sexta-feira, 21 de julho de 2017

TAXIANDO

TAXIANDO

Como um bom viajante frequento aeroportos pelo mundo, inclusive dormindo em alguns deles. Mas o que mais frequento por conta tanto da proximidade quanto pelas inúmeras viagens que minha mãe faz é o do Galeão. Ali eu me sinto num playground. Sou do tempo em que era apenas um terminal de passageiros com os acessos divididos por cores azul, vermelho e verde. Lembro de uma vez que meu tio Rodolfo, ainda na ativa da aeronáutica, nos levou eu e aos meus primos pra torre de controle do aeroporto pra gente conhecer e assistir não lembro se o pouso ou a decolagem do Concorde, o avião que já foi o mais rápido da rota Rio – Paris.

De lá pra cá muita coisa mudou. Principalmente o fluxo de passageiros  e com isso tiveram que construir um segundo terminal de passageiros. Na verdade, de acordo com o projeto inicial era pra ter quatro terminais. Como o primeiro foi construído lá pelos anos 70 e o segundo mais ou menos vinte anos depois, dava pra ver claramente a diferença de estilos entre um terminal e outro. As novelas mais antigas mostram muito o aeroporto quando era um terminal só. Hoje está tudo mais padronizado. O segundo terminal fez com que o primeiro mudasse um pouco de cara, mas ainda há resquícios dos primórdios do aeroporto do galeão.

Acho que antigamente só o Santos Dumont que servia a cidade do Rio. Me lembro, por exemplo, de Vargas frequentando o Santos Dumont. Já vi essa imagem em algum documentário. Assim como os aeroportos, os aviões também evoluíram e creio também que foi por isso a necessidade de se criar no Rio um aeroporto para atender a demanda maior de voos e principalmente os que venham de fora do país. Daí um aeroporto internacional no que dizia ser o seu padrão na época em que foi construído.
Uma coisa que me incomoda depois de frequentar vários aeroportos no mundo é o fato de os modais não se comunicarem. O que isso quer dizer? Qual o único meio de se sair do aeroporto sem ser de carro particular? Taxi, ou se você tiver paciência, ônibus. Grande parte dos aeroportos lá de fora te indicam não só esses meios de transporte, mas trem e metro também, ou seja, você pode sair como você desejar e a grande maioria opta por pegar um trem ou metrô.

Aqui tentaram com o tal BRT pro aeroporto internacional e o VLT pro Santos Dumont. A questão do BRT é só pra gente que tem o destino certo e que fica no itinerário do ônibus ou faz uma baldeação pra chegar ao local final. Já o VLT faz a ligação da rodoviáriado Rio com o aeroporto Santos Dumont. Acho interessante e esse caminho foi todo montado, formado, recuperado pros jogos olímpicos do ano passado. Vale a pena fazer esse trajeto pra conhecer o caminho. Mas ainda assim falta.

Por exemplo, uma pessoa que pegar o modal pra ir pra Copacabana teria que pegar o VLT no Santos Dumont, descer na Cinelândia ou Carioca e pegar o metrô até o bairro. Já quem chega pelo Galeão não tem essa opção. O BRT não vai até Copacabana. Só pagando o preço acachopante cobrados nos guichês que oferecem taxi pros passageiros do aeroporto. Me dá pena principalmente dos turistas que contratam esse tipo de serviço e nem sequer podem ter a opção de pegar um uber pra ter uma opção mais em conta e ficar refém mesmo da máfia dos taxistas que se amontinam no aeroporto atrás das suas presas fáceis.
          
          Tivemos uma evolução, não vou negar. Pelo menos uma opção a mais foi oferecida, mas ainda é pouco pra se chegar a um progresso mais digno e eficiente. Parece que ficou uma coisa mais cômoda, mais convencional mais um paliativo e vai se deixar assim por um bom tempo até que a cabeça de quem comanda esse tipo de transformação urbana, seja de que esfera for, não for iluminada pra facilitar o acesso a um bem público.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

BRINCANDO NAS ONDAS SONORAS

BRINCANDO NAS ONDAS SONORAS

Hoje estou a fim de fazer uma brincadeira que eu já vi sendo feita em chá de panela – ou seria de fralda – enfim, nesses encontros que a famíia faz quando uma mudança está por vir – ou um casamento ou uma criança, agora não me recordo bem.

A brincadeira consiste em pegar frases soltas no ar, ditas pelas pessoas sendo que uma tem o trabalho de anotar pra depois no final juntar todas elas e criar o que antigamente se dizia ser o samba do crioulo doido. No meu caso aqui e agora vai ser diferente. Não estou em nenhuma reunião nesse sentido, mas, como sempre tem uma música rolando enquanto escrevo, vou juntar trechos de várias delas pra ver que bicho que vai dar. Aliás, não são só as músicas, mas o que a locutora falar também. Acho uma brincadeira interessante, principalmente pra quem não sabe sobre o que escrever hoje, pra quem está com a síndrome da página em branco e não sabe sobre o que dissertar.

Vou começar. E os remédios pegam mal quando esquece do prazer. Agora tá tocando o refrão da música que eu vou pular até mesmo pra dificultar a identificação da música e não dá margem a futuros e possíveis processos caso os autores leiam isso e se irritem com essa proposta. Vamos a outra música.

Para realinhar as órbitas dos planetas. Derrubando com assombro exemplar. Essa a maioria conhece. Antes que eu visse você disse e eu não pude acreditar. Eu só queria te contar. Voltou pro início. Não vou repertir, mas descobriram de quem se trata? Seu telefone irá tocar. Eu só queria te contar. E a vida que ardia sem explicação. Não tem explicação. Essa foi fácil. Agora uma mais antiga.

Às vezes parece até que a gente deu nó. Você não vai me acertar a queima roupa. Hoje eu quero sair só. Não demora eu tô de volta. A lua me chama eu tenho que ir pra rua. Essa me faz lembrar exatamente onde eu tava da primeira vez que eu a escutei. No avião indo pra Miami e tocou num canal de musicas se não me engano chamado de new world. Década de noventa do século passado. Foi aí que eu conheci esse artista e comecei a descobrir mais composições dele. Agora a locutora tá falando.

Sorteio Silvana de Oliveira Leite ganhou ingresso pra gravação do Palco MPB com Fernanda Abreu. Agora vem o intervalo da programação. Continuo a brincadeira? Faço o mesmo com os anúncios? Por que não? Já que comecei vou até o fim. Vamos lá.

Venha curtir grandes shows da nova cena musical. Todo mundo ama Maria Gadu. Classicos MPB. As músicas que marcaram a sua vida  - programa novo estreiando agora. O ser humano tá na maior fissura. Down down down o high socity. A crise tá virando zona. Tem muito rei aí pedindo alforria. Alô, alô marciano. A coisa dá ficando russa. Alah. Música de Rita Lee na voz de Elis Regina. Pra variar estamos em guerra. E pensar que essa música continua atual.

Não adianta nem me abandonar. Já mudou de música. Que eu que dois que dez que dez milhões todos iguais. Mistério sempre há de pintar por aí. Que não sabe nada que morre afogada por mim. Voz, letra e música de Gilberto Gil. Até que nem tanto exotérico assim. Se eu sou algo incompreensível meu Deus é mais. Essa frase diz tudo.

Não sei como botar assovios no papel. Mais uma pra encerrar. Dessa eu não me lembro. Nossos bailes no clube da esquina quanta saudade. Será que algum dia ... cantar as canções que a gente quer ouvir. Sem querer fui me lembrar de uma flor e seus ramalhetes. Não sei de quem é letra, música e voz.


Também chega de brincar. Não foi exatamente igual até porque homem não liga muito pra esses tipos de brincadeiras, mas pelo menos tentei manter a chama do gracejo aceso, o espírito da brincadeira de um modo diferente, peculiar, inventado de última hora, mas mantendo, ou ao menos tentando o que se faz normalmente.

sábado, 8 de julho de 2017

FORA DE SÉRIE

FORA DE SÉRIE

Não sou chegado a seriados. Sei que é uma heresia dizer isso principalmente pra uma pessoa que trabalha na produção de um. Mas não acompanho nenhum deles. Não sei também até quando vou ser assim. Pode ser que eu me interesse por um ou outro como já aconteceu e assista em forma de maratona. Isso que me incomoda um pouco em acompanhar um seriado e esperar uma semana pra ver o capítulo seguinte. Por isso se eu não colocá-lo pra gravar continuamente tenho que ir na locadora e pegar a temporada pra assistir.

O primeiro seriado que acompanhei foi logo assim que a TV a cabo chegou em casa que foi o “The Nanny”. Depois passei a ver “Friends” que estava no auge da sua quarta temporada. Não sei se vi todas as temporadas, mas a sétima foi estilo maratona no dia de natal que eu passei em Londres quando a gente não tinha nada pra fazer, mas nessa altura eu já tinha parado de ver “Friends” também. . Um outro que me interessou e que vi via internet e depois via maratona foi o “Downtown Abby” que se passa no início do século passado em Londres e eu só vi até a terceira temporada faltando duas pra encerrar.

Com a lei que estipula uma percentagem para seriados nacionais na TV a cabo – creio que são trinta porcento – alguns canais investiram nas histórias tupiniquins. Um seriado nacional que eu acompanhei foi o “Magnífica 70”, exibido em treze episódios pela HBO na sua primeira temporada. E agora meu grupo de amigos está fazendo um cuja idéia nos foi apresentada em meados de 2015 e até maturar a idéia , criar os cinco primeiros episódios, adiquirir os equipamentos todos, começar a reunir as pessoas pra começar a realmente a gravar foi quase um ano. Isso porque estamos sem apoio, sem verba, sem patrocínio e andando com as nossas próprias pernas, aprendendo a cada dia de filmagem. Não temos estrutura grande como um estúdio ou uma cenografia a nossa disposição e dependemos de locações que a gente mesmo arruma. É tudo como se fosse um ação entre amigos, uma cooperativa onde todos no fim do processo ganham o que é cabido.  

