domingo, 24 de maio de 2015

MÁ EDUCAÇÃO

MÁ EDUCAÇÃO

Entra eleição, sai eleição e não há um candidato a prefeito, governador ou presidente que não toque no assunto educação. A tão decrepita, degenerada, sucateada, famigerada educação. Meus pais ainda pegaram uma época em que a escola pública tinha qualidade, onde havia interesse tanto por parte dos alunos em aprender alguma coisa quanto dos professores em transmitir o conhecimento detidos por eles.

O que falta pra essa escola voltar a ter essa qualidade? Interesse público de investimentos. Pro político profissional, aquele que ingressa na carreira pública pensando em quanto o seu ordenado vai aumentar e faz um ou outro projeto de lei só pra dizer que fez alguma coisa, a educação não tem relevância nenhuma. Pra que instruir um povo, fazê-lo pensar se isso é o maior entrave pra eleição desse político, já que ao ser politicamente pensante fica mais difícil a manipulação dessas classes menos instruídas.

É dever básico do estado e direito pétreo para o cidadão uma educação de qualidade e é justamente aí que se encontra o problema. Que qualidade tem a educação se os professores são mal remunerados, desestimulados a querer passar seus conhecimentos, se as escolas são mal aparelhadas, mal estruturadas, sem uma infra estrutura boa para atender aos estudantes e alunos que também vão a escola só pra cumprir tabela porque está incutido na cabeça dele que ele vai ser alguém na vida, se frequentar a sala de aula?

Como assim ser alguém na vida? Quando isso acontece, de um aluno ter frequentado uma escola pública e ser reconhecido por algum mérito, isso vira notícia, ou seja, é a exceção a regra. O que foge completamente ao que se propõe a educação que é colocar todos no mesmo patamar, no mesmo nível de igualdade para depois cada um traçar o seu caminho. Há alguns anos foi implantado em várias universidades o sistema de cotas. A parcela da população que se declara de baixa renda e negra tem um número de vagas disponíveis para que disputem entre si. Acho que isso é completamente preconceituoso, racista e segregacional. Até fico de acordo em que isso seja um paliativo, uma atitude provisória, com um tempo certo de duração até que a educação básica retomasse a qualidade de cinqüenta anos atrás.

Escola não é depósito de gente e sim um criadouro de cidadãos de bem, um distribuidor de conhecimentos. O sistema de cotas não pode ser regra que define quem entra ou não na universidade. O dia em que fui assistir a gravação do Programa do Jô, o outro convidado era um professor especialista em Machado de Assis que disse uma frase que eu concordo plenamente. A universidade não foi feita para todos. Não lembro se essa foi exatamente a frase, mas com certeza esse foi o sentido. Essa entrevista está disponível no site do programa ou no you tube e o nome do professor é Nailor.

Com a educação do jeito que está, as faculdades estão sendo invadidas por pessoas incapazes, que não tem base sólida de conhecimento por que a escola não tem condições de dar e por causa desse comodismo ele também não se esforça pra ter. Claro que estou falando isso de um modo geral, é o quadro que estou vendo atualmente no ensino público brasileiro. Não há milagres e sim empenho.


Dizem que no Japão o único profissional ao qual o imperador se curva é o professor. Aqui é justamente ao contrário. Os professores são menos valorizados. Volto a dizer que isso tudo no fundo tem um cunho político. É melhor manobrar uma massa de pessoas que são bitoladas do que os que pensam e por isso enxergam mais adiante. E olha que eu apenas discuti aqui a educação escolar e nem entrei no mérito da educação, ou má educação, básica do dia a dia. É cada vez mais difícil uma pessoa ceder um lugar no ônibus para um idoso, se ouvir um por favor. Pra isso não é necessário escola.

domingo, 17 de maio de 2015

DISCOS

DISCOS

Comprei muitos discos na minha infância e adolescência. Era rato do setor de discos das Lojas Americanas. Geralmente quando ia encontrar com minha mãe às sextas feiras no trabalho dela sempre me perdia na loja e volta e meia eu voltava com um bolachão debaixo do braço.

