sexta-feira, 19 de maio de 2017

SERIA SE NÃO FOSSE

SERIA SE NÃO FOSSE

Uma vez um amigo meu contou duas histórias engraçadas que fazem parte das situações anedotárias pelas quais ele já passou. Sabe aquele tipo de história que ninguém acredita se não se passa por elas? Pois bem ele passou.

Eu também já passei por várias, e quem não passa, sem contar parentes e amigos que também se encontram em situações cômicas, ou seja, todo nós temos no nosso consciente um acontecimento engraçado o qual já passamos e indubitavelmente nos pegamos rindo de vários deles quando pensamos nelas. A primeira que ele me contou foi uma história acontecida no carnaval.

Época propícia pra histórias desse gênero. Ele estava na fila do banheiro, já que além de ser um rapaz educado, não queria pagar multa por fazer xixi na rua e quando estava na vez dele se alivar, chegou o fiscal expulsando todo mundo do banheiro já que o mesmo estava virando um local de pegação e ele implorou pro tal fiscal que ele não tinha nada a ver com aquela sodomia toda e tudo o que ele queria era apenas dar uma mijadinha. Disse isso quase chorando tamanha vontade que ele estava e precisava se aliviar. Imagina você pedir pelo amor de Deus pra poder desaguar no lugar próprio pra isso por conta de meia dúzia de três ou quatro salientes que resolvem fazer das casinhas do banheiro locais de “fast foda” literalmente.

A outra que ele me contou foi que por uns seis meses da vida dele trabalhou num sex shop, talvez o único da cidade na época, quando esse tipo de loja estava chegando ao Brasil. De modo que esse fornecia material para as moças de vida fácil que atendiam no bordel de alta classe da ciade e o combinado entre a loja e o prostíbulo era de que se poderia devolver o material desde que não usado e lacrado em suas caixas ou plásticos de embalagem. Agora você imagina um amoça ou rapaz de aparência distinta entrando numa loja que era novidade, ou seja, todos gostariam de entrar mas poucos tinham coragem por conta do pudor e devolvendo mercadoria por falta de uso. Algo como:
- Olha! Vim devolver esse consolo porque minha cliente achou isso um exagero e ficou com medo que eu a penetrasse com isso.

Faço idéia do que ele não tenha passado e/ou escutado por ser um atendente vde sex shop. Se em um dia você pode presenciar fatos pitorescos noma loja desse tipo, imagina em seis meses. Eu nem chamo isso de gafe, já que existia um acordo. São situações cômicas, engraçadas pelas quais passamos devido a algum fator que nos levou a ela. Um exemplo disso é ficar preso no elevador por meia hora, se foi realmente isso, e ficar com mais quatro amigos esperando por alguma solução como aconteceu comigo, com esse meu amigo  que passou por essas situações descritas acima e mais três amigos na chegadas à festinha de encerramento da temporada de um espetáculo que fizemos em julho do ano passado.

Eu mesmo já passei por várias situações cômicas como ser convidado a entrar de penetra em um aniversário e como se não bastasse aí sim cometer a gafe e dar os parabéns pra pessoa errada. Já contei essa história aqui em algum lugar do passado. Acho que os grandes gênios das situações cômicas já nos deixaram. Grande Otelo, Oscarito, Mazzaropi, Golias, Chico Anísio, Walter D’Ávila, Max Nunes... Em suma, os gênios do humor no país desde o tempo de ouro do rádio. Esses sabiam divertir todos que os ouviam/assistiam passando pelas situações mais engraçadas e/ou contando histórias tão ou mais engraçadas quanto as que eu citei acima.


A vida não seria boa se só vivêssemos e pensássemos nas tragédias. Esses tipos de situação pelas quais passamos fazem o equilíbrio com o que o mundo nos apresenta, com o que o mundo nos faz viver. Como canta o palhaço “pra viver é melhor sempre rir”. 

domingo, 14 de maio de 2017

QUAL É A MÚSICA

QUAL É A MÚSICA?

Tem uma música dos Mutantes que diz “Posso perder minha mulher, minha mãe desde que eu tenha o meu rock and roll.” Isso significa que nada é mais importante do que a música. No caso dos Mutantes, por eles fazerem o rock’n roll, esse era o tipo de música que eles não viviam sem. A música realmente dá vida ao ambiente.

Eu enquanto estou escrevendo essa postagem assim como noventa e cinco porcento das outras escuto uma música. Ligo na rádio de minha preferencia e deixo rolar a programação até eu terminar de escrever. Se não é rádio é um disco ou um canal daqueles de música da tv a cabo, mas sempre deixo as ondas sonoras penetrarem nos meus tímpanos. No banheiro tenho um rádio pendurado no cano do chuveiro pra toda vez que eu vou demorar um pouco lá, liga-lo. Quando entro no carro umas das primeiras coisas que eu faço é ligar o som.

Música é um meio de comunicação e assim como um livro, um filme ou uma peça de teatro ela pode te alegrar, te entristecer, provocar algum tipo de sensação, te reportar pra algum lugar ou apenas te divertir. Atualmente tá cada vez mais difícil rotular um gênero musical. Não existe uma definição nítida de que música representa esse ou aquele seguimento. Claro que uma vez rotulado, por questão de catalogamento nas lojas que ainda vendem disco, tal cantor vai ser sempre parte daquele seguimento, mesmo que a proposta não seja mais aquela.

O gênero MPB, por exemplo, abrange muita coisa. Tenho pra mim que esse rótulo foi criado lá pelos anos sessenta, na época dos grandes festivais quando os chamados populares ouviam canções de Chico, Gal, Caetano, Gil, Bethania, Elis dentre tantos outros que levantaram e criaram essa bandeira da música popular brasileira. Quem atualmente rotula isso? Dos anos sessenta pra cá tanta coisa mudou. Hoje cada um pode produzir o seu disco no computador de casa, gravar um clipe também caseiro, colocar no you tube e virar um sucesso sem mesmo que esteja amparado por nenhuma gravadora.

Aliás, ainda exite gravadora? Existe, mas o processo não é mais o mesmo. Contrato mesmo só com um ou outro, tipo Ivete , Caetano... A grande maioria abriu sua própria gravadora e se utiliza das grandes pra parceria na distribuição, caso as próprias não consigam por si só, pela sua real independência. Essa evolução acabou com programas tipo o do Chacrinha, cujos artistas iam lá pra cantar seus lançamentos e sucessos. Hoje tudo se encontra na internet. Assim como a música te faz viajar, eu acho que fiz o mesmo falando sobre isso tudo.

O fato é que a música nunca vai deixar de existir, mesmo que modifiquem seus métodos de produção, de divulgação e por que não dizer também de execução. E enquanto existir música vai existir avivamento de ambiente independente do astral da música. Não haveria som se não houvesse o silêncio como canta o Lulu Santos, e não há melhor tipo de som do que um harmonioso , melodioso e até hipinótico como a música. Por mais que eu não goste de alguns rótulos, por mais que eu não consuma certos seguimentos acho que há espaço pra tudo e pra todos. Aqueles que conseguirem se manter vão se eternizar.

             Garanto que tem muita gente que deu as caras nos anos sessenta que ninguém sabe quem é ou por onde anda. Quando a música é boa e o artista que o suporta também tem qualidade o tempo vai se encarregar de perpetuar e eternizar o seu trabalho na memória de todos . Assim como tem gente que está em voga hoje e que daqui a alguns anos ninguém vai saber quem foi. As vezes conseguem emplacar um sucesso, tentam um segundo mas não passa do terceiro. De qualquer modo se agarram na música, tentam com ela e nela ficam, mesmo que ninguém as ouça.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

DO LAR

DO LAR

Do lar. Somente pouco tempo atrás isso foi reconhecido como profissão. Agora se pode aposentar como sendo do lar. A mulher que fica em casa cuidando a vida toda de um lar agora pode contar com a previdência social para o desfruto de uma aposentadoria. Uma pessoa que se considera do lar não tem o mesmo rótulo que doméstica ou diarista já que essas cuidam também da casa dos outros além das delas próprias e nem pode ser considerada desempregada pelo fato de um lar consumir tanta energia humana pra ser mantido e isso é um tipo de trabalho mesmo que não remunerado.

A minha vivência, a minha experiência indica que eu poderia ser uma pessoa do laer sem maiores empecilhos. Ao morar em Londres eu tive que aprender a me virar sozinho . Aqui eu já me virava um pouco, mas lá foi diferente. Foi aquela coisa de que se eu não fizesse não teria a quem recorrer, por mais que as pessoas da casa se ajudassem. Lá eu cozinhava minha própria comida, eu lavava minha própria roupa, eu limpava meu quarto, eu aprendi a me virar ainda mais. Essa experiência é grandiosa e uma ótima oportunidade pra quem pode vivenciá-la. Recomendo sempre. Tanto que depois que eu voltei de lá eu fiquei mais independente e quando nos mudamos  de apartamento, no meu quarto, no meu território quem faz tudo sou eu.

