segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

FESTA (NÃO MAIS) DO INTERIOR(em 27 jun 2003)

FESTA (NÃO MAIS) DO INTERIOR(em 27 jun 2003)

Junho é o mês dos santos. Quer dizer, na verdade todo dia é dia de santo, mas em junho três deles se destacam. Santo Antônio no dia 13, São João no dia 24 e São Pedro no dia 29. Como o Brasil é um país festeiro e predominantemente católico, tudo é motivo de comemoração e pra esses santos, mais ainda.

Santo Antônio é o famoso santo casamenteiro. São João eu acho que é aquele apóstolo de Cristo, não sei. Atenção para os conhecedores bíblicos. O São João de junho é quem? E São Pedro é o apóstolo, disso eu não tenho dúvidas porque é quando a colônia de pescadores de Jurujuba faz aquele festão. O pessoal de Itaipu (pra quem não conhece, Itaipu e Jurujuba são dois bairros de Niterói que têm colônias de pescadores) não é tão metódico. Fazem festa também, mas geralmente é em um fim de semana e menos tradicional no sentido do espírito da festa. (Me parece uma heresia em falar de espírito quando se trata de festa junina.)

As duas festas são tradicionais. Não estou desmerecendo a de Itaipu, mas a de Jurujuba conserva mais as tradições de uma festa do interior apesar de estar quase descaracterizada. Mas tenho observado que isso não acontece só em Niterói. Pelo que tenho visto através dos noticiários, as festas juninas, assim como o carnaval, deixaram de ser tipicamente regionais pra serem mais globalizadas. Mesmo lá pro Nordeste onde a tradição é mais forte, as quadrilhas mais parecem alas de passo marcado das escolas de samba. A brincadeira de dançar quadrilha virou coisa séria, pra concurso onde há um julgamento e uma quadrilha vencedora. Campina Grande e Caruaru se espelharam, suponho que erradamente, na disputa entre Rio e São Paulo pra ver quem é que faz o melhor desfile.

As roupas que são apresentadas são fabricadas especialmente para aquela ocasião, como uma fantasia da Sapucaí. Não são mais os remendos que a gente fingia em botar na calça jeans, a camisa de flanela quadriculada com um lenço vermelho e uma caixa de fósforos imitando uma gravata e o dente pintado de preto representando a própria ausência dele.

A gente aqui (eu pelo menos) ainda confunde, quando se trata de festa junina, que nem sempre é feita em junho – eu mesmo já fui a uma festa junina em agosto – se o personagem principal é do interior do Nordeste ou do interior de Minas. ‘Nóis puxa uma prosa como se fosse minero, mas dança forró como se fosse do nordeste.’ Afinal, de qual parte do país vem o caipira? Se bem que agora não importa mais. Atualmente não vem de lugar nenhum e ao mesmo tempo vem de todos.

O caipira não é mais o matuto que o Mazaroppi fazia nos seus filmes do Jeca, não está mais representado nas vozes de Alvarenga e Ranchinho, ou Tonico e Tinoco, nem mesmo na do Gonzagão se a gente for mais pro nordeste e muito menos se come como um caipira. Onde já se viu festa junina com pizza, que é comida típica da Itália e cachorro quente americano. Se é uma festa genuinamente brasileira e tradicional, as adaptações que tinham que ser feitas, já foram. Não adianta querer inovar. Aliais inovaram tanto que a festa do interior já não é a que ardia aquela fogueira que me esquentava a vida inteira eterna noite.

Não tem nem fogueira pra esquentar o frio do inverno. Os ecologicamente corretos não dão trégua nem em noite de São João. Balão, então, eles apagaram todos. O céu não fica mais pintadinho de balão. Fogos de artifício parece que só ficaram restritos ao reveillon e decisão de campeonato de futebol.


