domingo, 24 de abril de 2016

MALA DE PRIORIDADES

MALA DE PRIORIDADES

Sempre que eu viajo procuro conhecer lugares novos e visitar alguns que eu já conheço. Esses eu vou pra visitar amigos que moram lá. São duas coisas em uma só quando eu não conheço o lugar. Londres é um caso a parte. Não adianta. Sempre vou procurar dar um jeito de passar uns dias lá qualquer que seja o destino da minha viagem. Tenho um caso de amor com a cidade. Meu melhor amigo mora lá (de fora do Brasil). De modo algum estou dizendo que os outros não são. Todos os amigos que chamo de “estrangeiros” eu tenho um grande carinho, mas com o Airton é diferente e por isso Londres tem sempre vez nos meus roteiros de viagem.

Tem tanto lugar nesse mundo que eu quero ir e outros que eu mesmo não querendo tive oportunidade de conhecer. Tanto fora quanto dentro do Brasil. Eu nunca tinha ido ao Nordeste, por exemplo, até aportar em Salvador. Recife e Fortaleza entraram nessa também. Casablanca, no Marrocos, foi outra cidade que passou em minha vida, mas meu coração não se deixou levar. Não é uma cidade que eu recomendo pra ninguém como primeiro destino.

O que mais pesa nas viagens que eu faço é por quais cidades eu posso passar. Quando se faz cruzeiro transatlântico então eu vejo em quais cidades o navio vai parar. Não me importa se o navio é grande ou pequeno, qual a capacidade dele e o que oferece. O que tem que me atrair é o roteiro, por onde ele passa, onde eu vou poder descer pra naquele intervalo de horas conhecer o máximo possível, tirar o melhor em pouco tempo, visitar o maior número de pontos turísticos, ou explorar a cidade dentro do tempo estipulado. Sei que em algumas horas se conhece muito pouco de uma cidade. Mas pelo menos já se tem uma ideia do que ela pode te oferecer. Pra se explorar uma cidade mesmo tem que se ficar no mínimo dois dias cheios nela.

Quando fui pra Málaga pra pegar o navio e voltar atravessando o oceano em 2014, cheguei no início da noite de uma terça e embarquei na manhã de quinta, ou seja, só tive a quarta pra explorar aquela parte mais histórica e mais central da cidade. Málaga pra quem não sabe é a terra de Pablo Picasso, grande pintor espanhol, e além do museu tem a casa onde ele nasceu. Na praça em frente a essa casa tem uma estátua dele em bronze, sentado num banco como quem tivesse contemplando a paisagem, os transeuntes e tando algum tipo de inspiração para uma nova pintura.

Uma mania que eu tenho quando viajo é a fotografia. Toda vista tem que ser registrada e isso me toma um pouco de tempo. Se eu tivesse outro dia livre aí sim seria bem provável que eu entrasse tanto na casa que Picasso nasceu quanto no museu reservado pras suas obras.

Já quando fico em casa de amigos eu tento entrar na rotina deles justamente pra não incomodá-los. Eles também não são obrigados a ficar me ciceroneando. É só me dar algumas dicas do que fazer, de como eu me virar, que transporte pegar pra ir e voltar que eu não incomodo nem um pouco em sair sozinho. Isso aconteceu quando eu fiquei na casa de um amigo em Luxemburgo. Um dos dias em que estava lá saí sozinho de transporte público e máquina em punho pra explorar a cidade sem compromisso de hora. Também não entrei em nenhum museu. Em Luxemburgo não lembro de ter passado na porta de um. Mas a minha prioridade sempre vai ser conhecer a cidade, explorar seus cantos e paisagens pra depois, se houver tempo, visitar museus e atrações turísticas menos badaladas.


