sábado, 27 de agosto de 2016

QUEM RIU?

QUEM RIU?

Quando não vou caminhar por algum motivo, seja ele doença, chuva, compromisso ou preguiça mesmo, fico em casa vendo dois programas de humor que passam em uma hora. O primeiro é a Escolinha do Professor Raimundo que durante anos ocupou parte das tardes durante a semana e as noites de sábado. Os comediantes e humoristas que sentavam nas carteiras daquela sala de aula foram sem dúvida os melhores do Brasil.

O Chico Anysio tinha esse dom de manter tanto os que como ele vieram do rádio como Brandão Filho, Zé Vasconcelos entre outros quanto de lançar outros que aí se encontram defendendo o seu até hoje como Heloisa Perissé e Tom Cavalcante, por exemplo. Essa também foi a minha escola de humor, minha referência. Daí talvez não achar tanta graça nessa geração pós escolinha. Acho que o único programa que se mantém no ar com essa mesma característica e preocupação é A praça é nossa, comandada pelo carlos Alberto de Nóbrega, filho do Manoel que assim como o Chico se reinventou com o advento da televisão.Não há outro programa em nenhuma emissora nos formatos da Escolhinha ou da Praça.

Na década de 80 surgiu o TV Pirata que eu acho que o novo formato do Zorra lançado ano passado tem muita referência deles, apesar de alguns personagens terem uma certa regularidade, uma vida própria e uma continuidade no programa, coisa que eu não acho que tenha nesse novo Zorra. Não vejo programas de humor. Aliás não vejo programa de TV de um modo geral. Ano passado, além da assiduidade do Manhattan Conection e da Marília Gabriela que é de praxe, acompanhei o seriado Magnífica 70 da HBO e o Romance Policial Espinosa do GNT e a novela Cambalacho e na tv aberta os telejornais, geralmente os da hora do almoço e do início da madrugada, além do programa do Jô.

O outro programa de humor que passa depois da Escolinha é a Turma ou as Aventuras do Didi. Encabeçado pelo Renato Aragão não passa, na minha opinião, de uma revisita aos Trapalhões. Sem sombra de dúvida o quarteto era bem melhor que essa espécie de remake. Didi, Dedé – que voltou a contracenar nos últimos anos do programa – Mussum e Zacarias eram imbatíveis tanto na composição, na feitura do humor deles quanto no horário de domingo antes do Fantástico, às 7 da noite. As piadas eram as mesmas, os quadros eram batidos e dada as devidas proporções, pra quem não curtiu aquele tempo até que tinha uma certa graça. Criança adora uma brincadeira, uma palhaçada e eu acho que pra quem devia ter o hábito de assistir deveria ser divertido e interessante. Eu particularmente vejo esse programa só pra esperar o final dele onde no quadro “Armações e Mancadas” passa os erros tanto intencionais quanto os sem querer das gravações dos quadrosapresentados durante o programa. Eu já tive a oportunidade de gravar algumas vezes esses quadros no estúdio dele cerca de dez anos atrás e era assim mesmo. Acredito que como ele costumava gravar uma, duas vezes por semana no máximo, aquela era a hora de se divertir, aquele era o parque de diversões dele, o recreio pra ele e equipe. Era o tempo que ele tinha pra voltar a ser criança.

Eu não vejo humor nenhum nos ditos humoristas de hoje. Salvo um ou outro quem assistia os filmes de Jerry Lewis nas sessões da tarde, quem viu os filmes do Oscarito no Canal Brasil, quem cresceu vendo os programas e os companheiros de cena de Jô Soares e Chico Anysio como eu teve acesso a nata de humoristas e comediantes que passaram pelo show bizz.