Eu se fosse Antônio, João ou Pedro, pedia pra mudar o mês já que desconfiguraram toda a tradição, e pedia um dia no meio do carnaval. De preferência numa terça-feira gorda. Até a próxima!!!

sábado, 11 de fevereiro de 2017

PINTANDO QUATRO CINCO ANOS DEPOIS

PINTANDO QUATRO CINCO ANOS DEPOIS

Ano passado completamos cinco anos morando nesse apartamento novo. Oficialmente eu conto como dia primeiro de agosto, mas no mês de julho foram feitos alguns retoques finais no ap antes de a gente efetivamente habitá-lo. Cinco anos depois a minha mãe resolve pintar o apartamento. Já que fica mais difícil modificar a configuração dos móveis dos cômodos ( Talvez o quarto reservado ao meu irmão tenha mais essa mobilidade porque o meu não tem grandes coisasa fazer, então tá do mesmo jeito todo esse tempo) muda-se algumas cores das paredes.

Pintura de parede cai na classificação obra. Talvez seja a mais branda área dessa classificação, mas ainda assim fica complicado o acesso as coisas e até mesmo a locomoção dentro de casa com tudo revirado e de pernas pro ar. O que mais me irritou com isso tudo foi o fato de o pintor interditar dois cômodos ao mesmo tempo. Teve um dia que eu cheguei em casa e meu quarto tinha sido invadido por rolos e brochas que nem podia ter acesso ao meu armário. Arredei a cama pra dar um espaço pra eu não ficar impossibilitado de mexer nele. Isso porque o quarto dos meus pais estava coberto com o plástico preto e eles não podiam ainda voltar a usufruir do cômodo deles. Se bem que dessa vez eu tive a sorte de dormir no meu quarto, mesmo todo bagunçado, durante essa fase em que ele estava sendo pintado. Não descentralizei também nada durante esse período. Ele só voltou ao normal uns cinco dias depois quando eu o ajeitei afastando um pouco mais os móveis da parede.

Antigamente não existia uma palheta de cores tão diversificada quanto hoje em dia e poucas pessoas pintavam a casa tão colorida . Dessa vez o branco não é um branco qualquer e sim um branco mashmelow. O branco do meu quarto é o branco branco mesmo. Outra parede é vermelha, a outra é cinza amadeirado, a outra é cascalho, uma das paredes do quarto do meu irmão é verde, enfim uma série de nuances que fazem a harmonia de um ambiente.

Tudo isso foi feito em pouco mais de duas semanas de modo que por três dias eu fiquei com o meu quarto de pernas pro ar e nem televisão tinha. Como na época eu estava em cartaz às sextas e sábados e a bagunça foi feita numa quarta em que fiquei fora de casa tanto na quarta quanto na quinta o dia tododeu pra ele pintar sem que eu atrapalhasse o trabalho como um todo. Meu cômodo foi o segundo a ser pintado, depois ele foi pra sala concomitantemente com o quarto do meu irmão.

Com obra e pintura nós estamos acostumados. No apartamento antigo volta e meia minha mãe aprontava alguma coisa. De obra grande acho que a primeira que eu lembro foi a da cozinha quando o pequeno espaço da área de serviço foi banida e a cosinha totalmente ampliada. Outra obra que reformulou totalmente um cômodo foi a do banheiro onde até uma banheira foi instalada. Me lembro que tinha que tomar banho na casa de vizinhos amigos meus ou mesmo no banheiro dos porteiros do prédio.

Como o chão do apartamento antigo era de taco, volta e meia tinha que fazer sinteco. Carpete, folhas de tábua corrida também já foram pisados pela gente lá no velho ap. Aqui é piso frio e desse mal a gente não vai sofrer mais. Acredito que aqui só será uma tintazinha de tempos em tempos. Provavelmente no mínimo de cinco em cinco anos. Só temos que verificar se a palheta de cores vai aumentar e até a próxima vez que que esse ap for pintado minha mãe vai querer modificar alguma cor de alguma parede. Eu continuarei batendo o pé pra deixar o meu quarto todo branco e por enquanto sem quadros pendurados na parede por que lugar disso é no museu.