Uma vez por mês eu troco a roupa de cama, tiro as teias de aranha  que eventualmente se formam nas junções dos tetos com as paredes, passo aspirador, isso só no meu quarto. A Nadir até dá uma força passando a vassoura ou um pano úmido uma vez por semana. E todo ano eu limpo todo o meu armário. Tiro ítem por ítem, passo um perfex com veja, limpo a poeria acumulada do ano não só no armário, mas na escrivaninha e na mesinha do som e da TV também. Na cozinha eu cuido do meu mate que faço todo dia, ou quase, e do meu arroz que geralmente cozinho no domingo pra comer durante a semana até acabar o estoque.

Em Londres eu também tirava uma dia pra cozinhar, geralmente eram nas segundas quando eu voltava com as compras da semana e sentava pra descascar os legumes e cozinha-los. Quando se resolvia fazer jantar pro pessoal da casa quem fazia um macarrão a carbonara, modéstia parte gostoso, era eu. Mais ou menos quinze pessoas se deliciando com meu tempero. Era bom.

As únicas coisas das quais me queixo não saber fazer no que diz respeito a ser do lar são passar e costurar. Cheguei a me arriscar a passar alguma roupa em Londres e foi lá que percebi essa minha deficiência. Não fica perfeito. Fica tipo um desamassado enrugado. Mas como em Londres as roupas se escondem por baixo dos casacões grandese quentes ninguém ve se as roupas estão amassadas ou não e eu acho que eles estão tão acostumados a fazer isso que eles também nem passam passam as camisas de malha. Ou então levam pra lavanderia e deixam esse tipo de serviço a cargo de um terceirizado.

Já costurar eu nunca me arrisquei. Tinha épocas que minha mãe usava a máquina de costura dela pra ajeitar algumas peças de roupas nossas. Nem com a máquina eu me daria bem. Acho que não tenho dom pra isso. Não sei nem pegar um botão numa calça ou camisa. Se bem que ultimamente não tenho precisado, mas nua emergência eu não vou saber fazer. Primeiro se perde um bom tempo tentando enfiar a linha no buraco da agulha. Depois tem que passar pelo furo e quando chega a um determinado ponto dá-se um nó na linha.


Se for isso na teoria você até pode achar que costuro bem, mas na prática eu não consigo fazer nada disso. A parte linha, agulha e ferro de passar, pro resto do lar eu não me aperto. 

sábado, 29 de abril de 2017

MORRE UMA ESTRELA (publicado em 28 mar 2005)

MORRE UMA ESTRELA (publicado em 28 mar 2005)

Uma notícia me deixou estarrecido no início desse ano. Boa parte da minha infância e certamente da infância de muita gente da minha faixa etária ou não está prestes a fechar. A Estrela, fábrica de sonhos de muitas crianças, pediu sua falência. Há muito o brilho dela não era tão intenso como, por exemplo, nos áureos tempos em que um brinquedo era fundamental para mim, mas daí a se apagar para sempre é de tocar o coração.

Como dizia a propaganda dela própria, ‘todo segredo de um brinquedo vive na nossa emoção e toda criança tem uma estrela dentro do coração.’ Infelizmente não terão mais. A (de)cadencia da Estrela vem sendo notada na falta de novos lançamentos de brinquedos, principalmente em épocas mais apelativas para o consumo dos mesmos no Natal ou no dia das crianças, e na cessão do licenciamento e comercialização de vários de seus brinquedos para outras marcas. Produtos que hoje estão associados com apresentadores de tv, como a pipoqueira da Eliana, já fizeram parte do rol da Estrela.

A exceção dos bonequinhos de Playmobil, os quais tinha em grande quantidade, meus natais e aniversários eram uma constelação só. Além de vários jogos – Jogo da Vida, Detetive, Cara a Cara – eu tinha também a coleção completa dos ‘Super Powers’, os super heróis que formavam a minha ‘Liga da Justiça’ particular. Desde Super-Homem, Batman e Robin, Mulher Maravilha até os menos requisitados Homem Elástico, Lanterna Verde e Homem Pássaro. O mecanismo deles consistia em pressionar as pernas para mexerem os braços. Poucos funcionavam ao contrário. Não tenho certeza de que eles foram os meus últimos contatos com a Estrela, mas não lembro de brinquedos posteriores a esse que eu tenha ganhado sabendo que a possibilidade era grande. Depois dessa coleção, meus interesses se voltaram para outros ramos.

Todos os nossos brinquedos foram repassados para outras pessoas. Essa minha coleção, por exemplo, dei para um primo meu, criança na época. De todos, o único que mantenho, apesar de não estar pleno das suas funções mecânicas, porém completo em suas peças, é o Ferrorama. Dele, não me desfaço. A não ser que por ventura encontre um colecionador que esteja disposto a desembolsar uma boa quantia em dinheiro e tenha um argumento convincente para que eu possa aceitar a grana que me oferecer.

Pode ser que o que eu diga agora seja um clichê, mas a minha infância não poderia ter sido melhor. A geração anterior a minha fala o mesmo, e a posterior provavelmente falará também. No entanto, as pessoas com idade entre vinte e cinco e trinta e poucos anos, não têm do que se queixar. Além dos brinquedos, e muitos da Estrela, que nos divertiam em sua grande maioria ensinando e educando, os desenhos animados, (Pica-pau, Tom e Jerry, Corrida Maluca...) os programas infantis, (Balão Mágico, Arca de Noé, Sítio do Pica-pau Amarelo, Bozo...) os discos – na época ainda feitos de vinil – contando as histórias com o toque do João de Barro, o Braguinha e as brincadeiras saudáveis que visavam uma competição sadia e uma relação de respeito, solidariedade e confraternização, infelizmente estão se perdendo com o avanço da tecnologia e a queda na qualidade da educação. Ia enumerar também a violência, porém, seria o estopim para a discussão sobre se isso tudo é causa ou conseqüência da violência.


Bem, voltando à defesa de a minha infância ser a melhor é que a minha geração pegou e acompanhou mais de perto toda a transição da tecnologia. Do vinil para CD, da máquina de escrever para o computador que também faz vês de máquina de escrever, da longa e demorada pesquisa em livros de bibliotecas para a rápida busca na internet, enfim, da água pro vinho. Mas, sobretudo, sempre guardando e cativando a estrela de nossos corações acesa, ao contrário da (de)cadência da fábrica de alguns sonhos nossos.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

LIVRAI-ME DOS LIVROS

LIVRAI-ME DOS LIVROS

Como já disse aqui inúmeras vezes – prometo que essa será a última – não consigo ainda me desapegar dos meus discos, apesar de já estar evoluindo nesse quesito, mas dos livros desapego fácil. Tenho poucos livros só de alguns autores que eu gosto e os mantenho comigo além de algumas coleções (acho que duas). Esses ainda vão ocupar o meu armário durante algum tempo.

Mas tem outros também encaixotados que eu quero me desfazer e não consigo. São os meus mesmos, de minha autoria que estão guardados em duas caixas de sapato e uma de sabão em pó. Não a caixa em si, mas aquelas que estocam as caixas de sabão nos mercados. Com certeza tem mais de cem exemplares  pra eu me desfazer, mas não sei como. Acho que eu vou dar de presente, mas pra quem? Nesse mundo virtual será que tem gente que para pra ler ainda? Será que as pessoas tem tempo pra ler? Será que aleitura faz parte da rotina, do dia a dia? Será que livro ainda é um bom presente?

Pra mim já foi. Hoje em dia não é mais não. Não pelo fato de eu não querer ler. Eu adoro ler. É o meu passatempo favorito e sempre vai ser. Minha birra com livros é ele fisicamente. Eu não quero ter mais o livro em si, quero ter as histórias  e as memórias que ele conta e pra isso não precisa tê-lo nem virtualmente. Quero que ele ocupe espaço na minha memória e não no meu armário e nem no meu HD. Se bem que se for pra ter um livro vque seja no virtual.

Ultimamente eu pego um livro emprestado, leio e devolvo. Sou um dos poucos que devolve livro. Já perdi vários assim, mas o que mais me marcou foi a soberba da coleção plenos pecados onde cada autor escreveu sobre um pecado e dos sete eu fiquei com seis. Essa, por exemplo, foi uma coleção que me desfiz justamente por conta desse desfalque.

Mas o que fazer com os meus? Doar pra quem? Presentear a quem? Tá me dando agonia ver tantos exemplares virando comida de traça nessas caixas e eu não consigo dar um fim neles. No caso desse específico foi o primeiro que fiz por uma editora justamente pensando que o estoque ficaria com eles e não o contrário. Mas por eu ser inexperiente apostei e investi nisso.

Nessa época meu lado Paulo Coelho falava mais alto e minha produção literária estava a mil. Com o tempo a realidade foi ficando mais competitiva e as inspirações foram sumindo. Hoje não tenho mais tempo nem vontade de escrever outro romance. Não vejo mais ineditismo no que fazer. Espero já ter resolvido esse problema, ou parte dele, no tempo do hiato que existe entre a escrita e a postagem desse texto. Caso eu tenha resolvido isso, esqueçam tudo o que escrevi, como disse um presidente ao ser indagados sobre os livros enquanto escritos na época em que fora professor de sociologia.