A graça de hoje tá muito sem graça. Não vejo ninguém que possa se aproximar desses mestres. Substituí-los jamais. Enquanto isso temos oportunidade de ver, rever e reviver de vez em quando os grandes quando eram ainda grandes.   

sábado, 20 de agosto de 2016

TORTO POR LINHAS CERTAS

TORTO POR LINHAS CERTAS

Vocês não sabem o quanto isso aqui me faz um bem. Escrever é quase que uma necessidade fisiológica e é exatamente nesse espaço que eu me mostro, me revelo e fico praticamente desnudo. Quem me lê aqui talvez me conheça até mesmo melhor do que eu. No início do ano eu cheguei a comentar a possibilidade de parar de escrever aqui. Ela realmente existe, mas não posso precisar. Até pelo fato de eu concentrar a escrita em alguns meses do ano e ir soltando uma a cada semana. Foi o que eu consegui fazer devido ao aumento do volume de trabalho durante o ano e do fato de eu viajar sazonalmente.

Essa minha parte de escritor eu escondo de todo mundo. Esse blog, por exemplo, eu não gosto de divulgar. Se é uma coisa minha, quase íntima, não quero que todos me olhem, me comparem ou me julguem. Não estou aqui discutindo esse mérito. Não dessa vez. Liberdade de expressão é um conceito que está sendo tolido ultimamente. Por essas e outras que as minhas opiniões se restringem a esse espaço.

Essa minha poção escritor começou ainda na escola. Já comentei isso em algum lugar do passado. Minhas redações sempre tiveram um certo destaque nas aulas. Criava-se uma expectativa de como era meu texto e me lembro que teve um que foi lido em voz alta pela professora. Antes a minha diversão quando ia pro trabalho da minha mãe era bater a máquina e bolar umas coisas.

A voracidade com que eu leio um livro, goste dele ou não, também me deu embasamento pra tentar ser um pouco mais “profissional” nesse ofício. Não existe faculdade pra ser escritor. Talvez o mais perto seja a faculdade de jornalismo ou letras. Eu fiz faculdade de ciências sociais com pós em jornalismo cultural. Também se escreve muito nos trabalhos e provas da faculdade, mas mesmo assim nesse campo eu queria novos desafios até que eu me impus alguns. Uns bem sucedidos e outros nem tanto.

O primeiro foi o simples fato de escreverum livro. Uma história com princípio, meio e fim. Deu certo. O desafio era se eu conseguia manter uma estrutura narrativa. O segundo desafio era dar continuidade a essa história um século e meio depois. Na verdade o que estava acontecendo não com as personagens, mas aproveitar o mesmo cenário, a mesma cidade fictícia e contar outra história que se passasse ali e tivesse referencias apenas da anterior. Dessa vez não deu certo. Abandonei no meio do caminho. Depois me desafiei a capitular a história, como se fosse uma novela, com uma estrutura física, marcada, metrada. Fui bem sucedido apesar de nunca ter lançado esse livro. Com a empolgação desse o próximo desafio foi escrever um narrado em primeira pessoa. Não copiei a capitulação da anterior, mas mantive a estrutura e em sete semanas tava pronto.

Ao contrário do primeiro de todos que eu banquei os exemplares na gráfica, esse resolvi procurar uma pequena editora pra me ajudar a publicar. Não vou jogar a culpa na editora por conta do encalhe do estoque. O problema todo foi o pouco marketing que conseguimos fazer. A propaganda é a alma do negócio e esse negócio ocupa algumas caixas de sapato no meu armário. A história é boa e muito engraçada. Depois desse eu tenho mais um engavetado e outro inacabado.


Publiquei um que conta minhas aventuras no meu mochilão pela Europa, mas esse quem me acompanha aqui viu em primeira mão. O que fiz foi formatar e acrescentar umas fotos pra ficar com mais cara de livro, mas idéias originais pra histórias novas estão me faltando a um bom tempo. Acho que o Jorge Amado que existe em mim se não morreu está adormecido num sono profundo e sem dispertador do lado. Também não faço idéia se ele vai acordar e nem quando. Pelo menos está aqui dentro.  

domingo, 14 de agosto de 2016

HORÁRIO DE VERÃO

HORÁRIO DE VERÃO

Não me lembro exatamente o ano que foi. Acho que era em 86, em pleno governo Sarney. E se eu bem me lembro – lá se vão 30 anos – esse foi esquisito, já que foi feito ao contrário do que se costuma fazer. Confesso que posso estar delirando, mas o fato é que essa é a primeira lembrança que me vem a cabeça quando o assunto é horário de verão. Ou eu fiquei marcado pelo fim dele e por isso o atraso em uma hora.

