sábado, 12 de agosto de 2017

VELHA INFÄNCIA

VELHA INFÂNCIA

Ano passado uma amiga minha me perguntou sobre a disposição do Teatro Rival, pois ela estava querendo comprar ingresso pra uma festa Ploc que aconteceu lá no fim de setembro. Festa Ploc é uma festa temática dos anos 80. Acho que em São Paulo se chama Trash.

Essa foi a década da minha infância. Minha e dos meus amigos de infância. Foi nessa época que consolidamos nossos caráteres, que crescemos e nos desenvolvemos e aprendemos a formar nossa base que nos acompanha pela nossa vida até agora e creio que eternamente. Claro que não dá e nem se pode comparar com infâncias de outras gerações. Cada uma se desenvolveu em certas condições econômicas, culturais e tecnológicas diferentes. Eu não vivi outras, por isso digo que a minha infância foi a melhor e pra mim realmente foi. Quando eu vejo o meu sobrinho mais velho grudado num telefone ou num computador jogando joguinho não consigo ver ali uma infância saudável onde ele possa interagir com outras pessoas como eu fazia com a turma do prédio onde eu morava. Mas era outra época.

Vídeo game era raro alguém ter. Um que eu tive junto com meu irmão , talvez o único da infância, foi o Atari e mesmo assim a gente jogava pouco. Preferíamos estar com nossos amigos brincando juntos. Hoje qualquer telefone celular vem com joguinhos pra crianças de qualquer idade ou aplicativos que levam a baixar esses joguinhos. Telefone celular na minha infância era coisa que víamos só nos filmes de James Bond e os telefones que quando chegaram tinham a função exclusivamente de fazer ligações hoje fazem de tudo, inclusive ligações. Não só servem pra função original dele como pra ser vídeo game, agenda, agencia de banco, maquina fotográfica entre outros.

Pra se ter uma idéia, quando eu fiz dez anos ganhei uma maquina de retrato do meu padrinho. Uma Kodak que tirava fotos tamanho 9x9 com o tipo de filme CB126. Sim, era filme negativo que depois a gente tinha que levar pra revelar. Já o meu sobrinho mais velho no Natal que ele tinha cinco anos, ou seja, metade da minha idade, ganhou um aparelho celular que inclusive tirava fotos. Mas isso foi pelo fato dos joguinhos estarem bem evoluídos e difundidos nesses aparelhos. Não que ele fique o dia todo pendurado jogando no telefone. Ele até faz outras atividades, o que eu acho bem mais saudável, como jogar bola que ele adora, e quando está com o pai andar de bicicleta entre outras coisas, mas o que faz ele ficar quieto é o joguinho eletrônico.

Somos de gerações diferentes, sou trinta anos mais velho que ele. Talvez ele brincasse como eu se tivesse nascido na mesma época que eu, ou eu fizesse o mesmo que ele se tivesse nascido a quase dez anos. Não estou julgando se é melhor ou pior. É diferente e não há comparação.

Agora me preocupa quais os valores de infância o meu sobrinho mais novo vai carregar com ele. Ainda é pequeno, tem pouco mais de um ano, mas já começa a observar o mundo e assimilar algumas coisas como toda criança nessa idade. A memória dele agora que vai começar não só a captar mas a registrar tudo o que ele vê, ouve e sente. Ele já é de uma outra geração com outra visão, outros objetivos de vida. Vida essa que tem muita pela frente.

Quando eles dois chegarem a minha idade e olharem pra trás será que eles vão dizer que valeu a pena que tiveram uma infância maravilhosa, que não podem reclamar de nada – essa acho um pouco difícil, mas uma reclamação branda, sem rancores até mesmo pela configuração de família que eles tem.


Quem vai tocar daqui a trinta, quarenta anos na festa Ploc que eles vão frequentar?  

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