sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

FIM

FIM

Não é assim que se terminam os filmes que assistimos no cinema, caso eles não tenham uma continuação? The end no caso dos americanos. Então, nós também chegamos ao fim. Esse sim é o último e derradeiro. Estou fechando a conta e passando a régua. Dessa postagem em diante nem adianta voltar aqui que não haverá mais novidades.

Claro que não posso dizer que isso é definitivo. Nada é definitivo. Nada é pra sempre. A única certeza que nós temos na vida é a de que algum dia iremos morrer. E hoje esse espaço aqui termina por questões ditas nas primeiras postagens desse ano.

Era uma tradição minha que esses dois últimos textos, das semanas do Natal e Réveillon fossem ‘ao vivo’, ou seja assim que eu os escrevesse imediatamente os postasse. Esse, por ser o último ano – e esse por ser o último texto – vai ser um pouco diferente. Sim, de todos os textos postados aqui durante o ano, esse que você lê agora é o único realmente escrito esse ano e o escrevo uma semana antes do Natal, dia 18 de dezembro, pra ser mais exato, e se não me engano a postagem está programada pro dia 29 de dezembro.

Apesar de não postar mais nada nesse espaço, não vou me desfazer dele imediatamente. Quem quiser, se interessar em ler, reler alguma postagem minha, o blog ainda vai ficar disponível pra isso pelos próximos quatro meses, ou seja, até fim de abril. Assim como estou me desfazendo do blog, penso também em me desfazer do facebook, e caso isso aconteça, o próximo dezembro é o mês limite pra isso, mas ainda tenho um ano pra me decidir. Hipótese cogitada. Gosto muito do Instagram. Cheguei a fazer um pra mim, mas depois desativei. Agora estou com tudo lá. Pode ser momento paixão com o universo novo, mas pensei também em adicionar meus amigos do face no insta, mas nem todos tem e/ou mexem nos dois. Isso e muito mais coisas tem que ser levadas em consideração pra definitivamente me desfazer do facebook.

Confesso que esse ano de 2017 não foi bom, mas deu pra levar. E apesar da falta de uma boa perspectiva pro próximo ano, não podemos parar e muito menos desistir. Mudar o foco é válido quando o anterior não motiva mais você. Mas antes disso acho que se deve utilizar de todas as armas pra que não se perca o foco. É bom mudar de ares de vez em quando até mesmo pra oxigenar aquilo que não consegue se desenvolver.

Eu tenho um desejo pra 2018 que não vou revelar aqui justamente pra que a esperança dele se realizar, apesar de eu achar um pouco remota, não se esvaia com o vento. Só não sei quais caminhos que devo tomar pra que esse sonho se forme e concretize. Sonhos, desejos, gratidões... essa é uma boa hora pra refletir, respirar fundo e se preparar pro ano que está pra chegar. Renovar energias e esperanças pro próximo ano. O que está por vir, o que nos espera, o que esperamos dele são perguntas que ao longo do ano serão respondidas.

E por aqui eu fico. Na esperança, na expectativa do que está por vir e com uma enorme gratidão pra quem por uma ou inúmeras vezes entrou nesse espaço e perdeu um pouco do seu precioso tempo lendo esses escritos que eu ousei em colocar aqui. Aprendi muito nesses anos todos de blog e compartilhei mutas coisas com vocês. Uma vez alguém me disse que nesse espaço aqui eu sou bem eu, desprovido de qualquer envólucro ou armadura, o que é verdade. Mas a gente tem que saber a hora de ir embora e sinto que essa é a minha hora. Vou sair desse espaço aqui pra ocupar outros de outras formas e em outros momentos e movimentos que estão por vir.


Meu mantra vale pra qualquer momento e é o que eu desejo pra todos. Sorte, saúde, sucesso, grana e milhões de alegrias. Um Feliz 2018, 19, 20, 21, 22... e mais uma vez e sempre o meu muito, muito, muito obrigado pra todos vocês.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

INÍCIO, FIM E MEIOS (publicado em 8 dez 2014)

INÍCIO, FIM E MEIOS (publicado em 8 dez 2014)

No final de 1865 havia um impasse nos Estados Unidos. O país estava numa guerra civil sangrenta, a chamada Guerra de Secessão, onde o sul era escravocrata e o norte com o regime livre. Quem estava sentado na cadeira mais importante do mundo era o 16º presidente americano Abraham Lincoln que havia dois meses tomara posse do segundo mandato do cargo. Numa tentativa de solucionar esse problema que já se arrastara desde o seu primeiro mandato, Lincoln propôs e enviou pro senado e pra câmara dos deputados seu projeto da 13ª emenda à carta magna daquele país.

Aprovada pelo senado, era a vez da câmara votar essa polêmica emenda. O texto dizia que a partir dali a escravidão estaria abolida definitivamente em território americano. Os estados do sul logicamente foram os que mais se opuseram a essa proposta, pois eles eram altamente dependentes da mão de obra escrava e não sabiam lidar com outro tipo de regime. Por meios não muito coesos Lincoln conseguiu fazer com que a emenda fosse aprovada. Os deputados que a princípio eram contra, representantes do sul, mudaram de ideia quando a eles eram oferecidas algumas vantagens, seja em dinheiro, seja em cargos ou em favores. Eles foram coagidos a mudar seus votos em troca de algo.

Cerca de 150 anos depois essa prática ainda é vigente, ou seja, a política não evoluiu muito nesse tempo. Aqui no Brasil então isso parece mais um câncer em metástase e sempre que se acha que não pode piorar, há a desgraça. A base aliada do governo pouco se lixa pro plano que esse traça pro país, só interessado no seu quinhão. Ninguém mais tem a consciência do que está fazendo quando se vê que pode tirar vantagem daquilo, principalmente pra enriquecer ainda mais. E quanto mais se aprova leis, mais brechas, mais lacunas são abertas pra que eles fiquem blindados.

Não estou defendendo o que Lincoln fez, mas dadas as circunstâncias, foi a única maneira dele defender a ideia encrustada na própria constituição americana de que a os estados Unidos era o país da liberdade. Foi pra defender a carta magna daquele país que ele se utilizou de meios escusos pra fazer valer o que estava escrito. Aquela velha história do escrever certo por linhas tortas. A guerra não acabou de imediato e pouco mais de dois meses depois de promulgada essa 13ª emenda, Lincoln foi assassinado.

Essa história está muito bem retratada no filme de Steven Spielberg com grande atuação de Daniel Day Lewis no papel do presidente. Tem uma frase quase no fim do filme que sintetiza tudo: “A maior medida do século XIX, aprovada com corrupção, apoiada e promovida pelo homem mais puro dos Estados Unidos”. Ao contrário dele, aqui ninguém põe a nação num grau de importância suprema. Nossos representantes não nos representam. Nada é feito diretamente direcionado ao povo brasileiro, não há interesse político em dar no mínimo o básico com qualidade.

Sempre digo que há uma lei que atravanca o progresso no nosso país. É a conhecida lei de Gérson que diz que o brasileiro quer levar vantagem em tudo. Que vantagem Lincoln levou ao corromper uma dezena de deputados? Estes sim tiveram uma vantagem. Entraram pra história e acho bem provável que a votação a favor da 13ª emenda sobressaiu ao gesto de serem corrompidos, ou seja, fizeram o bem pra nação. Se não fossem eles, seriam outros, mas a imposição da Casa Branca em acabar com a guerra e/ou a escravidão se daria de forma não muito diferente.


Anos levaram pra que um negro ou uma mulher pudessem votar, por exemplo. Cem anos depois os negros começaram a sua luta pra que esse ranço fosse apagado e a prova maior foi o Obama ter sentado na mesma cadeira que Lincoln. Eu não mudo o meu discurso de que um erro não justifica o outro, mas, depois de ter assistido ao filme, depende muito do fim pra que esse justifique os meios. 

sábado, 16 de dezembro de 2017

DEUS ME PROTEJA

DEUS ME PROTEJA

Uma curiosidade que eu vivi na Dinamarca foi a de ter ido numa igreja. Na verdade fui a duas em Copenhagen, mas como turista, pra conhecer, tirar fotos e tal. Essa em específico que eu estou falando foi com atividade eclesiástica.

Uma vez o Airton me levou em uma em Londres onde assistimos a uma palestra e depois nos reunimos em grupos pra discutir sobre o assunto palestrado. Foi interessante também. Pude acompanhar uma atividade que eles mantem lá uma vez por semana e com direito a jantar por cinco libras. Já nessa de Aahus, na Dinamarca, era bem diferente. Por fora a construção era realmente a de uma igreja como a gente conhece, mas por dentro era bem clean, branca mesmo, só com as cadeiras e sem imagens de santos. Isso foi o que me chamou mais atenção. Não lembro se a que eu fui em Londres tinha imagens de santos também, acho que não, mas isso faz tanto tempo que não tenho como precisr esse detalhe.

Essa descaracterização da igreja como a gente conhece me deixou com uma pulga atrás da orelha se de fato era uma igreja católica ou não. Tudo indicava que sim, inclusive o cemitério atrás dela. Eu e meu amigo estávamos dando uma volta na cidade, ali pelo litoral e marina de Aahus quando fomos a igreja pra depois continuarmos o passeio até a hora de eu pegar o ônibus pra voltar pra Copenhagen pra poder embarcar pra Londres. Ele costuma frequentar essa igreja aos domingos. Talvez não naquela hora em que fomos, pois estava tendo uma cerimonia de batizado. Sim, igreja cheia, várias famílias e algumas crianças.