É um nome bacana mas que não faz muito juz ao que diz, já que começa na primavera. E não é no final , mas praticamente um mês depois do início da estação das flores. Atualmente é convencionado esse horário durar quatro meses. Sempre entre outubro e fevereiro , ou seja no meio do verão acaba o horário de verão que começa no segundo terço da primavera. Eu adoro o horário de verão e acho que ele deveria ser mais extenso. Ou começar quando geralmente começa e terminar realmente no fim do verão, lá pra 15 de março ou ao invéS de quatro meses, levar seis e o horário se tornar de primavera/verão, tal qual coleção de moda.

O horário de verão cria mais ainda o clima de verão nos estados em que se adota. Cidades litorâneas então são as que mais combinam com o relógio. Escurece mais tarde e amanhece mais cedo e quanto mais afastada da linha do equador mais o sol demora a se esconder. Na região sul, por exemplo, o por do sol se dá depois dele mesmo se por na região sudeste. Não sei se o Uruguai e a Argentina também adotam o horário de verão. Vou até procurar saber sobre isso, pois caso positivo, em Buenos Aires deve acontecer o mesmo (ou quase) fenômeno que ocorre em Londres onde no verão o por do sol se dá as dez da noite e a alvorada a partir das quatro da manhã, ou seja, apenas seis horas de escuridão.

Coitados dos morcegos, vampiros e notívagos que habitam cidades como essas. Ninguém que é boêmio de carteirinha gosta de sair a noite em plena luz do dia. Como tem gente que reclama quando esse horário começa aqui no Brasil que acorda de dia pra trabalhar sem ver a luz do sol. O que eu mais gosto nessa história de troca de horário é que me aproxima mais de Londres. Como se adianta o relógio a diferença de quatro horas cai pra três e como eles adotam o horário de inverno pouco tempo depois da genteadotar o de verão, eles atrasam o relógio em uma hora. De três cai pra duas horas de diferença. Eu sinceramente não entendo essa do horário de inverno. Não sei se tem a mesma finalidade de economia de energia. Acho que não. Quatro horas da tarde lá está escuro no inverno. Enfim, coisas pra inglês ver.

O que mais me incomoda no horário de verão é a certeza de que o verão vem chegando, ou já chegou dependendo do mês, é  aquele calor infernal que se anuncia geralmente já na primavera. Ano passado, por exemplo, dois dias antes da efetivação do horário de verão, os termômetros do Rio computaram a terceira maior temperatura da história da cidade com quase 43 graus, sem contar a sensação térmica. E olha que o verão estava longe de começar.

E o que mais me importa no horário de verão não são as altas temperaturas, mas as altas horas em que se tem claridade as altas horas em que as pessoas se permitem a ficar na rua tomando sorvete e pegando um ar mais fresco da noite quando essa tem ar fresco. Se bem que com o alto verão eu particularmente sinto menos sono, menos fome e só procuro sair de casa depois das quatro da tarde que é quando ainda tá calor, mas o sol começa dar os primeiros sinais de que logo ele vai se esconder, mesmo que custe umas três horas pra que isso aconteça.

