sexta-feira, 28 de julho de 2017

DE TUDO (publicado em 3 mar 2008)

DE TUDO (publicado em 3 mar 2008)

Tem gente que faz de tudo para ver um ídolo de perto. Imagino coisas e ouço histórias cabeludas sobre isso, gente que se esconde em quarto de hotel, se veste de funcionário da casa de shows, enfim, loucuras.

Na semana anterior ao carnaval quem fez uma loucura por um ídolo fui eu. Mas foi uma loucura sã e bastante consciente. Uma artista a quem admiro muito estreou sua turnê no Rio. Claro que já havia comprado o meu ingresso não para a estréia, mesmo assim passei lá no Canecão pra ver se conseguia um ingresso vip em nome do meu amigo astro que por ventura é amigo também da minha idola e o que eu queria fazer pra ele e pra mim era a promoção de um reencontro entre duas pessoas que não se viam há tempos.

Horas antes da estréia do show cheguei lá e pedi pra falar com alguém da produção. Expliquei a situação do meu amigo astro, dei o telefone dele por via das dúvidas, mas não levei muita fé que ele se esforçaria pra conseguir o que eu queria. O chefe da segurança da casa ouvindo nosso papo, depois que o cara da produção foi embora, chegou perto da gente e depositou alguma esperança. Disse que gostava muito do vip e que antes dele virar chefe de segurança o próprio foi expulso do camarim de um show feito pelo meu amigo astro no próprio Canecão. Ainda estava cedo e eu queria uma confirmação, pois o meu ingresso valia pro dia seguinte e eu tinha que resolver a logística da vinda do astro vip. O chefe da segurança pediu pra que eu passasse por lá depois do show começado. Por motivos de força maior – meu amigo encontrou um outro amigo dele que é produtor musical – voltei ao Canecão no fim do show, quando as pessoas já estavam indo embora. Procurei desesperadamente o chefe da segurança que também acabara de deixar o local.

Aí resolvi apelar e dar uma de tiete, mas foi por uma boa causa. Fiquei na saída do backstage esperando a estrela principal sair. Saíram vários artistas. O que eu parei pra falar foi com o Erasmo Carlos por ser da mesma linhagem musical. Quanto o tal produtor com quem eu havia falado no início apareceu, disse que tentou falar comigo, mas não tinha conseguido. Desculpa pra não ceder ao meu pedido. No entanto, eis que de repente, não tão de repente e nem tão de surpresa já que era certo mesmo que todos saíssem por ali, surge o príncipe – filho de rainha príncipe é. Rapidamente contei a situação pra ele. “Traz ele que agente dá um jeito.” Aí eram dois votos, dele e o do chefe de segurança, contra um, o do tal produtor. Mesmo assim esperei, em vão, a saída da estrela. Com vidros fechados e outra meia dúzia de pessoas além de mim na mesma expectativa ela saiu apenas acenando pra gente.

Enfim, não arrisquei trazer o vip pro show do dia seguinte. O universo conspirou ao meu favor. Me vendo chegar o chefe da segurança perguntou logo por ele. Contei sobre o acontecido do dia anterior. Qual foi a minha sorte quando saiu o aviso do cancelamento do show por conta de uma forte chuva e interrupção de energia. Esse show foi transferido pro domingo seguinte, mas foi pro sábado que consegui trocar meu ingresso e garantir a presença do vip.


Logística montada. Tudo certo. Eis que o vip chega ao Canecão e fala direto com o chefe da segurança. Eu que comprei o mais barato fiquei com o vip na parte de valor mediano, mas não agüentei por muito tempo e fui pro pequeno espaço entre as mesas de cima e de baixo pra ficar dançando e volta e meia subia pra mesa pra ver como ele estava. Em determinada parte do show até gritaram o nome dele, mas a apoteose foi já no bis, na última música, quando o príncipe o viu na beirada do palco e beijou a mão do vip ele não agüentou e subiu no palco. Beijou a estrela e foi anunciado como o maior roqueiro do Brasil. O show acabou, ele desceu, fomos pra fila do camarim, e lá...

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