Vai ser longo até tudo ficar pronto sim, vai ser demorado sim, mas vai ficar lindo e não vai deixar a desejar pra nenhuma dessas produções principalmente de nível nacional que a gente vê sendo exibida nesses canis a cabo. Vamos atingir desse patamar pra cima. É claro que a nossa intensão com a nossa série, o “Esquina 22” é também a exibição num canal desses ou até mesmo na própria Netflix. Aquele que quiser comprar por um preço que a gente achar justo e exibir na íntegra o conteúdo que estamos preparando será bem vindo. No entanto, em último caso temos um aliado em potencial que é o you tube. De qualquer forma, em algum dia, em alguma plataforma será exibido.

Os autores do “Esquina 22” que foram os mesmos da peça “Quem matou Laura Fausto?”, meus amigos, beberam muito na fonte de outro seriado chamado “Breaking Bad” e utilizaram como referência pra fazer alguns takes. Não somente, mas principalmente esse. Eu confesso que até o momento em que escrevo esse rascunho nunca vi sequer um capítulo desse seriado. Não me enchem os olhos os seriados de um modo geral. Os exibidos.


O “Esquina 22” é um causa, uma bandeira levantada, um projeto abraçado por mim também e um dos meus projetos de vida até ficar pronto, finalizado, editado e ser exibido. Depois não sabemos o que faremos se é que vamos fazer outra coisa nesse sentido. Não nos falta vontade e nem equipamento, mas vamos por etapas. Uma coisa de cada vez. Não adianta atropelar um projeto começando outro. Cada qual ao seu tempo.  

sexta-feira, 30 de junho de 2017

VIAJE BEM

VIAJE BEM

Uma das coisas que eu gosto de fazer e que me faz um bem enorme é viajar. Sinto um prazer enorme em fazer as malas e sair por aí, mesmo que seja pra ir pra São Paulo. Adoro a atmosfera que envolve esse evento apesar de não gostar muito de ficar no aeroporto. Por mim entrava direto no avião, mas como temos que cumprir certas normas é necessário chegar algumas horas antes e ficar por lá matando o tempo.

Eu já tive oportunidade de ir pra vários lugares do mundo. Tem uns que não faço questão de voltar, outros me sinto na obrigação de passar, mas tem inúmeros que eu ainda não conheço e quero conhecer quando tiver oportunidade . Alguns eu só passei algumas horas e conheci o básico do básico mesmo, sem me embrenhar nos locais como fazia os bandeirantes, mas deu pra visitar e conhecer alguma coisa.

Cada um investe seu dinheiro da maneira que lhe convém. Eu trabalho, junto e gasto viajando. Geralmente pra lugares que eu não conheço. A última viagem internacional que eu fiz ano passado, por exemplo, foi pra Copenhagen, na Dinamarca e pra Londres que é o lugar que eu faço questão de voltar pelo menos enquanto o Airton estiver por lá.

Da primeira vez que viajei pelo mundo ou por parte dele, selecionei três lugares pra voltar. Roma, Paris e Barcelona. Tive oportunidade de voltar a dois deles de modo que em Barcelona foi apenas aquela parada de um dia, mas em Roma não. Acho que foram mais dois ou três dias. Agora me falta Paris, mas entre voltar pra um lugar que eu conheço e desbravar um que eu nunca fui prefiro a segunda opção. Conhecer culturas novas, obter conhecimento, desvendar como um povo diferente e distante de você faz pra viver, ouvir uma língua totalmente diferente da sua, os hábitos deles é o que me instiga.

Sei que o mundo é enorme e tem uma quantidade de países que ultrapassa os duzentos. Nem todos me apetecem, nem todos são a minha primeira opção, principalmente os países asiáticos. Em primeiro lugar quero gastar todos os meus cartuchos, minhas possibilidades, meus euros com a Europa. Depois que eu fuçar todos os buracos europeus que eu tiver capacidade e coragem de ir aí sim eu mudo de continente e vou desbravar outro. Claro que tendo oportunidade não vou jogar fora. Se me pintar uma viagem pra Tonga parando no Japão é claro que eu vou, mas não vou economizar a ponto dessa viagem ser a minha primeira opção, o meu sonho de consumo.

Recentemente tem me batido uma vontade de voltar a viajar pros Estados Unidos pra ir na Disney. Já fui quatro vezes na de Orlando e uma na da Califórnia, mas isso já tem quase vinte anos e como muitos parques e brinquedos novos  abriram nesse tempo eu tenho que me atualizar. Confesso que os Estados Unidos não me apetecem hoje tanto quanto a Europa ou quando eu tinha os meus quinze anos que foi a minha primeira vez lá. As únicas coisas que me atraem lá atualmente, além dessa atualização da Disney são Nova York – que só fiquei uma semana e quero voltar porque não tive tempo de ver nada – e visitar minha prima Jana que mora lá e a última vez que fui pros EUA foi justamente pra visitá-la ainda quando ela morava no estado da Virginia. Hoje ela mora na Flórida. Isso faz sete anos já. O filho mais velho dela estava pra fazer cinco anos. Hoje ele tem onze com uma irmã de quase quatro.


Mas não adianta. Sempre que planejo uma viagem, a europa domina o mapa mundi dos lugares que eu não conheço e quero conhecer. Não sei ainda quando, mas preciso pensar no destino da próxima viagem e trabalhar pra juntar dinheiro pra poder ir. Enquanto junto vou vendo os locais e fazendo esquemas pra passar no maior número de lugares possíveis ou me fixar num ponto e explorar ao máximo possível o local.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

RAZÃO DO CORAÇÃO (publicado em 24 set 2007)

RAZÃO DO CORAÇÃO (publicado em 24 set 2007)

Quando eu era pequeno meu avô cantava uma música de não me lembro quem chamada “Aos pés da santa cruz”. Como grande maioria das canções da época, aliás, todas as épocas têm canções desse tipo, era uma música de fossa. Um dos versos dessa musica é de uma franqueza, sinceridade e verdade ímpar e que bem ou mal ministra uma área da nossa vida, a parte sentimental. Repara na veracidade desse verso: ‘O coração tem razões que a própria razão desconhece.’ Engraçado que tá me vindo outro verso de outra música que eu nem sei se tem a ver com que eu quero dizer aqui hoje, mas mesmo assim eu vou escrever. ‘Só se encontra a felicidade quando se entrega o coração.’ Esse é dá música “Tudo passará” interpretada pelo Nelson Ned.

Agora vamos tentar aproximar as duas. Se encontra a felicidade quando se entrega o coração que tem razões que tem razões desconhecidas pela própria razão. Muitas vezes, creio que no início das paixões arrebatadoras daquelas que a gente troca juras e jura que é para sempre, mesmo que dure uma semana, no entanto é eternizada, a gente entrega o coração com o único intuito de ser feliz e ele mesmo tracejando seus caminhos descobre uma razão que se a gente for parar pra pensar não tem uma lógica racional. Será que consegui me explicar?

Depois, com o tempo, a luz do convívio esclarece e assenta alguma coisa e a gente começa a pensar, ou não. Por isso que atualmente existem relacionamentos que eu acho válido e que eu apelido de ‘adicto em recuperação’. Sabe o lema de um ex qualquer coisa que diz ‘só por hoje eu não vou...’ Então, se encontra a felicidade entregando o coração só por aquele dia ou momento. E durante aquele curto período de tempo tem-se um ao outro. Isso é o que a juventude chama de ficar. Há pouco tempo também descobri que aqueles que formam o mesmo casal durante vários encontros são os ‘peguetes’ um do outro.

Relacionamentos sem compromisso que podem permanecer nessa constante ou se transformar em algo mais visceral, mais tesudo, por que não dizer, mais comprometido. Aí o amor muda sua configuração e toma outros rumos mais sérios, mais normatizados. Até alguns anos atrás eu pessoalmente não era adepto e nem sequer me atinava para esse tipo de relacionamento relâmpago. Mas depois, mal comparando, aliás, muito mal comparando, diga-se de passagem, percebi que um jogador de golfe reduz suas tacadas gradativamente, que um nadador só ganha depois de muito treinar e perder.

O risco faz parte do jogo da sedução. E como é um jogo se perde e se ganha. É raro uma pessoa entrar numa casa lotérica com seis dezenas e acertar sozinho na mega sena. Eu pensava que em se tratando de relacionamentos as prerrogativas eram diferentes. Agora tô percebendo que não e que não é tão mal ter relacionamentos relâmpagos. Não creias tu que saio por aí passando o rodo como se diz. Encontro sim a felicidade quando entrego meu coração a alguém mesmo que essa felicidade dure dez minutos. E não penso, ou melhor, não consigo descobrir a lógica da razão que rege meu músculo cardíaco. Quer saber, ficar livre, leve e solto é muito bom. Quando cansar é só se prender por um tempo ou para sempre.


O amor é um bem durável, no meu caso eterno, o que o transforma são as variações de intensidade que é irradiado pra cada pessoa. Acho que agora cheguei onde queria. E até que os trechos das músicas ajudaram a abrir um caminho, a traçar uma trilha, um ponto de apoio. Agora é só seguir os mandamentos do coração pra ser feliz. Bem, nesse segmento eu, por enquanto, to começando a me sair relativamente bem. O meu eu conservador deu o braço a torcer pro meu eu moderno, liberal. Vamos ver qual o outro setor que sofrerá com mudanças também.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

SAUDADE,QUANTO TEMPO FAZ

SAUDADE, QUANTO TEMPO FAZ

Tem dias que me bate uma saudade, uma nostalgia de um tempo que não volta mais. É um pouco redundante falar isso. Nenhum tempo volta mais. É igual água de rio que corre pro mar ou que move moinho.