           Pra uns é ingrato e maldito, pra outros é bom, pra mim deveria durar mais. Assim como festejos e feriados prolongados horário de verão também tem todo ano pelo menos em três regiões do Brasil.  

sábado, 6 de agosto de 2016

DANDO BOLA

DANDO BOLA

Eu que nunca liguei muito pra futebol, salvo Copa do Mundo, estou aqui sentado no sofá num fim de tarde de quinta feira de um feriado escolar assistindo ao jogo entre Real Sociedad e Barcelona. Jogo de volta. O de ida foi 7x3 pro Barcelona. Daqui a pouco sai o resultado desse. É um jogo diferente. Totalmente comandado pelo controle do meu sobrinho. Sim, é um jogo de videogame e ele está defendendo o time do Barcelona. Até virtualmente o negócio dele é futebol.

Sempre que eu viajo trago presente pra ele, mas nada o deixa mais feliz que uma bola. Não adianta tecnologia, a excessão desse jogo que ele adora. Os brinquedos que ele ganha ele até pode brincar, mas assim que ele aprende as regras e como se faz pra brincar, e se não tem ninguém pra brincar com ele, logo põe de lado e pega a bola. Talvez por esse se tratar de um brinquedo coletivo e individual ao mesmo tempo. Sozinho ele treina os fundamentos, chutes, miras e no coletivo ele joga e aplica o que tinha treinado.

Diz minha mãe que meu irmão quando pequeno dormia agarrado na bola. Ele não dorme com a bola, mas se deixar passa o dia inteiro com ela nos pés. É um custo ele fazer qualquer coisa quando está chutando uma bola. Pior que tirar um doce da boca de uma criança. A bola substitui o doce no caso dele. Não que ele não goste de fazer outras coisas como ir a praia, por exemplo, mas tem que ter uma bola pra ele chutar por lá. Não sei se na hora do recreio ele come rápido pra ir jogar bola ou talvez só jogue bola e nem come, o que acho difícil, mas não duvido.

E nem adianta dizer que ele adora frequentar a escolinha de futebol. Soube que ele joga tanto no horário reservado pra faixa etária dele quanto com os mais velhos um pouco. Também é claro que atualmente o sonho dele quando crescer é se tornar um jogador profissional e que o ídolo dele, um deles, é o Neymar. Porque você acha que ele defende o time do Barcelona nesse torneio virtual de futebol? Como canta o Erasmo, ele é uma criança e não entende nada. Pode ser que esse sonho mude daqui a algum tempo, quando ele tiver um pouco maior. Ou não. Mesmo mais crescido ele insista nesse sonho e consiga realmente alguma coisa. Querendo ser jogador de futebol, astronauta ou engenheiro terá o meu total e irrestrito apoio. E se ele mudar de idéia no meio do caminho cabe a mim como tio dar a minha opinião. Eu mesmo discordando da decisão que ele tomar o apoio vai continuar sendo irrestrito, talvez com algumas ressalvas. Mas não vamos nos precipitar e deixa a vida correr pra ver o que vai acontecer. Vamos ver quais os rumos dos interesses dele.

Ele até gosta de brincar de montar e desmontar legos quando tem mais paciência pra ficar parado. Sendo super pro ativo esses momentos são cada vez mais raros e tudo o conduz pro futebol. Quando descobriu a leitura devorava livros. Agora nem tanto. Enfim, os interesses estão sendo direcionados, o caráter está sendo formado, tudo acontecendo nessa idade de sete, oito anos.

            Só sei que o futebol não pode ser mais importante do que os estudos, por exemplo. E se ele realmente for um jogador de futebol pode tentar a carreira internacional, por isso que ano passado começou a fazer um cursinho de inglês. Se bem que o time mais almejado por ele atualmente é o Barcelona e dá pra entender o motivo. Mas se amanhã for o Chelsea ou o Arsenal já terá uma pequena base. A saber: a partida de volta terminou 2x1 pro Barcelona e o time foi classificado pras quartas de final do torneio da liga do rei. E foi narrado e comentado por duas estrelas do esporte da maior emissora do Brasil. Agora tem disso. Dublagem até de joguinhos de vídeo game. Mas em se tratando de futebol, uma voz conhecida do meio esportivo dá uma credibilidade maior pra esses jogos virtuais de futebol da FIFA.