Acredito que nesse esquema de navio, quando os turistas aportam na praça Mauá a primeira coisa que eles fazem é pegar um taxi e subir o Corcovado e, se der tempo o Pão de Açúcar. Eu não faria esse tipo de passeio. Acho esses dois tão batidos que se eu fosse turista deixaria esses pra depois e gostaria de ver outras coisas antes. 

sábado, 16 de abril de 2016

GUERRA PELA VIDA

GUERRA PELA VIDA

Eu já saí do meu país pra tentar a vida e viver uma experiência em outro. Fiquei no total quase um ano fora de casa. Como acabou não saindo conforme a minha vontade, voltei pra casa. Eu tinha uma casa pra voltar, com família pra me acolher novamente. Isso é o que falta pros refugiados de guerra que insistem em se debandar para a Europa provenientes da Síria e de outros países que se encontram em situação de calamidade.

É impressionante o número de pessoas que morrem se arriscando ao mar pra chegarem em Lampedusa, na Itália ou na Grécia. É assustador a quantidade de gente que se arrisca a invadir o túnel sob o canal da mancha pra tentar chegar na Inglaterra. É horrível ver um multidão que deposita sua esperança em um trem que parte do leste europeu pra Alemanha. Quem vai olhar por eles? Que futuro eles terão caso consigam chegar aos destinos escolhidos por eles ou definido pelo acaso durante esse processo?

A vida deles já é indigna nos seus países de origem. Não tenho nada contra quem faz isso, mas me assusta a quantidade de pessoas que têm feito isso. Não há no mundo um país, mesmo que bem estruturado como os da Europa ocidental que comporte tamanha quantidade de refugiados e os insiram em seu mercado formal de trabalho.

Quando eu estive na Alemanha, em 2009, certo dia quando parei e sentei num banco de praça pra comer, veio uma criança que parecia ser refugiada de algum país que na época passava por dificuldades, me pedir comida. Dei alguns biscoitos a ele. Definitivamente não era alemão e se bem me lembro ele estava com membros que pareciam ser da sua família acampadas ali perto. Não eram em grande quantidade. Deviam ser uns seis no máximo.

Fico imaginando se as praças de Berlim agora estão cheias de refugiados ou se os alemães estão tomando alguma providência em relação a isso. É triste ver as pessoas sem nenhuma perspectiva de vida, querendo tentar algo em um país que nem a língua eles entendem direito. Como se dá uma solução pra esse problema? O que fazer com essa gente? Deixar que se matem pra tentar alcançar uma esperança que mais parece uma utopia? Será que vão voltar os campos de concentração, os guetos onde esses seres humanos vão ficar aglutinados até que se encontre uma solução descente e viável sobre o que fazer com eles?

Tudo isso tem me assustado e muito. Sempre quando eu volto a Europa, mais particularmente pra Londres, me dá a sensação que tem mais gente morando na rua. Não necessariamente todos são refugiados de guerra, mas a grande maioria não é local. Pode ser só sensação mesmo, mas falando com o Airton ele me confirma isso e que é por essas e outras que a Grã-Bretanha fecha cada vez mais o cerco contra a imigração como um todo, principalmente com esses. Sei que querem uma chance na vida, um lugar ao sol, viver em paz, se livrar das mazelas que os desgovernos dos seus países natal os forçaram, os obrigaram a passar, mas por outro lado acho que a Europa por si só não consegue comportar essa quantidade de gente que entra por suas fronteiras e isso pode ser mais perigoso do que se pode imaginar. Tenho medo da xenofobia.