Meu primeiro livro escrevi pra saber se eu tinha capacidade de desenvolver e segurar uma história do início ao fim. Por mais absurda e surreal que ela fosse, meu primeiro desafio foi cumprido. Tentei dar uma continuidade a história, mas acabei me perdendo e deixei pra lá. Todo escritor se não dominar suas personagens acaba sendo engolido por elas e se perde na história que escreve. Meu best seller não foi publicado e presenteei com cópias xerox apenas a minha família que leu e aprovou com louvor. Esses pouquíssimos tiveram a oportunidadede ler.  Inspirado nos ataques terroristas do onze de setembro criei uma história cujo cenário é Niterói, as personagens são pessoas da minha família e uma pesquisa histórica que abre o livro no capítulo um. No memso ano escrevi esse que ocupa essas caixas. Por último foi o relato do meu mochilão pela Europa. Continuo tendo vergonha quando alguém diz que sou escritor, mas como esse ano é o último desse meu espaço, tô rasgando o verbo.    

sexta-feira, 14 de abril de 2017

TEM QUE SUAR?

TEM QUE SUAR?

Não sei se quando essa postagem for ao ar eu ainda estarei fazendo o que eu faço enquanto a escrevo. Não sei se renovo o meu contrato com a academia que venceu agora em março.

Depois de um bom incentivo e torcida eu voltei pra academia. Não é uma atividade que eu goste de fazer, mas atualmente acho um mal necessário. Não a academia em si, mas uma atividade física além da aeróbica que eu fazia caminhando na praia. Por conta de um empurrão que eu tava querendo e precisando e de uma combinação que não deu muito certo com uma amiga que nos primeiros dias eu chamava , mas a preguiça a vencia, comecei a ir com a cara e a coragem.

Ambiente de academia não é uma coisa que me agrada muito. Sabe-se que mal ou bem você fica permanentemente sob os olharesjulgadores principalmente dos outros frequentadores. Eu por exemplo no meu íntimo aprovo e dou força pros gordinhos como eu que aparecem lá com um foco, com um objetivo que é emagrecer. As pessoas acham que eu não estou gordo, que eu estou bem. Até a minha nutricionista não quer que eu atinja meu objetivo de chegar aos noventa quilos. Ela acha que noventa e cinco é o ideal. Mas se eu chegar aos noventa com uma cara, um corpo mais saudável, mais definido eu vou ficar além de gostoso, irresistível.

Brincadeiras a parte, quanto mais o tempo passa mais me parece que eu fico longe do corpo que eu desejo pra mim. Na verdade o corpo é esse mesmo, só que um poico mais duro, mais rígido e por mais que eu fosse quase todo dia pra academia, incluindo fins de semana, e passasse em torno de duas horas lá dentro, sendo uma pra musculação e uma pra ergometria, exceto fins de semana que o tempo era reduzido pela metade, meu corpo não chegou ao meu ideal.

Vou citar a frase que eu sempre digo pro instrutor quando entro pra uma academia e/ou volto a malhar. Quero endurecer sem perder a ternura. Esse é o meu objetivo nunca alcançado e é o que me desanima, me faz parar de frequentar a academia. Aqui no meu prédio tem uma sala de ginástica que posso frequentar a hora que eu quiser, mas não faço porque o espaço é mínimo. Quatro pessoas já lota. Além disso a variedade dos aparelhos e consequentemente dos exercícios é bem limitado.

O primeiro mês foi de adaptação e condicionamento do meu corp à atividade física. Tinha marcado com minha amiga de irmos às seis da manhã. Acordei, liguei pra ela e ela transferiu pras oito da noite. Depois ela desmarcou e eu fui sozinho. Chegando lá fiz a matrícula e comecei a ser instruído a fazer os exercícios. No dia seguinte e durante essa primeira semana eu ia bem cedo, mas como minha amiga sempre declinava da parceria pra dormir mais um pouco eu procurei um outro horário pra ir, já que entre seis e nove da manhã fica bem cheio.

Adotei o horário das onze da manhã que quando tá cheio vai esvaziando rapidamente. Por volta do meio dia que era quando ia fazer a parte ergométrica  já tinha menos gente que quando chegava lá. Claro que havia exceções e volta e meia tinha que ir mais cedo e só fazia a parte da musculação por conta de algum compromisso que eu tivesse num determinado dia. E também adotei uma pessoa só pra me acompanhar com a série de exercícios. Não foi a que me passou da primeira vez que eu apareci lá. As pessoas do turno da noite são outras e dificilmente eles estão como instrutores pela manhã, a não ser quando fazem personal ou quando dão uma de cliente e malham também. Nos fins de semana a gente pode ver essa troca de horários, mas aí dependia da escala de plantão.


Eu ainda não sei se vou continuar a frequentar a academia, mas sempre vale uma temporada lá, mesmo que seja depois de algum tempo.

sábado, 8 de abril de 2017

AH, O AMOR

AH, O AMOR

Nos anos anteriores eu evitei ao máximo falar sobre esse assunto, mas por esse ser o último ano eu vou me arriscar a falar nele que é muito cantado, tem muitas histórias bonitas e tristes e mesmo assim continua sendo um assunto complicadíssimo de se tratar. Vou falar de um sentimento lindo, nobre e que às vezes machuca por não ser completamente compreendido na sua essência, dependendo do ponto de vista. Várias músicas falam sobre ele, as novelas se baseiam nele também, os romances que minha tia lia quando adolescente, as Julias, Sabrina, Biancas das bancas de jornal giravam sempre em torno dele. As idas e vindas da vida, os altos e baixos resvalam um pouco nele também. Volta e meia a pergunta é dúvida e a resposta varia muito.

Você faria tudo por amor? Eu sinceramente não sei. Talvez no início, na paixão, pra agradar eu faria, mas logo eu cansaria de ceder se eu não visse o mesmo da outra parte. Aliás a gente sempre põe a culpa na outra parte e nem sempre é assim. Existem vários fatores pra que um relacionamento dê certo e esses mesmos fatores também podem fazer com que não dê certo. Se a primeira impressão é a que fica, a segunda nem sempre agrada.

Só o amor constrói? Sim. Acho que o amor é capaz de mover montanhas desde que ambas as parte, os envolvidos,  se esforcem e concentrem suas energias pra tal. Porque quando um não quer, dois não brigam e a montanha fica parada. Outra frase clichê diz que quem ama não mata. Atualmente discutir essa frase fica difícil, mas fazendo o recorte em termos de relacionamento volto a repetir que fica difícil discutir isso. Não se mata amando ou não. Não se mata e ponto. É um dos mandamentos “Não matarás”. Sei que o amor é cego e isso pode provocar mortes somando-se à cólera, à ira da pessoaapaixonada que comete esse tipo de atrocidade. Não estou defendendo ou amenizando nada nem ninguém. Acho que matou tem que ser julgado e cumprir a sentença expedida pelo juiz seja ela qual for.

Outra pergunta: Amor com amor se paga? Isso já foi até título de novela do início da década de oitenta. Pra mim tudo com amor se paga. A inveja, a descrença, a intolerância, o preconceito. Amor é a moeda mais forte de todos os valores que a gente aprende ou que pelo menos deveria ser aprendido. Sei que promover isso é muito difícil e requer um desapego muito forte de sentimentos. Uma evolução humana quase sublime. Mas sei também que é possível. Só o fato de não odiar já é um grande desenvolvimento interior.

Vamos a outra: O amor transforma. Acredito. Desde que essa transformação não vire exigências, não vire condições pra se amar ele pode ser o motivo, a mola mestra pra muita coisa boa que as pessoas que amam se propõem a fazer para com seus respectivos amados.

Agora vou filosofar um pouco. O amor tem que ser o sentimento mais puro, mais nobre e mais real que existe. Quando fatores externos começam a bombardear o sentimento na mais profunda essência , a luz que o amor emana vai sendo ofuscada até que ela praticamente se apaga , mas não foi por conta da lâmpada que queimou e sim por causa das impurezas do cotidiano que formaram uma crosta em torno do bulbo. Cada um tem um conceito, cada um vê de uma forma, cada um entende de um jeito.


Não há nem nunca vai ter uma formula matemática pro amor. Sempre digo que meu avô cantava uma música que diz que “o coração tem razões que a própria razão desconhece”. Isso é fato. Quando bate o sentimento é difícil não querer. Sentimos borboletas na barriga, como diz um amigo meu. O que estraga é o que vem de fora, seja a pessoa a qual a gente tá gostando  ou seja das circunstancias mesmo. Mas acho que o amor constrói.

sexta-feira, 31 de março de 2017

ACORDA

ACORDA

Mais uma vez eu vou entrar nessa discussão aqui e por esse ser o último ano desse espaço é bem provável que eu não volte mais a tocar nesse assunto. Ano passado construí uma rotina pra mim que eu conseguia conciliar as atividades físicas com as laboriais sem que uma atrapalhasse a outra. Claro que um dia ou outro elas coincidiam e a atividade física ficava pra trás, ou então, o que era mais difícil, mas também acontecia, batia uma preguiça e deixava de lado normalmenteas atividades físicas. Lê-se academia quando escrevo atividade física.