Outra curiosidade que atiçou aquela mesma pulga foi que quem ministrava essa cerimonia era uma mulher vestida com uma capa preta, se não me engano, e uma gola elisabetana. Sabe aquelas sainhas de bailarina de filó que fica armada e redondinha. Pois era uma dessa que a ministra usava em torno do pescoço. Não tenho ideia de como são as normas eclesiásticas da Dinamarca, mas isso me chamou a atenção. Ela fazia de tudo, nem o que a gente conhece como coroinha tinha pra ajudá-la. Realmente fiquei surpreso com isso. Chegamos com a cerimonia começada. Meu amigo me deu um livreto pra que eu acompanhasse a missa, ou seja lá o que aquilo era. Como se meu dinamarquês estivesse tinindo. A única parte que eu participei, foi quando nos levantamos pra rezar um pai nosso. Claro que eu rezei em português. E saímos no meio de uma das canções pra não atrapalhar mais a celebração.

Gostei dessa experiência. Uma igreja clean, simples, branca, um altar não muito cheio de coisas que estava tendo um batizado dinamarquês ministrado por uma mulher. As vezes esse tipo de experiência é mais válida do que uma visita a um ponto turístico. Claro que uma não descarta a outra, mas viver o dia a dia de um local é muito mais agregados do que conhecer um local que sempre vai estar lá pra se visitar. Você pode não não voltar pra esse lugar e por isso visita o ponto turístico, mas realmente não é meu foco. Eu até vou pra um ou outro de vez em quando pra não perder a oportunidade, mas vivenciar a cidade é muito mais engrandecedor, pelo menos eu acho.  

Quando vou pra Londres já estou acostumado a vivenciar a cidade e procuro sempre ficar na casa de um amigo ao invés de um hotel. Sei que isso tem seus prós e contras, mas prefiro vivenciar o dia a dia e os afazeres de alguém que mora na cidade que visito do que fazer meu próprio roteiro e horário ao ficar num hotel. Claro que pra que isso aconteça eu tenho que concordar em fazer várias concessões, mas isso não é problema pra mim porque sei que é por uma temporada curta de alguns dias.


Experiências, vivências, sensações, essas nunca vão tirar de mim. Cada um que fizer isso vai ter as suas próprias e é isso que eu gosto de consumir numa viagem. São essas coisas que ficam e que marcam o meu interior, esse é o meu tipo de consumo. 

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

COMPRAS BRITÄNICAS

COMPRAS BRITÂNICAS

Sempre que vou pra Londres eu cumpro a minha lista de compras. Não sou uma pessoa consumista, mas tem coisas que eu só compro lá. Tenho que fazer o meu ritual, ou melhor, minha peregrinação por algumas lojas.

Todas as minhas meias e cuecas, por exemplo, são de lá. De uma loja bem barata e pelo visto administrada por indianos que é a Primark. As pessoas de lá não enxergam essa loja com bons olhos, acham que as roupas vendidas lá são descartáveis, que duram muito pouco. Realmente é uma loja pra se comprar em quantidade que é muito barata. Se você não liga pra marca de roupas assim como eu essa loja é ideal. Toda vez que eu vou pra Londres eu tenho que trazer no mínimo cinco cuecas e cinco pares de meias.

Outra coisa que não consigo deixar de trazer são os discos. Eu sou daqueles que ainda compra discos e se deixar fico horas numa loja desse gênero, o que está ficando raro atualmente. O Airton, por exemplo, achava que todas as lojas da HMV já tinham fechado. E olha que deviam ter umas três ou quatro só na Oxford Street, mas para a minha alegria isso ainda não aconteceu. Fico perdidinho quando entro lá. Vou pra parte de discos e me distraio com o que vejo. No entanto o que eu compro lá são coletâneas e geralmente os 100 hits de alguma coisa e na promoção de duas por dez libras. Como cada uma vem com cinco discos de vinte faixas cada, na verdade trago dez discos por dez libras e fico ouvindo e curtindo por um tempo até ganhar ou comprar outro, afinal são dez discos pra serem escutados. Depois de um tempo eles vão pra caixa onde estão todos os outros que já tiveram sua fase de vitrola também.

Dessa vez foram os 100 hits mais cool que eles chamam, músicas que tocam na sala de espera do dentista. Ou como eles mesmos rotularam são as cem músicas suaves essenciais. Não que eu esteja denegrindo quem fez a seleção musical, pelo contrário, tanto que eu comprei e gostei, mas é o estilo de música que toca num tipo de estação de rádio e que geralmente a gente escuta em sala de espera de consultório médico. São músicas  cantadas por Frank Sinatra, Tonny Bennet, Andy Wiliams, Mel Tormé, Nina Simone, Bobby Darin e Henri Mancini, por exemplo. Já os outros 100 hits são de musicais. Claro que na seleção não entraram todos, mas tem músicas de Cats, O fantasma da ópera, Os miseráveis, Evita, Oliver!, Grease, Miss Saigon, Chicago, Noviça Rebelde entre outros. Eu vou sempre correr atrás dessas coleções enquanto tiver sendo vendidas nessa loja. Pra quem gosta de vinil, filmes e camisas de temas lá é uma loja ideal pra se comprar.

Outra coisa que eu não saio sem de Londres é da minha calça jeans. Todas que tenho aqui comigo vem de lá. Dessa vez fiz um repeteco, mas valeu a pena. Calça Pierre Cardin por pouco mais de dez libras. Só que dessa vez eles só estavam vendendo o par, ou seja tinha que ser duas por vinte e uma libras. Mesmo assim vale a pena. Onde por aí se encontra um calça de marca e qualidade boa por esse preço. Ali em cima disse que não ligava pra marcas, e não ligo mesmo, mas também não sou tão estúpido de perder uma oportunidade como essa.


E pra finalizar, a cozinha. Guloseimas que não encontro aqui. Dessa última vez nem lá encontrei, apesar de estar chegando aqui o chocolate Kit Kat Dark, mas ainda assim é mais barato comprar em grande quantidade por lá e trazer. Dessa vez não deu. Na loja em que eu compro isso não tinha no estoque deles pelo menos no dia em que fui. Club, que tem de outros fabricantes também é um biscoito com uma pequena camadinha de creme de hortelã por cima e coberto por inteiro de chocolate. Irresistível pra mim. E o jaffa cake que é um pão de ló com uma geleinha de laranja em cima e mais por cima ainda uma cobertura de chocolate. Fora, enquanto tiverem idade pra tal, um brinquedinho pra cada um dos meus sobrinhos. Não saio de Londres sem isso tudo.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

CORTINAS LONDRINAS

CORTINAS LONDRINAS

Uma das coisas que eu mais gosto de fazer é ir ao teatro e outra é ir pra Londres. Quando se vai ao teatro em Londres então, une-se o útil ao agradável e é a melhor sensação que alguém pode ter. Eu tenho o privilégio de fazer isso de vez em quando. E não vou a grandes musicais que estão em cartaz nos grandes teatros de lá. Pra falar a verdade nunca fui a um musical fora do Brasil. Mas agora sei que exitem peças que cabem perfeitamente montá-las em palcos brasileiros.

Cheguei em Londres numa madrugada de domingo pra segunda e na terça já fui ver Underneath que pelo que eu entendi é a história de um defunto contando alguma experiencias de vida e de morte dele. Na quarta foi a melhor surpresa da viagem. Buried child (Criança enterrada), um texto do Sam Shepard interpretado por um elenco de sete atores encabeçados pelo Ed Harris e conta a história de um neto que com a namorada vem visitar os avós alguns anos depois e não é reconhecido pela família e daí surge o conflito. Esteve em cartaz num teatro na Trafalgar Square durante um bom tempo. A Glen Close também estava em cartaz com Sunset Boulevard, mas essa infelizmente eu não fui ver apesar de ter gostado muito do filme. Não sei se Buried Child se transforomou em filme também como a outra peça desse mesmo autor que fomos ver outro dia, mas logo falarei dela. Essa da Criança Enterrada é uma que eu vejo sendo montada aqui no Brasil. Na saída até fiquei comentando quem seria o Ed Harris brasileiro e nos veio um nome em comum, o do Francisco Cuoco.

Vamos por partes. Na quinta feira foi a vez de The Fucking Man, a história de um garoto de programa que acaba se envolvendo com filme pornô. Eu fui assistir essa com uma expectativa que não se concretizou. Pensei que ela fosse mais pesada, mais pornográfica e não foi nada disso. Apesar do tema foi bastante sutil. Na sexta foi dia de folga. Foi o dia em que o Airton resolveu não sair de casa e eu fiquei com ele vendo filme via you tube. Sábado foi dia de prestigias Frederico Garcia Lorca em Bodas de Sangue num espaço novíssimo que havia sido inaugurado vinte dias antes chamado Teatro Cervantes e por curiosidade essa peça também era exibida em espanhol, dependendo do horário e do dia da apresentação. Essa provavelmente já foi montada aqui no Brasil, apesar de eu nunca ter visto uma montagem aqui. Mas a Flávia, minha amiga, disse já ter feito essa peça em algum momento da carreira dela.

