sexta-feira, 22 de setembro de 2017

A PARADA DO CARRO

A PARADA DO CARRO

Deve ser implicância mesmo. Não adianta seguir as orientações que sempre acontece o que não deveria acontecer, pelo menos eu não acho normal. Toda vez que meus pais viajam eu fico na incumbência de fazer com que os carros sejam ligados periodicamente pra que as baterias não arriem. Por mais que eu faça isso vai ter sempre um carro pra me sacanear e sempre será o carro do meu pai. Quando não acontece quando ele está fora, acontece quando ele chega. Até porque ele saiu do avião aqui a responsabilidade volta a ser dele. E como ele tem ciúmes do carro o esquema que eu faço é sair com o carro da minha mãe quando necessário e apenas ligar o carro dele, mas nem sempre isso dá certo. Por mais que eu ligue cinco minutos por dia, se eu ficar três dias sem ligar a previsão da bateria arriar é muito grande.

Ano passado foi assim. Eles viajaram e eu ligava o carro todo santo dia por cinco minutos. Teve um dia que eu deixei de ligar, uma terça-feira, na quarta eu liguei apreensivo, mas funcionou. Na quinta eu fui pra São Paulo e só voltei no sábado a noite. A primeira coisa que fiz foi tentar ligar o carro e adivinha o que aconteceu. O carro não ligou. Pouco mais de dois dias sem virar a chave e nenhum sinal vital do motor. Não esquentei com aquilo naquele momento. Afinal estava chegando de viagem e queria descansar. O dia seguinte era domingo, tinha tempo pra fazer isso e mesmo assim o mecânico do seguro só chegou as oito da noite, fez a famosa chupeta, pediu pra deixar o carro ligado por quarenta minutos e foi embora. Não chegou a ficar dez minutos na garagem.

O que mais me deixou espantado foi que quando a gente aciona o seguro eles pedem pra quando o mecânico chegar ter em mãos os documentos. Eu estava tanto com o documento do carro quanto o meu no bolso e o mecânico não pediu absolutamente nada. Veio, fez o serviço dele e foi embora. Devia estar com pressa pra voltar pra casa já que no carro dele estava uma mulher que foi quem me ligou dizendo que eles iam atrasar um pouco  e umas quatro crianças e pelo que ela havia me dito eles estavam em botafogo e o transito estava ruim. Creio que estavam saindo de algum programa em família e ao ser acionado pra prestar o serviço, por morarem pelo lado de cá deve ter aceito e passou aqui pra prestar o socorro relâmpago. Foi muito rápido mesmo.

No dia seguinte eu tinha projeto escola e só cheguei em casa a noite. Vinte e quatro horas depois da chupeta estava eu diante do carro, apreensivo, pensando no pior, mas não. A chave virou e o motor funcionou. Dessa vez ao invés de cinco minutos deixei o carro ligado o triplo do tempo. Foram quinze cronometrados.

Pelo menos dessa vez foi enquanto ele estava viajando porque geralmente é quando ele volta e vê que o carro não está funcionando ele fica soltando fogo pelas ventas. No início eu ficava chateado, mas agora pode esbravejar a vontade. Eu faço a minha parte. Se o carro não cumpre a dele não é problema meu. Não foi a primeira e muito menos será a última vez que isso vai acontecer se o carro ficar alguns dias parados. Esse carro sempre foi meio esquisito desde quando foi comprado e essa fuga de energia da bateria, que provoca essas paradas, esses apagões deveria ser vista.

Eu acho que isso acontece por conta da não circulação do carro pelas ruas . Ligar e desligar até ajuda, mas se fica um tempo sem ligar acontece isso. Mas o mais curioso é que só acontece com o carro do meu pai. Com o da minha mãe não preciso acionar o seguro, no entanto circulo com ele de vez em quando. E como ele circula com o carro dele, enquanto não ele não viaja ele acontece esse imprevisto.


Já prevejo que na próxima viagem que ele fizer isso pode acontecer novamente, está na listagem do que fazer na ausência dele. Ligar o carro e chamar o seguro quando preciso.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

ETERNA E TENRA TERRA DA GAROA

ETERNA E TENRA TERRA DA GAROA

Creio que será a última vez que tocarei nesse assunto. Ano passado fiz o mesmo, mas o foco foi outro. Aliás, ultimamaente o foco tem sido só dois. Dois motivos me levam a São Paulo. O primeiro, como relatado ano passado, são as peças de teatro. Sempre que posso vou assistir o que está em cartaz por lá. O segundo são as apresentaçcões, as participações que o Serguei é chamado pra fazer e que eu sempre vou acompanhando.

Ele já chegou a uma idade em que algumas coisas não pode fazer sozinho, como andar de avião, por exemplo. Não por conta da saúde física. Isso ele ainda tem um pouco, mas por causa da memória, cuja falta dela o prejudica bastante. Por isso combina-se tudo comigo e eu repasso a ele com filtros pra que ele se preocupe com menos coisas possíveis. Nesse caso foi o líder da banda Made in Brazil que novamente o convidou pra fazer uma participação no show de lançamento do DVD gravado em novembro do ano retrasado e lançado em setembro do ano passado num show particionado em dois dias com convidados e o Serguei participou do primeiro dia, na sexta.

Nossa rotina foi muito corrida nesses dias. Na quinta madrugamos pra pegar o voo. Ele saiu as 5:30 da manhã de Saquarema. Pra ele conseguir fazer isso ele não dorme durante a noite, ou seja, cochila um pouco dentro do ônibus e do avião, mas não repõe as energias como deveria. Próximo das oito da manhã ele desembarca na rodoviária e eu estou lá desde às 7:30 esperando por ele pra pegarmos um taxi e irmos pro aeroporto. Não existe taxi comum na rodoviária. Ali é máfia e tem preço tabelado . Quando o motorista me disse que era 40 reais a corrida reclamei e ele baixou pra 35. Ainda tá caro pelo fato de ter encurtado o trecho  entre esses dois pontos e não chegar a 10 km e na volta o trecho no taxímetro deu pouco mais de 20 reais. Poderíamos até arriscar o novo VLT , mas não podia dar mole com o horário do embarque no aeroporto.

Não tínhamos tomado café e depois de pegarmos o bilhete aéreo subimos pra comer e esperar o voo marcado pras 10 da manhã. Atrasou um pouco, uns 15 minutos. Chegamos em Guarulhos e o Klaus estava nos esperando por lá. Ainda estava cedo pra fazer o check in no hotel mas esperamos um pouco e conseguimos entrar. Optamos por descansar um pouco antes de irmos pro ensaio no estúdio.

Enquanto o Serguei dormia eu dei uma volta na vizinhança pra comprar algumas coisas pra deixar pra gente no hotel. Duas horas depois da entrada no hotel saímos para o ensaio no estúdio. Demos o ar da graça e fomos comer  no Mc Donalds que ficava ali do lado. Voltamos depois e ficamos no estúdio até o fim do ensaio. Depois nos levaram pra comer uma pizza na Pompéia. Chegamos no hotel por volta das 11 da noite. No sábado, dia do show, acordamos pra tomar café e voltamos pra dormir. Almoçamos no hotel mesmo e só depois do almoço que demos uma volta no shopping perto do hotel por uma horinha. Depois voltamos pro hotel e esperamos a hora combinada pra ir pro local do show as 7 da noite. O show foi bom e o Serguei foi o último convidado a se apresentar. Fomos so últimos a sair do local do show e ainda paramos pra comer um sanduba ali pelo bairro mesmo.


Sábado foi o dia da volta. Pra nossa sorte não precisamos deixar o hotel ao meio dia, pois fizeram a reserva até o domingo e como o avião saia no fim da tarde passamos a hora dando uma volta no parque Ceret que ficava em frente ao hotel em que estávamos e acontecia naquele fim de semana a festa do morango junto com o aniversário do bairro do Tatuapé. Foi um tal de tirar fotos, parar pra falar com o público – e o Serguei é movido a esse contato, a esse reconhecimento que foi o tempo perfeito, exato e ideal que a gente ficou por lá. Na hora certa voltamos pro Rio.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

MEXERICOS

MEXERICOS

Outro dia vi uma foto de um amigo meu com o Lulu Santos. Ele postou no facebook. Nada contra ele ou qualquer um postar fotos com seus ídolos ou famosos conhecidos numa rede social. Geralmente ele faz isso. Até entendo. Ele é do interior e o único acesso ao artista que ele tem é quando tem show na região que ele mora. A gente aqui no Rio não faz tanto isso. Quer dizer, até faz, mas por que a gente é mais cara de pau mesmojá que é comum esbarrarmos com mais frequência nesses artistas no Leblon, Gávea, Botafogo e Barra, por exemplo.

Eu já tive excelentes oportunidades de me fotografar com vários artistas de diversas áreas, mas não faço isso. A não ser com umas três ou quatro pessoas específicas que não moram no Rio e portanto fica mais difícil de esbarrar com elas por aqui. Só em shows ou apresentações mesmo. Esse meu amigo fica todo ouriçado quando vem pra cá se por ventura a gente sai e vai passear no Rio. Não é pra menos.

Eu sou de outro pensamento. Por mais que eu saiba que quando um artista se propõe a tirar uma foto a mesma tem 99% de chance de cair numa rede social eu não o exponho, faço parte do 1%. Se alguém tira foto comigo, me marca e posta na rede social eu não me oponho, mas se eu tiro foto com alguém que tenha certa notoriedade, ou mesmo com alguém da minha família ou um amigo, sou contra a exposição deles.

Aliás a minha política em rede social é não me expor. Ultimamente só tenho divulgado trabalhos quando muito e a única forma de exposição é um selfie em algum lugar pelo qual eu passeei. Isso eu faço. Depois de uma viagem selecionar as fotos que ficaram melhores e fazer um álbum novo só pra isso. Não gosto de expor nem a mim e muito menos quem por ventura estiver comigo, seja anônimo ou famoso.