           Mas pode ser que dê a louca na minha mãe e ela querer fazer obra mesmo, quebrar paredes e modificar a configuração da planta do apartamento. Mas aí já será caso de internação.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

BREXIT

BREXIT

Ano passado a Grã Bretanha saiu da União Européia. Na verdade a Grã Bretanha nunca entrou com os dois pés na União Européia. A condição que ela impôs pra fazer ou dizer que fazia parte do resto da Europa foi a de não trocar suas libras esterlinas pelos euros. Ela não quis entrar nesse acordo monetário pra não perder a soberania da cara da rainha em seu rico dinheiro.

A livre circulação de pessoas e mercadorias do continente se manteve até que a quantidade de refugiados que tentavam entrar principalmente via Malta e Grécia começou a assustar. As imagens mostravam a quantidade monstruosa e assustadora de pessoas que se arriscam a até morrer naqueles barcos na água pra não morrer de bombardeio em terra.

O continente não está preparado pra receber tanta gente e os acondicionar junto ao sistema de previdência dos países aos quais se destinavam. A Grã Bretanha já foi a galinha dos ovos de ouro de quem imigrava de algum ponto da europa. Principalmente os poloneses. Quando eu morei lá os poloneses só perdiam pros indianos em termos de comunidade estrangeira que habitam em Londres. Os brasileiros ficavam logo atrás em terceiro lugar. Foi exatamente por causa do aumento do número de refugiados que a maioria optou pela Grã Bretanha deixar a União Européia.

Segundo o meu amigo Airton a população não ligou pro mais importante. Sabendo que os refugiados rondavam suas casas, com medo de serem atacados, terem suas casas invadidas, os eleitores mais do interior optaram pela saída. Já a Escócia , que ano retrasado fez um plebiscito pra definir se continuava atrelada ao Reino Unido e continuou justamente por causa dos benefícios econômicos que a União Européia trazia pra ela, juntamente com a Irlanda do Norte votaram contra a saída. No entanto, no geral o Brexit venceu e agora é esperar mais um ano e pouco para que seja definitivamente efetivada a saída da Grã Bretanha da União Européia.

A Escócia já pensa em fazer outro plesbiscito pra sair do Reino Unido já que esse saiu da União Européia, ou seja, a rainha perdendo seus domínios por conta desse referendo. Veremos se isso vai ou não acontecer. Daqui a pouco mais de um ano vai sair o resultado dos acordos que hão de se estudarpra que nenhua das duas partes saia tão prejudicada. Se bem que eu acho que quem saiu perdendo foi somente a Grã Bretanha. Espero que não ocorra nada em relaçãoaos que já vivem por lá. Se bem que sabemos que a xenofobia vem crescendo não só na Grã Bretanha, mas em outros países da europa.

A minha relação com Londres não vai mudar. Foi ela que escolhi pera viver um período da minha vida e é pra ela que eu volto sempre que passo pela europa. Sempre a coloco no meu roteiro e principalmente enquanto o Airton estiver por lá é pra lá que irei sempre que possível preferencialmente de dois em dois anos.

A Grã Bretanha dentro ou fora da União Européia pra mim não faz diferença nenhuma. Meu passaporte é brasileiro e vou pra visitar meus amigos, passar uns dias, matar a saudade e depois eu volto pra casa. Como eu já fui e voltei várias vezes eu tô acostrumado. Só espero não ser barrado pela polícia de controle de fronteira, meu medo sempre. Desde a primeira vez que pisei lá, mas descobri um macete pra não ficar tão tenso. Só não entrar pelo aeroporto onde eles apertam mais o cerco.


Usando essa técnica minha tensão diminui um pouco mais. Eu acho uma pena que a Grã Bretanha tenha saído. Acho que nessa separação ela pode se machucar mais, mas com o tempo vai saber se reerguer mesmo se ficar mais afastada, mais isolada, mais ilhada do que já é. Mas vamos deixar o tempo correr e ver qual será o veredito do julgamento que a história fará do brexit.