Na década de noventa, de modo avassalador, o vinil saiu do mercado e deu vez ao CD. Como tudo nesse país era muito caro antes de se popularizar. Tanto que na época eu ganhava de presente de amigo oculto todo natal o disco das escolas de samba e só vim a mudar de vinil pra CD, em 95, ou seja, três anos depois do primeiro aparelho de CD ter entrado aqui em casa. Eu continuei a comprar meus discos, não na mesma quantidade em que comprava os vinis mas pelo menos mudei uma particularidade.

Até então, a grande maioria dos discos que eu comprava eram trilhas de novelas que geralmente, e até hoje, são compilações de músicas boas e que retratam o cenário musical da época em que a novela passa, seja ela de época, regional ou contemporânea. Ao passar a consumir o CD, deixei de comprar produtos relacionados a novela. Talvez uns dois ou três apenas.

Com o passar do tempo as vitrolas saíram de moda e eram coisas raras de se ver em qualquer casa. Eu, particularmente, fui reduzindo gradativamente o consumo de CD’s e atualmente, com o advento dos MP3 players, comprar CD só se for de um artista específico e de quem eu goste muito. São poucos, mas ainda assim eu compro e faço questão disso. Pelo menos os desses artistas. De alguns anos pra cá, aqui no Brasil, está sendo retomada a prática, o hábito de alguns artistas por enquanto a prensarem suas obras musicais em vinil. Essa moda, pelo que eu sei e pelo que eu rodei no mundo, só foi retomada aqui no Brasil.

Lá fora o vinil nunca saiu de moda. As lojas nunca deixaram de vender discos de vinil por menos espaço que eles tenham nas prateleiras das grandes lojas. Em compensação existem pequenas lojas, daquelas de portinha na beira da rua, especializadas em vender discos de vinil. Nessas são os CD’s que tem menos espaço. Consequentemente, quando se visita uma loja de eletrônicos, vê-se que há espaço para diversos tipos de pick-up’s, ou como eu e os mais antigos dizemos, vitrolas. Não só as portáteis, aquelas que você pode acoplar no seu aparelho de som como as que já vem completas como antigamente.

Acerca de sete anos eu avistei uma numa loja de Nova York e comprei pro meu pai. A concepção dela é o que hoje se chama de vintage, ou seja, parece um rádio da década de 40 com vitrola, rádio AM/FM, CD, toca fitas e entrada pra MP3 . Não é entrada tipo USB, apenas um buraco onde se pluga o cabo que faz a ligação com o aparelho de MP3, Ipod ou até mesmo celular que reproduzir músicas armazenadas. Ano retrasado na estação de trem da Bélgica, vi outras no mesmo estilo, mas já num formato anos 70.

Eu não tenho mais discos de vinil. Não me lembro que fim eles levaram. Sei que boa parte das músicas eu cheguei a baixar em MP3 e as tenho armazenadas digitalmente. Já os discos de vinil que estão aqui em casa são todos do meu pai que continua comprando e escutando quando a vitrola não dá problema. Talvez seja a hora de trocar o aparelho por um mais moderno. Quem sabe esses retrôs da década de 70. São bonitinhos. Tive até impulso de comprar, mas me contive porque pra mim não é funcional e já estava voltando pra casa, praticamente numa conexão de voo.


Espero que os artistas continuem  investindo também nos vinis. Não sei quanto custa um vinil novo, de lançamento. Inverteu-se tudo vinte anos depois. Deve ser o mesmo preço do CD se não mais caro. Pelo menos o vinil não tem como piratear.

domingo, 10 de maio de 2015

VIVER NO PLANETA DOCE

VIVER NO PLANETA DOCE

Depois que eu comecei a ser acompanhado por uma nutricionista, meu martírio aumentou. A restrição a comer doces ficou maior. Não sou muito de comer doces, ou melhor, como bem, mas não sempre e tem épocas em que esse desejo aumenta.

