sexta-feira, 21 de abril de 2017

LIVRAI-ME DOS LIVROS

LIVRAI-ME DOS LIVROS

Como já disse aqui inúmeras vezes – prometo que essa será a última – não consigo ainda me desapegar dos meus discos, apesar de já estar evoluindo nesse quesito, mas dos livros desapego fácil. Tenho poucos livros só de alguns autores que eu gosto e os mantenho comigo além de algumas coleções (acho que duas). Esses ainda vão ocupar o meu armário durante algum tempo.

Mas tem outros também encaixotados que eu quero me desfazer e não consigo. São os meus mesmos, de minha autoria que estão guardados em duas caixas de sapato e uma de sabão em pó. Não a caixa em si, mas aquelas que estocam as caixas de sabão nos mercados. Com certeza tem mais de cem exemplares  pra eu me desfazer, mas não sei como. Acho que eu vou dar de presente, mas pra quem? Nesse mundo virtual será que tem gente que para pra ler ainda? Será que as pessoas tem tempo pra ler? Será que aleitura faz parte da rotina, do dia a dia? Será que livro ainda é um bom presente?

Pra mim já foi. Hoje em dia não é mais não. Não pelo fato de eu não querer ler. Eu adoro ler. É o meu passatempo favorito e sempre vai ser. Minha birra com livros é ele fisicamente. Eu não quero ter mais o livro em si, quero ter as histórias  e as memórias que ele conta e pra isso não precisa tê-lo nem virtualmente. Quero que ele ocupe espaço na minha memória e não no meu armário e nem no meu HD. Se bem que se for pra ter um livro vque seja no virtual.

Ultimamente eu pego um livro emprestado, leio e devolvo. Sou um dos poucos que devolve livro. Já perdi vários assim, mas o que mais me marcou foi a soberba da coleção plenos pecados onde cada autor escreveu sobre um pecado e dos sete eu fiquei com seis. Essa, por exemplo, foi uma coleção que me desfiz justamente por conta desse desfalque.

Mas o que fazer com os meus? Doar pra quem? Presentear a quem? Tá me dando agonia ver tantos exemplares virando comida de traça nessas caixas e eu não consigo dar um fim neles. No caso desse específico foi o primeiro que fiz por uma editora justamente pensando que o estoque ficaria com eles e não o contrário. Mas por eu ser inexperiente apostei e investi nisso.

Nessa época meu lado Paulo Coelho falava mais alto e minha produção literária estava a mil. Com o tempo a realidade foi ficando mais competitiva e as inspirações foram sumindo. Hoje não tenho mais tempo nem vontade de escrever outro romance. Não vejo mais ineditismo no que fazer. Espero já ter resolvido esse problema, ou parte dele, no tempo do hiato que existe entre a escrita e a postagem desse texto. Caso eu tenha resolvido isso, esqueçam tudo o que escrevi, como disse um presidente ao ser indagados sobre os livros enquanto escritos na época em que fora professor de sociologia.


Meu primeiro livro escrevi pra saber se eu tinha capacidade de desenvolver e segurar uma história do início ao fim. Por mais absurda e surreal que ela fosse, meu primeiro desafio foi cumprido. Tentei dar uma continuidade a história, mas acabei me perdendo e deixei pra lá. Todo escritor se não dominar suas personagens acaba sendo engolido por elas e se perde na história que escreve. Meu best seller não foi publicado e presenteei com cópias xerox apenas a minha família que leu e aprovou com louvor. Esses pouquíssimos tiveram a oportunidadede ler.  Inspirado nos ataques terroristas do onze de setembro criei uma história cujo cenário é Niterói, as personagens são pessoas da minha família e uma pesquisa histórica que abre o livro no capítulo um. No memso ano escrevi esse que ocupa essas caixas. Por último foi o relato do meu mochilão pela Europa. Continuo tendo vergonha quando alguém diz que sou escritor, mas como esse ano é o último desse meu espaço, tô rasgando o verbo.    

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