Quando se é um imigrante vivendo em um outro país os olhares pra você automaticamente são atravessados. Mesmo se você tiver legal ou até turistando acho que há um certo preconceito mas que logo é dissipado. Ao contrário desses casos de refugiados. Esses podem provocar o reverso e causar uma ira, uma revolta na população nativa. Temo muito isso e não tiro a razão de quem foge da guerra e busca uma vida melhor e nem de quem constata que não tem como agregar todos esses refugiados em seus planos de beneficiários dos governos europeus. Como sair dessa sinuca de bico? Cartas para a redação.

sábado, 9 de abril de 2016

CAMBALACHO

CAMABALACHO

Mais uma vez tive que me render ao Canal Viva. Considero esse como o museu da TV Globo. Nele são exibidos programas, séries, seriados e novelas que já fizeram parte da programação da Vênus Platinada e o que eu acho mais interessante é que eles não ficam restritos a programas recentes. Tiram coisas do arco da velha, do fundo do baú, do tempo em que essas expressões faziam parte do vocabulário corriqueiro do brasileiro.

Vale Tudo, Roque Santeiro, Dancin Days, Fera Ferida, Pedra Sobre Pedra, Água Viva, Que rei sou eu? e Vamp são algumas das novelas que já foram reprisadas pelo canal. Veja que não há um critério, uma sequencia cronológica e as novelas fazem parte do imaginário do expectador não importando se a novela foi originalmente exibida na década de 70, 80 ou 90.

Algumas eu acompanho assiduamente nessa reprise desse canal específico, outras assistia um ou outro capítulo. Na verdade apenas três que revi por completo. Que rei sou eu, Vamp e A próxima vitima. Agora chegou a vez da novela Cambalacho, exibida originalmente no meio da década de 80. Eu devia ter a idade do meu sobrinho quando foi ao ar pela primeira vez, mas na época não tinha tanta variedade de recursos tecnológicos que nos desviassem da televisão. Nesse tempo a televisão só pegava sete canais. Hoje a tv a cabo tem preços acessíveis e mais de cento e cinquenta canais, dependendo do pacote que você contrata.

Poucas são as pessoas que eu conheço que não assistem tv a cabo, mas aquelas que por acaso não assinam carregam o ranso que começou justamente nesse tempo de Cambalacho. Todos, ou grande parte, maioria esmagadora mesmo liga a tv na Globo pra assistir o que quer que seja. O tal Padrão Globo de Qualidade serviu de exemplo pras demais emissoras. O próprio Silvio Santos já declarou que em termos de Ibope bater is índices da Rede Globo é ter muita sorte e que ele como dono do SBT foca na guerra do segundo lugar, principalmente no embate com a Record. Na época em que Cambalacho foi exibida acho que o SBT, pelo menos aqui no Rio era chamado de TVS.

Antes que se especule alguma coisa, nasci quando a TV já era colorida e já era um eletrodoméstico que dominava um espaço na sala da casa das pessoas. Quem tinha mais de uma tv também era mais abastado. Achava chique ter uma tv no quarto até que meus pais conseguiram e ficava uma na sala e outra no quarto deles. Era o mais forte entretenimento que a gente tinha em casa e quando a gente não estava brincando no playground do prédio certamente assistimos a alguma novela.

É interessante rever essas novelas, principalmente as mais antigas, por vários motivos. Primeiro pela trama que era mais simples, bem elaboradas e menos complexas que as atuais. Segundo pela técnica. Comparando, atualmente as novelas tem mais recursos por conta da tecnologia e cenários mais ricos em detalhes, mesmo cidades cenográficas. Num dos primeiros capítulos de Cambalacho escuta-se, por exemplo, o barulho do motorzinho que fazia a câmera descer. O áudio em algumas cenas também não era tão claro quanto hoje em dia. Era uma fase, acredito eu, de experimentação com o máximo de recursos que se tinha na época , há uns trinta anos.


Mal comparando é como se eu tivesse relendo um livro. Com o distanciamento e o amadurecimento meu, enxergo coisas que na época não conseguia distinguir até mesmo por ser criança. Algumas cenas dessa novela me marcaram e quando reapareceram eu me reportei nitidamente àquele momento. E pra encerrar tive o prazer de ver o trabalho de grandes atores que já nos deixaram. Por incrível que pareça, mesmo com mais de trinta anos a novela é atual, contemporânea já que é arraigada na cultura brasileira, infelizmente – agora menos, mas ainda assim existe – o Cambalcho.

sábado, 2 de abril de 2016

MEUS DISCOS

MEUS DISCOS

Pela primeira vez penso em me desfazer dos meus discos. Não de todos. Assim como fiz com os livros, vou deixar alguns aqui comigo e  vender os outros. Sim, vender. Ou pelo menos anunciar que estão a venda.

