sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

O ANO (FINALMENTE) TERMINA

O ANO (FINALMENTE) TERMINA

É. Agora sim acabou o ano. Praticamente. Ainda faltam algumas poucas horas e dizem que o jogo acaba quando o juiz apita. No caso o apito é o pipocar dos fogos anunciando a entrada de 2017 que eu sinceramente espero que seja bem melhor do que 2016. Tudo bem. Se for melhor eu já me contento. É exatamente por isso que eu desejo que seja bem melhor porque esse ano foi bem esquisito conforme eu disse na postagem anterior.

Mas já que o anos foi bastante negativo de um modo geral e pro mundo todo, eu vou aqui destacar os pontos positivos que amenizaram a carga negativa que esse ano teve, que tirou um pouco da nuvem negra que pairou sobre as nossas cabeças. Já no início do ano eu fiz projeto escola de um infantil e a partir daí trabalho não faltou. Alguns meses mais, outros menos, mas faltar mesmo não faltou. Fiz até uma temporada no Rio em Ipanema no mês de abril e nos meses de junho, julho e novembro com produções que ocuparam o Solar do Jambeiro e com algumas surpresas que acho que vocês vão ficar sabendo ao longo das postagens desse ano.

Claro que ainda não ganho milhões com esse trabalho financeiramente falando, mas o que me dá de prazer, alegria e felicidade em fazer parte de um projeto, dê ele certo ou não, não tem preço. Como também não tem preço o que se traz de viagens na sua bagagem cultural e nesse ano eu consegui viajar. Trabalho pra isso, pra poder acumular coisas imateriais e que ninguém tira de mim. Uns podem dizer que isso é egoísmo, mas acho que viagens são experiências que cada um tem pra si. Mesmo que alguém viajasse comigo  teria uma outra visão ou tiraria outro proveito da mesma viagem. Não vejo isso como egoísmo.

Em 2017 eu vou continuar no mesmo caminho, mas querendo enfrentar mais desafios. É isso o que me atrai. A novidade, o fato de não ter experimentado ainda e ver se eu tenho a capacidade de me multiplicar dentro dessa área que eu gosto. Fazer um pouco como as minhas ídolas fazem. As duas mulheres que eu admiro no meio artístico tem essa capacidade e eu esse ano quero tomá-las como exemplo mais ainda do que as tenho. Essa é a minha meta pra 2017. Diversificar. Entender um pouco do cocô à bomba atômica, mas com o mínimo de fundamento pra poder dissertar sobre. Explorar capacidades que podem estar inertres a minha pessoa e por algum motivo eu ainda não as coloquei em prática. Se vai dar certo ou não é outra coisa. E continuar correndo atrás da minha felicidade, da minha satisfação pessoal. Continuar fazendo o que eu gosto, tendo prazer no ato de fazer. Tanto o que eu já faço quanto o que eu vier a fazer esse ano, seja no campo das artes principalmente, mas se eu me der bem em outra área por que não agregar?

Do jeito que as coisas se encaminharam esse ano, acho que essa é a solução pra 2017. Jogar no máximo de posições possíveis, imagináveis e atrativas. Até por que se um goleiro fizer as vias de um atacante a probabilidade dele tomar gol é enorme. Não tem como jogar nas onze posições, fazendo uma analogia com o futebol, mas pode-se especializar na área da defesa, por exemplo. Ou seja, tem que rebolar de qualquar jeito.


Já estou reservado pra uns projetos ano que vem e outros com certeza virão. Aliás, a próxima postagem vem com uma surpresa que pode ou não agradar a vocês. Essa minha última postagem, como geralmente faço, é do balanço do ano. Coisas boas que aconteceram num ano esquisito e que talvez se não fossem por essas coisas boas, não sei como seria o meu ano. Por isso que acho que estou sendo empurrado pelo cosmos pra diversificar em 2017. O máximo que pode acontecer é eu chegar aqui ano que vem e dizer que não deu, mas que o que vai ficar é a experiência de ao menos ter tentado fazer. E assim me despeço de 2016. Vá e por favor não volte nunca mais.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

ENTÃO É NATAL (AINDA BEM)

ENTÃO É NATAL (AINDA BEM)

Eu vou tentar me antecipar ao máximo. Começo a escrever isso na tarde do dia vinte e três de dezembro e assim que eu concluir vou formatar pra postar logo. Por que essa pressa toda? Pra que esse ano acabe logo.

Eu sei que ainda falta uma semana e portanto ainda tem a última postagem desse ano, mas isso eu vou deixar pra resolver essa a partir da segunda. E espero sinceramente que aconteça uma hecatombe na próxima semana e que a gente sobreviva a ela, por que porrada em dose homeopática é tortura e ninguém mais está aguentando. Esse ano de 2016 foi muito esquisito.

Começamos com uma presidente e terminamos com outro de modo que a que saiu estava envolvida num esquema de corrupção mas provas contundentes contra ela ainda não surgiram e o que está sentado atualmente na cadeira já teve o nome ao menos mencionado também em esquemas de corrupção. Não que eu seja a favor de um ou de outro. Acho que a gente tem que renovar todo o quadro político. O país está em crise. Estados não pagam seus servidores, empresas estão se segurando ao máximo. A sensação é de que o capitão dessa nau que é o nosso país não sabe navegar. Não vejo rumo, não vejo futuro. Sei que a luz no fim do túnel existe, mas nem o túnel estou vendo. Acho que não tem outra definição pra esse ano. Foi muito esquisito.

Mas o mais engraçado é que se você for nos shoppings e ruas de comércio elas estão cheias de gente. Se essas pessoas estão comprando é outra coisa até pelo fato de alguns preços estarem abusivos. Principalmente comparados com as mesmas mercadorias vendidas lá fora.

Eu viajei esse ano, aliás, pessoalmente, o ano não foi de todo ruim pra mim. Tive trabalho praticamente o ano todo, talvez só durante as olimpiadas que foi o período que eu menos trabalhei. Agora é trabalhar mais pra juntar e voltar a viajar daqui a dois anos que é o prazo que eu me dou. Na verdade esse foi um acordo que eu fiz com o Airton desde quando eu voltei de Londres. Um ano eu vou pra lá e no outro ele vem pra cá, só que os anos que é pra ele vir, ele não vem. Teve uma vez que conseguir encurtar esse período pra um ano e meio, mas foi uma excepcionalidade.

Agora eu nem sei se vai dar pra juntar dinheiro suficiente pra voltar pra lá em dois anos. Até lá muita água vai rolar e não só as de março, mas de abril, maio, junho... Essas medidas que o governo tá tomando em relação a crédito, aposentadoria, pra reformar a previdência e sem cortar na própria carne eu não sei. Assim nunca a gente vai chegar ao nível de um país dos quais eu gosto de visitar. Sabe o que é andar na rua sem se preocupar com nada? Tá, aí vem um maluco como teve essa semana em Berlim, na Alemanha pega um caminhão, atropela e mata algumas pessoas como aconteceu na França e tal. Mas não é como aqui que não se pode andar  com relógio, cordão, pulseiras e anéis na rua por que o risco de voltar sem é muito maior. E outra, por menos que as pequenas violências lá de fora sejam divulgadas não existe impunidade. Criminoso é condenado e regalia é um vocábulo que quase não existe lá fora.

Mas 2016 não foi esquisito só pro Brasil não. O mundo está num caminho esquisito. Vamos ver o que nos espera quando o Trump assumir a presidência dos Estados Unidos agora em janeiro. Essa onda conservadora e retrógrada que vai de encontro ao que John Lennon pregou quando compôs “Imagine” tá crescendo e a gente tem é que sair desse mar. Ano que vem que a gente deve saber se rema contra a maré ou se não tem jeito e ficaremos na crista da onda.


Desculpa o desabafo. Essa postagem tinha a finalidade de desejar um Feliz Natal pra quem perde tempo lendo essas as minhas bobagens, mas eu realmente estou querendo que esse ano acabe. Graças a Deus é Natal. E que seja feliz dentro do possível. 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

MALA AMADA

MALA AMADA

Qual o objeto mais essencial quando se vai viajar? Pode pensar em qualquer um que na maioria das vezes é um engano. Ninguem viaja sem um objeto. Esse é comum em todas as viagens. Falo da mala. Sim, o objeto mala. Aquele lugar em que você põe tudo dentro, e mais alguma coisa fecha e despacha pro bagageiro. Seja a mala do carro ou o porão do avião. De vários tamanhos e formatos, até mesmo adaptações – sim porque dependendo da viagem uma simples mochila pode fazer vias de mala também – desse objeto ninguém esquece.

Aqui em casa mala é o que não falta, e não me refiro as pessoas que a habitam ou frequentam. Como muambeira que se tornou, minha mãe sempre que vai lá pra fora, pelo menos quando ia comigo, sempre comprava uma mala a mais pra trazer o que não cabia na que levava, mesmo levando uma mala dentro da outra. Chegou a um ponto que não tinha mais espaço pra guardar esse objeto aqui de tantas que tinha.
No quarto dela, logo em cima da porta ela mandou fazer um maleiro onde se guarda quase todas as malas aqui de casa. Quase todas, eu disse. Ainda tem umas que ficam do lado de fora. E guarda no esquema bonequinha russa, uma dentro da outra.