Existe uma parte da mídia especializada em famosos que eles chama de repórter de celebridade. Eu particularmente chamo de fofoqueiro. Sei que isso tem há muito tempo e pelo que me contam a mais famosa das antigas foi a Candinha com seus mexericos. Sinceramente eu não me interesso pelo que as celebridades fazem ou deixam de fazer, onde elas frequentam, com quem se relacionam, por que casam ou separam. Nada disso me interessa. Nem com as celebridades com as quais eu convivo mais eu fico querendo saber de coisas que só dizem respeito a elas.

Confesso que eu fico um pouco chocado com as notícias bombásticas de separação. Não desses mais novos que casam e separam como quem troca de cueca, mas de casais que imaginávamos nunca mais se separar como o Edson Celulari e a Claudia Raia ou Fátima Bernardes e William Bonner que foi mais comentado ano passado. Ou teria sido Bread Pitt e Angelina Jolie?

Tenho medo de Tarcísio e Glória irem pelo mesmo caminho, mas ao mesmo tempo acho que eles já passaram da idade de se separar. Se isso acontecer a minha crença na instituição casamento de celebridade termina de vez. Eles formam o último pilar que sustenta essa mania de fofoca. Se bem que apesar deles também serem alvos da Candinha, não dão motivos pra que os exponham na mídia. A exceção de alguma estréia ou apresentação teatral como eu pude testemunhar no Terezão quando ela se apresentou na peça “Ensina-me a viver” e ele ficou sentadinho umas duas filas na minha frente a admirando.
            
           Nem sei se isso foi pra mídia. Acho que não por que não é notícia que vende jornal. E também não se vê nas redes sociais. Sempre haverá parte dessa imprensa exibicionista, marrom e sensacionalista e que na televisão ocupam o horário vespertino de emissoras que não dão muito ibope. Tô fora desse tipo de gente. Quero distância desse tipo de jornalista, apesar de ser amigo de um que é um ex repórter de celebridades. Mas já o conheci como ex. 

sábado, 2 de setembro de 2017

JOGO DA VIDA

JOGO DA VIDA

Não sei se acontece com todo mundo, mas eu acho que a vida é tipo um jogo de vídeo game onde se termina uma etapa, um nível e se avança pra outra fase. Coisas que eu fazia cinco anos atrás atualmente eu não tenho mais o hábito, o costume de fazer.

Em setembro do ano passado saí três dias seguidos, ou melhor, três noites seguidas. Isso pra mim já é um recorde nos tempos atuais. O primeiro dia, uma quinta-feira eu fui ao teatro. Um programa que eu gosto de fazer e faço constantemente, mas esse teatro em específico é um pouco longe da minha casa e fico o mesmo tempo ou até mais em trânsito do que no próprio teatro.

Na sexta foi dia de Lapa. Ah, a Lapa. Frequentei muito nos tempos de faculdade. Quase todo fim de semana eu batia ponto lá. Me lembro que a gente ia muito numa sinuca na rua do Riachuelo. Nesse dia eu passei lá em frente e vi que mudou muita coisa. Tá bem diferente, mais arrumadinho, reformado, com cara de descente. Na minha época era quase um pé sujo, talvez um nível acima do pé sujo. Hoje tá muito cheio de “não me toque”.

Cheguei no horário que costumava chegar, por volta das onze da noite, mas dessa vez fui direcionado a ir em um local específico e nem me cansei muito por ter ficado sentado boa parte do tempo. Mesmo assim por volta das três da manhã eu já estava voltando pra casa. Andei da Lapa até o terminal de ônibus e só fiz isso por conta do centro estar bem policiado por causa das paralimpíadas que estava rolando nessa época, senão pegava um táxi como costumava fazer das últimas vezes que fui pra lá. De qualquer modo se isso acontecesse alguns anos atrás eu não voltaria tão rápido. Ficaria por lá mais um tempo circulando no meio da multidão ou parando em algum lugar pra comer alguma coisa. Talvez até esperasse amanhecer pra poder voltar pra casa como eu fazia nos áureos tempos da faculdade. Não tenho mais pique pra isso. Já passei dessa fase.

No dia seguinte o programa foi mais cedo. Uma amiga minha comemorando o aniversário na praça são Salvador, ali em Laranjeiras. Ao contrário do dia anterior ali não tinha lugar pra se sentar e ficamos em pé durante o período que passamos lá. Havia uma roda de samba lá, quer dizer, um pessoal que se juntou pra fazer uma batucada bacana e até contagiante por assim dizer. Marquei com uns amigos de a gente se encontrar na estação do metrô do largo do machado às nove da noite e ficamos curtindo o aniversário até umas onze e meia quando voltamos pro metrô. Eles pegaram o metrô e eu andei até o ponto do meu ônibus. Por mais que esse tenha sido o tempo menor de gandaia dos três dias e o dia que eu cheguei mais cedo em casa, eu já me senti exausto pelo acúmulo dos três dias seguidos.

Creio que só faço isso no carnaval, mas eu me preparo psicologicamente pra isso e mesmo assim não fico pulando de bloco em bloco como eu fazia antigamente. Escolho um ou dois no máximo por dia pra curtir e já tá muito bom. Sei que pode haver pessoas que não perdem o pique e que continuam frequentando noitadas, boates, como se o tempo não passasse pra eles. Eu interpreto de outra forma. Pra mim essas pessoas ainda não conseguiram amadurecer, não passaram de fase, não subiram de nível e continuam na mesma etapa.

            Se existem empresários da noite que não gostam de sair a noite e mesmo assim administram suas casas noturnas por já terem também passado dessa fase, essas pessoas não sabem administrar o jogo da vida ou por que não querem mesmo amadurecer ou pelo fato de não estarem sabendo conscientemente conduzir o próprio jogo. Sabe quando você não consegue passar de fase e fica repetindo e repetindo aquele nível constantemente sem nenhum tipo de evolução? É assim que eu vejo esse povo.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

‘GAUCHE’ PERSONALIDADE (pub. em 13 dez 2010)

‘GAUCHE’ PERSONALIDADE (pub. em 13 dez 2010)

Numa bela tarde do ano de mil novecentos e noventa e sete recebo um telefonema da minha amiga Joana que, falando em tom baixo e um pouco estranho me transmitiu o seguinte recado: “Passa na minha casa, pegue todos os meus discos da Rita Lee, minha maquina Xereta e vem correndo pro centro do Rio. Te encontro no Centro Cultural Banco do Brasil.” Tentei tirar mais infomações dela, mas não consegui. Ela desligou o telefone logo. Eu obedeci.

Na época ela morava no meu prédio, num andar abaixo do meu e sabendo que eu era um estudante pré-vestibular, estaria a tarde em casa. Ela, estagiária de jornalismo, trabalhava numa revista de economia e negócios e estava pra fazer sua monografia. O tema: Rita Lee. Ela adorava a rainha do rock e realmente qualquer disco que saísse da cantora, fosse de carreira ou coletânea, ela adquiria.

Chegando lá, não deu tempo nem pra respirar. Fui seqüestrado. Ela me colocou dentro de um taxi e pediu pra seguir até a rua do Riachuelo, na sede do jornal ‘O Dia’. Sempre que eu perguntava o que estava acontecendo ela me respondia que eu iria ver. Simulou um mal estar no trabalho pra fazer aquela loucura. Até aquele momento, só ouvia falar das histórias malucas que fãs aprontavam pra ficar perto dos seus ídolos, mas aquela era a primeira que eu tava presenciando e vivenciando. Finalmente chegamos no endereço.

Na recepção ela disse que era estudante de jornalismo, mostrou a carteirinha, disse que estava fazendo um trabalho sobre Rita Lee e que gostaria de tirar algumas fotos da apresentação que ela estava fazendo na extinta rádio RPC. Fui seqüestrado pra ver uma apresentação de Rita Lee para um público bastente restrito, praticamente um pocket show, onde ela lançava o disco Santa Rita de Sampa. A partir desse momento Rita ganhava mais um fã. Joana me contagiou com o fanatismo dela.

Hoje posso dizer que sou adicto em Rita Lee e Joana me levou para um caminho sem volta, uma doença que apesar de ser controlada é incurável. Claro que conhecia e admirava o trabalho, as músicas da dupla Rita e Roberto, escutava no rádio, nas trilhas das novelas, mas daí a querer me aprofundar mais na carreira e na vida dela, havia uma lacuna,um hiato pra que isso acontecesse, e talvez me faltasse mesmo esse empurrãozinho de Joana. Se hoje sou fã de Rita, devo muito a Joana. Principalmente pelo fato do meu contato visual com a Rita ter sido feito dessa maneira repentina, num ambiente mais aconchegante do que um show propriamente dito, e nos intervalos do programa ela parava pra falar com a gente, atendia um a um, tirava fotos, ou seja, além das músicas a simpatia cativante dela fez com que meu interesse pelo trabalho e carreira dela surgisse, como se eu tivesse sido enfeitiçado por ela. E fui.

Todo e qualquer show que ela faça aqui no Rio eu vou. Depois que eu conheci o Serguei e promovi um reencontro dos dois que me deu acesso a ela, mas mais ainda ao Beto Lee, filho dela, procuro depois do show tentar sempre ir ao camarim pra falar com eles. Nem sempre é possível, principalmente quando o Serguei não pode me me acompanhar nos shows, mas permaneço até o fim, até a saída dela apostando tudo na esperança. Às vezes dá certo, às vezes não dá, mas tudo faz parte apesar de às vezes a “entourrage” não simpatizar com esses gestos de gente como eu, que me considero fã, e outras pessoas muito mais fãs que eu.