Vontade de voltar no tempo e reviver dias e momentos que marcaram minha infância. Era feliz e não sabia. Acho que sou feliz ainda, mas se há felicidade pra  mim hoje eu só vou descobrir no futuro. Mais momentos que dias especificamente. Passávamos eu e minha turma do prédio brincando de pique durante intermináveis horas e gostávamos de ficar juntos curtindo essas horas.

Às vezes esse tempo está bem longe de mim. Sinto saudade dos velhos jornalistas. Aqueles que tinham como sua principal arma a máquina de escrever e dela saiam textos eloquentes e grandiosos que valorizavam muito o vocabulário que se utilizava nas páginas impressas e que circulavam nas bancas de jornal. As pessoas pareciam ler mais, serem mais instruídas, mais envolvidas em política e cultura. Atualmente é tudo muito superficial, nada se aprofunda, muito menos o vocabulário que jornais e revistas trazem nos textos das suas matérias.

Até o ano passado aqui em casa se assinavam duas revistas de grande circulação e eu as lia não por tomar partido das suas editorias, mas até mesmo pra argumentar e contrapor o que elas publicavam. Mas também depois que acabou o contrato da assinatura não sinto nenhuma falta em lê-las. Costuma-se comprar jornal aos domingos também. Desse escolho alguns cadernos e/ou colunas para lê-los, principalmente o de cultura. Talvez se eu tivesse vivido algumas décadas antes o meu interesse pelo jornalismo teria se aguçado mais. Mas também quem daquela época iria imaginar em que ponto da tecnologia da informação chegamos?

Nem eu na minha tenra infância com meus amigos do prédio em que morava imaginava que iria viver com aparatos só vistos nos filmes de James Bond ou de ficção científica. Homens nunca conviveram com dinossauros até Spielberg vir com o Jurassic Park. Robôs nunca tiveram sentimentos até o mesmo Spielberg vir com o Inteligencia Artificial. Filmes que se bobear vão ter o mesmo destino dos aparatos do James Bond, ou seja a realidade. Sinto saudade do tempo em que pokemon era só um desenho japonês chato e não um jogo viciante onde as pessoas saem com o aparelho de telefone celular em punho pra caçar em lugares reais os bichinhos virtuais.

Será que meus pais viam mal na gente quando passávamos algumas horas jogando atari. Acho que não porque inconscientemente sabíamos dividir o nosso tempo, coisa que não vejo o meu sobrinho mais velho fazer. Por outro lado o computador ou a tela do celular é a única distração que tem aqui em casa. Existem outras, mas que não enchem os olhos dele mais, como jogos ou brinquedos de montar.

Na minha infância a gente vivia mudando de fase. Tinhamos a fase da bolinha de gude, do buraco, do jogo de damas, do jogo da vida, do war e de vários tantos outros que nem passávamos perto dos jogos eletrônicos. Nossa prioridade era a socialização com nossos coleguinhas, ou melhor, com amigos que carregamos pro resto da vida. Não vejo meu sobrinho socializando com as outras crianças desse prédio aqui. Sinais dos tempos? Pode ser. Talvez seja por isso que a gente sente saudade de um tempo que não volta mais. De uma época que a gente considera de ouro. Das dificuldades que passamos antes de chegar a evolução da tecnologia e facilitar tudo.


Ninguém mais vai se lembrar de como se fazia uma pesquisa escolar no tempo em que as fontes eram ou a biblioteca da escola ou pra quem tinha em casa a enciclopédia Barsa. Principalmente agora nos tempos do google. Taí a única coisa que eu posso afirmar de que não tenho saudade, não me dá nostalgia.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

TUDO ERA APENAS UMA BRINCADEIRA

TUDO ERA APENAS UMA BRINCADEIRA

No filme “O mágico de Oz”, para Doroty, a personagem principal, voltar pra casa tem que bater os sapatos de rubi no calcanhar e repetir três vezes: “Não há melhor lugar do que o nosso lar.” Tudo foi um sonho que ela teve, uma espécie de visão, uma realidade que não era a dela, apesar de alguns conhecidos também fazerem parte da história que ela viveu. Eu faço uma analogia desse”sonho” com o teatro.

Quando a gente senta pra assistir a um espetáculo vivemos outra realidade que não a nossa. As vezes pode chegar perto e a gente se identificar com alguma coisa, mas não é a nossa realidade. As vezes pode até chocar e fazer com que você reveja alguns conceitos ou tenha mais convicção dos seus preceitos, mas o que está sendo encenado não é a nossa vida, a nossa realidade. Sabemos que aquelas pessoas existem em algum lugar, mas ali elas se demonstram pra gente. O teatro é mágico sim, mais do que o cinema que está tudo pronto. No teatro é ao vivo, é real, é ali, é agora, é efêmero, é divino. O bichinho do teatro há muito me mordeu. Sempre gostei de assistir e depois que eu voltei a trabalhar com, se um dia eu tiver que largar vai ser difícil me desapegar dele. Caso isso aconteça continuarei assistindo e acompanhando meus amigos em seus espetáculos.

É uma pena que num país como o Brasil que tem uma história e bagagem teatral antiga e enorme ainda não se valorize a arte de um modo geral. É difícil montar uma peça, lançar um livro, divulgar um trabalho musical, fotográfico, plástico, enfim, é difícil fazer arte no Brasil e mais difícil ainda que essa arte seja valorizada, receba o retorno que precise pra se manter viva e pulsante. Não dá pra ficar refém de um patrocinador, não dá pra depender de um empresa gostar do seu projeto e bancá-lo porque isso só faz selecionar o que vale ou não a pena para a própria empresa e não pra quem o teatro é de direito, ou seja, a população. Talvez seja por causa dessa política que achamos os ingressos caros. É um custo alto bancar uma peça de teatro, não só por cenários, figurinos, elenco, técnicos de luz e som como principalmente pelo alto valor dos aluguéis das salas de espetáculos particulares.

Eu fico imaginando na época das grandes companhias de teatro que se apresentavam de terça a domingo com duas sessões em alguns dias da semana e só viviam disso já que ficavam em torno de dois meses em cartaz e emendavam um espetáculo em outro sem parar. Claro que nessa época a concorrência era quase nula. Não havia televisão e muito menos internet. As pessoas se interessavam mais no que estava acontecendo culturalmente, politicamente no país. Eram outros tempos.

Atualmente os musicais tem crescido bastante. Abriu-se um gênero que valguns anos atrás eram só vistos e comentados por quem assistiam em Londres ou Nova York. Hoje existem escolas de teatro especializadas em formação de atores especificamente pra musicais. Nesse campo eu só fico meio cabreiro com os musicais ou importados ou biográficos. Acho que já está ficando maçante, mas mesmo assim apoio por ser feito pela gente e mesmo eles também tem sua magia, sua capacidade de entreter e quem sabe até modificar o interior de alguém que vai assistir.
           
          É preciso a coragem de um leão pra levantar uma peça e o enfrentamento com outros leões de bandos diferentes pra brigar por manter em cartaz. É preciso a esperteza do cérebro de um espantalho pra driblar todos os contras em chamar o público e convence-lo de que ali se vive uma vida, se conta uma história de valor. E principalmente é preciso o coração de um homem de lata pra amar esse ofício que é o de estar em cena e tudo que envolve pra que a cena aconteça. E se não há melhor lugar que o nosso lar certamente em segundo lugar não há melhor lugar que uma sala de espetáculos teatrais. 

sexta-feira, 2 de junho de 2017

ALERGIA, ALERGIA

ALERGIA, ALERGIA

Dizem que quanto mais a gente vai ficando velho, mais surpresa temos em relação ao que o nosso organismo mostra pra gente, ou seja mais doenças aparecem. Eu, por exemplo, descobri que tenho intolerancia a algum tipo de alimento que até agora eu não sei o que é.

Tudo começou no final da temporada de “7contra 1” em julho do ano passado. Foi só a temporada acabar pra começar a surgir pontinhos avermelhados pelo meu corpo. Os percebi na segunda, na terça assisti uma leitura dramatizada e na quarta baixei no hospital pra tentar identificar alguma coisa, inclusive se era zika. A médica perguntou até se eu tinha trocado recentemente de xampu.
No exame não acusou nada e ela me receitou um anti alérgico pra tomar por sete dias. Saí do hospital e passei logo na farmácia pra comprar e já começar a tomar. Ela também receitou outro pra caso começasse a coçar. Até coçava, mas não era aquela coceira fora do normal, desesperadora, tanto que esse nem comprei e nem tomei. Quando eu percebi que não estava amais pontilhado eu parei de tomar o remédio. Não cumpri o que a médica pediu. Tomei o remédio por  seis dias e não por sete, o que fez sobrarem quatro comprimidos na cartela e que eu guardei pra sorte minha.

Poucas semanas depois tornei a ficar com pontinhos avermelhados em algumas partes do corpo, principalmente pernas e tronco. Dessa vez não fui a lugar nenhum. Tomei os quatro comprimidos restantes do antialérgico, o suficiente pra que a tal alergia não evoluísse mais e começasse a regredir num ritmo mais lento. Talvez se eu tivesse tomado mais dois ou três comprimidos a involução teria sido mais rápida. Agora o que foi que provocou isso eu não tenho a menor idéia.