Influenciado por um amigo e incentivado por outro, em março do ano passado me matriculei na academia e faltava pouco. Como a atividade laborial dava pra fazer geralmente depois do almoço eu acordava geralmente às dez da manhã, ia as onze pra academia e voltava aproximadamente duas horas depois  - a excessão eram os fins de semana que eu reduzia pra uma hora – pra tomar banho e descansar um pouco até a hora que eu ia almoçar. Mesmo botando o despertador pra tocar as dez da manhã, pra mim foi um grande avanço e tem sido toda vez que acordo antes do meio dia sem o despertador.

Só como exemplo, a primeira vez que fui na nutricionista eu disse a ela que acordava ao meio dia e ia dormir as quatro da manhã e nesse interim quais os alimentos e o melhor horário para ingerí-los que me fizesse bem. Fomos nos acertando e desde o carnaval do ano passado que eu acordo antes do meio dia. Ainda sim parece tarde acordar as dez. Pra quem se envolve com atividade laborial noturna – leia-se teatro – é uma boa hora pra se levantar. É da minha natureza dormir e acordar tarde e não vejo nada de errado nisso desde que eu durma bem. Mas tem gente que segue a fio o dito popular “Deus ajuda a quem cedo madruga”, ou seja, tem que acordar cedo pra fazer dinheiro.

O que me motivou a escrever isso tudo foi uma mensagem de um amigo meu, o que mais me influenciou a entrar na academia, me enviou dizendo que se eu não mudasse essa minha rotina eu não vou ganhar dinheiro, que eu poderia já estar comprando um carro ou dando entrada num apartamento. Cheguei ao ponto onde queria chegar. Eu não tenho esse tipo de ambição tão aflorada de bens materiais.

Claro que eu quero ter um carro e um apartamento só pra mim, mas por enquanto eu não me esforço, não tenho esse foco e muita gente vê isso com defeito. Não que eu discorde de quem se preocupa comigo, mas eu penso um pouco diferente. Minha ambição não é material. Eu me preocupo mais com os outros que comigo mesmo. Não sou ambicioso, não sou consumista. O meu cantinho me basta. Querer ser feliz não pode ser considerado uma ambição? Me contento com pouco e só almejo ser feliz .
Não que eu vá manter essa rotina pelo resto da minha vida. De acordo com as ofertas que aparecerem pra mim, como já fiz, acordo com prazer de madrugada. Acho que a palavra certa é essa: prazer. Minha motivação é o prazer. Se eu não sinto prazer na atividade laborial eu não tenho porque trabalhar com pessoas que me desmotivem, que não me querem bem, que não querem que eu seja feliz. Será que essa visão de mundo , de vida é tão horrível assim?


Às vezes acho que pensar assim é crime. Me sinto marginalizado por não ser ambicioso, por querer ser feliz do meu jeito, por tentar sobreviver do que eu gosto, do que me dá prazer em fazer. Se essa é uma visão deturpada da vida , se pensar assim é pensar de forma totalmente equivocada que você me perdoe, mas assim como eu tem muita gente que pensa assim e que consegue viver assim, Sou da teoria de que se você faz aquilo que gosta como profissão você nunca mais vai trabalhar na vida. Eu quero trabalhar sem trabalhar. 

sexta-feira, 24 de março de 2017

SEU NOME É GAL (publicado em 2 ago 2004)

SEU NOME É GAL (publicado em 2 ago 2004)

Gostaria de situar o caro leitor de que escrevo essas linhas hora e meia depois de ter chegado em casa da mais famosa casa de espetáculos do Rio de Janeiro, o Canecão. Ela foi a terceira artista, com exceção de Rita Lee, a me fazer deslocar de Niterói para Botafogo e se deliciar com o repertório escolhido para ser apresentado por ela. O show ‘Todas as coisas eu’, título também do seu mais recente trabalho, foi um dos espetáculos mais lindos em termos e concepção e mais comoventes em termos de emoção que eu me lembre de ter visto pelo menos nos últimos três anos. A saber, os outros dois artistas foram Ney Matogrosso quando acompanhei minha mãe e minha tia no show que fez do disco ‘Um Brasileiro’ sobre a obra de Chico Buarque e Marisa Monte na temporada da última apresentação que lá fez, exibindo seu trabalho chamado ‘Barulhinho Bom’. Confesso que foi depois desse show que comecei a acompanhar melhor o trabalho dela. Quanto a Rita Lee, bem, essa é uma outra história.

A minha relação com o trabalho da Gal data de quase dez anos. Ela estava dando uma entrevista para o Jô Soares a respeito do disco ‘O sorriso do gato de Alice’ e cantou uma composição do Djavan chamada ‘Nuvem Negra’, presente no disco, pela qual fiquei encantado. Dias depois adquiri o disco. Sobre esse mesmo trabalho, ela causou polêmica durante o show no extinto ‘Imperator’, uma casa de shows que havia no bairro do Méier, por mostrar os seios. (Não me recordo se na hora da execução da música ‘Vaca Profana’ do Caetano ou ‘Brasil’ do Cazuza, mas pela polêmica guardo essa foto até hoje no encarte do CD.)

Lá se vai algum tempo. A partir de então era ela lançar um disco e eu correr nas lojas para comprar. O gato de Alice, além do sorriso, me abriu os ouvidos para uma voz maravilhosa e inconfundível que me agrada e cativa a cada tom, bemol ou sustenido. Sempre falo isso e vou repetir. Se o Brasil tem as quatro damas da música, em termos de voz, são Gal, Bethânia, Elis e Marisa Monte.

Com um repertório fabuloso de canções que eu não conhecia, talvez pelos meus vinte e sete anos, ou por não terem sido resgatadas por ninguém até então, e outras mais conhecidas, principalmente pelas gerações anteriores a minha, é surpreendente e cativante. Os quatro músicos que a acompanham são espetaculares, os arranjos sensacionais, por mais minimalista que pareça, no palco, se torna grandioso, magistral.

O fato de ela ter posições pessoais no que diz respeito a tal senador baiano e que não agrada a alguns formadores de opinião, simplesmente desaparece diante do talento dessa mulher e da potência que carrega na sua garganta. O dia em que a voz for vista como um instrumento musical, a Gal será o mais valioso instrumento do mundo.

Sempre quis ir a um show de Gal Costa por ser um consumidor assíduo dos trabalhos dela, mas sempre me faltou oportunidade. Salvo uma vez, na praia de Copacabana, quando ela se apresentou ao lado de Bethânia, Caetano e Gil, numa reedição dos ‘Doces Bárbaros’. (Assistir ao vivo ela desfilando pela Mangueira em 94 conta? Acho que não.) A partir de agora, depois desse show que reportou minha memória a meu avô, responsável por eu saber grande parte das letras das canções apresentadas por ela, sempre que ela vier soltar a voz, estarei lá, todo ouvidos.

Temo em ser repetitivo quando, na verdade, quero ser enfático. O show é sensacional, os músicos são espetaculares, a concepção do espetáculo é um primor, a escolha do repertório é comovente e a Gal é a Gal. Não tem adjetivo que a qualifique. Ela já é superior, divina, diva.


Agora, tenho mais um motivo para que minha ida de Niterói para Botafogo compense o valor do ingresso, qualquer se seja ele. Mais uma cantora na certeira lista de shows. Além de Rita Lee, o Canecão terá o prazer de me receber nos shows de Gal.

sexta-feira, 17 de março de 2017

O TELEFONE TOCOU NOVAMENTE

O TELEFONE TOCOU NOVAMENTE

Finalmente consegui atingir um objetivo que almejava há algum tempo. Pra ser mais específico desde quando fiz meu primeiro cruzeiro em 2013. Comprei um telefone celular da marca Samsung. Fiz isso porque o meu LG, esse que ficou comigo desde esse cruzeiro até o final de maio do ano passado, começou a dar problema no fim do ano retrasado.

Eu não conseguia ouvir no modo normal do telefone, apenas no modo viva voz. Mas do mesmo jeito que o problema chegou ele foi embora. Do nada parou de funcionar e do nada voltou a funcionar. Ainda fiquei mais alguns meses com ele até que o mesmo problema aconteceu novamente. Além disso eu já sentia que estava ficando complicado de trabalhar com ele. Os aplicativos custavam a abrir e às vezes não funcionavam direito, travavam e tal. Mas enquanto ele funcionou novamente eu continuei com ele.

Da segunda vez que o mesmo problema voltou a atacar o aparelho e não se recuperou no prazo que ele se deu da primeira vez de uma semana eu comecei a pesquisar pos outros tipos de aparelhos para substituir o LG e fique em dúvida entre três: Sony, Motorola e Samsung.