Geralmente ela costuma abrir turnê pelo Rio. Em janeiro ela encerrou a turnê de “Pic-Nic”,onde ela comemorava os tantos anos de carreira. Mal ela encerrou uma, abriu outra “ETC...” que passou pelo Rio em setembro último e, como de praxe, eu estava lá fazendo a minha festa, curtindo mais um show da rainha do rock. E mesmo não lançando disco de inéditas desde dois mil e três, a casa estava lotada, merecidamente.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

INFÂNCIA SEM INOCÊNCIA

INFÂNCIA SEM INOCÊNCIA

Pegando ainda o gancho da semana passada, uma noite de setembro do ano passado eu andei até o ponto do ônibus em frente a uma favela há algumas quadras aqui de casa pra poder ir pro Rio. Em frente a esse ponto, numa lage que instalaram há um bom tempo sobre o canal e fizeram desse espaço uma praça ao ar livre com brinquedos pras crianças, um espaço de convivência, estava acontecendo um evento como quase todo fim de semana com música de DJ, comes e bebes, o que tem em toda festa. Comunidade em boa parte estava ali desfrutando do lazer oferecido numa sexta a noite.

Como em boa parte das comunidades de um modo geral a música predominante era o funk e em boa parte dos funks executados eram aqueles em que a insinuação pornográfica é gritante. O que eu ouvi nesse dia foi uma cantora que pegou uma música infantil, tema dos anões do desenho da Branca de Neve e trocou a letra. Ao invés de “eu vou pra casa agora eu vou”ela cantava “eu vou sentar agora eu vou”. Fico estarrecido quando escuto essas atrocidades e o pior é que essas crianças moradoras, criadas nessas comunidades escutam essas músicas desde pequenas. São precoces no quesito sexualidade por serem bombardeadas por esses tipos de letras obscenas.

Essa cultura deveria ser modificada. Não estou aqui querendo acabar com essas festas comunitárias e muito menos com o funk. Mas deixar crianças escutarem a esse tipo de montagem musical, essas versões eróticas é um absurdo.

Quando eu era pequeno o público infantil tinha programas voltados especificamente pra ele. Assistimos a vários especiais musicais feito pra crianças, pensado pros pequenos. Curtíamos o Sítio do Pica Pau Amarelo, víamos produtos como Arca de Noé do Vinícius de Moraes, Pirlimpimpim que também tratava do universo do Sítio do Pica Pau, Plunct Plact Zum que era literalmente uma viagem , enfim, minha geração cresceu com isso. Não fui acostumado a escutar essas versões obscenas e insinuantes de músicas.

Sempre existiu e vão existir músicas de duplo sentido. Isso é uma coisa. A Dercy Gonçalves cantando a “Perereca da Vizinha”, por exemplo, é engraçado e por mais que a gente conheça o duplo sentido chega até a ser inocente perto do que se escuta hoje em dia. Acho que isso não pode se tornar normal, comum.

Quando esses programas de TV deram espaço a outro tipo de linguagem  - esqueci de mencionar o Balão Mágico. Esse sim eu considero o meu programa de infância que era feito por criança e para criança com musicas que mantinham e respeitavam a essência da inocência da criança – surgiu a figura da apresentadora de programa infantil e foi nessa onda que a Xuxa tomou o posto de rainha dos baixinhos, começaram a dizer que as crianças começaram a se “erotizar” pelas roupas curtas que ela usava no programa e as crianças a imitando também nas roupas. Eu discordo disso.

Se ela usava um short curto e os pais achavam aquilo um absurdo era só trocar o canal, mas não tinha jeito porque caia na Angélica, Mara Maravilha e tantas outras que surgiram e sumiram. Bem, se mudar de canal não resolvia era só não comprar o mesmo tipo de roupa usada pelas apresentadoras. As músicas que elas cantavam eram apenas pra se divertir, sem esse apelo sexual, pornográfico. É só escutar Ilariê por exemplo que se percebe que não tem nada demais nela.

No entanto, independente da moda, sabe-se que hoje as meninas a partir dos seus catorze, quinze anos predominantemente de comunidades como essas vão a bailes funk sem calcinha.
Outro dia uma amiga me mandou uma mensagem que dizia que as piores músicas feitas nos anos oitenta são melhores que as melhores feitas atualmente. Eu incluo aí os funks também.

sábado, 12 de agosto de 2017

VELHA INFÄNCIA

VELHA INFÂNCIA

Ano passado uma amiga minha me perguntou sobre a disposição do Teatro Rival, pois ela estava querendo comprar ingresso pra uma festa Ploc que aconteceu lá no fim de setembro. Festa Ploc é uma festa temática dos anos 80. Acho que em São Paulo se chama Trash.

Essa foi a década da minha infância. Minha e dos meus amigos de infância. Foi nessa época que consolidamos nossos caráteres, que crescemos e nos desenvolvemos e aprendemos a formar nossa base que nos acompanha pela nossa vida até agora e creio que eternamente. Claro que não dá e nem se pode comparar com infâncias de outras gerações. Cada uma se desenvolveu em certas condições econômicas, culturais e tecnológicas diferentes. Eu não vivi outras, por isso digo que a minha infância foi a melhor e pra mim realmente foi. Quando eu vejo o meu sobrinho mais velho grudado num telefone ou num computador jogando joguinho não consigo ver ali uma infância saudável onde ele possa interagir com outras pessoas como eu fazia com a turma do prédio onde eu morava. Mas era outra época.

Vídeo game era raro alguém ter. Um que eu tive junto com meu irmão , talvez o único da infância, foi o Atari e mesmo assim a gente jogava pouco. Preferíamos estar com nossos amigos brincando juntos. Hoje qualquer telefone celular vem com joguinhos pra crianças de qualquer idade ou aplicativos que levam a baixar esses joguinhos. Telefone celular na minha infância era coisa que víamos só nos filmes de James Bond e os telefones que quando chegaram tinham a função exclusivamente de fazer ligações hoje fazem de tudo, inclusive ligações. Não só servem pra função original dele como pra ser vídeo game, agenda, agencia de banco, maquina fotográfica entre outros.

Pra se ter uma idéia, quando eu fiz dez anos ganhei uma maquina de retrato do meu padrinho. Uma Kodak que tirava fotos tamanho 9x9 com o tipo de filme CB126. Sim, era filme negativo que depois a gente tinha que levar pra revelar. Já o meu sobrinho mais velho no Natal que ele tinha cinco anos, ou seja, metade da minha idade, ganhou um aparelho celular que inclusive tirava fotos. Mas isso foi pelo fato dos joguinhos estarem bem evoluídos e difundidos nesses aparelhos. Não que ele fique o dia todo pendurado jogando no telefone. Ele até faz outras atividades, o que eu acho bem mais saudável, como jogar bola que ele adora, e quando está com o pai andar de bicicleta entre outras coisas, mas o que faz ele ficar quieto é o joguinho eletrônico.

Somos de gerações diferentes, sou trinta anos mais velho que ele. Talvez ele brincasse como eu se tivesse nascido na mesma época que eu, ou eu fizesse o mesmo que ele se tivesse nascido a quase dez anos. Não estou julgando se é melhor ou pior. É diferente e não há comparação.

Agora me preocupa quais os valores de infância o meu sobrinho mais novo vai carregar com ele. Ainda é pequeno, tem pouco mais de um ano, mas já começa a observar o mundo e assimilar algumas coisas como toda criança nessa idade. A memória dele agora que vai começar não só a captar mas a registrar tudo o que ele vê, ouve e sente. Ele já é de uma outra geração com outra visão, outros objetivos de vida. Vida essa que tem muita pela frente.

Quando eles dois chegarem a minha idade e olharem pra trás será que eles vão dizer que valeu a pena que tiveram uma infância maravilhosa, que não podem reclamar de nada – essa acho um pouco difícil, mas uma reclamação branda, sem rancores até mesmo pela configuração de família que eles tem.


Quem vai tocar daqui a trinta, quarenta anos na festa Ploc que eles vão frequentar?  

domingo, 6 de agosto de 2017

GARRANDO NA PROSA

GARRANDO NA PROSA

Uma das coisas que eu mais gosto de fazer é jogar conversa fora. Sentar em algum lugar pra bater um papo seja com um ou um grupo de amigos. Isso me faz bem. Acho que pra todo mundo. Mas tem que ser real. O virtual só se realmente não houver jeito como por exemplo no caso do Airton que está em Londres. Aí não tem como. Só quando eu vou pra lá mesmo.

Reunir com amigos seja na casa de um ou no bar desopila, tira o peso que o dia a dia impõe sobre a gente. A gente fica mais relaxado, descontraído, fala mais bobagem, não precisa ter a formalidade que nos é conveniente, enfim, é muito bom. Gosto dos meus amigos, como gosto de me juntar a eles e quando vários se reúnem num local eu me empolgo e nem vejo a hora passar. Gosto do papo deles, gosto das idéias, das discussões sadias e construtivas, das conclusões engraçadas e das possíveis parcerias profissionais que podem sair dessas conversas também. É tão bom se ter esse contato visual, presencial, que pra mim o virtual é um complemento. Esse é mais frio, mais mecânico, dependente de uma maquininha que está se tornando cada vez mais necessária pra gente.

O ruim do celular é que tem gente que fica viciado , que não consegue largar do aparelho pra nada, que fica checando o tempo todo se chegou mensagem, por exemplo. Em alguns desses encontros que eu frequento, de vez em quando, uma amiga reclama quando os conviveres pegam no celular e ficam mais de um minuto com ele na mão não interessa fazendo o que. Ela brinca dizendo que vai colocar uma cestinha na entrada pra que deixemos nossos aparelhos lá antes de entrarmos pra curtir esse momento de reunião, de descontração, de jogar conversa fora.