Eu me lembro bem quando foi a primeira vez que isso aconteceu comigo e não precisou nem de ir a médico pra diagnosticar. Foi uns quinze anos atrás e era véspera do batizado da Diana, filha da minha prima Livia. Fui comendo salaminho e quando vi a peça do embutido estava quase no fim. Na hora nada aconteceu, mas no dia seguinte acordei todo pipocado e coçando muito mais que dessas vezes. Eu só não me lembro o que eu fiz para sumir com os pontinhos avermelhados. Nunca mais tive problemas com salaminho e como sem pensar nisso. Esse foi o mais parecido caso que vivenciei frente a essa surpreendente alergia de alguma coisa que eu comi e não sei exatamente o que.

Toda vez que eu vou a algum médico, quando perguntado se tenho alergia a alguma coisa eu respondo penicilina. Segundo o que minha mãe conta, eu devia ter uns dois ou três anos e tive que tomar uma injeção de penicilina não sei pra que que me causou uma reação alérgica. Ela acha que se eu tomar hoje em dia é capaz de eu não ter reação nenhuma, já que se passaram quase quarenta anos, mas eu prefiro não me arriscar.

Outra coisa que eu evito é camarão. Não que eu seja realmente alérgico, mas parei de comer porque sempre que eu comia me dava a mesma sensação quando a casquinha do milho de pipoca agarra na goela. Não sei se isso é um tipo de alergia, mas que é uma sensação horrível isso é.


No final do ano passado eu comentei sobre a pedra na parótida, agora sobre essa alergia misteriosa. Qual será a próxima? Ou será que isso é a reação do organismo a como ele foi tratado durante minha vida toda e agora ele está querendo me dizer pra parar com alguma coisa, mudar alguns hábitos. Mas especificamente nesse caso o que foi que eu comi que me deixou assim? Será que eu tô ficando alérgico a alguma coisa que eu não era? Isso pode acontecer? Agora que passou tudo ainda devo consultar um alergista? Nossa, quantas dúvidas, quantas perguntas. Pelo menos nesse ponto eu não tenho alergia nenhuma e gosto de procurar saber.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

MEU MUNDO CAIU (publicado em 28 ago 2006)

MEU MUNDO CAIU(publicado em 28 ago 2006)

Uma decisão tomada essa semana por cientistas astrônomos do mundo inteiro e divulgada me deixou de queixo caído. A gente quando criança que começa a estudar e observar o mundo faz umas construções que depois ficam difíceis de serem derrubadas. Essa foi uma. Desde quando aprendi, creio que na 3ª série, decorei a ordem dos planetas no sistema solar. Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão. Depois ainda descobriram algo semelhante a um planeta que no caso seria o décimo, mas não concederam a patente de planeta pra ele, que nem me lembro mais o que era. Agora, decidiram que Plutão não é mais um planeta. Como assim? Só porque tá longe da Terra, ou tem um tamanho n vezes inferior ao planeta azul? Então por que o colocaram como planeta se as características que ele possui não dão o grau de componente do sistema solar? Pra mim Plutão sempre será o nono planeta do sistema solar, queiram ou não os cientistas desocupados que resolveram rebaixá-lo.

Seguindo essa linha de derrubada de mitos, tive medo de ir ao cinema e ver o filme do novo ‘Superman’. Sou conservador até na ficção. Na minha concepção o homem de aço é o Christopher Reeve que viveu o personagem em uma série de quatro filmes entre o fim da década de setenta e o início da de oitenta, ou seja, minha infância. Eu até acompanhava uma série chamada ‘Lois e Clark’ e uns poucos episódios do ‘Smallville’ que também falam do Super-homem pra linguagem da televisão. Mas no cinema, aquele ‘Superman’ é imbatível pra mim. Mesmo agora depois de morto. Fica até esquisito dizer que o Super-homem morreu, mas, obviamente, não é a personagem, mas o ator que a interpretou. Em maio de 95, após a queda de um cavalo ele fraturou uma vértebra e ficou tetraplégico. De lá pra cá se tornou cobaia em vários experimentos científicos, principalmente com células-tronco, mas infelizmente deve ter uns três anos que ele voou dessa pra melhor.

Mitos caem mesmo quando eles cientificamente não foram levantados. Outro exemplo é o olho. No curso que faço de pós-graduação aos sábados pela manhã, tem uma matéria que foi iniciada há duas semanas, abrindo o último módulo do curso, chamada Teoria da Imagem, que começou explicando o olho na sua parte fisiológica, o seu funcionamento físico e químico. E por conta dos cones e bastonetes que existem nele associados com a intensidade de raios incidentes nas superfícies dos objetos é possível – pelo menos foi isso que foi afirmado em sala de aula – distinguir a cor de cada objeto. Ou seja, a cor é só o reflexo da intensidade da luz de modo que uma coisa que se vê de cor cinza, por exemplo, não e cinza, e sim fruto da sua imaginação combinada com a física e química do seu olho. Pode ter uma explicação científica plausível, mas não me é convincente. Pra mim o cinza vai ser sempre cinza, o azul, o verde, o amarelo, o vermelho e qualquer outra cor, mesmo aquelas que eu não sei identificar, tipo fúcsia, serão sempre cores e não reação químico-física do meu olho.

O mundo está em constante transformação. Acompanhei a divisão do estado de Goiás em dois (Goiás e Tocantins) e os mais antigos acompanharam o mesmo com o estado de Mato Grosso. Isso eu aceito por que não houve a supressão de nada, apenas transformações, mas as terras continuam lá, do mesmo jeito que a Rússia para com a União Soviética, A Iugoslávia, para com a Bósnia, Sérvia, Montenegro e etc... Berlim para com a Alemanha.

            Mas tenha a santa paciência. Destituir Plutão do seu posto de nono planeta do sistema solar é uma sacanagem. Tudo bem que isso não vá interferir em nada na vida terráquea. Eu sou defensor ferrenho de Plutão. Ele não pode ser substituído, se é que tem outro planeta em vista para tal. Dizer que o mundo não é colorido, que tudo é fruto de efeitos físico-químicos também é demais. E esse ‘Superman’ não é convincente

sexta-feira, 19 de maio de 2017

SERIA SE NÃO FOSSE

SERIA SE NÃO FOSSE

Uma vez um amigo meu contou duas histórias engraçadas que fazem parte das situações anedotárias pelas quais ele já passou. Sabe aquele tipo de história que ninguém acredita se não se passa por elas? Pois bem ele passou.

Eu também já passei por várias, e quem não passa, sem contar parentes e amigos que também se encontram em situações cômicas, ou seja, todo nós temos no nosso consciente um acontecimento engraçado o qual já passamos e indubitavelmente nos pegamos rindo de vários deles quando pensamos nelas. A primeira que ele me contou foi uma história acontecida no carnaval.

Época propícia pra histórias desse gênero. Ele estava na fila do banheiro, já que além de ser um rapaz educado, não queria pagar multa por fazer xixi na rua e quando estava na vez dele se alivar, chegou o fiscal expulsando todo mundo do banheiro já que o mesmo estava virando um local de pegação e ele implorou pro tal fiscal que ele não tinha nada a ver com aquela sodomia toda e tudo o que ele queria era apenas dar uma mijadinha. Disse isso quase chorando tamanha vontade que ele estava e precisava se aliviar. Imagina você pedir pelo amor de Deus pra poder desaguar no lugar próprio pra isso por conta de meia dúzia de três ou quatro salientes que resolvem fazer das casinhas do banheiro locais de “fast foda” literalmente.

A outra que ele me contou foi que por uns seis meses da vida dele trabalhou num sex shop, talvez o único da cidade na época, quando esse tipo de loja estava chegando ao Brasil. De modo que esse fornecia material para as moças de vida fácil que atendiam no bordel de alta classe da ciade e o combinado entre a loja e o prostíbulo era de que se poderia devolver o material desde que não usado e lacrado em suas caixas ou plásticos de embalagem. Agora você imagina um amoça ou rapaz de aparência distinta entrando numa loja que era novidade, ou seja, todos gostariam de entrar mas poucos tinham coragem por conta do pudor e devolvendo mercadoria por falta de uso. Algo como:
- Olha! Vim devolver esse consolo porque minha cliente achou isso um exagero e ficou com medo que eu a penetrasse com isso.

Faço idéia do que ele não tenha passado e/ou escutado por ser um atendente vde sex shop. Se em um dia você pode presenciar fatos pitorescos noma loja desse tipo, imagina em seis meses. Eu nem chamo isso de gafe, já que existia um acordo. São situações cômicas, engraçadas pelas quais passamos devido a algum fator que nos levou a ela. Um exemplo disso é ficar preso no elevador por meia hora, se foi realmente isso, e ficar com mais quatro amigos esperando por alguma solução como aconteceu comigo, com esse meu amigo  que passou por essas situações descritas acima e mais três amigos na chegadas à festinha de encerramento da temporada de um espetáculo que fizemos em julho do ano passado.

Eu mesmo já passei por várias situações cômicas como ser convidado a entrar de penetra em um aniversário e como se não bastasse aí sim cometer a gafe e dar os parabéns pra pessoa errada. Já contei essa história aqui em algum lugar do passado. Acho que os grandes gênios das situações cômicas já nos deixaram. Grande Otelo, Oscarito, Mazzaropi, Golias, Chico Anísio, Walter D’Ávila, Max Nunes... Em suma, os gênios do humor no país desde o tempo de ouro do rádio. Esses sabiam divertir todos que os ouviam/assistiam passando pelas situações mais engraçadas e/ou contando histórias tão ou mais engraçadas quanto as que eu citei acima.


A vida não seria boa se só vivêssemos e pensássemos nas tragédias. Esses tipos de situação pelas quais passamos fazem o equilíbrio com o que o mundo nos apresenta, com o que o mundo nos faz viver. Como canta o palhaço “pra viver é melhor sempre rir”. 

domingo, 14 de maio de 2017

QUAL É A MÚSICA

QUAL É A MÚSICA?