O modelo da Sony era o Aqua, não por ser esse modelo específico, mas mais pela configuração que eu selecionei dessas três marcas que era mais ou menos a mesma. Eu já tive vários modelos de Sony. No meu ranking tem dois Nokia, três Sony e agora além de um LG, um Samsung. No caso com o Sony eu voltaria praticamente às origens. É uma marca que sempre gostei de usar. Já o Motorola foi conselho do meu primo Pedro que comprou um última geração pra ele e recomendou, mas por outro lado tive amigos que não aconselharam a pegar o Motorola porque tiveram peroblemas com ele. Telefone novo custa a dar problema, mas quando dá dor de cabeça a reclamação é muito maior que o problema. Como eu nunca tive um Motorola deixei como última opção dos três. Já o Samsung era um sonho de consumo há um bom tempo. Um amigo meu que recém comprara um modelo Samsung J7 falou maravilhas do aparelho e a Samsung além de especialista e eletrônicos é a concorrente direta da Apple. Há tempos estava querendo algum Samsung pra mim. No início era o Galaxy Note que eu queria adiquirir, mas quando fui na lojaem Tenerife o vendedor empurrou aquele LG pra mim. Depois foi o tablete também em Tenerife e eu e minha tia decidimos pelo tal do Fujicell. Conclusão: o dela pifou e eu não me acostumei com aquilo e vendi o meu pra ela.

Dessa vez não perdi a oportunidade até pelo fato de ser a única pessoa da família a não ter um Samsung. Meus pais, meu irmão e até meu sobrinho tinham um na época que eu comprei o meu. Foi etrerna emquanto durou a minha relação com o LG. A princípio queria vender, mas nenhuma loja compra aparelho antigo . No entanto ele mesmo ruim serviu pra alguma coisa.

Ainda da primeira vez que ele pifou o meu sobrinho perguntou se eu podia daro aparelho pra ele quando comprasse outro. Eu disse que sim, mas como ele voltou a funcionar normalmente, não foi dessa vez que ficou com ele. Só quando comprei o Samsung e coloquei tudo o que eu queria no aparelho foi que eu dei o meu LG pro meu sobrinho. Isso pra que ele não pegasse mais o da minha mãe ou o do meu irmão pra ficar jogando. O que interessa pra um menino na idade de quase nove anos são os jogos que os aparelhos celulares disponibilizam pra essas crianças. Aliás eles disponibilizam todos os tipos de aplicativos e jogos pras pessoas de todas as idades.

          Eu não tenho nenhum jogo no meu celular e meu sobrinho tem a consciência de não pegá-lo. E pensar que meu primeiro celular foi um Nokia azulzinho, tinha um joguinho que eu jogava dado os poucos recursos perante a tecnologia atual. Aquela serpente comeu muita maçã.

sexta-feira, 10 de março de 2017

MALES PRO BEM

MALES PRO BEM

No início do ano passado plantaram uma nota no jornal dizendo que o Serguei estrava passando fome e com dificuldades financeiras. Conheço o Serguei e sei que ele não faria isso nunca. Orgulhoso como ele só jamais iria fazer isso de vontade própria. Quem fez isso foi um oportunista que queria promover um projeto até bacana que tem para o Serguei, mas ele usa o Serguei conforme lhe convém e até que conseguiu fazer uma propaganda do próprio projeto. Como ele conseguiu? Simplesmente atraindo a rede Record de televisão que através do programa do Gugu foi na casa do Serguei em Saquarema, o entrevistou e mostrou a situação dele claro que com todo o sensacionalismo peculiar do programa.

Se o tal oportunista, que de certa forma conseguiu promover seu projeto, ganhou algum dinheiro exibindo as imagens do projeto em canal aberto, em rede nacional como direito de imagem eu não sei, mas que o Serguei foi ajudado pelo Gugu isso não posso negar. As três promessas que ele fez ao Serguei foram cumpridas. A primeira foi quitar uma divida no banco que foi criada não com um golpe de uma pessoa que ajudava o Serguei quando ele baixou o hospital com anemia profunda cerca de quatro anos atrás como foi espalhado. A realidade é que essa dívida foi contraída por terem ativado no cartão do banco dele a função crédito e não saberem como lidar com isso e dívida de cartão é um absurdo nesse país. Eu fui no banco e negociei o pagamento dessa dívida em parcelas que iriam terminar em janeiro do ano que vem ceifando do pagamento delecerca de duzentos reaismensais. Essa dívida foi quitada e ele recebe o pagamento integral, a não ser pelos cortes do governo, mas aí é outra história.

A segunda promessa foi a questão do abastecimento de água e aí o tal oportunista até ajudou, mesmo que pra se mostrar dizendo que ajuda sempre, tirando as infiltrações da parede dele. A responsabilidade do programa foi com a interrupção desse vazamento, dessa infiltração e o conserto do chuveiro pra que a água quente funcionasse quando ele quisesse. A emissora contratou um bombeiro hudráulico da região mesmo que foi lá e fez o serviçoe volta e meia vai lá dar uma olhada se tá tudo bem, se eventualmente precisa de um reparo ou não duranto um determinado tempo, o tempo do contrato que acho que foi de oito meses. Missão cumprida.

A terceira promessa foi a mais demorada pra ser cumprida por questão de tramites burocráticos. Um cartão contendo dez mil reais que teoricamente seria pra ele comprar os remédios e algumas compras básicas pra casa como café, sabão em pó, essas coisas. Pergunta se ele conseguiu se conter. Que nada. Serguei não pensa no dia de amanhã. Se tem alguma coisa que o incomoda, que tá faltando na casa, por exemplo, e ele tem dinheiro na mão pra comprar  ele não pensa duas vezes vai lá e compra e que se dane o resto.

No início eu e a Jô, vizinha dele, tentamos controla-lo com esse dinheiro. Com a mania de falar que tudo que ele esquece ou perde foi roubado, o cartão nem chegou a ficar com ele até porque isso é muito moderno pro serguei. Outra mania dele é andar com dinheiro vivo no bolso. Afinal ele representa a era hippie da década de setenta e parou por lá.


A Jô era a detentora, ou melhor, a guardiã do cartão, e o que poderia ser perfeitamente programável pra durar no mínimo um ano, se chegou a três meses foi com muito jogo de cintura e paciência coim ele que reclamava horrores por não ter acesso ao dinheiro dele, por ele querer gastar com o que desse na telha e não apenas comprando remédios e compras básicas, que dinheiro é feito pra gastar e não pra ficar guardando e que ele não tem mais idade pra poupar. Talvez pensasse o mesmo no lugar dele. Mas eu sou diferente.

segunda-feira, 6 de março de 2017

UM PÉ LÁ OUTRO CÁ

UM PÉ LÁ OUTRO CÁ

Às vezes eu penso em sair do país novamente. Não na mesma situação que fui quando me mudei pra Londres, como estudante e passando os mesmos perrengues. Ou se for nessas condições, um outro pais que não seja a Inglaterra. De qualquer forma os perrengues serão os mesmos.

Será que eu ainda conseguiria fazer isso? Será que eu encontraria um outro Airton em quem me apoiei enquanto morei lá? Como seria a receptividade? Quase nove anos depois ainda teria coragem de largar tudo e ir pra lá? Acho que sim. Dependendo do que se apresentasse pra mim por que não? Por outro lado eu teria que largar tudo e todos aqui e é isso que eu mais vou pesar nessa minha decisão. Me privar do que gosto de fazer, de onde gosto de trabalhar, dos meus amigos. Isso vai doer como doeu da primeira vez.

Me lembro que fui em direção a sala de embarque chorando por estar me afastando de forma voluntária e temporáriada minha família e dos meus amigos. Da mesma forma na volta entrando no avião chorando por estar deixando principalmente o Airton lá em Londres e estávamos nos falando naquele momento por telefone ele chorando de um lado e eu de outro. Talvez a tristeza fosse por não estar mais junto fisicamente.

Se eu tive um aprendizado enorme em Londres devo isso não só a minha força de vontade e coragem de largar tudo e ir pra lá, mas também ao apoio que tive do Airtone vice versa. Ele ficou sem chão durante as primeiras semanas da minha ausência. Depois ele recuperou. Eu também ficaria desse jeito se a situação fosse inversa. Mas e agora, como seria? Eu teria que ter muito mais coragem pra voltar a fazer isso. Ou uma proposta muito interessante que me motivasse a largar mais uma vez o Brasil, seja de trabalho ou de casamento mesmo, por que não oras? Mas é claro que não quero ficar dependendo de ninguém ao voltar a morar no exterior.

Fico tentado a fazer isso pelo caos que é morar nesse país, mas ao mesmo tempo minha vida basicamente é aqui. Família, amigos, trabalho e eu teria que abrir mão disso tudo pra morar fora. Não sei se é pelo fato da gente estar amadurecendo, pra não dizer envelhecendo, que colocamos isso tudo na balança e consequentemente pisamos no freio ao perceber esses impulsos repentinos. O que tenho feito de vez em quando que atende duas as necessidades é ir pra lá passear. Geralmente vou no mínimo pra dois lugares. Um que não conheço e o outro sempre será Londres pelo menos enquanto o Airton ainda estiver morando por lá.

Não sei se vou ou se fico, não sei se fico ou se vou . Tudo tem que ser muito bem pensado e  pesado. Que me dá vontade de voltar a morar lá fora dá. Que me dá vontade de continuar aqui fazendo o que eu gosto e rodeado de amigos que gostam de mim e me querem bem, também dá. Mas eu não quero me precipitar. Vou dar tempo ao tempo e esperar pra ver o que a vida me reserva seja aqui ou lá fora.


