sábado, 24 de outubro de 2015

PRETÉRITO DO FUTURO

PRETÉRITO DO FUTURO

Uma vez vi naquelas tv’s que ficam em ônibus que cientistas já admitem que podem avançar no tempo, mas que voltar é mais difícil. O mote do filme “De volta pro futuro”, no que dizem os cientista, é falho. A máquina do tempo pelo visto só tem a passagem de ida. Se você entrasse numa máquina dessa, sem volta, o que você faria? Eu sinceramente não sei. Preferiria mil vezes voltar ao passado e modificar certas coisas pra que não chegasse ao ponto em que estamos hoje. De outra forma, apenas indo pro futuro, tentaria entender onde eu chegar o porque de estar daquele jeito. Será que o futuro vai ser pior? Será que vamos evoluir no nosso convívio, na nossa tolerância, nos nossos princípios?

Eu tenho medo de entrar numa maquina dessa. Como esse tipo de transporte ainda não é difundido, não é de massa, a gente não vai pro futuro como quem pega um ônibus pra ir ao dentista, eu prefiro crer no presente pra que o futuro chegue do jeito que eu quero que chegue. Sei que não é fácil e nem vai chegar do jeito que eu quero, mas a gente vai tentando daqui, ajeitando dali e por aí vai. Pro passado é mais fácil viajar e realmente existem pessoas que não saem de lá. Esses são conhecidos como os nostálgicos. Arqueólogos da própria vida pregressa ainda vivem em anos que fizeram diferença e procuram não evoluir, ou quando o fazem é com passos de formiga. Esse tipo de viagem eu faço de vez em quando, mas eu volto. Sempre volto. O novo sempre vem mesmo que você não simpatize com ele.

É bom lembrar. Recordar é viver e se o passado pode condenar, o futuro certamente te absolve. Taí uma boa ideia pra fazer no futuro quando eu for pra lá. Ser absolvido. Se bem que eu não tenho um passado condenável. Fiz sim algumas besteiras, mas quem não faz? Nada que seja uma tragédia. Aliás, vendo com essa distância, algumas podem até ser consideradas comédias. Voltar pro passado é relembrar dos fatos e experiências bacanas que se viveu. Mas já passou, já estamos em outra e não acho válido dizer que tal época foi melhor que a que estamos vivendo no momento. Tem passagens interessantes tanto no passado como no presente também.

Tem gente que pra ir ou tentar ir ao futuro recorre ao tarô, às cartas, aos búzios, a astrologia, ao horóscopo, mas nada disso adianta. Aos mais religiosos, o futuro a Deus pertence, mas tem gente que gosta de brincar de Deus. Eu tenho pra mim que a melhor forma de se definir o futuro vem da terra. Quem planta, colhe. O futuro é sim consequência e reflexo do presente. Eu não tenho dúvidas quanto a isso. Sabe trabalho de formiguinha que pegam pedacinhos de folhas e levam pra toca, pro ninho e vão estocando pra passar o inverno abastecidas? É isso. O resultado vem, se vê. As vezes demora mais do que é pensado ou até premeditado, mas sempre vem. Pode não vir do jeito que a gente pensa, mas vem. O futuro é benevolente com quem está sendo benevolente agora . É um espelho com reflexo que se mira ao longe.


Eu não conseguiria sair da minha zona de conforto pra dar um pulo no futuro, principalmente se não puder voltar. De qualquer forma isso me instiga. Lembro de quando eu cheguei em Londres. Estava instigado em saber o que aquela cidade me ofereceria e hoje, anos depois, eu não tenho do que reclamar. Não sei se na época havia chegado diretamente ao meu futuro, mas atualmente muito o que sei da vida, do que aprendi e do que faço devo ao meu passado londrino. Não sei se dizendo isso tô viajando pro passado ou pro futuro. Não sou curioso com o futuro, visito de vez em quando meu passado, mas é no presente que eu foco, que é o que me importa. Como diz um famoso samba da Ilha, lá do passado e sempre lembrado nas rodas de samba do presente: “Como será o amanhã / Responda quem puder”. Inclusive os cientistas que acreditam que podemos viajar no tempo fisicamente. 