Domingo foi dia de fazer outro passeio que gosto muito lá. Andar de bicicleta. Foi o dia em que aproveitei pra ir fazer algumas compras em Nothing Hill. Tudo de bicicleta. Eu adoro. E segunda pra fechar a programação teatral dessa viagem outra peça de Sam Shepard, essa já tem um filme com ele próprio fazendo um dos personagens isso década de oitenta. Fool for Love que em português foi traduzido como Ligaçoes Quentes e que, de acordo com o wikipedia, conta a história de May que é uma mulher que tenta fugir do passado, e mora e trabalha num hotel decadente. Após um longo período, ela é encontrada por Eddie, um homem com quem tivera um relacionamento conturbado no passado.


Conseguimos assistir a essa maratona de peças graças a uma associação a qual o Airton faz parte chamada Audience Club. Quando eu entrei pra faculdade eu fui sócio da Câmara de Arte, que tinha mais ou menos essa mesma vantagem. Não me lembro direito como era feito aqui, mas lá se paga uma anuidade pra participar desse clube e cada vez que se marca pra assistir a uma peça paga-se uma pequena taxa equivalente a seis libras, ou seja, mais ou menos trinta reais por peça, seja ela qual for. Por isso que os musicais não entram nessa lista. Ou quando entram, pelo que o Airton me falou, é só pra algumas sessões especiais logo que estreia. Mas ainda terei oportunidade de assistir a um musical grande, desses que depois montam aqui, lá também. Quem sabe na próxima.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

UMA PUXA A OUTRA (publicado em 23 jan 2013)

UMA PUXA A OUTRA (publicado em 23 jan 2013)

A cada dia que passa, a tecnologia avança, isso é fato. Os tempos mudam de geração pra geração. E creio que a minha, ou seja pessoas nas faixa entre trinta e quarenta anos fazem parte de uma espécie em extinção. Pegamos a guinada mais brusca. Em poucos anos pulamos da maquina de escrever pro computador.

Me lembro que pra fazer qualquer tipo de pesquisa escolar tínhamos que utilizar as enciclopédias. Eram volumes e mais volumes de livros que abríamos a ponto de conhecer mais profundamente sobre o assunto abordado. Barsa era a mais famosa.

Com o acesso aos computadores  pessoais – inclusive estou utilizando um pra poder redigir esse texto – e principalmente com a chegada da internet, também sendo acessível a uma grande parte da população, a palavra enciclopédia perdeu seu espaço e atualmente ao invés de falarmos “consulte a enciclopédia” dizemos “põe no Google”. A facilidade com que pipocam links falando do tema que se quer pesquisar é enorme. E o mais engraçado é que você pode se auto pesquisar. Eu, por exemplo, achei vários homônimos de nome de guerra. O que tem de Rafa Barcelos com variações próprias (nome e sobrenome diferentes) não está no gibi. Outra expressão que está em desuso.

Será que as crianças de hoje em dia sabem o que é gibi e/ou lêem algum? Eu me lembro que lia alguns da Turma da Mônica, mas colecionava mesmo o gibi dos Trapalhões. Pra quem não conhece, ou não se lembra, Trapalhões era um programa de TV humorístico que era exibido aos domingos ás sete da noite e que tinha como espinha dorsal Didi, Dedé, Mussum e Zacarias.

Por falar nisso a espinha dorsal mudou de nome? Porque alguns pedaços do corpo humano andaram trocando de nome também, principalmente as que tinham nomes de gente como a trompa de Eustáquio, no ouvido e a de Falópio que virou apenas uma tuba uterina.

Tuba também foi um instrumento que um dia fez parte de uma orquestra. Era de sopro, pesado e você praticamente tinha que vesti-la pra poder tocar. Meu primo teve um amigo que tocava tuba. Até fez parte de uma banda que já ganhou o título de melhor banda escolar do mundo, cujo maestro veio a falecer ano passado com seus mais de noventa anos. Eu cheguei a ir na sala dele uma vez pra tentar tocar saxofone.

Tenho um amigo, o Samuca, que comprou o sax dele lá em Londres mas só depois de voltar pro Brasil começou a dedicar um tempo a mais pros estudos do instrumento e hoje ele toca na banda da cidade dele, Graças a sua admiração pelo grupo Kid Abelha e em particular pelo saxofonista da banda, o George Israel.

Israel por sua vez é um território judeu criado depois da segunda guerra, mas que por ficar no oriente médio é cercado de muçulmanos por todos os lados.

Lados eram o A e o B de qualquer disco de vinil ou fita cassete. Para fins de lançamento, existiam os compactos simples com uma faixa em cada lado e o duplo com duas em cada lado antes mesmo de sair o disco de vinil. O Samuca tem o primeiro compacto do Kid Abelha autografado por quem participava da banda até então.

Várias foram as bandas que surgiram juntas com o Kid Abelha mas poucas sobrevivem até hoje. De qualquer forma, pra se saber, se ter idéia ou até mesmo ver, escutar e sentir o que erma essas bandas não precisa ir muito longe. Só botar no Google ou acessar o You Tube que pode se ver grande parte delas.

De algumas bandas desfeitas saíram músicos que hoje são conhecidos como o Paulinho Mosca – que agora se assina somente Moska – e que tinha uma banda chamada Inimigos do Rei cujo grande sucesso era uma música de nome “uma barata chamada Kafka".


Kafka foi... Quem foi Kafka mesmo? Vou consultar minha enciclopédia.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

EMBARCANDO NAS COMPRAS

EMBARCANDO NAS COMPRAS

Uma coisa que me deixou impressionado e percebi que é uma tendência mundial é a shoppinglização dos aeroportos. Sei que essa palavra não existe e nem tô aqui querendo criar um neologismo, mas chega a ser assustador.

Todo e qualquer aeroporto que são abastecidos com voos internacionais agora parecem grandes shopping centers com as marcas que são vendidas e consumidas nos free shoppings da vida. Além disso as lanchonetes e restaurantes que são abertos dentro do aeroporto podem fazer o passageiro perder o voo. E o mais estranho é que é um novo mundo que se abre pra você. Vou tentar explicar isso melhor.

Se você leva alguém no aeroporto, se despede dele por lá, dá as costas e volta embora não sabe o que acontece com a pessoa que embarca. Primeiro que está ficando tudo automatizado. Pra sair da área comum do embarque e entrar pro reservado agora tem que encostar o seu bilhete de viagem no leitor ótico pra se abrir a porta da esperança e você passar pra próxima etapa. Esse bilhete de viagem você só pega no balcão se você quiser. Agora existe o totem onde você escaneia o seu passaporte e imprime o seu bilhete. No balcão você só passa pra despachar mala caso haja necessidade. Se só tiver levando mala de mão o problema, se houver vai ser com a segurança.

Convergendo o ponto, a partir da passagem pela porta da esperança vem a etapa do streaptease. A hora em que se deve colocar tudo que tem a possibilidade de apitar na bandeja e passar pelo raio-x. Desse ponto em específico até o seu portão de embarque o que se vê é um temendo shopping center com todas as lojas vendendo todas as coisas que se pode comprar de última hora antes de embarcar. É difícil eu fazer isso no aeroporto de embarque. De desembarque também, a não ser que haja uma encomenda que eu não tenha conseguido achar ou que me pedem de última hora como foi o caso de um perfume em específico que eu não achei e nem tive tempo de procurar em Londres e tive que comprar no aeroporto de Heatrow. E em São Paulo, por ser o ponto de entrada do meu vôo e eu ser obrigado a fazer a alfandega lá, ao sair do avião fui pra esteira retirar minha mala e logo depois vem esse espaço enorme cheio de mercadorias. Tinha outra encomenda que era comprar uma caixa de uísque e foi o que fiz. Dali a gente passa pela receita federal e sai no saguão.

Da outra vez que eu fiz esse mesmo itinerário eu saí do finger e fiquei na sala de embarque esperando o vôo da conexão, mas não era esse esquema ainda em 2011. Naquela época se esperava que o serviço melhorasse pra Copa de 2014 e alguns aeroportos já estavam em reforma.

Tive que procurar a fila de conexão da companhia aérea pra despachar novamente a mala e agora a caixa de uísque também. Pela primeira vez vi como se embarcam os materiais frágeis. Eles tem um balcão especial pra se deixar essas coisas e, ao contrário das malas,  não as colocam de qualquer jeito no bagageiro do avião. Tanto que as garrafas de uísque chegaram todas inteiras. Pra retirar também esses materiais são colocados num balcão específico e não na esteira como outra mala qualquer. E só as colocam nesse balcão depois que todas as malas forem pra esteira.


Todo e qualquer tipo de produto é encontrado atualmente nesses aeroportos. E não são lojinhas como num comércio onde cada uma tem o seu espaço físico. É tudo misturado. Talvez seja dividido por categorias e não por marcas. Tem área de perfumes, cosméticos, bebidas sem contar as cadeias de restaurantes e lanchonetes que se proliferam na área destinada a isso. Viajar se tornou um negócio bem mais lucrativo não só pras companhias aéreas mas pras marcas e lojas que conseguem abrir e se manter em atividade no aeroporto. Acho que a gente paga taxa de aeroporto pra gastar mais lá.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

DERRADEIROS RELATOS (PARTE 1)

DERRADEIROS RELATOS (PARTE 1)

Minha última viagem - última até o momento em que escrevo esse rascunho – foi pra Dinamarca. Obviamente passei por Londres depois. Sempre que der farei isso. Passarei por algum lugar antes de parar em Londres. Mas porque a Dinamarca? O que me atraiu pra ir pra Dinamarca? Em primeiro lugar a visita a um amigo. É bom ter esses tipos de amizades internacionais pra poder revê-los de vez em quando sempre que eles vem pra cá e eu por ventura vá pra lá. Pelo menos me desloco na cidade com um local e não fico tão perdido. Se bem que perdido eu nunca vou ficar. Tô craque nisso. Mochilar é comigo mesmo e não me aperto por nada. Mas é sempre melhor alguém que conheça e que pode me dar dicas de tudo e se for possível me acompanhar também.