Quando digo lá fora falo basicamente da europa. Não que eu vá perder uma oportunidade ao saber que ela seja nos Estados unidos, mas a minha preferência sempre será a europa. Ir ou não ir, eis a questão. Não agora, mas se pintar oportunidade. Gosto das coisas de lá, gosto das pessoas aqui. Se eu casasse o trabalho que eu faço com a companhia dos meus amigos, se eu fosse um Noé e pusesse alguns numa arca e embarcasse com eles a trabalho – meu enquanto eles se divertissem e até trabalhasse também – seria o ideal, o sonho, a realização da vida. No entanto por enquanto a gente tem que trabalhar com o que tem a nossa volta, com a nossa realidade, com o que temos às nossas mãos e assim viver a vida até quem sabe pintar uma surpresa que balance essa minha vontade de me aventurar novamente e com uma certeza maior.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

FESTA (NÃO MAIS) DO INTERIOR(em 27 jun 2003)

FESTA (NÃO MAIS) DO INTERIOR(em 27 jun 2003)

Junho é o mês dos santos. Quer dizer, na verdade todo dia é dia de santo, mas em junho três deles se destacam. Santo Antônio no dia 13, São João no dia 24 e São Pedro no dia 29. Como o Brasil é um país festeiro e predominantemente católico, tudo é motivo de comemoração e pra esses santos, mais ainda.

Santo Antônio é o famoso santo casamenteiro. São João eu acho que é aquele apóstolo de Cristo, não sei. Atenção para os conhecedores bíblicos. O São João de junho é quem? E São Pedro é o apóstolo, disso eu não tenho dúvidas porque é quando a colônia de pescadores de Jurujuba faz aquele festão. O pessoal de Itaipu (pra quem não conhece, Itaipu e Jurujuba são dois bairros de Niterói que têm colônias de pescadores) não é tão metódico. Fazem festa também, mas geralmente é em um fim de semana e menos tradicional no sentido do espírito da festa. (Me parece uma heresia em falar de espírito quando se trata de festa junina.)

As duas festas são tradicionais. Não estou desmerecendo a de Itaipu, mas a de Jurujuba conserva mais as tradições de uma festa do interior apesar de estar quase descaracterizada. Mas tenho observado que isso não acontece só em Niterói. Pelo que tenho visto através dos noticiários, as festas juninas, assim como o carnaval, deixaram de ser tipicamente regionais pra serem mais globalizadas. Mesmo lá pro Nordeste onde a tradição é mais forte, as quadrilhas mais parecem alas de passo marcado das escolas de samba. A brincadeira de dançar quadrilha virou coisa séria, pra concurso onde há um julgamento e uma quadrilha vencedora. Campina Grande e Caruaru se espelharam, suponho que erradamente, na disputa entre Rio e São Paulo pra ver quem é que faz o melhor desfile.

As roupas que são apresentadas são fabricadas especialmente para aquela ocasião, como uma fantasia da Sapucaí. Não são mais os remendos que a gente fingia em botar na calça jeans, a camisa de flanela quadriculada com um lenço vermelho e uma caixa de fósforos imitando uma gravata e o dente pintado de preto representando a própria ausência dele.

A gente aqui (eu pelo menos) ainda confunde, quando se trata de festa junina, que nem sempre é feita em junho – eu mesmo já fui a uma festa junina em agosto – se o personagem principal é do interior do Nordeste ou do interior de Minas. ‘Nóis puxa uma prosa como se fosse minero, mas dança forró como se fosse do nordeste.’ Afinal, de qual parte do país vem o caipira? Se bem que agora não importa mais. Atualmente não vem de lugar nenhum e ao mesmo tempo vem de todos.

O caipira não é mais o matuto que o Mazaroppi fazia nos seus filmes do Jeca, não está mais representado nas vozes de Alvarenga e Ranchinho, ou Tonico e Tinoco, nem mesmo na do Gonzagão se a gente for mais pro nordeste e muito menos se come como um caipira. Onde já se viu festa junina com pizza, que é comida típica da Itália e cachorro quente americano. Se é uma festa genuinamente brasileira e tradicional, as adaptações que tinham que ser feitas, já foram. Não adianta querer inovar. Aliais inovaram tanto que a festa do interior já não é a que ardia aquela fogueira que me esquentava a vida inteira eterna noite.

Não tem nem fogueira pra esquentar o frio do inverno. Os ecologicamente corretos não dão trégua nem em noite de São João. Balão, então, eles apagaram todos. O céu não fica mais pintadinho de balão. Fogos de artifício parece que só ficaram restritos ao reveillon e decisão de campeonato de futebol.


Eu se fosse Antônio, João ou Pedro, pedia pra mudar o mês já que desconfiguraram toda a tradição, e pedia um dia no meio do carnaval. De preferência numa terça-feira gorda. Até a próxima!!!

sábado, 11 de fevereiro de 2017

PINTANDO QUATRO CINCO ANOS DEPOIS

PINTANDO QUATRO CINCO ANOS DEPOIS

Ano passado completamos cinco anos morando nesse apartamento novo. Oficialmente eu conto como dia primeiro de agosto, mas no mês de julho foram feitos alguns retoques finais no ap antes de a gente efetivamente habitá-lo. Cinco anos depois a minha mãe resolve pintar o apartamento. Já que fica mais difícil modificar a configuração dos móveis dos cômodos ( Talvez o quarto reservado ao meu irmão tenha mais essa mobilidade porque o meu não tem grandes coisasa fazer, então tá do mesmo jeito todo esse tempo) muda-se algumas cores das paredes.

Pintura de parede cai na classificação obra. Talvez seja a mais branda área dessa classificação, mas ainda assim fica complicado o acesso as coisas e até mesmo a locomoção dentro de casa com tudo revirado e de pernas pro ar. O que mais me irritou com isso tudo foi o fato de o pintor interditar dois cômodos ao mesmo tempo. Teve um dia que eu cheguei em casa e meu quarto tinha sido invadido por rolos e brochas que nem podia ter acesso ao meu armário. Arredei a cama pra dar um espaço pra eu não ficar impossibilitado de mexer nele. Isso porque o quarto dos meus pais estava coberto com o plástico preto e eles não podiam ainda voltar a usufruir do cômodo deles. Se bem que dessa vez eu tive a sorte de dormir no meu quarto, mesmo todo bagunçado, durante essa fase em que ele estava sendo pintado. Não descentralizei também nada durante esse período. Ele só voltou ao normal uns cinco dias depois quando eu o ajeitei afastando um pouco mais os móveis da parede.

Antigamente não existia uma palheta de cores tão diversificada quanto hoje em dia e poucas pessoas pintavam a casa tão colorida . Dessa vez o branco não é um branco qualquer e sim um branco mashmelow. O branco do meu quarto é o branco branco mesmo. Outra parede é vermelha, a outra é cinza amadeirado, a outra é cascalho, uma das paredes do quarto do meu irmão é verde, enfim uma série de nuances que fazem a harmonia de um ambiente.

Tudo isso foi feito em pouco mais de duas semanas de modo que por três dias eu fiquei com o meu quarto de pernas pro ar e nem televisão tinha. Como na época eu estava em cartaz às sextas e sábados e a bagunça foi feita numa quarta em que fiquei fora de casa tanto na quarta quanto na quinta o dia tododeu pra ele pintar sem que eu atrapalhasse o trabalho como um todo. Meu cômodo foi o segundo a ser pintado, depois ele foi pra sala concomitantemente com o quarto do meu irmão.

Com obra e pintura nós estamos acostumados. No apartamento antigo volta e meia minha mãe aprontava alguma coisa. De obra grande acho que a primeira que eu lembro foi a da cozinha quando o pequeno espaço da área de serviço foi banida e a cosinha totalmente ampliada. Outra obra que reformulou totalmente um cômodo foi a do banheiro onde até uma banheira foi instalada. Me lembro que tinha que tomar banho na casa de vizinhos amigos meus ou mesmo no banheiro dos porteiros do prédio.

Como o chão do apartamento antigo era de taco, volta e meia tinha que fazer sinteco. Carpete, folhas de tábua corrida também já foram pisados pela gente lá no velho ap. Aqui é piso frio e desse mal a gente não vai sofrer mais. Acredito que aqui só será uma tintazinha de tempos em tempos. Provavelmente no mínimo de cinco em cinco anos. Só temos que verificar se a palheta de cores vai aumentar e até a próxima vez que que esse ap for pintado minha mãe vai querer modificar alguma cor de alguma parede. Eu continuarei batendo o pé pra deixar o meu quarto todo branco e por enquanto sem quadros pendurados na parede por que lugar disso é no museu.

           Mas pode ser que dê a louca na minha mãe e ela querer fazer obra mesmo, quebrar paredes e modificar a configuração da planta do apartamento. Mas aí já será caso de internação.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

BREXIT

BREXIT

Ano passado a Grã Bretanha saiu da União Européia. Na verdade a Grã Bretanha nunca entrou com os dois pés na União Européia. A condição que ela impôs pra fazer ou dizer que fazia parte do resto da Europa foi a de não trocar suas libras esterlinas pelos euros. Ela não quis entrar nesse acordo monetário pra não perder a soberania da cara da rainha em seu rico dinheiro.

