sábado, 27 de fevereiro de 2016

MODOS DE APRENDIZADO

MODOS DE APRENDIZADO

Dizem que há duas maneiras de se aprender alguma coisa. Ou pelo amor ou pela dor. De qualquer modo se aprende. Claro que se fosse tudo aprendido pelo amor seria bem mais fácil e creio até que o mundo seria um lugar melhor de se viver. Já pela dor é o jeito que a gente não gosta de aprender.

Por exemplo, me doía, no sentido figurado e não de dor física, aprender as ciências exatas na escola. Não me conformava em resolver questões de física e matemática sabendo que eu não as iria utilizar durante o resto da minha vida e pra passar no vestibular, pra entrar numa faculdade, mesmo da área de humanas tinha que ter um conhecimento mínimo que fosse, mas mesmo esse mínimo pra mim era doloroso. Ao contrário das matérias de história e português, por exemplo que eu aprendia com amor. Sentia gosto e me interessava por aquilo, tinha prazer em ter aquelas aulas. Acredito que pra quem era mais interessado na área de exatas, essas eram as matérias das dores. Isso não se resume só no âmbito escolar. Na vida de um modo geral é assim.

Relacionamentos, trabalho, tudo tem os seus dois lados. É chato se aprender alguma coisa pela dor, mas as vezes é necessário. É ruim quando isso te fragiliza, te abala psicologicamente ou quando você não sabe como lidar com isso, por mais que você saiba que é uma aprendizagem. Acho que tudo vale a pena, que se pode tirar lição de tudo, mesmo das piores situações. A questão é saber avaliar e partir pra uma próxima já com essa experiência na bagagem.

Não quero aqui relatar minhas experiências com essas dores, mas recentemente passei por uma dessas e aprendi muito. Isso eu não nego. Mesmo com as chibatadas de palavras - tudo bem, posso estar exagerando, mas as vezes me parecia ser isso mesmo – eu dava a volta por cima, ou ao menos tentava. Sei que é ruim, é horrível e achava que não daria conta de tudo, queria desistir no meio do processo e fiquei bastante abalado emocionalmente. Tanto que cheguei a ter problema de saúde que nunca havia tido antes. Foi a hora que eu respirei e resolvi encarar pelo menos até o fim do processo até porque não tinha mais como voltar atrás. Não consigo fazer isso. Tenho uma responsabilidade que por mais dolorosa que seja tenho que cumprir.

Não foi a primeira vez e nem será a última. Outras tantas virão, outras lições serão aprendidas pelas dores. Só espero que não sejam tão fortes e constantes. Aprender nós vamos sempre, afinal a vida é um eterno aprendizado. Tem que aprender a lidar com essas lições e saber o que tirar delas mesmo que sejam das piores formas possíveis. Outra coisa que eu aprendi é não se deixar abater. Eu as vezes me deixo e o que me reabilita é pensar nas pessoas que realmente gostam de mim e na rede que eu tenho de pessoas que me seguram, que me acolhem, que gostam de mim e que posso contar com eles a hora que eu precisar. É isso que me dá forças pra continuar. É pelo amor que tenho por eles que quando me encontro em meio ao aprendizado pela dor, sigo em frente cumpro o que foi acordado.

No fim é o amor que vence sempre. Não adianta dizer que não. Na batalha do bem contra o mal, por mais que possa parecer, o mal não consegue se estabelecer por muito tempo. Ele até pode reinar um pouquinho, mas tudo que vem fácil, vai fácil, mesmo que demore um tempo. Chega um dia em que a casa cai.