Em segundo lugar eu não conhecia a Dinamarca e é mais um país que eu posso dizer que eu já visitei, mais um pra minha lista e mais um carimbo no meu passaporte. Nem todos os países me carimbaram o passaporte, mas eu tenho registros principalmente fotográficos de que já passei por eles. Por não conhecer a Dinamarca a minha vontade de explorar era bem maior e com esse amigo que me ciceroneou impecavelmente contribuiu pra que tudo beirasse a perfeição.

O primeiro dia nem conta muito. Aliás os dias da chegada e da partida não contam muito por causa da função da viagem. Eu cheguei numa terça a noite. Lá, no inverno, a noite começa às quatro da tarde, que foi mais ou menos a hora que eu desembarquei no aeroporto. Claro que houve um breve desencontro até pelo fato de eu estar sem comunicação, já que o wi-fi do aeroporto não conectava com meu telefone. Nada além daqueles quinze minutos de agonia que pareciam não acabar nunca, só pra dar o susto inicial e começar com o pé direito do desencontro. Assunto resolvido, encontro sucedido, era hora de irmos pro apartamento.

Eu não consigo dormir em avião e estava esgotado e precisando descansar. O que faço pra me manter distraído durante o voo é ver filmes. Entre o Rio e Amsterdam, onde eu fiz a conexão, foram seis filmes. Café Socity do Wood Allen; A Garota Dinamarquesa porque falava também da Dinamarca; Procurando Dory, o desenho animado que vi pra dar aquela aliviada; Nina, sobre os últimos oito anos de Nina Simone, uma cantora que eu gosto; Nixon e Elvis que contou a história do histórico encontro entre os dois na Casa Branca e pra finalizar um filme brasileiro com Aline Moraes e Lázaro Ramos que se chama O Vendedor de Passados. O que eu mais queria naquela minha chegada era tomar um banho, comer e dormir. Foi o que eu fiz, mas não sem antes dar uma saidinha com meu amigo por que ele precisava comprar um presente que estava na promoção somente naquele dia. Só depois comemos, fizemos um roteiro básico do que fazer no dia seguinte e fomos dormir. Isso foi na terça dia vinte e dois de novembro do ano passado.

          Dia vinte e três finalmente fui conhecer algumas das atrações da cidade, a começar pela estátua da Pequena Sereia. Aí você me pergunta: Aquele desenho da Disney? Quase isso. A história na qual os estúdios Disney se inspirou pra fazer aquele desenho foi escrita por um dinamarquês chamado Hans Christian Andersen, que além da Pequena Sereia também escreveu o Soldadinho de Chumbo, O Patinho Feio, A roupa nova do Rei entre outras. Para homenageá-lo, fizeram uma estátua da Pequena Sereia – não muito grande, como o nome sugere - em cima de uma pedra e assim como o Rio tem o Cristo, Copenhagen tem essa estátua. Se um dia você for lá esperando encontrar uma estátua grandiosa não é nada disso. A foto comprova isso. Tal qual a Monalisa no Louvre é pequena, essa estátua também é, mas vale a pena tirar foto dela, assim como da Monalisa. E acertaram o local onde a expõem. Na beira da água, local nativo de uma sereia. Não lembro bem se aquele local é um rio ou já é considerado mar. Veja a foto.





sexta-feira, 3 de novembro de 2017

ÚLTIMA E DERRADEIRA (OU QUASE)

ÚLTIMA E DERRADEIRA (OU QUASE)
                         
Cheguei na última e derradeira. Não na última e derradeira postagem. Ainda faltam algumas semanas pra que o último e derradeiro de fato seja postado. Mas a última e derradeira folha de rascunho dos meus textos.

De alguns anos pra cá eu rascunho numa folha de caderno o que eu quero dizer e depois passo a limpo pro computador. Isso foi uma forma que eu encontrei pra não ficar desprevenido caso aconteça o bug do milênio onde todas as informações podem sumir da tal nuvem. É o meu backup até a postagem se realmente efetivada. Esse rascunho, já disse aqui em algum lugar do passado, é uma agenda que ganhei no fim de 2013, portanto de 2014, cuja função da agenda cedeu espaço pra uma espécie de caderno de rascunho dos meus textos.

No inicio a configuração dessa agenda me fez formatar o rascunho de um jeito, depois, quando acabou a parte “calendário” e começou a parte “anotações” mudou a configuração que me remeteu a quando eu usava folhas de caderno soltas como rascunhos pro meu texto. Esse eu posso considerar como mais um motivo pra que eu finalmente realize de vez o blog esse ano. O término do rascunho.

Por mais que folhas de rascunho não faltem aqui em casa e as vou usar pra completar o ano – ou não, talvez escreva diretamente no computador, o que me faz gastar mais tempo, mas pelo menos fica diretamente gravado no pen drive – não volto atrás na minha palavra e só ficarei ocupando esse espaço ate dezembro. É um ciclo que se encerra. Um caderno que se fecha, uma tinta de caneta que também esta prestes a se acabar. Enfim, realmente é o fim, ou por enquanto o prenúncio de um fim que esta próximo. Eu ainda tenho que fazer as contas pra saber quantas postagens faltam  pra terminar o ano, mas sei que são poucas.

Vou dar uma de Rita Lee quando encerrou carreira. Sabendo que ainda havia compromissos de agenda a cumprir, considerou o show que fez no Circo Voador como o último e derradeiro. Eu também considero essa postagem aqui como a última e derradeira. Claro que eu volto na próxima semana ainda, mas vou voltar já sem um norte, sem um rumo, sem que eu vire a página e encerre a minha escrita na linha vinte como eu vou fazer daqui a duas linhas. Eu já estava acostumado a pegar esse caderno, ou melhor, essa agenda, abrir na pagina em branco e começar a preencher ate chegar no ponto previamente estipulado por mim.

Já virei a pagina e agora faltam 19 linhas de rascunho pra preencher. Geralmente não modifico nada ao passar do papel pro computador. Prefiro seguir a risca o riscado por mim. Creio que de vez em quando acrescento ou corto dependendo do tamanho do rascunho. Me empolgo escrevendo e depois pra caber no formato final tenho que cortar alguma coisa desde que não modifique o sentido do que eu quero dizer. Esse é o mais comum de acontecer. Poucas vezes tive que acrescentar algo, mas era só questão de ajuste entre o rascunho e a tela do computador. Agora é o fim. Ainda não sei como proceder nas próximas postagens, nas poucas que me restam, mas não se preocupem que vão sair. Depois eu conto como.

Agora só me falta o apagar das luzes. Terminar o meu último rascunho aqui . Fechar essa agenda, esse caderno, enfim, esse porta rascunho, digamos assim, e guardá-lo. Guardá-lo? Sim. O guardarei até que todas as postagens estejam ao menos passadas a limpo. Inclusive as próximas. Na última e derradeira postagem vou falar o que vai acontecer com esses rascunhos manuscritos. Vão saber o destino deles, espero lembrar de falar sobre isso.


E agora vamos a ele. O último e derradeiro ponto final depois de pouco mais de uma centena de textos aqui inéditos antes de transferidos pra nuvem. 

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

AMIGO DE FÉ (publicado em 7 fev 2012)

AMIGO DE FÉ (publicado em 7 fev 2012)

É fato que minha vida se divide entre antes e depois de Londres. Sempre aconselho a quem quer que me pergunte que vale a pena passar uma temporada fora caso haja oportunidade. É bom você passar por esse tipo de experiência de se jogar no mundo e arcar com todas as conseqüências e experiências, boas ou ruins, de modo que no final quem sai ganhando é você. Conhecer pessoas de todos aos tipos, gêneros, idiomas e cultura diferentes é edificante e abre e/ou muda completamente a visão de mundo que você tem.

Na minha experiência particular em ter passado dez meses na Europa eu aprendi muito. Imergi em vários países diferentes absorvendo um pouco do modus operandis de cada um deles. Durante as rápidas passagens por diversos países em quase três meses de tour não deu pra fazer muitas amizades por conta da alta rotatividade, não só dos albergues em que eu ficava como do meu tempo curto de não mais que seis dias neles.

Em compensação, em Londres, cidade que eu escolhi pra ficar uma temporada maior, de sete meses, não faltou oportunidades de fazer amigos. Assim como nos albergues, a casa em que eu morei, também tinha essa alta rotatividade. Claro que as temporadas que as pessoas passavam lá não eram de seis dias, mas era tempo suficiente pra que construíssemos verdadeiras amizades e fossemos confidentes dos nossos co-habitantes.

Guardo todos eles com carinho e procuro manter contato com o maior número possível. Confesso que o feedback é bom e sempre sabemos eu deles e eles de mim. Não frequentemente. Geralmente leva semanas e até meses pra que um contato seja estabelecido, mas o bom é que é estabelecido não importando o tempo que leve. Todos esses meus amigos que conviveram comigo em Londres, sabem que eu tenho uma afinidade maior com uma pessoa. Todas têm o seu valor, mas temos afinidades maiores com algumas pessoas.