A livre circulação de pessoas e mercadorias do continente se manteve até que a quantidade de refugiados que tentavam entrar principalmente via Malta e Grécia começou a assustar. As imagens mostravam a quantidade monstruosa e assustadora de pessoas que se arriscam a até morrer naqueles barcos na água pra não morrer de bombardeio em terra.

O continente não está preparado pra receber tanta gente e os acondicionar junto ao sistema de previdência dos países aos quais se destinavam. A Grã Bretanha já foi a galinha dos ovos de ouro de quem imigrava de algum ponto da europa. Principalmente os poloneses. Quando eu morei lá os poloneses só perdiam pros indianos em termos de comunidade estrangeira que habitam em Londres. Os brasileiros ficavam logo atrás em terceiro lugar. Foi exatamente por causa do aumento do número de refugiados que a maioria optou pela Grã Bretanha deixar a União Européia.

Segundo o meu amigo Airton a população não ligou pro mais importante. Sabendo que os refugiados rondavam suas casas, com medo de serem atacados, terem suas casas invadidas, os eleitores mais do interior optaram pela saída. Já a Escócia , que ano retrasado fez um plebiscito pra definir se continuava atrelada ao Reino Unido e continuou justamente por causa dos benefícios econômicos que a União Européia trazia pra ela, juntamente com a Irlanda do Norte votaram contra a saída. No entanto, no geral o Brexit venceu e agora é esperar mais um ano e pouco para que seja definitivamente efetivada a saída da Grã Bretanha da União Européia.

A Escócia já pensa em fazer outro plesbiscito pra sair do Reino Unido já que esse saiu da União Européia, ou seja, a rainha perdendo seus domínios por conta desse referendo. Veremos se isso vai ou não acontecer. Daqui a pouco mais de um ano vai sair o resultado dos acordos que hão de se estudarpra que nenhua das duas partes saia tão prejudicada. Se bem que eu acho que quem saiu perdendo foi somente a Grã Bretanha. Espero que não ocorra nada em relaçãoaos que já vivem por lá. Se bem que sabemos que a xenofobia vem crescendo não só na Grã Bretanha, mas em outros países da europa.

A minha relação com Londres não vai mudar. Foi ela que escolhi pera viver um período da minha vida e é pra ela que eu volto sempre que passo pela europa. Sempre a coloco no meu roteiro e principalmente enquanto o Airton estiver por lá é pra lá que irei sempre que possível preferencialmente de dois em dois anos.

A Grã Bretanha dentro ou fora da União Européia pra mim não faz diferença nenhuma. Meu passaporte é brasileiro e vou pra visitar meus amigos, passar uns dias, matar a saudade e depois eu volto pra casa. Como eu já fui e voltei várias vezes eu tô acostrumado. Só espero não ser barrado pela polícia de controle de fronteira, meu medo sempre. Desde a primeira vez que pisei lá, mas descobri um macete pra não ficar tão tenso. Só não entrar pelo aeroporto onde eles apertam mais o cerco.


Usando essa técnica minha tensão diminui um pouco mais. Eu acho uma pena que a Grã Bretanha tenha saído. Acho que nessa separação ela pode se machucar mais, mas com o tempo vai saber se reerguer mesmo se ficar mais afastada, mais isolada, mais ilhada do que já é. Mas vamos deixar o tempo correr e ver qual será o veredito do julgamento que a história fará do brexit.

sábado, 28 de janeiro de 2017

DEMÔNIO DO MUNDO (publicado em 3 out 2002)

DEMÔNIO DO MUNDO (publicado em 3 out 2002)

Acerca de 17 anos - foi em 1985 e nunca fui bom em matemática – ganhei um presente de aniversário da minha madrinha. Um disco de vinil. Até então, tudo bem. Sempre gostei de música. Mas esse disco tinha uma causa especial por detrás da gravação. Diversos artistas americanos, se não me engano liderados por Michael Jackson, se uniram para gravar uma canção de solidariedade aos paises africanos que enfrentavam o problema da fome. E a maioria continua enfrentando. O nome desse disco e o da faixa título é ‘We are the world’ que em português significa ‘Nós somos o mundo’.

Mais recentemente há mais ou menos 10 anos, foi exibida uma novela sobre vampiros cujo papel principal – noveleiros de plantão, me corrijam se minha memória estiver falhando – era da atriz Cláudia Ohana, onde ela interpretava uma cantora, estrela da música pop nacional e por acaso vampira, de nome Natasha. Por conseqüência do sucesso do folhetim, ela, Natasha, estourou com duas músicas na parada de sucessos – pelo menos dos que eu gosto de ouvir. Uma foi ‘Quero que vá tudo pro inferno’ de Roberto e Erasmo Carlos, e a outra se tratava de um sucesso dos Rolling Stones ‘Sympathy for the devil’, cuja tradução seria mais ou menos uma afeição a um demônio ou gênio do mau.

Fiquei sabendo alguns dias atrás – roqueiros de plantão, me corrijam se estou faltando com a verdade – da história da composição dessa música. Numa das suas primeiras visitas ao Brasil, fins de 60 ou início dos 70, eles visitaram um terreiro de macumba e surgiu a inspiração pra essa música.

Mas vamos falar de outra história, a que nós estamos vivenciando agora, ao final de 2002. A pergunta que eu faço é: o que tem a ver ‘We are the world’ com ‘Sympathy for the devil’? Deixa que eu mesmo respondo. Aliais dá pra convergir a resposta em um ponto ou um nome em se tratando dos dias atuais. George W. Bush. Por que? Pela afeição que ele tem em um terrível gênio do mau, Saddam Hussein. Isso porque ele e o Tony Blair acham que ele é um demônio. Tudo bem, concordo que ele não é uma flor que se cheire, mas daí a rotulá-lo como o inimigo mundial número um já é demais.

O ditador iraquiano já abriu as portas de algumas das supostas fábricas de armamentos químicos destruidores de massa em potencial, concordou com a volta dos inspetores das nações unidas ao país para fazerem uma checagem e nada do Bush recuar. A Organização das Nações Unidas, com exceção da Inglaterra, está contrária a invasão americana. Várias manifestações estão sendo feitas por toda parte para que esse perigo iminente não deixe de ser apenas iminente. Porém ele próprio em declaração bombástica – pra quem quer uma guerra essa palavra pode ser um estouro – disse que quer atacar o Iraque por razões pessoais. Provavelmente tem o dedo do papai Bush e reminiscências da Guerra do Golfo.

Pela frustração de não ter achado Osama Bin Laden, Bush tratou de arrumar um inimigo e apontar todas as armas pra ele. Sobrou para Saddam. E ainda diz que quem não está a favor dele, está contra. A ONU faz de tudo para que o estopim não seja estourado por livre e espontânea vontade de Bush.

Acho que agora é hora da entrada em cena da Organização Mundial da Saúde pra que seja colocada uma camisa de força no Bush. Enquanto ele é amarrado, grita aos quatro ventos: “O inimigo do mundo é ele. Estão internando o homem errado. A América só quer fazer o bem pro mundo. O mundo tem que derrotar o inimigo. Nós somos o mundo. Nós somos o mundo.”


Vamos ver quem será o louco que poderá impedir a loucura do presidente da maior potência mundial. 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

AÇÃO

AÇÃO

Quando eu era criança eu assistia novelas. A década de oitenta foi a que teve melhor safra. Era assunto com a minha turma do meu prédio no dia seguinte e às vezes a gente brincava de fazer novela . Na época eu falava que queria escrever. Acho que já era o meu desejo latente de querer me expressar através da escrita contando histórias.

Muitos anos depois me vi dentro daquela fábrica de ilusão, acompanhando boa parte do processo de como se faz uma novela ou coisas do gênero. De início fiquei encantado. Pessoas me diziam pra fazer teatro, que eu tinha jeito e tal. Fui a uns dois ensaios de uma peça, mas o processo do fazer teatral me incomodou um pouco. Era cria de TV e o teatro é mais lento e artesanal mediante a velocidade e o ritmo industrial da TV. São duas linguagens completamente diferentes.

Tempos depois comecei a me acostumar e passar a gostar do processo, mas sempre fui de bastidor, de ajudar na produção, de fazer de um tudo pra que se pudesse abrir as cortinas sem problema algum ou com o mínimo deles e sem que o público perceba. No entanto, ano passado durante a temporada do espetáculo “Sete contra um” aconteceu um imprevisto que mais cedo ou mais tarde o público ia perceber.

Como disse anteriormente, meu negócio é bastidor, é ficar por traz, mas nesse dia especificamente eu fui pra frente sem ser ator. Sim. Tive que entrar no lugar de um ator que teve um imprevisto e não conseguiu chegar a tempo. O figurino coube em parte, o texto foi decorado em vinte minutos assim como as marcações. Claro que o texto não foi todo, todas as falas e inserções, mas o essencial das três maiores cenas que a personagem participa.

O resto o elenco teve que segurar a peteca e nesse caso foi o que aconteceu. Elenco concentradíssimo pra eu não ficar mais exposto do que eu tava e mesmo desconfortável em cena senti que eles fizeram uma rede de proteção pra mim. Aprendi no teatro que se a coxia é boa, se há harmonia entre o elenco nos bastidores, em cena a coisa flui com muito mais facilidade. Eu que sempre gostei de assistir teatro desde pequeno , me estranhei com o processo no início e depois comecei a fazer de tudo um pouco pra se levantar um espetáculo, pela primeira vez me colocaram em cena.