Eu atualmente quero ficar o mais desconectado possível. Ficar mais de uma hora no computador sem algum objetivo acho exagero. Eu estipulo o tempo de um disco pra ficar de bobeira na frente da tela. De bobeira. Se eu faço alguma coisa mais intensa, mais trabalhosa, aí a coisa muda de configuração. Telefone é a mesma coisa. Não tenho a fissura de ver imediatamente as mensagens que me mandam. A não ser se for mensagem importante, que eu esteja esperando ou trocando, vejo as conversas em determinados horários. A hora que eu tô a fim de ver. Claro que não vou deixar de fazer nada disso até pelo fato de serem meios de comunicação e nenhum vai anular o outro.

Ainda vejo mail e os respondo quando necessário, vejo facebook e uso muito o messenger e o whats app, mas não fico o dia inteiro nisso. Acho que tem tanta coisa pra gente fazer, pra gente ver que a tecnologia não deveria ocupar o nosso tempo todo.

Comedidamente podemos fazer tudo que nos convém. No entanto acho que há um exagero das pessoas em permanecerem conectadas o tempo todo. Talvez conectada não seja a palavra certa por que eu também fico conectado o dia todo, mas eu modero o meu controle, o meu acesso. O que eu estou dizendo é que as pessoas ficam ansiosas por não terem uma mensagem lida ou respondida imediatamente, uma foto postada, curtida e comentada no facebook. Isso que eu acho um exagero.

Além de exagero chega a ser uma falta de respeito. As pessoas vão pra restaurantes pra ficarem digitando em celulares, e o pior, já vi isso em algumas apresentações teatrais. Por mais que se peça pra manter os aparelhos sonoros no modo silencioso ou no vibratório, ainda existe gente que quer ser má educada mesmo.  


Com tanta coisa bacana a ser feita, a ser aproveitada que as pessoas deixam de fazer pra ficar online o tempo todo. Sempre vai ter um livro bom perdido numa estante, todo dia tem um por do sol pra se assistir, um filme bacana de vez em quando passa no cinema, uma peça de teatro ou um show pra se assistir, um papo com os amigos, ou seja, existe vida além das telas de celular e computador.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

DE TUDO (publicado em 3 mar 2008)

DE TUDO (publicado em 3 mar 2008)

Tem gente que faz de tudo para ver um ídolo de perto. Imagino coisas e ouço histórias cabeludas sobre isso, gente que se esconde em quarto de hotel, se veste de funcionário da casa de shows, enfim, loucuras.

Na semana anterior ao carnaval quem fez uma loucura por um ídolo fui eu. Mas foi uma loucura sã e bastante consciente. Uma artista a quem admiro muito estreou sua turnê no Rio. Claro que já havia comprado o meu ingresso não para a estréia, mesmo assim passei lá no Canecão pra ver se conseguia um ingresso vip em nome do meu amigo astro que por ventura é amigo também da minha idola e o que eu queria fazer pra ele e pra mim era a promoção de um reencontro entre duas pessoas que não se viam há tempos.

Horas antes da estréia do show cheguei lá e pedi pra falar com alguém da produção. Expliquei a situação do meu amigo astro, dei o telefone dele por via das dúvidas, mas não levei muita fé que ele se esforçaria pra conseguir o que eu queria. O chefe da segurança da casa ouvindo nosso papo, depois que o cara da produção foi embora, chegou perto da gente e depositou alguma esperança. Disse que gostava muito do vip e que antes dele virar chefe de segurança o próprio foi expulso do camarim de um show feito pelo meu amigo astro no próprio Canecão. Ainda estava cedo e eu queria uma confirmação, pois o meu ingresso valia pro dia seguinte e eu tinha que resolver a logística da vinda do astro vip. O chefe da segurança pediu pra que eu passasse por lá depois do show começado. Por motivos de força maior – meu amigo encontrou um outro amigo dele que é produtor musical – voltei ao Canecão no fim do show, quando as pessoas já estavam indo embora. Procurei desesperadamente o chefe da segurança que também acabara de deixar o local.

Aí resolvi apelar e dar uma de tiete, mas foi por uma boa causa. Fiquei na saída do backstage esperando a estrela principal sair. Saíram vários artistas. O que eu parei pra falar foi com o Erasmo Carlos por ser da mesma linhagem musical. Quanto o tal produtor com quem eu havia falado no início apareceu, disse que tentou falar comigo, mas não tinha conseguido. Desculpa pra não ceder ao meu pedido. No entanto, eis que de repente, não tão de repente e nem tão de surpresa já que era certo mesmo que todos saíssem por ali, surge o príncipe – filho de rainha príncipe é. Rapidamente contei a situação pra ele. “Traz ele que agente dá um jeito.” Aí eram dois votos, dele e o do chefe de segurança, contra um, o do tal produtor. Mesmo assim esperei, em vão, a saída da estrela. Com vidros fechados e outra meia dúzia de pessoas além de mim na mesma expectativa ela saiu apenas acenando pra gente.

Enfim, não arrisquei trazer o vip pro show do dia seguinte. O universo conspirou ao meu favor. Me vendo chegar o chefe da segurança perguntou logo por ele. Contei sobre o acontecido do dia anterior. Qual foi a minha sorte quando saiu o aviso do cancelamento do show por conta de uma forte chuva e interrupção de energia. Esse show foi transferido pro domingo seguinte, mas foi pro sábado que consegui trocar meu ingresso e garantir a presença do vip.


Logística montada. Tudo certo. Eis que o vip chega ao Canecão e fala direto com o chefe da segurança. Eu que comprei o mais barato fiquei com o vip na parte de valor mediano, mas não agüentei por muito tempo e fui pro pequeno espaço entre as mesas de cima e de baixo pra ficar dançando e volta e meia subia pra mesa pra ver como ele estava. Em determinada parte do show até gritaram o nome dele, mas a apoteose foi já no bis, na última música, quando o príncipe o viu na beirada do palco e beijou a mão do vip ele não agüentou e subiu no palco. Beijou a estrela e foi anunciado como o maior roqueiro do Brasil. O show acabou, ele desceu, fomos pra fila do camarim, e lá...

sexta-feira, 21 de julho de 2017

TAXIANDO

TAXIANDO

Como um bom viajante frequento aeroportos pelo mundo, inclusive dormindo em alguns deles. Mas o que mais frequento por conta tanto da proximidade quanto pelas inúmeras viagens que minha mãe faz é o do Galeão. Ali eu me sinto num playground. Sou do tempo em que era apenas um terminal de passageiros com os acessos divididos por cores azul, vermelho e verde. Lembro de uma vez que meu tio Rodolfo, ainda na ativa da aeronáutica, nos levou eu e aos meus primos pra torre de controle do aeroporto pra gente conhecer e assistir não lembro se o pouso ou a decolagem do Concorde, o avião que já foi o mais rápido da rota Rio – Paris.

De lá pra cá muita coisa mudou. Principalmente o fluxo de passageiros  e com isso tiveram que construir um segundo terminal de passageiros. Na verdade, de acordo com o projeto inicial era pra ter quatro terminais. Como o primeiro foi construído lá pelos anos 70 e o segundo mais ou menos vinte anos depois, dava pra ver claramente a diferença de estilos entre um terminal e outro. As novelas mais antigas mostram muito o aeroporto quando era um terminal só. Hoje está tudo mais padronizado. O segundo terminal fez com que o primeiro mudasse um pouco de cara, mas ainda há resquícios dos primórdios do aeroporto do galeão.

Acho que antigamente só o Santos Dumont que servia a cidade do Rio. Me lembro, por exemplo, de Vargas frequentando o Santos Dumont. Já vi essa imagem em algum documentário. Assim como os aeroportos, os aviões também evoluíram e creio também que foi por isso a necessidade de se criar no Rio um aeroporto para atender a demanda maior de voos e principalmente os que venham de fora do país. Daí um aeroporto internacional no que dizia ser o seu padrão na época em que foi construído.
Uma coisa que me incomoda depois de frequentar vários aeroportos no mundo é o fato de os modais não se comunicarem. O que isso quer dizer? Qual o único meio de se sair do aeroporto sem ser de carro particular? Taxi, ou se você tiver paciência, ônibus. Grande parte dos aeroportos lá de fora te indicam não só esses meios de transporte, mas trem e metro também, ou seja, você pode sair como você desejar e a grande maioria opta por pegar um trem ou metrô.

Aqui tentaram com o tal BRT pro aeroporto internacional e o VLT pro Santos Dumont. A questão do BRT é só pra gente que tem o destino certo e que fica no itinerário do ônibus ou faz uma baldeação pra chegar ao local final. Já o VLT faz a ligação da rodoviáriado Rio com o aeroporto Santos Dumont. Acho interessante e esse caminho foi todo montado, formado, recuperado pros jogos olímpicos do ano passado. Vale a pena fazer esse trajeto pra conhecer o caminho. Mas ainda assim falta.

Por exemplo, uma pessoa que pegar o modal pra ir pra Copacabana teria que pegar o VLT no Santos Dumont, descer na Cinelândia ou Carioca e pegar o metrô até o bairro. Já quem chega pelo Galeão não tem essa opção. O BRT não vai até Copacabana. Só pagando o preço acachopante cobrados nos guichês que oferecem taxi pros passageiros do aeroporto. Me dá pena principalmente dos turistas que contratam esse tipo de serviço e nem sequer podem ter a opção de pegar um uber pra ter uma opção mais em conta e ficar refém mesmo da máfia dos taxistas que se amontinam no aeroporto atrás das suas presas fáceis.
          