Geralmente as minhas malas, as que eu faço pra viajar até mesmo pelo fato de pegar o objeto em si emprestado do maleiro dela, não passam dos vinte quilos. E se passam não mais que cinco a mais que isso. Já a minha mãe não consegue se organizar pra isso. Se a companhia aérea disponibiliza a capacidade máxima de trinta e dois quilos por mala, por exemplo, é capaz dela ultrapassar e pagar excesso.

Eu já escrevi isso aqui em algum lugar do passado. Teve um episódio em que ela pra pra se livrar do excesso de peso nessas companhias de baixo custo e portanto de baixo peso da mala, quinze quilos no caso, vestiu oito blusas só pra poder despachar a mala no peso certo. Claro que depois ela teve que levar tudo na mão quando tirou depois que passou naquela coisa de segurança, raio-x e tal. Eu nunca tive problema com isso. Nessa mesma ocasião, eu pra esvaziar a minha joguei roupa fora, na lata do lixo mesmo.

Outra situação que envolve esse objeto e eu passo o tempo imaginando coisas é esteira de aeroporto. Ali se vê cada tipo de mala que dependendo até pode se descobrir a personalidade da pessoa. Tem cada uma que passa na minha frente que dependendo de quem pega eu até crio um historinha rápida sobre ela na minha cabeça. Também tem cada mala que fabricam e pior ainda, que compram, que as vezes eu me pego morrendo de rir sozinho enquanto eu espero a minha.

Não gosto de nenhum tipo de excentricidade nas malas que pego pra viajar. Se bem que das últimas vezes a mala que eu carreguei, no pegador de cima dela, tinha umas fitinhas do Senhor do Bomfim amarradas que formavam aquele pompom baiano colorido. Claro que não foi eu que botei. No início achava estranho, cafona até se identificar mala com essas fitas coloridas. Claro que essas são um exagero, Vejo com uma, duas, três no máximo, mas depois que vi certas coisas rodando nas esteiras dos aeroportos, fitas coloridas se tornam até discretas perto inclusive de certas malas.

           Mala é tipo terno. Preta e azul marinho a maioria tem. As vezes um marrom pra destoar um pouquinho. Tem até umas discretas de outra cor, tipo verde, mas um verde fechado, sóbrio. Em compensação tem aquelas de estampa de onça, zebra, toda rosa ou estampada com uma bandeira. E as pessoas que passam aquele film pra proteger? Minha mãe já fez isso. Eu nunca fiz. Nun precisei. Dizem que tem resultado, mas quando querem abrir não há film que resista. Tudo bem que depois pode dar dor de cabeça quando se descobre que foi aberta. Mas o pior de tudo é quando na espera, na esteira se descobre que sua mala não veio e ela está em Tonga, por exemplo.  

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

ENTRANDO NO TUBO

ENTRANDO NO TUBO

O corpo humano é uma máquina perfeita e surpreendente. No final de novembro do ano passado eu senti uma íngua no lado esquerdo do meu queixo. De um dia pro outro uma bola de pingue pongue se alojou ali. Alguns dias depois desinchou.

Quando a bola surgiu do outro lado o alerta acendeu. Eu já tinha marcado uma consulta com o gastro pra saber se era coisa da minha boca, mas a outra apareceu uns dias antes da consulta e corri pro atendimento de emergência do hospital aqui perto de casa. Cheguei lá e quando fui atendido na triagem a enfermenira logo falou: “Suspeita de caxumba”. Me deu uma daquelas máscaras cirúrgicas e pediu pra que eu ficasse usando até a constatação dessa suspeita, dentro do hospital.

Como? Que eu saiba caxumba é doença de criança e chegou a ser erradicada. Não me lembro de ter estado com ninguém de queixo inchado com o papo do tamanho que o meu estava. Dava pra ver que estava bem inchado mesmo. Era aparente tanto do lado que sumiu logo quanto da segunda vez que apareceu e o intervalo de detecção de uma e depois da outra foram uns quinze dias. Mas caxumba não havia de ser, pois segundo opróprio jargão médico não tive clínica, ou seja, não tive nenhum sintoma que atestasse ser caxumba. Apenas esse inchaço sem febre, enjoo, dor, absolutamente nada.

Quando fui direcionado da triagem pra médica ela pensou se a mesma coisa, mas pela ausência de sintomas ela explicou que poderia ser paratireoidite, ou seja, uma inflamação da tireóide ou paratireoide e que não se caracterizava como caxumba, no entanto eu tinha que fazer uma tomografia pra ela tirar a prova.

Dali eu fui fazer o exame de sangue. Acho que isso é de praxe lá, mesmo que seu problema for uma unha encravada. Como eu sou canhoto ofereci meu braço direito pra que fosse furado. Dois tubinhos de sangue foram colhidos e lá eu fiquei até chegar a hora de fazer a tomografia.

Quando o enfermeiro veio me colocar o acesso, aquela agulha que fica enfiada na nossa veia com os tubinhos de borraha que geralmente sãqo cpra enjetar o soro ou outro medicamento intravenoso me trocaram de sala e de braço. Saí da ala de tira sangue pra ala de leitos da emergência. Fiquei deitado numa cama até ir pra sala da tomografia. Tirei o tênis e o enfermeiro jogou um lençol sobre mim. Demorou um pouco. Acho que menos ou o mesmo tempo que eu levei de uma ala pra outra. Parece que a espera foi pro plano de saúde autorizar a tomografia.

Quando me chamaram pra ir pra sala da tomografia botei o tênis e caminhei com aquele acesso no braço pra outraextremidade do corredor. Era a minha primeira vez naquele aparelho. Preenchi uma ficha, a técnica lá me explicou o que ia acontecer com o meu corpo ao injetarem o tal contraste iodado, me deitou, me cobriu e lá eu fiquei sozinho entrando e saindo do tubo várias vezes. Curioso que tinham duas carinhas que se acendiam e uma voz de locutor gravada que indicavam quando eu podia ou não engolir minha saliva. Depois de algumas idas e vindas o exame acabou.

Volto eu pro mesmo leito em que estava pra esperar o parecer da médica. Da primeira vez ela veio dizendo que era caxumba mesmo, mas depois ela voltou dizendo que reparando bem havia um cálculo na parótida que estava pressionando e por isso fazendo com que inchasse do lado direito do meu queixo. Me passou bioprofenid pra tomar cinco dias seguidos, pediu pra que eu procurasse um otorrino e levasse os exames pra ele. Como o dia em que ficou marcado pra pegar esse exame foi o mesmo marcado com o gastro, não custou nada levar o exame pra lá até mesmo pra saber, se for pertinente, a opinião de um segundo especialista.

            Eu já tinha ouvido falar em pedra nos rins, mas nas glândulas parótidas foi a primeira vez. 

FANTASMA CAMARADA

FANTASMA CAMARADA

Sabia que isso iria me acontecer mais cedo ou mais tarde. Ainda bem que esse ano foi bem mais tarde. Já agora bem no finalzinho. Hoje estou com a síndrome da página em branco. Não sei o que escrever, não sei sobre o que falar. Talvez pelo fato do meu cronograma ser tão apertado e minha produção textual ser tão intensa.

Chega uma hora que me falta assunto e o pior que eu não posso nem procurar nos jornais sobre as notícias que circulam por que escrevo de algum lugar do passado. Não tenho bola de cristal, não sou profético, não tehno como prever e nem adivinhar o que está acontecendo no momento em que esta postagem vai ao ar. Agora estou aqui quebrando a cabeça pra escrever sobre alguma coisa. Mas o que?

Bem, aqui na minha mesa tem uma nota de um real. Na verdade é um porta retrato da Imaginarium que é a reprodução da nota que nem existe maise no lugar da efige romana é uma foto minha. Eu não valho nada. Nem existo já que agora um real é só em moeda. Não me lembro qual bicho da fauna brasileira estampava o verso dessa nota. Eu espero que a casa da moeda siga o exemplo de outros países e também transforme em moeda a de dois reais e acabem com a nota.

Apesar de eu não gostar muito de moeda acho que facilitaria bem mais pros consumidores. É assim em Londres e na Europa de modo geral. Notas só de cinco, dez, vinte, cinquenta e cem. Dizem que tem de quinhentos também, mas essa eu nunca vi de perto. Essa de um real eu deixo aqui até mesmo pra lembrar como era a nota que não mais existe, talvez só nas mãos de algum colecionador ou um esquecido que acha papel e dinheiro nos bolsos e cantos escondidos em algum lugar da casa.

Bem. Já consegui desenvolver sobre um assunto, mas ainda tem muito espaço pra completar. Deixa eu olhar em volta pra ver se vem alguma coisa. Hum... Abri meu gavetão que fica aqui debaixo da minha mesa onde hoje apoio essa mesa de rascunho (quando não estou aqui escrevo deitado na cama mesmo) e no cantinho esquerdo tem uma pilha de cartão de visita.

Engraçado isso. Eu achava chique alguém ter cartão de visita e te passar com todos os contatos. Agora acho demodê. Com a tecnologia os contatos vão direto pra agenda do telefone e através do aparelho o contato pode ser feito de várias maneiras, inclusive por mail. Ligação é uma modalidade que está ficando ultrapassada. Não sei como as companhias telefônicas vão fazer pra lucrar com as faltas de ligações. Mas isso não compete a mim decidir. Como consumidor queremos qualidade preço baixo. A telefonia brasileira é uma das mais caras do mundo. No entanto ainda tem gente que confecciona cartão de visita e distribui.  Eu mesmo já fiz uns caseiros na época em que o telefone celular tinha apenas oito dígitos. O meu só tinha o celular e o mail que já é suficiente pra alguém querer entrar em contato comigo.