Normalmente minha cota de açúcar vem diluída entre o chá matinal e o mate que eu tomo ao longo do dia. Por recomendação médica, depois que o sol se põe eu evito tomar mate por causa da cafeína já que isso pode interferir no sono. Ou seja, depois das seis da tarde só água normal ou saborizada com limão e gengibre. Claro que quando eu não estou em casa e vou pra alguma festa, encontro ou reunião, por não beber refrigerante acabo por cair no mate ou, quando tem, sucos de modo que esse não é recomendável os de caixa, com raras exceções. De qualquer maneira faz menos mal do que refrigerante.

Nunca mais tomei depois do mal que me fez quando arrisquei quatro meses depois de totalmente limpo. Atualmente não sinto a menor vontade de dar um gole em qualquer que seja a marca, o sabor, o rótulo do refrigerante. Minha alimentação tem sido regrada e constante quando estou em casa. De segunda a sexta tenho acordado com uma caneca de chá preto com um pingo de leite e pouco antes de dormir como duas bananas amassadas com aveia e mel. Isso eu considero uma comida doce. Tem mel.

A guerra contra a balança foi travada a algum tempo e tem batalhas que eu ganho, tem batalhas que ela ganha e já teve casos que houve um empate. Arroz e pão integrais, frutas, castanhas entraram na minha dieta diária. No entanto se tem uma coisa que eu não consigo deixar de comer é doce. Se tem festa com bolo e docinhos eu não me controlo e como pelo menos um de cada variedade. Só depois disso me dou como saciado. Sei que o excesso tanto de sal quanto de açúcar é nocivo pra saúde. Pode ser por hábito, mas eu prefiro comer uma comida bem temperada, não necessariamente salgada.

Eu mesmo preparo meu arroz e ponho a quantidade de sal que eu acho necessária. Até agora não errei na mão. Pelo menos pra mais. Já fiz sem sal também. O do meu arroz eu controlo. Os demais alimentos que costumam compor o meu prato são feitos pela minha mãe, pela Nadir ou pela Norminha. Depois da comida vem a sobremesa. Pra falar a verdade não sou adepto de comer algo doce logo depois das refeições. Acho que o doce é uma refeição a parte. Tem todo um ritual pra comê-lo e não necessariamente tem que estar atrelado ao almoço ou jantar ou alguma comida salgada que se tenha ingerido imediatamente antes.

Doce é doce. Não incluo nessa categoria, por exemplo, o sorvete, o bolo e o chocolate. Doce pra mim são tortas, pavês e aqueles de tacho, de compotas. Gosto muito de doce feito de frutas como banana ou manga. Adoro doce de padaria. São os mais traiçoeiros nutritivamente falando, mas basta comê-los sem culpa que engorda menos. Sou capaz de correr até uma padaria pra comer o meu predileto que é aquela tortinha com gelatina vermelha por cima. Nas vezes em que me hospedo em hotéis, no café da manhã eu não deixo passar os doces que lá ficam. Não é sempre que me hospedo em hotel e tem sido cada vez mais raro os doces nas mesas fartas de café da manhã.


É muito difícil resistir a um doce, mas confesso que já fui mais formiga do que sou hoje. Se durante a semana tento ser regrado, controlado no que diz respeito a comida, fim de semana eu não penso muito nas conseqüências que o meu corpo vai sofrer, mas pra isso faço as minhas caminhadas e tem épocas que também meto bronca nos exercícios físicos. Penso sim no que posso fazer pra compensar depois mesmo que não aja regularmente pra isso. Atualmente me mudei pro Planeta Saudável.