          Tivemos uma evolução, não vou negar. Pelo menos uma opção a mais foi oferecida, mas ainda é pouco pra se chegar a um progresso mais digno e eficiente. Parece que ficou uma coisa mais cômoda, mais convencional mais um paliativo e vai se deixar assim por um bom tempo até que a cabeça de quem comanda esse tipo de transformação urbana, seja de que esfera for, não for iluminada pra facilitar o acesso a um bem público.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

BRINCANDO NAS ONDAS SONORAS

BRINCANDO NAS ONDAS SONORAS

Hoje estou a fim de fazer uma brincadeira que eu já vi sendo feita em chá de panela – ou seria de fralda – enfim, nesses encontros que a famíia faz quando uma mudança está por vir – ou um casamento ou uma criança, agora não me recordo bem.

A brincadeira consiste em pegar frases soltas no ar, ditas pelas pessoas sendo que uma tem o trabalho de anotar pra depois no final juntar todas elas e criar o que antigamente se dizia ser o samba do crioulo doido. No meu caso aqui e agora vai ser diferente. Não estou em nenhuma reunião nesse sentido, mas, como sempre tem uma música rolando enquanto escrevo, vou juntar trechos de várias delas pra ver que bicho que vai dar. Aliás, não são só as músicas, mas o que a locutora falar também. Acho uma brincadeira interessante, principalmente pra quem não sabe sobre o que escrever hoje, pra quem está com a síndrome da página em branco e não sabe sobre o que dissertar.

Vou começar. E os remédios pegam mal quando esquece do prazer. Agora tá tocando o refrão da música que eu vou pular até mesmo pra dificultar a identificação da música e não dá margem a futuros e possíveis processos caso os autores leiam isso e se irritem com essa proposta. Vamos a outra música.

Para realinhar as órbitas dos planetas. Derrubando com assombro exemplar. Essa a maioria conhece. Antes que eu visse você disse e eu não pude acreditar. Eu só queria te contar. Voltou pro início. Não vou repertir, mas descobriram de quem se trata? Seu telefone irá tocar. Eu só queria te contar. E a vida que ardia sem explicação. Não tem explicação. Essa foi fácil. Agora uma mais antiga.

Às vezes parece até que a gente deu nó. Você não vai me acertar a queima roupa. Hoje eu quero sair só. Não demora eu tô de volta. A lua me chama eu tenho que ir pra rua. Essa me faz lembrar exatamente onde eu tava da primeira vez que eu a escutei. No avião indo pra Miami e tocou num canal de musicas se não me engano chamado de new world. Década de noventa do século passado. Foi aí que eu conheci esse artista e comecei a descobrir mais composições dele. Agora a locutora tá falando.

Sorteio Silvana de Oliveira Leite ganhou ingresso pra gravação do Palco MPB com Fernanda Abreu. Agora vem o intervalo da programação. Continuo a brincadeira? Faço o mesmo com os anúncios? Por que não? Já que comecei vou até o fim. Vamos lá.

Venha curtir grandes shows da nova cena musical. Todo mundo ama Maria Gadu. Classicos MPB. As músicas que marcaram a sua vida  - programa novo estreiando agora. O ser humano tá na maior fissura. Down down down o high socity. A crise tá virando zona. Tem muito rei aí pedindo alforria. Alô, alô marciano. A coisa dá ficando russa. Alah. Música de Rita Lee na voz de Elis Regina. Pra variar estamos em guerra. E pensar que essa música continua atual.

Não adianta nem me abandonar. Já mudou de música. Que eu que dois que dez que dez milhões todos iguais. Mistério sempre há de pintar por aí. Que não sabe nada que morre afogada por mim. Voz, letra e música de Gilberto Gil. Até que nem tanto exotérico assim. Se eu sou algo incompreensível meu Deus é mais. Essa frase diz tudo.

Não sei como botar assovios no papel. Mais uma pra encerrar. Dessa eu não me lembro. Nossos bailes no clube da esquina quanta saudade. Será que algum dia ... cantar as canções que a gente quer ouvir. Sem querer fui me lembrar de uma flor e seus ramalhetes. Não sei de quem é letra, música e voz.


Também chega de brincar. Não foi exatamente igual até porque homem não liga muito pra esses tipos de brincadeiras, mas pelo menos tentei manter a chama do gracejo aceso, o espírito da brincadeira de um modo diferente, peculiar, inventado de última hora, mas mantendo, ou ao menos tentando o que se faz normalmente.

sábado, 8 de julho de 2017

FORA DE SÉRIE

FORA DE SÉRIE

Não sou chegado a seriados. Sei que é uma heresia dizer isso principalmente pra uma pessoa que trabalha na produção de um. Mas não acompanho nenhum deles. Não sei também até quando vou ser assim. Pode ser que eu me interesse por um ou outro como já aconteceu e assista em forma de maratona. Isso que me incomoda um pouco em acompanhar um seriado e esperar uma semana pra ver o capítulo seguinte. Por isso se eu não colocá-lo pra gravar continuamente tenho que ir na locadora e pegar a temporada pra assistir.

O primeiro seriado que acompanhei foi logo assim que a TV a cabo chegou em casa que foi o “The Nanny”. Depois passei a ver “Friends” que estava no auge da sua quarta temporada. Não sei se vi todas as temporadas, mas a sétima foi estilo maratona no dia de natal que eu passei em Londres quando a gente não tinha nada pra fazer, mas nessa altura eu já tinha parado de ver “Friends” também. . Um outro que me interessou e que vi via internet e depois via maratona foi o “Downtown Abby” que se passa no início do século passado em Londres e eu só vi até a terceira temporada faltando duas pra encerrar.

Com a lei que estipula uma percentagem para seriados nacionais na TV a cabo – creio que são trinta porcento – alguns canais investiram nas histórias tupiniquins. Um seriado nacional que eu acompanhei foi o “Magnífica 70”, exibido em treze episódios pela HBO na sua primeira temporada. E agora meu grupo de amigos está fazendo um cuja idéia nos foi apresentada em meados de 2015 e até maturar a idéia , criar os cinco primeiros episódios, adiquirir os equipamentos todos, começar a reunir as pessoas pra começar a realmente a gravar foi quase um ano. Isso porque estamos sem apoio, sem verba, sem patrocínio e andando com as nossas próprias pernas, aprendendo a cada dia de filmagem. Não temos estrutura grande como um estúdio ou uma cenografia a nossa disposição e dependemos de locações que a gente mesmo arruma. É tudo como se fosse um ação entre amigos, uma cooperativa onde todos no fim do processo ganham o que é cabido.  

Vai ser longo até tudo ficar pronto sim, vai ser demorado sim, mas vai ficar lindo e não vai deixar a desejar pra nenhuma dessas produções principalmente de nível nacional que a gente vê sendo exibida nesses canis a cabo. Vamos atingir desse patamar pra cima. É claro que a nossa intensão com a nossa série, o “Esquina 22” é também a exibição num canal desses ou até mesmo na própria Netflix. Aquele que quiser comprar por um preço que a gente achar justo e exibir na íntegra o conteúdo que estamos preparando será bem vindo. No entanto, em último caso temos um aliado em potencial que é o you tube. De qualquer forma, em algum dia, em alguma plataforma será exibido.

Os autores do “Esquina 22” que foram os mesmos da peça “Quem matou Laura Fausto?”, meus amigos, beberam muito na fonte de outro seriado chamado “Breaking Bad” e utilizaram como referência pra fazer alguns takes. Não somente, mas principalmente esse. Eu confesso que até o momento em que escrevo esse rascunho nunca vi sequer um capítulo desse seriado. Não me enchem os olhos os seriados de um modo geral. Os exibidos.


O “Esquina 22” é um causa, uma bandeira levantada, um projeto abraçado por mim também e um dos meus projetos de vida até ficar pronto, finalizado, editado e ser exibido. Depois não sabemos o que faremos se é que vamos fazer outra coisa nesse sentido. Não nos falta vontade e nem equipamento, mas vamos por etapas. Uma coisa de cada vez. Não adianta atropelar um projeto começando outro. Cada qual ao seu tempo.  

sexta-feira, 30 de junho de 2017

VIAJE BEM

VIAJE BEM

Uma das coisas que eu gosto de fazer e que me faz um bem enorme é viajar. Sinto um prazer enorme em fazer as malas e sair por aí, mesmo que seja pra ir pra São Paulo. Adoro a atmosfera que envolve esse evento apesar de não gostar muito de ficar no aeroporto. Por mim entrava direto no avião, mas como temos que cumprir certas normas é necessário chegar algumas horas antes e ficar por lá matando o tempo.

Eu já tive oportunidade de ir pra vários lugares do mundo. Tem uns que não faço questão de voltar, outros me sinto na obrigação de passar, mas tem inúmeros que eu ainda não conheço e quero conhecer quando tiver oportunidade . Alguns eu só passei algumas horas e conheci o básico do básico mesmo, sem me embrenhar nos locais como fazia os bandeirantes, mas deu pra visitar e conhecer alguma coisa.

Cada um investe seu dinheiro da maneira que lhe convém. Eu trabalho, junto e gasto viajando. Geralmente pra lugares que eu não conheço. A última viagem internacional que eu fiz ano passado, por exemplo, foi pra Copenhagen, na Dinamarca e pra Londres que é o lugar que eu faço questão de voltar pelo menos enquanto o Airton estiver por lá.

Da primeira vez que viajei pelo mundo ou por parte dele, selecionei três lugares pra voltar. Roma, Paris e Barcelona. Tive oportunidade de voltar a dois deles de modo que em Barcelona foi apenas aquela parada de um dia, mas em Roma não. Acho que foram mais dois ou três dias. Agora me falta Paris, mas entre voltar pra um lugar que eu conheço e desbravar um que eu nunca fui prefiro a segunda opção. Conhecer culturas novas, obter conhecimento, desvendar como um povo diferente e distante de você faz pra viver, ouvir uma língua totalmente diferente da sua, os hábitos deles é o que me instiga.