Pronto, mais uma linguiça enchida, mas ainda falta alguma coisa pra completar o espaço. Será que eu vou conseguir? Quando não se tem assunto, por mais que faltem poucas linhas, chegar no final parece uma eternidade. Sindrome da página em branco é pior do que começar alguma coisa e não terminar. Aqui não tem nem ponto de partida.


E o pior é que agora eu não estou tendo inspiração nem nas coisas que estou olhando ao redor. Se bem que já tem muito tempo que isso não acontece comigo , mas quem escreve sempre tem esse fantasma ao redor e que volta e meia assusta. É o que está acontecendo comigo agora. Estou assombrado por esse fantasma. Melhor seria se fosse aquele que se cobre com o lençol branco, com os dois buracos se fazendo de olhos e que flutua por aí. Acho que vou mandar me benzer pra que isso não ocorra tão cedo, ou então acender uns incensos pra espantar esse fantasma. Foi só eu falar em assombração que ela desaparece. Até por que acabou o espaço.

sábado, 19 de novembro de 2016

TURISTA NO PONTO

TURISTA NO PONTO

Dizem que se você for a Roma e não ver o Papa é sinal de que você não foi a Roma. Eu fiz isso duas vezes. Do mesmo modo que não estive na eEstátua da Liberdade quando eu fui pra Nova Iorque. Eu sempre escolhia uma atração ou outra pra ir quando fiz o meu mochilão pela Europa, portanto não conheço todos os pontos turísticos das cidades que visitei. Ainda tem muita coisa pra ver em Roma e em Nova Iorque também.

Diria até que principalmente em Nova Iorque onde apenas passei sete diase não visitei um museu ou fui a um espetáculo. Lá tenho vontade de ir só pra isso e não vejo a cidade como um parque de diversão pra consumistas de alto grau. Até é, mas não pra mim que consumo outro tipo de produto. Mas entre Nova Iorque e qualquer cidade da Europa eu fico com o velho continente sempre. América do Norte me atiça só pra três coisas: visitar Nova Iorque pra consumir cultura, revisitar a Disney já que tem mais de quinze anos que não vou lá e tem muita atração nova que eu não conheço e visitar minha prima que mora na Flórida. Tirando essas três não me enche mais os olhos. Meu negócio agora é a Europa desde que fui morar em Londres.

Falando em Londres, a imagem que vem a cabeça quando se fala de uma terra tão emblemática são várias. Uma delas é o Big Ben, o famoso relógio que até hoje é movido a corda. Não sei se dá pra visitar o Big Ben por dentro, mas ceio que não, ao contrário do parlamento que abre suas portas pra visitação em um certo período do ano. Também nunca fui, mas um amigo meu que também morou lá na mesma época que eu, fez essa visitação.

Será que existe isso em Brasília? Será que podemos visitar o Congresso Nacional em algum período do ano? Se bem que o parlamento inglês tem muito mais história que o nosso aqui. Uma vez eu visitei a Alerj, mas também não era em dia ou horário de sessão e o salão estava completamente vazio. Em Berlim tem um prédio bonito e histórico com uma cúpula de vidro que se não me engano é o senado alemão . Esse prédio tem uma história bastante peculiar por ter sido destruído e reerguidu umas três vezes. Também não entrei lá.

Berlim é uma cidade que se eu tiver oportunidade voltarei a visitar. Não é a primeira opção, mas quero voltar lá quando for possível. Seria o portão de Brandemburgo o cartão postal de Berlim? Qual é a imagem que se bem a cabeça quando se escuta sobre Berlim? Pra mim é o portão mesmo. Berlim é outra cidade que respira história. Quando se respira, por exemplo, em Amsterdam se sente uma maresia. Essa é a fama da cidade. Dependendo do lugar que se passa, se for em frente a um coffee shop pode até sentir essa tal maresia, mas isso não empregna toda a cidade.

Gente, sinceramente, minha idéia nessa postagem era de escrever sobre pontos turísticos e eu comecei a desandar na conversa. Olha que eu nem estou em Amsterdam e muito menos num coffee shop. Também não tem ninguém perto de mim fazendo uso desse tipo de cigarro. Depois desse desvio eu vou tentar voltar ao cerne da questão. É por que algumas cidades ao mencionar o nome logo se associa a uma ou duas imagens instantaneamente. Se eu falar Rio de Janeiro pisca aquela imagem do Cristo ou Pão de Açúcar, assim como o coliseu de Roma, a Estátua da Liberdade de Nova Iorque ou as ruinas de Machu Pichu no Peru.


Agora tem cidades, inclusive que eu já visitei, que eu não consigo fazer essa associação. Daí eu penso que é só pegar qualquer panfleto de viagem cujo destino é algumas desss cidades e as imagens representantes de cada uma vão aparecer. Barcelona pra mim é a catedral inacabada da Sagrada Família e o mirante do Parque Guel. Mas eu tenho tantas outras imagens bonitas e que eu mesmo fiz que não consigo decupar em apenas uma ou duas.

ATRÁS DO SONHO

ATRÁS DO SONHO

Quando a mega sena acumula milhares de pessoas fazem sua fezinha pra tentar a sorte de levar uma bolada. Meu pai é um desses, mas ele faz isso rigorosamente toda semana, esteja ou não o prêmio acumulado. Pra ganhar tem que apostar.

Nas reportagens que vemos principalmente pela tv vemos os jogadores nas filas das casas lotéricas revelando seus sonhos de consumo, dizendo o que eles pretendem fazer caso ganhem a aposta e grande parte das pessoas falam que vão ajudar a quem precisa. Um gesto de solidariedade que acho que mesmo os mais bárbaros e temíveis monstros da humanidade como Hittler e Stalin lá no fundo também tinham mesmo que escondessem ou disfarçassem bem. Todos querem ajudar e tem sempre alguém que está precisando ser ajudado. Uns pensam mais nos que estão perto, tipo um parente ou um amigo. Outros já querem fazer um bem maior, tem um gesto mais grandioso.
Até o começo desse ano o canal Viva exibiu a novela Cambalacho e na trama uma trambiqueira herdava uma fortuna de um milhonário e uma das primeira atitudes dela ao receber a herança foi comprar as casas da rua em que ela morava no subúrbio, inclusive a dela, pra transformá-las em abrigos para crianças de rua e menores carentes.

Eu não jogo. Não que eu tenha aversão ao jogo. Não jogo porque não tenho sorte mesmo. Sei de casos de pessoas que jogam, tem a mesma sorte que a minha e ainda insistem em jogar. Num desses cruzeiros que fiz uma senhora já estava a ponto de pedir dinheiro emprestado pra continuar a sustentar o vício dela. Aí já é demais. É não saber quando parar. E olha que já devia ter perdido quase todo o dinheiro.

A mega sena acumulada ou não, cada volante tem o valor de R$ 3,50 e com isso há uma possibilidade mesmo que remota de se ganhar o prêmio. Quando o azar encontra a sorte, ou seja, quando há mais de um vencedor o dinheiro é dividido em partes iguais. Mesmo assim a quantidade é bem razoável. Aqui na minha família rola uma história de que meu pai já ganhou na loteria esportiva. Tudo bem que consta que o prêmio foi dividido entre mais de setecentos apostadores, mas deu ao menos pra comprar o fogão pro enxoval do casamento. Isso já tem mais de 40 anos e ele ainda não desistiu de correr atrás de outra aposta certeira. Vai que ele ganhe novemente. Vai que a sorte resolva bater à porta novamente. Eu acho que com o que ele “investiu” na Caixa Econômica Federal já daria pra fazer muita coisa.

Eu se jogasse e por ventura ganhasse também já teria dado um destino a minha pequena fortuna. Em primeiro lugar compro um carro e um apartamento pra mim e pelo menos mais dois como investimento. Depois sentaria com cada membro da minha família e cada amigo meu e perguntaria o que eles estavam precisando como necessidade básica urgente, que englobaria qualquer coisa desde dentadura nova a viagens homéricas e com o que me restasse construiria o meu sonho que é abrir um centro cultural com duas salas de teatro, uma de cinema, café e/ou restaurante, uma sala de exposições, enfim, tudo o que se tem direito e pra todos os gostos. É uma opção e uma oportunidade de espetáculos sem apoio ou pratrocínio ficarem em cartaz por lá o tempo que acharem necessário. Assim também não deixaria de estar ajudando muitas pessoas que fazem da arte a sua bandeira, principalmente por querer abrigar a todo e qualquer tipo de arte. Não sei se vou realizar nem quando seria isso. De qualquer modo teria que jogar e acertar numa acumulada dessas que de vez em quando rolam.    

