sexta-feira, 17 de novembro de 2017

EMBARCANDO NAS COMPRAS

EMBARCANDO NAS COMPRAS

Uma coisa que me deixou impressionado e percebi que é uma tendência mundial é a shoppinglização dos aeroportos. Sei que essa palavra não existe e nem tô aqui querendo criar um neologismo, mas chega a ser assustador.

Todo e qualquer aeroporto que são abastecidos com voos internacionais agora parecem grandes shopping centers com as marcas que são vendidas e consumidas nos free shoppings da vida. Além disso as lanchonetes e restaurantes que são abertos dentro do aeroporto podem fazer o passageiro perder o voo. E o mais estranho é que é um novo mundo que se abre pra você. Vou tentar explicar isso melhor.

Se você leva alguém no aeroporto, se despede dele por lá, dá as costas e volta embora não sabe o que acontece com a pessoa que embarca. Primeiro que está ficando tudo automatizado. Pra sair da área comum do embarque e entrar pro reservado agora tem que encostar o seu bilhete de viagem no leitor ótico pra se abrir a porta da esperança e você passar pra próxima etapa. Esse bilhete de viagem você só pega no balcão se você quiser. Agora existe o totem onde você escaneia o seu passaporte e imprime o seu bilhete. No balcão você só passa pra despachar mala caso haja necessidade. Se só tiver levando mala de mão o problema, se houver vai ser com a segurança.

Convergendo o ponto, a partir da passagem pela porta da esperança vem a etapa do streaptease. A hora em que se deve colocar tudo que tem a possibilidade de apitar na bandeja e passar pelo raio-x. Desse ponto em específico até o seu portão de embarque o que se vê é um temendo shopping center com todas as lojas vendendo todas as coisas que se pode comprar de última hora antes de embarcar. É difícil eu fazer isso no aeroporto de embarque. De desembarque também, a não ser que haja uma encomenda que eu não tenha conseguido achar ou que me pedem de última hora como foi o caso de um perfume em específico que eu não achei e nem tive tempo de procurar em Londres e tive que comprar no aeroporto de Heatrow. E em São Paulo, por ser o ponto de entrada do meu vôo e eu ser obrigado a fazer a alfandega lá, ao sair do avião fui pra esteira retirar minha mala e logo depois vem esse espaço enorme cheio de mercadorias. Tinha outra encomenda que era comprar uma caixa de uísque e foi o que fiz. Dali a gente passa pela receita federal e sai no saguão.

Da outra vez que eu fiz esse mesmo itinerário eu saí do finger e fiquei na sala de embarque esperando o vôo da conexão, mas não era esse esquema ainda em 2011. Naquela época se esperava que o serviço melhorasse pra Copa de 2014 e alguns aeroportos já estavam em reforma.

Tive que procurar a fila de conexão da companhia aérea pra despachar novamente a mala e agora a caixa de uísque também. Pela primeira vez vi como se embarcam os materiais frágeis. Eles tem um balcão especial pra se deixar essas coisas e, ao contrário das malas,  não as colocam de qualquer jeito no bagageiro do avião. Tanto que as garrafas de uísque chegaram todas inteiras. Pra retirar também esses materiais são colocados num balcão específico e não na esteira como outra mala qualquer. E só as colocam nesse balcão depois que todas as malas forem pra esteira.


Todo e qualquer tipo de produto é encontrado atualmente nesses aeroportos. E não são lojinhas como num comércio onde cada uma tem o seu espaço físico. É tudo misturado. Talvez seja dividido por categorias e não por marcas. Tem área de perfumes, cosméticos, bebidas sem contar as cadeias de restaurantes e lanchonetes que se proliferam na área destinada a isso. Viajar se tornou um negócio bem mais lucrativo não só pras companhias aéreas mas pras marcas e lojas que conseguem abrir e se manter em atividade no aeroporto. Acho que a gente paga taxa de aeroporto pra gastar mais lá.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

DERRADEIROS RELATOS (PARTE 1)

DERRADEIROS RELATOS (PARTE 1)

Minha última viagem - última até o momento em que escrevo esse rascunho – foi pra Dinamarca. Obviamente passei por Londres depois. Sempre que der farei isso. Passarei por algum lugar antes de parar em Londres. Mas porque a Dinamarca? O que me atraiu pra ir pra Dinamarca? Em primeiro lugar a visita a um amigo. É bom ter esses tipos de amizades internacionais pra poder revê-los de vez em quando sempre que eles vem pra cá e eu por ventura vá pra lá. Pelo menos me desloco na cidade com um local e não fico tão perdido. Se bem que perdido eu nunca vou ficar. Tô craque nisso. Mochilar é comigo mesmo e não me aperto por nada. Mas é sempre melhor alguém que conheça e que pode me dar dicas de tudo e se for possível me acompanhar também.

Em segundo lugar eu não conhecia a Dinamarca e é mais um país que eu posso dizer que eu já visitei, mais um pra minha lista e mais um carimbo no meu passaporte. Nem todos os países me carimbaram o passaporte, mas eu tenho registros principalmente fotográficos de que já passei por eles. Por não conhecer a Dinamarca a minha vontade de explorar era bem maior e com esse amigo que me ciceroneou impecavelmente contribuiu pra que tudo beirasse a perfeição.

O primeiro dia nem conta muito. Aliás os dias da chegada e da partida não contam muito por causa da função da viagem. Eu cheguei numa terça a noite. Lá, no inverno, a noite começa às quatro da tarde, que foi mais ou menos a hora que eu desembarquei no aeroporto. Claro que houve um breve desencontro até pelo fato de eu estar sem comunicação, já que o wi-fi do aeroporto não conectava com meu telefone. Nada além daqueles quinze minutos de agonia que pareciam não acabar nunca, só pra dar o susto inicial e começar com o pé direito do desencontro. Assunto resolvido, encontro sucedido, era hora de irmos pro apartamento.

Eu não consigo dormir em avião e estava esgotado e precisando descansar. O que faço pra me manter distraído durante o voo é ver filmes. Entre o Rio e Amsterdam, onde eu fiz a conexão, foram seis filmes. Café Socity do Wood Allen; A Garota Dinamarquesa porque falava também da Dinamarca; Procurando Dory, o desenho animado que vi pra dar aquela aliviada; Nina, sobre os últimos oito anos de Nina Simone, uma cantora que eu gosto; Nixon e Elvis que contou a história do histórico encontro entre os dois na Casa Branca e pra finalizar um filme brasileiro com Aline Moraes e Lázaro Ramos que se chama O Vendedor de Passados. O que eu mais queria naquela minha chegada era tomar um banho, comer e dormir. Foi o que eu fiz, mas não sem antes dar uma saidinha com meu amigo por que ele precisava comprar um presente que estava na promoção somente naquele dia. Só depois comemos, fizemos um roteiro básico do que fazer no dia seguinte e fomos dormir. Isso foi na terça dia vinte e dois de novembro do ano passado.

          Dia vinte e três finalmente fui conhecer algumas das atrações da cidade, a começar pela estátua da Pequena Sereia. Aí você me pergunta: Aquele desenho da Disney? Quase isso. A história na qual os estúdios Disney se inspirou pra fazer aquele desenho foi escrita por um dinamarquês chamado Hans Christian Andersen, que além da Pequena Sereia também escreveu o Soldadinho de Chumbo, O Patinho Feio, A roupa nova do Rei entre outras. Para homenageá-lo, fizeram uma estátua da Pequena Sereia – não muito grande, como o nome sugere - em cima de uma pedra e assim como o Rio tem o Cristo, Copenhagen tem essa estátua. Se um dia você for lá esperando encontrar uma estátua grandiosa não é nada disso. A foto comprova isso. Tal qual a Monalisa no Louvre é pequena, essa estátua também é, mas vale a pena tirar foto dela, assim como da Monalisa. E acertaram o local onde a expõem. Na beira da água, local nativo de uma sereia. Não lembro bem se aquele local é um rio ou já é considerado mar. Veja a foto.





sexta-feira, 3 de novembro de 2017

ÚLTIMA E DERRADEIRA (OU QUASE)

ÚLTIMA E DERRADEIRA (OU QUASE)
                         
Cheguei na última e derradeira. Não na última e derradeira postagem. Ainda faltam algumas semanas pra que o último e derradeiro de fato seja postado. Mas a última e derradeira folha de rascunho dos meus textos.

De alguns anos pra cá eu rascunho numa folha de caderno o que eu quero dizer e depois passo a limpo pro computador. Isso foi uma forma que eu encontrei pra não ficar desprevenido caso aconteça o bug do milênio onde todas as informações podem sumir da tal nuvem. É o meu backup até a postagem se realmente efetivada. Esse rascunho, já disse aqui em algum lugar do passado, é uma agenda que ganhei no fim de 2013, portanto de 2014, cuja função da agenda cedeu espaço pra uma espécie de caderno de rascunho dos meus textos.

No inicio a configuração dessa agenda me fez formatar o rascunho de um jeito, depois, quando acabou a parte “calendário” e começou a parte “anotações” mudou a configuração que me remeteu a quando eu usava folhas de caderno soltas como rascunhos pro meu texto. Esse eu posso considerar como mais um motivo pra que eu finalmente realize de vez o blog esse ano. O término do rascunho.