Sei que o mundo é enorme e tem uma quantidade de países que ultrapassa os duzentos. Nem todos me apetecem, nem todos são a minha primeira opção, principalmente os países asiáticos. Em primeiro lugar quero gastar todos os meus cartuchos, minhas possibilidades, meus euros com a Europa. Depois que eu fuçar todos os buracos europeus que eu tiver capacidade e coragem de ir aí sim eu mudo de continente e vou desbravar outro. Claro que tendo oportunidade não vou jogar fora. Se me pintar uma viagem pra Tonga parando no Japão é claro que eu vou, mas não vou economizar a ponto dessa viagem ser a minha primeira opção, o meu sonho de consumo.

Recentemente tem me batido uma vontade de voltar a viajar pros Estados Unidos pra ir na Disney. Já fui quatro vezes na de Orlando e uma na da Califórnia, mas isso já tem quase vinte anos e como muitos parques e brinquedos novos  abriram nesse tempo eu tenho que me atualizar. Confesso que os Estados Unidos não me apetecem hoje tanto quanto a Europa ou quando eu tinha os meus quinze anos que foi a minha primeira vez lá. As únicas coisas que me atraem lá atualmente, além dessa atualização da Disney são Nova York – que só fiquei uma semana e quero voltar porque não tive tempo de ver nada – e visitar minha prima Jana que mora lá e a última vez que fui pros EUA foi justamente pra visitá-la ainda quando ela morava no estado da Virginia. Hoje ela mora na Flórida. Isso faz sete anos já. O filho mais velho dela estava pra fazer cinco anos. Hoje ele tem onze com uma irmã de quase quatro.


Mas não adianta. Sempre que planejo uma viagem, a europa domina o mapa mundi dos lugares que eu não conheço e quero conhecer. Não sei ainda quando, mas preciso pensar no destino da próxima viagem e trabalhar pra juntar dinheiro pra poder ir. Enquanto junto vou vendo os locais e fazendo esquemas pra passar no maior número de lugares possíveis ou me fixar num ponto e explorar ao máximo possível o local.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

RAZÃO DO CORAÇÃO (publicado em 24 set 2007)

RAZÃO DO CORAÇÃO (publicado em 24 set 2007)

Quando eu era pequeno meu avô cantava uma música de não me lembro quem chamada “Aos pés da santa cruz”. Como grande maioria das canções da época, aliás, todas as épocas têm canções desse tipo, era uma música de fossa. Um dos versos dessa musica é de uma franqueza, sinceridade e verdade ímpar e que bem ou mal ministra uma área da nossa vida, a parte sentimental. Repara na veracidade desse verso: ‘O coração tem razões que a própria razão desconhece.’ Engraçado que tá me vindo outro verso de outra música que eu nem sei se tem a ver com que eu quero dizer aqui hoje, mas mesmo assim eu vou escrever. ‘Só se encontra a felicidade quando se entrega o coração.’ Esse é dá música “Tudo passará” interpretada pelo Nelson Ned.

Agora vamos tentar aproximar as duas. Se encontra a felicidade quando se entrega o coração que tem razões que tem razões desconhecidas pela própria razão. Muitas vezes, creio que no início das paixões arrebatadoras daquelas que a gente troca juras e jura que é para sempre, mesmo que dure uma semana, no entanto é eternizada, a gente entrega o coração com o único intuito de ser feliz e ele mesmo tracejando seus caminhos descobre uma razão que se a gente for parar pra pensar não tem uma lógica racional. Será que consegui me explicar?

Depois, com o tempo, a luz do convívio esclarece e assenta alguma coisa e a gente começa a pensar, ou não. Por isso que atualmente existem relacionamentos que eu acho válido e que eu apelido de ‘adicto em recuperação’. Sabe o lema de um ex qualquer coisa que diz ‘só por hoje eu não vou...’ Então, se encontra a felicidade entregando o coração só por aquele dia ou momento. E durante aquele curto período de tempo tem-se um ao outro. Isso é o que a juventude chama de ficar. Há pouco tempo também descobri que aqueles que formam o mesmo casal durante vários encontros são os ‘peguetes’ um do outro.

Relacionamentos sem compromisso que podem permanecer nessa constante ou se transformar em algo mais visceral, mais tesudo, por que não dizer, mais comprometido. Aí o amor muda sua configuração e toma outros rumos mais sérios, mais normatizados. Até alguns anos atrás eu pessoalmente não era adepto e nem sequer me atinava para esse tipo de relacionamento relâmpago. Mas depois, mal comparando, aliás, muito mal comparando, diga-se de passagem, percebi que um jogador de golfe reduz suas tacadas gradativamente, que um nadador só ganha depois de muito treinar e perder.

O risco faz parte do jogo da sedução. E como é um jogo se perde e se ganha. É raro uma pessoa entrar numa casa lotérica com seis dezenas e acertar sozinho na mega sena. Eu pensava que em se tratando de relacionamentos as prerrogativas eram diferentes. Agora tô percebendo que não e que não é tão mal ter relacionamentos relâmpagos. Não creias tu que saio por aí passando o rodo como se diz. Encontro sim a felicidade quando entrego meu coração a alguém mesmo que essa felicidade dure dez minutos. E não penso, ou melhor, não consigo descobrir a lógica da razão que rege meu músculo cardíaco. Quer saber, ficar livre, leve e solto é muito bom. Quando cansar é só se prender por um tempo ou para sempre.


O amor é um bem durável, no meu caso eterno, o que o transforma são as variações de intensidade que é irradiado pra cada pessoa. Acho que agora cheguei onde queria. E até que os trechos das músicas ajudaram a abrir um caminho, a traçar uma trilha, um ponto de apoio. Agora é só seguir os mandamentos do coração pra ser feliz. Bem, nesse segmento eu, por enquanto, to começando a me sair relativamente bem. O meu eu conservador deu o braço a torcer pro meu eu moderno, liberal. Vamos ver qual o outro setor que sofrerá com mudanças também.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

SAUDADE,QUANTO TEMPO FAZ

SAUDADE, QUANTO TEMPO FAZ

Tem dias que me bate uma saudade, uma nostalgia de um tempo que não volta mais. É um pouco redundante falar isso. Nenhum tempo volta mais. É igual água de rio que corre pro mar ou que move moinho.

Vontade de voltar no tempo e reviver dias e momentos que marcaram minha infância. Era feliz e não sabia. Acho que sou feliz ainda, mas se há felicidade pra  mim hoje eu só vou descobrir no futuro. Mais momentos que dias especificamente. Passávamos eu e minha turma do prédio brincando de pique durante intermináveis horas e gostávamos de ficar juntos curtindo essas horas.

Às vezes esse tempo está bem longe de mim. Sinto saudade dos velhos jornalistas. Aqueles que tinham como sua principal arma a máquina de escrever e dela saiam textos eloquentes e grandiosos que valorizavam muito o vocabulário que se utilizava nas páginas impressas e que circulavam nas bancas de jornal. As pessoas pareciam ler mais, serem mais instruídas, mais envolvidas em política e cultura. Atualmente é tudo muito superficial, nada se aprofunda, muito menos o vocabulário que jornais e revistas trazem nos textos das suas matérias.

Até o ano passado aqui em casa se assinavam duas revistas de grande circulação e eu as lia não por tomar partido das suas editorias, mas até mesmo pra argumentar e contrapor o que elas publicavam. Mas também depois que acabou o contrato da assinatura não sinto nenhuma falta em lê-las. Costuma-se comprar jornal aos domingos também. Desse escolho alguns cadernos e/ou colunas para lê-los, principalmente o de cultura. Talvez se eu tivesse vivido algumas décadas antes o meu interesse pelo jornalismo teria se aguçado mais. Mas também quem daquela época iria imaginar em que ponto da tecnologia da informação chegamos?

Nem eu na minha tenra infância com meus amigos do prédio em que morava imaginava que iria viver com aparatos só vistos nos filmes de James Bond ou de ficção científica. Homens nunca conviveram com dinossauros até Spielberg vir com o Jurassic Park. Robôs nunca tiveram sentimentos até o mesmo Spielberg vir com o Inteligencia Artificial. Filmes que se bobear vão ter o mesmo destino dos aparatos do James Bond, ou seja a realidade. Sinto saudade do tempo em que pokemon era só um desenho japonês chato e não um jogo viciante onde as pessoas saem com o aparelho de telefone celular em punho pra caçar em lugares reais os bichinhos virtuais.

Será que meus pais viam mal na gente quando passávamos algumas horas jogando atari. Acho que não porque inconscientemente sabíamos dividir o nosso tempo, coisa que não vejo o meu sobrinho mais velho fazer. Por outro lado o computador ou a tela do celular é a única distração que tem aqui em casa. Existem outras, mas que não enchem os olhos dele mais, como jogos ou brinquedos de montar.

Na minha infância a gente vivia mudando de fase. Tinhamos a fase da bolinha de gude, do buraco, do jogo de damas, do jogo da vida, do war e de vários tantos outros que nem passávamos perto dos jogos eletrônicos. Nossa prioridade era a socialização com nossos coleguinhas, ou melhor, com amigos que carregamos pro resto da vida. Não vejo meu sobrinho socializando com as outras crianças desse prédio aqui. Sinais dos tempos? Pode ser. Talvez seja por isso que a gente sente saudade de um tempo que não volta mais. De uma época que a gente considera de ouro. Das dificuldades que passamos antes de chegar a evolução da tecnologia e facilitar tudo.