domingo, 18 de outubro de 2015

HUMANA MÚSICA

HUMANA MÚSICA

Enquanto rascunho esse texto escuto um disco com as mais clássicas vozes do jazz americano. Cantores como Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Peggy Lee, Tony Bennett e Nat King Cole dentre tantos outros, cantando as não menos clássicas canções do jazz com suas vertentes românticas. Posso identificar várias músicas cantadas por essas pessoas ao contrário da geração que hoje ocupa a programação das rádios mais populares.

Eu só escuto uma rádio atualmente. Já passei por tantas, mas nessa estou estacionado a um bom tempo. Ela é até versátil com os cantores brasileiros, mostrando um pouco de tudo e de todos que por aí caminham, a exceção de alguns rótulos como o funk, o sertanejo e alguns baianos, mais precisamente aqueles de micareta e carnaval. Me consideram uma pessoa de bom gosto. Claro. Gosto do que é bom. Sinto falta na programação das rádios o resgate do que um dia foi sucesso.

Uma vez um amigo meu deu uma entrevista dizendo que há um gap, um buraco entre a história da música  da década de 30, com Noel Rosa até a década de 60 com a Bossa Nova. Segundo ele, os criadores da Bossa Nova e logo depois da Tropicália beberam muito da fonte dos cantores esquecidos no buraco negro  das décadas de 40 e 50. Cauby, Orlando Silva, Nelson Gonçalves, Angela Maria, Linda e Dircinha Batista, Isaurinha Garcia, Lúcio Alves, Silvio Caldas entre outros inspiraram de certa forma cantores como Elis Regina, Caetano Veloso, Chico Buarque, Roberto e Erasmo, Rita Lee, por exemplo. Por isso que ele pesquisa e biografa esses cantores. Recentemente ele lançou um livro contando um pouco sobre a vida e a carreira da Angela Maria.

A rádio deveria dedicar um horário, mesmo que fosse de madrugada, pra executar os sucessos que esses cantores perpetuaram. Poucas pessoas resgatam essas músicas em seus trabalhos. Um que faz isso com muito carinho e cuidado é o Ney Matogrosso. Os discos dele ora revêm esses sucessos antigos, ora lançam músicas de compositores não tão conhecidos ainda. Eu cheguei a ver ano passado um show da Angela Maria e Cauby Peixoto com a casa lotada e fiz coro em algumas músicas.

Gosto de clássicos. Seja de jazz, mpb, baladas românticas... clássicos são clássicos mesmo sendo mais populares como o Garçon do Reginaldo Rossi ou das músicas que tocavam no Chacrinha. Gosto de música de um modo geral e como todo mundo tenho minhas preferencias. O funk, o sertanejo e os baianos de micareta que não tocam na rádio que escuto entram por outras vias. Ou programas, ou reportagem de jornal e revista, ou quando meu irmão liga na rádio que ele escuta, ou quando viajo pra algum lugar principalmente em navio.

No cruzeiro que fiz ano passado, praticamente toda noite depois do jantar eu ia a um lounge onde tocava uma banda que tinha dois tipos de repertórios, uma mais pop internacional e outra mais nacional onde ela incluía tudo e fazia uma miscelânea. Era totalmente previsível. Assim que eu entrava no salão já sabia qual seria a linha que a banda ia seguir e algumas músicas eu só ouvia por lá, conheci com ela cantando, nem sabia da existência até então. E também não vou escutar por um bom tempo. Enjoava fácil das músicas desconhecidas.