Por mais que folhas de rascunho não faltem aqui em casa e as vou usar pra completar o ano – ou não, talvez escreva diretamente no computador, o que me faz gastar mais tempo, mas pelo menos fica diretamente gravado no pen drive – não volto atrás na minha palavra e só ficarei ocupando esse espaço ate dezembro. É um ciclo que se encerra. Um caderno que se fecha, uma tinta de caneta que também esta prestes a se acabar. Enfim, realmente é o fim, ou por enquanto o prenúncio de um fim que esta próximo. Eu ainda tenho que fazer as contas pra saber quantas postagens faltam  pra terminar o ano, mas sei que são poucas.

Vou dar uma de Rita Lee quando encerrou carreira. Sabendo que ainda havia compromissos de agenda a cumprir, considerou o show que fez no Circo Voador como o último e derradeiro. Eu também considero essa postagem aqui como a última e derradeira. Claro que eu volto na próxima semana ainda, mas vou voltar já sem um norte, sem um rumo, sem que eu vire a página e encerre a minha escrita na linha vinte como eu vou fazer daqui a duas linhas. Eu já estava acostumado a pegar esse caderno, ou melhor, essa agenda, abrir na pagina em branco e começar a preencher ate chegar no ponto previamente estipulado por mim.

Já virei a pagina e agora faltam 19 linhas de rascunho pra preencher. Geralmente não modifico nada ao passar do papel pro computador. Prefiro seguir a risca o riscado por mim. Creio que de vez em quando acrescento ou corto dependendo do tamanho do rascunho. Me empolgo escrevendo e depois pra caber no formato final tenho que cortar alguma coisa desde que não modifique o sentido do que eu quero dizer. Esse é o mais comum de acontecer. Poucas vezes tive que acrescentar algo, mas era só questão de ajuste entre o rascunho e a tela do computador. Agora é o fim. Ainda não sei como proceder nas próximas postagens, nas poucas que me restam, mas não se preocupem que vão sair. Depois eu conto como.

Agora só me falta o apagar das luzes. Terminar o meu último rascunho aqui . Fechar essa agenda, esse caderno, enfim, esse porta rascunho, digamos assim, e guardá-lo. Guardá-lo? Sim. O guardarei até que todas as postagens estejam ao menos passadas a limpo. Inclusive as próximas. Na última e derradeira postagem vou falar o que vai acontecer com esses rascunhos manuscritos. Vão saber o destino deles, espero lembrar de falar sobre isso.


E agora vamos a ele. O último e derradeiro ponto final depois de pouco mais de uma centena de textos aqui inéditos antes de transferidos pra nuvem. 

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

AMIGO DE FÉ (publicado em 7 fev 2012)

AMIGO DE FÉ (publicado em 7 fev 2012)

É fato que minha vida se divide entre antes e depois de Londres. Sempre aconselho a quem quer que me pergunte que vale a pena passar uma temporada fora caso haja oportunidade. É bom você passar por esse tipo de experiência de se jogar no mundo e arcar com todas as conseqüências e experiências, boas ou ruins, de modo que no final quem sai ganhando é você. Conhecer pessoas de todos aos tipos, gêneros, idiomas e cultura diferentes é edificante e abre e/ou muda completamente a visão de mundo que você tem.

Na minha experiência particular em ter passado dez meses na Europa eu aprendi muito. Imergi em vários países diferentes absorvendo um pouco do modus operandis de cada um deles. Durante as rápidas passagens por diversos países em quase três meses de tour não deu pra fazer muitas amizades por conta da alta rotatividade, não só dos albergues em que eu ficava como do meu tempo curto de não mais que seis dias neles.

Em compensação, em Londres, cidade que eu escolhi pra ficar uma temporada maior, de sete meses, não faltou oportunidades de fazer amigos. Assim como nos albergues, a casa em que eu morei, também tinha essa alta rotatividade. Claro que as temporadas que as pessoas passavam lá não eram de seis dias, mas era tempo suficiente pra que construíssemos verdadeiras amizades e fossemos confidentes dos nossos co-habitantes.

Guardo todos eles com carinho e procuro manter contato com o maior número possível. Confesso que o feedback é bom e sempre sabemos eu deles e eles de mim. Não frequentemente. Geralmente leva semanas e até meses pra que um contato seja estabelecido, mas o bom é que é estabelecido não importando o tempo que leve. Todos esses meus amigos que conviveram comigo em Londres, sabem que eu tenho uma afinidade maior com uma pessoa. Todas têm o seu valor, mas temos afinidades maiores com algumas pessoas.

Eu me apeguei a uma, por quem eu tenho um carinho mais do que especial e até hoje, mais de três anos depois de nos conhecermos e da distância estar nos afastando geograficamente, me sinto espiritualmente (não sei se essa é a palavra certa) ligado a ela, de modo que eu não me vejo mais vivendo sem ela, não tomo grandes decisões sem ouvir os conselhos dela, continuo reportando os passos que dou na vida a ela. Essa pessoa é muito mais que um amigo, é praticamente meu irmão. Um irmão que adotei e que, queira ele ou não, vou continuar a tratar ele como um irmão pro resto da minha vida. Faça o que fizer, esteja onde estiver e com quem estiver ele nunca vai estar desamparado por que sabe que dentro de mim ele tem uma cadeira cativa e de destaque. Dificuldade todos passam, problemas todos têm, mas amigo igual e esse meu é muito raro de encontrar perambulando pelo globo terrestre. Sou mesmo um privilegiado.


Tem uma música que nada mais é que uma declaração de amor e eu choro pensando nele toda vez que a escuto. Você meu amigo de fé, meu irmão camarada / Amigo de tantos caminhos e tantas jornadas / Cabeça de homem, mas um coração de menino / Aquele que está em meu lado em qualquer caminhada / Me lembro de todas as lutas, meu bom companheiro / Você tantas vezes provou que é um grande guerreiro / O seu coração é uma casa de portas abertas / Amigo você é o mais certo das horas incertas / As vezes em certos momentos difíceis da vida / Em que precisamos de alguém pra ajudar na saída / A sua palavra de força, de fé e de carinho / Me dá a certeza de que eu nunca estive sozinho / Você meu amigo de fé, meu irmão camarada / Sorriso e abraço festivo da minha chegada / Você que me diz a verdade com as frases abertas / Amigo você é o mais certo das horas incertas / Não preciso nem dizer / Tudo isso que eu lhe digo / Mas é muito bom saber / Que você é meu (que eu tenho um grande) amigo.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

FIRME E FORTE ATÉ QUANDO?

FIRME E FORTE ATÉ QUANDO?

Ano passado voltei a frequentar a academia. Como escrevo de algum lugar do passado ainda frequento, mas não sei se quando essa postagem foi pro ar estarei frequentando mais. Academia é esporádica. Frequento por um periodo, paro por uns anos, volto a frequentar por mais um tempo e assim tem sido desde quando voltei de Londres.

Entrei em março do ano passado. Em abril já fiz um upgrade de exercícios, em maio fiz outro e a partir daí de dois em dois meses eu renovava a série. No inicio eu também ia de domingo a domingo. Depois fui relaxando mais um pouco. Tinha dias que eu não tinha como ir mesmo e outros por pura preguiça, principalmente aos fins de semana. Em setembro tudo mudou. Seis meses depois de me matricular, depois do meu corpo ter um certo condicionamento e uma certa resistência, a série de exercícios invés de ficar em duas, criou-se uma terceira via. De somente A e B passou pra A, B e C. Ao invés de vinte exercícios passei a fazer trinta – dez pra cada dia. Isso sem contar a parte de ergometria que eu faco por conta própria e sempre depois de uma série de exercícios.

Esse mês criou-se também um hiato na modificação . Foram duas semanas de atraso na data da troca dos exercícios por conta de trabalho e viagem. Me lembro que foi numa quinta-feira que a série A foi passada pra mim. Na sexta a B e a parte ergométrica cortada pela metade e no sábado a C só com umas pedaladas depois. No domingo acordei dolorido das pernas e nem fui pra academia. Mas tudo é uma questão de hábito e costume e com o tempo, assim como nas séries antigas, as cargas, os pesos foram aumentando gradativamente, ou mesmo o esforço pra poder sustentar aquele peso que no início parecia impossível, já se torna atingível, se é que existe essa palavra.

Minha intenção em frequentar academia e fazer musculação é uma só. Ficar definido. Não ficar musculoso e nem emagrecer por que quanto a isso eu já desisti. Todos dizem que eu estou bem, mas eu não acho. Estou na media dos 100kg e quero chegar aos 90, com o mesmo peso que voltei de Londres, mas a minha nutricionista diz que 95 já tá de bom tamanho e também músculo pesa mais que gordura então vamos tentar desenvolvê-los e eliminar as gorduras.

Sei que já escrevi sobre academia aqui nesse espaço esse ano, mas estou abordando de uma outra forma, uma possibilidade que se abriu pra me deixar mais irresistível. Sempre brinco dizendo que gostoso eu já sou e a academia me deixa irresistível. Minha ideia, já disse aqui, não e me tornar o mais novo concorrente a mister universo, mas ter um pouco mais de força, de resistência, de tônus muscular, de não ter mais vergonha de tirar a camisa. Gordo tem disso. Hoje não tenho tanta vergonha disso, mas depende mais do ambiente e das pessoas que estão em volta. Sou gordo sim. Posso não ser mais na aparência, mas minha cabeça pensa e calcula como um gordo.