Eu me apeguei a uma, por quem eu tenho um carinho mais do que especial e até hoje, mais de três anos depois de nos conhecermos e da distância estar nos afastando geograficamente, me sinto espiritualmente (não sei se essa é a palavra certa) ligado a ela, de modo que eu não me vejo mais vivendo sem ela, não tomo grandes decisões sem ouvir os conselhos dela, continuo reportando os passos que dou na vida a ela. Essa pessoa é muito mais que um amigo, é praticamente meu irmão. Um irmão que adotei e que, queira ele ou não, vou continuar a tratar ele como um irmão pro resto da minha vida. Faça o que fizer, esteja onde estiver e com quem estiver ele nunca vai estar desamparado por que sabe que dentro de mim ele tem uma cadeira cativa e de destaque. Dificuldade todos passam, problemas todos têm, mas amigo igual e esse meu é muito raro de encontrar perambulando pelo globo terrestre. Sou mesmo um privilegiado.


Tem uma música que nada mais é que uma declaração de amor e eu choro pensando nele toda vez que a escuto. Você meu amigo de fé, meu irmão camarada / Amigo de tantos caminhos e tantas jornadas / Cabeça de homem, mas um coração de menino / Aquele que está em meu lado em qualquer caminhada / Me lembro de todas as lutas, meu bom companheiro / Você tantas vezes provou que é um grande guerreiro / O seu coração é uma casa de portas abertas / Amigo você é o mais certo das horas incertas / As vezes em certos momentos difíceis da vida / Em que precisamos de alguém pra ajudar na saída / A sua palavra de força, de fé e de carinho / Me dá a certeza de que eu nunca estive sozinho / Você meu amigo de fé, meu irmão camarada / Sorriso e abraço festivo da minha chegada / Você que me diz a verdade com as frases abertas / Amigo você é o mais certo das horas incertas / Não preciso nem dizer / Tudo isso que eu lhe digo / Mas é muito bom saber / Que você é meu (que eu tenho um grande) amigo.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

FIRME E FORTE ATÉ QUANDO?

FIRME E FORTE ATÉ QUANDO?

Ano passado voltei a frequentar a academia. Como escrevo de algum lugar do passado ainda frequento, mas não sei se quando essa postagem foi pro ar estarei frequentando mais. Academia é esporádica. Frequento por um periodo, paro por uns anos, volto a frequentar por mais um tempo e assim tem sido desde quando voltei de Londres.

Entrei em março do ano passado. Em abril já fiz um upgrade de exercícios, em maio fiz outro e a partir daí de dois em dois meses eu renovava a série. No inicio eu também ia de domingo a domingo. Depois fui relaxando mais um pouco. Tinha dias que eu não tinha como ir mesmo e outros por pura preguiça, principalmente aos fins de semana. Em setembro tudo mudou. Seis meses depois de me matricular, depois do meu corpo ter um certo condicionamento e uma certa resistência, a série de exercícios invés de ficar em duas, criou-se uma terceira via. De somente A e B passou pra A, B e C. Ao invés de vinte exercícios passei a fazer trinta – dez pra cada dia. Isso sem contar a parte de ergometria que eu faco por conta própria e sempre depois de uma série de exercícios.

Esse mês criou-se também um hiato na modificação . Foram duas semanas de atraso na data da troca dos exercícios por conta de trabalho e viagem. Me lembro que foi numa quinta-feira que a série A foi passada pra mim. Na sexta a B e a parte ergométrica cortada pela metade e no sábado a C só com umas pedaladas depois. No domingo acordei dolorido das pernas e nem fui pra academia. Mas tudo é uma questão de hábito e costume e com o tempo, assim como nas séries antigas, as cargas, os pesos foram aumentando gradativamente, ou mesmo o esforço pra poder sustentar aquele peso que no início parecia impossível, já se torna atingível, se é que existe essa palavra.

Minha intenção em frequentar academia e fazer musculação é uma só. Ficar definido. Não ficar musculoso e nem emagrecer por que quanto a isso eu já desisti. Todos dizem que eu estou bem, mas eu não acho. Estou na media dos 100kg e quero chegar aos 90, com o mesmo peso que voltei de Londres, mas a minha nutricionista diz que 95 já tá de bom tamanho e também músculo pesa mais que gordura então vamos tentar desenvolvê-los e eliminar as gorduras.

Sei que já escrevi sobre academia aqui nesse espaço esse ano, mas estou abordando de uma outra forma, uma possibilidade que se abriu pra me deixar mais irresistível. Sempre brinco dizendo que gostoso eu já sou e a academia me deixa irresistível. Minha ideia, já disse aqui, não e me tornar o mais novo concorrente a mister universo, mas ter um pouco mais de força, de resistência, de tônus muscular, de não ter mais vergonha de tirar a camisa. Gordo tem disso. Hoje não tenho tanta vergonha disso, mas depende mais do ambiente e das pessoas que estão em volta. Sou gordo sim. Posso não ser mais na aparência, mas minha cabeça pensa e calcula como um gordo.


Graças ao acompanhamento da minha nutricionista não como mais alimentos impróprios, coisas erradas e nem sou mais um compulsivo. Tudo bem, as vezes as impróprias e as erradas eu como, mas não como antigamente. Estou mais regrado, mas isso não quer dizer que sigo essas regras a risca. Saio sim, principalmente aos fins de semana, até pelo fato de saber que o meu objetivo inicial de transformar o meu corpo como o de um Deus Grego sera bem difícil de ser atingido, mas pelo feedback dos meus amigos estou seguindo o caminho certo. Eu só não sei se eles falavam isso pra me agradar, pra me incentivar ou se realmente eles estavam vendo uma diferença boa que nem eu mesmo percebia depois de alguns meses malhando, suando a camisa pra um resultado que se vai ainda um dia chegar sei que vai demorar um tempo maior que o que eu queria que levasse. Se tudo fosse tão mais rápido, mais fácil, mais decisivo e não tivesse que passar por um processo seria melhor. Será que ainda chego lá?

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

ESTIMADO ANIMAL

ESTIMADO ANIMAL

Sempre morei em apartemento e em pouco mais de 30 anos o prédio que eu morava não permitia a criação de animais nas suas unidades. A não ser animais que podiam ficar engaiolados como hamsters ou passarinhos, agora cachorros e gatos estavam fora de cogitação. Depois da mudança pra um prédio mais novo e moderno, qualquer tipo de animal de estimação desde que respeitadas as regras de circulação com eles são bem vindos.

Agora eu não tenho mais vontade de ter um bichinho pra mim. Gostaria muito de ter um cachorro, mas acho uma judiação confinar um animal que precisa de espaço num lugar que o que menos existe é espaço. Por mais que esse apartamento seja maior ainda assim creio que o animal necessite  de uma área de circulação bem maior ao que o ser humano se adapta. Isso que eu disse e apenas uma opinião minha. Não quer dizer que eu seja contra os cachorros  dos meus vizinhos. Pelo contrario, gosto de circular com eles no elevador. Só acho o espaço meio inadequado.

Mesmo se o cachorro for pequeno que parecem ser de brinquedo. Ainda bem que aqui pelo menos por enquanto o bom senso ainda se sobrepõe entre os moradores. Ate hoje não vi nenhum labrador, pastor alemão ou dálmata no elevador. Cachorro precisa é de espaço pra circular. Espaço grande como um quintal, por exemplo. Quando eu era menor ate tinha vontade de ter um cachorro, mas como onde eu morava era proibido e meus pais não gostam de cachorro essa ideia ficou bastante reprimida, mas eu me aliviava com os cachorros dos meus primos. Quando eu ia pra casa deles brincava com os cachorros deles e a vontade que eu tinha de ter um próprio foi diminuindo.

Talvez se futuramente eu vier a morar em uma casa, quem sabe ainda terei cachorros pra cuidar. Eu sei que dá trabalho. Eu sei que é preciso bastante cuidado e gastos com ração e veterinário por exemplo e isso é outra coisa que me tira a vontade de criar um cachorro. E quase como se fosse um filho. Tem gente que diz que e um filho de quatro patas. Só tenho vontade de ter um cachorro. Não gosto de gatos, por exemplo. Não que eu os maltrate, mas acho que o gato e mais esnobe, mais metido, mais independente, mais interesseiro, mais dono de si e se julga mais esperto que o próprio dono.

Na minha família já se criaram vários tipos de animais de estimação. Cachorro foi o mais comum deles. Não vou lembrar o nome de todos, mas já existiu o Astor, a Raiza, Moleque, Joe 1 e 2, a Java, a Lua, o Banzé e outros que povoaram as casas dos meus primos. Eu brincava com eles. Mas também já circularam outros tipos de animais. Reza a lenda que meu tio Rodolfo andava com um lagarto no bolso e o apresentava a todos com o nome de Gilberto. A cobra que ele tinha, não sei se na mesma época era a Catarina. Falando em cobra, meu primo Gustavo teve uma cobra também,  mas doou ao serpentário do Instituto Vital Brazil se não me engano quando a sobrinha dele, a Lis, nasceu.

Passarinho, papagaio, periquito. Acho que meu irmão já criou periquito, mas foi por um curto período de tempo, assim como peixinho de aquário também. Houve uma época que tinha muita feira de animais exóticos no estacionamento do Plaza Shopping e que no final se a gente quisesse poderíamos levar de brinde ou um peixe pra botar no aquário – acho que foi isso que fez ele ter um aquário – ou um pintinho. Se a gente pegasse um pintinho a gente ate cuidava nos primeiros dias, mas depois dava pra um vizinho nosso que criava galinha e coelho no terreno ao lado.