Tem uma música dos Mutantes que diz “Posso perder minha mulher, minha mãe desde que eu tenha o meu rock and roll.” Isso significa que nada é mais importante do que a música. No caso dos Mutantes, por eles fazerem o rock’n roll, esse era o tipo de música que eles não viviam sem. A música realmente dá vida ao ambiente.

Eu enquanto estou escrevendo essa postagem assim como noventa e cinco porcento das outras escuto uma música. Ligo na rádio de minha preferencia e deixo rolar a programação até eu terminar de escrever. Se não é rádio é um disco ou um canal daqueles de música da tv a cabo, mas sempre deixo as ondas sonoras penetrarem nos meus tímpanos. No banheiro tenho um rádio pendurado no cano do chuveiro pra toda vez que eu vou demorar um pouco lá, liga-lo. Quando entro no carro umas das primeiras coisas que eu faço é ligar o som.

Música é um meio de comunicação e assim como um livro, um filme ou uma peça de teatro ela pode te alegrar, te entristecer, provocar algum tipo de sensação, te reportar pra algum lugar ou apenas te divertir. Atualmente tá cada vez mais difícil rotular um gênero musical. Não existe uma definição nítida de que música representa esse ou aquele seguimento. Claro que uma vez rotulado, por questão de catalogamento nas lojas que ainda vendem disco, tal cantor vai ser sempre parte daquele seguimento, mesmo que a proposta não seja mais aquela.

O gênero MPB, por exemplo, abrange muita coisa. Tenho pra mim que esse rótulo foi criado lá pelos anos sessenta, na época dos grandes festivais quando os chamados populares ouviam canções de Chico, Gal, Caetano, Gil, Bethania, Elis dentre tantos outros que levantaram e criaram essa bandeira da música popular brasileira. Quem atualmente rotula isso? Dos anos sessenta pra cá tanta coisa mudou. Hoje cada um pode produzir o seu disco no computador de casa, gravar um clipe também caseiro, colocar no you tube e virar um sucesso sem mesmo que esteja amparado por nenhuma gravadora.

Aliás, ainda exite gravadora? Existe, mas o processo não é mais o mesmo. Contrato mesmo só com um ou outro, tipo Ivete , Caetano... A grande maioria abriu sua própria gravadora e se utiliza das grandes pra parceria na distribuição, caso as próprias não consigam por si só, pela sua real independência. Essa evolução acabou com programas tipo o do Chacrinha, cujos artistas iam lá pra cantar seus lançamentos e sucessos. Hoje tudo se encontra na internet. Assim como a música te faz viajar, eu acho que fiz o mesmo falando sobre isso tudo.

O fato é que a música nunca vai deixar de existir, mesmo que modifiquem seus métodos de produção, de divulgação e por que não dizer também de execução. E enquanto existir música vai existir avivamento de ambiente independente do astral da música. Não haveria som se não houvesse o silêncio como canta o Lulu Santos, e não há melhor tipo de som do que um harmonioso , melodioso e até hipinótico como a música. Por mais que eu não goste de alguns rótulos, por mais que eu não consuma certos seguimentos acho que há espaço pra tudo e pra todos. Aqueles que conseguirem se manter vão se eternizar.

             Garanto que tem muita gente que deu as caras nos anos sessenta que ninguém sabe quem é ou por onde anda. Quando a música é boa e o artista que o suporta também tem qualidade o tempo vai se encarregar de perpetuar e eternizar o seu trabalho na memória de todos . Assim como tem gente que está em voga hoje e que daqui a alguns anos ninguém vai saber quem foi. As vezes conseguem emplacar um sucesso, tentam um segundo mas não passa do terceiro. De qualquer modo se agarram na música, tentam com ela e nela ficam, mesmo que ninguém as ouça.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

DO LAR

DO LAR

Do lar. Somente pouco tempo atrás isso foi reconhecido como profissão. Agora se pode aposentar como sendo do lar. A mulher que fica em casa cuidando a vida toda de um lar agora pode contar com a previdência social para o desfruto de uma aposentadoria. Uma pessoa que se considera do lar não tem o mesmo rótulo que doméstica ou diarista já que essas cuidam também da casa dos outros além das delas próprias e nem pode ser considerada desempregada pelo fato de um lar consumir tanta energia humana pra ser mantido e isso é um tipo de trabalho mesmo que não remunerado.

A minha vivência, a minha experiência indica que eu poderia ser uma pessoa do laer sem maiores empecilhos. Ao morar em Londres eu tive que aprender a me virar sozinho . Aqui eu já me virava um pouco, mas lá foi diferente. Foi aquela coisa de que se eu não fizesse não teria a quem recorrer, por mais que as pessoas da casa se ajudassem. Lá eu cozinhava minha própria comida, eu lavava minha própria roupa, eu limpava meu quarto, eu aprendi a me virar ainda mais. Essa experiência é grandiosa e uma ótima oportunidade pra quem pode vivenciá-la. Recomendo sempre. Tanto que depois que eu voltei de lá eu fiquei mais independente e quando nos mudamos  de apartamento, no meu quarto, no meu território quem faz tudo sou eu.

Uma vez por mês eu troco a roupa de cama, tiro as teias de aranha  que eventualmente se formam nas junções dos tetos com as paredes, passo aspirador, isso só no meu quarto. A Nadir até dá uma força passando a vassoura ou um pano úmido uma vez por semana. E todo ano eu limpo todo o meu armário. Tiro ítem por ítem, passo um perfex com veja, limpo a poeria acumulada do ano não só no armário, mas na escrivaninha e na mesinha do som e da TV também. Na cozinha eu cuido do meu mate que faço todo dia, ou quase, e do meu arroz que geralmente cozinho no domingo pra comer durante a semana até acabar o estoque.

Em Londres eu também tirava uma dia pra cozinhar, geralmente eram nas segundas quando eu voltava com as compras da semana e sentava pra descascar os legumes e cozinha-los. Quando se resolvia fazer jantar pro pessoal da casa quem fazia um macarrão a carbonara, modéstia parte gostoso, era eu. Mais ou menos quinze pessoas se deliciando com meu tempero. Era bom.

As únicas coisas das quais me queixo não saber fazer no que diz respeito a ser do lar são passar e costurar. Cheguei a me arriscar a passar alguma roupa em Londres e foi lá que percebi essa minha deficiência. Não fica perfeito. Fica tipo um desamassado enrugado. Mas como em Londres as roupas se escondem por baixo dos casacões grandese quentes ninguém ve se as roupas estão amassadas ou não e eu acho que eles estão tão acostumados a fazer isso que eles também nem passam passam as camisas de malha. Ou então levam pra lavanderia e deixam esse tipo de serviço a cargo de um terceirizado.

Já costurar eu nunca me arrisquei. Tinha épocas que minha mãe usava a máquina de costura dela pra ajeitar algumas peças de roupas nossas. Nem com a máquina eu me daria bem. Acho que não tenho dom pra isso. Não sei nem pegar um botão numa calça ou camisa. Se bem que ultimamente não tenho precisado, mas nua emergência eu não vou saber fazer. Primeiro se perde um bom tempo tentando enfiar a linha no buraco da agulha. Depois tem que passar pelo furo e quando chega a um determinado ponto dá-se um nó na linha.


Se for isso na teoria você até pode achar que costuro bem, mas na prática eu não consigo fazer nada disso. A parte linha, agulha e ferro de passar, pro resto do lar eu não me aperto. 

sábado, 29 de abril de 2017

MORRE UMA ESTRELA (publicado em 28 mar 2005)

MORRE UMA ESTRELA (publicado em 28 mar 2005)

Uma notícia me deixou estarrecido no início desse ano. Boa parte da minha infância e certamente da infância de muita gente da minha faixa etária ou não está prestes a fechar. A Estrela, fábrica de sonhos de muitas crianças, pediu sua falência. Há muito o brilho dela não era tão intenso como, por exemplo, nos áureos tempos em que um brinquedo era fundamental para mim, mas daí a se apagar para sempre é de tocar o coração.

Como dizia a propaganda dela própria, ‘todo segredo de um brinquedo vive na nossa emoção e toda criança tem uma estrela dentro do coração.’ Infelizmente não terão mais. A (de)cadencia da Estrela vem sendo notada na falta de novos lançamentos de brinquedos, principalmente em épocas mais apelativas para o consumo dos mesmos no Natal ou no dia das crianças, e na cessão do licenciamento e comercialização de vários de seus brinquedos para outras marcas. Produtos que hoje estão associados com apresentadores de tv, como a pipoqueira da Eliana, já fizeram parte do rol da Estrela.

A exceção dos bonequinhos de Playmobil, os quais tinha em grande quantidade, meus natais e aniversários eram uma constelação só. Além de vários jogos – Jogo da Vida, Detetive, Cara a Cara – eu tinha também a coleção completa dos ‘Super Powers’, os super heróis que formavam a minha ‘Liga da Justiça’ particular. Desde Super-Homem, Batman e Robin, Mulher Maravilha até os menos requisitados Homem Elástico, Lanterna Verde e Homem Pássaro. O mecanismo deles consistia em pressionar as pernas para mexerem os braços. Poucos funcionavam ao contrário. Não tenho certeza de que eles foram os meus últimos contatos com a Estrela, mas não lembro de brinquedos posteriores a esse que eu tenha ganhado sabendo que a possibilidade era grande. Depois dessa coleção, meus interesses se voltaram para outros ramos.