Graças ao acompanhamento da minha nutricionista não como mais alimentos impróprios, coisas erradas e nem sou mais um compulsivo. Tudo bem, as vezes as impróprias e as erradas eu como, mas não como antigamente. Estou mais regrado, mas isso não quer dizer que sigo essas regras a risca. Saio sim, principalmente aos fins de semana, até pelo fato de saber que o meu objetivo inicial de transformar o meu corpo como o de um Deus Grego sera bem difícil de ser atingido, mas pelo feedback dos meus amigos estou seguindo o caminho certo. Eu só não sei se eles falavam isso pra me agradar, pra me incentivar ou se realmente eles estavam vendo uma diferença boa que nem eu mesmo percebia depois de alguns meses malhando, suando a camisa pra um resultado que se vai ainda um dia chegar sei que vai demorar um tempo maior que o que eu queria que levasse. Se tudo fosse tão mais rápido, mais fácil, mais decisivo e não tivesse que passar por um processo seria melhor. Será que ainda chego lá?

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

ESTIMADO ANIMAL

ESTIMADO ANIMAL

Sempre morei em apartemento e em pouco mais de 30 anos o prédio que eu morava não permitia a criação de animais nas suas unidades. A não ser animais que podiam ficar engaiolados como hamsters ou passarinhos, agora cachorros e gatos estavam fora de cogitação. Depois da mudança pra um prédio mais novo e moderno, qualquer tipo de animal de estimação desde que respeitadas as regras de circulação com eles são bem vindos.

Agora eu não tenho mais vontade de ter um bichinho pra mim. Gostaria muito de ter um cachorro, mas acho uma judiação confinar um animal que precisa de espaço num lugar que o que menos existe é espaço. Por mais que esse apartamento seja maior ainda assim creio que o animal necessite  de uma área de circulação bem maior ao que o ser humano se adapta. Isso que eu disse e apenas uma opinião minha. Não quer dizer que eu seja contra os cachorros  dos meus vizinhos. Pelo contrario, gosto de circular com eles no elevador. Só acho o espaço meio inadequado.

Mesmo se o cachorro for pequeno que parecem ser de brinquedo. Ainda bem que aqui pelo menos por enquanto o bom senso ainda se sobrepõe entre os moradores. Ate hoje não vi nenhum labrador, pastor alemão ou dálmata no elevador. Cachorro precisa é de espaço pra circular. Espaço grande como um quintal, por exemplo. Quando eu era menor ate tinha vontade de ter um cachorro, mas como onde eu morava era proibido e meus pais não gostam de cachorro essa ideia ficou bastante reprimida, mas eu me aliviava com os cachorros dos meus primos. Quando eu ia pra casa deles brincava com os cachorros deles e a vontade que eu tinha de ter um próprio foi diminuindo.

Talvez se futuramente eu vier a morar em uma casa, quem sabe ainda terei cachorros pra cuidar. Eu sei que dá trabalho. Eu sei que é preciso bastante cuidado e gastos com ração e veterinário por exemplo e isso é outra coisa que me tira a vontade de criar um cachorro. E quase como se fosse um filho. Tem gente que diz que e um filho de quatro patas. Só tenho vontade de ter um cachorro. Não gosto de gatos, por exemplo. Não que eu os maltrate, mas acho que o gato e mais esnobe, mais metido, mais independente, mais interesseiro, mais dono de si e se julga mais esperto que o próprio dono.

Na minha família já se criaram vários tipos de animais de estimação. Cachorro foi o mais comum deles. Não vou lembrar o nome de todos, mas já existiu o Astor, a Raiza, Moleque, Joe 1 e 2, a Java, a Lua, o Banzé e outros que povoaram as casas dos meus primos. Eu brincava com eles. Mas também já circularam outros tipos de animais. Reza a lenda que meu tio Rodolfo andava com um lagarto no bolso e o apresentava a todos com o nome de Gilberto. A cobra que ele tinha, não sei se na mesma época era a Catarina. Falando em cobra, meu primo Gustavo teve uma cobra também,  mas doou ao serpentário do Instituto Vital Brazil se não me engano quando a sobrinha dele, a Lis, nasceu.

Passarinho, papagaio, periquito. Acho que meu irmão já criou periquito, mas foi por um curto período de tempo, assim como peixinho de aquário também. Houve uma época que tinha muita feira de animais exóticos no estacionamento do Plaza Shopping e que no final se a gente quisesse poderíamos levar de brinde ou um peixe pra botar no aquário – acho que foi isso que fez ele ter um aquário – ou um pintinho. Se a gente pegasse um pintinho a gente ate cuidava nos primeiros dias, mas depois dava pra um vizinho nosso que criava galinha e coelho no terreno ao lado.


Isso me fez lembrar quando tia Rosely deu um frango pra tia Dora cuidar num galinheiro improvisado na casa dela. Por algum tempo ela criou o galo até que acho que ela se desfez do galinheiro. Me lembro que o frango virou galo. Seu nome era Free. 

domingo, 8 de outubro de 2017

CANTA, CANTA, MINHA GENTE

CANTA, CANTA, MINHA GENTE

Não sou consumista, mas sou musical. Digo isso pelo fato de ter conhecido muitos produtos, e ainda lembrar deles através de seus jingles. Alguns nem devem mais existir, nem produtos e principalmente as músicas que os caracterizavam. Tinha vezes que os slogans eram musicados e só uma frase já deixava a marca do produto. Não sei o que houve com a cabeça desses publicitários que não fazem mais propagandas com jingles. São eles que marcam as marcas que anunciam. Eu mesmo não consumindo o produto lembro de vários deles. São eles que pegam o espectador pelo pé e não há melhor mensagem subliminar do que essas músicas de propaganda.

Não sei se foi a evolução da tecnologia e o surgimento dessas várias plataformas que fizeram os publicitários recuarem sobre esse aspecto e acharem uma outra via para anunciarem seus produtos. Antigamente era só a TV e a minha geração por não ter outras opções ficava assistindo ao que se passava nela. Talvez tivesse mais criatividade por causa disso também e a onda de jingles pegou. É um recurso de fácil absorção que gruda na mente e volta e meia se sai cantando um ou outro. Quer melhor divulgação do que essa, do que alguém cantando a marca de um produto?

Hoje é mais difícil, mas quando eu vejo um baleiro daqueles antigos, com balas sortidas em cada compartimento me reporto imediatamente as balas de leite kids. Nem sei se ainda existem e nem sou consumidor delas, mas até hoje me lembro da musiquinha da propaganda. Um exemplo do slogan musicado era do Nescau “energia que dá gosto”. O Nescau eu sei que existe até hoje e tem aqui em casa, apesar de eu ter tido uma preferencia pelo “sabor que alimenta”. Esse era do Toddy. Quem nunca comeu “a coisa mais gostosa desse mundo”? Não sei se as crianças de hoje em dia comem mingau de cremogema. Eu só tô comentando a parte de alimentação. Talvez por eu ser gordo e essa parte me chamar mais atenção.

Mas existiam outros slogans e jingles que fazem parte da minha memória. Alguns tiveram a sacação de pegar uma música antiga e fazer uma adaptação ao produto. Não sei de quem é a autoria mas me lembro nitidamente dos Trapalhões cantando a música “Pedalando”e adaptando pra fazer a propaganda da Caloi no programa deles que ficou assim: “pedalando com a Caloi a poupança nunca dói”.

Outra marca que me marcou bastante pelos seus comerciais nem eram feitas por jingles e sim por trechos de músicas americanas que ficavam conhecidas por aqui. Os sucessos que os cigarros Hollywood faziam com o seu repertório musical eram grandes e chegavam a lançar compactos com as músicas exibidas nas suas propagandas que eram repletas de esportistas praticando seus esportes radicais. O que é uma contradição, pois todos sabemos o mal que o cigarro faz.

Hoje acho que está proibida a propaganda de cigarros na tv aberta ou fechada. Já as bebidas alcoólicas tem uma restrição de horário. Acho isso uma palhaçada. Eu via os anúncios da Hollywood e nem por isso me deixei influenciar e me tornei um fumante, assim como também via os de cerveja e eu não bebo cerveja. Atualmente nem o apelo da Coca Cola é isso aí. Pra mim não é nada mais. Não me refresca já vai pra quatro anos e não me dá a menor vontade de retomar esse hábito mesmo com toda propaganda e patrocínio que ela exerce sobre o mundo. Nunca consumi nem cigarro e nem cerveja e tô livre da Coca-Cola e similares. Se eu consegui sobreviver a essas propagandas qualquer um consegue.   


Volta e meia alguns produtos trocam os seus jingles, quando ainda tem, e slogans, mas tem sempre um que fica marcado com “pensou cerveja pediu Brahma Chopp”. Deviam voltar com os jingles de propaganda. Pelo menos o consumidor ficaria mais alegre e cantante. 