Isso me fez lembrar quando tia Rosely deu um frango pra tia Dora cuidar num galinheiro improvisado na casa dela. Por algum tempo ela criou o galo até que acho que ela se desfez do galinheiro. Me lembro que o frango virou galo. Seu nome era Free. 

domingo, 8 de outubro de 2017

CANTA, CANTA, MINHA GENTE

CANTA, CANTA, MINHA GENTE

Não sou consumista, mas sou musical. Digo isso pelo fato de ter conhecido muitos produtos, e ainda lembrar deles através de seus jingles. Alguns nem devem mais existir, nem produtos e principalmente as músicas que os caracterizavam. Tinha vezes que os slogans eram musicados e só uma frase já deixava a marca do produto. Não sei o que houve com a cabeça desses publicitários que não fazem mais propagandas com jingles. São eles que marcam as marcas que anunciam. Eu mesmo não consumindo o produto lembro de vários deles. São eles que pegam o espectador pelo pé e não há melhor mensagem subliminar do que essas músicas de propaganda.

Não sei se foi a evolução da tecnologia e o surgimento dessas várias plataformas que fizeram os publicitários recuarem sobre esse aspecto e acharem uma outra via para anunciarem seus produtos. Antigamente era só a TV e a minha geração por não ter outras opções ficava assistindo ao que se passava nela. Talvez tivesse mais criatividade por causa disso também e a onda de jingles pegou. É um recurso de fácil absorção que gruda na mente e volta e meia se sai cantando um ou outro. Quer melhor divulgação do que essa, do que alguém cantando a marca de um produto?

Hoje é mais difícil, mas quando eu vejo um baleiro daqueles antigos, com balas sortidas em cada compartimento me reporto imediatamente as balas de leite kids. Nem sei se ainda existem e nem sou consumidor delas, mas até hoje me lembro da musiquinha da propaganda. Um exemplo do slogan musicado era do Nescau “energia que dá gosto”. O Nescau eu sei que existe até hoje e tem aqui em casa, apesar de eu ter tido uma preferencia pelo “sabor que alimenta”. Esse era do Toddy. Quem nunca comeu “a coisa mais gostosa desse mundo”? Não sei se as crianças de hoje em dia comem mingau de cremogema. Eu só tô comentando a parte de alimentação. Talvez por eu ser gordo e essa parte me chamar mais atenção.

Mas existiam outros slogans e jingles que fazem parte da minha memória. Alguns tiveram a sacação de pegar uma música antiga e fazer uma adaptação ao produto. Não sei de quem é a autoria mas me lembro nitidamente dos Trapalhões cantando a música “Pedalando”e adaptando pra fazer a propaganda da Caloi no programa deles que ficou assim: “pedalando com a Caloi a poupança nunca dói”.

Outra marca que me marcou bastante pelos seus comerciais nem eram feitas por jingles e sim por trechos de músicas americanas que ficavam conhecidas por aqui. Os sucessos que os cigarros Hollywood faziam com o seu repertório musical eram grandes e chegavam a lançar compactos com as músicas exibidas nas suas propagandas que eram repletas de esportistas praticando seus esportes radicais. O que é uma contradição, pois todos sabemos o mal que o cigarro faz.

Hoje acho que está proibida a propaganda de cigarros na tv aberta ou fechada. Já as bebidas alcoólicas tem uma restrição de horário. Acho isso uma palhaçada. Eu via os anúncios da Hollywood e nem por isso me deixei influenciar e me tornei um fumante, assim como também via os de cerveja e eu não bebo cerveja. Atualmente nem o apelo da Coca Cola é isso aí. Pra mim não é nada mais. Não me refresca já vai pra quatro anos e não me dá a menor vontade de retomar esse hábito mesmo com toda propaganda e patrocínio que ela exerce sobre o mundo. Nunca consumi nem cigarro e nem cerveja e tô livre da Coca-Cola e similares. Se eu consegui sobreviver a essas propagandas qualquer um consegue.   


Volta e meia alguns produtos trocam os seus jingles, quando ainda tem, e slogans, mas tem sempre um que fica marcado com “pensou cerveja pediu Brahma Chopp”. Deviam voltar com os jingles de propaganda. Pelo menos o consumidor ficaria mais alegre e cantante. 

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

A RAINHA E O SACERDOTE (pub.em 24 out 2011)

A RAINHA E O SACERDOTE (pub.em 24 out 2011)

A idéia vinha sendo elaborada há um bom tempo, mas a concretização dela deu-se somente no primeiro domingo de junho. Minha incumbência era pra ser motorista por um dia de uma rainha. Mesmo no período em que eu vivi em Londres, onde o ar de realeza circula com mais facilidade, creio que nunca tinha estado lado a lado com uma rainha. Considerando que a expressão lado a lado seja diferente de frente a frente o ineditismo do fato é válido. Frente a frente eu já havia ficado com uma outra rainha, mas dessa vez era diferente, havia um pouco mais de convivência e de tempo pra apreciar tal nobreza.
Arranjamento já pronto, o combinado era que eu passasse para primeiro pegar a princesa, o príncipe consorte e a filha que iriam me indicar o caminho do castelo da rainha. Guiando o coche, separei um repertório condizente e que possívelmente faria gosto da família real. Talvez a única que torceria o nariz para a trilha sonora da viagem poderia ser a jovem princesa, mas acostumada com suas antecessoras também embarcou na viagem musical. Fomos em direção ao castelo da rainha. Não era um lugar inacessível, mas por ficar no alto a dificuldade era um pouco maior.

Princesas morando em Niterói e rainha no alto do Corte do Cantagalo, entre Lagoa e Copacabana, pelo caminho que me foi indicado rapidamente chegamos lá. A partir daquele momento tudo girava mais ainda em torno da rainha. Elegantemente vestida, ela entra no coche e pegamos a via de volta para Niterói, pois tínhamos que passar por aqui para seguir viagem até Saquarema. Sim, Saquarema. A rainha iria entrar no Templo pela primeira vez depois de pouco mais de cinco anos. Apesar de se falarem sempre, esse tipo de encontro é muito raro de acontecer e eu tive a sorte de ser um pouco responsável e de participar disso tudo.

Chegando ao Templo, o sacerdote nos recebeu na porta e, como ele faz com todos os fiéis que o procura, abriu a porta do seu sacrossanto e profano lar pra nos receber. Antes mesmo de a rainha sair do coche, o sacerdote já entregou uma flor colhida ali na hora do seu jardim. Reverências de boas vidas a rainha a parte, entramos. Fiuk, Joelma e Elis, guardiões caninos do Templo, também ficaram em polvorosa com tanta gente que tinha chegado num só momento. O sacerdote começou mostrando a parte externa do Templo, seu jardim e seu quintal, a piscina com fonte improvisada e suas plantas e árvores. Até que a porta principal foi aberta e finalmente a rainha entrou no templo.

Tanto ela como a corte que a acompanhava ficou admirando todo o acervo preservado e exposto nas paredes do templo pelo sacerdote. Apesar da rainha ser de um gênero e o sacerdote e o Templo guardarem outro tipo de acervo, é mesmo admirável o que se faz e se tem lá. Realmente é de deixar qualquer um de queixo caído. Após toda mostragem tanto do acervo quanto da disposição dos cômodos do Templo, o banquete foi pedido e enquanto isso o mezanino superior foi tomado para exibição de imagens de idolatria tanto da rainha quanto do sacerdote. Nesse ínterim o banquete chegou e eu fiquei na cozinha preparando e arrumando a comida para a família real e para o sacerdote, fazendo vias de criadagem. O banquete estava farto e consistia em quatro pizzas e um vasilhame de empadas de camarão além de quatro garrafas de coca-cola. A rainha se fastiou apenas com dois pedaços de pizza e duas empadinhas e, das quatro pizzas encomendadas, ainda sobraram duas inteiras. Pouco mais de três horas foram suficientes para que sacerdote e família real se deleitassem entre histórias, casos, lembranças e confissões.


Por mais que pareça um conto de fadas, essa história é verídica. Nomeando personagens: o sacerdote é o Serguei e a rainha é a do chorinho, Ademilde Fonseca.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

A PARADA DO CARRO

A PARADA DO CARRO

Deve ser implicância mesmo. Não adianta seguir as orientações que sempre acontece o que não deveria acontecer, pelo menos eu não acho normal. Toda vez que meus pais viajam eu fico na incumbência de fazer com que os carros sejam ligados periodicamente pra que as baterias não arriem. Por mais que eu faça isso vai ter sempre um carro pra me sacanear e sempre será o carro do meu pai. Quando não acontece quando ele está fora, acontece quando ele chega. Até porque ele saiu do avião aqui a responsabilidade volta a ser dele. E como ele tem ciúmes do carro o esquema que eu faço é sair com o carro da minha mãe quando necessário e apenas ligar o carro dele, mas nem sempre isso dá certo. Por mais que eu ligue cinco minutos por dia, se eu ficar três dias sem ligar a previsão da bateria arriar é muito grande.