Todos os nossos brinquedos foram repassados para outras pessoas. Essa minha coleção, por exemplo, dei para um primo meu, criança na época. De todos, o único que mantenho, apesar de não estar pleno das suas funções mecânicas, porém completo em suas peças, é o Ferrorama. Dele, não me desfaço. A não ser que por ventura encontre um colecionador que esteja disposto a desembolsar uma boa quantia em dinheiro e tenha um argumento convincente para que eu possa aceitar a grana que me oferecer.

Pode ser que o que eu diga agora seja um clichê, mas a minha infância não poderia ter sido melhor. A geração anterior a minha fala o mesmo, e a posterior provavelmente falará também. No entanto, as pessoas com idade entre vinte e cinco e trinta e poucos anos, não têm do que se queixar. Além dos brinquedos, e muitos da Estrela, que nos divertiam em sua grande maioria ensinando e educando, os desenhos animados, (Pica-pau, Tom e Jerry, Corrida Maluca...) os programas infantis, (Balão Mágico, Arca de Noé, Sítio do Pica-pau Amarelo, Bozo...) os discos – na época ainda feitos de vinil – contando as histórias com o toque do João de Barro, o Braguinha e as brincadeiras saudáveis que visavam uma competição sadia e uma relação de respeito, solidariedade e confraternização, infelizmente estão se perdendo com o avanço da tecnologia e a queda na qualidade da educação. Ia enumerar também a violência, porém, seria o estopim para a discussão sobre se isso tudo é causa ou conseqüência da violência.


Bem, voltando à defesa de a minha infância ser a melhor é que a minha geração pegou e acompanhou mais de perto toda a transição da tecnologia. Do vinil para CD, da máquina de escrever para o computador que também faz vês de máquina de escrever, da longa e demorada pesquisa em livros de bibliotecas para a rápida busca na internet, enfim, da água pro vinho. Mas, sobretudo, sempre guardando e cativando a estrela de nossos corações acesa, ao contrário da (de)cadência da fábrica de alguns sonhos nossos.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

LIVRAI-ME DOS LIVROS

LIVRAI-ME DOS LIVROS

Como já disse aqui inúmeras vezes – prometo que essa será a última – não consigo ainda me desapegar dos meus discos, apesar de já estar evoluindo nesse quesito, mas dos livros desapego fácil. Tenho poucos livros só de alguns autores que eu gosto e os mantenho comigo além de algumas coleções (acho que duas). Esses ainda vão ocupar o meu armário durante algum tempo.

Mas tem outros também encaixotados que eu quero me desfazer e não consigo. São os meus mesmos, de minha autoria que estão guardados em duas caixas de sapato e uma de sabão em pó. Não a caixa em si, mas aquelas que estocam as caixas de sabão nos mercados. Com certeza tem mais de cem exemplares  pra eu me desfazer, mas não sei como. Acho que eu vou dar de presente, mas pra quem? Nesse mundo virtual será que tem gente que para pra ler ainda? Será que as pessoas tem tempo pra ler? Será que aleitura faz parte da rotina, do dia a dia? Será que livro ainda é um bom presente?

Pra mim já foi. Hoje em dia não é mais não. Não pelo fato de eu não querer ler. Eu adoro ler. É o meu passatempo favorito e sempre vai ser. Minha birra com livros é ele fisicamente. Eu não quero ter mais o livro em si, quero ter as histórias  e as memórias que ele conta e pra isso não precisa tê-lo nem virtualmente. Quero que ele ocupe espaço na minha memória e não no meu armário e nem no meu HD. Se bem que se for pra ter um livro vque seja no virtual.

Ultimamente eu pego um livro emprestado, leio e devolvo. Sou um dos poucos que devolve livro. Já perdi vários assim, mas o que mais me marcou foi a soberba da coleção plenos pecados onde cada autor escreveu sobre um pecado e dos sete eu fiquei com seis. Essa, por exemplo, foi uma coleção que me desfiz justamente por conta desse desfalque.

Mas o que fazer com os meus? Doar pra quem? Presentear a quem? Tá me dando agonia ver tantos exemplares virando comida de traça nessas caixas e eu não consigo dar um fim neles. No caso desse específico foi o primeiro que fiz por uma editora justamente pensando que o estoque ficaria com eles e não o contrário. Mas por eu ser inexperiente apostei e investi nisso.

Nessa época meu lado Paulo Coelho falava mais alto e minha produção literária estava a mil. Com o tempo a realidade foi ficando mais competitiva e as inspirações foram sumindo. Hoje não tenho mais tempo nem vontade de escrever outro romance. Não vejo mais ineditismo no que fazer. Espero já ter resolvido esse problema, ou parte dele, no tempo do hiato que existe entre a escrita e a postagem desse texto. Caso eu tenha resolvido isso, esqueçam tudo o que escrevi, como disse um presidente ao ser indagados sobre os livros enquanto escritos na época em que fora professor de sociologia.


Meu primeiro livro escrevi pra saber se eu tinha capacidade de desenvolver e segurar uma história do início ao fim. Por mais absurda e surreal que ela fosse, meu primeiro desafio foi cumprido. Tentei dar uma continuidade a história, mas acabei me perdendo e deixei pra lá. Todo escritor se não dominar suas personagens acaba sendo engolido por elas e se perde na história que escreve. Meu best seller não foi publicado e presenteei com cópias xerox apenas a minha família que leu e aprovou com louvor. Esses pouquíssimos tiveram a oportunidadede ler.  Inspirado nos ataques terroristas do onze de setembro criei uma história cujo cenário é Niterói, as personagens são pessoas da minha família e uma pesquisa histórica que abre o livro no capítulo um. No memso ano escrevi esse que ocupa essas caixas. Por último foi o relato do meu mochilão pela Europa. Continuo tendo vergonha quando alguém diz que sou escritor, mas como esse ano é o último desse meu espaço, tô rasgando o verbo.    

sexta-feira, 14 de abril de 2017

TEM QUE SUAR?

TEM QUE SUAR?

Não sei se quando essa postagem for ao ar eu ainda estarei fazendo o que eu faço enquanto a escrevo. Não sei se renovo o meu contrato com a academia que venceu agora em março.

Depois de um bom incentivo e torcida eu voltei pra academia. Não é uma atividade que eu goste de fazer, mas atualmente acho um mal necessário. Não a academia em si, mas uma atividade física além da aeróbica que eu fazia caminhando na praia. Por conta de um empurrão que eu tava querendo e precisando e de uma combinação que não deu muito certo com uma amiga que nos primeiros dias eu chamava , mas a preguiça a vencia, comecei a ir com a cara e a coragem.

Ambiente de academia não é uma coisa que me agrada muito. Sabe-se que mal ou bem você fica permanentemente sob os olharesjulgadores principalmente dos outros frequentadores. Eu por exemplo no meu íntimo aprovo e dou força pros gordinhos como eu que aparecem lá com um foco, com um objetivo que é emagrecer. As pessoas acham que eu não estou gordo, que eu estou bem. Até a minha nutricionista não quer que eu atinja meu objetivo de chegar aos noventa quilos. Ela acha que noventa e cinco é o ideal. Mas se eu chegar aos noventa com uma cara, um corpo mais saudável, mais definido eu vou ficar além de gostoso, irresistível.

Brincadeiras a parte, quanto mais o tempo passa mais me parece que eu fico longe do corpo que eu desejo pra mim. Na verdade o corpo é esse mesmo, só que um poico mais duro, mais rígido e por mais que eu fosse quase todo dia pra academia, incluindo fins de semana, e passasse em torno de duas horas lá dentro, sendo uma pra musculação e uma pra ergometria, exceto fins de semana que o tempo era reduzido pela metade, meu corpo não chegou ao meu ideal.

Vou citar a frase que eu sempre digo pro instrutor quando entro pra uma academia e/ou volto a malhar. Quero endurecer sem perder a ternura. Esse é o meu objetivo nunca alcançado e é o que me desanima, me faz parar de frequentar a academia. Aqui no meu prédio tem uma sala de ginástica que posso frequentar a hora que eu quiser, mas não faço porque o espaço é mínimo. Quatro pessoas já lota. Além disso a variedade dos aparelhos e consequentemente dos exercícios é bem limitado.

O primeiro mês foi de adaptação e condicionamento do meu corp à atividade física. Tinha marcado com minha amiga de irmos às seis da manhã. Acordei, liguei pra ela e ela transferiu pras oito da noite. Depois ela desmarcou e eu fui sozinho. Chegando lá fiz a matrícula e comecei a ser instruído a fazer os exercícios. No dia seguinte e durante essa primeira semana eu ia bem cedo, mas como minha amiga sempre declinava da parceria pra dormir mais um pouco eu procurei um outro horário pra ir, já que entre seis e nove da manhã fica bem cheio.

Adotei o horário das onze da manhã que quando tá cheio vai esvaziando rapidamente. Por volta do meio dia que era quando ia fazer a parte ergométrica  já tinha menos gente que quando chegava lá. Claro que havia exceções e volta e meia tinha que ir mais cedo e só fazia a parte da musculação por conta de algum compromisso que eu tivesse num determinado dia. E também adotei uma pessoa só pra me acompanhar com a série de exercícios. Não foi a que me passou da primeira vez que eu apareci lá. As pessoas do turno da noite são outras e dificilmente eles estão como instrutores pela manhã, a não ser quando fazem personal ou quando dão uma de cliente e malham também. Nos fins de semana a gente pode ver essa troca de horários, mas aí dependia da escala de plantão.


