sexta-feira, 16 de junho de 2017

SAUDADE,QUANTO TEMPO FAZ

SAUDADE, QUANTO TEMPO FAZ

Tem dias que me bate uma saudade, uma nostalgia de um tempo que não volta mais. É um pouco redundante falar isso. Nenhum tempo volta mais. É igual água de rio que corre pro mar ou que move moinho.

Vontade de voltar no tempo e reviver dias e momentos que marcaram minha infância. Era feliz e não sabia. Acho que sou feliz ainda, mas se há felicidade pra  mim hoje eu só vou descobrir no futuro. Mais momentos que dias especificamente. Passávamos eu e minha turma do prédio brincando de pique durante intermináveis horas e gostávamos de ficar juntos curtindo essas horas.

Às vezes esse tempo está bem longe de mim. Sinto saudade dos velhos jornalistas. Aqueles que tinham como sua principal arma a máquina de escrever e dela saiam textos eloquentes e grandiosos que valorizavam muito o vocabulário que se utilizava nas páginas impressas e que circulavam nas bancas de jornal. As pessoas pareciam ler mais, serem mais instruídas, mais envolvidas em política e cultura. Atualmente é tudo muito superficial, nada se aprofunda, muito menos o vocabulário que jornais e revistas trazem nos textos das suas matérias.

Até o ano passado aqui em casa se assinavam duas revistas de grande circulação e eu as lia não por tomar partido das suas editorias, mas até mesmo pra argumentar e contrapor o que elas publicavam. Mas também depois que acabou o contrato da assinatura não sinto nenhuma falta em lê-las. Costuma-se comprar jornal aos domingos também. Desse escolho alguns cadernos e/ou colunas para lê-los, principalmente o de cultura. Talvez se eu tivesse vivido algumas décadas antes o meu interesse pelo jornalismo teria se aguçado mais. Mas também quem daquela época iria imaginar em que ponto da tecnologia da informação chegamos?

Nem eu na minha tenra infância com meus amigos do prédio em que morava imaginava que iria viver com aparatos só vistos nos filmes de James Bond ou de ficção científica. Homens nunca conviveram com dinossauros até Spielberg vir com o Jurassic Park. Robôs nunca tiveram sentimentos até o mesmo Spielberg vir com o Inteligencia Artificial. Filmes que se bobear vão ter o mesmo destino dos aparatos do James Bond, ou seja a realidade. Sinto saudade do tempo em que pokemon era só um desenho japonês chato e não um jogo viciante onde as pessoas saem com o aparelho de telefone celular em punho pra caçar em lugares reais os bichinhos virtuais.

Será que meus pais viam mal na gente quando passávamos algumas horas jogando atari. Acho que não porque inconscientemente sabíamos dividir o nosso tempo, coisa que não vejo o meu sobrinho mais velho fazer. Por outro lado o computador ou a tela do celular é a única distração que tem aqui em casa. Existem outras, mas que não enchem os olhos dele mais, como jogos ou brinquedos de montar.

Na minha infância a gente vivia mudando de fase. Tinhamos a fase da bolinha de gude, do buraco, do jogo de damas, do jogo da vida, do war e de vários tantos outros que nem passávamos perto dos jogos eletrônicos. Nossa prioridade era a socialização com nossos coleguinhas, ou melhor, com amigos que carregamos pro resto da vida. Não vejo meu sobrinho socializando com as outras crianças desse prédio aqui. Sinais dos tempos? Pode ser. Talvez seja por isso que a gente sente saudade de um tempo que não volta mais. De uma época que a gente considera de ouro. Das dificuldades que passamos antes de chegar a evolução da tecnologia e facilitar tudo.


Ninguém mais vai se lembrar de como se fazia uma pesquisa escolar no tempo em que as fontes eram ou a biblioteca da escola ou pra quem tinha em casa a enciclopédia Barsa. Principalmente agora nos tempos do google. Taí a única coisa que eu posso afirmar de que não tenho saudade, não me dá nostalgia.

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