Não há sentimento maior e com mais constância do que o amor. Esse é a verdadeira mola mestra de tudo. Podemos até sofrer picos de raiva, de depressão, mas é o amor que cura de uma loucura qualquer, como canta o Lulu Santos. Amor ou dor a lição é tirada, ás vezes arde, dói, mas no fundo é para o bem, mesmo que os meios não sejam tão legais de se encarar, os fins são justificáveis. Nesse caso o ditado popular não se enquadra. Basta apenas saber levar.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

SEGUNDO ROUND

SEGUNDO ROUND

Na postagem passada contei como peguei dengue. Continuando na seara da saúde, ou da falta dela, vou contar outro caso que aconteceu comigo em agosto do ano passado. Dizem que agosto é o mês do cachorro louco, que tudo de mal, de ruim acontece em agosto. É um mês mal visto, maldito. Como pra mim foi um mês de trabalho intenso, teve um dia que pifei. A gente vai ficando velho, vão ocorrendo coisas que a gente nem imaginava que poderiam ocorrer com a gente.

Eu estava a todo vapor, em plena atividade, acabado de estrear um infantil num sábado e logo depois fui num aniversário de 2 anos do Caio. No domingo acordei mal, com muita tontura que não me aguentava em pé a não ser que me escorasse em alguém ou alguma coisa. Enjoado, a pronto de vomitar várias vezes. Nada parava no estomago. Tomei vitamina, botei pra fora. Baixei hospital. Até no hospital tomei 2 goles de água e não tive como segurar. Fui no banheiro vomitar a água também. Enfim, fui atendido. Eu nunca tinha tido isso antes. Talvez a sensação mais próxima foi uma vez em que eu estava em Paris, no dia em que visitei o Louvre, mas ali acho que foi hipoglicemia.

Nesse dia de agosto a médica que me atendeu disse que era labirintite. Uma nova doença para o meu histórico. Espero não ter mais crise de labirintite, mas também foi um alerta, um sinal que meu organismo deu pra desacelerar. Havia acabado de estrear um infantil e na sexta seguinte era a vez da estreia de um adulto. Acho que acumulou tudo, o estresse culminou nessa estafa e no sábado eu também não almocei e nem comi nada que trouxesse sustância pro meu organismo. Ou seja, a falta de comida, o acúmulo de carga e de volume de trabalho e a tensão de 2 estreias acabou ocasionando esse defeito no meu organismo que dessa vez foi batizada de crise de labirintite.

Pifei meio antes da hora pois não tive como trabalhar no domingo e ainda faltavam cinco dias para a estreia da outra.  Ainda tinha um cronograma bastante puxado pra cumprir naquela semana. Na segunda fui a noite pro ensaio e terça tive um projeto escola. Na quinta foi a montagem do espetáculo adulto e na sexta foi a estreia. E o pior foi que na semana entre as apresentações do adulto eu só tive um dia de folga, uma quarta feira. Nos outros todos teve projeto escola, inclusive na sexta quando começou a segunda semana do adulto. É muita coisa pra uma pessoa só principalmente em se tratando do mês de agosto.

Particularmente eu não sou supersticioso, mas é aquela velha história. Eu não creio nas bruxas, mas que elas existem, existem. Primeira vez com dengue, primeira vez com labirintite... Qual será a próxima primeira vez? Que doença vai me descobrir agora? Serei acometido por qual enfermidade? Será que com o adiantado da idade ficamos mais vulneráveis a todo e qualquer tipo de doença? Será que essas crises de labirintite vão voltar esporadicamente? Pra que tanta pergunta? Vamos levando a vida e encarando o que vem pela frente seja na saúde ou na doença.


Não sou de ficar doente. Disse isso aqui na postagem passada e repito nessa agora. Tem que ter um motivo bem forte pra que eu seja nocauteado. Mas as vezes acontece de ficar na lona. Perceba que primeiro foi uma dengue, depois uma labirintite, ou seja, só sintomas e doenças casca grossas que nem adianta enfrentar. São sinônimos de nocaute mesmo.  Essa não foi a primeira e muito menos a última vez que isso acontece comigo. Outras quedas vão surgir. Também vai ser pedir muito, mas espero que essas próximas quedas sejam mais previsíveis e não me venham com novidades, como uma labirintite repentina. Espero até a próxima postagem não ter novidade nenhuma em termos de saúde, ou melhor, doença. Essa labirintite me tirou o equilíbrio por um dia que eu precisava estar centrado e trabalhando. Mente sã em corpo são. Ou seria ao contrário?  