Eu ainda não sei se vou continuar a frequentar a academia, mas sempre vale uma temporada lá, mesmo que seja depois de algum tempo.

sábado, 8 de abril de 2017

AH, O AMOR

AH, O AMOR

Nos anos anteriores eu evitei ao máximo falar sobre esse assunto, mas por esse ser o último ano eu vou me arriscar a falar nele que é muito cantado, tem muitas histórias bonitas e tristes e mesmo assim continua sendo um assunto complicadíssimo de se tratar. Vou falar de um sentimento lindo, nobre e que às vezes machuca por não ser completamente compreendido na sua essência, dependendo do ponto de vista. Várias músicas falam sobre ele, as novelas se baseiam nele também, os romances que minha tia lia quando adolescente, as Julias, Sabrina, Biancas das bancas de jornal giravam sempre em torno dele. As idas e vindas da vida, os altos e baixos resvalam um pouco nele também. Volta e meia a pergunta é dúvida e a resposta varia muito.

Você faria tudo por amor? Eu sinceramente não sei. Talvez no início, na paixão, pra agradar eu faria, mas logo eu cansaria de ceder se eu não visse o mesmo da outra parte. Aliás a gente sempre põe a culpa na outra parte e nem sempre é assim. Existem vários fatores pra que um relacionamento dê certo e esses mesmos fatores também podem fazer com que não dê certo. Se a primeira impressão é a que fica, a segunda nem sempre agrada.

Só o amor constrói? Sim. Acho que o amor é capaz de mover montanhas desde que ambas as parte, os envolvidos,  se esforcem e concentrem suas energias pra tal. Porque quando um não quer, dois não brigam e a montanha fica parada. Outra frase clichê diz que quem ama não mata. Atualmente discutir essa frase fica difícil, mas fazendo o recorte em termos de relacionamento volto a repetir que fica difícil discutir isso. Não se mata amando ou não. Não se mata e ponto. É um dos mandamentos “Não matarás”. Sei que o amor é cego e isso pode provocar mortes somando-se à cólera, à ira da pessoaapaixonada que comete esse tipo de atrocidade. Não estou defendendo ou amenizando nada nem ninguém. Acho que matou tem que ser julgado e cumprir a sentença expedida pelo juiz seja ela qual for.

Outra pergunta: Amor com amor se paga? Isso já foi até título de novela do início da década de oitenta. Pra mim tudo com amor se paga. A inveja, a descrença, a intolerância, o preconceito. Amor é a moeda mais forte de todos os valores que a gente aprende ou que pelo menos deveria ser aprendido. Sei que promover isso é muito difícil e requer um desapego muito forte de sentimentos. Uma evolução humana quase sublime. Mas sei também que é possível. Só o fato de não odiar já é um grande desenvolvimento interior.

Vamos a outra: O amor transforma. Acredito. Desde que essa transformação não vire exigências, não vire condições pra se amar ele pode ser o motivo, a mola mestra pra muita coisa boa que as pessoas que amam se propõem a fazer para com seus respectivos amados.

Agora vou filosofar um pouco. O amor tem que ser o sentimento mais puro, mais nobre e mais real que existe. Quando fatores externos começam a bombardear o sentimento na mais profunda essência , a luz que o amor emana vai sendo ofuscada até que ela praticamente se apaga , mas não foi por conta da lâmpada que queimou e sim por causa das impurezas do cotidiano que formaram uma crosta em torno do bulbo. Cada um tem um conceito, cada um vê de uma forma, cada um entende de um jeito.


Não há nem nunca vai ter uma formula matemática pro amor. Sempre digo que meu avô cantava uma música que diz que “o coração tem razões que a própria razão desconhece”. Isso é fato. Quando bate o sentimento é difícil não querer. Sentimos borboletas na barriga, como diz um amigo meu. O que estraga é o que vem de fora, seja a pessoa a qual a gente tá gostando  ou seja das circunstancias mesmo. Mas acho que o amor constrói.

sexta-feira, 31 de março de 2017

ACORDA

ACORDA

Mais uma vez eu vou entrar nessa discussão aqui e por esse ser o último ano desse espaço é bem provável que eu não volte mais a tocar nesse assunto. Ano passado construí uma rotina pra mim que eu conseguia conciliar as atividades físicas com as laboriais sem que uma atrapalhasse a outra. Claro que um dia ou outro elas coincidiam e a atividade física ficava pra trás, ou então, o que era mais difícil, mas também acontecia, batia uma preguiça e deixava de lado normalmenteas atividades físicas. Lê-se academia quando escrevo atividade física.

Influenciado por um amigo e incentivado por outro, em março do ano passado me matriculei na academia e faltava pouco. Como a atividade laborial dava pra fazer geralmente depois do almoço eu acordava geralmente às dez da manhã, ia as onze pra academia e voltava aproximadamente duas horas depois  - a excessão eram os fins de semana que eu reduzia pra uma hora – pra tomar banho e descansar um pouco até a hora que eu ia almoçar. Mesmo botando o despertador pra tocar as dez da manhã, pra mim foi um grande avanço e tem sido toda vez que acordo antes do meio dia sem o despertador.

Só como exemplo, a primeira vez que fui na nutricionista eu disse a ela que acordava ao meio dia e ia dormir as quatro da manhã e nesse interim quais os alimentos e o melhor horário para ingerí-los que me fizesse bem. Fomos nos acertando e desde o carnaval do ano passado que eu acordo antes do meio dia. Ainda sim parece tarde acordar as dez. Pra quem se envolve com atividade laborial noturna – leia-se teatro – é uma boa hora pra se levantar. É da minha natureza dormir e acordar tarde e não vejo nada de errado nisso desde que eu durma bem. Mas tem gente que segue a fio o dito popular “Deus ajuda a quem cedo madruga”, ou seja, tem que acordar cedo pra fazer dinheiro.

O que me motivou a escrever isso tudo foi uma mensagem de um amigo meu, o que mais me influenciou a entrar na academia, me enviou dizendo que se eu não mudasse essa minha rotina eu não vou ganhar dinheiro, que eu poderia já estar comprando um carro ou dando entrada num apartamento. Cheguei ao ponto onde queria chegar. Eu não tenho esse tipo de ambição tão aflorada de bens materiais.

Claro que eu quero ter um carro e um apartamento só pra mim, mas por enquanto eu não me esforço, não tenho esse foco e muita gente vê isso com defeito. Não que eu discorde de quem se preocupa comigo, mas eu penso um pouco diferente. Minha ambição não é material. Eu me preocupo mais com os outros que comigo mesmo. Não sou ambicioso, não sou consumista. O meu cantinho me basta. Querer ser feliz não pode ser considerado uma ambição? Me contento com pouco e só almejo ser feliz .
Não que eu vá manter essa rotina pelo resto da minha vida. De acordo com as ofertas que aparecerem pra mim, como já fiz, acordo com prazer de madrugada. Acho que a palavra certa é essa: prazer. Minha motivação é o prazer. Se eu não sinto prazer na atividade laborial eu não tenho porque trabalhar com pessoas que me desmotivem, que não me querem bem, que não querem que eu seja feliz. Será que essa visão de mundo , de vida é tão horrível assim?


Às vezes acho que pensar assim é crime. Me sinto marginalizado por não ser ambicioso, por querer ser feliz do meu jeito, por tentar sobreviver do que eu gosto, do que me dá prazer em fazer. Se essa é uma visão deturpada da vida , se pensar assim é pensar de forma totalmente equivocada que você me perdoe, mas assim como eu tem muita gente que pensa assim e que consegue viver assim, Sou da teoria de que se você faz aquilo que gosta como profissão você nunca mais vai trabalhar na vida. Eu quero trabalhar sem trabalhar. 

sexta-feira, 24 de março de 2017

SEU NOME É GAL (publicado em 2 ago 2004)

SEU NOME É GAL (publicado em 2 ago 2004)

Gostaria de situar o caro leitor de que escrevo essas linhas hora e meia depois de ter chegado em casa da mais famosa casa de espetáculos do Rio de Janeiro, o Canecão. Ela foi a terceira artista, com exceção de Rita Lee, a me fazer deslocar de Niterói para Botafogo e se deliciar com o repertório escolhido para ser apresentado por ela. O show ‘Todas as coisas eu’, título também do seu mais recente trabalho, foi um dos espetáculos mais lindos em termos e concepção e mais comoventes em termos de emoção que eu me lembre de ter visto pelo menos nos últimos três anos. A saber, os outros dois artistas foram Ney Matogrosso quando acompanhei minha mãe e minha tia no show que fez do disco ‘Um Brasileiro’ sobre a obra de Chico Buarque e Marisa Monte na temporada da última apresentação que lá fez, exibindo seu trabalho chamado ‘Barulhinho Bom’. Confesso que foi depois desse show que comecei a acompanhar melhor o trabalho dela. Quanto a Rita Lee, bem, essa é uma outra história.

A minha relação com o trabalho da Gal data de quase dez anos. Ela estava dando uma entrevista para o Jô Soares a respeito do disco ‘O sorriso do gato de Alice’ e cantou uma composição do Djavan chamada ‘Nuvem Negra’, presente no disco, pela qual fiquei encantado. Dias depois adquiri o disco. Sobre esse mesmo trabalho, ela causou polêmica durante o show no extinto ‘Imperator’, uma casa de shows que havia no bairro do Méier, por mostrar os seios. (Não me recordo se na hora da execução da música ‘Vaca Profana’ do Caetano ou ‘Brasil’ do Cazuza, mas pela polêmica guardo essa foto até hoje no encarte do CD.)

Lá se vai algum tempo. A partir de então era ela lançar um disco e eu correr nas lojas para comprar. O gato de Alice, além do sorriso, me abriu os ouvidos para uma voz maravilhosa e inconfundível que me agrada e cativa a cada tom, bemol ou sustenido. Sempre falo isso e vou repetir. Se o Brasil tem as quatro damas da música, em termos de voz, são Gal, Bethânia, Elis e Marisa Monte.