Ninguém mais vai se lembrar de como se fazia uma pesquisa escolar no tempo em que as fontes eram ou a biblioteca da escola ou pra quem tinha em casa a enciclopédia Barsa. Principalmente agora nos tempos do google. Taí a única coisa que eu posso afirmar de que não tenho saudade, não me dá nostalgia.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

TUDO ERA APENAS UMA BRINCADEIRA

TUDO ERA APENAS UMA BRINCADEIRA

No filme “O mágico de Oz”, para Doroty, a personagem principal, voltar pra casa tem que bater os sapatos de rubi no calcanhar e repetir três vezes: “Não há melhor lugar do que o nosso lar.” Tudo foi um sonho que ela teve, uma espécie de visão, uma realidade que não era a dela, apesar de alguns conhecidos também fazerem parte da história que ela viveu. Eu faço uma analogia desse”sonho” com o teatro.

Quando a gente senta pra assistir a um espetáculo vivemos outra realidade que não a nossa. As vezes pode chegar perto e a gente se identificar com alguma coisa, mas não é a nossa realidade. As vezes pode até chocar e fazer com que você reveja alguns conceitos ou tenha mais convicção dos seus preceitos, mas o que está sendo encenado não é a nossa vida, a nossa realidade. Sabemos que aquelas pessoas existem em algum lugar, mas ali elas se demonstram pra gente. O teatro é mágico sim, mais do que o cinema que está tudo pronto. No teatro é ao vivo, é real, é ali, é agora, é efêmero, é divino. O bichinho do teatro há muito me mordeu. Sempre gostei de assistir e depois que eu voltei a trabalhar com, se um dia eu tiver que largar vai ser difícil me desapegar dele. Caso isso aconteça continuarei assistindo e acompanhando meus amigos em seus espetáculos.

É uma pena que num país como o Brasil que tem uma história e bagagem teatral antiga e enorme ainda não se valorize a arte de um modo geral. É difícil montar uma peça, lançar um livro, divulgar um trabalho musical, fotográfico, plástico, enfim, é difícil fazer arte no Brasil e mais difícil ainda que essa arte seja valorizada, receba o retorno que precise pra se manter viva e pulsante. Não dá pra ficar refém de um patrocinador, não dá pra depender de um empresa gostar do seu projeto e bancá-lo porque isso só faz selecionar o que vale ou não a pena para a própria empresa e não pra quem o teatro é de direito, ou seja, a população. Talvez seja por causa dessa política que achamos os ingressos caros. É um custo alto bancar uma peça de teatro, não só por cenários, figurinos, elenco, técnicos de luz e som como principalmente pelo alto valor dos aluguéis das salas de espetáculos particulares.

Eu fico imaginando na época das grandes companhias de teatro que se apresentavam de terça a domingo com duas sessões em alguns dias da semana e só viviam disso já que ficavam em torno de dois meses em cartaz e emendavam um espetáculo em outro sem parar. Claro que nessa época a concorrência era quase nula. Não havia televisão e muito menos internet. As pessoas se interessavam mais no que estava acontecendo culturalmente, politicamente no país. Eram outros tempos.

Atualmente os musicais tem crescido bastante. Abriu-se um gênero que valguns anos atrás eram só vistos e comentados por quem assistiam em Londres ou Nova York. Hoje existem escolas de teatro especializadas em formação de atores especificamente pra musicais. Nesse campo eu só fico meio cabreiro com os musicais ou importados ou biográficos. Acho que já está ficando maçante, mas mesmo assim apoio por ser feito pela gente e mesmo eles também tem sua magia, sua capacidade de entreter e quem sabe até modificar o interior de alguém que vai assistir.
           
          É preciso a coragem de um leão pra levantar uma peça e o enfrentamento com outros leões de bandos diferentes pra brigar por manter em cartaz. É preciso a esperteza do cérebro de um espantalho pra driblar todos os contras em chamar o público e convence-lo de que ali se vive uma vida, se conta uma história de valor. E principalmente é preciso o coração de um homem de lata pra amar esse ofício que é o de estar em cena e tudo que envolve pra que a cena aconteça. E se não há melhor lugar que o nosso lar certamente em segundo lugar não há melhor lugar que uma sala de espetáculos teatrais. 

sexta-feira, 2 de junho de 2017

ALERGIA, ALERGIA

ALERGIA, ALERGIA

Dizem que quanto mais a gente vai ficando velho, mais surpresa temos em relação ao que o nosso organismo mostra pra gente, ou seja mais doenças aparecem. Eu, por exemplo, descobri que tenho intolerancia a algum tipo de alimento que até agora eu não sei o que é.

Tudo começou no final da temporada de “7contra 1” em julho do ano passado. Foi só a temporada acabar pra começar a surgir pontinhos avermelhados pelo meu corpo. Os percebi na segunda, na terça assisti uma leitura dramatizada e na quarta baixei no hospital pra tentar identificar alguma coisa, inclusive se era zika. A médica perguntou até se eu tinha trocado recentemente de xampu.
No exame não acusou nada e ela me receitou um anti alérgico pra tomar por sete dias. Saí do hospital e passei logo na farmácia pra comprar e já começar a tomar. Ela também receitou outro pra caso começasse a coçar. Até coçava, mas não era aquela coceira fora do normal, desesperadora, tanto que esse nem comprei e nem tomei. Quando eu percebi que não estava amais pontilhado eu parei de tomar o remédio. Não cumpri o que a médica pediu. Tomei o remédio por  seis dias e não por sete, o que fez sobrarem quatro comprimidos na cartela e que eu guardei pra sorte minha.

Poucas semanas depois tornei a ficar com pontinhos avermelhados em algumas partes do corpo, principalmente pernas e tronco. Dessa vez não fui a lugar nenhum. Tomei os quatro comprimidos restantes do antialérgico, o suficiente pra que a tal alergia não evoluísse mais e começasse a regredir num ritmo mais lento. Talvez se eu tivesse tomado mais dois ou três comprimidos a involução teria sido mais rápida. Agora o que foi que provocou isso eu não tenho a menor idéia.

Eu me lembro bem quando foi a primeira vez que isso aconteceu comigo e não precisou nem de ir a médico pra diagnosticar. Foi uns quinze anos atrás e era véspera do batizado da Diana, filha da minha prima Livia. Fui comendo salaminho e quando vi a peça do embutido estava quase no fim. Na hora nada aconteceu, mas no dia seguinte acordei todo pipocado e coçando muito mais que dessas vezes. Eu só não me lembro o que eu fiz para sumir com os pontinhos avermelhados. Nunca mais tive problemas com salaminho e como sem pensar nisso. Esse foi o mais parecido caso que vivenciei frente a essa surpreendente alergia de alguma coisa que eu comi e não sei exatamente o que.

Toda vez que eu vou a algum médico, quando perguntado se tenho alergia a alguma coisa eu respondo penicilina. Segundo o que minha mãe conta, eu devia ter uns dois ou três anos e tive que tomar uma injeção de penicilina não sei pra que que me causou uma reação alérgica. Ela acha que se eu tomar hoje em dia é capaz de eu não ter reação nenhuma, já que se passaram quase quarenta anos, mas eu prefiro não me arriscar.

Outra coisa que eu evito é camarão. Não que eu seja realmente alérgico, mas parei de comer porque sempre que eu comia me dava a mesma sensação quando a casquinha do milho de pipoca agarra na goela. Não sei se isso é um tipo de alergia, mas que é uma sensação horrível isso é.


No final do ano passado eu comentei sobre a pedra na parótida, agora sobre essa alergia misteriosa. Qual será a próxima? Ou será que isso é a reação do organismo a como ele foi tratado durante minha vida toda e agora ele está querendo me dizer pra parar com alguma coisa, mudar alguns hábitos. Mas especificamente nesse caso o que foi que eu comi que me deixou assim? Será que eu tô ficando alérgico a alguma coisa que eu não era? Isso pode acontecer? Agora que passou tudo ainda devo consultar um alergista? Nossa, quantas dúvidas, quantas perguntas. Pelo menos nesse ponto eu não tenho alergia nenhuma e gosto de procurar saber.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

MEU MUNDO CAIU (publicado em 28 ago 2006)

MEU MUNDO CAIU(publicado em 28 ago 2006)

Uma decisão tomada essa semana por cientistas astrônomos do mundo inteiro e divulgada me deixou de queixo caído. A gente quando criança que começa a estudar e observar o mundo faz umas construções que depois ficam difíceis de serem derrubadas. Essa foi uma. Desde quando aprendi, creio que na 3ª série, decorei a ordem dos planetas no sistema solar. Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão. Depois ainda descobriram algo semelhante a um planeta que no caso seria o décimo, mas não concederam a patente de planeta pra ele, que nem me lembro mais o que era. Agora, decidiram que Plutão não é mais um planeta. Como assim? Só porque tá longe da Terra, ou tem um tamanho n vezes inferior ao planeta azul? Então por que o colocaram como planeta se as características que ele possui não dão o grau de componente do sistema solar? Pra mim Plutão sempre será o nono planeta do sistema solar, queiram ou não os cientistas desocupados que resolveram rebaixá-lo.

Seguindo essa linha de derrubada de mitos, tive medo de ir ao cinema e ver o filme do novo ‘Superman’. Sou conservador até na ficção. Na minha concepção o homem de aço é o Christopher Reeve que viveu o personagem em uma série de quatro filmes entre o fim da década de setenta e o início da de oitenta, ou seja, minha infância. Eu até acompanhava uma série chamada ‘Lois e Clark’ e uns poucos episódios do ‘Smallville’ que também falam do Super-homem pra linguagem da televisão. Mas no cinema, aquele ‘Superman’ é imbatível pra mim. Mesmo agora depois de morto. Fica até esquisito dizer que o Super-homem morreu, mas, obviamente, não é a personagem, mas o ator que a interpretou. Em maio de 95, após a queda de um cavalo ele fraturou uma vértebra e ficou tetraplégico. De lá pra cá se tornou cobaia em vários experimentos científicos, principalmente com células-tronco, mas infelizmente deve ter uns três anos que ele voou dessa pra melhor.