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

A RAINHA E O SACERDOTE (pub.em 24 out 2011)

A RAINHA E O SACERDOTE (pub.em 24 out 2011)

A idéia vinha sendo elaborada há um bom tempo, mas a concretização dela deu-se somente no primeiro domingo de junho. Minha incumbência era pra ser motorista por um dia de uma rainha. Mesmo no período em que eu vivi em Londres, onde o ar de realeza circula com mais facilidade, creio que nunca tinha estado lado a lado com uma rainha. Considerando que a expressão lado a lado seja diferente de frente a frente o ineditismo do fato é válido. Frente a frente eu já havia ficado com uma outra rainha, mas dessa vez era diferente, havia um pouco mais de convivência e de tempo pra apreciar tal nobreza.
Arranjamento já pronto, o combinado era que eu passasse para primeiro pegar a princesa, o príncipe consorte e a filha que iriam me indicar o caminho do castelo da rainha. Guiando o coche, separei um repertório condizente e que possívelmente faria gosto da família real. Talvez a única que torceria o nariz para a trilha sonora da viagem poderia ser a jovem princesa, mas acostumada com suas antecessoras também embarcou na viagem musical. Fomos em direção ao castelo da rainha. Não era um lugar inacessível, mas por ficar no alto a dificuldade era um pouco maior.

Princesas morando em Niterói e rainha no alto do Corte do Cantagalo, entre Lagoa e Copacabana, pelo caminho que me foi indicado rapidamente chegamos lá. A partir daquele momento tudo girava mais ainda em torno da rainha. Elegantemente vestida, ela entra no coche e pegamos a via de volta para Niterói, pois tínhamos que passar por aqui para seguir viagem até Saquarema. Sim, Saquarema. A rainha iria entrar no Templo pela primeira vez depois de pouco mais de cinco anos. Apesar de se falarem sempre, esse tipo de encontro é muito raro de acontecer e eu tive a sorte de ser um pouco responsável e de participar disso tudo.

Chegando ao Templo, o sacerdote nos recebeu na porta e, como ele faz com todos os fiéis que o procura, abriu a porta do seu sacrossanto e profano lar pra nos receber. Antes mesmo de a rainha sair do coche, o sacerdote já entregou uma flor colhida ali na hora do seu jardim. Reverências de boas vidas a rainha a parte, entramos. Fiuk, Joelma e Elis, guardiões caninos do Templo, também ficaram em polvorosa com tanta gente que tinha chegado num só momento. O sacerdote começou mostrando a parte externa do Templo, seu jardim e seu quintal, a piscina com fonte improvisada e suas plantas e árvores. Até que a porta principal foi aberta e finalmente a rainha entrou no templo.

Tanto ela como a corte que a acompanhava ficou admirando todo o acervo preservado e exposto nas paredes do templo pelo sacerdote. Apesar da rainha ser de um gênero e o sacerdote e o Templo guardarem outro tipo de acervo, é mesmo admirável o que se faz e se tem lá. Realmente é de deixar qualquer um de queixo caído. Após toda mostragem tanto do acervo quanto da disposição dos cômodos do Templo, o banquete foi pedido e enquanto isso o mezanino superior foi tomado para exibição de imagens de idolatria tanto da rainha quanto do sacerdote. Nesse ínterim o banquete chegou e eu fiquei na cozinha preparando e arrumando a comida para a família real e para o sacerdote, fazendo vias de criadagem. O banquete estava farto e consistia em quatro pizzas e um vasilhame de empadas de camarão além de quatro garrafas de coca-cola. A rainha se fastiou apenas com dois pedaços de pizza e duas empadinhas e, das quatro pizzas encomendadas, ainda sobraram duas inteiras. Pouco mais de três horas foram suficientes para que sacerdote e família real se deleitassem entre histórias, casos, lembranças e confissões.


Por mais que pareça um conto de fadas, essa história é verídica. Nomeando personagens: o sacerdote é o Serguei e a rainha é a do chorinho, Ademilde Fonseca.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

A PARADA DO CARRO

A PARADA DO CARRO

Deve ser implicância mesmo. Não adianta seguir as orientações que sempre acontece o que não deveria acontecer, pelo menos eu não acho normal. Toda vez que meus pais viajam eu fico na incumbência de fazer com que os carros sejam ligados periodicamente pra que as baterias não arriem. Por mais que eu faça isso vai ter sempre um carro pra me sacanear e sempre será o carro do meu pai. Quando não acontece quando ele está fora, acontece quando ele chega. Até porque ele saiu do avião aqui a responsabilidade volta a ser dele. E como ele tem ciúmes do carro o esquema que eu faço é sair com o carro da minha mãe quando necessário e apenas ligar o carro dele, mas nem sempre isso dá certo. Por mais que eu ligue cinco minutos por dia, se eu ficar três dias sem ligar a previsão da bateria arriar é muito grande.

Ano passado foi assim. Eles viajaram e eu ligava o carro todo santo dia por cinco minutos. Teve um dia que eu deixei de ligar, uma terça-feira, na quarta eu liguei apreensivo, mas funcionou. Na quinta eu fui pra São Paulo e só voltei no sábado a noite. A primeira coisa que fiz foi tentar ligar o carro e adivinha o que aconteceu. O carro não ligou. Pouco mais de dois dias sem virar a chave e nenhum sinal vital do motor. Não esquentei com aquilo naquele momento. Afinal estava chegando de viagem e queria descansar. O dia seguinte era domingo, tinha tempo pra fazer isso e mesmo assim o mecânico do seguro só chegou as oito da noite, fez a famosa chupeta, pediu pra deixar o carro ligado por quarenta minutos e foi embora. Não chegou a ficar dez minutos na garagem.

O que mais me deixou espantado foi que quando a gente aciona o seguro eles pedem pra quando o mecânico chegar ter em mãos os documentos. Eu estava tanto com o documento do carro quanto o meu no bolso e o mecânico não pediu absolutamente nada. Veio, fez o serviço dele e foi embora. Devia estar com pressa pra voltar pra casa já que no carro dele estava uma mulher que foi quem me ligou dizendo que eles iam atrasar um pouco  e umas quatro crianças e pelo que ela havia me dito eles estavam em botafogo e o transito estava ruim. Creio que estavam saindo de algum programa em família e ao ser acionado pra prestar o serviço, por morarem pelo lado de cá deve ter aceito e passou aqui pra prestar o socorro relâmpago. Foi muito rápido mesmo.

No dia seguinte eu tinha projeto escola e só cheguei em casa a noite. Vinte e quatro horas depois da chupeta estava eu diante do carro, apreensivo, pensando no pior, mas não. A chave virou e o motor funcionou. Dessa vez ao invés de cinco minutos deixei o carro ligado o triplo do tempo. Foram quinze cronometrados.

Pelo menos dessa vez foi enquanto ele estava viajando porque geralmente é quando ele volta e vê que o carro não está funcionando ele fica soltando fogo pelas ventas. No início eu ficava chateado, mas agora pode esbravejar a vontade. Eu faço a minha parte. Se o carro não cumpre a dele não é problema meu. Não foi a primeira e muito menos será a última vez que isso vai acontecer se o carro ficar alguns dias parados. Esse carro sempre foi meio esquisito desde quando foi comprado e essa fuga de energia da bateria, que provoca essas paradas, esses apagões deveria ser vista.

Eu acho que isso acontece por conta da não circulação do carro pelas ruas . Ligar e desligar até ajuda, mas se fica um tempo sem ligar acontece isso. Mas o mais curioso é que só acontece com o carro do meu pai. Com o da minha mãe não preciso acionar o seguro, no entanto circulo com ele de vez em quando. E como ele circula com o carro dele, enquanto não ele não viaja ele acontece esse imprevisto.


Já prevejo que na próxima viagem que ele fizer isso pode acontecer novamente, está na listagem do que fazer na ausência dele. Ligar o carro e chamar o seguro quando preciso.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

ETERNA E TENRA TERRA DA GAROA

ETERNA E TENRA TERRA DA GAROA

Creio que será a última vez que tocarei nesse assunto. Ano passado fiz o mesmo, mas o foco foi outro. Aliás, ultimamaente o foco tem sido só dois. Dois motivos me levam a São Paulo. O primeiro, como relatado ano passado, são as peças de teatro. Sempre que posso vou assistir o que está em cartaz por lá. O segundo são as apresentaçcões, as participações que o Serguei é chamado pra fazer e que eu sempre vou acompanhando.

Ele já chegou a uma idade em que algumas coisas não pode fazer sozinho, como andar de avião, por exemplo. Não por conta da saúde física. Isso ele ainda tem um pouco, mas por causa da memória, cuja falta dela o prejudica bastante. Por isso combina-se tudo comigo e eu repasso a ele com filtros pra que ele se preocupe com menos coisas possíveis. Nesse caso foi o líder da banda Made in Brazil que novamente o convidou pra fazer uma participação no show de lançamento do DVD gravado em novembro do ano retrasado e lançado em setembro do ano passado num show particionado em dois dias com convidados e o Serguei participou do primeiro dia, na sexta.

Nossa rotina foi muito corrida nesses dias. Na quinta madrugamos pra pegar o voo. Ele saiu as 5:30 da manhã de Saquarema. Pra ele conseguir fazer isso ele não dorme durante a noite, ou seja, cochila um pouco dentro do ônibus e do avião, mas não repõe as energias como deveria. Próximo das oito da manhã ele desembarca na rodoviária e eu estou lá desde às 7:30 esperando por ele pra pegarmos um taxi e irmos pro aeroporto. Não existe taxi comum na rodoviária. Ali é máfia e tem preço tabelado . Quando o motorista me disse que era 40 reais a corrida reclamei e ele baixou pra 35. Ainda tá caro pelo fato de ter encurtado o trecho  entre esses dois pontos e não chegar a 10 km e na volta o trecho no taxímetro deu pouco mais de 20 reais. Poderíamos até arriscar o novo VLT , mas não podia dar mole com o horário do embarque no aeroporto.