           Claro que dessa fortuna toda iria separar também o dinheiro pras minhas viagens. E continuaria a não ostentar gastando em hotéis luxusos, mas poderia jantar em mais restaurantes e mais chiques, ou mesmo pagar a conta alta nesses restaurantes sem me preocupar com a fatura do cartão de crédito no mês seguinte. Como dizia o samba da Mocidade em 92 se eu não me engano: “Sonhar não custa nada... ou quase nada.”

sábado, 12 de novembro de 2016

NA MARCA

NA MARCA

Na postagem passada comentei sobre a minha mania de comprar discos de trilha sonora de novelas. Uma outra mania que eu tenho e que adquiri aos quinze anos foi de usar um tipo só de tênis. Desde essa época, quando pela primeira vez andei com esse tipo de específico de pisante que não o troco por nada. A não ser que acabem com a marca. Também desde então o meu pé não cresceu mais e portanto o tamanho é o mesmo. Posso me considerar o homem do tênis branco. Pode ter um detalhe aqui ou ali de outra cor, mas predominantemente tem que ser branco e da marca reebok. Na época em que comecei a usar era até um um certo luxo e talvez uma questão de status utilizar um tênis dessa marca, mas hoje exitem tantas outras e até de maior nome que ninguém mais se lembra dessa marca.

Antigamente eu era menos flexível e esse tênis, não importa o estado em que estava era utilizado pra qualquer ocasião que não pedisse sapatos. Atualmente eu já me autorizo a volta e meia calçar um sapatênis dependendo do traje e/ou da ocasião. Aliás estou diversificando muito o meu estoque de calçados de um modo geral. Além dos pares de sapato, um marrom e um preto, conto com esse tênis reebok branco já tradicional, um sapatênis preferencialmente escuro que não seja preto ou marrom, dependendo, um par de sandálias pro dia-a-dia  - tem que ser das havaianas diga-se de passagem – outro par de sandálias pra uma ocasião mais especial tipo reunião de família e desde o início do ano estou acostumando a usar um par de alpargatas também das havaianas que pedi e ganhei no amigo oculto do Natal. Pra quem até alguns anos atrás só usava um par de sandálias em casa e um de tênis na rua, até que eu evoluí bastante. Também não cabe mais nada na sessão de calçados do meu armário.

Agora, tem coisas que eu não consigo mudar mesmo apesar de ter tentado. Desodorante por exemplo não consigo usar aquele do tipo aerosol e muito menos aquele que tem uma bolinha, também conhecido como roll-on. Não me sentia confortável com esses tipos de desodorante. Pra falar a verdade o que eu uso não me deixa confortável pelo fato de ser líquido e eu transpirar bastante debaixo do braço. Detesto aquela marca de de suor no suvaco da camisa, mas fazer o que? Não acho que seja caso pra operação por sudorese até por que é meu natural transpirar muito. Conheço pucos gordos que não são de transpirar muito. Principalmente no clima quente que predomina grande parte do ano. Raros são os dias que fico com camisa dentro de casa.

Tem gente que tem preconceito com o desodorante que eu uso. Diz que é coisa de pobre com as tecnologias influenciando inclusive na área dos cosméticos eu posso procurar outro. Até posso, mas não quero. Foi o primeiro desodorante que usei e meus pais também usavam na época. É outro que só vou trocar quando não fabricarem mais.

Por conta desse lance de parar de fabricar que eu troquei de perfume. Usava o ‘Blue Rush’ da Avon que parou de fabricar e trocou pelo ‘Blue Rush Intense’ que não combinou com minha pele. Na época que fui morar em Londres levei alguns vidros comigo e quando acabaram comecei a usar um pequeno 212 by Carolina Herrera.

No fim de todos os frascos fui numa loja em Londres pra comprar outro 212 e a vendedora me fez experimentar o 212sexy que gostei da química que ele fez com a minha pele e desde então só uso ele também.
            
           Como se vê sou fiel a algumas marcas. Extremamente tradicionalista em vários aspectos e pra vários produtos. No entanto pra outros eu até abro uma excessão de ao menos experimentar pra ver se cabe a troca ou não, mas esses também são raros. Tudo é uma questão de hábito. Não só de hábito. No caso dos cosméticos de química também. No entanto, eu ainda concordo com que diz o ditado popular: “Não se mexe em time que está ganhando.” 

sábado, 5 de novembro de 2016

NA TRILHA

NA TRILHA

Uma das manias que eu tinha quando criança/adolescente e que atualmente não tem a mesma frequência daquela época era o de comprar discos. Comprava bastante. Meu armário era repleto de discos de vinil. Quando o CD chegou e foi conquistando um espaço maior até aniquilar por completo os bolachões eu já diminuí as minhas aquisições musicais. Atualmente os discos de vinil estão voltando. A busca, a procura e até a aquisição de um modo geral aumentam numa progressão ainda aritimética . Agora é artigo de colecionador.

Os próprios cantores quando lançam seus trabalhos fazem uma edição limitada de vinil. Parece que aúnica fábrica de vinil do Rio, que se eu não me engano fica em Nova Iguaçu, na baixada fluminense e que estava prestes a encerrar sua atividade se reabilitou e hoje tem filas de encomendas. Lá fora o vinil nunca deixou de existir e compete com outros tipos de mídia.

Quando eu comprava discos de vinil a grande maioria eram de trilhas de novela. Sim, eu era noveleiro. Hoje ser noveleiro é uma coisa rara. Existem tantas opções de entretenimento que aquele que acompanha uma novela hoje em dia é considerado um herói ou um vagabundo que não tem nada o que fazer. Eu não sou nem um e nem outro, mas as novelas que eu tenho acompanhado ultimamente são as mais antigas, que passam no canal Viva, da década de 80 principalmente. Do tempo em que eu assistia novela. Não só assistia mas se eu gostava também comprava a trilha sonora. Na transição para os CD’s eu quebrei essa tradição e se comprei três CD’s de trilha de novela foi muito.

Já disse aqui em algum lugar do passado que meu tempo na frente do computador é o tempo da execução de um CD. Quando não, tenho feito outro caminho. Abro o you tube, escolho uma trilha de novela da quela época ou de antes mesmo e fico escutando. Dou preferencias as trilhas que não tinha e cuja idade ainda não me permitia ter discernimento pra comprar esses discos. Novelas que quando foram exibidas eu tinha dois, três anos, ou um pouco mais. Estou gostando de fazer isso.

A trilha de novela daquela época traçava um quadro do cenário musical no Brasil e se algum artista conseguia emplacar uma música em uma novela pelo menos durante o tempo de exibição da obra era sucesso na certa. Trilhas nacionais e internacionais. Todas são ouvidas. Cada uma entre quarenta minutos e uma hora. É tempo mais que suficiente pra eu ficar na frente do computador e checar meus mail e recados no facebook. É o básico do básico. Se eu faço outra coisa como ver um programaque eu tenha perdido aí utilizo a internet e o computador como televisão, mas isso acontece poucas vezes.

Não me lembro de todas as novelas que foram exibidas nos anos 80, mas boa parte das trilhas delas estão lá. Depois que eu explorar essas mais antigas, que eu ainda não acompanhava por ser muito pequeno ou nem ter nascido torno a escutar as trilhas que fizeram parte da minha discoteca. Uma ou outra eu cheguei a reaver em formato de CD, mas fazia questão de não ser o carro chefe como eram nos tempos do vini.


O que aconteceu com meus vinis? Não tenho a menor idéia. Acho que deixei com alguém, mas não lembro com quem. Estão por aí, circulando pelo universo. Nào vou correr atrás deles. Por mais que aqui em casa tenha a vitrola do meu pai que ao contrário de mikjm não se desfez dos discos de vinil dele mesmo quando não existia toca discos durante um bom tempo, eu jhá evolui tecnologicamente e tenho minhas mais de 5 mil músicas todas em mp3, num HD externo além de algumas dezenas de cd’s que ainda guardo ocupando o lugar dos antigos vinis e os mantenho pelo menos por enquanto.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

CANÇÕES NO RÁDIO

CANÇÕES NO RÁDIO

Geralmente enquanto rascunho esses textos eu faço escutando música ou de algum disco que eu tenha comprado e escuto direto por três meses seguidos, ou da rádio mesmo. A rádio que eu escuto é a MPB FM 90.3. É uma rádio que só toca música brasileira. Quando muito tem um quadro chamado MPB sem fronteiras que é ou um artista nosso cantando música estrangeira ou um artista estrangeiro cantando música nossa.

Tendo terminado de ler a biografia da Angela Maria muito bem estruturada e desenvolvida pelo Rodrigo Faour eu fico imaginando como era na época em que as rádios contratavam os cantores pra fazer parte do seu elenco. A Angela, por exemplo, começou na Mayrink Veiga, à época concorrente da Nacional que era a mais poderosa e além delas tinha a Guanabara e a Tupi. Os artistas eram revelados em shows de calouros como tinha o Ary barroso. E ao fazer sucesso na rádio gravavam suas músicas no 78 rotações que eu conheci como compacto simples, ou seja, era uma música no  lado A e outra no lado B.

Há muito que os discos não tem mais lado. Há pouco que o disco é um objeto raro, mas tem cantores que insistem em lancar seu trabalho em mídia física e eu insisto em comprar os de quem eu gosto. Na década de 50 não existia isso. Se gravava disco e se vendia disco. O sucesso dos cantores se dava pela quantidade de discos vendidos, pelas músicas cantadas e divulgadas nãos programas de rádio e pela quantidade de pessoas que assistiam as suas apresentações dentro ou fora dos auditórios das rádios. A combinação desses três fatores era o que tornava o artista uma estrela da música no Brasil.