Ano passado foi assim. Eles viajaram e eu ligava o carro todo santo dia por cinco minutos. Teve um dia que eu deixei de ligar, uma terça-feira, na quarta eu liguei apreensivo, mas funcionou. Na quinta eu fui pra São Paulo e só voltei no sábado a noite. A primeira coisa que fiz foi tentar ligar o carro e adivinha o que aconteceu. O carro não ligou. Pouco mais de dois dias sem virar a chave e nenhum sinal vital do motor. Não esquentei com aquilo naquele momento. Afinal estava chegando de viagem e queria descansar. O dia seguinte era domingo, tinha tempo pra fazer isso e mesmo assim o mecânico do seguro só chegou as oito da noite, fez a famosa chupeta, pediu pra deixar o carro ligado por quarenta minutos e foi embora. Não chegou a ficar dez minutos na garagem.

O que mais me deixou espantado foi que quando a gente aciona o seguro eles pedem pra quando o mecânico chegar ter em mãos os documentos. Eu estava tanto com o documento do carro quanto o meu no bolso e o mecânico não pediu absolutamente nada. Veio, fez o serviço dele e foi embora. Devia estar com pressa pra voltar pra casa já que no carro dele estava uma mulher que foi quem me ligou dizendo que eles iam atrasar um pouco  e umas quatro crianças e pelo que ela havia me dito eles estavam em botafogo e o transito estava ruim. Creio que estavam saindo de algum programa em família e ao ser acionado pra prestar o serviço, por morarem pelo lado de cá deve ter aceito e passou aqui pra prestar o socorro relâmpago. Foi muito rápido mesmo.

No dia seguinte eu tinha projeto escola e só cheguei em casa a noite. Vinte e quatro horas depois da chupeta estava eu diante do carro, apreensivo, pensando no pior, mas não. A chave virou e o motor funcionou. Dessa vez ao invés de cinco minutos deixei o carro ligado o triplo do tempo. Foram quinze cronometrados.

Pelo menos dessa vez foi enquanto ele estava viajando porque geralmente é quando ele volta e vê que o carro não está funcionando ele fica soltando fogo pelas ventas. No início eu ficava chateado, mas agora pode esbravejar a vontade. Eu faço a minha parte. Se o carro não cumpre a dele não é problema meu. Não foi a primeira e muito menos será a última vez que isso vai acontecer se o carro ficar alguns dias parados. Esse carro sempre foi meio esquisito desde quando foi comprado e essa fuga de energia da bateria, que provoca essas paradas, esses apagões deveria ser vista.

Eu acho que isso acontece por conta da não circulação do carro pelas ruas . Ligar e desligar até ajuda, mas se fica um tempo sem ligar acontece isso. Mas o mais curioso é que só acontece com o carro do meu pai. Com o da minha mãe não preciso acionar o seguro, no entanto circulo com ele de vez em quando. E como ele circula com o carro dele, enquanto não ele não viaja ele acontece esse imprevisto.


Já prevejo que na próxima viagem que ele fizer isso pode acontecer novamente, está na listagem do que fazer na ausência dele. Ligar o carro e chamar o seguro quando preciso.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

ETERNA E TENRA TERRA DA GAROA

ETERNA E TENRA TERRA DA GAROA

Creio que será a última vez que tocarei nesse assunto. Ano passado fiz o mesmo, mas o foco foi outro. Aliás, ultimamaente o foco tem sido só dois. Dois motivos me levam a São Paulo. O primeiro, como relatado ano passado, são as peças de teatro. Sempre que posso vou assistir o que está em cartaz por lá. O segundo são as apresentaçcões, as participações que o Serguei é chamado pra fazer e que eu sempre vou acompanhando.

Ele já chegou a uma idade em que algumas coisas não pode fazer sozinho, como andar de avião, por exemplo. Não por conta da saúde física. Isso ele ainda tem um pouco, mas por causa da memória, cuja falta dela o prejudica bastante. Por isso combina-se tudo comigo e eu repasso a ele com filtros pra que ele se preocupe com menos coisas possíveis. Nesse caso foi o líder da banda Made in Brazil que novamente o convidou pra fazer uma participação no show de lançamento do DVD gravado em novembro do ano retrasado e lançado em setembro do ano passado num show particionado em dois dias com convidados e o Serguei participou do primeiro dia, na sexta.

Nossa rotina foi muito corrida nesses dias. Na quinta madrugamos pra pegar o voo. Ele saiu as 5:30 da manhã de Saquarema. Pra ele conseguir fazer isso ele não dorme durante a noite, ou seja, cochila um pouco dentro do ônibus e do avião, mas não repõe as energias como deveria. Próximo das oito da manhã ele desembarca na rodoviária e eu estou lá desde às 7:30 esperando por ele pra pegarmos um taxi e irmos pro aeroporto. Não existe taxi comum na rodoviária. Ali é máfia e tem preço tabelado . Quando o motorista me disse que era 40 reais a corrida reclamei e ele baixou pra 35. Ainda tá caro pelo fato de ter encurtado o trecho  entre esses dois pontos e não chegar a 10 km e na volta o trecho no taxímetro deu pouco mais de 20 reais. Poderíamos até arriscar o novo VLT , mas não podia dar mole com o horário do embarque no aeroporto.

Não tínhamos tomado café e depois de pegarmos o bilhete aéreo subimos pra comer e esperar o voo marcado pras 10 da manhã. Atrasou um pouco, uns 15 minutos. Chegamos em Guarulhos e o Klaus estava nos esperando por lá. Ainda estava cedo pra fazer o check in no hotel mas esperamos um pouco e conseguimos entrar. Optamos por descansar um pouco antes de irmos pro ensaio no estúdio.

Enquanto o Serguei dormia eu dei uma volta na vizinhança pra comprar algumas coisas pra deixar pra gente no hotel. Duas horas depois da entrada no hotel saímos para o ensaio no estúdio. Demos o ar da graça e fomos comer  no Mc Donalds que ficava ali do lado. Voltamos depois e ficamos no estúdio até o fim do ensaio. Depois nos levaram pra comer uma pizza na Pompéia. Chegamos no hotel por volta das 11 da noite. No sábado, dia do show, acordamos pra tomar café e voltamos pra dormir. Almoçamos no hotel mesmo e só depois do almoço que demos uma volta no shopping perto do hotel por uma horinha. Depois voltamos pro hotel e esperamos a hora combinada pra ir pro local do show as 7 da noite. O show foi bom e o Serguei foi o último convidado a se apresentar. Fomos so últimos a sair do local do show e ainda paramos pra comer um sanduba ali pelo bairro mesmo.


Sábado foi o dia da volta. Pra nossa sorte não precisamos deixar o hotel ao meio dia, pois fizeram a reserva até o domingo e como o avião saia no fim da tarde passamos a hora dando uma volta no parque Ceret que ficava em frente ao hotel em que estávamos e acontecia naquele fim de semana a festa do morango junto com o aniversário do bairro do Tatuapé. Foi um tal de tirar fotos, parar pra falar com o público – e o Serguei é movido a esse contato, a esse reconhecimento que foi o tempo perfeito, exato e ideal que a gente ficou por lá. Na hora certa voltamos pro Rio.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

MEXERICOS

MEXERICOS

Outro dia vi uma foto de um amigo meu com o Lulu Santos. Ele postou no facebook. Nada contra ele ou qualquer um postar fotos com seus ídolos ou famosos conhecidos numa rede social. Geralmente ele faz isso. Até entendo. Ele é do interior e o único acesso ao artista que ele tem é quando tem show na região que ele mora. A gente aqui no Rio não faz tanto isso. Quer dizer, até faz, mas por que a gente é mais cara de pau mesmojá que é comum esbarrarmos com mais frequência nesses artistas no Leblon, Gávea, Botafogo e Barra, por exemplo.

Eu já tive excelentes oportunidades de me fotografar com vários artistas de diversas áreas, mas não faço isso. A não ser com umas três ou quatro pessoas específicas que não moram no Rio e portanto fica mais difícil de esbarrar com elas por aqui. Só em shows ou apresentações mesmo. Esse meu amigo fica todo ouriçado quando vem pra cá se por ventura a gente sai e vai passear no Rio. Não é pra menos.

Eu sou de outro pensamento. Por mais que eu saiba que quando um artista se propõe a tirar uma foto a mesma tem 99% de chance de cair numa rede social eu não o exponho, faço parte do 1%. Se alguém tira foto comigo, me marca e posta na rede social eu não me oponho, mas se eu tiro foto com alguém que tenha certa notoriedade, ou mesmo com alguém da minha família ou um amigo, sou contra a exposição deles.

Aliás a minha política em rede social é não me expor. Ultimamente só tenho divulgado trabalhos quando muito e a única forma de exposição é um selfie em algum lugar pelo qual eu passeei. Isso eu faço. Depois de uma viagem selecionar as fotos que ficaram melhores e fazer um álbum novo só pra isso. Não gosto de expor nem a mim e muito menos quem por ventura estiver comigo, seja anônimo ou famoso.

Existe uma parte da mídia especializada em famosos que eles chama de repórter de celebridade. Eu particularmente chamo de fofoqueiro. Sei que isso tem há muito tempo e pelo que me contam a mais famosa das antigas foi a Candinha com seus mexericos. Sinceramente eu não me interesso pelo que as celebridades fazem ou deixam de fazer, onde elas frequentam, com quem se relacionam, por que casam ou separam. Nada disso me interessa. Nem com as celebridades com as quais eu convivo mais eu fico querendo saber de coisas que só dizem respeito a elas.

