segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A GARANTIA É ELE

A GARANTIA É ELE

Às vezes tem certos programas que me proponho a fazer e que quando estou fazendo bate aquela pergunta: “O que eu tô fazendo aqui?” São os chamados programas de índio. Um exemplo. No fim do ano passado os pais da turma do meu sobrinho se cotizaram pra fazer uma festinha de fim de ano só praquela turminha, fora da escola, uma coisa mais privada e simples. Como foram os pais, acabou sendo um churrasco onde cada um levava sua bebida, mas no rateio estavam inclusas a comida e os doces que fizeram tanto pras crianças, como brigadeiros e gelatinas, quanto pros adultos, pavês e mousses além das tortas.

Era uma festa de confraternização entre alunos, pais e professores do meu sobrinho. Que eu fui fazer lá? Até hoje me pergunto. Tenho que pensar bem antes de topar em ir pra alguns tipos de programas como esse. Pensei mais no meu sobrinho. Acho que ele gostaria de me ver por lá e de saber de alguma forma que eu estou participando da vida social dele. Por outro lado ele estava mais era querendo curtir os amiguinhos dele e as brincadeiras com eles e me deixando um pouco de lado. Não que esse desprezo me faça mal. Ele está na idade de curtir com os amiguinhos da escola, mas será que lá na frente essa minha pequena figuração nesse encontro vai valer alguma coisa, vai ter algum valor sentimental pra ele.

Criança se adapta mais fácil com as ausências. Mas não sei até que ponto essa ausência pode influenciar e até prejudica-lo lá pra frente, quando ele tomar conhecimento de que a vida é bem mais complexa do que a que ele vive com os amiguinhos da escola. Me lembro da vez em que cheguei de volta de Londres e ele tinha pouco mais de um ano. Ele me olhou meio ressabiado numa primeira vez, me dando aquela escaneada. Parecia que tava se perguntando: “Então esse é o meu famoso tio Rafa? Vou ver qual é a dele.” Pode não parecer mas foi um gesto que me marcou muito e mesmo que ele não se lembre de certa forma isso repercutiu dentro de mim. É isso que eu tento fazer com ele. Estar sempre que possível nas festa, celebrações, comemorações, ou seja, acompanhando os momentos que ele fica solto e alegre, que ele olhe pro canto e me veja mesmo que totalmente isolado, desconectado das outras pessoas. Mas eu estarei sempre ali e ele pode contar comigo quando quiser, é só ele pedir, se aproximar que meus braços estarão sempre abertos. É um sacrifício que eu faço por ele e não tenho a menor ideia se vai ter um fruto bom no futuro.

É estranho você ir pra um lugar que não conhece ninguém e tão raro de se encontrar com essas mesmas pessoas em algumas ocasiões e ficar lá por duas intermináveis horas pra poder ver um sorriso estampado no rosto do seu sobrinho . Essa recompensa é gostosa e vou tentar estar nos momentos mais agradáveis pra ele sem que haja uma expectativa correspondente. Isso é o mais estranho e prazeroso. Se eu analisar friamente, ir ou não ir a esse encontro não tinha a menor diferença. Eu não iria por mim apenas. Não sei quem mora no edifício cuja área estava sendo ocupada pelas crianças, não sei quem é o pai ou a mãe de quem, não falei com ninguém que eu não conhecia a não ser por educação, fiquei sentadinho quieto no meu canto acompanhando as peripécias e travessuras do meu sobrinho.


Pra mim foi um tédio e santo celular com Messenger e whats app que volta e meia eu checava. De resto ficava só assistindo meu sobrinho. Não sei se isso vai encurtar meu caminho pro céu, se estou pontuando no cartão do juízo final ou se foi só uma perda de tempo mesmo, mas enquanto eu puder acompanhar e ver o meu sobrinho com um sorriso estampado no rosto, posso ser capaz de tudo, inclusive de me transformar no homem invisível em eventos que só tem a ver com ele. Um sorriso de criança é a coisa mais gratificante de se ver e sacrifícios por ele valem a pena.

domingo, 16 de agosto de 2015

DESVIANDO EM TENERIFE

DESVIANDO EM TENERIFE

Tanto no cruzeiro que fiz em 2013 quanto no ano passado o navio parou, fazendo parte do roteiro, em Santa Cruz de Tenerife. Uma das ilhas do arquipélago das Canárias que fica na costa da África mas pertence a Espanha; zona franca, ou seja livre de impostos. Pela segunda vez eu fui atrás de um produto, mas acabei adquirindo outro.