Atualmente tá tudo formatado pra ser sucesso. Não que em outras épocas também não fossem assim. Mas, como meu amigo falou nessa mesma entrevista, pras músicas que tocam atualmente nas rádios tá faltando muita coisa, principalmente poesia e tesão. Não há mais construção de clássicos como esses que gosto de ficar escutando. Não fazem mais músicas pra serem atemporais, pelo contrário. A música tem um tempo de vida e é feita pra vender, se tornou comercial, mercadoria que logo é esquecida. O disco de vinil fabricava clássicos com muito mais facilidade. 

domingo, 11 de outubro de 2015

ALTA FIDELIDADE

ALTA FIDELIDADE

Sou fiel. Fiel a mim mesmo, aos meus preceitos, às minhas amizades e às minhas convicções enquanto não as transformo em outras convicções. Sou fiel com quem eu gosto e com o que eu gosto de fazer. Fidelidade é um conceito complicado. Talvez a lealdade seja mais fácil de ser trabalhada, mesmo assim ainda me acho fiel em alguns aspectos e para algumas coisas.

Um exemplo disso é a minha fidelidade para alguns programas de televisão. Não me sinto traindo se na hora da exibição eu não tiver assistindo, o que é raro visto que não há nada melhor de se ver no horário do que aqueles programas. Se forem os dominicais eu os programo pra gravar e depois os assisto. Já os de durante a semana se eu os perco não uso do mesmo artificio.

De um tempo pra cá tenho sido fiel a uma marca de arroz integral que preparo pra compor minhas refeições, assim como procuro ser fiel a dieta passada pela minha nutricionista durante a semana. Em compensação fim de semana não tem disso.

Sou fiel aos meus cantores que quando lançam trabalhos novos procuro adquiri-los e assisti-los em shows e apresentações; a minha equipe de trabalho onde tal qual um corpo humano cada um tem a sua função e há uma certa dependência entre os organismos para que tudo funcione bem; com os meus amigos que mesmo sem ter contato constante sabem que podem contar comigo, enfim, eu sou fiel.  

Sou fiel a uma companhia aérea. Se for pra comprar passagem é só por ela, apesar de nem sempre utilizá-la quando não sou eu que compro a passagem ou se utilizo pontos de milhagens das minha mãe, por exemplo.

No fim do ano passado me fidelizei em um supermercado que é o mais próximo daqui de casa. Ele já mudou de bandeira tantas vezes que essa última que ele ergue, por ser uma rede conhecida e ter em várias partes do Rio ou de São Paulo, resolvi aderir ao cartão fidelidade. Do mesmo jeito que com a companhia aérea quanto mais se viaja, mais chance de um upgrade de classe ou de uma viagem de graça se tem, com o mercado é a mesma coisa. Quanto mais compras, mais pontos e quanto mais pontos, mais vantagens e benefícios.

Eu já percebi que não terei uma frequência grande no resgate desses pontos,caso faça compras pessoais. Não sou de estocar coisas. Prefiro ir uma vez por semana ao mercado e comprar o necessário pra semana, como eu fazia em Londres. Mas, como eu não moro sozinho e minha mãe adora um mercado ou ela também adere ao programa de fidelidade ou se utiliza do meu numero na hora de passar as compras no caixa.

Essa cultura de fidelização é bastante difundida lá fora. Eu só não fiz a do mercado de Londres porque fiquei somente alguns meses. Outra coisa que tem bastante lá fora são os cupons desconto. Não vejo muito esse subterfúgio aqui, mas isso geralmente se refere a fast food. Não que não tenha de outros tipos. O mais circulado lá são os descontos das refeições em cadeias de fast food. Foi graças a esses cupons e a Aninha que carregava na bolsa um catalogo deles que comi no Burguer King quando cheguei em Dusseldorf. Não sou fiel ao Burguer King ou de outra cadeia de fast food. Minha preferencia é o Subway, mas daí a ser fiel é outra história.

Outros dois cartões fidelidade que tenho comigo são da rede Saraiva de livrarias – livros e discos só compro lá – e da companhia de navegação MSC Cruise – ainda não naveguei pela concorrência.