Os livros foram parar na banca de jornal em que um amigo meu trabalha. Estão lá, numa esquina de Copacabana pra quem quiser comprar. Deixei com ele também uma tabela de preços pra que tenha uma base de valor pra negociação. Ainda não sei o que fazer com os discos que eu posso me desfazer.

Esse insight veio no início de setembro, na troca de temporada. Quando eu encaixotei a Estratosférica da Gal, que ocupou durante três meses todos os dias de junho a agosto o toca discos, cedendo lugar aos Meus lados B do Erasmo que ficou de setembro a novembro tocando na vitrola. Não, não são discos de vinil, mas eu ainda uso a terminologia analógica para determinar a digital.

Por outro lado eu fico pensando em quem, além de mim, ainda compra discos. Qual o valor que eu determino pra venda e onde posso vendê-los. Será que na banca onde estão os livros vão aceitar os discos? Cinco ou dez reais cada? Atualmente essa facilidade de se encontrar e baixar música está acabando com a plataforma do disco, ou melhor, do CD. A internet veio com tudo e é uma faca de dois gumes. Mas eu ainda mantenho a tradição de comprar em CD os lançamentos de alguns artistas que gosto de estar acompanhando, incluindo Gal Costa e Erasmo Carlos, além de mais uns quatro ou cinco, não mais que isso.

Certa feita um conhecido meu fez um bazar e lá comprei um disco com as músicas das chanchadas da atlântida por cinco reais. Tudo bem que eram regravações e não músicas originais, mas por gostar de música e de algumas chanchadas da atlântida eu comprei e fiquei escutando durante algumas semanas (acho que chegou a um mês). Esse é um dos que eu posso revender. Ainda tenho que fazer essa triagem. Separar quais que vou manter e quais que vou me desfazer.

Quanto a guardar o disco da Gal tive que dar espaço pra ele entrar junto dos outros. Guardo meus discos em numa caixa em duas camadas. Os da Gal estão na camada debaixo e pra ele entrar transferi um da camada de baixo para a camada de cima. Isso sem contar as pilhas de quatro discos que ficam na lateral ocupando os espaços vazios.

Tenho uma outra caixa menor onde está minha coleção completa dos Acústicos MTV Nacionais. Pra não dizer que está completa, na verdade está faltando só o do Jorge Ben Jor que eu emprestei pra alguém e que não me devolveu e com isso fiquei sem. Provavelmente essa coleção vai ficar comigo, mas espero que na caixa onde guardo a maioria dos discos.

Não vou deixar de comprar CD’s. Podem me chamar de antigo, conservador, retrógrado, mas pelo menos dos artistas que gosto de acompanhar esses podem contar comigo pra colocar as moedinhas no cofre deles. Sabemos que o valor que eles ganham com a vendagem de discos é ínfima e que artista ganha é fazendo shows. O disco seria só um cartão de visitas, uma pequena mostra do trabalho. Até porque é raro que se cante no show todo o repertório do disco que está sendo lançado. Geralmente metade dele ou até um pouco mais, mas não o disco todo até pelo fato de ter que mesclar com sucessos antigos, caso da Gal e do Erasmo que eu, além de comprar os discos, faço questão de frequentar os shows. Dos discos deles também vai ser muito difícil se desfazer, mas tem outros que podem circular, parar nas mãos de outras pessoas que podem fazer bom proveito deles assim como eu fiz durante algum tempo.


A ideia surgiu, só me falta a força de vontade pra pô-la em prática.