Com um repertório fabuloso de canções que eu não conhecia, talvez pelos meus vinte e sete anos, ou por não terem sido resgatadas por ninguém até então, e outras mais conhecidas, principalmente pelas gerações anteriores a minha, é surpreendente e cativante. Os quatro músicos que a acompanham são espetaculares, os arranjos sensacionais, por mais minimalista que pareça, no palco, se torna grandioso, magistral.

O fato de ela ter posições pessoais no que diz respeito a tal senador baiano e que não agrada a alguns formadores de opinião, simplesmente desaparece diante do talento dessa mulher e da potência que carrega na sua garganta. O dia em que a voz for vista como um instrumento musical, a Gal será o mais valioso instrumento do mundo.

Sempre quis ir a um show de Gal Costa por ser um consumidor assíduo dos trabalhos dela, mas sempre me faltou oportunidade. Salvo uma vez, na praia de Copacabana, quando ela se apresentou ao lado de Bethânia, Caetano e Gil, numa reedição dos ‘Doces Bárbaros’. (Assistir ao vivo ela desfilando pela Mangueira em 94 conta? Acho que não.) A partir de agora, depois desse show que reportou minha memória a meu avô, responsável por eu saber grande parte das letras das canções apresentadas por ela, sempre que ela vier soltar a voz, estarei lá, todo ouvidos.

Temo em ser repetitivo quando, na verdade, quero ser enfático. O show é sensacional, os músicos são espetaculares, a concepção do espetáculo é um primor, a escolha do repertório é comovente e a Gal é a Gal. Não tem adjetivo que a qualifique. Ela já é superior, divina, diva.


Agora, tenho mais um motivo para que minha ida de Niterói para Botafogo compense o valor do ingresso, qualquer se seja ele. Mais uma cantora na certeira lista de shows. Além de Rita Lee, o Canecão terá o prazer de me receber nos shows de Gal.

sexta-feira, 17 de março de 2017

O TELEFONE TOCOU NOVAMENTE

O TELEFONE TOCOU NOVAMENTE

Finalmente consegui atingir um objetivo que almejava há algum tempo. Pra ser mais específico desde quando fiz meu primeiro cruzeiro em 2013. Comprei um telefone celular da marca Samsung. Fiz isso porque o meu LG, esse que ficou comigo desde esse cruzeiro até o final de maio do ano passado, começou a dar problema no fim do ano retrasado.

Eu não conseguia ouvir no modo normal do telefone, apenas no modo viva voz. Mas do mesmo jeito que o problema chegou ele foi embora. Do nada parou de funcionar e do nada voltou a funcionar. Ainda fiquei mais alguns meses com ele até que o mesmo problema aconteceu novamente. Além disso eu já sentia que estava ficando complicado de trabalhar com ele. Os aplicativos custavam a abrir e às vezes não funcionavam direito, travavam e tal. Mas enquanto ele funcionou novamente eu continuei com ele.

Da segunda vez que o mesmo problema voltou a atacar o aparelho e não se recuperou no prazo que ele se deu da primeira vez de uma semana eu comecei a pesquisar pos outros tipos de aparelhos para substituir o LG e fique em dúvida entre três: Sony, Motorola e Samsung.

O modelo da Sony era o Aqua, não por ser esse modelo específico, mas mais pela configuração que eu selecionei dessas três marcas que era mais ou menos a mesma. Eu já tive vários modelos de Sony. No meu ranking tem dois Nokia, três Sony e agora além de um LG, um Samsung. No caso com o Sony eu voltaria praticamente às origens. É uma marca que sempre gostei de usar. Já o Motorola foi conselho do meu primo Pedro que comprou um última geração pra ele e recomendou, mas por outro lado tive amigos que não aconselharam a pegar o Motorola porque tiveram peroblemas com ele. Telefone novo custa a dar problema, mas quando dá dor de cabeça a reclamação é muito maior que o problema. Como eu nunca tive um Motorola deixei como última opção dos três. Já o Samsung era um sonho de consumo há um bom tempo. Um amigo meu que recém comprara um modelo Samsung J7 falou maravilhas do aparelho e a Samsung além de especialista e eletrônicos é a concorrente direta da Apple. Há tempos estava querendo algum Samsung pra mim. No início era o Galaxy Note que eu queria adiquirir, mas quando fui na lojaem Tenerife o vendedor empurrou aquele LG pra mim. Depois foi o tablete também em Tenerife e eu e minha tia decidimos pelo tal do Fujicell. Conclusão: o dela pifou e eu não me acostumei com aquilo e vendi o meu pra ela.

Dessa vez não perdi a oportunidade até pelo fato de ser a única pessoa da família a não ter um Samsung. Meus pais, meu irmão e até meu sobrinho tinham um na época que eu comprei o meu. Foi etrerna emquanto durou a minha relação com o LG. A princípio queria vender, mas nenhuma loja compra aparelho antigo . No entanto ele mesmo ruim serviu pra alguma coisa.

Ainda da primeira vez que ele pifou o meu sobrinho perguntou se eu podia daro aparelho pra ele quando comprasse outro. Eu disse que sim, mas como ele voltou a funcionar normalmente, não foi dessa vez que ficou com ele. Só quando comprei o Samsung e coloquei tudo o que eu queria no aparelho foi que eu dei o meu LG pro meu sobrinho. Isso pra que ele não pegasse mais o da minha mãe ou o do meu irmão pra ficar jogando. O que interessa pra um menino na idade de quase nove anos são os jogos que os aparelhos celulares disponibilizam pra essas crianças. Aliás eles disponibilizam todos os tipos de aplicativos e jogos pras pessoas de todas as idades.

          Eu não tenho nenhum jogo no meu celular e meu sobrinho tem a consciência de não pegá-lo. E pensar que meu primeiro celular foi um Nokia azulzinho, tinha um joguinho que eu jogava dado os poucos recursos perante a tecnologia atual. Aquela serpente comeu muita maçã.

sexta-feira, 10 de março de 2017

MALES PRO BEM

MALES PRO BEM

No início do ano passado plantaram uma nota no jornal dizendo que o Serguei estrava passando fome e com dificuldades financeiras. Conheço o Serguei e sei que ele não faria isso nunca. Orgulhoso como ele só jamais iria fazer isso de vontade própria. Quem fez isso foi um oportunista que queria promover um projeto até bacana que tem para o Serguei, mas ele usa o Serguei conforme lhe convém e até que conseguiu fazer uma propaganda do próprio projeto. Como ele conseguiu? Simplesmente atraindo a rede Record de televisão que através do programa do Gugu foi na casa do Serguei em Saquarema, o entrevistou e mostrou a situação dele claro que com todo o sensacionalismo peculiar do programa.

Se o tal oportunista, que de certa forma conseguiu promover seu projeto, ganhou algum dinheiro exibindo as imagens do projeto em canal aberto, em rede nacional como direito de imagem eu não sei, mas que o Serguei foi ajudado pelo Gugu isso não posso negar. As três promessas que ele fez ao Serguei foram cumpridas. A primeira foi quitar uma divida no banco que foi criada não com um golpe de uma pessoa que ajudava o Serguei quando ele baixou o hospital com anemia profunda cerca de quatro anos atrás como foi espalhado. A realidade é que essa dívida foi contraída por terem ativado no cartão do banco dele a função crédito e não saberem como lidar com isso e dívida de cartão é um absurdo nesse país. Eu fui no banco e negociei o pagamento dessa dívida em parcelas que iriam terminar em janeiro do ano que vem ceifando do pagamento delecerca de duzentos reaismensais. Essa dívida foi quitada e ele recebe o pagamento integral, a não ser pelos cortes do governo, mas aí é outra história.

A segunda promessa foi a questão do abastecimento de água e aí o tal oportunista até ajudou, mesmo que pra se mostrar dizendo que ajuda sempre, tirando as infiltrações da parede dele. A responsabilidade do programa foi com a interrupção desse vazamento, dessa infiltração e o conserto do chuveiro pra que a água quente funcionasse quando ele quisesse. A emissora contratou um bombeiro hudráulico da região mesmo que foi lá e fez o serviçoe volta e meia vai lá dar uma olhada se tá tudo bem, se eventualmente precisa de um reparo ou não duranto um determinado tempo, o tempo do contrato que acho que foi de oito meses. Missão cumprida.

A terceira promessa foi a mais demorada pra ser cumprida por questão de tramites burocráticos. Um cartão contendo dez mil reais que teoricamente seria pra ele comprar os remédios e algumas compras básicas pra casa como café, sabão em pó, essas coisas. Pergunta se ele conseguiu se conter. Que nada. Serguei não pensa no dia de amanhã. Se tem alguma coisa que o incomoda, que tá faltando na casa, por exemplo, e ele tem dinheiro na mão pra comprar  ele não pensa duas vezes vai lá e compra e que se dane o resto.

No início eu e a Jô, vizinha dele, tentamos controla-lo com esse dinheiro. Com a mania de falar que tudo que ele esquece ou perde foi roubado, o cartão nem chegou a ficar com ele até porque isso é muito moderno pro serguei. Outra mania dele é andar com dinheiro vivo no bolso. Afinal ele representa a era hippie da década de setenta e parou por lá.


A Jô era a detentora, ou melhor, a guardiã do cartão, e o que poderia ser perfeitamente programável pra durar no mínimo um ano, se chegou a três meses foi com muito jogo de cintura e paciência coim ele que reclamava horrores por não ter acesso ao dinheiro dele, por ele querer gastar com o que desse na telha e não apenas comprando remédios e compras básicas, que dinheiro é feito pra gastar e não pra ficar guardando e que ele não tem mais idade pra poupar. Talvez pensasse o mesmo no lugar dele. Mas eu sou diferente.