Não tínhamos tomado café e depois de pegarmos o bilhete aéreo subimos pra comer e esperar o voo marcado pras 10 da manhã. Atrasou um pouco, uns 15 minutos. Chegamos em Guarulhos e o Klaus estava nos esperando por lá. Ainda estava cedo pra fazer o check in no hotel mas esperamos um pouco e conseguimos entrar. Optamos por descansar um pouco antes de irmos pro ensaio no estúdio.

Enquanto o Serguei dormia eu dei uma volta na vizinhança pra comprar algumas coisas pra deixar pra gente no hotel. Duas horas depois da entrada no hotel saímos para o ensaio no estúdio. Demos o ar da graça e fomos comer  no Mc Donalds que ficava ali do lado. Voltamos depois e ficamos no estúdio até o fim do ensaio. Depois nos levaram pra comer uma pizza na Pompéia. Chegamos no hotel por volta das 11 da noite. No sábado, dia do show, acordamos pra tomar café e voltamos pra dormir. Almoçamos no hotel mesmo e só depois do almoço que demos uma volta no shopping perto do hotel por uma horinha. Depois voltamos pro hotel e esperamos a hora combinada pra ir pro local do show as 7 da noite. O show foi bom e o Serguei foi o último convidado a se apresentar. Fomos so últimos a sair do local do show e ainda paramos pra comer um sanduba ali pelo bairro mesmo.


Sábado foi o dia da volta. Pra nossa sorte não precisamos deixar o hotel ao meio dia, pois fizeram a reserva até o domingo e como o avião saia no fim da tarde passamos a hora dando uma volta no parque Ceret que ficava em frente ao hotel em que estávamos e acontecia naquele fim de semana a festa do morango junto com o aniversário do bairro do Tatuapé. Foi um tal de tirar fotos, parar pra falar com o público – e o Serguei é movido a esse contato, a esse reconhecimento que foi o tempo perfeito, exato e ideal que a gente ficou por lá. Na hora certa voltamos pro Rio.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

MEXERICOS

MEXERICOS

Outro dia vi uma foto de um amigo meu com o Lulu Santos. Ele postou no facebook. Nada contra ele ou qualquer um postar fotos com seus ídolos ou famosos conhecidos numa rede social. Geralmente ele faz isso. Até entendo. Ele é do interior e o único acesso ao artista que ele tem é quando tem show na região que ele mora. A gente aqui no Rio não faz tanto isso. Quer dizer, até faz, mas por que a gente é mais cara de pau mesmojá que é comum esbarrarmos com mais frequência nesses artistas no Leblon, Gávea, Botafogo e Barra, por exemplo.

Eu já tive excelentes oportunidades de me fotografar com vários artistas de diversas áreas, mas não faço isso. A não ser com umas três ou quatro pessoas específicas que não moram no Rio e portanto fica mais difícil de esbarrar com elas por aqui. Só em shows ou apresentações mesmo. Esse meu amigo fica todo ouriçado quando vem pra cá se por ventura a gente sai e vai passear no Rio. Não é pra menos.

Eu sou de outro pensamento. Por mais que eu saiba que quando um artista se propõe a tirar uma foto a mesma tem 99% de chance de cair numa rede social eu não o exponho, faço parte do 1%. Se alguém tira foto comigo, me marca e posta na rede social eu não me oponho, mas se eu tiro foto com alguém que tenha certa notoriedade, ou mesmo com alguém da minha família ou um amigo, sou contra a exposição deles.

Aliás a minha política em rede social é não me expor. Ultimamente só tenho divulgado trabalhos quando muito e a única forma de exposição é um selfie em algum lugar pelo qual eu passeei. Isso eu faço. Depois de uma viagem selecionar as fotos que ficaram melhores e fazer um álbum novo só pra isso. Não gosto de expor nem a mim e muito menos quem por ventura estiver comigo, seja anônimo ou famoso.

Existe uma parte da mídia especializada em famosos que eles chama de repórter de celebridade. Eu particularmente chamo de fofoqueiro. Sei que isso tem há muito tempo e pelo que me contam a mais famosa das antigas foi a Candinha com seus mexericos. Sinceramente eu não me interesso pelo que as celebridades fazem ou deixam de fazer, onde elas frequentam, com quem se relacionam, por que casam ou separam. Nada disso me interessa. Nem com as celebridades com as quais eu convivo mais eu fico querendo saber de coisas que só dizem respeito a elas.

Confesso que eu fico um pouco chocado com as notícias bombásticas de separação. Não desses mais novos que casam e separam como quem troca de cueca, mas de casais que imaginávamos nunca mais se separar como o Edson Celulari e a Claudia Raia ou Fátima Bernardes e William Bonner que foi mais comentado ano passado. Ou teria sido Bread Pitt e Angelina Jolie?

Tenho medo de Tarcísio e Glória irem pelo mesmo caminho, mas ao mesmo tempo acho que eles já passaram da idade de se separar. Se isso acontecer a minha crença na instituição casamento de celebridade termina de vez. Eles formam o último pilar que sustenta essa mania de fofoca. Se bem que apesar deles também serem alvos da Candinha, não dão motivos pra que os exponham na mídia. A exceção de alguma estréia ou apresentação teatral como eu pude testemunhar no Terezão quando ela se apresentou na peça “Ensina-me a viver” e ele ficou sentadinho umas duas filas na minha frente a admirando.
            
           Nem sei se isso foi pra mídia. Acho que não por que não é notícia que vende jornal. E também não se vê nas redes sociais. Sempre haverá parte dessa imprensa exibicionista, marrom e sensacionalista e que na televisão ocupam o horário vespertino de emissoras que não dão muito ibope. Tô fora desse tipo de gente. Quero distância desse tipo de jornalista, apesar de ser amigo de um que é um ex repórter de celebridades. Mas já o conheci como ex. 

sábado, 2 de setembro de 2017

JOGO DA VIDA

JOGO DA VIDA

Não sei se acontece com todo mundo, mas eu acho que a vida é tipo um jogo de vídeo game onde se termina uma etapa, um nível e se avança pra outra fase. Coisas que eu fazia cinco anos atrás atualmente eu não tenho mais o hábito, o costume de fazer.

Em setembro do ano passado saí três dias seguidos, ou melhor, três noites seguidas. Isso pra mim já é um recorde nos tempos atuais. O primeiro dia, uma quinta-feira eu fui ao teatro. Um programa que eu gosto de fazer e faço constantemente, mas esse teatro em específico é um pouco longe da minha casa e fico o mesmo tempo ou até mais em trânsito do que no próprio teatro.

Na sexta foi dia de Lapa. Ah, a Lapa. Frequentei muito nos tempos de faculdade. Quase todo fim de semana eu batia ponto lá. Me lembro que a gente ia muito numa sinuca na rua do Riachuelo. Nesse dia eu passei lá em frente e vi que mudou muita coisa. Tá bem diferente, mais arrumadinho, reformado, com cara de descente. Na minha época era quase um pé sujo, talvez um nível acima do pé sujo. Hoje tá muito cheio de “não me toque”.

Cheguei no horário que costumava chegar, por volta das onze da noite, mas dessa vez fui direcionado a ir em um local específico e nem me cansei muito por ter ficado sentado boa parte do tempo. Mesmo assim por volta das três da manhã eu já estava voltando pra casa. Andei da Lapa até o terminal de ônibus e só fiz isso por conta do centro estar bem policiado por causa das paralimpíadas que estava rolando nessa época, senão pegava um táxi como costumava fazer das últimas vezes que fui pra lá. De qualquer modo se isso acontecesse alguns anos atrás eu não voltaria tão rápido. Ficaria por lá mais um tempo circulando no meio da multidão ou parando em algum lugar pra comer alguma coisa. Talvez até esperasse amanhecer pra poder voltar pra casa como eu fazia nos áureos tempos da faculdade. Não tenho mais pique pra isso. Já passei dessa fase.

No dia seguinte o programa foi mais cedo. Uma amiga minha comemorando o aniversário na praça são Salvador, ali em Laranjeiras. Ao contrário do dia anterior ali não tinha lugar pra se sentar e ficamos em pé durante o período que passamos lá. Havia uma roda de samba lá, quer dizer, um pessoal que se juntou pra fazer uma batucada bacana e até contagiante por assim dizer. Marquei com uns amigos de a gente se encontrar na estação do metrô do largo do machado às nove da noite e ficamos curtindo o aniversário até umas onze e meia quando voltamos pro metrô. Eles pegaram o metrô e eu andei até o ponto do meu ônibus. Por mais que esse tenha sido o tempo menor de gandaia dos três dias e o dia que eu cheguei mais cedo em casa, eu já me senti exausto pelo acúmulo dos três dias seguidos.

Creio que só faço isso no carnaval, mas eu me preparo psicologicamente pra isso e mesmo assim não fico pulando de bloco em bloco como eu fazia antigamente. Escolho um ou dois no máximo por dia pra curtir e já tá muito bom. Sei que pode haver pessoas que não perdem o pique e que continuam frequentando noitadas, boates, como se o tempo não passasse pra eles. Eu interpreto de outra forma. Pra mim essas pessoas ainda não conseguiram amadurecer, não passaram de fase, não subiram de nível e continuam na mesma etapa.

