio com uma farmácia dou casa lotérica pra desafogar a fila que tem se formado diante das maquininhas de auto atendimento e de outros pontos específicos da recarga. Lá fora é assim. Qualquer quitanda, qualquer lojinha de bairro tem. As vezes uma do lado da outra. E como o valor é fixo, não tem essa de recarga mínima ou de valor exato.


Eu só gostaria de saber qual o motivo das barcas adotarem esse esquema. Não há nenhuma justificativa, argumento, desculpa ou história plausível que mantenha essa realidade. Podemos até estar indo pelo caminho certo, mas que essa via é sinuosa e cheia de obstáculos isso é fato. Eu nem sei o motivo de eles acharem que é melhor desse jeito que está. Chego até a acreditar no início que há uma boa vontade para as coisas andarem do jeito que deveriam andar, que em breve chegaríamos perto de uma estrutura viária com mobilidade suficiente e tecnologia avançada a ponto de nos aproximarmos do que ocorre em países mais desenvolvidos e que realmente facilita a vida dos seus cidadãos. Mas aqui é diferente. Quanto mais parece que vão facilitando, sempre surge um fator complicador. E se pode complicar, pra que simplificar?

domingo, 4 de janeiro de 2015

QUE ANO É HOJE?

QUE ANO É HOJE?

E chegou 2015. Nem parece. No meu caso nem é 2015. Esse texto está sendo escrito em algum dia de 2014 ainda, bem lá pro mês de agosto. E essa é a grande dificuldade de se fazer textos para serem publicados seis meses depois de escritos.

Quem acompanha esse blog deve ter notado por exemplo que eu em momento algum do ano passado toquei no assunto da Copa do Mundo. Como iria falar dela se não tenho bola de cristal? Hoje dá pra falar sobre, afinal ainda está fresco de quem redige de algum lugar do passado aquele placar da Alemanha que vai ficar pra sempre na história e na memória de quem assistiu aquela partida. Já o tenso jogo da final entre Alemanha e Argentina com um gol da Alemanha na prorrogação foi um banho de água fria nos calorosos hemanos torcedores. Eu sabia que a Alemanha tinha o melhor preparo e vencer dela seria praticamente um milagre, mas no meu interior queria que a Argentina ganhasse  para esculachar mais ainda o futebol brasileiro e tudo o que envolveu a realização da Copa do Mundo no Brasil. Um campeonato mundial cujo anfitrião começa fazendo um gol contra foi no mínimo peculiar.

Outro assunto que teve destaque ano passado foi a eleição. Gostaria de dar os parabéns a quem tomou posse essa semana e está na cadeira do Palácio do Planalto com a caneta mais poderosa do país na mão. Eu também não faço ideia de quem seja, pois de onde estou esse quadro ainda não está definido. Pra falar a verdade as campanhas começaram oficialmente a alguns dias e o horário eleitoral gratuito só vai ao ar na próxima semana. Eu não votei esse ano, pois estava viajando. Fiquei fora de primeiro de outubro a quinze de novembro. Viagem essa que terá reflexos em alguns textos futuros. Aliás, foi por causa dessa viagem que antecipei o meu 2015 blogístico.

Geralmente o ano pra mim é compreendido entre a primeira segunda-feira depois do feriado do dia sete de setembro e o carnaval. Minha produção textual se dá na primavera/verão. Por ter feito essa viagem, além de antecipar o início das atividades, acelerei um pouco mais escrevendo um texto a mais por semana do que geralmente escrevo, ou seja, em números, de dois pra três por semana até a data do embarque. Quando eu voltei, normalizei o ritmo até agora. Essa experiência de acelerar o ritmo da produção textual eu fiz em janeiro do ano passado pra fechar o meu 2014 até o carnaval. Gostei tanto desse experimento que vou repeti-lo e manter pros outros anos também. Só que dessa vez, além do atual janeiro e fevereiro esse ritmo alucinante se deu em agosto e setembro quando comecei o meu ano de 2015 por aqui.

Não sei de onde tirar tanto assunto. É certo que alguns deles vão ficar defasados, mas o que eu posso fazer? Talvez uma lista, pelo menos nessa primeira etapa de algo que eu queira falar ou que me deixa com vontade de meter o malho e que não muda nunca, ou então custa a mudar. Assuntos que nunca saem da pauta ou que sempre vão entrar na ordem do dia. E por aí a gente vai levando.


2015 vai será aquele ano de entressafra. Depois da Copa, antes dos Jogos Olímpicos. Esse é um assunto que não vai sair de pauta até agosto do ano que vem, quando será acesa a pira olímpica. Eu em agosto de 2014 falando sobre agosto de 2016. Dois anos de antecedência é muito pra quem só tem esse espaço e pouco pra que as obras ainda não iniciadas estejam prontas a tempo. Essa experiência a gente teve ano passado com a Copa. Aos trancos e barrancos, com estruturas provisórias, os estádios, agora arenas, funcionaram. Será que com as Olimpíadas vai acontecer o mesmo? Eu não duvido de nada, mas isso também é assunto pra próxima temporada. Ou não. O que é fato é que começamos um ano novo e vamos aguardar o que ele tem a nos oferecer de coisas boas ou ruins, de conquistas e perdas. Não sei quanto a você que está lendo essa postagem, mas eu acho que 2015 promete. Só resta saber se ele vai cumprir.