Ser fiel tem as suas vantagens. Estou sendo fiel há muito tempo com esse espaço aqui, por exemplo, reclamando, criticando, elogiando, satirizando e espero continuar por muito e muito tempo sendo fiel a quem perde tempo lendo essas bobagens, às vezes interessantes, que eu posto aqui. 

sábado, 10 de outubro de 2015

SALADA DE FRUTA

SALADA DE FRUTA

Sempre que me perguntam qual é a minha fruta preferida respondo de pronto que é o abacaxi. Realmente eu adoro, mas curiosamente fica em segundo lugar num ranking geral. É que o abacaxi tem uma versatilidade maior. Se for uma fruta pra se comer, no meu caso, fica atrás da banana e se for pra fazer suco fica atrás da laranja. Mas é uma fruta que serve pras duas vertentes.

A laranja não se come, se chupa e joga o bagaço fora e a banana não se extrai o suco dela. Até pode ter alguém que tome suco de banana, mas eu nunca vi, nunca tomei e nem gostaria de experimentar. Não acho que banana se mistura com água. Eu sempre tomei banana batida com leite. Acho um casamento mais palatável. Literalmente. Assim como eu não me lembro de ter tomado abacaxi com leite apesar de saber que essa combinação é mais comum do que a da banana com água.

O abacaxi é altamente digestivo. Quando eu frequentava churrascarias, praticava a técnica do abacaxi. Consistia em depois de me satisfazer, comer algumas fatias de abacaxi, esperar fazer efeito do ácido contido na fruta ajudar a dissolução da carne pra dali a um tempo eu poder comer mais. Depois que aprendi a comer comida japonesa, churrascaria é local raro de minha presença.

Existe até uma sobremesa no restaurante japonês que costumo frequentar que é a banana empanada com calda de chocolate e uma bola de sorvete. Eu só não peço essa pra fugir do chocolate. Sempre que houver a opção de alguma sobremesa frutada, que não leve chocolate, é essa que vem primeiro. Por exemplo, se houver uma porção de de mousse de maracujá e outra de chocolate, sem dúvida eu ataco primeiro a de maracujá.

Uma fruta que é mais comum na região norte-nordeste é o cupuaçu. Eu nunca comi a fruta em si, mas o suco, o sorvete, o doce e até o bombom me dão água na boca. Em Ilhéus eu fiz questão de provar e aprovar o suco de cacau. Uma delícia. Existe uma loja na praia mais badalada de Dubai chamada Fruteiro do Brasil onde você pode combinar os sucos de várias frutas. Eu tomei dois copos da segunda vez que fui naquela praia, debaixo daquele calor. Foi uma forma de me refrescar um pouco, matar a sede e bem ou mal me alimentar um pouco. As frutas tem vitaminas diversas e necessárias pro bem estar do nosso organismo.

Por recomendação da minha nutricionista as frutas tem estado mais presentes na minha alimentação. Durante a semana tenho dado preferência às frutas no lanche que faço pouco antes das minhas caminhadas. E a noite, pouco antes de dormir como duas bananas amassadas com e misturadas com aveia e um pouco de mel.  É como se fosse a minha cota de doce do dia. Depois que cortei o refrigerante de vez do meu cardápio, a inserção de refrescos e sucos aumentaram bem apesar de ainda ficar atrás da água e do mate.

Ainda vou comer todas as frutas que o Alceu Valença canta na música “Morena Tropicana”. Essa mistureba toda nem no turbante da Carmem Miranda a gente via. Talvez ela tenha apresentado ao mundo o que estava no nosso quintal. As frutas, por incrível que pareça, estão ligadas a nossa música não só pelos exemplos citados acima, mas por uma escola de samba das mais famosas ter o nome de sua árvore e cujo intérprete mais famoso e longevo ter como apelido o nome de outra fruta. Além disso a cantora famosa da era de ouro do rádio brasileiro é conhecida também por Sapoti. Lembrei de outro samba enredo de uma outra escola de samba que contava a história da chegada do sapoti no Brasil Colônia e que, segundo o samba, vira tuti-fruti.


Todas as frutas, algumas mais exóticas que outras, doces, azedas, populares, regionais é o que dá o cheiro e o sabor da diversidade de um país tropical abençoado por Deus e comestíveis por natureza.