Da primeira vez estava atrás de um telefone da Samsung e acabei ficando com um da marca LG. Me lembro que perguntei ao vendedor se esse fazia as mesmas coisas que o da Samsung fazia. Como resposta ele me disse que era só baixar os aplicativos. Não me arrependo e só vou trocar o aparelho quando esse pifar. Talvez eu volte pra Sony, já que tem um aparelho pelo qual me interessei, o que está me fazendo tirar a Samsung da mente. Mas vou esperar o tempo de vida desse acabar pra decidir com qual eu fico.

Meu primeiro aparelho foi um Nokia, depois passei a comprar Sony até uma vez que dois pifaram no intervalo de um ano e meio. Fiz o orçamento pra reavê-los, mas dava cerca de 300 reais. Comprei outro Nokia que me serviu até comprar esse LG e acabei por vende-lo pra um amigo meu. Quanto aos pifados, o que custou 100 reais eu pedi pra consertar e o outro joguei no fundo do armário e lá deixei. O consertado quando pifou da segunda vez me desfiz dele e o outro anos depois resolveu ressuscitar como se nada tivesse acontecido e o utilizo como meu telefone auxiliar ou de emergência, com um chip que tenho de São Paulo pra manter ele funcionando. E caso esse LG venha a pifar, até a aquisição de outro esse vai estar como o coringa.

Ano passado, da segunda vez que pisei lá, o foco foi um tablet. Também queria um da Samsung. Estava quase desistindo de comprar quando entrei numa loja com minha tia Branca, que também procurava por um tablet preferencialmente da Samsung. O vendedor, além do da Samsung, deu a opção da gente comprar um da Fujicell. Conheci a Fuji como fabricante de máquinas de retrato e filmes de rolo. Nem imaginava que ela tinha se reinventado e abraçado essa área tecnológica. Sinceramente, pra mim ela tinha falido. Como tia Branca sempre gostou dessa área tecnológica e até fez faculdade disso, perguntei a ela se era uma boa escolha, visto que a loja anterior queria nos empurrar um da marca da própria loja, mas, segundo eles, fabricado e com a garantia de um produto Panasonic. Achei aquilo meio fajuto e ela também. No entanto ela disse que a Fuji nesse aspecto é bem confiável.

Resolvi testar e fiquei, ou melhor, ficamos com ele. Ela também comprou um. Pedimos também uma capa que tivesse um teclado. A finalidade dessa capa-teclado é pra acabar de vez com a utilização do meu lap top que já tem 7 anos. Hora de aposentá-lo. Mas eu acho que o ciúme dele com o tablet foi tão grande que assim que tentei liga-lo pra trabalhar com as fotos ele se recusou e pifou de vez.

Com um teclado lincado no tablet eu posso escrever meus textos nele. Claro que teve uma adaptação pra que eu acostumasse com o teclado  e a princípio utilizava de outros computadores pra pelo menos passar esses rascunhos a limpo. Me acertando com o teclado, instalando um bom e fácil gerenciador de arquivos foi o suficiente pra deixar do modo que eu quero. Talvez até mantenha ao menos esses textos do blog sendo escritos não no tablet, mas no computador mesmo por causa da formatação do texto.