Mitos caem mesmo quando eles cientificamente não foram levantados. Outro exemplo é o olho. No curso que faço de pós-graduação aos sábados pela manhã, tem uma matéria que foi iniciada há duas semanas, abrindo o último módulo do curso, chamada Teoria da Imagem, que começou explicando o olho na sua parte fisiológica, o seu funcionamento físico e químico. E por conta dos cones e bastonetes que existem nele associados com a intensidade de raios incidentes nas superfícies dos objetos é possível – pelo menos foi isso que foi afirmado em sala de aula – distinguir a cor de cada objeto. Ou seja, a cor é só o reflexo da intensidade da luz de modo que uma coisa que se vê de cor cinza, por exemplo, não e cinza, e sim fruto da sua imaginação combinada com a física e química do seu olho. Pode ter uma explicação científica plausível, mas não me é convincente. Pra mim o cinza vai ser sempre cinza, o azul, o verde, o amarelo, o vermelho e qualquer outra cor, mesmo aquelas que eu não sei identificar, tipo fúcsia, serão sempre cores e não reação químico-física do meu olho.

O mundo está em constante transformação. Acompanhei a divisão do estado de Goiás em dois (Goiás e Tocantins) e os mais antigos acompanharam o mesmo com o estado de Mato Grosso. Isso eu aceito por que não houve a supressão de nada, apenas transformações, mas as terras continuam lá, do mesmo jeito que a Rússia para com a União Soviética, A Iugoslávia, para com a Bósnia, Sérvia, Montenegro e etc... Berlim para com a Alemanha.

            Mas tenha a santa paciência. Destituir Plutão do seu posto de nono planeta do sistema solar é uma sacanagem. Tudo bem que isso não vá interferir em nada na vida terráquea. Eu sou defensor ferrenho de Plutão. Ele não pode ser substituído, se é que tem outro planeta em vista para tal. Dizer que o mundo não é colorido, que tudo é fruto de efeitos físico-químicos também é demais. E esse ‘Superman’ não é convincente

sexta-feira, 19 de maio de 2017

SERIA SE NÃO FOSSE

SERIA SE NÃO FOSSE

Uma vez um amigo meu contou duas histórias engraçadas que fazem parte das situações anedotárias pelas quais ele já passou. Sabe aquele tipo de história que ninguém acredita se não se passa por elas? Pois bem ele passou.

Eu também já passei por várias, e quem não passa, sem contar parentes e amigos que também se encontram em situações cômicas, ou seja, todo nós temos no nosso consciente um acontecimento engraçado o qual já passamos e indubitavelmente nos pegamos rindo de vários deles quando pensamos nelas. A primeira que ele me contou foi uma história acontecida no carnaval.

Época propícia pra histórias desse gênero. Ele estava na fila do banheiro, já que além de ser um rapaz educado, não queria pagar multa por fazer xixi na rua e quando estava na vez dele se alivar, chegou o fiscal expulsando todo mundo do banheiro já que o mesmo estava virando um local de pegação e ele implorou pro tal fiscal que ele não tinha nada a ver com aquela sodomia toda e tudo o que ele queria era apenas dar uma mijadinha. Disse isso quase chorando tamanha vontade que ele estava e precisava se aliviar. Imagina você pedir pelo amor de Deus pra poder desaguar no lugar próprio pra isso por conta de meia dúzia de três ou quatro salientes que resolvem fazer das casinhas do banheiro locais de “fast foda” literalmente.

A outra que ele me contou foi que por uns seis meses da vida dele trabalhou num sex shop, talvez o único da cidade na época, quando esse tipo de loja estava chegando ao Brasil. De modo que esse fornecia material para as moças de vida fácil que atendiam no bordel de alta classe da ciade e o combinado entre a loja e o prostíbulo era de que se poderia devolver o material desde que não usado e lacrado em suas caixas ou plásticos de embalagem. Agora você imagina um amoça ou rapaz de aparência distinta entrando numa loja que era novidade, ou seja, todos gostariam de entrar mas poucos tinham coragem por conta do pudor e devolvendo mercadoria por falta de uso. Algo como:
- Olha! Vim devolver esse consolo porque minha cliente achou isso um exagero e ficou com medo que eu a penetrasse com isso.

Faço idéia do que ele não tenha passado e/ou escutado por ser um atendente vde sex shop. Se em um dia você pode presenciar fatos pitorescos noma loja desse tipo, imagina em seis meses. Eu nem chamo isso de gafe, já que existia um acordo. São situações cômicas, engraçadas pelas quais passamos devido a algum fator que nos levou a ela. Um exemplo disso é ficar preso no elevador por meia hora, se foi realmente isso, e ficar com mais quatro amigos esperando por alguma solução como aconteceu comigo, com esse meu amigo  que passou por essas situações descritas acima e mais três amigos na chegadas à festinha de encerramento da temporada de um espetáculo que fizemos em julho do ano passado.

Eu mesmo já passei por várias situações cômicas como ser convidado a entrar de penetra em um aniversário e como se não bastasse aí sim cometer a gafe e dar os parabéns pra pessoa errada. Já contei essa história aqui em algum lugar do passado. Acho que os grandes gênios das situações cômicas já nos deixaram. Grande Otelo, Oscarito, Mazzaropi, Golias, Chico Anísio, Walter D’Ávila, Max Nunes... Em suma, os gênios do humor no país desde o tempo de ouro do rádio. Esses sabiam divertir todos que os ouviam/assistiam passando pelas situações mais engraçadas e/ou contando histórias tão ou mais engraçadas quanto as que eu citei acima.


A vida não seria boa se só vivêssemos e pensássemos nas tragédias. Esses tipos de situação pelas quais passamos fazem o equilíbrio com o que o mundo nos apresenta, com o que o mundo nos faz viver. Como canta o palhaço “pra viver é melhor sempre rir”. 

domingo, 14 de maio de 2017

QUAL É A MÚSICA

QUAL É A MÚSICA?

Tem uma música dos Mutantes que diz “Posso perder minha mulher, minha mãe desde que eu tenha o meu rock and roll.” Isso significa que nada é mais importante do que a música. No caso dos Mutantes, por eles fazerem o rock’n roll, esse era o tipo de música que eles não viviam sem. A música realmente dá vida ao ambiente.

Eu enquanto estou escrevendo essa postagem assim como noventa e cinco porcento das outras escuto uma música. Ligo na rádio de minha preferencia e deixo rolar a programação até eu terminar de escrever. Se não é rádio é um disco ou um canal daqueles de música da tv a cabo, mas sempre deixo as ondas sonoras penetrarem nos meus tímpanos. No banheiro tenho um rádio pendurado no cano do chuveiro pra toda vez que eu vou demorar um pouco lá, liga-lo. Quando entro no carro umas das primeiras coisas que eu faço é ligar o som.

Música é um meio de comunicação e assim como um livro, um filme ou uma peça de teatro ela pode te alegrar, te entristecer, provocar algum tipo de sensação, te reportar pra algum lugar ou apenas te divertir. Atualmente tá cada vez mais difícil rotular um gênero musical. Não existe uma definição nítida de que música representa esse ou aquele seguimento. Claro que uma vez rotulado, por questão de catalogamento nas lojas que ainda vendem disco, tal cantor vai ser sempre parte daquele seguimento, mesmo que a proposta não seja mais aquela.

O gênero MPB, por exemplo, abrange muita coisa. Tenho pra mim que esse rótulo foi criado lá pelos anos sessenta, na época dos grandes festivais quando os chamados populares ouviam canções de Chico, Gal, Caetano, Gil, Bethania, Elis dentre tantos outros que levantaram e criaram essa bandeira da música popular brasileira. Quem atualmente rotula isso? Dos anos sessenta pra cá tanta coisa mudou. Hoje cada um pode produzir o seu disco no computador de casa, gravar um clipe também caseiro, colocar no you tube e virar um sucesso sem mesmo que esteja amparado por nenhuma gravadora.

Aliás, ainda exite gravadora? Existe, mas o processo não é mais o mesmo. Contrato mesmo só com um ou outro, tipo Ivete , Caetano... A grande maioria abriu sua própria gravadora e se utiliza das grandes pra parceria na distribuição, caso as próprias não consigam por si só, pela sua real independência. Essa evolução acabou com programas tipo o do Chacrinha, cujos artistas iam lá pra cantar seus lançamentos e sucessos. Hoje tudo se encontra na internet. Assim como a música te faz viajar, eu acho que fiz o mesmo falando sobre isso tudo.

O fato é que a música nunca vai deixar de existir, mesmo que modifiquem seus métodos de produção, de divulgação e por que não dizer também de execução. E enquanto existir música vai existir avivamento de ambiente independente do astral da música. Não haveria som se não houvesse o silêncio como canta o Lulu Santos, e não há melhor tipo de som do que um harmonioso , melodioso e até hipinótico como a música. Por mais que eu não goste de alguns rótulos, por mais que eu não consuma certos seguimentos acho que há espaço pra tudo e pra todos. Aqueles que conseguirem se manter vão se eternizar.

             Garanto que tem muita gente que deu as caras nos anos sessenta que ninguém sabe quem é ou por onde anda. Quando a música é boa e o artista que o suporta também tem qualidade o tempo vai se encarregar de perpetuar e eternizar o seu trabalho na memória de todos . Assim como tem gente que está em voga hoje e que daqui a alguns anos ninguém vai saber quem foi. As vezes conseguem emplacar um sucesso, tentam um segundo mas não passa do terceiro. De qualquer modo se agarram na música, tentam com ela e nela ficam, mesmo que ninguém as ouça.