Confesso que eu fico um pouco chocado com as notícias bombásticas de separação. Não desses mais novos que casam e separam como quem troca de cueca, mas de casais que imaginávamos nunca mais se separar como o Edson Celulari e a Claudia Raia ou Fátima Bernardes e William Bonner que foi mais comentado ano passado. Ou teria sido Bread Pitt e Angelina Jolie?

Tenho medo de Tarcísio e Glória irem pelo mesmo caminho, mas ao mesmo tempo acho que eles já passaram da idade de se separar. Se isso acontecer a minha crença na instituição casamento de celebridade termina de vez. Eles formam o último pilar que sustenta essa mania de fofoca. Se bem que apesar deles também serem alvos da Candinha, não dão motivos pra que os exponham na mídia. A exceção de alguma estréia ou apresentação teatral como eu pude testemunhar no Terezão quando ela se apresentou na peça “Ensina-me a viver” e ele ficou sentadinho umas duas filas na minha frente a admirando.
            
           Nem sei se isso foi pra mídia. Acho que não por que não é notícia que vende jornal. E também não se vê nas redes sociais. Sempre haverá parte dessa imprensa exibicionista, marrom e sensacionalista e que na televisão ocupam o horário vespertino de emissoras que não dão muito ibope. Tô fora desse tipo de gente. Quero distância desse tipo de jornalista, apesar de ser amigo de um que é um ex repórter de celebridades. Mas já o conheci como ex. 

sábado, 2 de setembro de 2017

JOGO DA VIDA

JOGO DA VIDA

Não sei se acontece com todo mundo, mas eu acho que a vida é tipo um jogo de vídeo game onde se termina uma etapa, um nível e se avança pra outra fase. Coisas que eu fazia cinco anos atrás atualmente eu não tenho mais o hábito, o costume de fazer.

Em setembro do ano passado saí três dias seguidos, ou melhor, três noites seguidas. Isso pra mim já é um recorde nos tempos atuais. O primeiro dia, uma quinta-feira eu fui ao teatro. Um programa que eu gosto de fazer e faço constantemente, mas esse teatro em específico é um pouco longe da minha casa e fico o mesmo tempo ou até mais em trânsito do que no próprio teatro.

Na sexta foi dia de Lapa. Ah, a Lapa. Frequentei muito nos tempos de faculdade. Quase todo fim de semana eu batia ponto lá. Me lembro que a gente ia muito numa sinuca na rua do Riachuelo. Nesse dia eu passei lá em frente e vi que mudou muita coisa. Tá bem diferente, mais arrumadinho, reformado, com cara de descente. Na minha época era quase um pé sujo, talvez um nível acima do pé sujo. Hoje tá muito cheio de “não me toque”.

Cheguei no horário que costumava chegar, por volta das onze da noite, mas dessa vez fui direcionado a ir em um local específico e nem me cansei muito por ter ficado sentado boa parte do tempo. Mesmo assim por volta das três da manhã eu já estava voltando pra casa. Andei da Lapa até o terminal de ônibus e só fiz isso por conta do centro estar bem policiado por causa das paralimpíadas que estava rolando nessa época, senão pegava um táxi como costumava fazer das últimas vezes que fui pra lá. De qualquer modo se isso acontecesse alguns anos atrás eu não voltaria tão rápido. Ficaria por lá mais um tempo circulando no meio da multidão ou parando em algum lugar pra comer alguma coisa. Talvez até esperasse amanhecer pra poder voltar pra casa como eu fazia nos áureos tempos da faculdade. Não tenho mais pique pra isso. Já passei dessa fase.

No dia seguinte o programa foi mais cedo. Uma amiga minha comemorando o aniversário na praça são Salvador, ali em Laranjeiras. Ao contrário do dia anterior ali não tinha lugar pra se sentar e ficamos em pé durante o período que passamos lá. Havia uma roda de samba lá, quer dizer, um pessoal que se juntou pra fazer uma batucada bacana e até contagiante por assim dizer. Marquei com uns amigos de a gente se encontrar na estação do metrô do largo do machado às nove da noite e ficamos curtindo o aniversário até umas onze e meia quando voltamos pro metrô. Eles pegaram o metrô e eu andei até o ponto do meu ônibus. Por mais que esse tenha sido o tempo menor de gandaia dos três dias e o dia que eu cheguei mais cedo em casa, eu já me senti exausto pelo acúmulo dos três dias seguidos.

Creio que só faço isso no carnaval, mas eu me preparo psicologicamente pra isso e mesmo assim não fico pulando de bloco em bloco como eu fazia antigamente. Escolho um ou dois no máximo por dia pra curtir e já tá muito bom. Sei que pode haver pessoas que não perdem o pique e que continuam frequentando noitadas, boates, como se o tempo não passasse pra eles. Eu interpreto de outra forma. Pra mim essas pessoas ainda não conseguiram amadurecer, não passaram de fase, não subiram de nível e continuam na mesma etapa.

            Se existem empresários da noite que não gostam de sair a noite e mesmo assim administram suas casas noturnas por já terem também passado dessa fase, essas pessoas não sabem administrar o jogo da vida ou por que não querem mesmo amadurecer ou pelo fato de não estarem sabendo conscientemente conduzir o próprio jogo. Sabe quando você não consegue passar de fase e fica repetindo e repetindo aquele nível constantemente sem nenhum tipo de evolução? É assim que eu vejo esse povo.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

‘GAUCHE’ PERSONALIDADE (pub. em 13 dez 2010)

‘GAUCHE’ PERSONALIDADE (pub. em 13 dez 2010)

Numa bela tarde do ano de mil novecentos e noventa e sete recebo um telefonema da minha amiga Joana que, falando em tom baixo e um pouco estranho me transmitiu o seguinte recado: “Passa na minha casa, pegue todos os meus discos da Rita Lee, minha maquina Xereta e vem correndo pro centro do Rio. Te encontro no Centro Cultural Banco do Brasil.” Tentei tirar mais infomações dela, mas não consegui. Ela desligou o telefone logo. Eu obedeci.

Na época ela morava no meu prédio, num andar abaixo do meu e sabendo que eu era um estudante pré-vestibular, estaria a tarde em casa. Ela, estagiária de jornalismo, trabalhava numa revista de economia e negócios e estava pra fazer sua monografia. O tema: Rita Lee. Ela adorava a rainha do rock e realmente qualquer disco que saísse da cantora, fosse de carreira ou coletânea, ela adquiria.

Chegando lá, não deu tempo nem pra respirar. Fui seqüestrado. Ela me colocou dentro de um taxi e pediu pra seguir até a rua do Riachuelo, na sede do jornal ‘O Dia’. Sempre que eu perguntava o que estava acontecendo ela me respondia que eu iria ver. Simulou um mal estar no trabalho pra fazer aquela loucura. Até aquele momento, só ouvia falar das histórias malucas que fãs aprontavam pra ficar perto dos seus ídolos, mas aquela era a primeira que eu tava presenciando e vivenciando. Finalmente chegamos no endereço.

Na recepção ela disse que era estudante de jornalismo, mostrou a carteirinha, disse que estava fazendo um trabalho sobre Rita Lee e que gostaria de tirar algumas fotos da apresentação que ela estava fazendo na extinta rádio RPC. Fui seqüestrado pra ver uma apresentação de Rita Lee para um público bastente restrito, praticamente um pocket show, onde ela lançava o disco Santa Rita de Sampa. A partir desse momento Rita ganhava mais um fã. Joana me contagiou com o fanatismo dela.

Hoje posso dizer que sou adicto em Rita Lee e Joana me levou para um caminho sem volta, uma doença que apesar de ser controlada é incurável. Claro que conhecia e admirava o trabalho, as músicas da dupla Rita e Roberto, escutava no rádio, nas trilhas das novelas, mas daí a querer me aprofundar mais na carreira e na vida dela, havia uma lacuna,um hiato pra que isso acontecesse, e talvez me faltasse mesmo esse empurrãozinho de Joana. Se hoje sou fã de Rita, devo muito a Joana. Principalmente pelo fato do meu contato visual com a Rita ter sido feito dessa maneira repentina, num ambiente mais aconchegante do que um show propriamente dito, e nos intervalos do programa ela parava pra falar com a gente, atendia um a um, tirava fotos, ou seja, além das músicas a simpatia cativante dela fez com que meu interesse pelo trabalho e carreira dela surgisse, como se eu tivesse sido enfeitiçado por ela. E fui.

Todo e qualquer show que ela faça aqui no Rio eu vou. Depois que eu conheci o Serguei e promovi um reencontro dos dois que me deu acesso a ela, mas mais ainda ao Beto Lee, filho dela, procuro depois do show tentar sempre ir ao camarim pra falar com eles. Nem sempre é possível, principalmente quando o Serguei não pode me me acompanhar nos shows, mas permaneço até o fim, até a saída dela apostando tudo na esperança. Às vezes dá certo, às vezes não dá, mas tudo faz parte apesar de às vezes a “entourrage” não simpatizar com esses gestos de gente como eu, que me considero fã, e outras pessoas muito mais fãs que eu.


Geralmente ela costuma abrir turnê pelo Rio. Em janeiro ela encerrou a turnê de “Pic-Nic”,onde ela comemorava os tantos anos de carreira. Mal ela encerrou uma, abriu outra “ETC...” que passou pelo Rio em setembro último e, como de praxe, eu estava lá fazendo a minha festa, curtindo mais um show da rainha do rock. E mesmo não lançando disco de inéditas desde dois mil e três, a casa estava lotada, merecidamente.