            Se existem empresários da noite que não gostam de sair a noite e mesmo assim administram suas casas noturnas por já terem também passado dessa fase, essas pessoas não sabem administrar o jogo da vida ou por que não querem mesmo amadurecer ou pelo fato de não estarem sabendo conscientemente conduzir o próprio jogo. Sabe quando você não consegue passar de fase e fica repetindo e repetindo aquele nível constantemente sem nenhum tipo de evolução? É assim que eu vejo esse povo.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

‘GAUCHE’ PERSONALIDADE (pub. em 13 dez 2010)

‘GAUCHE’ PERSONALIDADE (pub. em 13 dez 2010)

Numa bela tarde do ano de mil novecentos e noventa e sete recebo um telefonema da minha amiga Joana que, falando em tom baixo e um pouco estranho me transmitiu o seguinte recado: “Passa na minha casa, pegue todos os meus discos da Rita Lee, minha maquina Xereta e vem correndo pro centro do Rio. Te encontro no Centro Cultural Banco do Brasil.” Tentei tirar mais infomações dela, mas não consegui. Ela desligou o telefone logo. Eu obedeci.

Na época ela morava no meu prédio, num andar abaixo do meu e sabendo que eu era um estudante pré-vestibular, estaria a tarde em casa. Ela, estagiária de jornalismo, trabalhava numa revista de economia e negócios e estava pra fazer sua monografia. O tema: Rita Lee. Ela adorava a rainha do rock e realmente qualquer disco que saísse da cantora, fosse de carreira ou coletânea, ela adquiria.

Chegando lá, não deu tempo nem pra respirar. Fui seqüestrado. Ela me colocou dentro de um taxi e pediu pra seguir até a rua do Riachuelo, na sede do jornal ‘O Dia’. Sempre que eu perguntava o que estava acontecendo ela me respondia que eu iria ver. Simulou um mal estar no trabalho pra fazer aquela loucura. Até aquele momento, só ouvia falar das histórias malucas que fãs aprontavam pra ficar perto dos seus ídolos, mas aquela era a primeira que eu tava presenciando e vivenciando. Finalmente chegamos no endereço.

Na recepção ela disse que era estudante de jornalismo, mostrou a carteirinha, disse que estava fazendo um trabalho sobre Rita Lee e que gostaria de tirar algumas fotos da apresentação que ela estava fazendo na extinta rádio RPC. Fui seqüestrado pra ver uma apresentação de Rita Lee para um público bastente restrito, praticamente um pocket show, onde ela lançava o disco Santa Rita de Sampa. A partir desse momento Rita ganhava mais um fã. Joana me contagiou com o fanatismo dela.

Hoje posso dizer que sou adicto em Rita Lee e Joana me levou para um caminho sem volta, uma doença que apesar de ser controlada é incurável. Claro que conhecia e admirava o trabalho, as músicas da dupla Rita e Roberto, escutava no rádio, nas trilhas das novelas, mas daí a querer me aprofundar mais na carreira e na vida dela, havia uma lacuna,um hiato pra que isso acontecesse, e talvez me faltasse mesmo esse empurrãozinho de Joana. Se hoje sou fã de Rita, devo muito a Joana. Principalmente pelo fato do meu contato visual com a Rita ter sido feito dessa maneira repentina, num ambiente mais aconchegante do que um show propriamente dito, e nos intervalos do programa ela parava pra falar com a gente, atendia um a um, tirava fotos, ou seja, além das músicas a simpatia cativante dela fez com que meu interesse pelo trabalho e carreira dela surgisse, como se eu tivesse sido enfeitiçado por ela. E fui.

Todo e qualquer show que ela faça aqui no Rio eu vou. Depois que eu conheci o Serguei e promovi um reencontro dos dois que me deu acesso a ela, mas mais ainda ao Beto Lee, filho dela, procuro depois do show tentar sempre ir ao camarim pra falar com eles. Nem sempre é possível, principalmente quando o Serguei não pode me me acompanhar nos shows, mas permaneço até o fim, até a saída dela apostando tudo na esperança. Às vezes dá certo, às vezes não dá, mas tudo faz parte apesar de às vezes a “entourrage” não simpatizar com esses gestos de gente como eu, que me considero fã, e outras pessoas muito mais fãs que eu.


Geralmente ela costuma abrir turnê pelo Rio. Em janeiro ela encerrou a turnê de “Pic-Nic”,onde ela comemorava os tantos anos de carreira. Mal ela encerrou uma, abriu outra “ETC...” que passou pelo Rio em setembro último e, como de praxe, eu estava lá fazendo a minha festa, curtindo mais um show da rainha do rock. E mesmo não lançando disco de inéditas desde dois mil e três, a casa estava lotada, merecidamente.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

INFÂNCIA SEM INOCÊNCIA

INFÂNCIA SEM INOCÊNCIA

Pegando ainda o gancho da semana passada, uma noite de setembro do ano passado eu andei até o ponto do ônibus em frente a uma favela há algumas quadras aqui de casa pra poder ir pro Rio. Em frente a esse ponto, numa lage que instalaram há um bom tempo sobre o canal e fizeram desse espaço uma praça ao ar livre com brinquedos pras crianças, um espaço de convivência, estava acontecendo um evento como quase todo fim de semana com música de DJ, comes e bebes, o que tem em toda festa. Comunidade em boa parte estava ali desfrutando do lazer oferecido numa sexta a noite.

Como em boa parte das comunidades de um modo geral a música predominante era o funk e em boa parte dos funks executados eram aqueles em que a insinuação pornográfica é gritante. O que eu ouvi nesse dia foi uma cantora que pegou uma música infantil, tema dos anões do desenho da Branca de Neve e trocou a letra. Ao invés de “eu vou pra casa agora eu vou”ela cantava “eu vou sentar agora eu vou”. Fico estarrecido quando escuto essas atrocidades e o pior é que essas crianças moradoras, criadas nessas comunidades escutam essas músicas desde pequenas. São precoces no quesito sexualidade por serem bombardeadas por esses tipos de letras obscenas.

Essa cultura deveria ser modificada. Não estou aqui querendo acabar com essas festas comunitárias e muito menos com o funk. Mas deixar crianças escutarem a esse tipo de montagem musical, essas versões eróticas é um absurdo.

Quando eu era pequeno o público infantil tinha programas voltados especificamente pra ele. Assistimos a vários especiais musicais feito pra crianças, pensado pros pequenos. Curtíamos o Sítio do Pica Pau Amarelo, víamos produtos como Arca de Noé do Vinícius de Moraes, Pirlimpimpim que também tratava do universo do Sítio do Pica Pau, Plunct Plact Zum que era literalmente uma viagem , enfim, minha geração cresceu com isso. Não fui acostumado a escutar essas versões obscenas e insinuantes de músicas.

Sempre existiu e vão existir músicas de duplo sentido. Isso é uma coisa. A Dercy Gonçalves cantando a “Perereca da Vizinha”, por exemplo, é engraçado e por mais que a gente conheça o duplo sentido chega até a ser inocente perto do que se escuta hoje em dia. Acho que isso não pode se tornar normal, comum.

Quando esses programas de TV deram espaço a outro tipo de linguagem  - esqueci de mencionar o Balão Mágico. Esse sim eu considero o meu programa de infância que era feito por criança e para criança com musicas que mantinham e respeitavam a essência da inocência da criança – surgiu a figura da apresentadora de programa infantil e foi nessa onda que a Xuxa tomou o posto de rainha dos baixinhos, começaram a dizer que as crianças começaram a se “erotizar” pelas roupas curtas que ela usava no programa e as crianças a imitando também nas roupas. Eu discordo disso.

Se ela usava um short curto e os pais achavam aquilo um absurdo era só trocar o canal, mas não tinha jeito porque caia na Angélica, Mara Maravilha e tantas outras que surgiram e sumiram. Bem, se mudar de canal não resolvia era só não comprar o mesmo tipo de roupa usada pelas apresentadoras. As músicas que elas cantavam eram apenas pra se divertir, sem esse apelo sexual, pornográfico. É só escutar Ilariê por exemplo que se percebe que não tem nada demais nela.

No entanto, independente da moda, sabe-se que hoje as meninas a partir dos seus catorze, quinze anos predominantemente de comunidades como essas vão a bailes funk sem calcinha.
Outro dia uma amiga me mandou uma mensagem que dizia que as piores músicas feitas nos anos oitenta são melhores que as melhores feitas atualmente. Eu incluo aí os funks também.

sábado, 12 de agosto de 2017

VELHA INFÄNCIA

VELHA INFÂNCIA

Ano passado uma amiga minha me perguntou sobre a disposição do Teatro Rival, pois ela estava querendo comprar ingresso pra uma festa Ploc que aconteceu lá no fim de setembro. Festa Ploc é uma festa temática dos anos 80. Acho que em São Paulo se chama Trash.

Essa foi a década da minha infância. Minha e dos meus amigos de infância. Foi nessa época que consolidamos nossos caráteres, que crescemos e nos desenvolvemos e aprendemos a formar nossa base que nos acompanha pela nossa vida até agora e creio que eternamente. Claro que não dá e nem se pode comparar com infâncias de outras gerações. Cada uma se desenvolveu em certas condições econômicas, culturais e tecnológicas diferentes. Eu não vivi outras, por isso digo que a minha infância foi a melhor e pra mim realmente foi. Quando eu vejo o meu sobrinho mais velho grudado num telefone ou num computador jogando joguinho não consigo ver ali uma infância saudável onde ele possa interagir com outras pessoas como eu fazia com a turma do prédio onde eu morava. Mas era outra época.