E na época era separado. Nem sempre se fazia sucesso no Rio e em São Paulo na mesma época, simultaneamente. Existiam os cantores do Rio e os de São Paulo. Não havia uma rede apesar do intercambio e da distribuição dos discos, principalmente. As gravadoras não eram multinacionais, pelo contrário, eram pequenas. Depois que elas foram sendo engolidas pelas grandes.

E os modismos? Isso não vai deixar de existir nunca e polui cada vez mais nossos ouvidos além de enfraquecer nossa cultura. Todavia tem gente resistente como Angela Maria e tantos outros que tocam na rádio que eu escuto. Ainda assim eu não acho suficiente. As rádios de um modo geral deveriam tocar essas pessoas que fizeram dele o meio que ele se tornou hoje. Claro que na época não existia a FM e se cada rádio tinha seu casting  você sabia perfeitamente onde escutar o seu artista favorito sem que pra isso ele tivesse que se render ao famoso jabá. Ou seja, a música tocava mesmo que em apenas uma única estação. E naquela época também não existiam tantas concorrências. Hoje tem tv a cabo, internet, tudo pra pulverizar as atenções. Nem as novelas que paravam o Brasil conseguem essa proeza.

Por falar nisso na era do rádio tinha ibope? Como que se detectava que um programa ganhou do outro no mesmo horário? Será que tinha e quem era a concorrente da angela enquanto ela cantava no horário nobre da Mayrink Veiga? Será que as rádios tinham um acordo entre si ou faziam o mesmo tipo de programa no mesmo horário?


Tem muita gente boa que toca na rádio que eu escuto, aliás, por ser uma rádio seguimentada, os modismos não fazem parte da programação assim como certos ritmos também não e por conseguintes alguns artistas até mesmo já consagrados por suas músicas também nem passam perto na porta ao menos dessa estação. Mas ainda acho que tem muita música boa pré 60 que eu acho que é a década limite de gravações que essa rádio executa. Deveriam desengavetar gravações das décadas de 50, 40, 30, tocar Chiquinha Gonzaga se for o caso. Nossos ouvidos merecem e nossa cultura também.

sábado, 22 de outubro de 2016

PRA SEMPRE TEREMOS PARIS

PRA SEMPRE TEREMOS PARIS

Ano passado a França ficou na berlinda. Logo na primeira semana do ano o Charlie Hebdo foi atacado por terroristas mulçumanos fanáticos e vários e bons jornalistas e cartunistas foram mortos. Mais pro fim do ano, em novembro, a onda de ataque aumentou e vários simultâneos aconteceram na mesma noite de sexta feira 13.

Existe um exército de muçulmanos fanáticos que querem dominar o mundo. Parece que estão brincando de jogar War, cujo tabuleiro é o próprio território geográfico. Parte do Iraque já é de domínio deles. Algumas partes ali da Síria e acho que Turquia também. Ali é a base deles, é onde eles agem com mais incisão. Volta e meia espalham o terror em outras partes do mundo através de células cancerígenas, como é o caso da França ano passado.

Não sei o que ficou decidido, o que foi acordado entre os países pra que o combate a esse tal estado islâmico seja feito de modo mais efetivo. Rascunho esse texto ainda com a poeira dos ataques de novembro alta e tenho receio de que isso possa se repetir em outros países da Europa, principalmente na Espanha e na Inglaterra que também já sofreram ataques desse tipo. Tenho amigos que moram na Europa e estão vulneráveis lá por conta desse tipo de ataque que não se sabe quando e onde vai acontecer.

Eu gostaria imensamente de descobrir o motivo desse gigantesco ódio contra os parisienses, madrilenhos ou londrinos, ou melhor, contra o ocidente de um modo geral. Será que eles não percebem que isso só faz aumentar a repulsa contra os muçulmanos e que cada vez mais os seguidores dessa religião serão taxados de terroristas e vão sofrer mais preconceito ainda? Verdadeira bola de neve.

Tenho um amigo que não suporta mais ver muçulmanos que acha que todos são nocivos a humanidade. É essa visão que a maioria das pessoas vão construir a cada ataque que o estado islâmico, a al qaeda ou outro grupo radical islâmico proporcionar.

Nunca li o alcorão, mas será que ele prega o ódio, a disseminação pra quem não pertence ao islamismo? Foi isso que o profeta Maomé deixou como legado, o pedido pra eliminar todos aqueles que não seguirem seus preceitos? Não acho que seja assim. Não deve ser assim. Temos que ser diferentes e respeitar essas diferenças.

É preciso que haja uma inteligência que detecte esse tipo de genteque pensa em destruir um lugar e sua população, um monitoramento dessas pessoas suspeitas pra que se evite catástrofes como a da dimensão dos atentados de Paris onde mais de 120 inocentes morrerame mais de 400 ficaram feridas.

Tenho receio de que essa moda pegue e fanáticos pentecostais entrem também nessa dita guerra santa. Coitado de Deus que é o que sofre mais com isso. Pouco me importa a alegação do estado islâmico pra esses ataques e muito menos suas exigências pra que eles parem de planejar esses ataques dentro ou fora do território que eles já dominaram.

Tem que se combater isso de qualquer jeito. Tem que se mostrar que dá pra conviver num mundo mais tolerantes onde as diversas crenças não atrapalhem a civilidade e nem a evolução da humanidade que só deve rumar para a cordialidade.

Um outro amigo meu receoso com esses ataques me confessou que está com medo de visitar Paris. Eu não. Isso não me intimida a dar outro passeio pela Champs Elisés, a visitar o Louvre ou a Catedral de Notre Dame. A torre Eiffel, símbolo da cidade continua lá de pé e nunca deixará de ficar até mesmo pelo histórico do povo francês.
 
           É por isso que eu sempre estou de acordo com a bandeira da França e digo que pela igualdade, liberdade e fraternidade je suis Paris.

sábado, 15 de outubro de 2016

HOMENAGEM AO TIO RUI

HOMENAGEM AO TIO RUI

Os céticos diriam que eu tenho sorte. Os crentes diriam que sou abençoado. Eu diria que os dois têm razão. Sou sortudo pelo fato de fazer parte da vida desse cara e abençoado por pertencer a família dele.

Sou suspeito pra falar desse cara já que nada tenho a reclamar, pelo contrário, é só elogios. Nada do que esse cara faça e que eu por ventura não concorde – o que é difícil – é motivo de redução do sentimento que eu tenho por ele. Aliás, foi isso que ele sempre me passou, que me ensinou e que de certa forma me ajudou a entender e perceber. Esse amor incondicional por mim, pela sua família, pelos seus amigos. Esse é um dos valores, talvez o mais nobre, que esse cara ajudou a incutir na minha personalidade. Se hoje sou como sou, boa parte devo a esse cara.

Fazendo uma analogia digamos que meus pais são minha perna direita e esse cara a minha perna esquerda e que botando uma de cada vez na frente da outra eu hoje consigo caminhar com muito mais segurança sem medo de topadas ou tropeções. Já os outros membros da minha família são a minha coluna vertebral que me dá sustentação e me deixa de cabeça erguida.

Vou revelar uma coisa aqui que me veio na cabeça agora. Não sei precisar a época, mas eu era pequeno quando recebi dele de presente um Mickey inflável que ficava quase do meu tamanho e cujo pé era encaixado numa espécie de andador acionado por controle remoto. O Mickey nada mais é do que a realização do sonho de um visionário que Walt Disney se tornou. Não que aquele Mickey fosse a realização de um sonho meu; foi surpresa, mas tenho pra mim que que aquele gesto foi uma espécie de recado que ele estava passando pra mim nas entrelinhas. Como se ele estivesse falando pra mim: “Sonhe e no que for preciso eu vou te ajudar a realizá-los.”

Claro que eu era pequeno pra perceber aquilo, no entanto com meu crescimento, com a minha evolução, a minha maturidade e os gestos que esse cara fazia não só para comigo, mas com qualquer um da nossa família e provavelmente com seus amigos também eu pude notar o quão grandioso, o quão generoso esse cara é e nos transmitiu não só pra mim quanto pros seus filhos, pros outros sobrinhos e agora pros sobrinhos netos que esse tipo de gesto só nos faz crescer e enobrecer. Atrevo-me a dizer ser essa característica é genuína da minha família sem querer menosprezar outras que também sejam assim. Se o mundo fosse de pessoas como esse cara, como diz a canção, se todos fossem iguais a você garanto que não estaríamos acompanhando certas barbaridades no noticiário.

Olha pra gente. Olha em volta de você. Olha essa homenagem que está acontecendo pra você. Olha quanta gente está aqui por sua causa. Olha quantos mais queriam estar aqui te homenageando. Olha a alegria que você está nos dando. Que bom que todos nós podemos vivenciar isso. Dizer que você merece é ficar enxugando gelo. Aposto que se pudesse seu busto ficaria em alguma praça da cidade seu nome estartia estampado numa placa de rua tamanha importância que você tem pra gente não pelos feitos que tenha contribuído à cidade, mas por tudo que nos ensinou, pela colaboração que você dá a cada um de nós no dia a dia, pela transformação inconsciente ou não que você nos proporciona e sempre pra melhor. Tudo isso é pra você. A gente sabe que é pouco pelo muito que tem feito por todos nós, mas foi feito com amor e carinho.


