sexta-feira, 5 de maio de 2017

DO LAR

DO LAR

Do lar. Somente pouco tempo atrás isso foi reconhecido como profissão. Agora se pode aposentar como sendo do lar. A mulher que fica em casa cuidando a vida toda de um lar agora pode contar com a previdência social para o desfruto de uma aposentadoria. Uma pessoa que se considera do lar não tem o mesmo rótulo que doméstica ou diarista já que essas cuidam também da casa dos outros além das delas próprias e nem pode ser considerada desempregada pelo fato de um lar consumir tanta energia humana pra ser mantido e isso é um tipo de trabalho mesmo que não remunerado.

A minha vivência, a minha experiência indica que eu poderia ser uma pessoa do laer sem maiores empecilhos. Ao morar em Londres eu tive que aprender a me virar sozinho . Aqui eu já me virava um pouco, mas lá foi diferente. Foi aquela coisa de que se eu não fizesse não teria a quem recorrer, por mais que as pessoas da casa se ajudassem. Lá eu cozinhava minha própria comida, eu lavava minha própria roupa, eu limpava meu quarto, eu aprendi a me virar ainda mais. Essa experiência é grandiosa e uma ótima oportunidade pra quem pode vivenciá-la. Recomendo sempre. Tanto que depois que eu voltei de lá eu fiquei mais independente e quando nos mudamos  de apartamento, no meu quarto, no meu território quem faz tudo sou eu.

Uma vez por mês eu troco a roupa de cama, tiro as teias de aranha  que eventualmente se formam nas junções dos tetos com as paredes, passo aspirador, isso só no meu quarto. A Nadir até dá uma força passando a vassoura ou um pano úmido uma vez por semana. E todo ano eu limpo todo o meu armário. Tiro ítem por ítem, passo um perfex com veja, limpo a poeria acumulada do ano não só no armário, mas na escrivaninha e na mesinha do som e da TV também. Na cozinha eu cuido do meu mate que faço todo dia, ou quase, e do meu arroz que geralmente cozinho no domingo pra comer durante a semana até acabar o estoque.

Em Londres eu também tirava uma dia pra cozinhar, geralmente eram nas segundas quando eu voltava com as compras da semana e sentava pra descascar os legumes e cozinha-los. Quando se resolvia fazer jantar pro pessoal da casa quem fazia um macarrão a carbonara, modéstia parte gostoso, era eu. Mais ou menos quinze pessoas se deliciando com meu tempero. Era bom.

As únicas coisas das quais me queixo não saber fazer no que diz respeito a ser do lar são passar e costurar. Cheguei a me arriscar a passar alguma roupa em Londres e foi lá que percebi essa minha deficiência. Não fica perfeito. Fica tipo um desamassado enrugado. Mas como em Londres as roupas se escondem por baixo dos casacões grandese quentes ninguém ve se as roupas estão amassadas ou não e eu acho que eles estão tão acostumados a fazer isso que eles também nem passam passam as camisas de malha. Ou então levam pra lavanderia e deixam esse tipo de serviço a cargo de um terceirizado.

Já costurar eu nunca me arrisquei. Tinha épocas que minha mãe usava a máquina de costura dela pra ajeitar algumas peças de roupas nossas. Nem com a máquina eu me daria bem. Acho que não tenho dom pra isso. Não sei nem pegar um botão numa calça ou camisa. Se bem que ultimamente não tenho precisado, mas nua emergência eu não vou saber fazer. Primeiro se perde um bom tempo tentando enfiar a linha no buraco da agulha. Depois tem que passar pelo furo e quando chega a um determinado ponto dá-se um nó na linha.


Se for isso na teoria você até pode achar que costuro bem, mas na prática eu não consigo fazer nada disso. A parte linha, agulha e ferro de passar, pro resto do lar eu não me aperto. 

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