Vídeo game era raro alguém ter. Um que eu tive junto com meu irmão , talvez o único da infância, foi o Atari e mesmo assim a gente jogava pouco. Preferíamos estar com nossos amigos brincando juntos. Hoje qualquer telefone celular vem com joguinhos pra crianças de qualquer idade ou aplicativos que levam a baixar esses joguinhos. Telefone celular na minha infância era coisa que víamos só nos filmes de James Bond e os telefones que quando chegaram tinham a função exclusivamente de fazer ligações hoje fazem de tudo, inclusive ligações. Não só servem pra função original dele como pra ser vídeo game, agenda, agencia de banco, maquina fotográfica entre outros.

Pra se ter uma idéia, quando eu fiz dez anos ganhei uma maquina de retrato do meu padrinho. Uma Kodak que tirava fotos tamanho 9x9 com o tipo de filme CB126. Sim, era filme negativo que depois a gente tinha que levar pra revelar. Já o meu sobrinho mais velho no Natal que ele tinha cinco anos, ou seja, metade da minha idade, ganhou um aparelho celular que inclusive tirava fotos. Mas isso foi pelo fato dos joguinhos estarem bem evoluídos e difundidos nesses aparelhos. Não que ele fique o dia todo pendurado jogando no telefone. Ele até faz outras atividades, o que eu acho bem mais saudável, como jogar bola que ele adora, e quando está com o pai andar de bicicleta entre outras coisas, mas o que faz ele ficar quieto é o joguinho eletrônico.

Somos de gerações diferentes, sou trinta anos mais velho que ele. Talvez ele brincasse como eu se tivesse nascido na mesma época que eu, ou eu fizesse o mesmo que ele se tivesse nascido a quase dez anos. Não estou julgando se é melhor ou pior. É diferente e não há comparação.

Agora me preocupa quais os valores de infância o meu sobrinho mais novo vai carregar com ele. Ainda é pequeno, tem pouco mais de um ano, mas já começa a observar o mundo e assimilar algumas coisas como toda criança nessa idade. A memória dele agora que vai começar não só a captar mas a registrar tudo o que ele vê, ouve e sente. Ele já é de uma outra geração com outra visão, outros objetivos de vida. Vida essa que tem muita pela frente.

Quando eles dois chegarem a minha idade e olharem pra trás será que eles vão dizer que valeu a pena que tiveram uma infância maravilhosa, que não podem reclamar de nada – essa acho um pouco difícil, mas uma reclamação branda, sem rancores até mesmo pela configuração de família que eles tem.


Quem vai tocar daqui a trinta, quarenta anos na festa Ploc que eles vão frequentar?  

domingo, 6 de agosto de 2017

GARRANDO NA PROSA

GARRANDO NA PROSA

Uma das coisas que eu mais gosto de fazer é jogar conversa fora. Sentar em algum lugar pra bater um papo seja com um ou um grupo de amigos. Isso me faz bem. Acho que pra todo mundo. Mas tem que ser real. O virtual só se realmente não houver jeito como por exemplo no caso do Airton que está em Londres. Aí não tem como. Só quando eu vou pra lá mesmo.

Reunir com amigos seja na casa de um ou no bar desopila, tira o peso que o dia a dia impõe sobre a gente. A gente fica mais relaxado, descontraído, fala mais bobagem, não precisa ter a formalidade que nos é conveniente, enfim, é muito bom. Gosto dos meus amigos, como gosto de me juntar a eles e quando vários se reúnem num local eu me empolgo e nem vejo a hora passar. Gosto do papo deles, gosto das idéias, das discussões sadias e construtivas, das conclusões engraçadas e das possíveis parcerias profissionais que podem sair dessas conversas também. É tão bom se ter esse contato visual, presencial, que pra mim o virtual é um complemento. Esse é mais frio, mais mecânico, dependente de uma maquininha que está se tornando cada vez mais necessária pra gente.

O ruim do celular é que tem gente que fica viciado , que não consegue largar do aparelho pra nada, que fica checando o tempo todo se chegou mensagem, por exemplo. Em alguns desses encontros que eu frequento, de vez em quando, uma amiga reclama quando os conviveres pegam no celular e ficam mais de um minuto com ele na mão não interessa fazendo o que. Ela brinca dizendo que vai colocar uma cestinha na entrada pra que deixemos nossos aparelhos lá antes de entrarmos pra curtir esse momento de reunião, de descontração, de jogar conversa fora.

Eu atualmente quero ficar o mais desconectado possível. Ficar mais de uma hora no computador sem algum objetivo acho exagero. Eu estipulo o tempo de um disco pra ficar de bobeira na frente da tela. De bobeira. Se eu faço alguma coisa mais intensa, mais trabalhosa, aí a coisa muda de configuração. Telefone é a mesma coisa. Não tenho a fissura de ver imediatamente as mensagens que me mandam. A não ser se for mensagem importante, que eu esteja esperando ou trocando, vejo as conversas em determinados horários. A hora que eu tô a fim de ver. Claro que não vou deixar de fazer nada disso até pelo fato de serem meios de comunicação e nenhum vai anular o outro.

Ainda vejo mail e os respondo quando necessário, vejo facebook e uso muito o messenger e o whats app, mas não fico o dia inteiro nisso. Acho que tem tanta coisa pra gente fazer, pra gente ver que a tecnologia não deveria ocupar o nosso tempo todo.

Comedidamente podemos fazer tudo que nos convém. No entanto acho que há um exagero das pessoas em permanecerem conectadas o tempo todo. Talvez conectada não seja a palavra certa por que eu também fico conectado o dia todo, mas eu modero o meu controle, o meu acesso. O que eu estou dizendo é que as pessoas ficam ansiosas por não terem uma mensagem lida ou respondida imediatamente, uma foto postada, curtida e comentada no facebook. Isso que eu acho um exagero.

Além de exagero chega a ser uma falta de respeito. As pessoas vão pra restaurantes pra ficarem digitando em celulares, e o pior, já vi isso em algumas apresentações teatrais. Por mais que se peça pra manter os aparelhos sonoros no modo silencioso ou no vibratório, ainda existe gente que quer ser má educada mesmo.  


Com tanta coisa bacana a ser feita, a ser aproveitada que as pessoas deixam de fazer pra ficar online o tempo todo. Sempre vai ter um livro bom perdido numa estante, todo dia tem um por do sol pra se assistir, um filme bacana de vez em quando passa no cinema, uma peça de teatro ou um show pra se assistir, um papo com os amigos, ou seja, existe vida além das telas de celular e computador.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

DE TUDO (publicado em 3 mar 2008)

DE TUDO (publicado em 3 mar 2008)

Tem gente que faz de tudo para ver um ídolo de perto. Imagino coisas e ouço histórias cabeludas sobre isso, gente que se esconde em quarto de hotel, se veste de funcionário da casa de shows, enfim, loucuras.

Na semana anterior ao carnaval quem fez uma loucura por um ídolo fui eu. Mas foi uma loucura sã e bastante consciente. Uma artista a quem admiro muito estreou sua turnê no Rio. Claro que já havia comprado o meu ingresso não para a estréia, mesmo assim passei lá no Canecão pra ver se conseguia um ingresso vip em nome do meu amigo astro que por ventura é amigo também da minha idola e o que eu queria fazer pra ele e pra mim era a promoção de um reencontro entre duas pessoas que não se viam há tempos.

Horas antes da estréia do show cheguei lá e pedi pra falar com alguém da produção. Expliquei a situação do meu amigo astro, dei o telefone dele por via das dúvidas, mas não levei muita fé que ele se esforçaria pra conseguir o que eu queria. O chefe da segurança da casa ouvindo nosso papo, depois que o cara da produção foi embora, chegou perto da gente e depositou alguma esperança. Disse que gostava muito do vip e que antes dele virar chefe de segurança o próprio foi expulso do camarim de um show feito pelo meu amigo astro no próprio Canecão. Ainda estava cedo e eu queria uma confirmação, pois o meu ingresso valia pro dia seguinte e eu tinha que resolver a logística da vinda do astro vip. O chefe da segurança pediu pra que eu passasse por lá depois do show começado. Por motivos de força maior – meu amigo encontrou um outro amigo dele que é produtor musical – voltei ao Canecão no fim do show, quando as pessoas já estavam indo embora. Procurei desesperadamente o chefe da segurança que também acabara de deixar o local.

Aí resolvi apelar e dar uma de tiete, mas foi por uma boa causa. Fiquei na saída do backstage esperando a estrela principal sair. Saíram vários artistas. O que eu parei pra falar foi com o Erasmo Carlos por ser da mesma linhagem musical. Quanto o tal produtor com quem eu havia falado no início apareceu, disse que tentou falar comigo, mas não tinha conseguido. Desculpa pra não ceder ao meu pedido. No entanto, eis que de repente, não tão de repente e nem tão de surpresa já que era certo mesmo que todos saíssem por ali, surge o príncipe – filho de rainha príncipe é. Rapidamente contei a situação pra ele. “Traz ele que agente dá um jeito.” Aí eram dois votos, dele e o do chefe de segurança, contra um, o do tal produtor. Mesmo assim esperei, em vão, a saída da estrela. Com vidros fechados e outra meia dúzia de pessoas além de mim na mesma expectativa ela saiu apenas acenando pra gente.