Mas eu também penso muito quando aceito entrar num projeto que eu tenho que ajudar a fazer o projeto andar seja de que jeito for, mesmo que eu discorde de algumas partes pra se levantar um. Não é a minha vontade, a minha opinião que prevalece, e sim o que é melhor pro coletivo. Se um ator teve um imprevisto e me confiaram pra poder substituí-lo, vamos ver no que vai dar.

Fiz o melhor que pude mesmo sabendo que não chego aos pés do ator escalado pra fazer aquele papel. E ninguém viu uma carreira tão meteórica na vida de pouco mais de uma hora. Se bem que lá no fundo me ficou a vontade de fazer mais, mas sem falas.

Se me vierem com uma proposta pra atuar , que continue sendo sem texto, sem falas é capaz de eu aceitar o convite. Gosto de uma coisa chapliniana, do tipo de humor do Mister Bean, de algo meio Oscarito. Nessa linha eu até penso duas vezes antes de recusar o convite.

Até que o diretor gostou do que eu fiz e o elenco também me elogiou. Pra quem não é ator até que eu fui muito bem segundo eles e alguns espectadores, principalmente a Nadir e a D. Beth que eu conheço melhor e vieram falar comigo no final da apresentação.


Também eram as duas únicas que eu conhecia e que viram a supersônica ascensão e vertiginosa queda de uma carreira de ator, carreira essa que falta muito pra que eu obtenha a envergadura de um Paulo Autran, de um Paulo Goulart, de um Procópio Ferreira, por exemplo.    

MAIS UM MOTIVO

MAIS UM MOTIVO

Outro fato importante pra que essa seja a minha última temporada nesse espaço foi a perda em junho do ano passado da pessoa que talvez mais tenha incentivado a me enveredar por esse caminho das letras. Meu tio Rodolfo sempre foi meu fã ardoroso e um dos poucos que lia e comentava minhas postagens. Nesses meses sem ele a inspiração que era pouca passou a ser nenhuma, mas conforme disse na primeira postagem do ano vou cumprir o prometido e me manter aqui até o fim desse ano. Como eu antecipo os meus escritos e tudo o que já está há um bom tempo registrado, ainda estou na fase de luto, nos dez primeiros dias após a perda dele.

Foi ele quem organizou meu blog, deixando todas as postagen com acesso pra quem quiser ver, rever ou investigar algum texto que eu tenha postado. Foi ele quem fez propaganda dos livros que eu lancei na época que eu almejava ser um Paulo Coelho da vida não no sentido dos conteúdos dos livros, mas de querer ganhar dinheiro escrevendo livros. Foi ele quem foi o primeiro a ler e consequentemente opinar, aconselhar, criticar e corrigir os erros não só de português quanto de conexão e organização das minhas idéias durante as histórias que eu criava. Infelizmente a excentricidade dele não o deixava ver as peças que eu ajudei a produzir. Sempre achei que ele queria gostar de uma ou de outra,  mas ele já não queria sair mais de casa. Aliás, não saía a alguns anos, mesmo quando tia Maria Helena ainda era viva e ela que o representava nas reuniões de família. Sempre tive forte afinidade com meu tio Rodolfo.

Minha mãe fala que o meu jeito é uma mistura do jeito dele com o da tia Dôra, a mais velha de todas. E creio eu que ele se inspirou nesse blog aqui pra fazer o blog dele chamado de “Sete Ramos de Oliveira” onde ele expunha suas poesias, seus contos, seus livros que chegou a publicar também. De modo que com isso ele entrou no mundo virtual, na chamada blogsfera, onde ele se comunicava com todos que participavam com ele dos debates e encontros virtuais e até reais com esse pessoal que participava do blog dele.

Falando nisso, uns três meses antes de nos deixar, a última postagem que ele colocou no blog dele contava a respeito de um episódio que eu fui o protagonista quando eu fui visitá-lo no hospital. Vou reproduzir aqui na íntegra como uma homenagem a ele a citação que ele fez a mim na última postagem do blog dele que tem um alcance muito maioir que o meu. Meu muito obrigado especial a você, meu tio.

A calça
Quando o Rafa foi me visitar no Hospital Central da Aeronáutica, foi impedido de entrar.
- Não pode entrar de bermuda - o soldado da guarda explicou.
Não vou criticar aqui costumes culturais, por mais estranhos que pareçam. Os militares britânicos usam, nas regiões tropicais, um uniforme leve, que inclui uma bermuda. Nós, brasileiros, mais realistas do que o rei, implicamos com um traje confortável, aceito até no palácio de Buckingham, só porque nossos avós não gostavam de expor as canelas.
E agora? O Rafa não vinha para uma simples visita, mas para render por algumas horas a minha filha - a Bia - em seu posto de acompanhante. Lembrou-se de ter passado por uma loja de roupas femininas nas proximidades e foi até lá, para comprar um traje mais adequado.

O Rafa é um homem grande e desinibido, e foi com dificuldade que se apertou na maior calça que encontrou na loja. E foi assim, com brilhos nos fundilhos e enfeites na cintura, que ele conseguiu entrar no ultraconservador hospital...”

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

COMEÇANDO O TÉRMINO

COMEÇANDO O TÉRMINO

No ar em sua última temporada pela rede globo mais um Programa do Jô. Era mais ou menos assim que o Jô Soares abria todas as noites o seu programa de entrevistas. Há mais tempo no ar do que esse blog chega uma hora que a gente tem que parar, respirar, reciclar e tomar folego pra encarar outras coisas. Acrescente a isso o fato de que segundo numerólogos e estudiosos de plantão o ano passado foi um ano de ciclos encerrados e outros abertos. Fechava-se completamente um determinado setor da vida e abria-se outros. Eu abri alguns e fechei outros. Esse aqui, por exemplo, está sendo fechado. Assim como o Jô eu também estou na minha última temporada por vários fatores que não convém aqui ressaltar. Ou convém? Não sei.

Eu tô querendo encarar outras vertentes que ultrapassam os limites do papel. Já comecei ano passado. Aliás eu escrevo de algum lugar do ano passado por isso que quero que essa seja a minha última temporada nesse blog. A idéia é que depois do ponto final no final desse ano eu mantenha esse blog no ar durante alguns meses para o deleite de quem o lê e pra quem não lê ainda ter tempo de me descobrir antes do meu suicídio vitual.

Eu que já quis ser um Paulo Coelho, um Jorge Amado não tenho mais a tal inspiração pra escrever sobre qualquer coisa. Encarar um romance então, isso tá longe de acordar dentro de mim novamente. Pelo menos no momento esse vulcão está adormecido e sem previsão de entrar em erupção.

Outra coisa que me disperta em ficar hibernado desse espaço é a proximidade do fim dessa agenda que agora mais parece um caderno que eu uso pra escrever os rascunhos desse blog. Eu não vou guardar isso. Conforme eu for salvando esses textos no arquivo do computador, depois que todas as páginas forem devidamente preenchidas e passadas a limpo, as terei no arquivo digital e não precisarei mais guardar esses rascunhos. Vou promover um queima de arquivo. Arquivo físico. O virtual vou manter.

O Jô já tinha voltado pra Globo quando comecei esse blog e se ele ficou no ar por dezesseis anos eu devo ter escrito por uns catorze. Acho que também já é a hora de me retirar. Hora de dizer adeus. Essa é a minha última temporada do blog. Só até o fim do ano vocês vão ter que me engolir. Ainda tem um ano pela frente. Um ano pra comentar meus comentários, críticas, elogios, sugestões e tudo tentando ser com bastante humor. Sei que tem vezes que não dá.

Nessa última temporada eu vou me propor um desafio que vai me dar um pouco de trabalho. Toda última postagem de cada mês eu vou resgatar um texto das antigas, do fundo do baú pra postar novamente. Serão doze, um pra cada mês. Não sei se vou escolher os doze melhores desses catorze anos de postagens, mas vou pescar aqueles que me prenderem mais agora quando eu relê-los. Vou tentar buscar um de cada ano pra dar equilíbrio.

Essas são as novidades pra esse ano de 2017. O resgate de algumas memórias do passado e a interrupção de um ciclo, um hábito que se consolidou a cerca de catorze anos. Hora de se jogar pra um futuro que está logo ali. Sem cara, sem definição, sem desenho, mas pronto pra ser encarado como todo futuro que se apresenta.


Eu devo dizer a mesma coisa lá pras últimas postagens, mas já de antemão eu queria agradecer a cada um de vocês que em algum momento desses anos todos pararam um pouco pra ver algumas das mais de setecentas postagens que eu coloquei aqui. Sei que são poucas pessoas, não chegam a dez. eu também nunca quis divulgar muito esse espaço e nascido no anonimato vai morrer quase no anonimato também. Mas era só pro meu bel-prazer mesmo, sem nenhum compromisso com nada. Muito obrigado mesmo. Do fundo do meu coração. Gratidão eterna a todos vocês.