Não sei quando volto pra Tenerife e nem se até la estarei interessado em outra plataforma tecnológica e muito menos se vou novamente atrás da Samsung. Mas quem vai a Tenerife tem a vantagem de comprar eletrônicos pelo menor preço da Europa. Em comparação com os EUA, estou por fora, mas como não sou consumista e vou apenas atrás de um ou outro que me interesse. Ali eu já me satisfaço no universo dos eletro eletrônicos. Quem sabe minha próxima escolha não seja desviada do foco inicial.

domingo, 9 de agosto de 2015

NÃO HÁ LUAU COMO ESSE DO MARZÃO

NÃO HÁ LUAU COMO ESSE DO MARZÃO

Não é só a equipe de animação que fica bolando algo pra ocupar os passageiros durante uma travessia. Há um entrosamento, uma coordenação entre todas as equipes que vai desde a cozinha até o capitão. Cada noite bolam um cardápio diferente, por exemplo, ou fazem festas temáticas como a noite do branco ou um carnaval. Isso tudo é bolado por eles, mas na travessia do ano passado nosso grupo, independente da programação do navio, selecionou uma noite pra fazer uma reunião do navio que até poderia ser aberta, já que era no deck da piscina e só não foi pelo fato de ninguém mais ter se juntado a nós.

No que eles chamaram de noite italiana, depois do jantar, demos um tempo no lírica lounge que era o quartel general das brincadeiras noturnas, inclusive a citada no post passado, e partimos para a nossa brincadeira. Antes disso, durante o dia, como não tínhamos parado em nenhum porto por ser o terceiro dia da travessia, fomos fazendo estoque tanto de frutas quanto de frios. Só eu fiz uma tigela dos dois fora outros que também colaboraram com essa parte de alimentação. Quanto a bebidas, o bar naquela hora já tinha fechado mas a estação de água, leite, chá e café, essa não fecha hora nenhuma e quem quisesse poderia ficar a vontade pra pegar até pelo fato de serem as bebidas totalmente gratuitas que podemos consumir no navio. Tentamos também angariar um dos violonistas que toca em uma das áreas do navio pra nos acompanhar, mas ele alegou cansaço. Ficamos sem o violão mas mantemos o ânimo e começamos a selecionar as músicas e cantar a capela.

Esse foi o dia em que fizemos o luau. A lua mesmo ficou um pouco tímida no início, mas depois ela gostou da gente e ficou toda prosa. O tempo no final da tarde parecia que não iria colaborar desse jeito, como a gente queria e como acabou acontecendo. Apesar dos contratempos que não caracterizavam um luau nos padrões que estamos habituados a ver, foi um sucesso. Pelo menos quem participou achou também. As músicas que dominaram foram as marchinhas de carnaval de todas as épocas, estilos e autores. Não vou aqui fazer uma lista daquelas que cantamos até porque foram tantas e nem eu me lembro de todas que a gente cantou que eu conhecia e muito menos as que eu não conhecia, mas auxiliado por quem estava lá na mesa, compartilhando desse momento, também lembrava de inúmeras delas, conhecidas minhas ou não.

O deck 11 do MSC Lírica é dividido entre a área da piscina e a outra que tem as mesas mais pro lado do restaurante da popa do navio. Foi onde ficamos num primeiro momento. Todas as noites eles lavavam o convés, aquela área, esvaziando também a piscina pra depois lavarem a parte em que nós nos encontrávamos. Começamos num ponto e terminamos em outro. Um ou outro componente da mesa acabou pro se recolher pra cabine aproveitando essa mudança. Mas continuávamos deitando e rolando, nos divertindo e cantando músicas do fundo do baú. Algumas histórias também foram expostas como as que fizeram surgir as músicas que cantávamos ali. Foi uma noite memorável. Nem a noite que a equipe do navio separou pra fazer o carnaval foi tão animada quanto aquela. Até por que também foi na véspera do desembarque e as pessoas ficaram na cabine arrumando mala ao invés de aproveitar.