Enfim, não arrisquei trazer o vip pro show do dia seguinte. O universo conspirou ao meu favor. Me vendo chegar o chefe da segurança perguntou logo por ele. Contei sobre o acontecido do dia anterior. Qual foi a minha sorte quando saiu o aviso do cancelamento do show por conta de uma forte chuva e interrupção de energia. Esse show foi transferido pro domingo seguinte, mas foi pro sábado que consegui trocar meu ingresso e garantir a presença do vip.


Logística montada. Tudo certo. Eis que o vip chega ao Canecão e fala direto com o chefe da segurança. Eu que comprei o mais barato fiquei com o vip na parte de valor mediano, mas não agüentei por muito tempo e fui pro pequeno espaço entre as mesas de cima e de baixo pra ficar dançando e volta e meia subia pra mesa pra ver como ele estava. Em determinada parte do show até gritaram o nome dele, mas a apoteose foi já no bis, na última música, quando o príncipe o viu na beirada do palco e beijou a mão do vip ele não agüentou e subiu no palco. Beijou a estrela e foi anunciado como o maior roqueiro do Brasil. O show acabou, ele desceu, fomos pra fila do camarim, e lá...

sexta-feira, 21 de julho de 2017

TAXIANDO

TAXIANDO

Como um bom viajante frequento aeroportos pelo mundo, inclusive dormindo em alguns deles. Mas o que mais frequento por conta tanto da proximidade quanto pelas inúmeras viagens que minha mãe faz é o do Galeão. Ali eu me sinto num playground. Sou do tempo em que era apenas um terminal de passageiros com os acessos divididos por cores azul, vermelho e verde. Lembro de uma vez que meu tio Rodolfo, ainda na ativa da aeronáutica, nos levou eu e aos meus primos pra torre de controle do aeroporto pra gente conhecer e assistir não lembro se o pouso ou a decolagem do Concorde, o avião que já foi o mais rápido da rota Rio – Paris.

De lá pra cá muita coisa mudou. Principalmente o fluxo de passageiros  e com isso tiveram que construir um segundo terminal de passageiros. Na verdade, de acordo com o projeto inicial era pra ter quatro terminais. Como o primeiro foi construído lá pelos anos 70 e o segundo mais ou menos vinte anos depois, dava pra ver claramente a diferença de estilos entre um terminal e outro. As novelas mais antigas mostram muito o aeroporto quando era um terminal só. Hoje está tudo mais padronizado. O segundo terminal fez com que o primeiro mudasse um pouco de cara, mas ainda há resquícios dos primórdios do aeroporto do galeão.

Acho que antigamente só o Santos Dumont que servia a cidade do Rio. Me lembro, por exemplo, de Vargas frequentando o Santos Dumont. Já vi essa imagem em algum documentário. Assim como os aeroportos, os aviões também evoluíram e creio também que foi por isso a necessidade de se criar no Rio um aeroporto para atender a demanda maior de voos e principalmente os que venham de fora do país. Daí um aeroporto internacional no que dizia ser o seu padrão na época em que foi construído.
Uma coisa que me incomoda depois de frequentar vários aeroportos no mundo é o fato de os modais não se comunicarem. O que isso quer dizer? Qual o único meio de se sair do aeroporto sem ser de carro particular? Taxi, ou se você tiver paciência, ônibus. Grande parte dos aeroportos lá de fora te indicam não só esses meios de transporte, mas trem e metro também, ou seja, você pode sair como você desejar e a grande maioria opta por pegar um trem ou metrô.

Aqui tentaram com o tal BRT pro aeroporto internacional e o VLT pro Santos Dumont. A questão do BRT é só pra gente que tem o destino certo e que fica no itinerário do ônibus ou faz uma baldeação pra chegar ao local final. Já o VLT faz a ligação da rodoviáriado Rio com o aeroporto Santos Dumont. Acho interessante e esse caminho foi todo montado, formado, recuperado pros jogos olímpicos do ano passado. Vale a pena fazer esse trajeto pra conhecer o caminho. Mas ainda assim falta.

Por exemplo, uma pessoa que pegar o modal pra ir pra Copacabana teria que pegar o VLT no Santos Dumont, descer na Cinelândia ou Carioca e pegar o metrô até o bairro. Já quem chega pelo Galeão não tem essa opção. O BRT não vai até Copacabana. Só pagando o preço acachopante cobrados nos guichês que oferecem taxi pros passageiros do aeroporto. Me dá pena principalmente dos turistas que contratam esse tipo de serviço e nem sequer podem ter a opção de pegar um uber pra ter uma opção mais em conta e ficar refém mesmo da máfia dos taxistas que se amontinam no aeroporto atrás das suas presas fáceis.
          
          Tivemos uma evolução, não vou negar. Pelo menos uma opção a mais foi oferecida, mas ainda é pouco pra se chegar a um progresso mais digno e eficiente. Parece que ficou uma coisa mais cômoda, mais convencional mais um paliativo e vai se deixar assim por um bom tempo até que a cabeça de quem comanda esse tipo de transformação urbana, seja de que esfera for, não for iluminada pra facilitar o acesso a um bem público.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

BRINCANDO NAS ONDAS SONORAS

BRINCANDO NAS ONDAS SONORAS

Hoje estou a fim de fazer uma brincadeira que eu já vi sendo feita em chá de panela – ou seria de fralda – enfim, nesses encontros que a famíia faz quando uma mudança está por vir – ou um casamento ou uma criança, agora não me recordo bem.

A brincadeira consiste em pegar frases soltas no ar, ditas pelas pessoas sendo que uma tem o trabalho de anotar pra depois no final juntar todas elas e criar o que antigamente se dizia ser o samba do crioulo doido. No meu caso aqui e agora vai ser diferente. Não estou em nenhuma reunião nesse sentido, mas, como sempre tem uma música rolando enquanto escrevo, vou juntar trechos de várias delas pra ver que bicho que vai dar. Aliás, não são só as músicas, mas o que a locutora falar também. Acho uma brincadeira interessante, principalmente pra quem não sabe sobre o que escrever hoje, pra quem está com a síndrome da página em branco e não sabe sobre o que dissertar.

Vou começar. E os remédios pegam mal quando esquece do prazer. Agora tá tocando o refrão da música que eu vou pular até mesmo pra dificultar a identificação da música e não dá margem a futuros e possíveis processos caso os autores leiam isso e se irritem com essa proposta. Vamos a outra música.

Para realinhar as órbitas dos planetas. Derrubando com assombro exemplar. Essa a maioria conhece. Antes que eu visse você disse e eu não pude acreditar. Eu só queria te contar. Voltou pro início. Não vou repertir, mas descobriram de quem se trata? Seu telefone irá tocar. Eu só queria te contar. E a vida que ardia sem explicação. Não tem explicação. Essa foi fácil. Agora uma mais antiga.

Às vezes parece até que a gente deu nó. Você não vai me acertar a queima roupa. Hoje eu quero sair só. Não demora eu tô de volta. A lua me chama eu tenho que ir pra rua. Essa me faz lembrar exatamente onde eu tava da primeira vez que eu a escutei. No avião indo pra Miami e tocou num canal de musicas se não me engano chamado de new world. Década de noventa do século passado. Foi aí que eu conheci esse artista e comecei a descobrir mais composições dele. Agora a locutora tá falando.

Sorteio Silvana de Oliveira Leite ganhou ingresso pra gravação do Palco MPB com Fernanda Abreu. Agora vem o intervalo da programação. Continuo a brincadeira? Faço o mesmo com os anúncios? Por que não? Já que comecei vou até o fim. Vamos lá.

Venha curtir grandes shows da nova cena musical. Todo mundo ama Maria Gadu. Classicos MPB. As músicas que marcaram a sua vida  - programa novo estreiando agora. O ser humano tá na maior fissura. Down down down o high socity. A crise tá virando zona. Tem muito rei aí pedindo alforria. Alô, alô marciano. A coisa dá ficando russa. Alah. Música de Rita Lee na voz de Elis Regina. Pra variar estamos em guerra. E pensar que essa música continua atual.

Não adianta nem me abandonar. Já mudou de música. Que eu que dois que dez que dez milhões todos iguais. Mistério sempre há de pintar por aí. Que não sabe nada que morre afogada por mim. Voz, letra e música de Gilberto Gil. Até que nem tanto exotérico assim. Se eu sou algo incompreensível meu Deus é mais. Essa frase diz tudo.

Não sei como botar assovios no papel. Mais uma pra encerrar. Dessa eu não me lembro. Nossos bailes no clube da esquina quanta saudade. Será que algum dia ... cantar as canções que a gente quer ouvir. Sem querer fui me lembrar de uma flor e seus ramalhetes. Não sei de quem é letra, música e voz.


Também chega de brincar. Não foi exatamente igual até porque homem não liga muito pra esses tipos de brincadeiras, mas pelo menos tentei manter a chama do gracejo aceso, o espírito da brincadeira de um modo diferente, peculiar, inventado de última hora, mas mantendo, ou ao menos tentando o que se faz normalmente.