Tenho orgulho de você que sempre me ajudou, sempre me defendeu, sempre me apoiou. Esse cara é você. Sortudo ou abençoado agora faço questão de cometer um ‘deslize’. “Não sei por que insisto tanto em te querer.” Realmente tenho sorte de ter você perto de mim sempre que eu precisar e sou abençoado por também ser seu afilhado. Muito obrigado por tudo. Eu te amo meu tio Rui.   

domingo, 9 de outubro de 2016

HÁ UM ALGUÉM NA MULTIDÃO

HÁ UM ALGUÉM NA MULTIDÃO

Não que eu me ache importante. Pelo contrário. Prefiro ser útil a importante. Mas às vezes acontece umas coisas que me fazem sentir importante. No início de novembro do ano passado me chegou um mail de uma forte produtora de teatro do Rio pedindo pra responder mediante a grande possibilidade de conseguir um par de convites pra assistir uma sessão extra de um musical que completava 50 apresentações e cuja atriz protagonista comemorava 50 anos de carreira com direito a exposição de fortos da vida e carreira dela.

Como essa produtora conseguiu meu mail eu não sei, mas não foi a primeira vez que eles entraram em contato comigo tanto pra fazer a divulgação dos seus espetáculos quanto pra me convidar pra alguma coisa. Dessa vez deu certo. Da outra eles chegaram a chamar, mas depois cancelaram o convite. Eu como gosto de teatro e tenho trabalhado bastante no meio fiquei um pouco receoso que eles repetissem a dose. Tinha impresso o mail de confirmação na sexta e viajei pra comemoração do aniversário do Serguei em SP no sábado só voltando na segunda, dia dessa apresentação extra. E se no meio do caminho eles tivessem feito a mesma presepada da outra vez? Iria dar de cara na porta.

O desespero em acessar a caixa de mail foi tão grande que tentei fazer isso pelo celular ainda na rodoviária quando o Serguei embarcou de volta pra Saquarema, mas não consegui. Liguei pra um amigo que mora em Copacabana pedindo um abrigo e uma ducha até a hora do espetáculo. Me arrisquei e fui.

Cheguei lá, deixei a mala e fomos almoçar. Na volta do almoço tomei o meu banho e fiquei pronto, em contato com outro amigo que eu já havia combinado de ir com ele. A reunião em que ele estava demorou mais que o esperado e ele na última hora declinou do convite. Chamei esse amigo que me deu guarita e ele rapidamente se prontificou a ir. Enquanto ele tomava banho eu acessei meu mail e não havia nada desmarcando esse evento. 

Saimos de casa na hora em que estava marcado pra chegar no teatro. Pegamos um taxi e em cinco minutos chegamos lá. Tinha uma fila considerável. Queria saber se aquela fila era pra entrar ou trocar o mail de confirmação pelo ingresso. Apesar de ter dois guichês, a fila só era pra um. Como vi poessoas naquela fila com o ingresso na mão, corri pro outro guichê. Custou um pouco, mas o próprio produtor que estava a frente desse guichê sem filaque me deu os ingressos. Pergamos a fila I. Do balcão. Lá em cima. Pouco depois sobe o produtor oferecendo lugares vagos na plateia e conversando com meu amigo ele disse que eu podia descer pra ver mais de perto e que ele preferia ficar lá em cima mesmo por ser mais espaçado principalmente depois da debandada das pessoas do balcão para a plateia.

Revi vários conhecidos e no fim outro amigo meu apareceu também. Não fiquei muito tempo na bajulação no final. Cumprimentei a todos no início, antes do começo do espetáculo, logo que cheguei. No final eu queria ir embora logo, afinal estava voltando de viagem e nem tinha ido pra casa ainda. Se eu ficasse por lá iria demorar mais e esse meu amigo que foi comigo também não gosta muito de badalação. Se fosse o que tinha combinado de ir comigo ficaríamos lá até altas horas, mas não foi o caso. Atores, autores, diretores, músicos foram lá prestigiar a sessão extra reservada para a classe.
          
            Me senti da classe também. Boa parte dos meus amigos fazem parte da classe e eu já estou quase me considerando também da classe de tanto que eu tenho assistido, frequentado e trabalhado no meio. Ainda sou um Zé Ninguém, mas um Zé Ninguém que às vezes tem o seu dia de Zé Alguém. E pretendo ser um dia um Zé Alguém nesse universo tão amplo e tão cheio de possibilidades que agora estão cada vez mais se concretizando. 

sábado, 1 de outubro de 2016

DIA DE FESTA

DIA DE FESTA

Dia 8 de novembro é aniversário do Serguei. Ano passado ele completou 82 anos de vida. A festa foi embutida na celebração de outra festa, a de 48 anos de existência da banda Made in Brazil, uma tradicional banda de rock paulistana cujo líder Oswaldo Vecchione já pode ser considerado uma referência dentro da cena musical brasileira de São Paulo.

Na ocasião também foi gravado um DVD comemorativo realizado no Centro Cultural São Paulo, colado a estação de metrô Vergueiro, na capital paulista e dentre os vários convidados o Serguei foi principalmente por calhar o dia da gravação com o dia do aniversário dele. Marcio Baraldi foi quem articulou isso tudo comigo. Me deu carta branca pra comprar as passagens e reservar o hotel pra que ele pudesse participar e ter de certa forma uma festinha também.

No sábado nos encontramos ao meio dia na rodoviária do Rio e pegamos um taxi pra ir pro aeroporto do Galeão pra pegar o avião. Como o vôo estava marcado pras 4 da tarde, tivemos tempo pra almoçar e mofar na sala de embarque. Às cinco e pouca estávamos chegando no hotel que por sinal foi o mesmo que eu havia ficado na semana anterior. Assim que nos instalamos dei um pulo no mercado que ficava na rua de trás pra comprar alguns complementos alimentares – leia-se gordices como um saco grande de batata rufles, duas caixas de suco de laranja e duas caixas de bis. Mais tarde nosso amigo Bruno levou para o Serguei uns potes de doce de leite e lá prqas dez e meia da noite o próprio Oswaldo nos pegou e levou para comer uma pizza e depois fomos a uma casa noturnatematica de rock. Chegamos de volta no hotel pouco depois das duas da manhã.

No dia seguinte, quando descemos pra tomar café, quem aparece pra fazer o mesmo? Eduardo Dusek. Todo feliz o Serguei inesperadamente recebeu os parabéns do colega artista, além de uma mensagem carinhosa do meu amigo Gustavo Berriel. Depois do café, tornamos a subir pra descansar até as duas horasque foi quando saímos pra almoçar e em seguida fomos direto pro local do show.

O show começou às 6 e terminou às 8. Serguei foi o último a se apresentar cantando apenas uma parte de uma música pra fazer o “grand finale” e depois cantar o parabéns tanto pra banda quato pra ele e encerrar a festa por definitivo. Até pelo fato do som vazar pra área que teria atividade em seguida, o teatro se não me engano. As pessoas ainda ficaram na área do show pra aproveitar, tirar fotos e tietar um pouco. Depois a festa seguiu pro camarim onde teve outro bolo pra ser cortado e mais uma vez o parabéns, mas agora de uma forma bem mais intimista, sem público, só pra quem ainda estava por ali.

O mesmo Marcio Baraldi mandou rodar uma revista pôster com a discografia, biografia e curiosidades sobre o Serguei e distribuiu lá nesse evento. Antes de nos recolhermos ao quarto do hotel fomos nós, o Bruno e mais dois amigos comer um hambúrguer numa hamburgueria rock and roll em frente ao hotel.

           No dia seguinte tomamos o café da manhã, subimos pro quarto, descansamos mais um pouco, arrumamos a mala, o Bruno apareceu pra se despedir da gente e nos acompanhou até o aeroporto. Nosso vôo estava marcado pras 4:30 da tarde, mas como a gente tem que sair ao meio dia do hotel, fomos pro aeroporto tentar antecipar o voo. Geralmente podemos fazer isso na ponte aérea. Conseguimos embarcar nos voo das 2 da tarde. Condições meteorológicas não nos deixaram levantar voo. Foi só a gente entrar no avião pra despencar uma nuvem de chuva daquelas que faz o aeroporto fechar e ficamos quarenta minutos esperando tanto o aeroporto reabrir quanto a fila de aviões na nossa frente também decolar. Pousamos no Rio por volta das 3:20.

sábado, 24 de setembro de 2016

INUSITADO

INUSITADO

No início de novembro fui assistir a alguns amigos no espetáculo “O Beijo no Asfalto” com musicas compostas pelo Claudio Lins pra costurar o texto do Nelson Rodrigues. Mais um musical. O primeiro de um clássico da dramaturgia transformado em musical. Participei da produção da primeira temporada do “Capitaes da Areia – o musical”, clássico de Jorge Amado. Literatura nacional.

Pelo menos estão saindo dos musicais biográficos e cópias da Broadway. É um outro filão que está se abrindo dentro desse ramo de musicais. O que vi em São Paulo “O primeiro musical a gente nunca esquece” não se enquadra em nenhum desses três pontos citados acima. É um musical original, criado pra ser um musical assim como o “Barbaridade” que não foi muito bem das pernas. Aliás, quando fui ver “O Camareiro” tinha uma senhorinha conversando com outras duas dizendo que não gostou desse musical por que achou um pouco chulo no sentido de que debochavam bastante da dita terceira idade.