O nosso carnaval particular foi tão gostoso e tão especial que até mesmo alguns integrantes da equipe de animação, acabado o turno deles, passaram por lá e acabaram ficando com a gente por alguns minutos. Queriam se divertir junto da gente e chegaram a escolher algumas músicas e cantar. Foi inesquecível. Poucas pessoas só do nosso grupo, com alguns agregados no final, mas que superou a noite italiana que o navio programou praquela noite específica. Pra nós a marchinha vale mais que a tarantela.

domingo, 2 de agosto de 2015

CIDINHA

CIDINHA

Dentre as brincadeiras que a equipe de animação inventa pra entreter os passageiros do navio, principalmente numa travessia transatlântica, uma delas tem como finalidade escolher a chamada rainha do mar, ou, no nosso caso a miss lírica já que esse era o nome do navio em que estávamos. Obviamente era tudo pré combinado com as participantes. Ao contrário do que se pensa não era a escolha da mulher mais bonita do navio, não era concurso de beleza, e sim de simpatia. Como eu também me enturmo com a equipe de animação, eu topei participar da brincadeira.

Num primeiro momento eles chamam várias pessoas pra dançarem e fazer um desfile e dessas eles selecionam três finalistas. É em cima delas que acontece a eleição em si depois que elas executam as provas. Entre as três finalistas se encontrava uma senhorinha de 80 anos, a Cidinha, que pegou bem o espírito da brincadeira. Cidinha realmente conquistou a simpatia de todos no navio principalmente depois dessa brincadeira.

A primeira tarefa era escolher um artista de cinema famoso que a turma da animação corria atrás de alguma figura masculina pra fazer vias de. Eu era o Bred Pitt que não por coincidência o que pediram pra Cidinha escolher. Nosso contraste de altura era bem gritante. Ela é baixinha. Meu sobrinho que tem 7 anos já está maior que ela que é da altura do meu umbigo. A prova seguinte era pra que elas reproduzissem sons pseudo sorteados ali na hora por elas. A primeira candidata ficou com o som do riso, a segunda com o som do choro e a Cidinha levou o público ao delírio quando mostrou o papel à plateia onde estava escrito prazer. Ela se divertia tanto quanto as pessoas que estavam nos assistindo. Digo nos assistindo porque estava do lado dela, dando “inspiração” pra que ela gemesse e assim reproduzisse da maneira dela o som do prazer. Ninguém conseguia conter o riso nesse momento e creio que a torcida que já era grande se tornou quase unanime. A última prova era aquela que a gente geralmente costuma ver em festa de criança, de estourar a bola de várias maneiras: na barriga, na cintura, no colo de frente e de costas. A equipe de animação chamou essa brincadeira de kamassutra devido a essas quatro posições.

Quando chegou a vez da Cidinha, mais uma vez as risadas e gargalhadas tomaram conta do lírica longe. Devida a nossa diferença de altura eu tive que me ajoelhar para que a primeira bola fosse estourada , acho que a segunda também. A terceira era a que ia ser estourada no meu colo de frente pra mim. Nessa hora a equipe de animação a suspendeu para ajuda-la a sentar sobre a bola no meu colo. E a quarta e última bola como também era no meu colo só que com ela de costas pra mim, a equipe de animação só pra sacanear, não botou a bola de primeira. Fizeram ela sentar no meu colo sem a bola e eu comecei a mexer as pernas como quem estivesse brincando de cavalinho. Depois eles botaram a bola que foi estourada. É claro que com essa palhaçada toda a Cidinha levou o título de rainha do mar e eu por tabela fiquei conhecido como o Bred Pitt do navio.

Um dos prêmios que ela ganhou foi uma garrafa de espumante que combinamos de compartilhar no dia seguinte, no turno do jantar dela, que era mais cedo que o meu, mas por coincidência na mesa ao lado da minha. Dali por diante até o fim do cruzeiro sempre brincavam perguntando dela pra mim e sobre mim pra ela. E toda vez que Cidinha era chamada eu dava um jeito de abraça-la na frente de todos.


Dias antes do desembarque teve a escolha do rei do mar. Claro que não teve a mesma graça que na escolha rainha. O chefe da equipe de animação até tentou fazer com que eu participasse, mas eu já estava super exposto e não acho que eu deveria participar também dessa brincadeira. Meu sucesso foi garantido graças a Cidinha.