domingo, 3 de maio de 2015

VIAJANDO NAS VIAGENS VIAJADAS

VIAJANDO NAS VIAGENS VIAJADAS

Minha primeira viagem internacional foi feita pra comemorar meus quinze anos. Fomos eu, minha mãe e meu irmão pra Disney. Antes disso só havia saído do país pras cidades fronteiriças do Paraguai e da Argentina. Sempre gostei de viajar. Na minha infância, ir ali pra Saquarema já me empolgava. Hoje acho Saquarema bem mais perto de casa, apesar da distancia será mesma e a vejo como sinônimo de farra de família e amigos. Outra cidade que gosto de visitar de vez em quando é São Paulo. Me identifico muito com aquela cidade tão pulsante, tão cosmopolita. Não sei se pelo tamanho, mas acho São Paulo mais internacional que o Rio. São climas totalmente diferentes. É meio que uma comparação entre Nova York e Miami. Já visitei as duas. Miami duas vezes num intervalo de três anos e onde não piso há vinte anos; Nova York um mês depois do nascimento do meu sobrinho sete ano atrás.

Foi justamente nessa viagem que eu tive a idéia de passar uma temporada fora do Brasil. Pensei em voltar pra Nova York quando Londres passou a ser a primeira opção. Na mosca. Essa minha estada em Nova York, contando todas as viagens internacionais já era a sexta para os Estados Unidos. Nunca tinha ido para outro lugar e Londres seria o local perfeito para ser utilizado como um trampolim para outras localidades da Europa. A partir dessa decisão eu só pisei nos Estados Unidos uma vez mais pra visitar a minha prima no estado da Virginia e sempre que viajo a Europa é colocada em primeiro plano tendo como Londres uma parada obrigatória de no mínimo uma semana. É pouco, sei disso. Principalmente pra mim que morei lá e tenho grandes amigos que ainda estão por lá. Depois da longa temporada voltei três vezes pra lá e sempre que der lá estarei eu enquanto tiver amigos por lá.

Não me apetece mais os Estados Unidos principalmente depois que eles negaram o meu pedido de renovação de visto. Não me atrai mais a não ser por três pontos: minha prima que constituiu família por lá e que tenta vir ao menos uma vez por ano nos visitar; Nova York que não tive muito tempo pra explorar nos sete dias em que lá estive e recentemente, cerca de um ano pra cá, estou tendo vontade de revisitar a Disney já que a última vez que eu fui, alguns parques e muitas das atrações não existiam. Na de Orlando, 99 foi a última vez que fui. Antes foram em 97, 95 e 92 e na única vez em que fui na Disney da Califórnia, a primeira a ser construída em 1955, foi em 2002. Por causa desse enorme hiato está me dando vontade de retornar pra lá.

Não tenho a menor vontade ou necessidade de fazer o que algumas pessoas fazem que é ir pros EUA  para comprar, comprar e comprar. Não sou consumista nesse sentido. Minha meta é consumir sensações, experiências, conhecimentos. Esse tipo de consumo é imaterial e que na minha simples opinião agrega muito mais valores do que ser um detentor de um aparelho celular de última geração, por exemplo. Ao mesmo tempo em que tenho vontade de voltar a Disney, penso também em olhar pra mais perto e ao invés de ir pra Europa, começar a visitar a vizinhança. Não só aqui dentro do Brasil quanto os países da América do Sul. Nunca fui a Buenos Aires. Já ouvi falar muito bem de Montevidéo e ouço relatos incríveis sobre Machu Pichu. Não conheço pessoalmente a arquitetura de Brasília, as praias do nordeste ou a selva amazônica e sei que o Acre existe por que conheci várias pessoas nascidas lá.


Viajar além de me fazer bem, é vital. Se consta que o LSD expande todas as sensações e a viagem faz isso comigo, o simples fato de colocar o pé no avião tem o mesmo resultado como em quem precisa dessa química pra expandir a mente. Há uma atração na Disney que são todas as crianças do mundo cantando uma só canção. Por essa atração você percebe o quanto o mundo é grande e que precisamos conhecer cada vez mais.