Voltando ao “Beijo”, quando eu cheguei no teatro a primeira coisa que fiz foi ir ao banheiro e eis que quem surge na porta do toalete também querendo entrar foi o Artur Xexéo. Grande colunista, atualmente no jornal ‘O Globo’ e no programa ‘Estudio I’da Globonews e que eu frequento desde os tempos em que ele escrevia pro JB. Eu me assustei a vê-lo que sem querer minha voz exclamou o seu nome e ele me cumprimentou como se já me conhecesse de outros esbarrões que já demos pelos teatros do Rio. No fundo eu queria puxar assunto com ele, mas a situação me constrangia um pouco. Afinal ali estávamos sendo vizinhos de mictório e por mais que a emoção me encorajava em conversar com ele, a razão me toliu e fiquei mudo, na minha. Quem sabe da porta pra fora a coragem voltava a me dominar e a cara de pau me fazia dirigir a palavra a ele.

Além de suas excelentes crônicas dominicais ele também se enveredou pra dramaturgia e eu vi alguns espetáculos cujo texto foi de sua autoria. O último foi justamente o “Ou tudo ou nada” cuja versão foi ele quem fez e coincidentemente foi o nosso último esbarrão antes desse, visto que eu ajudei na produção local do espetáculo quando esse fez sua prévia em Niterói. Me lembro inclusive que no dia em que ele foi assistir tinha um jornalista de São Paulo que o entrevistou. Outro esbarrão que demos foi quando eu e meu amigo Carlos Loffler fomos assistir a delícia da peça que foi o “Pra sempre teremos Paris”. Esses pra mim foram os mais marcantes esbarrões e ao menos o último, em Niterói, eu gostaria de ter comentado com ele, mas não acho de bom tom puxar papo enquanto se alivia.

Eu tinha recém chegado de uma semana cultural em São Paulo e uma das peças que eu tinha visto lá, “O Reizinho Mandão” em que um amigo meu atuou e ele me disse que aquela companhia ou alguém que estava atuando com ele iria participar de outro espetáculo com texto assinado pelo Xexéo sobre o Cartola.

Queria conversar com ele sobre esse e vários outros assuntos, não na latrina de um banheiro, mas na mesa de um bar, por exemplo. Ou na de um restaurante que é mais a cara dele. Tenho fé de que esse dia ainda vai chegar.

Gosto das peças que o Xexéo assina. Acho que o jornalista inevitavelmente se envereda pra literatura e/ou dramaturgia. Acho que o Xexéo esta se dando bem.


Me lembrei de um outro esbarrão. Não entre o Xexéo e eu. Esse também aconteceu na porta do banheiro e no caso um saía enquanto o outro entrava. Eu estava no Terezão – desculpa, mas eu ainda chamo o Net Rio de Terezão – pra assistir ao lançamento do disco do Tony Platão – desculpa, mas ainda chamo cd de disco – quando o Frejat esbarrou com o Serguei na porta do banheiro. Isso dá uma coluna do Xexéo.     

sábado, 17 de setembro de 2016

REDE DE OBRAS

REDE DE OBRAS

Na minha infância quando ia pra nossa casa la em Saquarema uma das nossas diversões era balançar na rede. A gente dava impulso com os pés e se balançava. Tinham dois lugares na varanda onde tinham os ganchos pra pendurar as redes. Cansei de cair de bunda no chão também. Teve uma vez, não me lembro se foi exatamente lá em Saquarema, que cheguei a pernoitar na rede. Um verdadeiro programa de índio.

Mas acho que rede combina mais com casa do que com apartamento. Esses, quando tem varandas espaçosas até pode ser que se coloque uma rede, mas dentro do apartamento eu já não acho legal. Principalmente pra quem mora no ap debaixo.

Ano passado os vizinhos que moram em cima de mim tiveram essa ideia de colocar ganchos no quarto pra pendurar e ficar balançando na rede. Acho extremamente irritante o barulho que se faz do atrito entre o elo chumbado na parede e o gancho que faz o movimento. E um barulho ao meu ver chato, incomodo, mesmo sabendo que isso ocorre em todas as redes que sao penduradas em ganchos como esse. O som é fino, agudo, constante. Parece um passarinho piando a cada segundo do mesmo modo. É irritante como qualquer barulho quer tenha um ritmo, uma constância. Quantas vezes eu rolei na minha cama querendo dormir e aquele granido agudo sobre a minha cabeça apitando sem parar.

Até o momento em que rascunho esse texto os vizinhos de cima não tiveram mais ideia do que fazer no apartamento deles. Desde quando nos mudamos pra ca, acerca de cinco anos volta e meia tem som de martelada sobre as nossas cabeças. Cansei de ser acordado no som de quebra quebra principalmente no que parecia ser piso.

E pensar que quando mais novo passei muito por isso. Minha mãe adorava uma obra. Até hoje ela gosta de modificar as coisas. Lá no antigo apartamento o banheiro e a cozinha foram alvos de reformas radicais. Nesse novo ainda não teve disso e tomara que continue sem ter. O  máximo que ela fez foi semanas antes da gente se mudar pra cá rebaixar parte do teto da sala com gesso e botar lâmpadas de led. Fora isso uma tintazinha numa ou noutra parede. Falando nisso até projeto de cores pra pintar o apartamento ela fez, mas por enquanto ficou so no projeto por que por mais que não se considere obra de quebrar ou modificar algum ambiente, pintura também dá trabalho pra cobrir ou tirar os moveis do lugar. Aliás o meu quarto é o mais cru possível diante dos outros ambientes. Faço questão de que seja assim. Tomei trauma de coisas penduradas na parede.

Não sai da minha cabeça o dia em que lá no apartamento velho eu estava almoçando no quarto dos meus pais pelo fato de a Norminha estar ocupando a mesa da sala fazendo comida pra congelar e vendo a tv que estava pendurada naquele girovisão – lemba dele? – quando aquilo tudo veio abaixo. Por sorte, tinha uma cadeira bem embaixo que além de amortecer a queda  evitou o desastre maior que seria do aparelho se espatifar, estilhaçar e até explodir, já que estava ligada.

Por isso que depois que mudei pra cá faco questão de não bater um prego nas paredes do meu quarto. Até porque se por algum motivo você faz uma modificação no lay out aqueles pregos e parafusos ou os buracos deixados por eles vão ficar expostos, a mostra e acho isso muito feio esteticamente falando. Então prefiro que fique sem nada, nu, do que com esses resquícios de que ali naquele determinado local já teve alguma coisa pendurada.


Espero que meus vizinhos de cima, que não faço ideia de quem sejam não façam mais reformas e muito menos utilizem a rede que calhou de ser instalada justamente no quarto em cima do meu pelo menos durante as minhas horas de sono que não são tão convencionais quanto as deles.

sábado, 10 de setembro de 2016

PAULICÉIA DESVAIRADA

PAULICÉIA DESVAIRADA

Eu adoro São Paulo. Sempre que consigo juntar um pouco de dinheiro e tempo disponível vou pra lá. Mesmo que só a “trabalho”, ou seja, acompanhando o Serguei quando chamado pra algum evento e eu podendo ir junto, o que chamo de bate-volta, vou com muito prazer. Se me surgisse oportunidade de trabalhar por lá e ficar morando em São Paulo não pensaria duas vezes. Pra quem já morou em Londres, São Paulo pelo menos tem a vantagem de ser mais perto de casa.

Ano passado eu fui quatro vezes pra lá. A primeira em março basicamente pra ver uma peça de teatro. Apesar de ter passado so um fim de semana, quando vou por conta própria esse e o meu programa favorito. Assistir peças de teatro. Em junho voltei para um bate-volta com o Serguei na Virada Cultural e outro também no inicio de novembro por ocasião do aniversario dele de 82 anos. Geralmente nesses bate-volta eu fico a mercê dele, ate por que não da tempo de fazer mais nada.

Seis dias foi o tempo que consegui ficar por conta própria no fim de outubro entrando novembro do ano passado. Aí sim eu tive tempo pra rever alguns amigos e ir muito ao teatro. Meu tempo era dividido entre esses dois polos com direito a uma boa leitura no meio. Cheguei lá na quarta, deixei a mala na casa de um amigo onde fiquei hospedado e a noite fui visitar outros dois amigos.

Na quinta pela manhã fomos a uma exposição pela manha no CCBB e a noite encarei a primeira peca “O primeiro musical a gente nunca esquece” no teatro NET SP no shopping Vila Olimpia. Um musical que mistura músicas de consagradas de musicais como Noviça Rebelde e Mágico de Oz com jingles de propagandas de tv como cremogema e varig, por exemplo.

Na sexta pela manha fui no parque do Ipiranga. Apesar do museu estar fechado pra obras, a área ali da frente ainda era frequentada. Tinha ate um ensaio fotográfico de um casal de noivos no parque. Uma coisa que me chamou atenção foi a fonte que mesmo sem água me lembrou muito a que fica em frente a torre Eiffel em Paris. Pode ser que realmente tenha havido uma cópia ou, se essa palavra for muito forte, uma “livre inspiração” com a da capital francesa. A tarde fui pro hotel onde havia reservado mais três noites pra mim, além das duas que fiquei na casa do meu amigo. A noite fui assistir “Caros Ouvintes”, uma peça que retrata os bastidores do último capítulo de uma rádio novela e toda a questão da transição pra televisão e um pouco do golpe militar também. 