domingo, 14 de fevereiro de 2016

DENGUE

DENGUE

No início de junho do ano passado eu tinha acabado de trabalhar na produção da temporada do  “Eu odeio Cassia Eller”, no Solar do Jambeiro, e fui pra Saquarema ficar acompanhando  os primeiros dias de recuperação da cirurgia de catarata do Serguei. Mesmo ficando de meias praticamente todo o tempo, os mosquitos fizeram banquete das minhas canelas. É impressionante o quanto eles delimitam a área de ataque do meu corpo. Um ou outro até arrisca a picar mina coxa, meu braço ou outra parte, mas a grande maioria parece ser instruído a morder no mesmo local. E não são só os mosquitos que voam pela casa do Serguei. Volta e meia voa um pelo meu quarto que também fica rondando até atacar essa mesma região. Só que aqui é um ou dois no máximo e sempre a noite. Voltei todo mordido.

No dia seguinte fui convidado a integrar a equipe de produção do “Capitães da Areia” e marcamos a primeira reunião pra terça feira da semana seguinte. Na segunda comecei a sentir febre. Estava cuidando das picadas de mosquito, passando pomada por que a coisa estava feia mesmo. Na terça, dia da reunião, fui com febre também e na quarta a noite, como a febre não cedia, baixei no hospital. Me deram um anti-inflamatório, provavelmente por conta das picadas de mosquito e uma dipirona pra baixar a febre e fizeram um exame de sangue que não constatou nada de anormal, mas que eu voltasse dali a 2 ou 3 dias pra fazer outro exame de sangue. No dia seguinte eu ainda acordei com febre. Tomei a dipirona e logo a febre baixou. Fiquei tomando por uma semana também o anti-inflamatório. A dipirona só quando eu tivesse febre, que foram duas vezes depois de ter saído do hospital.

No outro dia, ou nesse mesmo, começaram a aparecer pequenas manchas vermelhas principalmente pelo meu tronco e que dava coceira. Na sexta eu já acordei sem febre e assim fiquei durante o dia todo. A noite torno eu a ir ao hospital pra fazer novo exame de sangue e eis que finalmente foi acusada a dengue. Uma dengue fajuta, acho que até foi uma variação dela, conhecida como chicungunha ou a tal da zica já que dengue causa mal estar, dor no corpo dor de cabeça e eu não tive nada disso. Foi só febre mesmo. Agora posso dizer que tive dengue. Pelo menos foi isso que o hospital me disse dando o resultado do segundo exame de sangue. Completamente diferente da reação do meu pai e do meu irmão quando eles também tiveram.

Em termos de saúde eu sou forte como um touro. É difícil eu ficar doente de cama, caído, prostrado. Mas quando eu fico é coisa de três dias no mínimo. Tem que ser uma febre assim pra me fazer ficar de cama. A única explicação plausível pra que isso ocorresse é que um das dezenas de mosquitos que atacaram minha canela enquanto eu estava em Saquarema estava transmitindo a dengue pra mim, ou então eram tantos que ao invés de potencializar, um anulou o outro e no final acabou que sobrou pra mim uma febrezinha sem nenhum outro sintoma.


Não sei se por causa do clima, mas quando eu vou pra Londres, ou mesmo outras cidades europeias que eu visito não vejo mosquitos de um modo geral. Não sinto insetos. Será que abaixo do equador é diferente? É claro que eu não desejo isso pra ninguém. Não quero que ninguém pegue dengue de nenhum tipo e de nenhuma variação. Pode ter sido desleixo meu não ter passado repelente, e geralmente eu não passo mesmo, mas acho que pra combater o mosquito da dengue não só a gente tem que ter a nossa consciência em fazer a nossa parte e o órgão público responsável, a secretaria de saúde também. Sei que pesquisadores já estão modificando geneticamente pra começar a erradicar essa doença. Tomara que consigam e a mantenham erradicada, apesar dela poder reaparecer voando, literalmente.