Sábado fiz uma dobradinha. Um amigo meu em cartaz com um infantil me convidou pra assistir uma peça baseada num livro de Ruth Rocha que eu devo ter lido aos oito anos de idade chamado “O Reizinho Mandão”. O que eu achei mais interessante é que quem faz o reizinho e o papagaio do rei e um casal casados na vida real e portadores de síndrome de down. Além de outra menina no elenco também portadora da síndrome. Mas o jeito com que eles contam essa historia parecendo um cordel, uma trupe mambembe é bastante interessante. Depois eu voltei pro hotel que fica bem perto desse teatro, tomei banho, me arrumei pra assistir a um espetáculo que a Marilia Pera fez a um tempo atrás e que nessa temporada a personagem foi interpretada pela Christiane Torloni. Maria Callas em Master Class. A peça conta como eram as audições que as pessoas que queriam interpretar uma ópera tinham com a diva Maria Callas além dos delírios que ela tinha contando as histórias pessoais. Depois fui encontrar com outro amigo.


No domingo fui ver “O Camareiro” com Tarcisio Meira fazendo um ator que foge do hospital no meio da segunda guerra pra interpretar o Rei Lear, mas que já não esta em plenas condições das faculdades mentais e seu fiel escudeiro e camareiro Norman esta lá cuidando dele das coisas dele. E depois fui visitar mais dois amigos.

sábado, 3 de setembro de 2016

A ETERNA CANTORA DO BRASIL

A ETERNA CANTORA DO BRASIL

No final de outubro do ano passado foi lançada a biografia da Angela Maria. O evento se deu primeiramente em São Paulo e quatro dias depois aqui no Rio. Tive a oportunidade de ir e ver a biografada respondendo algumas perguntas do seu biógrafo antes de começar a fila de assinatura do livro propriamente dito. As histórias que ela contou estão todas no livro, mas o que mais me comoveu foi o depoimento, a declaração que ela deu a respeito do atual marido.

Segundo ela teve um momento da vida em que ela pensou em largar tudo, abandonar a carreira entre outros motivos pelo excesso de falcatruas que faziam com ela e ate em cometer o suicídio. Até que ela conheceu o marido que disse que ia ajudar a ela a dar a volta por cima, um homem que a valorizou não como artista, já que ele a conheceu como tal – e quem não? – mas como mulher que era o que ela mais sentia falta , como um se humano e não como um produto que se usa e joga fora.

Ele tem a idade pra ser filho dela. No entanto quando se tem amor e respeito essa diferença e suprimida. Por mais que ele tivesse 18 e ela 50 no inicio da do relacionamento , isso não significou nada perante o mutuo sentimento dos dois e se não fosse por ele talvez essa biografia fosse póstuma. Ainda bem que não foi e ela conseguiu ter retratada toda sua vida num livro escrito pelo Rodrigo Faour, pela editora Record, entitulado Angela Maria a eterna cantora do Brasil.

Gosto do trabalho do Faour de pegar esses ícones como Angela, Cauby, Dolores, Claudete Soares e entregar a vida deles nas nossas mãos. Não vou aqui retomar a discussão sobre as biografias ate pelo fato desse assunto já ter sido resolvido no STF e estar liberada a composição delas sejam ou não autorizadas.

Nesse evento, grandes damas da época do radio compareceram em peso. Elen de Lima, famosa pela cancao das misses, Eliana Pitman, uma das irmãs Meireles – essa nem eu conhecia – e o Cauby mandou uma de suas irmãs representa-lo. Parece que o Ney Matogrosso chegou a aparecer por la, mas por conta de um compromisso não pode ficar pra falar com a Angela. Leny Andrade também apareceu no final do evento, um pouco antes da angela deixar o local. Durante o bate papo ela chegou a cantar três musicas acompanhada pelo publico presente. Claro que não tem mais aquela voz.

Também uma mulher cujo instrumento de trabalho e a voz e a utiliza a 65 anos não tem como manter a mesma voz do inicio de carreira ou de trinta anos atrás. Fazendo as contas ela tem mais tempo de carreira do que a minha mae tem de idade. E e a eterna cantora do Brasil por que foi referencia pra gente do calibre de Elis Regina que tem uma declaração em um dos dvd’s da própria angela maria dizendo que queria ser ela, queria cantar como ela.

Nem só de palavras vive o livro sobre Angela Maria. Há uma galeria de fotos de acontecimentos da vida dela, as capas da revista do radio, materiais de jornal, todas as capas de disco e cd’s lançados por ela além da listagem dos filmes que ela participou e a ficha técnica dos discos que ela lancou também. E um livro completo e pra quem gosta de boa musica e boas historias dos bastidores e um prato cheio. Espero que a geração que esta ai e a que esta chegando hoje , onde tudo e feito mais rápido e portanto se torna mais descartável, aprenda alguma coisa com a historia de vida da mulher considerada a maior cantora do brasil de todos os tempos.


De tanto eu escutar falar sobre, me embrenhei em descorir mais sobre o trabalho dela e tenho algumas músicas na voz da eterna cantora do Brasil. Eu não vivi Angela Maria, apesar de sua atemporalidade, mas certamente as vozes femininas que ouço como Rita Lee, Marisa Monte, Vanessa da Mata de alguma forma beberam nessa fonte inesgotável de exemplo e inspiração.

sábado, 27 de agosto de 2016

QUEM RIU?

QUEM RIU?

Quando não vou caminhar por algum motivo, seja ele doença, chuva, compromisso ou preguiça mesmo, fico em casa vendo dois programas de humor que passam em uma hora. O primeiro é a Escolinha do Professor Raimundo que durante anos ocupou parte das tardes durante a semana e as noites de sábado. Os comediantes e humoristas que sentavam nas carteiras daquela sala de aula foram sem dúvida os melhores do Brasil.

O Chico Anysio tinha esse dom de manter tanto os que como ele vieram do rádio como Brandão Filho, Zé Vasconcelos entre outros quanto de lançar outros que aí se encontram defendendo o seu até hoje como Heloisa Perissé e Tom Cavalcante, por exemplo. Essa também foi a minha escola de humor, minha referência. Daí talvez não achar tanta graça nessa geração pós escolinha. Acho que o único programa que se mantém no ar com essa mesma característica e preocupação é A praça é nossa, comandada pelo carlos Alberto de Nóbrega, filho do Manoel que assim como o Chico se reinventou com o advento da televisão.Não há outro programa em nenhuma emissora nos formatos da Escolhinha ou da Praça.

Na década de 80 surgiu o TV Pirata que eu acho que o novo formato do Zorra lançado ano passado tem muita referência deles, apesar de alguns personagens terem uma certa regularidade, uma vida própria e uma continuidade no programa, coisa que eu não acho que tenha nesse novo Zorra. Não vejo programas de humor. Aliás não vejo programa de TV de um modo geral. Ano passado, além da assiduidade do Manhattan Conection e da Marília Gabriela que é de praxe, acompanhei o seriado Magnífica 70 da HBO e o Romance Policial Espinosa do GNT e a novela Cambalacho e na tv aberta os telejornais, geralmente os da hora do almoço e do início da madrugada, além do programa do Jô.

O outro programa de humor que passa depois da Escolinha é a Turma ou as Aventuras do Didi. Encabeçado pelo Renato Aragão não passa, na minha opinião, de uma revisita aos Trapalhões. Sem sombra de dúvida o quarteto era bem melhor que essa espécie de remake. Didi, Dedé – que voltou a contracenar nos últimos anos do programa – Mussum e Zacarias eram imbatíveis tanto na composição, na feitura do humor deles quanto no horário de domingo antes do Fantástico, às 7 da noite. As piadas eram as mesmas, os quadros eram batidos e dada as devidas proporções, pra quem não curtiu aquele tempo até que tinha uma certa graça. Criança adora uma brincadeira, uma palhaçada e eu acho que pra quem devia ter o hábito de assistir deveria ser divertido e interessante. Eu particularmente vejo esse programa só pra esperar o final dele onde no quadro “Armações e Mancadas” passa os erros tanto intencionais quanto os sem querer das gravações dos quadrosapresentados durante o programa. Eu já tive a oportunidade de gravar algumas vezes esses quadros no estúdio dele cerca de dez anos atrás e era assim mesmo. Acredito que como ele costumava gravar uma, duas vezes por semana no máximo, aquela era a hora de se divertir, aquele era o parque de diversões dele, o recreio pra ele e equipe. Era o tempo que ele tinha pra voltar a ser criança.

Eu não vejo humor nenhum nos ditos humoristas de hoje. Salvo um ou outro quem assistia os filmes de Jerry Lewis nas sessões da tarde, quem viu os filmes do Oscarito no Canal Brasil, quem cresceu vendo os programas e os companheiros de cena de Jô Soares e Chico Anysio como eu teve acesso a nata de humoristas e comediantes que passaram pelo show bizz.


A graça de hoje tá muito sem graça. Não vejo ninguém que possa se aproximar desses mestres. Substituí-los jamais. Enquanto isso temos oportunidade de ver, rever e reviver de vez em quando os grandes quando eram ainda grandes.